Capítulo 7 – Tempos de Guerra

- Draco, me salve! – a voz de Gina gritava, enquanto ela se contorcia de dor.

Uma risada maligna soava ao fundo, enquanto ele corria para tentar alcançá-la. Mas por mais que se esforçasse, ela ia sempre para longe.

Acordou. Havia adormecido em cima de uma mesa cheia de mapas e trajetos demarcados. Suspirou; evitava dormir nos últimos meses, pois sempre tinha o mesmo tipo de pesadelo: Gina estava em sofrimento e inalcançável, com a risada de Voldemort ao fundo.

Levantou-se lentamente, saindo de sua barraca vestindo apenas uma calça. Estava acampado em algum lugar do Reino Unido, nem Merlin saberia dizer corretamente aonde. Lavou seu rosto em um barril cheio de água, enquanto fazia sua barba olhando-se em um pequeno espelho. Não se reconhecia mais; seus olhos estavam mais frios e profundos, indicando noites não dormidas; seu rosto parecia mais maduro e estava com duas cicatrizes novas, uma cortando seu olho direito na vertical e outra próxima à sua jugular.

Ao terminar sua higiene, sentou-se em uma pedra, lembrando-se novamente do que o levou até ali.


Três meses atrás

Estava tudo escuro, era como se flutuasse no universo. Não sabia há quanto tempo estava ali, navegando na escuridão, mas ouvia vozes ao seu redor e não sabia dizer de onde vinham. De repente, viu uma luz branca vindo em sua direção, e foi de encontro a ela.

Seus olhos se abriram, encarando um teto desconhecido. Começou a se mexer, e viu que estava em uma cama. Na mesma hora sentou-se, sentindo uma tontura. Ouviu o som de alguém bocejando, e viu que Blaise estava dormindo sentado em uma cadeira próxima à sua cama.

- Ah, você acordou! – o moreno falou sorrindo e se espreguiçando – bom saber!

Sem dizer nada, ele saiu, voltando logo depois com um homem parecido com ele.

- Este é meu pai – disse Blaise, enquanto o senhor se aproximava de Draco e segurava seu pulso – Giorgio Zabini, curandeiro famoso.

- Onde... Onde eu estou? – perguntou Draco, enquanto o homem o examinava. Sua voz saiu engrolada, como se ele não falasse há tempos.

- Mansão Black, atual refúgio da Ordem da Fênix – disse Blaise, lentamente – um dos poucos locais seguros da atualidade.

O cérebro de Draco ainda estava voltando a raciocinar e, ao conseguir, perguntou de supetão.

- Onde está Gina? O que aconteceu? Eu só me lembro de estar na formatura e depois...

Blaise ficou olhando para o chão, pensando em como falar.

- Algumas coisas aconteceram enquanto você dormia, amigo – ele começou – e eu sinceramente não sei por onde começar.

Sr. Zabini afastou-se de Draco, falando:

- A saúde está boa, mas precisará se alimentar. Pedirei que tragam comida para cá.

Saiu do quarto em seguida, deixando os dois rapazes no local.

- Quanto tempo? – Draco perguntou de repente, e Blaise não entendeu – Quanto tempo eu estive... dormindo?

Blaise soltou o ar, antes de falar.

- Um mês – viu o loiro o encarar assustado, e apressou-se em dizer – você foi atingido por uma maldição desconhecida por todos, e ninguém sabia o que fazer. Você tinha febre, delirava e tremia, e só depois de muitas tentativas conseguimos controlar os efeitos. Demorou um pouco, mas descobrimos como curá-lo e você entrou em tratamento. Seu corpo já está bom há algum tempo, mas ainda assim, não acordava.

Draco estava em choque; passara um mês de sua vida dormindo.

- E Gina, ela está bem? O que houve naquela noite? – perguntou, desesperado.

Blaise o olhou, tristeza passando em seus olhos, procurando uma forma de contar.

- Na noite da formatura, Voldemort voltou – Draco arregalou os olhos – ele tomou o corpo do Potter, aproveitando-se da raiva que ele carregava, e explodiu o salão, colocando-o em chamas. Todos saíram bem – ele falou, vendo que o loiro ia interrompê-lo – mas Voldemort sumiu naquela noite e ele... Levou a Gina junto.

O loiro continuou calado, não querendo acreditar no que estava ouvindo. Blaise continuou sua narração, que já havia preparado mentalmente, sabendo que uma hora teria que contar ao amigo.

- Depois disso, houve o caos. Foi anunciado em todos os jornais que não só Voldemort havia retornado, como também tomado o corpo da última esperança do mundo mágico, Harry Potter. Com isso, a Ordem da Fênix voltou à ativa por completo, conquistando novos aliados para as batalhas que surgiriam – o moreno falava sério e pausadamente, com pesar em sua voz – E elas surgiram. Houve diversos ataques em cidades, trouxas e bruxas, e vários inocentes já morreram até o momento. A Ordem tenta impedir, tenta descobrir onde eles atacarão, mas está muito difícil, pois Voldemort não aparece em público e também não está mais utilizando só comensais em ataques, mas também animais e raças mágicas, além de cadáveres controlados por magia.

- Você está mentindo – sussurrou Draco – isso é mentira!

Levantou-se, mas ficou tonto e se apoiou na cama.

- Seu corpo ainda está fraco – falou Blaise – precisa comer antes.

- Não... – o loiro andou até um móvel no canto, onde havia recortes de jornais. Várias manchetes chamavam a atenção: "Ataque à ponte de Wildshire", "mais de 100 feridos e 20 mortos", "tornado misterioso atinge o litoral". Dentre todas, uma pequena lhe chamou a atenção "Garota desaparecida ainda é um mistério". Logo abaixo da manchete, uma foto de Gina, sorrindo.

- Não! – ele gritou, jogando os papéis longe. Andou até a porta, tropeçando, sem conseguir manter-se de pé, sendo segurado por Blaise – me solta, eu preciso achar a Gina!

- Draco – ele sabia que seria difícil – nós estivemos procurando durante todo esse tempo.

- E não a encontraram por quê? – perguntou, exasperado.

- Porque, Sr. Malfoy, o mundo não é mais o mesmo que o sr. conhecia – falou Alvo Dumbledore, parado na porta, levitando uma bandeja cheia de comida – sr. Zabini, por favor, deixe-nos a sós.

Blaise assentiu, soltando Draco e saindo do cômodo, fechando a porta em seguida.

O diretor deixou a bandeja na cômoda ao lado da cama, indo sentar-se na poltrona que antes o moreno estava.

- Agora, queira fazer o favor de sentar-se e comer um pouco, pois não se aguentará em pé por muito tempo.

O loiro olhava o bruxo com raiva, mas obedeceu. Ao dar a primeira garfada, sentiu seu estômago rosnar. Sentia uma fome absurda, e comeu desesperadamente, como se fosse a primeira refeição de sua vida em dias. O que fazia algum sentido, uma vez que esteve em coma durante um mês.

O diretor apenas observava, calado. Ao sentir-se satisfeito, Draco colocou seu prato de lado.

- Vamos ao assunto que interessa – falou Draco – onde está Gina?

- Nós não sabemos – respondeu o diretor prontamente – acreditamos que ainda está viva, pois Voldemort a levou consigo na noite da formatura, por isso continuamos procurando. Mas sem pistas do paradeiro dele, não descobrimos nada sobre ela.

Draco o olhou, incrédulo.

- Em um mês vocês não conseguiram fazer nada? – perguntou, quase gritando.

- Se acalme, jovem. Muita coisa aconteceu durante esse mês, e por ter estado em coma não possui esse conhecimento – respondeu o diretor e, apesar de suas palavras terem sido ásperas, seu tom era gentil – posso lhe fazer um breve resumo, mas se quiser saber mais, aconselho a ler as atas de reunião da Ordem que, apesar de guardarmos a sete chaves, todos os membros possuem acesso.

Draco soltou uma risada desdenhosa.

- Eu agora faço parte da Ordem?

- A menos que deseje o contrário, sim – as palavras de Dumbledore saíam calmas – não há muitos lados a se escolher nessa guerra, e prefiro pensar que ficará conosco para achar a Srta. Weasley do que se juntar ao lado que a raptou. Até porque, tenho comigo, uma vez que Voldemort tomou o corpo de Harry, parte dos pensamentos dele ainda devem fazer efeito.

- Então ele deve me querer morto – comentou Draco, sombriamente.

- Possivelmente. Mas é isso que me faz crer que a Srta. Weasley ainda está viva – Draco o encarou, enquanto ele falava – por isso imaginei que tomaria parte de nossa causa.

O loiro ficou calado. Não conseguia pensar, sua mente estava como um furacão, dezenas de pensamentos circulando ao mesmo tempo. Só pensava em Gina, em seu riso, a felicidade de tê-la ao lado, os bebês que carregava.

- Ela... Ela estava grávida – a voz de Draco saiu engrolada – nós íamos ter uma família, merda!

Colocou o rosto entre as mãos, tentando acalmar-se, mas só de pensar na ruiva sendo possivelmente torturada, sofrendo e esperando por ele, fazia seu coração quase explodir.

- Nós sabemos – o diretor falou, tristemente – o que faz a família Weasley estar tão desesperada quando o senhor.

Lágrimas amargas escorreram, e Draco não conseguiu controlar. Não lembrava a última vez em que chorou durante sua vida, mas aquele com certeza era um momento propício.

- O que eu faço? – falou desesperado.

- Você possui duas opções, Draco – o diretor chamou-o de modo informal, e o loiro o olhou novamente, enquanto secava as lágrimas – a primeira, pode apenas se esconder, e torcer para que Voldemort não o encontre. Já a sua segunda opção me parece mais promissora.

- E qual seria?

- Lutar – Dumbledore falava com confiança – você possui um potencial incrível guardado dentro de você e, se desejar usá-lo, pode lutar conosco nesta guerra, pode procurar pela Srta. Weasley e não apenas esperar que os outros a encontrem.

Draco apenas o encarou, sem falar nada. Ficaram em silêncio durante algum tempo, até que o diretor levantou-se.

- Alimente-se e recupere seu corpo. Nós fazemos uma reunião semanal toda quinta-feira, a menos que seja um caso excepcional, e você poderá participar quando se sentir à vontade.

- E que dia é hoje?

- Sexta-feira. Terá de esperar até a próxima semana, e talvez seja melhor assim, uma vez que ainda precisa atualizar-se sobre tudo o que aconteceu no último mês.

O diretor saiu do quarto, e logo depois Blaise entrou novamente.

- Hey – disse o moreno, aproximando-se.

Draco encarava a parede à sua frente, e esperou alguns momentos antes de falar algo.

- Os comensais foram chamados de volta, não é? – sua voz saiu mais triste do que imaginava.

- Sim – o moreno assentiu – mas seu pai e Snape não foram.

O loiro o encarou, surpreso.

- Naquela noite, a marca negra deles queimou como nunca e, antes que fossem obrigados a ir de encontro, eles cortaram a própria pele fora.

- Mas... Por que? – não conseguia acreditar; seu pai sempre fora partidário de Voldemort, não fazia sentido não segui-lo quando finalmente havia retornado.

- Você pode perguntar a eles – o moreno deu um leve sorriso – eles também estão aqui, junto à Ordem da Fênix.

Havia tanto a absorver, a mente de Draco parecia não acompanhar, mas ao mesmo tempo, parecia precisar de mais informações.

- Sabe onde ficam os relatórios da Ordem? – o moreno assentiu para a pergunta – pode me trazê-los?

Blaise o olhou duvidoso, mas assentiu novamente. Começou a se afastar, falando:

- Algumas pessoas querem te ver.

- Pode avisá-las que agora não é a melhor hora – falou, amargamente – preciso de tempo para colocar minha cabeça no lugar.

Suspirando, seu amigo o deixou no quarto, sabendo que aquilo era o que o loiro mais precisava no momento: tempo.

Algumas horas depois, o moreno deixou pilhas de caixas na porta do quarto de Draco, dando uma leve batida e afastando-se. O loiro colocou as caixas para dentro, desempacotando a primeira.

Ao começar a ler, era como se absorvesse no mesmo instante. Não perdia mais de alguns segundos em cada página e, ao fechar cada relatório desde a época da primeira Ordem formada, com o surgimento de Voldemort, decorava as linhas lidas.

Não entendia o que estava acontecendo; era como se, depois do coma, sua mente o retribuísse por ter ficado tanto tempo parada. Lia sobre cada missão, cada tentativa e cada erro que já havia acontecido, e dezenas de soluções apareciam em sua mente instantaneamente; sentia como se fosse explodir se não colocasse para fora. Olhou em volta, viu sua varinha em cima da cama; conjurando pergaminhos e pena, foi para uma pequena mesa que havia no quarto, e começou a escrever. Não sabia de onde estavam vindo aquelas ideias, mas elas brotavam em seu cérebro e precisava racionalizá-las.

Escrevia loucamente; não parava para nada, não sabia há quantas horas estava ali. Mas aos poucos, caiu no sono, e teve seu primeiro pesadelo com Gina.

Ela gritava seu nome, chorando, uma risada maligna preenchia o ambiente. "Draco!"

- Draco!

Ele acordou, olhando em volta assustado. Sua mãe estava de pé ao lado dele, chamando-o com lágrimas nos olhos.

- Filho – ela o abraçou, lágrimas escorrendo – é tão bom que esteja vivo!

A respiração de Draco estava acelerada, mas tratou de acalmá-la. Olhou para sua mãe.

- O que faz aqui?

- Eu precisava ver que estava realmente bem – ela disse, secando o rosto – Blaise me disse que não queria ver ninguém, mas um dia já se passou, e já está na hora de tomar um banho e comer, certo?

Draco olhou em volta, e viu que já havia uma pilha de pergaminhos escritos ao lado da mesa. Ele havia feito tudo aquilo, e nem se deu conta de quanto tempo havia passado.

- Certo – falou, levantando-se e sentindo suas pernas doerem por ter ficado tanto tempo sentado.

Usou o banheiro no final do corredor, colocando uma muda de roupa que sua mãe havia lhe trazido. Ao sair, deparou-se com um elfo doméstico velho e enrugado.

- Monstro a seus dispor, meu senhor – disse a criatura, sussurrando – é bom servir um puro-sangue, mas esse parece tão traidor quanto o resto...

- Leve a comida para meu quarto – limitou-se a dizer, voltando para o cômodo.

Continuava pensando; precisava arranjar uma forma de controlar sua própria mente, por isso, após comer a refeição deixada pelo elfo-doméstico, meditou. Começou a organizar seu cérebro como uma estante de livros, por assunto. As poucos, sentia-se como em uma biblioteca infinita, sempre com mais espaço para conhecimento.

Já havia lido todos os relatórios da Ordem e já estava ciente de tudo que havia acontecido.

- Monstro! – chamou, e o elfo apareceu em um estampido – há alguma biblioteca nesta casa?

- Sim, meu senhor – respondeu a criatura – uma sala foi transformada em biblioteca no final do corredor do terceiro andar.

Assentindo, Draco o dispensou. Era isso, que precisava: conhecimento. Saiu de seu quarto, indo procurar a sala que desejava. A encontrou e se surpreendeu; era como se toda a biblioteca de Hogwarts tivesse sido posta magicamente em uma pequena saleta. Centenas de livros encontravam-se enfileirados em prateleiras, e logo pegou um para ler.

Foi como no dia anterior; em minutos um livro inteiro já havia sido decorado e já estava começando outro. Trancou a porta, escrevendo com sua varinha "não perturbe" na frente; passou seus dias afundados lá, sem ter contato com ninguém. Alguns batiam na porta e o chamavam, mas ignorava; apenas Monstro entrava para trazer sua refeição, e ele próprio saía esporadicamente para usar o banheiro durante a madrugada, quando não havia chances de esbarrar com ninguém.

Estava ficando louco, tinha certeza. Sua mente nunca parava de absorver, e também queria sempre expelir. Preencheu tantos pergaminhos que precisou conjurar gelo para sua mão dolorida; logo começou a utilizar sua outra mão para a escrita, tornando-se ambidestro. Precisava colocar para fora.

E não importa o que fazia, Gina estava em sua mente. Seu sorriso, sua voz, sua beleza. Não dormia; quando apagava por leves segundos, tinha algum pesadelo com ela.

Não sentia a necessidade de dormir; enquanto sua mente estivesse funcionando a pleno vapor, poderia se manter acordado.

Soube por Monstro que já estavam na quinta-feira, por isso, saiu da biblioteca, na qual já havia lido mais de noventa por cento dos livros, e tomou um banho.

Era a hora de se mostrar e tomar as rédeas da situação. Resgataria Gina e acabaria com o Potter, ou não viveria para o próximo dia.


- Compton foi atacada – comunicou Quim Shacklebolt, um dos aurores presentes.

Murmúrios percorreram pela sala. Compton era um vilarejo bruxo famoso, ao norte do país.

- Tentamos chegar na hora, mas sem podermos aparatar ou usar o pó-de-flu, levamos muito mais tempo do que pensávamos – ele continuou a narração – o vilarejo já estava completamente em chamas quando chegamos e não havia mais nenhum comensal lá.

A sala estava cheia, com todos os membros da Ordem presentes. Haviam mais do que quintuplicado seu número; dos formandos de Hogwarts, quase todos aderiram à guerra, assim como os professores e aurores do ministério. Muitos de seus familiares se juntaram, e tanto a sala quanto a mesa haviam sido estendidas magicamente para que todos pudessem se sentar. A reunião havia acabado de começar, com a última missão sendo exposta a todos.

- Acreditamos que manticoras foram usadas – falou Tonks, outra aurora – havia rastros que indicavam sua passagem.

Mais murmúrios; os ataques aconteciam com frequência, e ninguém sabia qual seria o próximo alvo. Não havia ligação entre os locais, e só sabiam dos ataques quando eles já estavam ocorrendo. Para piorar a situação, as redes de flu estavam sendo vigiadas, e também não podiam aparatar direto para o local, por conta da magia que envolvia os ataques e batalhas, tendo que ir para cidades próximas e utilizar vassouras para se locomover.

Dumbledore estava sentado na cabeceira da mesa, apenas observando. Levantou a mão, pedindo silêncio, e logo todos se calaram.

- Eu gostaria de saber a opinião de Draco, que nos visita hoje pela primeira vez.

Draco surgiu de um canto escuro próximo à porta, de onde estava apenas olhando.

- Você veio! – Pansy falou alto, sentada na última cadeira do lado direito, oposto a onde estava Dumbledore.

O loiro havia ficado surpreso; havia muitos rostos conhecidos de Hogwarts, dentre eles Blaise, Luna, Pansy e Granger. Todos os Weasley estavam presentes também, e só de olhá-los Draco sentia seu estômago revirar-se, pois lembrava-se de Gina.

Caminhou até a cabeceira, ficando do lado oposto ao diretor. Pigarreando, todos o olharam em silêncio, antes de falar:

- Eu acho que vocês estão sendo idiotas – disse, com voz calma.

Houve uma explosão de vozes, todos falando ao mesmo tempo, com raiva da atitude do garoto.

- Por que acha isso, Draco? – Dumbledore perguntou, sorrindo, sua voz passando por cima das demais, fazendo com que os outros prestassem atenção.

- Vocês utilizam as mesmas táticas já usadas na guerra anterior – ele começou a falar – os mesmos feitiços, os mesmos planos. Voldemort vem mostrando inovação a cada ataque, e vocês continuam usando as mesmas estratégias. Isso me parece idiotice.

Houve silêncio, e uma risada amarga foi ouvida. Sirius Black ria, olhando para ele:

- E você acha que pode fazer melhor, garoto? Não tirou suas fraldas ainda, muito menos lutou em alguma guerra.

Alguns riram, dentre eles os grifinórios presentes. Draco permaneceu calado, e, ao falar, sua voz saiu fria:

- Um observador externo vai sempre ver melhor do que os envolvidos – as risadas cessaram – e, sim, tenho certeza de que posso fazer melhor do que você. Eu consigo pensar em uma solução para cara problema que vocês tiveram durante as batalhas. Sei como resolvê-los.

Houve silêncio, as pessoas o encaravam incrédulas.

- Adoraria ouvir – Dumbledore se pronunciou, encostando-se na cadeira.

O loiro assentiu, seu olhar confiante. Era aquele o momento que estava esperando.

- Gigante – ele chamou, olhando para Hagrid, sentado próximo ao diretor – quantos testrálios há em Hogwarts?

Hagrid olhou em volta, sem graça quando todos olharam em sua direção.

- Doze – respondeu.

- Quantas fêmeas?

- Cinco.

- Certo – sorrindo confiante, olhou para outra pessoa – Weasley, você possui os hormônios aplicados em dragões?

Carlinhos foi pego de surpresa, não achando que Malfoy falaria com ele. Após recobrar seu pensamento, assentiu.

- Sim.

- Ótimo. Vamos aplicá-los nas fêmeas, o que as induzirá ao acasalamento. Uma testrálio fêmea costuma ter dois filhotes por ninhada, mas com os hormônios de dragão, conseguiremos até triplicar esse número. Podemos utilizar feitiços incubadores para agilizar o tempo de gestação, acelerando para duas semanas. Um testrálio atinge seu tamanho adulto com um mês, o que significa que, em quarenta e cinco dias, teremos até trinta testrálios para utilizar em missões. Mas caso não queiram esperar – ele deu um sorriso de desdém – há sete machos que poderão ser utilizados após o acasalamento, e farão com que cheguem muito mais rápido aos seus destinos.

Todos o olhavam surpresos e em silêncio, após terem tentando acompanhar seu raciocínio. Lupin foi o primeiro a falar:

- Hagrid, Carlinhos, isso é possível?

Chocados, os dois assentiram, sem conseguir falar nada. Nunca haviam pensado naquilo antes, apesar de os dois trabalharem com criaturas mágicas.

Lupin engoliu em seco, antes de indagar:

- Mais alguma sugestão, sr. Malfoy?

O loiro sorriu, vitorioso.

- Muitas – respondeu, e olhou para Dumbledore – mas tenho algumas exigências.

Murmúrios percorreram a sala, a maioria abismada com a atitude arrogante do loiro. O diretor levantou sua mão, pedindo silêncio.

- Liste-as – solicitou.

- Primeiro, veritasserum periódico para todos os membros da Ordem – a sala explodiu em vozes, mas ele continuou – precisamos confiar que nenhum membro foi controlado por um feitiço imperius durante a semana ou missão, ou que simplesmente não se bandeou para o outro lado.

- Isso é um absurdo! – Quim, o auror, levantou-se – esse garoto acha que pode chegar aqui e insinuar que não somos de confiança?

- Acho – respondeu Draco, com desprezo – vocês depositaram a confiança em um filho da mãe que está agora destruindo o mundo e fazendo da vida de todos um inferno. Se for necessário mais precaução com quem trabalhamos, então teremos.

A sala mergulhou em silêncio, o clima estava tenso. Ninguém teve coragem de se defender, pois sabiam que era verdade: eles haviam acreditado que Harry Potter seria a salvação, e não o estopim para a guerra. Teriam que lutar contra ele agora, e muitos não sabiam se teriam coragem.

- Continue, Draco – Dumbledore pediu, observando calmamente.

Assentindo, o loiro retomou a palavra, enquanto Quim sentava-se novamente.

- Segundo... Todos os membros ficarão na sede da Ordem por uma semana, sem missões. Precisamos criar novas estratégias de ataque e reformular planos, e não conseguiremos isso se fizermos aparições à esmo. Se der certo, quero que o prazo se estenda por mais um mês para os novatos, para que possam treinar batalhas.

As pessoas o olhavam incrédulas, achando que era uma brincadeira. Um pigarro foi ouvido:

- Se me permite, Draco – Sr. Zabini tomou a palavra – como sendo curandeiro, e tendo apenas Madame Pomfrey e Dr. Crispy como colegas de profissão, acho que não seria vantajoso termos um treinamento corporal com feitiços, pois muitos ferimentos demoram a serem tratados e teríamos baixas desnecessárias.

- Já estou cuidando disso – falou Draco, prontamente – por isso pedi uma semana.

Alastor Moody, um dos aurores, gargalhou.

- Acha que pode cuidar de tudo, garoto? – seu olho mágico se revirou – acha que pode dar um jeito na morte também?

- Acho – o bruxo o olhou assustado – mas isso é comigo, precisarei de vocês para outras funções. O que me leva à minha última exigência: eu vou liderá-los por essa semana e, ao final, me dirão se presto ou não para liderar daqui em diante.

Vozes explodiram, todos gritavam ao mesmo tempo.

- Eu não vou me submeter a um garoto impertinente! – gritou Quim.

- Quem esse moleque pensa que é? – Sirius rosnava.

Lucio encarou Draco, e o jovem observou seu braço. Havia sulcos profundos na pele, que fora arrancada com magia. Seu pai tentava entender o que ele estava fazendo; nunca o vira agir assim antes. Talvez o desaparecimento de Gina o tenha enlouquecido, afinal.

- Malfoy – Lupin falou, tentando superar as vozes – sua ideia para a locomoção foi interessante, mas só isso não bastará para me convencer de que preciso ouvir um garoto de dezessete anos.

As pessoas se calaram aos poucos, encarando o loiro e bufando de raiva, aguardando uma resposta.

Mas Draco parecia já estar esperando por aquilo. Lentamente, levantou a manga de sua blusa, mostrando uma tatuagem de fênix em seu braço.

- Apresento-lhes uma nova maneira de sabermos quem é quem na Ordem – ele disse, lentamente – li nos relatórios que, para confirmar se uma pessoa é quem diz ser, vocês fazem uma pergunta pessoal. Não é muito inteligente, primeiro porque nem todos os membros da Ordem são próximos um do outro; e segundo, porque com uma boa legimência sob tortura pode-se descobrir tudo sobre um indivíduo, antes de utilizar a poção polissuco.

Lentamente, Draco pegou sua varinha, levando à tatuagem. Ao encostar a ponta, a fênix sumiu, aparecendo em seu lugar o nome "Draco Malfoy". Afastou a varinha, e a tatuagem voltou ao que era antes.

- Pansy, tente encostar sua varinha – ele falou para a garota, que estava próxima a ele.

Assentindo, ela levantou a sua própria, e, ao encostar, outra frase apareceu: "impostor".

As pessoas soltaram exclamações de surpresa, e Sirius iria falar algo, mas Lupin o impediu, observando.

- Agora, me force a fazer isso sob a maldição imperius.

Sua amiga o olhou assustada, mas ele lhe deu um sorriso confiante. Levantou-se, apontando a varinha para ele, sob o olhar assustado dos presentes.

- Imperio – recitou.

Os olhos de Draco ficaram fora de foco, e todos observaram quando seu braço levantava-se ao ar e com a outra mão, sua varinha era forçada a encostar na tatuagem. Na mesma hora, a imagem mudou para vermelho, e uma nova frase se formou: "estou sendo controlado".

Sua amiga desfez o feitiço, soltando uma exclamação de surpresa com os demais. Olhava abismada, mas conseguiu sorrir, recebendo uma piscadela em retorno.

As pessoas escutaram em silêncio quando Draco voltou a falar:

- Este feitiço é uma combinação de quem o está fazendo, sua vontade e a varinha que possui – ele explicou – Portanto, se uma varinha diferente for usada, se a pessoa estiver sendo controlada por uma maldição ou se for um impostor utilizando a poção polissuco, será denunciado na mesma hora.

Professor Flitwick bateu palmas, dando um gritinho animado.

- Maravilhoso, genial! – ele falou – nunca ouvi falar de um feitiço assim antes!

- É porque fui eu quem o criei – Draco deu um sorriso convencido – é bem fácil de ser feito e só o portador da varinha deve fazer, levando apenas alguns instantes.

Muitos arregalaram os olhos, inclusive Sirius e Quim. Lupin deu um pequeno sorriso antes de falar:

- Estou convencido. O que me diz, Alvo?

Dumbledore olhava para Draco, pensativo. O silêncio durou alguns minutos, mas ninguém falava, esperando o parecer do diretor. Quando falou, sua voz saiu grave, como se pronunciasse uma sentença:

- Suas exigências exigem cooperação de todos os membros da Ordem, Draco, e acho que, de início, será melhor deixar algumas de lado. Sendo assim, peço que todos os membros fiquem na sede esta semana, sob o conselho de Draco para as novas estratégias, até nossa próxima reunião, onde votaremos pelas outras solicitações.

A maioria engoliu em seco, e alguns iriam falar, mas Draco cortou.

- Entendido, então vamos começar – ele começou a apontar com a varinha, chamando – Blaise e Granger, quero falar com vocês primeiro. Gêmeos Weasley, Longbottom e professora Sprout, Black, Pansy, Weasley, professora Minerva, professor Snape, Wesley cabeludo, Lupin, Moddy , Sr. Zabini e meu pai. Quero falar com vocês após a reunião em meu quarto; Gigante e Weasley, espero que comecem o trabalho com os testrálios pela manhã. Falarei com os restantes depois, por hoje é só.

Os chamados o olhavam surpresos; alguns negaram com a cabeça, incrédulos, outros apenas assentiram.

- Você terá que aprender nossos nomes, Malfoy – falou Gui, ao levantar-se – há sete Weasley homens aqui, e se me chamar de "cabeludo" novamente, levará uma maldição em resposta.

O loiro deu um sorriso de desdém.

- Anotado – respondeu, dando as costas e saindo do recinto.

- Acha mesmo que isso é certo, Alvo? – Sirius lhe perguntou – ele é só um moleque prepotente que teve uma boa ideia!

Dumbledore sorriu, antes de responder.

- Quero apostar que ele terá muito mais, Sirius.

Assentindo, suspirou.

- Se ele levantar a voz comigo, receberá uma lição – falou, enquanto direcionava-se ao quarto do loiro.

Ao chegar lá, viu que todos esperavam do lado de fora.

- Ele vai nos fazer esperar aqui? – falou, entre os dentes.

Pansy sorriu, desculpando-se.

- Quer falar com cada um individualmente. Blaise já está lá dentro, com a Granger.

E os dois estavam mais do que surpresos. Draco falava, enquanto apontava para alguns pergaminhos:

- É o seguinte: não possuímos nenhuma forma de comunicação segura durante as missões, porque tanto as corujas quanto os patronos correm o risco de serem interceptados pelo inimigo. Tentaram codificar as mensagens certa vez, mas devo dizer, está tão ruim que uma criança de cinco anos decifraria. Eu quero que vocês dois trabalhem em um novo código, que todos os membros possam aprender e, o mais importante: que possamos trocar periodicamente, para não correr o risco de decifrarem nossas mensagens – ele pegou dois pergaminhos em um enorme pilha – aqui tem alguns feitiços que serão úteis em suas tentativas e ideias.

- Por que nós dois? – perguntou Hermione.

- Porque você é boa de lógica – Blaise falou – e porque eu adoro montar quebra-cabeças.

- Chame o seu namorado ao sair – disse Draco à Hermione, encerrando o assunto.

Rony entrou, e Draco já estava com outros dois rolos de pergaminho na mão.

- Quero que leia isso até amanhã e depois venha falar comigo.

- O que são?

- Estratégias de batalha. Quero que descubra o defeito de cada uma e me aponte uma solução. Listei táticas que já deram certas e outras que nunca foram usadas. Quero sua opinião sobre cada uma delas.

O ruivo olhava para os pergaminhos, e depois o olhou sério, antes de responder.

- Combinado.

Saiu em seguida, dando passagem à professora Minerva e Pansy.

- De vocês duas, eu precisarei do imenso dom em transfiguração – ele entregou alguns pergaminhos – estes são alguns projetos que vim desenvolvendo, mas não tenho tempo para testar em prática. Há também algumas modificações que eu precisarei no último andar, se possível, até amanhã. Gostaria que fornecessem o apoio necessário aos outros, pois precisarão de muitos materiais que não temos disponível, mas que serão possíveis de serem feitos através de transfigurações.

A professora levou um choque ao ler seu pergaminho.

- Isso... De onde você tirou? – ela perguntou, assustada.

Draco apontou para sua cabeça, dando um leve sorriso.

- Eu criei cada uma das coisas que estou passando a vocês.

Incrédula, Minerva se retirou com Pansy, que lhe deu um sorriso confiante, chamando os gêmeos Weasley, Longbottom, e os professores Snape e Sprout. Deu um rolo de pergaminho para cada um, enquanto falava:

- Professor Snape, precisarei que o senhor deixe pronto os venenos listados, além de outros antídotos pedidos. Há a sugestão de novas poções e os efeitos que consegui descobri, mas conto com sua sabedoria para conhecermos mais.

Seu professor e padrinho o encarou, apenas assentindo.

- Professora Sprout, eu preciso que, junto do Longbottom, vocês desenvolvam alguns projetos em que pensei, descritos em seus pergaminhos. Para isso, precisarão da ajuda dos gêmeos – os ruivos o olharam chocados – pois estão acostumados a condensar grandes efeitos em pequenos objetos. Inclusive – olhou para eles – o trabalho de vocês será maior, pois preciso que utilizem não só o material fornecido pela professora Sprout, como também pelo professor Snape. Há algumas outras sugestões descritas que tenho certeza que arranjarão um modo de fazer.

- Qual o objetivo disso? – Neville lia seu pergaminho, assustado.

- Armas à distância – falou Draco, seriamente – que possamos utilizar para grandes distrações ou danos, enquanto utilizamos a varinha em uma batalha corpo a corpo.

Ao se retirarem, pediu para que o professor Snape permanecesse, enquanto entravam Sirius, Gui, Lupin, Moody, Giorgio Zabini e Lucio. Draco entregou-lhes um pergaminho com o mesmo conteúdo a cada um, esperando que o lessem. Observou o choque em suas faces, a medida que avançavam.

- Puta merda – falou Sirius – você só pode estar brincando!

Draco deu um sorriso de desdém.

- Eu não brinco em serviço.

- Draco, isto é... – Lupin soltou um riso incrédulo – como conseguiu?

O loiro olhou para longe, ficando sério.

- Alguma coisa me aconteceu enquanto fiquei em coma. Não sei o que foi, e nem sei se quero descobrir, mas vou utilizar enquanto eu puder – ele voltou a olhar para os quatro – posso contar com vocês para este projeto? Temos aqui um especialista em quebra de feitiços, um curandeiro acostumado em reverter maldições, dois especialistas em defesa contra artes das trevas, dois especialistas em artes das trevas e um bruxo que possui uma mente brilhante em batalha. Não consigo pensar em melhores especialistas para me ajudar.

Sirius foi o primeiro a estender a mão, apertando a do loiro com confiança.

- Estou dentro, garoto.

Draco olhou para seu padrinho.

- Severo, sei que já lhe passei outras coisas...

- Poupe suas palavras, Draco – ele falou, enrolando o pergaminho – nada me dará mais orgulho do que ajudar meu afilhado nessa empreitada.

Sorrindo, o garoto assentiu.

- Começamos os testes pela manhã – ele falou – trabalharei em mais algumas ideias essa noite, se puderem fazer o mesmo, será melhor.

Os sete homens assentiram e começaram a retirar-se, mas Lucio ficou. Encarou Draco, que começou a organizar sua pilha de pergaminhos no canto, bem menor do que estava anteriormente.

- Por que veio para a Ordem? – Draco perguntou, sem olhá-lo.

- Eu não trabalharia para o Potter – seu pai falou, com desdém. Seu filho levantou-se, encarando-o. Ele suspirou, antes de falar – Depois de tudo o que aconteceu na sua formatura, me fez pensar que a família deve ficar unida e lutar lado a lado. Você deseja trazer Virgínia de volta, e o lado que escolheria estava claro; eu precisei escolher o meu.

Olhou para seu braço dilacerado, onde antes havia a marca negra.

- E eu escolhi minha família – falou, sério.

- Obrigado, pai – Draco conseguiu dizer – eu não vou desistir enquanto não trouxer Gina de volta e acabar com o Potter.

- Conte comigo para ajudá-lo – seu pai falou, retirando-se em seguida.

Draco ficou sozinho, e logo sua mente voltou a pensar em Gina. Queria resgatá-la, queria que aquela maldita guerra terminasse logo. Pegando um novo pergaminho, voltou a escrever, concentrando-se em novas ideias e deixando a ruiva guardada em seu coração.


A semana ia passando, e a sede da Ordem da Fênix nunca esteve tão movimentava, e nem tão barulhenta. Explosões eram ouvidas em todos os andares; Pansy e Minerva corriam para cada um, tentando retornar as salas aos seus estados originais antes dos acidentes.

Quando não estava trabalhando em seu próprio projeto, Draco supervisionava o dos outros; reuniu-se com Rony e os aurores responsáveis pelos planos de ataque, e passaram as tardes discutindo as ideias que o ruivo havia apresentado. A cada nova sugestão, Draco procurava defeitos e erros que poderiam acontecer, fazendo com que os outros o imitassem, aperfeiçoando o máximo possível cada estratégia. Ao final da primeira reunião, os aurores o encaravam abismados, mas um novo respeito havia sido conquistado.

Ia de sala em sala, vendo o que havia dado certo e o que estava dando errado; procurava soluções, lapidava as sugestões que lhe eram dadas. Cada um dos bruxos envolvidos em seus planos estava se dedicando ao máximo, utilizando de muita criatividade em cada um dos projetos.

Uma nova admiração havia sido criada por Draco; todos comentavam sobre como ele estava sendo genial, e vários outros membros se ofereceram para ajudar nos projetos. Agora, as salas possuíam proteções mágicas para evitar acidentes, e alguns membros patrulhavam os corredores, prontos para oferecer ajudar quando fosse necessário.

Seu projeto era um caso à parte; após o jantar, passava horas com Lucio, Snape, Sirius, Moody, Lupin, Gui e Giorgio no último andar, onde ninguém mais tinha acesso. Os sons de paredes sendo destruídas, feitiços sendo lançados e explosões enchiam o ar da noite, deixando a maioria sem dormir.

Mas estava progredindo de uma forma impressionante; a cada modificação que alguém fazia, Draco incrementava. A pior parte foi quando tiveram que realizar os testes físicos. Em uma das vezes, foi atingido por sete maldições diferentes, sendo jogado para trás e quebrando uma parede no caminho, parando em outra sala.

- Está bem, garoto? – perguntou Sirius, do outro cômodo.

- Estou – Draco levantou-se, tirando a poeira – mas acho que o feitiço amortecedor precisa ser intensificado.

E continuaram. Na última noite antes da reunião da Ordem, os oito olhavam orgulhosos para o resultado.

- Nunca imaginei que veria algo do tipo – comentou Giorgio – teria me poupado muito trabalho.

Os outros homens riram.

- Você foi genial, filho – Lucio colocou a mão em seu ombro.

- Obrigado. Agradeço a todos, pois sem vocês, isso não teria saído.

- Você teria conseguido – Sirius falou, abanando a cabeça – só levaria mais tempo. Nós só apressamos o resultado.

Draco estava orgulhoso; não só de seu próprio projeto, mas de todos em que trabalhou, vendo os resultados serem colhidos. Era engraçado como agora pareciam respeitá-lo, quando antes achavam que era apenas um garoto mal-educado. Pensou no quanto queria que Gina pudesse vê-lo naquele instante, mas depois lembrou-se que só estava passando por tudo aquilo para tê-la de volta.

- Acho melhor vocês dormirem – ele falou, enquanto catava o lixo espalhado pelo cômodo – amanhã teremos muito o que mostrar.

Foram se retirando, mas Sirius ficou. Ajudou Draco a recolher tudo em silêncio, fazendo um comentário ao final.

- Você não se importa de destruir minha mansão, não é?

- Nem um pouco.

O moreno riu.

- Imaginei – ele ficou parado, olhando para a parede, antes de falar, com a voz séria – parte da culpa é minha. Quero dizer, de tudo isso que está acontecendo. Se eu não tivesse sido idiota e corrido atrás de Pettigrew, eu não teria ficado tanto tempo preso, e Harry teria crescido com um familiar. Acho que a falta disso o fez tornar-se Voldemort, e toda essa merda que vivemos hoje é por culpa dos erros que tivemos no passado.

Draco suspirou, assentindo.

- Você sabe que eu irei matá-lo – falou, encarando o moreno – não me importa se Voldemort pode sair ou não do corpo de Potter, eu matarei os dois para me certificar de que nunca mais entrem no meu caminho novamente.

Sirius o encarou, sério.

- Eu sei. E faria o mesmo em seu lugar.

Retirou-se do cômodo, deixando Draco sozinho com seus pensamentos. Não poderia dormir, não queria ouvir Gina gritando seu nome. Foi para seu quarto, trabalhando em seu projeto final, do qual ninguém mais tinha conhecimento. Enquanto estava escrevendo, ouviu o som de tecido atrás de si.

- Você está trabalhando em algo perigoso, Draco – Dumbledore falou.

Draco sorriu. O diretor sabia, obviamente.

- Pretende usá-lo?

O loiro continuou escrevendo, antes de responder.

- Só em último caso. Meu plano B, caso tudo dê errado.

- Entendo. O medo faz parte da vida. Só deve se lembrar que, ao usar o que está criando, pode estragar muitas vidas, e muitas outras consequências virão.

Parou de escrever.

- Acha mesmo que ela ainda está viva?

O diretor ficou em silêncio, antes de responder.

- Acho – ele começou a falar, pausadamente – Harry levou um sentimento maravilhoso para seu lado negativo, dando a brecha para que Voldemort o possuísse, mas não acredito que tivesse força para fazer algum mal à Srta. Weasley. Me culpo por não ter visto a mudança nele antes; mas acho que a poção já está derramada, e não adianta viver com remorso.

Draco assentiu, ainda de costas.

- Boa noite, Draco.

E saiu, deixando que o loiro voltasse a se concentrar no que estava à sua frente.


A reunião da Ordem chegou, e todos os membros estavam ansiosos. Haviam vistos testes pelo corredor, ajudado a limpar e preparar cômodos, ouvido diversas explosões. Não viam a hora de ver os resultados.

Draco já estava presente, dessa vez sentado na cabeceira, do lado oposto a Dumbledore. Quando o diretor chegou, todos fizeram silêncio.

- Eu e os demais estamos curiosos para saber de seus projetos, Draco – ele começou – queira fazer o favor de nos apresentar.

Assentindo, Draco levantou-se.

- Gêmeos Weasley – chamou – queiram começar.

Os ruivos levantaram-se, colocando uma caixa na frente deles.

- Quando o Malfoy falou conosco, achamos que ele tinha enlouquecido – falou Jorge.

- Pirado completamente – Fred completou.

- Ele nos passou coordenadas e feitiços que nunca havíamos visto antes, e pensamos seriamente que era uma armadilha para nos matar.

- Mas depois – continuou Fred – vimos a genialidade da coisa. Por incrível que pareça, tudo o que ele nos passou fez muito sentido.

- Nossa missão era simples: criar armas para serem usadas em batalhas.

- Mas não armas qualquer; deveriam ser usadas à distância, causando estrago o suficiente para uma fuga ou introdução.

- Por isso, senhores, apresentamos a vocês esta noite – Jorge retirou a tampa da caixa, levantando uma bolinha vermelha do tamanho de uma bola-de-gude – uma bomba de chamas portátil, capaz de criar um incêndio no raio de 100 metros.

- Perfeita para destruir os zumbis que Voldemort vem controlando.

- Uma bomba sonora – Jorge apresentou uma bolinha azul – para ser conduzida aos ouvidos de gigantes e dragões, ambos com audição sensível, fazendo com que desmaiem em batalha.

Continuaram apresentando sua criações: bombas de efeito paralisante, que faziam o inimigo adormecer, e várias de envenenamento, no qual utilizaram o material de Snape.

- Por último, a melhor criação de todas – Jorge falou, fazendo suspense.

- Que não teria sido possível sem a contribuição da professora Sprout e do Neville – falou Fred, apontando para eles.

- Estas sementes – Jorge segurava pequenas sementinhas na mão – pode fazer um estrago cavalar.

- Podem ser usada individualmente, simplesmente jogando-a entre os inimigos, ou como armadilha, sendo plantada no chão.

- Ao ativá-las, você será enrolado por tantas heras que será completamente imobilizado, sem dar nenhuma chance para que se mecham. E estas outras – ele mostrou mais sementes – são plantas carnívoras que podem devorar um dragão de porte pequeno. Ambas são resistentes a feitiços comuns.

- Nós ainda não tivemos como testar, mas estimamos que a força das heras é suficiente para segurar qualquer animal mágico, incluindo manticoras e dragões.

Todos olhavam surpresos e, ao final, aplaudiram. Quando os gêmeos se sentaram, Draco levantou-se novamente.

- Blaise e Granger.

Os dois levantaram-se, segurando suas varinhas.

- Draco nos pediu para que trabalhássemos em uma nova forma de codificarmos nossas mensagens – Blaise falou – o que, de início parecia mais difícil do que esperávamos.

- Mas recebemos uma lista de feitiços que nos ajudaram muito a produzir o resultado que hoje mostraremos – falou Hermione, levantando sua varinha e conjurando seu patrono.

Falando algo no ouvido do animal, sacudiu sua varinha novamente, por mais três vezes.

- Leve a mensagem a Dumbledore – ela falou ao espírito.

Ele foi flutuando até o diretor, mas Blaise o interceptou no caminho, prendendo-o magicamente.

- Diga a mensagem – falou o moreno, lançando um feitiço no patrono da garota.

A voz de Hermione pode ser ouvida pelo salão.

Eu estou acampada sozinha no sul do país, perto de uma aldeia. Acho que tem algo acontecendo por aqui, não venham até minha próxima mensagem!

Depois que sua voz sumiu, Hermione falou:

- Acontece que essa não é a mensagem verdadeira. Ela só será entregue à pessoa que eu pedi, Alvo Dumbledore. Blaise, pode soltá-lo.

Assentindo, o feitiço se desfez e o patrono seguiu seu caminho. Ao chegar ao diretor, a voz de Hermione soou novamente.

Estou na capital com toda a minha equipe, e acabamos de emboscar o inimigo. Venham o mais depressa possível, preciso de apoio.

Exclamações de surpresa.

- Nós codificamos a mensagem para que, somente ao destinatário original, ela saia como foi passada – comentou Blaise – se for interceptada ou ouvida por qualquer pessoa, ela será transformada em uma nova, indicando coordenadas e situações diferentes.

- Mas não acaba aí – continuou Hermione – essa é só a ideia inicial. Preparamos ainda um vocabulário para ser dito nas mensagens originais, porque, mesmo que o feitiço consiga ser quebrado, eles ainda terão que decifrar nosso código.

Foram aplaudidos quando a apresentação terminou, e Draco chamou:

- Pansy e professora McGonagall.

As duas levantaram-se.

- Após uma semana trabalhosa consertando salas e explosões – começou Minerva – conseguimos tempo para nos dedicar ao projeto do Sr. Malfoy. Eu nunca havia visto nada do tipo; confesso que, a princípio, achei que seria impossível. Mas com alguns aperfeiçoamentos, conseguimos. Srta. Parkinson, queira fazer a honra.

Pansy pegou quatro pedras em seu bolso, e jogou-as do outro lado da sala. Ao sacudir sua varinha, as pedras transfiguraram-se nela.

Exclamações de surpresa; havia cinco Pansys na sala, todas sorrindo e acenando. Faziam poses, mexiam-se em seus lugares; com a varinha, a Pansy original, fez uma ir para o outro lado da sala, enquanto a outra sentava-se em seu lugar. Duas começaram a correr e uma levantava a varinha, fingindo que iria atacar.

- Nós poderemos criar clones falsos durante a batalha para distração – explicou Minerva – e controlá-los facilmente. E se algo acontecer com eles – lançou um pequeno feitiço em direção a um dos clones, fazendo desaparecer – ainda saímos ilesos.

Pansy, ao seu lado, mostrou que estava bem. Sendo aplaudidas, voltaram a se sentar, enquanto desfaziam os clones.

- Estou impressionado – falou Dumbledore, quando os aplausos cessaram – vocês descobriram novas armas e truques para serem utilizados em batalha, coisas nunca pensadas antes. E, pelo que soube da equipe de tática, as estratégias foram todas reformuladas.

Quim Shacklebolt levantou-se.

- Sim. Meu orgulho não me impede de dizer que errei em meu primeiro julgamento. Eu achava que os jovens só tinham que aprender com os mais velhos mas, durante essa semana, percebi que somos nós quem temos muito o que aprender com eles.

Novos aplausos, todos animados com a perspectiva de que surpreenderiam em batalha.

- Mas ainda não acabou – falou Dumbledore – Draco preparou algo sozinho, certo?

O loiro assentiu, levantando-se e segurando sua própria.

- Eu trabalhei nessa ideia inicialmente sozinho, mas com a ajuda das pessoas certas, tive como aprimorá-la – ele falou – por favor, queiram levantar-se.

Os sete homens assim o fizeram, já com a varinha em punhos. Lupin foi o primeiro, apontando para Draco:

- Expelliarmus!

Um jato de luz vermelha atingiu o loiro, mas nada aconteceu; sua varinha continuou em suas mãos e ele estava no mesmo lugar. Enquanto os presentes olhavam espantados, uma leva de feitiços e maldições foram ditas.

- Crucio! – gritou Moody.

- Imperio! – Gui falou.

Vários foram ditos, mas Draco permanecia em seu lugar, às vezes recebendo um leve impacto. Até mesmos os localizados, para acertar seu braço ou perna, não faziam efeito. Quando os sete lançaram feitiços ao mesmo tempo, Draco voou alguns metros para trás, mas permaneceu ileso.

Retornando ao seu lugar original, abriu os botões de sua blusa.

- Apresento o primeiro colete antifeitiços da história – disse ele, mostrando um colete cinza que usava por baixo da blusa – capaz de proteger e amortecer feitiços e maldições, incluindo as imperdoáveis.

Ele acenou para Moody, que levantou sua varinha:

- Avada Kedavra.

Um raio de luz verde atingiu Draco no peito, e seus olhos se arregalaram por um momento.

Exclamações foram ouvidas, todos olhavam chocados para a cena. Mas, lentamente, o colete começou a desfazer-se, tornando-se pó. Draco mexeu-se, limpando a poeira de sua roupa, e mais exclamações foram ouvidas.

- Esse colete consegue receber até um Avada – ele disse, olhando para cada um dos presentes – e se desfaz quando recebe. Além da utilidade óbvia, é também uma garantia de que o inimigo não recolherá o seu colete, caso você morra.

Todos o olhavam em silêncio, as respirações podiam ser ouvidas. E então, ouve uma explosão de aplausos; os membros foram ficando de pé enquanto o ovacionavam, e ele deu um sorriso arrogante.

- Hora da votação – falou Dumbledore, após alguns minutos de festividade – quem apoia as exigências iniciais de Draco, por favor, levante a mão.

E todos levantaram; depois do que havia visto, não poderiam pensar em ninguém melhor para comandar as missões. Era simplesmente genial; a maneira de escapar até mesmo da morte iminente causada por um inimigo.

Quando aos poucos os membros foram se sentando, Draco permaneceu de pé, olhando para o diretor.

- Você provou que possui mais potencial do que todos imaginavam – Dumbledore falou, sorrindo – e que agora temos mais chances do que nunca de acabar com essa guerra.

Draco assentiu com a cabeça, antes de falar.

- Teremos ainda mais. Ainda quero que todos treinem por um mês.

- Alguma objeção? – Dumbledore perguntou, e ninguém se opôs – sendo assim, concedido. Agora, vamos nos deliciar com nosso jantar!

Desde então, Draco não parou mais. Depois de inventadas, as novas criações precisavam ser produzidas em escala, para que todos os membros da Ordem pudessem usar; as tatuagens de fênix no braço eram feitas e encantadas por cada um. O último andar havia sido transformado em campo de treinamento, onde batalhas eram feitas por pessoas utilizando os coletes.

Praticava batalhas, formas de ataque; treinava os músculos de seu corpo para que ficasse mais forte e resistente. Tinha lutas físicas com Sirius, aprendendo como se defender caso ficasse sem varinha. A cada dia que passava, tornava-se mais forte. Suas ideias não cansavam de aparecer, e sempre as colocava em prática ou passava para que alguém o fizesse.

Todos os membros pareciam se esforçar; Draco lhes trouxe um novo incentivo, uma nova vontade. Treinavam com afinco, cada um dedicando seu máximo.

Ao término do mês de treinamento, na reunião que veio, Dumbledore tomou a palavra:

- Alguns ataques foram feitos enquanto estivemos aqui – sua voz estava pesarosa – mas nossa introspecção foi necessária, para que pudéssemos crescer. E agora, fico feliz em dizer que estamos prontos para a guerra.

Os membros aplaudiram, mas Draco falou.

- Ainda não, está faltando algo – as pessoas calaram-se, olhando para ele – nós nunca sabemos dos planos do inimigo, e só descobrimos um ataque depois que ele é feito. Está na hora disso mudar.

Ele levantou-se e retirou algo do bolso, levantando para que todos olhassem. Parecia um cordão prateado, com uma pedra lilás segurando a corrente. Ele andou lentamente entre as cadeiras, sendo observado. Parou atrás de Narcisa, segurando o objeto.

- Minha mãe já possui um dom incrível – ele começou – pois sua percepção está muito além do normal. Pensando nisso, eu criei uma forma de ampliar seu dom, para que assim ela tivesse como descobrir o que está para acontecer. Provavelmente, o espaço de tempo entre o que ela prever e o que acontecer de fato será muito curto. Mas será tempo o suficiente para que entremos em ação.

Terminando de falar, ele colocou o cordão na cabeça de sua mãe, a pedra ficando em sua testa.

- Ah! – ela fechou os olhos, concentrando-se em algo – Monstro está para cair da escada!

Ficaram em silêncio, esperando. Três minutos depois, ouviram o som de algo rolando pela escadaria da mansão.

- Você sabia exatamente onde ele estava? – perguntou Draco.

- Sim – ela abriu os olhos lentamente, sendo encarada por todos – estava descendo do terceiro para o segundo andar, quando tropeçou no último degrau e rolou.

Draco sorriu.

- Então funcionou.

Se antes Draco achou que tinha recebido muito aplausos com a apresentação de seu colete antifeitiços, nada se comparou àquele momento. A mansão parecia que ia ser posta à baixo; as pessoas gritavam e assobiavam, e Narcisa abraçou Draco.

- Obrigada, filho.

O loiro apenas sorriu, olhando para Dumbledore, que lhe fez um aceno afirmativo com a cabeça, sorrindo.

- Agora estamos prontos para a guerra! – gritou o loiro, levantando sua mão, sendo imitado pelos demais.

Aquela noite todos comemoraram ao máximo, pela primeira vez com a perspectiva de vitória. E, enquanto brindava com Whisky de fogo com os homens presentes, Draco só conseguia pensar que estava mais perto de recuperar Gina.


Dias atuais

Draco suspirou. Sempre se lembrava de tudo o que havia acontecido. Recordar suas vitórias pessoais o ajudava a ganhar forças para seguir adiante. Desde que a Ordem voltou à ativa, após seu treinamento, inúmeras batalhas aconteceram; e ele esteve presente em todas, pois fazia questão de liderar os batalhões, sempre na esperança de encontrar Voldemort.

Mas ele não aparecia, e já estava se cansando. Lutar a cada batalha havia sido útil, pois a guerra é muito diferente dos treinamentos, e atualmente se sentia mais forte. Utilizavam todo o armamento novo e conquistavam vitórias, mas nem tudo podia ser impedido.

As duas cicatrizes que agora carregava foram ganhas ao defender Pansy; ela havia perdido a varinha e uma manticora pulou em sua direção, e Draco só teve tempo de entrar na frente, tomando um arranhão da sua cabeça até sua barriga. Ignorando a dor e o sangue jorrando, lançou uma maldição no animal, matando-o no mesmo instante.

Naquele dia, Giorgio Zabini teve muito trabalho com ele; as manticoras carregavam um veneno potente em suas garras e, apesar de conseguir um antídoto, não conseguiu tirar todas as marcas, pois precisava concentrar o machucado em algum ponto, ou não curaria o loiro. Draco não se importou em ter as cicatrizes; na verdade, achou que o corte vertical em seu olho e na sua mandíbula o deixavam mais maduro. Pansy sentiu-se extremamente culpada, e ele passou muito tempo tentando convencê-la de que estava bem e não precisava sentir remorso. Eles eram uma equipe, e cada um deveria proteger o outro. Depois desse episódio, a admiração dos membros da Ordem por Draco aumentou mais ainda, como se isso fosse possível.

Quatro meses já haviam se passado desde que vira Gina pela última vez, durante sua formatura. Já estava entrando em desespero; se ela ainda estivesse grávida (e rezava para que sim), em breve teria os bebês, e queria estar com ela nesse momento. Vinha tentando convencer a Ordem a realizar uma "batalha final", onde marcariam um ponto de encontro e os dois exércitos combateriam. Os membros, apesar de estarem apoiando Draco em todas suas ideias, se negaram, pois consideraram que era suicídio em massa. O exército da Ordem era pequeno se comparado ao de Voldemort, e eles só estariam caminhando para a morte. Acharam mais prudente enfrentar em pequenas batalhas, onde poderiam destruir um a um.

Com as visões de Narcisa, estavam chegando aos ataques à tempo, conseguindo capturar comensais e impedir a destruição de aldeias e vilarejos. No entanto, o exército de Voldemort se multiplicava a cada dia, enquanto a Ordem permanecia com o mesmo número de pessoas desde que Draco acordara de seu coma. Também não estavam conseguindo descobrir nenhuma informação sobre o paradeiro do bruxo das trevas, e Draco se enraivecia por ele estar se escondendo.

- Essa é a hora – o loiro falou, na última reunião que tiveram na Ordem – quanto mais tempo deixamos passar, mais o exército de Voldemort aumenta. Podemos matar um ou dois por batalha, mas ele ganha pelo menos cinco novos integrantes a cada um que matamos.

A sala estava em silêncio, absorvendo o que era dito, e Draco continuou.

- Podemos estar em menor número, mas temos armas mais fortes. Os gêmeos Weasley possuem um estoque de suas novas bombas, temos novas magias e planos de ataque, coletes anti-feitiços para todos os membros. Só precisamos batalhar!

Sua voz exprimia ferocidade, e Draco tentava incentivá-los no fundo do ser.

- Se continuarmos assim, perderemos membros – ele apontou para suas cicatrizes – eu tive sorte, mas nem todos teremos. Se não o enfrentarmos agora, daremos a chance para que se torne mais forte. – fez uma pausa, antes de continuar – chegou a hora de decidir. Pode ser uma missão suicida? Sim! Mas cada batalha que passamos o é. E se não nos movermos e dermos o primeiro passo, essa guerra nunca terminará!

Dumbledore soltou o ar e ajeitou seu óculos, enquanto todos o olhavam em silêncio, após o discurso do loiro. Com voz séria, falou:

- Chame uma votação, Draco.

Ele assentiu, falando:

- Todos a favor de marcarmos uma batalha final, onde decidiremos de uma vez por todas o futuro do mundo mágico, levante a mão!

Lentamente, de forma indecisa, os membros foram levantando suas mãos. Uma a uma ia se erguendo, e Draco contava desesperadamente, pois se não tivesse noventa por cento dos votos, seria vetado. Quando até mesmo Dumbledore levantou sua mão, outros também o fizeram, vendo que o diretor aprovava.

Draco conseguiu. Com a minoria contra, lutariam em uma única batalha. Rapidamente, passou seu plano de como informar sobre a batalha, o melhor local para se enfrentarem. Todos ouviram atentamente e, acertando os detalhes, na manhã seguinte já estava com tudo organizado.

Uma semana havia se passado desde a reunião, e toda a Ordem foi dividida em grupos de no máximo dez pessoas, cada um indo para um local do país, que Draco já havia marcado em um mapa. Eram locais estratégicos, onde o que planejava poderia ser feito. Além disso, a distância dos grupos até o local da batalha era praticamente a mesma, tornando o acesso fácil e evitando contratempos.

O plano era simples: com os relógios cronometrados, eles lançariam naquela tarde, ao mesmo tempo, um feitiço no céu, mirando o centro do campo de batalha à distância. O feitiço faria uma mensagem aparecer de forma que todo cidadão bruxo no Reino Unido pudesse ler:

Amanhã ao nascer do sol, Campina dos Trigos ao sul do país. Será nossa última batalha, Voldemort. Seja homem e apareça.

Embaixo, o desenho de uma fênix aparecia, indicando quem o chamava para luta. A última frase foi ideia de Draco, pois se o Potter ainda existisse dentro de Voldemort, se sentiria intimado a ir. E era com isso que o loiro estava contando.

Agora ele estava em seu acampamento e um dos pontos, acompanhado por Pansy, Luna, Blaise, Granger, Rony, Percy e gêmeos Weasley e Colin Crevey. Apesar de evitar dormir, ficando a noite inteira acordado, Draco havia adormecido e levantara quando já era de manhã.

Enquanto repensava em toda sua vida desde que perdera Gina, ouviu movimentos, indicando que outros já estavam acordando. Voltou para sua barraca, trocando de roupa e vestindo seu colete anti-feitiços por baixo de uma malha de aço que o protegeria de alguns danos físicos, um cinto com várias bombas criadas pelos gêmeos e, com sua varinha em punhos, saiu novamente, encontrando um Blaise bocejante.

- Bom dia – disse o moreno, esfregando os olhos – vejo que já está pronto.

- Sim – Draco olhou para o horizonte – hoje é o dia, Blaise.

O moreno pareceu mais alerta, e assentiu com a cabeça.

- Tudo ou nada, meu amigo – falou, sua voz mais sombria que esperava.

Continuaram olhando para a paisagem, certos de que até o sol se banharia de sangue depois da batalha que teriam no dia seguinte.

Traria Gina de volta, teriam seus filhos juntos. Só mais um dia, e a cabeça do Potter-Voldemort estaria em suas mãos.

**fim do capítulo 7**


N/A: Oi pessoal!

E aí, o que acharam? Muito diferente da versão anterior, né? Nela, o Draco era comensal, e não havia um Potter possuído por Voldemort...

Por falar em Draco, esse capítulo inteiro foi dedicado a ele, mostrando mais seus pensamentos e impressões. Ele agora possui algo de especial: uma mente que funciona muito mais rápido do que das outras pessoas. E virou o nosso "herói"! É a nova esperança da Ordem, e ele só faz isso pela Gina! Isso é que é amor, né?

Capítulo que vem será apenas para mostrar os pensamentos dos outros personagens desde a formatura! Não quis colocar nada no meio deste cap aqui para não estragar, sabe? Mas também não vou deixar de colocá-los! Por isso, um exclusivo só para isso!

Quanto a atualizações, terei que pedir que aguardem até dezembro. Esse mês eu estou muito enrolada com provas e seminários, além de meu projeto pessoal de livro. Se tudo der certo, estarei enviando-o para avaliação antes do fim do mês, mas antes, preciso terminar o que falta. Mas prometo que em dezembro voltarei com tudo, atualizando e fechando as fics! Até porque entrarei de férias na faculdade e terei recesso no trabalho (é o lado bom de trabalhar em escritório de advocacia; os tribunais entram de férias e os estagiários também rsrs).

Espero que sejam compreensivas!

Bjinhos,

(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)