Nota da autora: Para os desavisados, não se esqueçam de ler a "Introdução" logo atrás :)
Enjoy!
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
Capítulo 1 – Nada se cria, tudo de transforma
Gina encontrava-se sentada na beira do lago, em meados de novembro, olhando a bela paisagem à sua frente. Lágrimas escorriam de seus olhos, ao lembrar-se da conversa que acabara de ouvir, ainda fresca em sua mente.
**flasback**
Estava passando pelos corredores, após o término de sua aula de transfiguração. Andava distraída quando, por acaso, ouviu seu nome ser citado em uma conversa:
- Mas a Gina não faz por mal...
Era a voz de seu irmão. Aproximou-se, mantendo-se a uma distância segura, onde quem falava não poderia vê-la. Observou os presentes: seu irmão, Harry e Hermione.
- Olha, Rony – dizia Harry – eu sei que ela é sua irmã, e eu realmente a prezo, mas com tudo o que dizem sobre ela ainda ter uma fixação por mim, tenho medo de assumir meu namoro em público. Parvati já está quase me matando por conta disso, sério!
A garota raciocinou, tentando entender o teor. Parte dela sabia do que estavam falando, mas outra parte não queria acreditar.
- Harry – falou Hermione – sabe, podem ser apenas boatos, nada foi confirmado...
- Acorda, Mione – disse Harry, a cortando – os namoros dela não duram um mês, e eu só ouço comentários que ela terminou porque eles não são "o Harry Potter"... É difícil ficar ouvindo isso diariamente.
- Harry, você é meu amigo, sabe que te apoio – falou Rony, enquanto Gina ouvia a tudo chocada – eu sei que minha irmã é meio grudenta, principalmente com você, mas eu não posso fazer muita coisa. Ninguém tem coragem de falar nada com ela, muito menos eu. Sempre que estamos em casa, durante as férias, a vejo suspirar pelos cantos, não consigo falar nada ao vê-la dessa forma...
- Nós o entendemos, Harry – falou Hermione, enquanto as vozes deles iam se afastando – somos seus amigos, o apoiaremos como pudermos...
**fim do flashback**
Como eles ousavam falar dela daquela forma? Há muito tempo já havia perdido sua paixonite por Harry. Ele era o garoto-que-sobreviveu, aquele que a salvara dos perigos na Câmara Secreta; era até lógico que, aos onze anos, estivesse apaixonada por ele. Mas o tempo passou, e já não o conseguia vê-lo assim; era apenas mais um dos seus irmãos, que estava sempre em sua casa durante as férias.
Quanto aos seus namoros, só os terminava porque eram realmente ruins; tanto Michael quando Dino queriam "avançar", quando ela mal se sentia à vontade para beijá-los. Eles não despertavam nada nela, nenhuma faísca; eram amigos que, por demonstrarem interesse, ela havia dado uma chance, mas não teve sucesso nos relacionamentos. Mas daí a dizerem por toda Hogwarts que ela havia terminado porque estes não eram Harry Potter...? Sentia-se ofendia por esse pensamento.
Sentiu raiva de si mesma; sempre teve aquele jeito de garotinha, mesmo já estando em seu sexto ano. Era considerada uma boba por todos à sua volta, que só viam uma menina com paixonite pré-adolescente.
Queria mudar, queria ser outra pessoa. Não sabia como aquilo seria possível, mas não conseguiu deixar de imaginar. Visualizou-se bela perante os olhos dos outros, uma garota sensual que sabia o que fazer em cada momento. Que ninguém falaria fofocas por trás para denegrir sua imagem e que não sentiriam pena, mas que, sim, teriam medo e respeito por ela.
Ah, como queria que aquilo acontecesse! Concentrou-se em sua imagem, sempre ruim; utilizando uniformes de segunda mão, só piorava seu exterior. Pensou em dar uma olhada em algumas revistas de moda que suas colegas de quarto guardavam embaixo das camas, onde teria alguma dica de feitiço para que pudesse usar. Enquanto pensava, não ouviu passos que se aproximavam lentamente...
Draco estava em seu salão comunal, entediado. Pensava pela milésima vez na conversa que tivera com seu pai antes das aulas voltarem.
Cansado de tudo que havia passado e feito durante os últimos sete anos, o loiro teve um discussão profunda com ele, sobre como seguia seus passos durante todo aquele tempo, nunca sendo levado a nada. Só não foi deserdado por ser filho único, herdeiro dos Malfoy. Se tivesse um irmão, com certeza estaria aos ventos naquele instante.
Sua mãe interrompeu a briga, antes que piorasse. Ela amava os dois, e queria que logo se acertassem, mas Draco não via como. Seu pai não se importava, mas ele não queria ser mandado por um "morto-vivo". Qual a graça disso? E, pior, vinha aceitando essa ideia por conta de seu pai, mas, agora, não via sentido.
Queria sua liberdade, queria fazer suas próprias escolhas. E, no entanto, cada vez que parava para pensar, percebia que não sabia o que escolher. Vivera tantos anos na sombra do poderoso Lúcio Malfoy, que agora não sabia como agir sem seguir os passos dele.
Impunha muito respeito por toda Hogwarts, mas era odiado pela maioria, senão, temido. Sua ex-namorada, Pansy Parkison, ao terminar com ele em meados de setembro, disse muitas coisas, em especial sobre como ele nunca encontraria alguém que o amasse se continuasse agindo daquela forma: frio e distante.
Ele não discordou, pois no fundo, sabia que era verdade; ninguém o aturaria daquela forma. Até hoje não imaginava como seu pai e sua mãe estavam juntos; antes, achava que era por aparência mas, ao observar atentamente, via que um sentimento existia entre eles. Ora, se até mesmo seu pai conseguiu, porque não ele?
Saiu para dar uma volta, pois não aguentava ficar enclausurado no salão. Enquanto caminhava para os jardins, não pode deixar de pensar sobre o assunto. Afinal, que tipo de pessoa ele era? Nunca havia parado para pensar nisso antes; ele era frio por natureza, ou porque foi educado à agir daquela forma?
Com a mente distante, aproximou-se do lago e sentou-se, sem notar que já havia alguém ali.
Quando Gina voltou à realidade, percebeu que havia mais alguém com ela.
- Malfoy...? – disse, em um sussurro de voz.
Acordando o loiro de seu devaneio, foi encarada por um olhar cinza profundo que, naquele momento, em nada parecia com o que estava acostumada em receber do sonserino quando se esbarravam pelos corredores.
- Weasley – ele pareceu surpreso ao vê-la ali – Anh, o que faz aqui?
Gina parou, pensando. O loiro a encarava, percebendo seus olhos avermelhados por conta das lágrimas.
- Só... Distraindo minha mente de algumas coisas. – limitou-se a dizer, olhando para o horizonte – e você?
Ele ficou calado por alguns segundos, antes de responder:
- O mesmo.
Continuaram em silêncio, analisando a situação. Draco não sabia o que fazer; a primeira coisa que lhe vinha em mente era soltar uma ofensa, com sempre fez durante os últimos anos. Só que, em seu interior, algo o fez parar.
Não estava pensando há pouco sobre como agia condicionado por sua educação? Talvez aquela fosse uma dessas atitudes. Levado por esse pensamento, tentou puxar uma conversa:
- Então... Hoje fez muito calor, não?
Gina o encarou, incrédula. Draco Malfoy estava puxando uma conversa sobre o tempo. Como se já não bastasse estar puxando papo, precisava ser de um tema tão... batido? Brega? Não original...?
Gina apenas assentiu, tentando fazer um comentário:
- Sim... Mesmo para um outono.
Nenhum dos dois falou mais nada. Draco sentia-se estúpido por ter tentando conversar, e já estava preparado para se levantar, quando a ruiva falou:
- Sabe, é a primeira vez desde que entrei em Hogwarts que não trocamos ofensas estando no mesmo local.
Ele parou para pensar em suas palavras, e percebeu que era verdade. Geralmente, a primeira frase que trocavam era uma provocação em relação às suas famílias.
- Talvez isso seja um avanço – comentou ele – ou talvez nós dois estejamos sonhando com um mundo ideal onde duendes dançam ao nosso redor enquanto distribuímos flores – completou, de forma sarcástica.
Gina riu. Ao som de sua risada, Draco a olhou, dessa vez mais atentamente. Tirando as marcas de lágrimas em sua face, ela era bonita. Uma beleza não lapidada, mas, ainda assim, bela.
- Esse não seria um mundo ideal, seria um mundo cômico – ela disse – eu, ao menos, riria o tempo inteiro pela cena.
Draco deu um pequeno sorriso.
- Tem razão, acho que até eu agiria assim.
Ela o encarou. Nunca havia parado para analisá-lo mas, estando tão perto, conseguiu perceber o que nunca reparara nos anos anteriores: Draco Malfoy era bonito. Tinha feições finas, um rosto pálido e olhos cinza profundos. O cabelo na cor loiro-platinado estava para trás mas, talvez, se o deixasse arrepiado, poderia ficar melhor.
Vendo o sorriso em sua face, Gina não pode deixar de comentar:
- É diferente quando você sorri. É... a primeira vez que o vejo agir assim.
Meio desconcertado, Draco só comentou:
- Estamos tendo muitas "primeiras-vezes" hoje, não?
Gina corou fortemente, fazendo o loiro sorrir maliciosamente.
- Incrível como os Weasley denunciam o que estão pensando – falou, em tom malicioso.
Gina ficou calada por um momento, respirando fundo, antes de responder:
- Eu quero mudar isso – e, olhando seriamente em seus olhos, completou – eu quero ser mais como você.
Draco a olhou, surpreso e sem fala. Era a primeira vez que alguém dizia que queria ser igual a ele; nunca passara em sua mente que alguém poderia desejar ser uma pessoa fria e cruel.
- E porque quer isso? – disse, sem emoção – não é nada bom ser odiado por todos à sua volta.
- Mas você impõe respeito – ela continuou – é temido, mas respeitado. Eu... admiro isso. Gostaria de ser assim, e não alguém que as pessoas sentem pena. – completou, em um fio de voz.
Ele ficou calado, a olhando. Aquela conversa já estava durando demais, porém, não se controlou ao perguntar:
- O que aconteceu?
E ela contou. Não sabia se era por não ter ninguém com quem pudesse desabafar, ou por estar emocionalmente abalada, mas simplesmente contou sobre a conversa que ouvira e sobre como aquilo mexera com ela. Sobre como queria mudar, ser vista de outra forma. Ao final, Draco pode entender o desejo da garota; ninguém falaria dele daquela forma.
- Você consegue – disse ele, depois do relato – quando alguém quer mudar, basta se esforçar e, ao fim, conseguirá atingir suas metas.
Ele disse isso à ruiva, mas pensava nele mesmo. Depois do que ela falou, pensou no quanto gostava de ser respeitado, mas no quanto ainda gostaria de mudar em suas atitudes, e no esforço que faria para conseguir.
- Obrigada – ela agradeceu, levantando-se.
Já havia anoitecido, e de onde estavam podiam ouvir os burburinhos no castelo, indicando o início do jantar.
- Eu acabei lhe falando mais do que devia – continuou, com um sorriso de desculpas – mas agradeço por sua atenção.
- Não há de quê – ele respondeu, dando um meio sorriso, permanecendo sentado.
Desconcertada, ela caminhou em direção ao castelo, sem se despedir. Não sabia o que dizer; "até amanhã?", "nos vemos depois?". Nenhuma daquelas frases parecia certa, não quando ela era uma Weasley e ele um Malfoy, e apenas uma pequena trégua havia sido dada por aquele instante.
Draco permaneceu em seu lugar, pensativo, muito tempo depois de a ruiva ter ido embora. Se pensava em agir diferente, já havia começado. Conversar com uma Weasley poderia até mesmo ser considerado um ato de caridade, certo?
Desfez o pensamento; esse era o primeiro passo, rever seus conceitos. A conversa havia disso agradável, afinal. Pensou no que ela falara, no quanto queria mudar, e não pode deixar de achar que ela conseguiria.
Calmamente, levantou-se, seguindo os passos da ruiva de volta ao castelo.
Gina não dormiu aquela noite, pensando nas palavras no loiro. Era o incentivo que precisava para mudar sua vida; veio de uma pessoa inesperada, mas ainda assim, era um incentivo.
Levantou-se antes das garotas com quem dividia dormitório e não possuía muita intimidade, indo para o banheiro carregando seu uniforme. Sua mudança começaria naquele instante.
Quando elas acordaram, Gina já havia descido para o café da manhã. Seu uniforme estava mais curto e justo, modelando melhor seu corpo, que passara tantos anos escondido por roupas largas. Com a varinha, havia cortado ligeiramente seu cabelo, dando mais volume enquanto o deixava solto; aparou sua franja, tendo mudado o penteado para que uma mecha caísse sobre seu olho direito. Com uma presilha, prendeu parte para trás.
Colocou um pouco de maquiagem, de um estojo que havia deixado guardado no fundo de sua mala. Um batom avermelhado, em um tom não muito forte, e um lápis de olho negro, destacando seu olhar.
Ao olhar-se no espelho, mal se reconheceu. Incrível como pequenos detalhes poderiam fazer tanta diferença!
Orgulhosa de sua pequena mudança, andou confiante até o salão principal, recebendo alguns olhares por onde passava.
Enquanto comia, olhou por reflexo para a mesa da sonserina, vendo um certo loiro a encarar com ar de surpresa. Dando um pequeno sorriso de gratidão, voltou a concentrar-se no prato à sua frente.
Seu irmão passou ao seu lado sem cumprimentá-la, e ela acabou por dizer:
- Bom dia, Ron.
Ele virou-se para responder, mas ficou parado a olhando.
- Que... Que uniforme é esse, Gina? – conseguiu dizer, com a voz ligeiramente exaltada.
Limpando a boca com um guardanapo, a garota começou a recolher sua mochila e levantar-se.
- Eu dei alguns ajustes nele, irmão – disse, com um sorriso inocente nos lábios.
- Alguns ajust... – ele parou no meio da frase – e que decote é esse? Por que suas pernas estão de fora? – falou, fazendo menção aos botões abertos do uniforme da ruiva, com a gravata alargada dando destaque, e a saia à dois palmos acima do joelho.
Soltando um suspiro e revirando os olhos, Gina respondeu com um sorrisinho:
- Eu tenho seios, Rony– falou apontando com o dedo para a blusa – e pernas – apontou para a saia – e não tenho motivo para escondê-los. – completou, dando as costas e afastando-se em direção à saída do salão principal.
- Tamanho 42, Gina? – Colin, que estava próximo, falou, apontando para o próprio peitoral.
Ele era o único gay assumido da escola, sempre atento à roupas e acessórios femininos. Era legal de se conversar, mas gostava mais de uma boa fofoca.
Gina limitou-se a dar um aceno positivo com as mãos, fazendo Colin dar um risadinha e seu irmão olhar abismado enquanto ela ia embora.
Sentia-se orgulhosa; em vez de apenas corar e ouvir uma ralhação, conseguiu responder de uma forma que julgava ideal: despretensiosa.
Enquanto caminhava para sua aula de poções, nas masmorras, encontrou um certo loiro encostado na porta de sua sala. Estava vazia aquela hora, pois ainda era muito cedo, dando a eles certa liberdade para conversar.
- Parabéns – ele começou – acho que termos conversado ontem fez um belo efeito sobre você.
Ele deu ênfase à palavra "belo", olhando Gina de cima a baixo. Sentiu-se um tanto constrangida, mas ao mesmo tempo lisonjeada com aquele olhar.
- Sabe, vou estar no lago hoje à tarde, após as aulas – ele falou, parando seu olhar no decote da garota – caso você queira passar por lá.
Sorrindo, Gina caminhou até a porta, parando ao lado dele.
- Posso pensar no assunto. Se... – com uma das mãos, levantou gentilmente o rosto do loiro, de forma que a encarasse – olhar em meus olhos enquanto conversarmos.
Dando um sorriso galanteador que só um Malfoy sabe dar, Draco a viu entrando na sala e, já ouvindo passos no corredor, respondeu:
- Farei um esforço.
Deixando a ruiva rindo em frente ao seu caldeirão, enquanto arrumava seus materiais.
Draco havia acordado diferente naquela manhã, e não sabia bem o motivo. Sua tarde anterior havia sido estranha, completamente fora do normal. Talvez fosse apenas a sensação de algo novo, não sabia. Mas gostaria de continuar sentindo aquilo.
Estava tomando seu café da manhã, quando viu uma certa ruiva entrar no salão, e seus olhos depositaram-se nela. Diferente da tarde anterior, seu uniforme agora mostrava todas suas curvas; seu rosto estava com uma maquiagem na medida certa, sem torná-la vulgar, ainda mantendo-a com o ar inocente que possuía.
Ela o encarou, dando um sorriso, e Draco sentiu algo revirar-se dentro dele. Acompanhou-a de longe, vendo a cena que se desenrolara entre ela e seu irmão, tendo que segurar o riso para que os outros sonserinos não percebessem que prestava atenção.
Ao vê-la sair, pegou sua mochila e saiu correndo do salão; sabia que o 6º ano da grifinória tinha poções naquele tempo; sempre esbarrava com essa turma quando ia para a própria aula nas masmorras.
Pegou um atalho e parou no beiral da porta, recuperando o fôlego e esperando-a chegar. De perto, parecia ainda mais bonita, e não pode deixar de olhá-la com um desejo contido. Antes que desse conta, estava lançando o "charme Malfoy" pra cima dela; e, aparentemente, estava sendo correspondido.
Enquanto ia em direção às estufas, onde teria aula de herbologia, não conseguia tirar aquelas curvas de sua mente.
Certo, ela era uma Weasley, não deveriam se envolver. Mas não tinha como se enganar, a desejava. E o que um Malfoy quer, ele consegue; começou a pensar nas possibilidades.
Se matasse aquela vontade que o consumia, poderia tirá-la da mente; e ninguém precisava saber. Uma parte sua, com seus conceitos antigos, dizia que não deveria nem mesmo encostar na ruiva; mas era a sua parte atual que tomava a decisão de ter alguns momentos mais íntimos com a Weasley. E era essa parte que contava os minutos para que chegasse o final do dia.
Gina foi andando lentamente até o lago, após o término de suas aulas, perguntando-se se o que fazia era certo; a tarde anterior havia sido agradável, e não queria mudar essa impressão.
No entanto, a forma como o loiro a olhara mais cedo despertara algo em seu ser que não sabia identificar, e estava curiosa para descobrir.
O encontrou encostado em uma árvore, jogando pedras no lago. Com sua chegada, ele parou, encarando-a e dando-lhe um sorriso galanteador, que fez algo revirar dentro dela.
- Oi – ela disse, parando a poucos metros dele.
Ele não respondeu, apenas a encarou. E o que aconteceu depois daquilo, nenhum dos dois soube explicar.
Quando se deram conta, já estavam se beijando, encostados em uma árvore. Um beijo quente, profundo, que fazia o corpo inteiro de Gina esquentar, de uma forma que ela nunca havia sentido quando beijou outros rapazes.
Draco a apertava com força, de forma possessiva, mas não chegava a machucar. Já estavam sem fôlego quando finalmente pararam.
- Era essa a nossa conversa? – Gina conseguiu dizer, um tanto sem ar, ainda entre os braços dele.
O loiro sorriu.
- Está incluso na coisa toda. – ele respondeu, fazendo-a rir.
O som da risada dela causava um efeito estranho no sonserino; era como música para seus ouvidos, um som que ele queria continuar ouvindo.
- Mas, então, como foi seu dia? – ele perguntou, afastando a mecha que caía sobre os olhos dela, colocando-a atrás de sua orelha. Esse simples gesto fez Gina estremecer.
- Ah, foi... Diferente. As pessoas pareciam me olhar. – ela falou, um tanto assustada, fazendo-o rir.
- Acostume-se. Com essa aparência, ganhará muito mais olhares por onde passar – comentou, voltando a encarar o decote dela, como de manhã.
Repetindo o gesto, Gina levantou o rosto dele com as mãos.
- Nos olhos, lembra?
Ele deu uma risada.
- Às vezes fica um pouco difícil me concentrar.
Continuaram conversando sobre assuntos banais: aulas, professores, impressões sobre alguns alunos.
Estavam sentados de pernas cruzadas, um de frente para o outro, mas a mão de Draco segurava a de Gina, fazendo pequenos círculos com os dedos.
Ela não compreendia o que estava acontecendo; ele, tampouco. Só aproveitaram aquele momento e, ao despedirem-se com um beijo de tirar o fôlego, Draco conseguiu dizer:
- Estarei aqui amanhã, no mesmo horário.
Assentindo, Gina retornou para o castelo, sentindo um calor que não era causado pelo tempo ameno.
Ao entrar no salão comunal, mais contente do que quando o deixara pela manhã, viu Colin acenando do outro lado da sala:
- Ei Gina! Junte-se a nós! – gritou ele.
Ela estranhou; nunca antes fora convidada para juntar-se ao grupo de Colin, onde havia alguns grifinórios bem populares. Dando os ombros, caminhou até eles, tomando um lugar em uma das poltronas.
Conversavam besteiras, fazendo piadas e contando fofocas. Aos poucos, Gina foi entrosando-se na conversa, sendo bem recebida. Fazia alguns comentários que, em seu interior, lembrava-a muito de Draco, com seu ar sarcástico e arrogante.
Ao despedir-se para ir dormir, Colin a parou.
- Calma lá, pimentinha – falou ele, brincando. A chamava assim desde seu segundo ano – não vai nos contar o que a motivou a tamanha mudança de visual?
Dando um sorriso malicioso, que aprendera com um certo loiro, comentou:
- Digamos que eu tive o incentivo de alguém.
- Esse alguém tem peitoral definido e é muito gostoso? – perguntou Colin.
Mantendo o mesmo sorriso torto no rosto, Gina deu as costas e foi em direção ao seu dormitório.
- Isso não vale, Gina! – gritou Colin quando ela já estava nas escadas, fazendo-a rir – tem que dizer um nome!
Mas ela permaneceu rindo, sabendo que não revelaria a ninguém o que acontecera nos dois últimos dias entre ela e o loiro sonserino.
Estava sendo observada por um par de olhos verdes, que não saíram dela a noite inteira. Harry parecia quase hipnotizado na sua presença; aquela garota simples, que corava só de estar perto dele, parecia outra pessoa agora. Arrependeu-se da conversa eu teve com seus amigos na tarde anterior; talvez, tenha sido só fofoca estudantil, afinal.
Mas isso não mudava o fato de que sentia seu baixo ventre pulsar ao olhá-la, mesmo quando sua namorada, Parvati Patil, estava ao seu lado...
Dia seguinte Gina sentia-se outra pessoa. Ficou com medo de ter sonhado acordada, de nada ter acontecido, mas surpreendeu-se a ainda receber olhares quando passava pelos corredores. Notou quando alguns rapazes viraram o rosto após ela passar, acompanhando seus passos.
Sorridente, manteu-se dessa forma ao sentar ao lado de Colin no café da manhã, que não parava de tagarelar sobre todos os assuntos, em especial, sobre sua vida.
- E então? Ele é moreno? Sarado? – fazia tentativas, e Gina só respondia com um sorriso. Tinha esperança de que, uma hora, o grifinório cansaria do assunto.
Inconscientemente, olhou para a mesa da Sonserina, encontrando um par de olhos cinza já a encarando, o que fez seu coração disparar. Disfarçando, procurou concentrar-se em seu prato, mas sempre dando olhadelas para lá.
Lembrou-se da tarde anterior, dos beijos quentes, dos braços ao redor dela... Começou a sentir calor, e tratou de logo levantar-se, acompanhada de Colin e outros grifinórios, indo para sua primeira aula do dia.
- Encarar os outros é falta de educação.
Quem disse a frase foi Blaise Zabini, enquanto sentava-se ao seu lado. Em todos aqueles anos, o moreno era o único amigo que Draco tinha em Hogwarts; ao menos, era o único com quem conseguia manter uma conversa sem ofensas e humilhações.
O loiro voltou a encarar seu prato, continuando a comer.
- Quem disse que eu encarava alguém? – falou, sem emoção, recebendo uma risadinha de volta.
- As pessoas podem não perceber, Draco, mas eu o conheço bem – falou, enquanto enchia o prato – e eu já notei que você anda encarando a mesa da grifinória até demais ultimamente.
Os olhos de Draco se arregalaram ligeiramente, mas logo retomou sua postura.
- Eu não sei do que você está falando – disse da forma mais sonsa que conseguia, enquanto recolhia sua mochila e saía do salão.
Blaise só ficou olhando-o ir embora, abanando a cabeça. O loiro não tinha jeito, nunca admitia nada que se passava com ele. Conhecia o amigo, sabia reconhecer quando este agia de forma diferente.
Draco ia para sua aula, pensativo. A tarde anterior havia sido magnífica; o gosto dos lábios de Gina, seu perfume impregnando o ar... Contudo, isso não fora o suficiente para satisfazer sua vontade. Foi muito pouco tempo ao lado dela, precisava de mais.
Queria encontrá-la hoje, queria ouvir o som da risada dela. Se autoconvenceu que só continuaria com aquilo enquanto estivesse com vontade, o que logo, com toda a certeza de anos da sua vida, passaria.
Por isso, não se importou com o comentário de Blaise; o amigo não falaria nada para ninguém, mas precisava tomar cuidado para que mais ninguém soubesse. Não queria fofocas indesejadas com seu nome percorrendo os corredores de Hogwarts.
Era uma experiência nova para Gina; nunca antes caminhara ao lado de um grupo tão grande quanto o de Colin e, enquanto ria, agradecia mentalmente a um certo loiro. Foi graças a ele que resolveu mudar sua aparência e postura; agora, divertia-se com piadas e comentários engraçados entre uma aula e outra, quando todos entravam e saíam juntos.
- Sabe, isso pode ser apenas falsidade – comentou Draco, mexendo no cabelo dela.
Estavam no lago, após as aulas terminarem, abraçados. Como no dia anterior, não falaram nada antes de se beijarem e, agora que o coração de ambos estava mais calmo, conversavam.
- Pense a respeito. Antes ninguém falava com você e, da noite para o dia, começam a integrá-la em um grupinho. Soa pra mim como falsidade. – ele finalizou.
Gina, que estava encostada no ombro do loiro, afastou-se ligeiramente, para que pudesse olhar para seu rosto.
- Eu já estou ciente disso – falou – Colin sempre foi legal comigo, mesmo quando eu não chamava muito a atenção, mas nunca me convidou para andar com ele assim. Sei que pode ser um tanto falso, mas me sinto bem eu não estar tão sozinha.
- E qual o problema com a solidão?
- Para uma mulher, muito – ela disse, dando um sorriso triste – se um homem está sozinho, isso é um charme. Se uma mulher está sozinha, ela tem algo de errado e por isso todos estão afastados.
Draco deu uma risada.
- Acho que é verdade – ele falou, pegando as mãos dela entre as suas – só estou dizendo para tomar cuidado com o que conta a seus novos amigos, pois podem não ser muito confiáveis. Eu ando com muitas pessoas na sonserina, mas nem por isso falo nada pessoal.
Gina parou para pensar. Recordando-se agora, sempre via o loiro no meio de algum grupo de sonserinos, conversando, durante os intervalos entre aulas. Mas durante as refeições, sempre via Draco ao lado de um moreno, e a conversa entre eles sempre parecia mais sincera. Comentou sobre isso, ao que ele respondeu:
- É o Blaise. Ele é meio estranho, fala besteiras, mas é um cara legal. Está acostumado aos meus ataques de mau-humor.
Dando um sorrisinho, Gina comentou:
- Espero não vê-lo de mau-humor tão cedo. Não quero estragar a imagem que tenho de você nesse instante.
Sorrindo de volta, o loiro falou:
- Ruiva, perto de você é impossível ficar de mau humor.
E logo voltaram a se beijar. Gina subiu suas mãos pelo pescoço dele, bagunçando seu cabelo.
- O que está fazendo? – perguntou ele, interrompendo o beijo.
- Só... Tentando algo. – ela respondeu, enquanto concentrava-se em penteá-lo de outra forma.
Ficou parado, esperando a garota acabar o serviço. Quando deu como pronto, Gina pegou um pequeno espelho que carregava em sua bolsa, colocando na sua frente.
- Até que ficou legal – ele comentou, depois de algum tempo encarando o próprio reflexo – mas estou mais acostumado com ele para trás.
- Eu sei que está – falou a ruiva, enquanto guardava seu objeto – mas às vezes, pequenas mudanças podem fazer grandes diferenças.
Draco a olhou, especulativo.
- Já acha que pode sair dando lição de moral nos outros? – ele a puxou para perto, enquanto falava – só porque há dois dias vem sendo agarrada por um loiro irresistível e charmoso?
Ela riu, enquanto deixava-se ser abraçada.
- Bom, eu acho que isso me dá o direito de opinar sobre algo – ela comentou, antes de puxá-lo para mais um beijo.
A semana foi passando, e os dias pareciam os mesmo. A rotina de sempre andar com Colin e seu grupo e de encontrar Draco após as aulas se mantinha, e Gina não podia estar mais feliz com seu novo eu.
Sexta-feira, estava em sua aula de herbologia, que dividia com a Corvinal. Ao tomar lugar ao lado de sua parceira, Luna Lovegood, recebeu um sorriso simpático.
- Você está bonita, Gina.
A ruiva deu um sorriso sincero. De todas as pessoas, Luna era a única que jamais conseguiria ser falsa com ela. A loira mantinha seu ar de avoado de sempre, mas seu rosto apresentava algo mais maduro. Em todos os anos de Hogwarts, nunca recebeu nenhum olhar falso vindo dela, nenhum comentário que pudesse magoá-la. As pessoas haviam parado aos poucos de chamá-la de louca, mas a corvinal ainda vivia sozinha a maior parte do tempo.
Sentindo um pouco de pena, ao final da aula, Gina conversou com ela. Os assuntos não eram mais os mesmos: Luna parecia estar mais madura, conversava sobre temas como política estudantil e sobre a guerra do mundo mágico.
Ao final, lhe perguntou:
- Por que você está sempre sozinha, Lu? Você é uma garota bonita, tem papo, poderia estar com mais pessoas.
Recebeu um olhar incrédulo da loira.
- Eu não sou bonita, Gina, você é – ela olhou a si própria, com um olhar triste – eu jamais conseguiria ser popular com você.
Gina tomou um choque ao ouvir isso. Nunca parou para pensar em si mesma como popular, mas aquela semana estava dando a ela o que sempre quis em seis anos: popularidade.
Viu Colin acenar no final do corredor, quando já haviam retornado ao castelo. Dando um sorriso triste, a corvinal se despediu.
- Nos vemos por aí, Gina.
Pensativa, a ruiva encontrou o grifinório, que limitou-se a dizer.
- Você deveria tomar cuidado com quem anda. Não quer estragar sua imagem, quer?
Foi quase como tomar um soco no estômago. Via em Luna a garota que costumava ser; sempre quieta em seu canto, quando ninguém prestava atenção. Tomando coragem, ciente de que poderia perder sua popularidade recém-conquistada, deu a volta e saiu correndo, despedindo-se de Colin.
- Não vou assistir feitiços hoje! – gritou, já no final do corredor, sobre um olhar incrédulo do grifinório.
Gina correu pelos corredores, seguindo o caminho da corvinal. A avistou quando esta já estava para entrar em uma das salas de aula.
- Luna, espera! – gritou, fazendo a loira parar e virar-se para olhá-la.
Ao aproximar-se, arfando, conseguiu dizer.
- Vem comigo.
Sem entender, a loira deixou-se ser guiada por Gina, enquanto esta a arrastava pelos andares, levando-a até um banheiro vazio àquela hora.
- Nós vamos perder aula – disse a loira, sem entender nada.
- Matar aula é saudável de vez em quando – respondeu Gina, apoiando-se na bancada de pias – agora, me diga o que não gosta em você.
A loira a olhou, ainda confusa, pensando no que responder.
- Não gosto de me ver no espelho – começou – me acho... esquisita. Meu cabelo está sempre parecendo um ninho de pufosos, meu uniforme está sempre largo. Às vezes acho que sou uma tábua usando roupa – deu um sorrisinho.
Sorrindo também, Gina aproximou-se, levantando sua varinha.
- Muito bem, vamos nos concentrar em melhorar isso.
E começou a utilizar feitiços que aprendera durante aquela semana, ao contato que teve com tantas revistas de moda que Colin carregava para todos os cantos.
Ao final, não podia sentir-se mais orgulhosa do resultado. As aulas já haviam acabado e já era hora do jantar. Algo dentro dela dizia que um certo loiro estaria aborrecido com sua ausência no lago, mas a felicidade em olhar para Luna naquele momento superava qualquer remorso que pudesse ter.
Ela estava linda. Seu cabelo loiro, que antes tinham uma aparência desgrenhada, estava agora volumoso e com cachos definidos, modelando seu rosto. Seus olhos azuis, que pareciam tão apagados, agora brilhavam, sendo destacados por um lápis de olho negro. Um batom rosado cobria sua boca, dando uma ligeira cor, nada muito forte.
Seu uniforme também estava diferente; ela não havia deixado-o muito curto e justo, como o de Gina, mas o havia ajustado, dando destaque às partes certas de seu corpo pequeno e bem modelado. Não se sentia confiante para usar decotes, pois achava que não tinha muito seio para isso. Ignorando o comentário da loira, Gina fez com que ela usasse os botões de cima abertos.
- Acredite em mim, não importa o tamanho, vai chamar a atenção.
Ao olhar-se no espelho, Luna sentia-se outra pessoa. Sorrindo, só conseguiu agradecer:
- Obrigada, Gina, eu... – sua voz estava emocionada – só... Obrigada.
Assentindo, a ruiva deixou que a amiga ficasse mais um tempo se olhando, antes de dizer:
- Vamos jantar?
Sorrindo, as duas foram de braços dados para o salão principal, certas de que conquistariam muitos olhares pelo caminho.
Draco estava de mau-humor. Ficou esperando no lago até o anoitecer e, vendo que a ruiva não aparecia, caminhou para o salão principal. Não conseguia deixar de pensar no motivo para isso; estavam se vendo diariamente, não havia motivo para ela faltar.
Dava garfadas com raiva em sua comida, algo que Blaise não deixou passar despercebido.
- Você não precisa assassinar sua comida, Draco. Teoricamente, ela já está imóvel.
Recebeu um olhar de desprezo do loiro.
- Só fico imaginando porque está assim – continuou o moreno – afinal, você é um Malfoy, nunca se abala com nada.
O loiro refletiu. Era verdade; nunca, em toda a sua vida, sentiu-se tão idiota quanto no momento em que viu que a ruiva não iria aparecer. Estava abalado com aquilo, mas não queria admitir. Não costumava demonstrar, mas Blaise sempre percebia quando algo estava errado com ele. Sentia raiva dela, ao mesmo tempo em que queria confrontá-la para saber quem ela pensava que era para fazer isso com ele. Algo dentro dele se mexeu; receou que, para ela, a vontade já havia acabado. Não o queria mais, não fazia mais questão. Estava se tornando popular, não precisava perder seu tempo encontrando-o às escondidas.
Absorto em pensamentos sombrios, voltou à realidade quando ouviu uma exclamação de Blaise.
- Mas o que...? – ele dizia, olhando fixamente para um ponto.
Draco acompanhou seu olhar, e precisou se controlar para não soltar uma exclamação também.
Gina entrou no salão, acompanhada de uma loira espetacular. As duas riam e brincavam, despedindo-se para cada uma ir para sua mesa. O olhar de Blaise acompanhou cada movimento da loira, e continuou encarando enquanto ela sentava-se na mesa da corvinal e comia sua refeição.
- Aquela é... a Lovegood? – o moreno conseguiu dizer, surpreso e chocado, ao mesmo tempo.
Surpreso, Draco manteve seu olhar em Gina que sorria orgulhosamente. Aparentemente, ela sentia orgulho de algo que acabara de fazer, o que fazia o comentário de Blaise ser real.
Gina foi cercada por Colin e outras pessoas do seu grupo, que encararam incrédulos a chegada das duas garotas ao salão. A bombardeavam com perguntas, e ela apenas sorria, assentindo.
Em um momento, ela levantou seu olhar, encontrando o do loiro. Ela falou algo, e Draco pensou ter entendido a palavra "desculpe". Assentindo, levantou-se, saindo do salão, não sem antes dar um último olhar para ela.
Enquanto andava, esperava que ela tivesse entendido a mensagem. Provou-se verdadeiro quando ouviu passos atrás de si.
A ruiva parou a alguns metros dele, no lago. Estava escuro e não conseguia vê-la direito, mas percebeu o sentimento por trás de sua fala:
- Me desculpa – ela começou – eu quis fazer algo especial por Luna e, quando vi, já estava na hora do jantar. Não tive como te avisar antes, desculpa. Prometo que isso não vai mais acontecer.
Draco ficou em silêncio, pensando no que responder. Então ela não havia desistido, afinal. Ainda queria continuar vendo-o todas as tardes. Sentiu algo quente dentro de si com esse pensamento, mas tentou desconversar.
- Você não precisa me dar satisfações, ruiva.
- Mas eu quero – ela falou, aproximando-se e passando os braços ao redor dele, abraçando-o – não gosto de furar com ninguém, muito menos com você.
Um tanto assustado, Draco correspondeu o abraço.
- Tudo bem – ele finalmente disse – acho que valeu a pena pra você, certo?
Na mesma hora, Gina empolgou-se.
- E não é? Eu nem acredito que a Luna podia ser tão bonita! – ela falou, animada, enquanto mexia-se em seu lugar – eu só quis ajudá-la porque me vi nela, uma garota que ninguém dá importância. E agora ela está completamente diferente!
Draco olhava toda aquela animação, sorrindo. Gina havia começado a agir de outra forma com os outros, mas pra ele, não escondia os sentimentos. Sentiu-se feliz com esse pensamento.
Continuaram conversando, entre beijos. Precisavam voltar, pois se fossem pegos depois do toque de recolher teriam muitos problemas. Enquanto caminhavam de volta, de mãos dadas no escuro, Draco comentou algo que já havia percebido:
- Acho que sua convivência comigo está lhe fazendo bem. De tudo o que me conta, suas atitudes diferem muito do que você me disse antes.
Ela deu um sorriso maroto.
- Eu sei. Na verdade, me inspiro em você quando estou conversando com os outros.
Chegaram à porta do castelo.
- Isso quer dizer que você pensa em mim o tempo todo? – o loiro perguntou, levantando uma das sobrancelhas.
Gina ficou ligeiramente vermelha, antes de responder.
- Isso quer dizer que eu admiro você de muitas formas – ela disse, aproximando-se e dando um beijo nele – boa noite.
Ao afastar-se, o loiro gritou.
- Você não respondeu minha pergunta!
Gina virou para ele, dando um sorriso malicioso, antes de continuar seu caminho, deixando-o sem uma resposta conclusiva.
Ele descobriria a resposta, estava certo disso, enquanto caminhava para seu próprio salão comunal.
- Draco Malfoy está mais gostoso hoje, vocês não acham? – disse Colin, na mesa do café da manhã.
Gina, sentada ao seu lado, quase engasgou com seu suco.
- O cabelo dele ficou muito melhor assim – continuou – e aquele ar de bad boy dele a-r-r-a-s-a! – finalizou, olhando para a mesa dos sonserinos e soltando um suspiro – bem que ele podia jogar no meu time, né?
Gina deu uma pequena olhadela para a mesma mesa, sem comentar nada. Desde que ela havia mexido no cabelo dele, ele passara a usar daquela forma, e Colin não deixou passar despercebido. Ele conseguia reparar em cada mudança que as pessoas faziam naquela escola, e sempre comentava sobre elas.
Ele olhou para Gina, que estava calada.
- Pimentinha, tem certeza que você é hetero? Você fica tão calada quando eu falo de homens...
Gina soltou uma gargalhada.
- Colin, eu tenho certeza do time que jogo, você não vai me convencer do contrário – ela disse, enquanto passava manteiga em sua torrada – eu só fico calada porque não me sinto à vontade para conversar sobre isso.
O moreno assentiu.
- Entendi... Você é do tipo que come calada – a ruiva riu mais ainda – mas eu ainda vou descobrir quem é o seu homem misterioso. Ou pensa que eu não vejo você chegando toda amassada no salão comunal?
Gina ficou um pouco tensa, mas não deixou isso transparecer.
- Você está imaginando coisas – limitou-se a dizer, com um sorriso no rosto.
- Claro, claro... E eu agora me chamo Madame Pudeford – disse ele, cinicamente.
Continuando sua refeição, Gina lançou olhadelas para a mesa sonserina, onde Draco conversava com um moreno, Blaise. Era sábado, dia em que não tinham aulas. Ficou pensando se ele se veriam aos finais de semana, já que havia muitos alunos andando pelo colégio, e o risco de verem os dois era muito alto.
Enquanto retornava para seu salão comunal, uma coruja encontrou-a no caminho, entregando uma carta. Não havia remetente e, curiosa, abriu.
Por que não nos encontramos hoje na torre de astronomia, às 18h?
D.M.
P.S.: não jante; levarei algo para comermos.
Aquilo soava como um encontro oficial. Sorridente, Gina passou pelo retrato da mulher gorda, ouvindo seu nome ser chamado logo em seguida.
Hermione acenava para ela de um canto, acompanhada por Rony e Harry. Seu irmão estava com a cara emburrada, e recusava-se a falar com ela desde que ajustara seu uniforme.
A mágoa que nutria pelo trio, desde a conversa que ouvira há quase uma semana, havia se dissipado. Seus momentos com Draco e sua recente popularidade a haviam convencido de que não precisava guardar rancor em relação aos três, afinal, foi graças a esse choque que ela teve a oportunidade de mudar.
Ao aproximar-se, viu que Harry a encarava de uma forma... Estranha.
- Oi Gina! Parece que faz tempo que não nos falamos – disse Hermione – você parece muito ocupada com seus novos amigos.
Dando os ombros, Gina respondeu.
- Eles são legais.
Seu irmão bufou onde estava sentado.
- O que há com ele? – perguntou de forma inocente.
- Ah, ele ainda não se acostumou com a ideia de a irmã dele estar sendo tão... olhada – comentou Hermione, pesarosa, fazendo Gina rir.
- Maninho, pode olhar pra mim. Hoje minhas pernas estão tampadas – disse, apontando para suas calças jeans. Por ser fim de semana, não usava seu uniforme, preferindo algo mais informal, como uma calça jeans e uma blusa preta de gola alta, por conta do frio.
Harry e Hermione riram, enquanto Rony a olhava com desprezo.
- Não acho graça em você ficar se exibindo por aí – começou ele –e se pensa que...
- Pode parando, Rony – disse Gina, secamente – não vou voltar a usar um uniforme com o dobro do meu tamanho só para satisfazê-lo. Estou muito bem assim, obrigada.
Harry a olhava, concordando mentalmente. Mesmo com outras roupas, Gina estava linda. Seu cabelo estava preso em um rabo-de-cavalo solto, deixando sua franja cair sobre seus olhos, dando-lhe uma beleza despojada.
- Então, Gina – disse ele, tentando puxar conversa – estão dizendo por aí que você já está namorando. É verdade?
Rony lançou-lhe mais um olhar raivoso.
- Estão dizendo muitas coisas sobre mim por aí, Harry – ela desconversou – e, por falar em namorada, onde está a Parvati?
Harry olhou para o chão.
- Nós... Hum, terminamos – ele disse, um tanto triste.
- Ah, sinto muito – disse a ruiva – mas logo você acha alguém. Já viu a Luna? Ajudei-a a mudar e, nossa, ela está linda!
O moreno de olhos verdes a olhou, um tanto incrédulo. Ela não parecia, em momento algum, sentir algo por ele. Acabou de contar que estava solteiro e, ainda assim, ela não se importou. Sentiu aquela mesma sensação de algo revirando dentro dele, enquanto ela falava com Hermione sobre Luna.
- Ela já era bonita – continuou a ruiva – só precisava de pequenos toques.
Olhando para o relógio em seu pulso, deu um passo para trás.
- Bom, tenho que ir, marquei com o pessoal na biblioteca. Hermione, me avise se quiser ajuda para seu visual, tenho certeza que posso oferecer alguns conselhos – disse, marotamente, enquanto saía do local.
- A Mione não precisa disso! – gritou Rony, depois que ele saiu – certo? – disse, em dúvida, enquanto olhava para a morena ao seu lado.
Ele deu um sorrisinho para ele, afagando-lhe a mão. Harry olhou a cena; desde que seus amigos começaram a namorar, sempre sentia-se sobrando naqueles momentos. Por isso logo havia começado seu namoro com Parvati, mas não deu muito certo. Não se sentia bem ao lado dela, e sua cabeça vivia pensando em uma ruiva há quase uma semana.
Queria ela. Achava que seria fácil conseguir, já que ele era o Harry Potter, seu herói de infância. Mas ao notar a atitude da garota enquanto conversavam, percebeu que teria que se esforçar. E conseguiria; estava certo que ela seria dele no final.
O sábado passou rápido, de forma agradável. Havia passado a tarde estudando, mas a companhia de seus novos amigos a distraía durante os estudos. Faziam brincadeiras em intervalos, piadas sobre a matéria que liam. Foi, no geral, um estudo muito mais divertido do que estava acostumada.
Quando deu cinco horas, levantaram-se para ir ao salão principal, e Gina despediu-se, pois queria passar em seu dormitório e trocar de roupa. Colin lhe deu um olhar malicioso.
- Posso supor que você não aparecerá para jantar?
Dando um sorriso elegante, Gina saiu, correndo para tomar um banho.
Ao chegar na torre de astronomia, trajando um par de botas de camurça e uma blusa de lã, ajustada em seu corpo, encontrou o loiro sentado em um canto, em cima de uma toalha. À sua frente, havia algumas almofadas e uma cesta de piquenique.
Surpresa, aproximou-se, sentando ao seu lado.
- Ao que devo toda essa honra? – perguntou, olhando em volta.
- Só pensei em ter alguns momentos com você sem correr o risco de nos atrapalharem – ele respondeu, já puxando-a para um beijo, que ela prontamente respondeu.
A verdade é que ele não aguentava esperar. Durante aquela semana com ela, sua vontade não saciava, e queria mais. Passava o dia desejando o momento que iria vê-la, onde iria provar seus lábios e abraçá-la. Teve sonhos eróticos quase todas as noites desde que começaram a sair.
Não entendia o que estava sentindo, e culpava seu desejo por isso. Agia diferente perto dela; durante o dia, era o mesmo Malfoy que sempre foi. Frio, sarcástico, provocador. Mas, ao lado dela, suas atitudes eram suaves, genuinamente interessado em tudo o que ela contava.
Queria entender isso, mas ao mesmo tempo, não queria. Tinha receio de que acabasse quando descobrisse. E, ainda assim, não conseguia controlar a vontade de despí-la, de provar cada pedaço de seu corpo, de ouví-la gemer...
Seus lábios desceram pelo pescoço dela, mordiscando sua orelha, e ela soltou um pequeno som, que soou como música para Draco. Suas mãos passearam por sua cintura e subiram, contornando um de seus seios. Estava prestes a fazer mais um avanço, quando ela o interrompeu.
- Draco... Não devemos.
Ele fez uma ligeira pausa, mas depois continuou a mordiscar sua orelha.
- E por que não? Estamos sozinhos, aproveitando nossa noite...
Ele continuou mais um pouco, ouvindo a respiração entrecortada da ruiva, sorrindo internamente. Mas, repentinamente, ela o afastou, encarando o chão.
- Eu... não posso – falou, ainda olhando para o nada.
Draco irritou-se um pouco.
- Francamente, Gina, achei que já havíamos passado disso. Estamos nos agarrando há uma semana, e a essa altura, nem sei mais o que é um sobrenome.
Gina refletiu sobre o que ele acabara de dizer; era verdade, eles haviam deixado completamente de lado o fato de ela ser uma Weasley e ele, um Malfoy. Mas o motivo de não querer avançar era outro.
Sentia seu corpo responder ao dele prontamente, ao menor toque. Sentia sua pele ferver, seu coração disparar, uma pulsação em seu baixo ventre desconhecida... Nunca havia sentido nada disso com nenhum outro garoto. O problema é que não sabia como lidar com aquilo.
- Nunca fiz isso antes – falou em um sussurro, corando na hora. Às vezes odiava demonstrar o que sentia, mas naquele momento, era impossível controlar isso.
Draco a encarou, incrédulo. Ela era virgem...?
Por Merlin, não podia acreditar que estava saindo com uma virgem. Apesar de frio, ele sempre foi um galanteador, sempre saiu com meninas que podiam oferecer-lhe mais do que beijos. Estar com uma durante uma semana sem ter acontecido nada era, no mínimo, um recorde.
Ficou tentando formular uma frase, mas não conseguiu. Gina levantou-se.
- Acho melhor eu ir – disse, meio cabisbaixa.
- Espera – disse ele, segurando sua mão – você não pode me tacar uma bomba dessas e ir embora assim. Fique um pouco, ainda nem comemos.
Ela assentiu, sentando-se em silêncio e mexendo na cesta de piquenique à sua frente. Draco a olhava sem falar nada, enquanto esta enchia dois copos com suco.
- Hum, então... Há algum motivo para isso? – perguntou, enquanto mordia seu sanduíche.
Ela tomou um gole de seu suco, pensando no que responder.
- Nunca encontrei ninguém que eu quisesse antes.
O "antes" estava ali, o que deu a Draco um pouco de esperança. Achou que ela iria falar mais alguma coisa, mas permaneceu calada.
- E você nunca quis experimentar? – ele falou, deixando a surpresa aparecer em sua voz.
- Eu quis – ela falou – na verdade, ainda quero. Só não sei como agir – ela disse, colocando a cabeça entre as mãos – argh, eu sou uma idiota.
Pegando sua mão, Draco a levantou.
- Já que é assim, vou lhe dar algo que vai ajudar – ele disse, arrastando-a para fora da torre.
Foram andando de mãos dadas, tomando cuidado para não serem vistos. No sexto andar, Draco pegou um atalho entre corredores, parando em frente a uma estátua de um guerreiro.
- Testrálios negros – falou, fazendo com que a estátua se movesse e abrisse uma passagem. Ao entrar, Gina percebeu que encontrava-se em um quarto. Era espaçoso, com uma enorme cama de casal no centro, uma mesa de estudos no canto, uma poltrona e uma porta que parecia levar a um banheiro.
Draco soltou sua mão, indo até um armário no canto. Gina ficou parada, sem saber como agir. Ele a trouxera até um quarto... O que queria dizer com aquilo? Ficou vendo o loiro remexer em suas coisas, finalmente virando-se para ela, com uma garrafa entre as mãos.
- Whisky de fogo – disse ele – é ótimo para aquecer do frio, além de ajudá-la com sua aparente falta de atitude.
Ainda sem graça, Gina conseguiu perguntar:
- Onde estamos?
- Ah, este é meu quarto de monitor-chefe – disse o loiro – não costumo usá-lo muito, acabo passando minhas noites no salão comunal. Mas quando estou com preguiça, após uma ronda no castelo, acabo vindo pra cá.
A ruiva o olhou. Havia se esquecido de que ele era monitor-chefe esse ano; e não fazia ideia de que possuía um quarto particular.
Draco conjurou dois copos, enchendo-os com a bebida vermelha. Ao estender um para ela, Gina deu-lhe um sorriso galante:
- Não está tentando me embebedar só para passarmos a noite juntos, está?
Dando um olhar inocente, Draco deu um gole em sua bebida.
- Eu só estou tentando incentivá-la. Não farei nada que você não queira, prometo.
Assentindo, Gina deu um gole de sua bebida. Era amarga, mas descia quente. Sentou-se na poltrona, enquanto ele, na beirada da cama. Começaram uma conversa, como forma de distração. Gina esta curiosa para saber quando havia sido a primeira vez de Draco.
- Eu tinha treze – ele falou – e ela era filha de um convidado do meu pai, que havia chegado do exterior. Devia ter uns 19 anos, não sei. Mas lembrou de quando ela me tacou no closet embaixo da escada e ninguém deu por nossa falta.
Gina riu, imaginando a cena.
- Isso deveria ser mais fácil para as mulheres – disse Gina, já terminando seu copo e reenchendo-o. A bebida estava começando a fazer feito – mas com tudo o que se ouve quando se é criança, de que deve-se esperar pelo príncipe encantado e todo aquele blá-blá-blá...
- Quanta porcaria – disse ele – as mulheres tem tanto direito quanto os homens de escolher seus parceiros.
- Quer dizer que você não é um machista, que sai com dezenas de mulheres, mas que no final escolherá uma virgem para se casar?
- De jeito nenhum – falou, entornando seu segundo copo – sou muito liberal quanto a isso. Não me importo com o tipo, o importante é que seja mulher desde o nascimento.
Gina gargalhou. Sentia-se quente, por causa da bebida. Via as coisas um pouco fora do lugar, mas também via um loiro à sua frente a olhando de forma especulativa.
Saiu de seu lugar, deixando o copo da beirada, e sentou-se ao lado do sonserino.
- Isso quer dizer alguma coisa? – comentou ele, deixando o copo no chão.
Sem falar nada, Gina o puxou para um beijo. Sentiu seu corpo vibrar ao ser abraçada por ele. Draco inclinou-se sobre ela, deitando-a, e seu corpo inteiro parecia gritar, querendo mais.
Agarrou-o com força, arrancou sua blusa fora, vendo seu abdômen bem definido. Com um sorriso maroto, puxou-o novamente, desta vez, concentrando-se no fecho da calça.
Uma hora depois, estavam deitados na cama, ofegantes. Gina encarava o teto, o efeito do whisky já passando.
Merlin, o que havia sido aquilo...? Se soubesse que era tão bom, não teria passado dezesseis anos virgem.
Seu corpo ainda estremecia pelo que acabara de ter. Draco estava deitado ao seu lado, apoiado em um dos braços:
- E então, o que achou? – perguntou, dando seu sorriso mais galante.
Sempre se gabou em ser um excelente amante. Era estranho, nunca havia desvirginado nenhuma garota antes, e isso o deixou receoso, ainda mais vendo a quantidade de sangue que havia no lençol. Ficou com medo de que ela tivesse sentido mais dor do que prazer.
- Foi... Magnífico – disse ela, depois de um tempo tentando encontrar as palavras certas – acho que quero mais.
O sonserino gargalhou, a puxando em seguida para cima dele.
- Seu desejo é uma ordem, ruiva.
E voltaram se beijar, felizes com a nova intimidade que possuíam.
Ao voltar para a torre aquela noite, Gina sentia-se outra pessoa. Uma mulher de verdade, não mais uma garota. Draco despertava nela um lado que desconhecia, que esteve adormecido durante todos aqueles anos.
Ao deitar-se em sua cama, depois de certificar-se de que ninguém a viu chegar, ficou pensando no que o futuro a aguardava. Estava com Draco, mas nada entre eles era certo. Só estavam se vendo, e tudo poderia acabar da mesma forma como começou: do nada.
E o maior agravante: perdeu sua virgindade com ele. Quando contou sobre a espera por um príncipe encantado e sobre como deveria guardar-se para ele, omitiu que, na verdade, sempre acreditara naquilo. E que, agora, apesar de não sentir-se arrependida pela noite maravilhosa que tiveram, sentia uma tristeza interna, pensando que não teria mais nada de especial para dar a um homem que viesse a amar.
Amor. Pensou no significado dessa palavra. O que era, afinal? Era só desejar o bem de alguém? Era desejar estar ao lado dessa pessoa a todos os momentos, e não tirá-la da cabeça durante o dia? A imagem do loiro veio à sua mente. Não conseguia definir o que sentia, apenas queria continuar com ele. Seria aquilo apenas desejo...?
Adormeceu, confusa com o que estava sentindo. Mal ela sabia que o loiro, deitado na mesma cama que estavam antes, pensava sobre o mesmo assunto.
Havia a tido, e fora maravilhoso. Mas, se antes achava que seu desejo passaria após isso, agora tinha certeza que não. Queria continuar vendo-a, queria mais daqueles momentos, queria ouvir seu riso. Confuso, adormeceu, só querendo esquecer aquele sentimento que estava dentro dele, mas que recusava-se a escutar.
**fim do capítulo 1**
N/A: E aí, o que acharam? Alguém ainda se lembra do capítulo 1 original para comparar?
Na verdade, essa é quase uma junção dos três capítulos da antiga versão, ao menos, em matéria de acontecimentos importantes.
Eu escrevi tanta besteira antes... Estou tentando me desculpar, entregando algo de qualidade para vocês =)
Já estou escrevendo o capítulo 2, não se preocupem quanto à atualizações. Eu queria me dedicar apenas a outra fic minha, "Qualquer um Pode Amar", e terminá-la, antes de voltar a atualizar outra. Mas a quem estou tentando enganar? Eu não consigo controlar minha mente rsrs
Por falar nisso, sintam-se convidados a acompanhá-la também. Pretendo mantê-la atualizada e logo a finalizar; já tem mais dois capítulos prontos, esperando para serem postados, só precisando de algumas reviews antes que eu o faça... Sabe como é, chantagem sempre funciona; capítulos novos em troca de reviews, é pegar ou largar! rsrs
Estarei esperando mensagens, seja elogio ou reclamação. Só não deixem de escrever!
Beijinhos,
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
