Capítulo 6 – A Integração do mundo mágico
O dia de formatura chegou. Muitos alunos estavam ansiosos, outros deprimidos porque não poderiam assistir a cerimônia. Gina estava em seu salão comunal, sendo arrumada por Colin no dormitório feminino. Por algum motivo, o moreno conseguia entrar lá, talvez pelo fato de que fosse gay.
- Perfeita – disse ele, afastando-se para olhá-la – eu não poderia ter feito um trabalho melhor.
A ruiva usava um vestido que Narcisa havia enviado naquela semana; era dourado e o tecido era grosso e metalizado, com forro na cor preta, dando volume na parte da saia. Com uma fita amarrada abaixo do busto, dava a impressão de que o volume vinha do tecido, e não de sua barriga, que naquela semana parecia ter crescido mais do que no último mês. Era tomara-que-caia, mas fitas negras saíam da bainha superior e amarravam em seu pescoço, aparentando serem alças.
Usava sapatos de boneca pretos de salto baixo; seu cabelo estava solto e completamente liso, com uma tiara também dourada separando sua franja, sendo complementada por uma maquiagem leve no rosto. Em seu pescoço, fazia questão de usar o colar que Draco lhe dera, com o pingente de esmeralda, além de seu anel de noivado na mão direita.
Ao olhar-se no espelho, Gina só conseguiu agradecer.
- Obrigada, Colin.
- Agora vai lá e arrasa, Pimentinha – disse o grifinório, abraçando-a – vai dar tudo certo.
Assentindo, Gina estava saindo do salão, sendo olhada por muitos, quando Hermione encontrou-a na porta, já utilizando sua beca de formanda.
- Rony já está no salão, mas pediu para que eu falasse com você – disse, esbaforida – seus irmãos ainda não sabem.
Então seus pais não tinham contado a eles. Suspirou.
- Gina... – começou Hermione, incerta – desculpe por tudo. Eu já fui uma amiga mais próxima, mas acabamos nos afastando. Mas quero que saiba que iremos ajudá-la. Tanto eu quanto seu irmão estamos levando nossas varinhas escondido – terminou, dando um sorriso confiante.
- Obrigada, Mione – respondeu, dando um sorriso – agora volte lá e faça as honras na apresentação, como sendo a bruxa mais inteligente já formada em Hogwarts.
Sorrindo, a morena se despediu, correndo pelos corredores.
Marcou de encontrar Luna na escadaria, e a corvinal estava linda, trajando um vestido preto simples, mas que intensificava sua beleza.
- Nervosa?
- Muito. Vou conhecer os pais do Blaise hoje – disse a loira – e você?
- Preparada mentalmente – respondeu a ruiva – vamos.
Entraram no salão, de braços dados. No lugar das enormes mesas das casas, havia várias mesas individuais, agrupadas por casas e separadas por famílias. Logo avistou a mesa de sua, a mais cheia do salão: um intenso aglomerado de ruivos. Onde havia a mesa dos professores, agora estava um enorme palco, cheio de cadeiras vazias enfileiradas para que os formandos se sentassem, e um tablado para que o orador falasse. O teto e as paredes estavam todos decorados com bandeiras das quatro casas e faixas de felicitações aos formandos. Em um dos cantos, músicos preparavam seus instrumentos e no outro, uma mesa mais singela com os professores que quiseram assistir, dentre eles, Dumbledore.
- Vai dar tudo certo – Luna apertou sua mão – estaremos aqui para o que precisar.
Respirando fundo, Gina caminhou até a mesa dos Weasley. Rony estava lá, e conversava entre sussurros com seus pais; ao ser avistava por seus outros irmãos, eles levantara-se e a abraçaram com animação.
- Gininha, ano que vem será você! – disse Carlinhos, enquanto lhe abraçava e fazia cafuné.
- Nem acredito que só falta uma Weasley! – Gui o completou, abraçando-a em seguida.
- Está tão linda! – os gêmeos falavam, a girando para vê-la melhor.
Todos lhe cumprimentavam animados, e Gina sentia um nó em seu estômago, com medo de perder tudo aquilo. Eram seus irmãos, os amava demais e não queria ficar sem eles. Ao terminar de ser abraçada por todos, virou-se para seus pais.
- Oi mamãe e papai – falou, dando um leve sorriso. Rony tinha acabado de se despedir, pois todos os formandos estavam sendo convocados para o início da cerimônia.
Seus pais a encararam, sérios, sem falar nada. Sua mãe virou o rosto. Ao perceber a tensão no ar, Gui perguntou:
- O que está acontecendo?
Sua pergunta foi ignorada.
- Você está usando um anel – disse seu pai, de forma amarga, indicando a mão direita de Gina.
Só então seus irmãos prestaram atenção ao objeto.
- Que anel é esse Gina? – perguntou Percy – parece ser caro.
- Esse pingente é uma esmeralda? – perguntou Carlinhos, incrédulo.
O sorriso de Gina sumiu.
- Papai... – ela tentou falar, mas sua mãe a cortou.
- Nós a avisamos – falou Molly, séria – que se continuasse com isso, não faria mais parte de nossa família.
- Mamãe, por favor, me escute! – tentou, exasperada – vocês não conhecem Draco, ele...
- Não vamos ouvi-la – seu pai a cortou, ríspido – não vou ouvir alguém que traiu sua própria família!
Todos os irmãos encaravam a cena, sem entender.
- Papai, do que o senhor...? – Fred tentou perguntar, mas a voz de Molly cortou o ar.
- Você não é mais nossa filha – ela disse encarando Gina com um olhar tão frio que fez a garota estremecer – não se sentará conosco essa noite.
Gina engoliu em seco, fechando os olhos e controlando-se para não chorar. Seus irmãos estavam em choque observando o que era dito.
- O que diabos está acontecendo? – perguntou Carlinhos, com raiva – como vocês podem dizer isso para a Gina? Ele é nossa irmã!
- Sua... irmã – seu pai falou, sua voz amarga e sem emoção – nos trocou pela família de Lucio Malfoy.
Agora seus irmãos a olhava incrédulos.
- Isso... É verdade, Gi? – Gui tentou perguntar.
Respirando fundo, Gina negou com a cabeça.
- Não, não é – ele deu um olhar frio aos seus pais – eu jamais trocaria minha família por ninguém, pois eu imaginei que minha família apoiaria minhas decisões e estaria comigo a todo custo.
Ela virou-se para seus irmãos, tentando dar um sorriso fraco.
- Sinto muito magoá-los, meus irmãos, mas eu estarei me casando durante as férias. Draco Malfoy me pediu em casamento enquanto namorávamos, e eu aceitei. Me desculpem se minha felicidade os deixará com raiva tal como deixou nossos pais, mas não voltarei atrás da decisão que tomei.
Uma sirene apitava, indicando que todos deveriam se sentar para o começo da cerimônia. Seus irmãos a olhavam em silêncio, chocados demais para falar algo. Gina virou-se para ir embora.
- Atenderei seu pedido, minha mãe. Não sentarei com vocês hoje – disse, já de costas, enquanto afastava-se.
O que mais queria naquele momento era abraçar Draco e chorar em seu ombro. Mas precisava ser forte; já havia tomado sua decisão, não podia demonstrar fraqueza. Luna a olhava triste da mesa em que estava, sendo acompanhada por um casal mais velho que não conhecia, provavelmente os pais de Blaise.
Caminhou até a mesa dos Malfoy, e Narcisa prontamente se levantou, a abraçando.
- Vai ficar tudo bem, querida – disse em seu ouvido – eles ainda estão em choque, mas vai ficar tudo bem.
Lucio encarava Artur, a mesas de distância, com tanta frieza que poderia congelar o salão. Nem ele poderia imaginar um tratamento do tipo; não fora tão imparcial com Draco, lhe dera a chance de explicar, pois ainda era seu filho e era o mínimo que podia fazer. Julgá-lo antes de ouvi-lo era antiético e desrespeitoso. E ao ver a forma como Artur Weasley tratou sua própria filha despertou nele um desprezo ainda maior por aquele homem.
- Sentará conosco essa noite, Virginia – ele falou, conjurando uma cadeira – e a receberemos com toda a honra que merece.
Gina assentiu, dando um sorriso fraco enquanto sentava-se e as luzes diminuíam para o início da cerimônia.
- Me solta, Blaise! – Draco havia visto a cena de onde estava, uma sala anexada ao salão. Queria ir a todo custo até lá, dizer para os malditos Weasley que Gina não merecia aquele tratamento. Queria torturá-los, fazê-los pagar por aquilo.
- Draco... não... Pare de se mexer! – dizia o moreno, enquanto tentava imobilizá-lo – você não pode, seu idiota! Só vai piorar a situação!
O loiro parou, tentando se acalmar. Os formandos já estavam se posicionando em suas cadeiras, e ele e a sangue-ruim seriam os oradores.
- Se acalme – falou Blaise, soltando-o – respire fundo, lembre-se de quem você é. Você é um Malfoy, mostre sua superioridade, mostre que você é responsável e que se eles não são capazes de fazer a filha deles feliz, você é.
Draco exalou o ar.
- Obrigado, Blaise.
- Vou estar com minha varinha em punhos – disse o amigo – agora, prepare-se.
Ele saiu, indo sentar-se em seu lugar. Quando todos os formandos estavam sentados, as luzes diminuíram. Dois focos de luzes se acenderam, direcionados para cada extremidade do palco; ele caminhou até o tablado, sendo seguido pela luz, enquanto Hermione vinha pelo outro lado, da mesma forma, enquanto a banda tocava uma música suave para a entrada deles. Ouviram leves aplausos, que cessaram quando chegaram ao local.
- Boa noite a todos – começou Hermione – meu nome é Hermione Granger e sou a monitora-chefe, membra da Grifinória.
Os pais dela aplaudiram entusiasticamente, junto com outros.
- E eu me chamo Draco Malfoy, monitor-chefe e membro da Sonserina – disse, observando atentamente a mesa cheia de ruivos – e esta noite estaremos apresentando os formandos de Hogwarts, com seus respectivos méritos.
- Este ano – Hermione começou o seu discurso após os aplausos cessarem – nós aprendemos o verdadeiro significado da palavra "maturidade". Nos deparamos com a decisão de que carreira seguir; enfrentamos nossos medos e descobrimos – ela deu um pequeno sorriso – que até nosso inimigos podem tornarem-se aliados, uma vez que a implicância infantil é deixada de lado.
O salão estava em silêncio absoluto, e todos a olhavam intensamente enquanto falava. Seu discurso havia mudado de última hora, embora ninguém soubesse. Os Weasley pareciam engolir em seco a cada palavra dita por ela.
- Descobrimos também – ela continuou – que as diferenças é que fazem nossa convivência ser tão enriquecedora para nós, como bruxos. Que nossas casas, apesar de serem como nossas famílias, não nos impunha uma separação, mas sim, uma integração com todos. E que, tal como sobrenomes, podiam ser deixadas de lado.
Draco a olhava de soslaio e, apesar de sempre ter detestado a sangue-ruim, sentiu certa admiração por ela e por suas palavras.
- Por isso, senhores e senhoras presentes, familiares de todos os formandos, peço que se lembrem da importância de Hogwarts, pois os laços que aqui formamos podem seguir por toda uma vida. Lembrem-se também que não importa se você veio de uma família bruxa tradicional ou, como eu, de uma família de trouxas, pois todos sairemos daqui como bruxos espetaculares, do qual a sociedade mágica sempre esperará o melhor.
Ao concluir, houve uma leva de aplausos admirados.
- Por que eu tenho a impressão de que o discurso veio para nós...? – perguntou Gui, em um sussurro, sem esperar resposta.
Os irmãos Weasley ainda estavam em choque; mal tiveram tempo de absorver o que sua irmã tinha acabado de contar, antes de vê-la juntar-se à mesa de Lucio Malfoy, sendo recebida acaloradamente por uma mulher.
Seus pais permaneciam em silêncio, e não sabiam o que pensar. A forma como sua irmã os olhou e falou com eles... Não sabiam como reagir. Seus pais pareciam desprezá-la, sem dar a chance de que se explicasse, e eles mesmos não sabiam se queriam ouvir mais.
Ela era a mais nova da família e já havia comunicado seu casamento; só isso já seria surpresa o suficiente, mas o agravante foi com que ela iria se casar. E agora observavam essa pessoa, começando a falar no palco.
- Depois do discurso da Granger, acho difícil o meu fazer algum efeito – ele começou, fazendo alguns rirem, inclusive ela – mas tentarei. Ao começar esse ano como monitor-chefe, achei que era o ápice de minha responsabilidade ter que cuidar de todos os assuntos estudantis, mas me enganei. Descobri, ao longo do ano, que precisava amadurecer mais, e pude ver esse desejo em cada aluno que está presente hoje – seu olhar dirigiu-se à Gina – descobri que a vida pode lhe pregar peças e trazer surpresas inesperadas, mas que nem por isso deixarão de ser boas. Que a maturidade depende de cada um e que ninguém poderá forçá-lo a fazer algo, a menos que seja de sua vontade.
Seu olhar dirigiu-se à mesa dos Weasley, enquanto falava.
- Descobri, e tenho certeza que outros companheiros também, que nós somos de uma nova geração. Uma que não se importa com que casa o outro pertence, ou em que família nasceu, pois no fundo, somos todos bruxos. E, como bruxos dessa geração, aprendemos que velhas concepções devem ficar no passado, pois só visamos um único ponto: o futuro.
Ao terminar sua fala, foi aplaudido entusiasticamente. Gina o olhava abobada, pois nunca havia imaginado que ele poderia ser um orador tão bom. A mensagem passada tanto por ele quanto por Hermione havia sido clara: aquele era o momento de integração no mundo mágico.
Olhou para Luna, sentada em uma mesa próxima. Ela trocava algumas palavras com os pais de Blaise, e sorria animada. Não conseguiu olhar para a mesa de sua família; doía demais dentro dela só de imaginar que nunca mais trocariam palavras carinhosas.
Com o término dos aplausos, Hermione retomou a palavra.
-Sem mais delongas, apresento os formandos desse ano – ela abriu um pergaminho – com seu ingresso garantido na Academia de Tratadores de Criaturas Mágicas, James Abbot, da Lufa-Lufa!
O rapaz sentado na primeira cadeira da fileira superior levantou-se, colocando seu chapéu de bruxo e aproximando-se deles. Draco entregou-lhe seu certificado, enrolado em forma de pergaminho, apertando sua mão. O rapaz levantou o objeto no alto e, após acenar para sua família, retornou ao seu lugar.
Olhando para o pergaminho de Granger, Draco chamou:
- A única aluna animaga de Hogwarts, Flora Blumina, Corvinal!
A garota, sentada na segunda cadeira aproximou-se e, enquanto andava, transformou-se em uma lontra, retornando à sua forma humana logo depois, recebendo o diploma das mãos de Hermione e repetindo o gesto do rapaz anterior, sob muitos aplausos.
E assim a noite prosseguiu, cada nome sendo chamado por ordem alfabética e com Draco e Hermione revezando a evocação e a entrega de diplomas. Seus nomes foram pulados, pois seriam os últimos a receber. Eles haviam entrado no clima de festejo, chamando os alunos de forma animada e fazendo brincadeiras:
- Com o maior índice de destruição de objetos de Hogwarts – falou Draco – mas também com a melhor nota em Herbologia já vista, Neville Longbottom, Grifinória!
O próprio Neville riu da piada, enquanto recebia seu diploma das mãos de Hermione, que o abraçou.
- Uma das garotas mais cobiçadas de Hogwarts por sua beleza – chamou Hermione – Pansy Parkinson, Sonserina!
Pansy aproximou-se, dando um abraço em Draco ao receber seu diploma e, antes de se virar, deu um sorriso de desculpas para Gina, acenando. Não queria deixá-la com ciúmes, só demonstrar que Draco era seu amigo.
Ao chegar a vez de Harry, foi Draco quem o chamou, após ficar em silêncio por um momento.
- O apanhador mais novo de Hogwarts no último século – chamou, sem emoção – Harry Potter, Grifinória.
Muitos aplaudiam, em especial, a família Weasley, que gritava vivas. Gina ficou quieta, assim como Lucio e Narcisa.
Ao entregar o diploma para ele, Hermione não sorriu nem o cumprimentou. A morena nunca conseguiu ser falsa, e não seria naquele momento que faria. Ignorando, Harry acenou sorridente para a mesa dos Weasley, como se nada nunca tivesse acontecido.
Controlando sua raiva, Hermione tomou a frente, chamando o próximo nome, antes que algo acontecesse. A formatura foi passando, e os nomes já estavam no final. Era a vez de Hermione falar o nome, mas Draco puxou o pergaminho dela, dando um sorriso malicioso.
- Esse cara precisa receber o diploma das mãos dela – falou, apontando para Hermione – pois depois de sete anos, estão finalmente namorando. Ronald Weasley, Grifinória!
Ao som de risos e aplausos, Rony levantou sorrindo, enquanto Hermione corava, feliz. Ao entregar seu diploma, o ruivo a puxou, dando um beijo, fazendo com que a família Weasley urrasse de felicidade. Até Gina aplaudia entusiasmada, surpresa com o ato inesperado de seu noivo.
Antes de retornar ao seu lugar, Ron estendeu a mão, apertando a de Draco, com confiança. Sua família ficou em silêncio ao observar o gesto.
- Por que ele fez isso? – perguntou Jorge, incrédulo.
Percy soltou um suspiro.
- Acho que ele está demonstrando a maturidade que foi falada no discurso da Hermione – ele falou, e seus irmãos o olharam em silêncio, voltando a prestar atenção ao final da cerimônia.
- Com uma das maiores popularidades entre a população feminina – disse Hermione, sorrindo – mas não se animem, pois este já tem dona, Blaise Zabini, Sonserina!
Blaise levantou-se, sorrindo e, ignorando a mão estendida de Draco, o abraçou. Sorrindo, levantou seu diploma, e depois fez um coração com as mãos em direção à Luna.
Quando os nomes dos formandos sentados terminaram de ser chamados, e estavam todos em seus lugares, Draco e Hermione ficaram em silêncio, parados em pé onde estavam. Rony levantou-se lentamente e foi para o lado dela, pegando o diploma da garota em cima do tablado.
- Com as melhores notas já vistas em Hogwarts – começou o ruivo, cheio de emoção olhando para Mione – esta garota mostrou que uma bruxa vindo de família trouxa é capaz de alcançar o topo. Ela é a pessoa mais inteligente desse século, monitora-chefe e minha namorada, Hermione Granger da Grifinória.
O ruivo entregou o diploma a ela, que o abraçou e roubou-lhe um beijo, ao som de muitos aplausos. A noite estava sendo muito mais divertida do que todos esperavam, em especial para Gina, que se distraía com a apresentação.
Após receber seu diploma, Hermione foi para seu lugar, acompanhada de Rony, deixando Draco em pé.
Blaise levantou-se lentamente, parando de frente para ele, e depois olhando para a plateia.
- Eu quem deveria entregar este diploma – o moreno começou – mas acho um tanto injusto. Este cara – ele apontou para Draco – é meu melhor amigo e, como tal, sei que ele gostaria que outra pessoa o fizesse. Sendo assim, chamo ao palco para compartilhar dessa honra Virginia Weasley!
Ele começou a aplaudir e os outros presentes também. Gina ficou olhando surpresa para eles, mas Narcisa a cutucou para que fosse. Nervosa, caminhou lentamente. Com o canto do olho, viu sua família encará-la, sendo os únicos a não aplaudirem.
- Eu vou te matar depois – Draco sussurrou entre os dentes para seu amigo, enquanto a ruiva caminhava na direção deles.
- Não, você vai me agradecer – disse o moreno, dando uma piscadela.
Ao chegar ao palco, com uma das luzes a seguindo, caminhou até Draco, parando na sua frente. Blaise havia se afastado um pouco, observando. Delicadamente e ao som apenas da música leve tocada pela banda, ela pegou o último diploma encima do tablado.
- Eu não sei o que dizer – começou, dando um riso nervoso e fazendo com que Draco risse, junto da plateia – mas... Você me ensinou que uma pessoa pode superar a si própria, quando quer. Me mostrou que a vida é mais do que o que vemos superficialmente, que há sempre mais a ser conhecido e aprendido – ela falava tudo olhando para o chão, envergonhada. Levantou o rosto, encarando Draco e falando com confiança – você me mostrou que o amor existe e pode nascer em qualquer lugar, para qualquer pessoa. Por isso, entrego a você este diploma, Draco Malfoy, monitor-chefe, membro da Sonserina e meu futuro marido.
Sorrindo, Draco pegou seu diploma e a abraçou carinhosamente, beijando-a e seguida.
Blaise aplaudiu e assobiou, sendo imitado pelos presentes, que acharam a cena encantadora e romântica. Luna aplaudia entusiasmada e os pais de Blaise observavam a cena surpresos, assim como muitos que vinham de família bruxa e conheciam as rixas existentes entre os Malfoy e os Weasley.
Molly fungou e Artur soltou um suspiro, com os olhos vermelhos. Seus irmãos olhavam para a cena, toda a emoção no ar.
- Ela ainda é minha irmã – disse Carlinhos, com a voz embargada – que se dane se ela está com o babaca do Malfoy, ela é minha irmã!
Dizendo isso, levantou-se, caminhando apressado até o palco, enquanto seus irmãos vinham atrás dele. Todos ficaram em silêncio e Gina afastou-se de Draco, olhando assustada e achando que uma briga começaria, mas Carlinhos abriu os braços mostrando que estava sem a varinha. Emocionada, Gina desceu as escadas do palco, correndo para os braços de seu irmão.
- Sua pestinha! – disse ele, a abraçando – sempre teimosa, sempre fazendo besteira!
Gui aproximou-se, também abraçando-a.
- Você é nossa Gininha – disse ele – mesmo que se case com um Malfoy, você é uma Weasley, e ninguém pode dizer o contrário.
Emocionada, Gina chorava de felicidade, enquanto era abraçada por todos os seus irmãos, ouvindo incentivos. Rony havia descido do palco, e a abraçou também, logo depois cumprimentando seus outros irmãos.
Todos haviam começado a aplaudir, e Luna levantou-se, gritando vivas. Todos começaram a levantar-se também, aplaudindo mais forte, surpresos e sem entenderem muito bem o que estava acontecendo.
- Eu não disse que você iria me agradecer? – falou Blaise, ao lado de Draco, colocando a mão em seu ombro.
Assentindo, Draco desceu do palco e começou a andar em direção à mesa em que os Weasley estavam sentados, onde Molly e Artur permaneciam com os olhos lacrimejados. Passou por Gina e seus irmãos, que o olharam sem entender o que pretendia fazer. Gina se moveu, querendo alcançá-lo, mas Rony a segurou. Olhou para o irmão, que lhe deu um sorriso confiante. Voltou a olhar a cena, desesperada.
O salão inteiro ficou em silêncio quando Draco parou em frente aos dois.
- Sr. e Sra. Weasley – ele começou, com a voz séria, olhando diretamente para eles – vocês me odeiam por eu ser um Malfoy. E não posso negar que, durante muito tempo, esse ódio foi mútuo. Mas a filha de vocês, Virginia Weasley, me fez ver que esse era um ódio sem sentido. Ela me trouxe a felicidade que nunca achei que teria um dia. E em troca, eu quero a chance de fazê-la feliz a cada dia de sua vida, mas sei que ela nunca estará completa se sua família a desprezá-la. Por isso eu peço, não por mim, mas pela felicidade de Gina, que a aceitem como filha novamente, e deem todo o amor com que a criaram.
Molly havia começado a chorar, Artur estava com os olhos molhados. Soltando-se de Rony, Gina caminhou até eles, parando ao lado de Draco.
- Mamãe... – ela sussurrou.
Sua mãe levantou-se, puxando-a para um abraço apertado. Artur aproximou-se, abraçando-a em conjunto com a esposa.
- Nossa filha, nossa Gina – ele disse – a amamos demais.
Molly tentou falar, entre lágrimas.
- Nos perdoe, filha, por tudo o que dissemos.
Chorando novamente, Gina assentiu, entre os braços dos pais. Seus irmãos começaram a aplaudir a cena, e todo os demais aplaudiram juntos, até mesmo Draco, que olhava a cena sorrindo.
- Você estava certa, como sempre – comentou Lucio, aplaudindo – tudo terminou bem.
- Não – Narcisa estava com um olhar apreensivo – algo ruim ainda vai acontecer.
Seu marido a olhou assustado, e depois, começou a observar atento à sua volta. Ouviram um tilintar, e viram o diretor Alvo Dumbledore levantar-se para falar algumas palavras, após todos se silenciarem:
- Hoje à noite nós testemunhamos que velhas rixas podem ser deixadas de lado – começou o diretor – que a integração em nosso mundo mágico é sim possível, pela arma mais antiga que o ser humano já teve: o amor.
Ele olhava sorrindo para o casal; Gina havia se soltado de seus pais, indo para o lado de Draco e entrelaçando sua mão à dele.
- Não podemos nos esquecer que essa integração depende de cada um de nós, dispostos a deixar seus conceitos de lado e aceitar seu próximo como ele é. Um brinde aos jovens que nos fizeram ver que isso é possível.
Todos que possuíam taças as levantaram para um brinde, mas um raio de luz atravessou o salão e atingiu Draco no peito. Seus olhos se arregalaram por um momento e depois ele caiu para frente, Gina gritando seu nome e tentando segurá-lo.
Olhou à sua volta desesperada, assim como as pessoas presentes. Primeiro, achou que fora um de seus irmãos, mas eles pareciam chocados, também olhando em volta. Viu então quem havia lançado o feitiço, parado em pé no palco: Harry.
- Eu não vou deixar – ele sussurrava olhando para o chão, sua voz sombria – se eu não posso tê-la, ninguém mais poderá.
Começou a rir, uma risada maligna, enquanto todos olhavam assustados. Sua risada engrossou, e, ao levantar o rosto novamente, olhos vermelhos puderam ser vistos.
- Olá, pequena – falou a voz de Voldemort, enquanto uma sombra negra envolvia o corpo de Harry – eu preciso lhe agradecer. Graças a você e ao sentimento de raiva de Potter eu pude retornar.
Chocados, os bruxos começaram a levantar suas varinhas, mas uma explosão aconteceu e todos os objetos no salão começaram a pegar fogo.
- Corram! – alguém gritou.
Mas o Harry-Voldemort gargalhava malignamente enquanto todos corriam e, voando, foi em direção a Gina.
- Não! – gritou Rony, ao ver em quem ele mirava.
Assustada, Gina fechou os olhos e depois só viu escuridão.
**fim do capítulo 6**
N/A: Olá!
Então, não me matem ainda! O cap foi curto porque tinha que parar nessa parte, fazer o quê rsrs
Ah, minhas antigas leitoras devem estar dando um ataque neste momento; quero dizer, da outra vez eu as matei de curiosidade, e logicamente, eu não iria repetir a mesma cena, né? Eu tinha que criar outro tipo de emoção, para que pudessem se surpreender!
Funcionou? Estão ansiosas pelo próximo cap? A guerra de verdade apenas começou!
Para os curiosos, o vestido de Gina é o usado na série "Glee", no último episódio da primeira temporada. Me inspirei porque há uma garota grávida na série, e esse vestido escondeu o barrigão de nove meses dela! Já que a Gina só está com quatro meses na formatura, serviria melhor :)
Aliás, gostaram da formatura? Foi bem diferente da versão antiga; quando eu escrevi a primeira vez, nunca nem tinha visto uma formatura de verdade antes, e acabei tornando mais um baile que qualquer outra coisa... Dessa vez, foi mais "real"!
A história vai tomar um rumo bem diferente do que era antes (acho que já deu para perceber). O próximo capítulo já está escrito e está bem grandinho, pois descrevo muita coisa.
Agora, vamos para os assuntos sérios:
Quanto ao abandono de "Entre o Céu e o Inferno": eu não abandonei esta fic por falta de review, mas porque eu realmente não em sinto confortável em escrevê-la. Foi como eu disse, ela nunca foi uma fic minha, era uma adaptação bem fiel do mangá "Akuma na Eros", onde eu utilizava até as falas que eram ditas, mas deixava as cenas mais "leves" do que nos quadrinhos (o choque visual de algumas cenas é bem pesado, acredite). Eu comecei a escrevê-la só porque eu gostava do mangá e queria que outras pessoas o conhecessem... Mas não vejo muito sentido agora. Pra quem quiser saber o final da história, eu vou ver se depois acho os arquivos salvos aqui e coloco no meu perfil para baixarem, mas se procurem no google, vocês encontram. Mas eu realmente não quero continuar a escrevê-la, pois como autora, não me sinto utilizando minha imaginação e criatividade, entendem?
Quanto ao abandono de "Tchimitchanga": é criação minha, mas também não me sinto inclinada a continuá-la. Eu a comecei de maneira abrupta há muito tempo, e nem sequer lembro do que eu planejava para ela. Eu não a baseei em nenhum filme ou história, como algumas pessoas me perguntaram, mas só na minha imaginação. Mas relendo-a, nem sequer consigo pensar em mais coisa para escrever. Ficaria confuso, muitos personagens envolvidos, envolveria uma reescrita de tudo... E eu simplesmente não consigo.
Entendam, com "A Razão é Você" foi diferente; eu resolvi reescrevê-la porque ela é minha primeira fic, e eu tinha um carinho absurdo por ela; eu havia começado despretensiosamente, mas conseguido criar uma boa emoção na reta final. Daí, resolvi reescrevê-la para torná-la mais gostosa de ler, e acabei até mesmo mudando os rumos da história. Penso em muito mais para escrever, penso em uma nova "fase II" bem mais emocionante do que eu havia pensado antes... Quanto eu comentei da hipótese de abandoná-la também, é porque eu não sentia nenhum feedback. Fazem ideia de quanto tempo se demora para escrever um capítulo? Eu literalmente perco um dia inteiro. E tempo é a coisa que mais me falta; um dia perdido é um dia que eu deixo de estudar, de dormir, de descansar, de arrumar minha casa, de lavar e passar roupa, de passar com meu marido, de encontrar amigos, de visitar minha família... Enfim, há uma possibilidade de coisas que eu poderia fazer, mas que deixo de lado para escrever um capítulo. E quando atualizo, espero ver ao menos um "eu li, aguardo o próximo", para saber que valeapena perder todo esse tempo. Na minha última atualização de "AReV" antes do protesto, em duas semanas que o capítulo havia sido atualizado só tinha uma review.
Falem o que quiser, mas com esse meu "protesto" as leitoras começaram a deixar reviews (entre elogios, pedidos e reclamações rsrs). Serviu para algo? Sim. Ao menos, me deu força de vontade para continuar com as que já escrevo, como "AReV", "Qualquer um Pode Amar" e "Aventuras de uma Adolescente". Quero poder terminá-las, pois são fics que possuo muito carinho. São minhas criações, minhas "filhas", e quero vê-las amadurecerem.
Só que é bem difícil dividir o pouco tempo que tenho em casa entre meu marido e meu computador rsrs
Tentando resolver isso, adquiri um netbook, para tentar facilitar minha vida. Às vezes tenho tempo vago ao longo do dia, o que me possibilita escrever alguma coisa, aos poucos. Não estou prometendo mil atualizações toda hora (nem três fics sendo atualizadas no mesmo momento, como aconteceu antes), mas ao menos terei a chance de ir escrevendo, e não deixá-las paradas em um canto.
Agora, junte três fics para escrever com meus estudos e vida pessoal. E depois, acrescente o fato de que eu estou escrevendo um livro de verdade, uma história original. De fato, eu tenho dois projetos de livro, mas um exige muita pesquisa, e esperarei até minhas férias para ter chance de continuá-lo. Mas o outro não, e eu já tive elogios positivos das "cobaias" (ou seja, amigos próximos) que leram meu primeiro capítulo, e também quero a chance de me dedicar a ele. Quem sabe algum dia vocês não lerão um livro meu na mão, em vez de fics no computador (ou celular)? Realmente desejo que isso aconteça :)
Acho que já me prolonguei demais. Estarei aguardando reviews de vocês, principalmente comentando sobre o capítulo e o que imaginam que vai acontecer!
Ah sim, eu ainda vou responder as reviews individualmente, prometo! Uma hora eu consigo rsrs
Bjinhos!
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
