Capítulo 4 – Grávida aos dezesseis
O lugar era lindo. Uma carruagem os pegou logo na entrada, e agora passeava com os dois pelo enorme jardim frontal. Circundaram uma belíssima fonte e Gina avistou roseiras bem cuidadas por todos os lados.
Pararam em frente à uma enorme mansão vitoriana de três andares, toda branca, e um elfo apareceu com um estampido, levando suas malas sem falar nada. Gina observava tudo maravilhada e, ao mesmo tempo, assustada.
- É aqui que você mora? – ela perguntou sussurrando.
Draco assentiu.
- Bem vinda à mansão Malfoy – falou, abrindo uma porta dupla toda decorada com fios de ouro.
O saguão de entrada parecia mais bonito ainda; cores claras preenchiam as paredes, móveis de mogno podiam ser vistos nos cantos. Tudo extremamente limpo e reluzente.
- Uau – Gina conseguiu sussurrar, enquanto adentravam a mansão de mãos dadas.
Draco deu uma risada.
- Você deveria ver sua cara. A expressão que está fazendo nesse momento é impagável.
A ruiva havia se preparado mentalmente, mas ao chegar lá, não imaginava que seria tudo tão... Caro. Sabia que seu namorado era rico, mas desconhecia a dimensão. Queria manter sua postura, sem demonstrar surpresa, mas era difícil ao olhar tudo aquilo de perto.
Um elfo apareceu na frente deles e, fazendo uma reverência, falou:
- Sr. e Sra. Malfoy os esperam na sala de leitura. Pediram para que o filho entrasse primeiro.
Draco assentiu, já andando para o local, levando Gina.
- Eles querem falar comigo a sós antes – falou, ligeiramente tenso – querem ter certeza de que não é uma piada de mau gosto.
Gina engoliu em seco, apertando a mão dele mais forte. Começou a se sentir enjoada, mas não comentou.
Subiram as escadas até o segundo andar e, ao chegarem a um corredor, Draco parou.
- É ali – apontou a porta na extremidade – entrarei primeiro, e logo virei buscá-la, está bem?
Deu um último beijo na namorada antes de caminhar até a porta e, dando uma batida, abriu.
Lucio andava de um lado para o outro no cômodo, murmurando coisas sem sentido.
- Como ele pode... Quer só desgraçar o nome da família... Tão inconsequente...
- Querido, acalme-se – disse Narcisa, sentada em uma poltrona.
- Acalmar? Como eu posso me acalmar, Cissa? Nosso filho está trazendo uma Weasley nesse instante para a nossa casa! – ele disse, com raiva, parando de se mover.
- E fomos nós quem convidamos – respondeu a esposa, calmamente – já que Draco quer namorá-la, apresentar à família é o mínimo que pode fazer.
- Eu conheço os Weasley – a voz de Lucio demonstrava desprezo – são um bando de pobretões amantes de trouxas, e a filha deles deve ser uma oportunista interessada em dinheiro. Não me surpreenderia se soubesse que ela deu uma poção de amor ao Draco.
- Bom, saberemos disso quando a conhecermos, certo? – Narcisa deu um pequeno sorriso – sabe que nada escapa de mim.
Seu marido lhe deu um sorriso galante.
- Você é perigosa, Narcisa Malfoy – falou aproximando-se dela e levando uma de suas mãos à boca, dando um beijo – por isso me casei com você.
Narcisa sorriu, afetada pelo charme de seu marido. Um elfo apareceu no momento, informando.
- Sr. Malfoy filho chegou à mansão com acompanhante.
- Mande-os subir. Mas avise para que Draco entre primeiro – disse Lucio, sentando-se na poltrona ao lado da esposa.
- Hora da verdade – Narcisa disse, cruzando as mãos sobre as pernas.
Assentindo, encararam a porta, até ouvirem uma batida e Draco entrar no cômodo.
- Boa tarde pai, mãe – Draco cumprimentou, meneando a cabeça para cada um – a que devo a honra dessa conversa particular?
Narcisa suspirou enquanto Lucio começou a falar com voz séria.
- Espero que essa não seja mais uma de suas brincadeiras para me irritar, garoto. Porque se é, já conseguiu.
Dando um sorriso de desdém, Draco aproximou-se, mantendo-se em pé.
- Apesar de irritá-lo ser um tanto satisfatório para mim – sua mãe exasperou enquanto ele falava – não, não é. Gina é minha namorada, e eu a trouxe para que a conheçam e, quem sabe, nos deixem em paz.
Ficaram em silêncio, os dois homens encarando-se. Narcisa resolveu se pronunciar:
- O que você pretende, Draco? Já pensou nas consequências desse seu namoro? A família dela trabalha para a Ordem da Fênix, não vai aceitar esse relacionamento. Uma guerra está para estourar, e ambos sabemos que vocês dois estão em lados opostos.
- Boa pergunta – seu pai encostou-se na poltrona, observando – pretende ficar contra sua família por causa de uma mulher?
Draco os olhou, sabendo que aquela era a pergunta crucial da conversa.
- De forma alguma – respondeu – tão logo ela se forme, pretendemos sair do país. Nenhum de nós dois quer tomar partido nessa guerra. As escolhas de nossas famílias não nos interessam.
Seus pais o encararam, analisando sua resposta. Narcisa foi a primeira a falar:
- Bom, então acho melhor conhecermos a garota, antes que o jantar seja posto.
Assentindo, Draco se retirou para buscar Gina. Ao fechar a porta, soltou o ar, respirando normalmente. Desde que entrara na sala prendia a respiração, tenso pelo teor da conversa.
Procurou por Gina, e a viu na varanda, desculpando-se para um elfo.
- O que houve? – perguntou, aproximando-se.
Sem graça, ela respondeu.
- Eu vomitei. Acho que estou mais nervosa do que imaginava.
Levantando uma sobrancelha, Draco aproximou-se, enlaçando sua mão à dela.
- Melhor agora do que na frente dos meus pais – ele limitou-se a dizer, enquanto o elfo ia embora – vamos, eles querem vê-la.
Dando um sorriso nervoso, Gina caminhou com ele. Olhou para a própria roupa, de repente sentindo-se simples demais. Colocou um dos vestidos novos que Draco lhe dera, um tomara que caia na cor creme que era justo até a cintura e alargava na saia, e nos pés, usava um scarpin de salto alto bege, para deixar o visual mais elegante. Prendera o cabelo em um coque solto, deixando algumas mexas caírem, assim como sua franja no olho. Usava joias simples, mas no pescoço, ostentava a corrente com pingente de esmeralda que Draco lhe dera no Natal.
Concentrou-se em seu andar, pois suas pernas tremiam tanto que tinha medo de cair. Estava sentindo tonteiras desde o início da viagem, e culpou o nervosismo por isso. Quando entraram no aposento, respirou fundo, e deparou com Lucio e Narcisa Malfoy. O homem à sua frente era lindo, possuindo as mesmas feições de Draco, mas amadurecidas. A mulher era de uma beleza elegante, o mesmo rosto fino do marido. Ambos estavam bem vestidos e ostentavam um olhar especulativo.
- Pai, mãe, esta é Virginia Weasley – Draco a apresentou.
- É um prazer conhecê-los, Sr. e Sra. Malfoy – Gina se esforçou para que sua voz saísse firme, desejando ardentemente que seu nervosismo não fosse percebido.
Draco a guiou até um par de poltronas em frente a seus pais, fazendo com que ela se sentasse em uma, tomando lugar na outra, ainda segurando a mão dela.
Lucio e Narcisa trocaram olhares, decidindo quem falaria primeiro. Depois que eles se acomodaram, Narcisa foi a primeira a falar:
- Acho que falo por todos, Srta. Weasley, quando digo que essa é uma situação um tanto inusitada. Gostaria de saber o que pensa a respeito.
Respirando fundo, Gina falou, procurando olhar nos olhos de Narcisa:
- Essa é uma das provações que eu e Draco já esperávamos, no momento que começamos nosso namoro. Tínhamos ciência de que não seria fácil para nenhum dos lados, mas ainda assim, resolvemos ir em frente.
- Não acha um tanto inconsequente da parte de vocês? – Lucio falou friamente.
Gina parou para pensar, escolhendo suas palavras antes de responder, dessa vez encarando o patriarca.
- Penso que depende do ponto de vista do observador. Para todos à nossa volta, essa pode ser uma atitude inconsequente. Mas para nós, é uma escolha que tomamos com base no que desejamos, e é uma das formas de desenvolvermos nossa maturidade, escolhendo e lutando por algo que nos é caro.
Ficaram em silêncio, a ruiva se remoendo por ter achado sua resposta evasiva, Draco prendendo a respiração e observando atentamente a reação de seus pais, incluindo a troca de olhares deles após a resposta de Gina.
Um elfo doméstico apareceu na hora exata.
- O jantar está servido – avisou, com uma mesura.
Os quatro levantaram-se, Draco e Gina indo na frente, sabendo que o outro casal conversaria a sós.
- O que me diz? – murmurou Lucio, enlaçando o braço de sua esposa ao seu – mais uma oportunista?
- Não – Narcisa respondeu no mesmo tom de voz – ela está sendo sincera. Está com Draco por conta de sentimentos, não por interesse. E o medo dela era quase palpável enquanto falava.
- Medo de nós? – Lucio deu um sorriso arrogante.
- Medo de todos – Narcisa respondeu, um tanto pensativa – das reações contra o relacionamento. Está disposta a lutar, verdade, mas está com muito medo.
Lucio nada falou, pensando no que sua esposa acabara de falar. Confiava em seu julgamento, pois nunca errara em todos os anos que estavam juntos, talvez por conta de seu antigo dom. Mas, ainda assim, era difícil para ele aceitar uma Weasley integrando sua família futuramente.
- Pense pelo lado bom, Lucio – comentou Narcisa, enquanto caminhavam – ao menos a garota tem sangue-puro.
- Se fosse uma sangue-ruim Draco seria deserdado – respondeu o marido com desprezo, fazendo sua esposa dar uma risada contida.
Estavam quase chegando ao salão, quando Gina sentiu-se tonta. A rápida conversa havia lhe tirado um pouco da pressão que se encontrava, mas aparentemente não foi o suficiente.
- Draco... – ela sussurrou, vendo tudo à sua volta girar.
O loiro sentiu o aperto de mão afrouxar e assustado, viu sua namorada fechar os olhos e cair, segurando-a antes que atingisse o chão.
- Gina! – quase gritou, preocupado.
Seus pais estavam a alguns metros atrás, apressaram o passo para aproximar-se.
- O que houve? – perguntou sua mãe em tom preocupado.
- Ela desmaiou – disse Draco, enquanto levantava-a em seus braços – acho que todo o nervosismo finalmente se mostrou. Vou levá-la para meu quarto, poderia chamar um curandeiro enquanto isso?
Sem esperar resposta, Draco subiu as escadas novamente, dessa vez com Gina em seus braços.
- E lá se foi nosso jantar – comentou Lucio, enquanto sua esposa ia para a lareira mais próxima.
- Não reclame, Lucio. A garota esteve nervosa esse tempo inteiro por nossa causa.
Narcisa entrou em contato com o curandeiro da família, que chegou via pó-de-flu. Enquanto se limpava da fuligem, perguntou:
- O que houve? Vocês dois parecem saudáveis.
- Desculpe tê-lo incomodado Dr. Crispy – falou Narcisa – mas a namorada de nosso filho veio hoje de viagem para nos conhecer e acabou de desmaiar.
- Provavelmente é só ansiedade – disse ele, acompanhando o casal no caminho para o quarto de Draco – deve ter comido pouco durante o dia. De qualquer forma, darei uma examinada.
Chegou ao quarto, e Draco já havia deitado Gina na cama, abanando-a com um papel.
- Afasta-se, meu rapaz – disse o doutor, aproximando-se com sua varinha – farei alguns exames de rotina. Ela comeu alguma coisa hoje?
- Sim – disse Draco, nervoso – comeu até demais, pra falar a verdade. Talvez por isso tenha vomitado mais cedo.
Narcisa fez cara de nojo, e Lucio levantou as sobrancelhas.
- Bom, então talvez seja uma indigestão – comentou o doutor, enquanto passava sua varinha sobre o corpo de Gina – vamos ver...
Ele concentrou-se na barriga de Gina, e uma sombra de preocupação e entendimento passou por sua face.
- Ah... Sim, faz sentido...
- O que houve? – Draco perguntou, preocupado.
- Lhe responderei depois de acordá-la – disse Dr. Crispy, pegando em sua maleta um frasco de poção e uma taça. Encostando-a nos lábios de Gina, fez com que ela bebesse o líquido e, segundos depois, seus olhos piscaram.
Draco agachou-se do seu lado, segurando sua mão.
- Draco... – disse lentamente e, recordando-se de onde estava, sentou-se bruscamente.
- Calma, minha jovem, não deve fazer movimentos bruscos – falou o curandeiro, guardando seu material – ainda está fraca para isso.
- O que aconteceu? – ela perguntou, assustada ao ver um homem desconhecido, Narcisa e Lucio no cômodo.
- Você desmaiou – explicou Draco – quando estávamos a caminho do jantar. Eu lhe trouxe pro meu quarto e o curandeiro da família veio ver se você estava bem.
Corando e extremamente sem graça, Gina levantou-se segurando em Draco, desculpando-se.
- Mil desculpas, não queria causar preocupação.
Narcisa tentou melhorar a situação:
- Não se preocupe, não foi nada. Você estava nervosa, entendemos.
Gina queria cavar um buraco e esconder sua cabeça, tamanha a vergonha que sentia. Havia desmaiado na frente dos pais de seu namorado, que havia acabado de conhecer! E não eram pessoas quaisquer, eram Lucio e Narcisa Malfoy, o que agravava a situação.
Ia se desculpar novamente, mas Dr. Crispy se pronunciou.
- Eu não sei se essa é a melhor hora, mas, senhorita, devo dizer que não passou mal só por causa do nervosismo – ele falava lentamente, escolhendo as palavras com cuidado.
- Ela está doente? – perguntou Draco, novamente preocupado.
- Não, a saúde dela está perfeita.
- Então o que é, doutor? – perguntou Narcisa, impaciente.
- A senhorita aqui... Está grávida de dois meses – falou o doutor, e o quarto entrou em silêncio mortal – e eu vou me retirar nesse instante.
Falando isso, o curandeiro saiu pela porta, deixando todos os presentes atônitos.
Gina piscou os olhos várias vezes, achando que tinha ouvido errado. Grávida. Não poderia estar grávida. Mas isso explicava seus enjoos e tonteiras, além de seu apetite ter aumentado. Ah não.
Olhou para Draco, que parecia em choque, olhando para um ponto à sua frente. Narcisa olhava para ela com uma de suas mãos na boca, e até Lucio parecia surpreso.
Não, não, não, não, mil vezes não. Não poderia estar grávida! Parecia uma maldição que, quando sua vida estava boa, algo aparecia para estragar tudo. E recebeu a notícia bem ali, na frente de Narcisa e Lucio Malfoy!
- Acho que, pela primeira vez, você errou em seu julgamento, Cissa – falou Lucio, sua voz fria como gelo – ela é apenas uma interesseira que aproximou-se de Draco pela fortuna. E fez questão de prendê-lo com um filho.
As palavras de Lucio acordaram todos de seus transes, mas foi Gina quem primeiro reagiu.
- Como... se... atreve... – disse ela por entre os dentes, raiva transparecendo – eu só tenho dezesseis anos, sabia? Acha que eu quero isso? – ela gritava, andando em direção à Lucio – acha que eu quero acabar com a minha vida pra ser mãe só pra entrar pra sua família de egocêntricos?
Lucio levantou as sobrancelhas, assustado com a reação de Gina.
- Gi... – Draco tentou falar, mas a ruiva virou-se para ele, ainda com raiva.
- Você – ela caminhou até ele – a culpa é sua! Quem foi que me disse que um porre de whisky de fogo não afetaria os efeitos da poção anticoncepcional?
Draco andou para trás, encostando na parede. Gina definitivamente estava o assustando-o.
- E o que eu vou fazer agora? Me diz! – ela gritou, olhando para ele – já estava difícil pensar em como contar do nosso namoro para minha família, o que você acha que eles vão fazer quando descobrirem que eu estou grávida?
Todos a olhavam assustados, mas Narcisa tomou a frente. Foi até Gina e, segurando-a pelos ombros, forçou a se sentar na beirada da cama. Conjurou um banco para sentar-se de frente para ela, enquanto chamava um elfo e dava ordens para trazer uma poção calmante.
- Agora, acalme-se – disse Narcisa, lentamente – e respire fundo.
Gina inspirou e exalou o ar algumas vezes e, logo depois, começou a chorar.
- O que eu vou fazer? – murmurou, entre lágrimas.
Draco e Lucio olhavam perplexos, tentando descobrir como uma pessoa pode sair do estágio de ódio total para as lágrimas em um espaço de tempo tão curto.
Narcisa os olhou inquisitiva, indicando a porta. Queria que saíssem, para conversar à sós com Gina.
Sem conseguir pensar em algo para falar, Draco obedeceu, sendo seguido por Lucio, que fechou a porta ao passar.
Ficaram em silêncio no corredor, e depois de algum tempo, Draco encostou sua cabeça na parede, batendo lentamente.
- Está tendo rachar seu crânio, filho? Posso fazer isso por você – comentou Lucio secamente.
- Eu... estou... morto – falou Draco, entre as batidas, parando em seguida – se antes eu achava que sofreria um atentado de morte ao conhecer os Weasley, agora eu tenho certeza.
Lucio ficou em silêncio, antes de responder.
- Você não sabia?
Draco olhou incrédulo.
- É lógico que não! E nem a Gina – ele soltou o ar, andando de um lado para o outro – Merlin, o que faremos? Ou melhor, o que ela vai fazer? É ela quem vai sofrer as consequências, eu só posso apoiar a escolha dela, nada mais.
- Sua mãe vai convencê-la a não tirar – disse Lucio, sério, fazendo com que Draco parasse para olhá-lo – é quase um pecado mortal abortar uma criança sangue-puro.
O sonserino ficou mudo, pensando. Ele ia ser pai. Merlin, ele ia ser pai! Mal sabia o que ia fazer ao terminar Hogwarts, e já ia ser pai.
- O que eu vou fazer? – falou em uma lamúria, encostando-se na parede.
- Draco, eu achei que o tinha educado bem, apesar de tudo – falou Lucio, olhando para ele com desdém.
- O que quer dizer? – perguntou Draco, sem emoção.
- Quero dizer que Malfoy nenhum faz bastardos pelo mundo – respondeu, secamente – espero que demonstre sua maturidade ao tomar a atitude certa com a garota.
Draco o encarou, incrédulo. Seu pai estava insinuando o que ele achava que estava...? O olhou mais atentamente. Conhecia seu pai, ele deveria estar irritadíssimo com a situação, ameaçando deserdá-lo por estar namorando uma Weasley e por tê-la engravidado, mas Lucio parecia calmo demais...
- Você está contente com a situação, não é? – Draco falou lentamente, olhando para o pai.
Dando um sorriso de desdém vitorioso, Lucio ficou alguns segundos em silêncio antes de responder.
- Ver meu filho caindo em completa desgraça me anima um pouco – disse, fazendo Draco exasperar – mas não é isso que está passando em minha mente neste momento.
Seu filho o encarou, esperando que completasse, e Lucio o olhou diretamente nos olhos antes de responder.
- A criança será um Malfoy, independente da família suja a que a mãe pertence – ele disse, lentamente, para que Draco absorvesse a informação – será um sangue puro e nascerá com nosso nome. Não me importa o que a família dela vai fazer, se aceitará ou não, mas essa criança nascerá em nossa família e receberá tudo o que tiver direito. Caberá a vocês dois decidirem se vão fazer parte disso ou não.
- Está dizendo que ficará com meu filho eu querendo ou não? – perguntou Draco, chocado. Era estranho estar dizendo "meu filho".
- Estou dizendo que vocês dois têm uma escolha – ele falou, secamente – podem fugir sem dinheiro e sem família para os confins da terra com uma criança nos braços, ou podem optar por ter o apoio de ao menos uma das famílias – seus olhos não saíam dos de Draco – vocês podem ter tudo o que tiverem direito, todos os objetos necessários e todo dinheiro que um Malfoy pode oferecer para ajudá-los a sair do país em segurança. Mas terão que optar por isso.
Ficaram se encarando, e Draco estava chocado demais para dizer algo. Aos poucos, sua mente começou a entender a reação de Lucio. Ele ia ter um herdeiro; mesmo que fosse da filha de seu odiado inimigo, ainda era um herdeiro sangue-puro, ainda seria um Malfoy. E o que Lucio mais desejava era que Draco tivesse um filho, para garantir a soberania da família Malfoy no mundo bruxo. Se tivesse que apoiar seu namoro com uma Weasley para isso, o faria.
Draco ainda estava raciocinando, quando ouviu a porta se abrir. Sua mãe apareceu, mantendo sua postura calma de sempre.
- Você pode entrar agora, filho – disse ela, abrindo passagem – mas seja gentil, Virgínia ainda está muito abalada.
O loiro a olhou, percebendo que sua mãe a havia chamado pelo primeiro nome; ficou pensando no que elas devem ter conversado, e achou que o teor pode ter sido parecido com a conversa que tivera com Lucio.
Assentindo, entrou no quarto, fechando a porta atrás de si e deparando-se com uma ruiva de aparência indefesa sentada na beirada da cama, encostada no dossel. E nunca a achou tão bonita quanto naquele momento, ao pensar que ela seria a mãe de seu filho.
Após a saída de Draco e Lucio, Narcisa conjurou um lenço, entregando-o para a ruiva chorosa à sua frente.
- Acalme-se querida – disse ela, enquanto a garota tentava controlar o choro – e vamos analisar a situação com cuidado, sim?
Assentindo, Gina secou suas lágrimas, tentando se controlar. Nunca se sentira tão vulnerável antes; e estava sendo consolada por alguém inesperado: Narcisa Malfoy. Por algum motivo, assemelhou à quando conversou com Draco pela primeira vez, meses atrás.
Um elfo chegou trazendo um cálice em uma bandeja, e Narcisa indicou para que Gina tomasse. Dando goles longos, logo sentiu o efeito calmante, e seu cérebro pareceu voltar a funcionar, apesar de todos os sentimentos que a enchiam naquele momento.
Ia ser mãe. Ela tinha apenas dezesseis anos, e ia ser mãe. Pensou no colégio, no que faria quando sua barriga aparecesse, em tudo o que iria ser falado por suas costas. Um desespero a abateu, e a hipótese de não ter a criança passou por sua mente, mas logo se dissipou. Não conseguia pensar em tirá-la; sua vida inteira seria estragada, mas não conseguia pensar em abortá-la.
- Essa não seria uma solução – falou Narcisa, quase como se lesse seus pensamentos – você apenas fugiria de algo, sem enfrentar de frente.
Gina a olhou, lembrando-se do que Draco dissera sobre sua mãe ser sensitiva às pessoas ao redor. Aquilo parecia mais verdadeiro do que imaginava.
- Virgínia, certo? – Narcisa perguntou, e a ruiva assentiu – nunca passou em sua mente formar uma família com Draco?
A ruiva parou para pensar, corando ligeiramente.
- Bom, passou... – falou, sem graça – mas eu imaginava isso em um futuro distante, quando todo o receio de uma guerra tivesse acabado e nós já estivéssemos de volta ao país.
Narcisa assentiu, lembrando-se do que seu filho falara mais cedo. Então os dois estavam pensando seriamente em fugir do país; naquele momento, parecia a decisão mais sensata a ser tomada.
- É uma escolha difícil, Virgínia – a loira falou, cuidadosamente – sei que sua vida parece perfeita agora, mas você ainda está estudando. Quando a escola acabar, pode se arrepender de ter tomado uma decisão importante com base no pensamento alheio. Por isso, quero que preste atenção no que vou lhe falar.
Gina assentiu, afetada demais para falar algo.
- Esta criança será um Malfoy, e como tal, terá todos os cuidados e apoio necessário – Narcisa a olhava nos olhos, a fim de passar confiança – nós não deixaremos que nada a aconteça, muito menos aos pais dela. Ofereceremos todo apoio e segurança que o dinheiro pode oferecer, além de ajudá-los no que for necessário, como uma fuga para outro país.
A ruiva a olhava assustada, pensando em falar algo, mas Narcisa continuou.
- Não sei qual será a reação de sua família, mas pelo que já demonstrou, não devem ser favoráveis a esse relacionamento. E você, minha querida, precisa saber que, independente do que acharem, nós lhe daremos nosso apoio. Esta criança não nascerá sem família, mas em uma que a prezará e dará todos os provimentos necessários à sua criação.
Gina a olhou com lágrimas nos olhos.
- Eu... Obrigada – disse, secando as lágrimas.
Narcisa deu um sorriso, segurando uma de suas mãos.
- Você é uma garota corajosa. Sei que será capaz de enfrentar a situação, e Draco não a abandonará. Conheço meu filho, ele não seria capaz disso. Os homens da família Malfoy podem parecer frios – ele deu uma pequena risada – mas por dentro parecem manteigas.
Gina riu também, pensando no quanto a situação parecia surreal.
- Agora, vou deixar que você converse com Draco a sós – falou Narcisa, levantando-se, mas parou, olhando surpresa para a garota.
- O que houve? – a ruiva perguntou, preocupada – minha maquiagem ficou muito borrada?
- Não... – Narcisa parecia feliz de repente – é só algo que acabei de notar. Posso estar errada, mas acho difícil me enganar assim.
Aproximando-se, sussurrou algo no ouvido de Gina, fazendo-a arregalar os olhos. Dando as costas, afastou-se sem dizer uma palavra, abrindo a porta e fazendo com que Draco entrasse.
Lentamente, o loiro aproximou-se, ajoelhando à sua frente segurando suas mãos, apoiando sua cabeça em seu colo logo em seguida.
Ficaram assim por um bom tempo, antes de Draco conseguir falar algo.
- Eu te amo. Nada mudou quanto a isso.
Gina deu um sorriso triste.
- Bom saber – ela falou – sua mãe... É realmente incrível.
Draco deu um sorrisinho, afastando seu rosto para que pudesse olhar para Gina.
- Não, você que é incrível – ele levantou-se, sentando ao lado dela na cama, ainda segurando suas mãos – eu não sei o que você decidirá, Gi, mas eu estarei do seu lado sempre, independente da sua escolha.
Ela olhou para longe, pensativa.
- Consegue nos imaginar como pais?
Draco soltou uma risada nervosa.
- É estranho pensar na hipótese, mas... – ele apertou a mão dela mais forte – eu estou feliz. Imaginá-la como mãe de meu filho me faz feliz – concluiu, sorrindo.
Gina sorriu de volta.
- Acha que conseguimos?
- Eu tenho certeza que sim – disse ele confiante, enquanto a abraçava – ninguém é páreo para nós dois. Um bebê será moleza.
A ruiva riu, de repente lembrando-se.
- Hum, Draco, sua mãe me falou algo... – ela disse cuidadosamente, olhando para sua reação.
- Gêmeos? – perguntou Lucio, surpreso – a garota está grávida de gêmeos?
Ele e Narcisa haviam voltado para o escritório, e contavam sobre a conversa que tiveram com cada um dos jovens. Já haviam terminado, e Narcisa o contou sobre a última impressão que teve ao sair do quarto.
- Uma menino e uma menina – disse ela, sorrindo ao ver a expressão perplexa do marido – pude ver isso claramente ao olhar para Gina. Havia duas auras de cores diferentes junto à sua, só não consigo entender como não percebi antes.
Seu marido parecia chocado com a informação, e apoiou-se no beiral da janela, olhando para o jardim.
- Seremos avós de um casal – continuou Narcisa, aproximando-se dele – e nossa casa voltará a se encher de choro de criança.
- Nossa coleção de artefatos antigos será novamente quebrada – disse Lucio, dando um sorriso.
- E teremos que ficar de olho quando eles caírem dentro do nosso lago – completou Narcisa.
Trocaram um olhar caloroso, e Lucio a abraçou.
- Avô... Nunca pensei que esse dia chegaria tão cedo – disse, olhando pela janela – achei que teria deserdado Draco antes desse dia chegar.
Narcisa riu.
- Mas chegou, e agora, precisamos oferecer nosso apoio aos dois, mesmo que a princípio estivéssemos contra – disse ela, encostando a cabeça em seu ombro.
- Uma Weasley na família, quem diria – Lucio abanou a cabeça – e está nos dando dois herdeiros.
Continuaram ali, abraçados, pensando nas novas vidas que aguardavam na família, desejosos que tudo corresse bem, felizes com o novo status de avós.
Já era tarde da noite, mas Draco não conseguia dormir. Gina estava apagada em seus braços, cansada depois do dia que tiveram. Haviam jantado no quarto, pois ela ainda não se sentia confiante para encarar seus pais novamente.
Agora, olhando para o teto, Draco tentava visualizar como seria a vida dos dois de agora em diante. Eles teriam gêmeos, por Merlin! Devia estar no sangue dos Weasley a capacidade de procriar tantos filhos, enquanto para os Malfoy havia dificuldade em ter pelo menos um. Não era fácil bruxos terem filhos, seu pai sempre disse isso para ele quando era criança e indagava do motivo de não ter irmãos. Mas os Weasley conseguiram ter sete filhos, dentre eles, um par de gêmeos. E agora lidava com o fato de ser pai pela primeira vez de duas crianças, quando com uma já teria dificuldade o suficiente.
E, apesar de tudo, sentia-se feliz. Mas do que isso, sentia-se extasiado com a possibilidade de ter sua família com Gina. Ele a amava, e era quase natural pensar em passar sua vida com ela até envelhecerem, vendo seus filhos crescerem e dando netos.
Um casal de gêmeos. Começou a devanear, imaginando como seriam. Sairiam ruivos, como a mãe? Ou puxariam seus genes, sendo loiros de olhos azuis? Gostaria que fossem mais parecidos com ela em matéria de personalidade; já houve Malfoys frios demais na família, seria lindo se eles corassem quando ficassem com vergonha, tal como sua namorada.
Namorada. Agora entendia o que seu pai falou, sobre fazer a coisa certa. Ela era apenas sua namorada, mas já seria mãe de seus filhos. Não deixaria que ela caísse em desgraça por ser mãe solteira; assumiria seus filhos, tornaria o relacionamento dos dois sério o suficiente para que ninguém pudesse falar nada contra ela.
Decidido, aos poucos pegou no sono, enquanto pensava em falar com sua mãe dia seguinte.
Ao acordar de manhã, Gina sentia-se mais animada. Um elfo a esperava nos pés da cama, dando uma taça de poção para que tomasse.
- Sra. Malfoy disse que fará bem para o enjoo – a criaturinha respondeu, ao ser indagada sobre o que era a bebida.
Tomando, sentiu a sensação em seu estômago passar, agradecendo mentalmente ao cuidado de Narcisa.
- Está bem? – perguntou Draco, bocejando ao seu lado – com fome?
- Um pouco – ela respondeu, espreguiçando-se – não aguento mais ficar deitada!
Draco deu uma risada ao seu lado.
- Podemos passear pela propriedade depois do café-da-manhã com meus pais.
Oh-oh. Gina escondeu seu rosto entre as mãos.
- Estou morrendo de vergonha – sussurrou – falei tanta coisa ontem! Seu pai deve me odiar, não sei como vou encará-lo.
Draco passou o braço ao seu redor.
- Eles serão compreensivos, sabem que estava fora de si. Agora, vamos tomar um banho e descer, ok?
Assentindo, foram para o banheiro, onde um elfo já havia deixado a água morna os esperando. Pensou no quão estranho era estar dormindo no mesmo quarto que seu namorado, quando foi criada em uma família tão conservadora. Lógico, estava grávida, e isso já dizia que nenhum cuidado do tipo era necessário, mas, ainda assim, achava estranho.
Enquanto se arrumava, colocando um vestido leve e uma sandália rasteira, percebeu que Draco a olhava maravilhado, e não parava de encarar sua barriga.
- Ainda não está visível – ela comentou, olhando-se no espelho que havia no quarto – dizem que no primeiro filho a barriga demora a aparecer.
O loiro a abraçou por trás, olhando o reflexo no espelho.
- Você está linda – ele disse, ainda encarando-a maravilhado – e vai continuar linda, mesmo com alguns quilos a mais.
Gina riu, imaginando-se daqui a alguns meses.
- Vamos comer, estamos com fome – disse ela, passando a mão pela própria barriga lisa, indicando seus filhos. Depois do choque inicial, sentia-se confortável com seu novo papel de futura mamãe.
Encontraram Lucio e Narcisa tomando café-da-manhã no jardim dos fundos, dando vista para um enorme lago, ladeado de árvores onde flores começavam a florescer.
- Bom dia – disse Gina, ao aproximar-se – gostaria de me desculpar por meu comportamento ontem. Eu estava fora de mim, acabei dizendo coisas que não deveria – terminou, olhando para Lucio.
O patriarca apenas assentiu, enquanto Narcisa sorria ao falar:
- São os hormônios, querida, pode ir se acostumando. Terá tantas reações inesperadas que nem você mesma irá se reconhecer.
- Pior do que quando você estava grávida de Draco, impossível – comentou Lucio, enquanto tomava um gole de seu café – eu sofri horrores com seu desejo louco por comidas exóticas. Ainda lembro de ter barganhado com um desconhecido para conseguir tâmaras indianas porque você estava com vontade de comê-las, mesmo estando fora de época.
Os presentes riram, e Gina sentiu-se mais à vontade. Comeram enquanto falavam de assuntos banais, antes de Narcisa comentar:
- Gostaria de sair depois do almoço com Virginia, Draco – disse ela – se não se importarem, claro.
A ruiva assentiu, e o loiro não viu empecilhos no pedido. Seria bom que Gina passasse um tempo com sua mãe. Além do que, precisava conversar com seu pai.
Ao se despedirem, Draco falou algo em particular para sua mãe, que apenas assentiu. Passearam durante a manhã pela propriedade, Draco animado em mostrar-lhe tudo. Visitaram o estábulo, onde havia lindos cavalos bem cuidados.
- São todos puro-sangue – explicou Draco – e já ganharam inúmeros prêmios.
Passaram por um campo de quadribol particular, um conjunto de piscinas, um lindo bosque, deram a volta no lago e, quando já estavam perto do horário de almoço, Gina pediu para voltarem, pois sua cabeça já não conseguia acompanhar tantas coisas magníficas.
- Não sei como seus pais faziam com você – comentou, no caminho de volta – deviam colocar um feitiço localizador para não perdê-lo.
- Quase – respondeu o loiro – um elfo me acompanhava noite e dia.
Gina riu, um tanto incrédula. Como alguém poderia ter sido criado em um lugar daqueles? Parecia um paraíso, com tudo o que tinha direito. Ela e Draco eram de mundos completamente diferentes e, no entanto, acabaram juntos. Ficou imaginando seus filhos correndo por aquela propriedade, em vez de desgnomizarem o jardim e recolherem ovos no galinheiro, como havia feito durante sua própria infância. Não era à toa que Draco era tão cheio de si ao chegar em Hogwarts; qualquer criança que tivesse vindo daquele mundo estranharia encontrar outros que não faziam parte.
Não queria que seus filhos fossem mimados, mas sentia o desejo de dar o melhor para eles. Agora entendia a vontade de pais que fazem tudo para seus filhos. E isso não havia tornado Draco pior; aos poucos, ele amadureceu, e isso fazia bem para uma criança, descobrir o mundo sozinha.
Após o almoço, Narcisa a arrastou pela mansão, enquanto Draco foi com seu pai para o escritório dele.
- Vamos falar de negócios – disse Lucio, acendendo um charuto – já que vai ser pai, terá que pensar em como sustentar seus filhos.
- Pensei a respeito – comentou Draco, olhando par a fumaça no ar – me passou em mente alguns planos quanto à empresa da família. Pensei em expandirmos o negócio para outro país.
A empresa Malfoy possuía uma gama de investimentos em diversas áreas, incluindo financiamento de pesquisas, onde qualquer coisa descoberta sob o dinheiro investido tornava a patente exclusiva da família, gerando diversos lucros.
- Algum país em mente? – perguntou Lucio, interessado.
Os homens continuaram conversando sobre negócios, enquanto as mulheres passaram o dia juntas.
Narcisa levou Gina para o lado leste da propriedade, afastado da mansão principal. Havia uma enorme casa de dois andares no local, mas parecia abandonada.
- É um dos anexos da propriedade. Podemos reformá-la para você e Draco – comentou Narcisa, enquanto visitavam o local – mesmo que resolvam se mudar depois, poderão ficar aqui quando nos visitarem, dando privacidade à sua família.
A garota olhava maravilhada, imaginando o local depois de pintado, como a mansão principal. Visitaram os cômodos, já planejando onde seriam os quartos dos bebês e formas de decorá-lo.
Gina estava adorando imaginar sua futura vida; saíram de lá, e Narcisa aparatou com ela para o Beco Diagonal, mas não ficaram por ali. Entraram em uma pequena travessa e continuaram andando, chegando a uma ruela cheia de lojas chiques.
- Travessa das Flores, querida – falou Narcisa, apresentando o local – um dos melhores lugares para fazer compras.
As lojas ofereciam artigos de luxo, tecidos importados e objetos raros. Gina assustava-se internamente com os preços que via, mas Narcisa não parecia se importar com valor. Iam escolhendo o papel de parede que cobriria os cômodos de sua futura casa, além de cortinas, tapetes e móveis. A matriarca havia prometido que daria início às obras quando o feriado acabasse, mas queria que Gina fizesse parte da escolha da decoração, já que ela quem moraria lá.
Não resistindo, entraram em uma loja infantil, onde saíram com inúmeras sacolas contendo roupas e acessórios de bebês.
Conversavam muito, e Gina ria ao ouvir sobre a infância de Draco.
- Ele era um pestinha – contava Narcisa – sempre encontrava algo pela casa para brincar, e geralmente era um objeto valioso de coleção. Perdemos vários durante sua infância.
Animadas, voltaram à mansão já ao anoitecer, encontrando Lucio na porta.
- Draco a espera no jardim dos fundos – disse, dirigindo-se à Gina.
Surpresa, Gina assentiu, indo em direção ao local. Narcisa abraçou Lucio, enquanto caminhavam juntos para o salão de jantar.
- Ele preparou algo especial? – perguntou ela.
- Creio que sim – respondeu o loiro – você entregou o anel a ele?
- Deixei em sua cama após o café da manhã – ela respondeu, e depois começou a contar de seu dia, divulgando todos os planos que fizera com Gina.
Draco esperava, nervoso. Estava no píer coberto, que se estendia pelo lago; encantara um violino para que tocasse uma música lenta, e velas flutuantes iluminavam todo o caminho da mansão até ali. O perfume das rosas enchia a noite e, enquanto observava uma ruiva surpresa vir em sua direção, tentou pensar no que dizer.
- Nossa – falou Gina, ao encontrá-lo vestindo um smoking – para que tudo isso?
O loiro deu um sorriso nervoso.
- Eu queria preparar algo especial para você – disse ele, segurando suas mãos e dando-lhe um beijo suave – queria que este momento fosse memorável.
Gina o encarou, perdida. Respirando fundo, Draco ajoelhou-se na sua frente, enquanto ela olhava tudo surpresa.
- Virginia Raven Weasley – ele começou, mais nervoso do que planejara – eu sei que você vai pensar que estou fazendo isso por obrigação, mas não é. É algo que eu já faria eventualmente, mas os recentes acontecimentos me fizeram adiantar meus planos.
Ele deu um risinho nervoso, pensando em como continuar.
- Eu te amo. Quero passar o resto da minha vida com você, mesmo que isso signifique aguentar suas alterações hormonais e desejos loucos durante a gravidez – Gina soltou um riso, lágrimas em seus olhos – Prometo me esforçar a cada dia para fazê-la sorrir, para protegê-la de qualquer mal que possa perturbá-la.
Tirando uma caixinha do bolso, a abriu, revelando um anel de ouro coberto de diamantes.
- Este anel está na minha família há gerações – explicou ele – e é usado pela futura Sra. Malfoy durante o noivado. Aceita se casar comigo? – ele finalizou, a olhando ansioso.
Gina observava tudo emocionada. Draco dissera tudo o que precisava ser dito, todos seus medos se dissiparam. Assentindo, suas lágrimas escorreram, antes de conseguir falar.
- Sim. Sim, eu aceito – respondeu, sorrindo, seu rosto já molhado.
Sorrindo, Draco levantou-se, colocando o anel na sua mão direita. A puxou para um beijo, enlaçando-a junto a seu corpo.
- Eu te amo – ela disse, sua voz embargada de emoção – farei meu melhor para ser uma ótima esposa e uma ótima mãe.
Draco só conseguiu beijá-la, pois nada mais precisava ser dito. A vida dos dois seria uma só, e nada poderia deixá-los mais felizes.
**fim do capítulo 4**
N/A: Oi pessoal!
E aí, o que acharam? Muitos duvidaram de que eu colocaria a Gina grávida, como na versão anterior. Mas esta era uma parte importante, não tinha como eu não colocar!
A diferença foi nas reações; na versão antiga, eu praticamente não coloquei o desespero de uma garota grávida aos dezesseis anos rsrs
E, pra quem pediu, aí está Lucio e Narcisa Malfoy como antes! Eles são fofos, né? Sempre adorei eles, imaginando como um casal que, apesar de frio, é apaixonado um pelo outro.
E o pedido de casamento? Foi o suficiente? Na versão antiga, eles já estavam noivos antes de conhecer os Malfoy; as coisas iam rápido demais. Dessa vez, pensei que fazia mais sentido eles ficarem noivos após a descoberta da gravidez de Gina. Famílias bruxas são mesmo conservadoras, né? rsrs
Próximo cap, ainda algumas coisas sobre o feriado e a volta para Hogwarts! Como Gina lidará com seus amigos? E Rony, saberá de alguma coisa...? Qual será a reação dos alunos com o noivado? E o que Harry fará?
Mal posso esperar, a fic está chegando na parte interessante! Quero muito ver o que acharão :)
Aguardo reviews!
Bjinhos,
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
