N/A: Desculpem pessoal!

Era pra esse capítulo ter sido postado antes do Natal, mas a idiota da autora (eu) esqueceu o arquivo no computador do trabalho e só agora eu consegui pegar...

Enfim, aí está! Há duas músicas nesse capítulo que são cantadas e estão postadas em meu perfil daqui, nos "extras". Podem ser ouvidas online ou baixadas, fica a critério de vocês. Mas gostaria muito que vocês ouvissem quando chegasse nessa parte do capítulo!

Bjinhos!

Qualquer um Pode Amar

Capítulo 5 –Noite Natalina

Gina teve insônia novamente. Mas não pelos motivos de sempre e sim, pela conversa que tivera na tarde anterior com suas amigas.

A insinuação delas não saía de sua cabeça.

Draco Malfoy, a fim dela? Impossível. Tentava convencer-se disso, mas alguma coisa dentro dela queria acreditar nessa afirmação. E não entendia o que era aquilo que estava sentindo. Quando pensava no loiro, seu peito ficava quente e um sorriso vinha involuntariamente ao rosto.

Forçou-se a pensar em Harry. Seu amado estava à um continente de distância, sofrendo-se sabe Merlin que perigos na guerra contra Voldemort. Mas as palavras de Maya ecoaram em sua mente: "Ele não está aqui, não é? E esse Draco está. Sempre com você, sempre te animando".

Sacudiu a cabeça mais forte e resolveu levantar-se, embora ainda fosse cedo e suas amigas estivessem dormindo. Talvez um banho a ajudasse a limpar a mente.

Mas de nada adiantou. Quando suas amigas a encontraram no refeitório, já tendo feito sua refeição, preferiram não comentar sobre o aspecto que a ruiva se encontrava.

As aulas durante o dia não renderam nada, porque não conseguia tirar o assunto de sua mente.

Por Merlin, mesmo se fosse verdade o que elas disseram, um Malfoy e uma Weasley jamais ficariam juntos. Além do que, não faria isso com Harry, ele era seu namorado.

Mas uma vozinha corrigiu em sua mente. "Ex-namorado".

Sacudindo a cabeça forte demais, na esperança de espantar aquele pensamento, acabou esbarrando numa colega de classe durante a aula de poções, fazendo-a derramar um ingrediente errado dentro do caldeirão e ocasionando uma bela explosão, que sujou a sala inteira. Foi obrigada a ficar durante o horário de almoço para limpar a sujeira sob um olhar decepcionado da Sra. Brenan, que adorava exaltar o talento da ruiva para poções.

Suas amigas notaram que a ruiva estava avoada, mas mantiveram-se caladas. Achavam que aquele era uma assunto que a própria Gina deveria resolver internamente, antes de mais nada.

As aulas do dia acabaram mais cedo do que a ruiva esperava e chegou o momento dela ir pra colina. Cogitou não ir, mas logo tirou essa idéia da cabeça.

Ela não tinha por que não ir. Não havia nada demais. Suas amigas apenas a deixaram confusa por causa de uma hipótese maluca. Não iria estragar sua convivência com Draco por causa disso.

Ao chegar lá, o local ainda estava vazio, provavelmente porque a aula do loiro não havia acabado. Deitou-se, olhando para as nuvens. Apesar de ser inverno, o dia estava com uma temperatura bem agradável, mesmo para o inverno americano.

Com o sono que estava de sua noite mal dormida, acabou cochilando, sendo acordada pelo som de alguém deitando-se do seu lado.

Virou seu rosto e deparou com Draco, com um semblante mais sério que o normal.

- Oi. – disse com voz baixa. O loiro não respondeu, apenas fechou os olhos.

Ia ser difícil para ele fazer aquilo. Não sabia como começar, embora tenha planejado algumas opções. O importante era que a ruiva o odiasse e não voltasse mais a falar com ele.

Acostumada com o silêncio de Draco, Gina continuou.

- Ontem eu descobri porque nenhuma outra garota do meu colégio vem aqui. Há uma mágica de proteção que as impede – ela deu um risinho nervoso – minhas amigas acabaram descobrindo sobre você, já que às vezes eu chego com o cheiro do seu perfume.

Draco abriu os olhos, olhando de lado. Ela estava vermelha, com vergonha do que estava dizendo. Por uma última vez, queria ver essa expressão nela.

- E o que você disse para elas? – perguntou, tentando fazer sua voz soar firme.

- Ah, bom, eu... – ela não conseguia formular uma frase coerente - eu disse que você era um amigo, que age como um irmão.

Coisa errada para se dizer. Sentiu o loiro enrijecer do seu lado.

- Draco...? – sussurrou, num fio de voz.

- Disse isso, é...? – ele falou, baixinho. Seria mais fácil do que ele tinha imaginado. A ruiva lhe dera a deixa.

Rapidamente, virou-se, ficando em cima dela, prendendo suas mãos usando apenas uma.

A ruiva o olhou assustada, sem entender nada.

- Seus irmãos fariam isso? – disse ele, enquanto subia sua mão livre pela perna da ruiva.

O olhar dela estava confuso. Teria que se esforçar mais para assustá-la.

Aproximou seu rosto, a centímetros do dela, apertando seus braços com mais força, fazendo-a soltar um pequeno gemido de dor.

- Eu não sou um irmão para você, Weasley. – sua mão chegou ao elástico da calcinha dela – lembre-se disso.

Soltou-a, levantando-se e seguindo em direção ao seu colégio. Já de costas, parou e virou o pescoço, usando todo seu esforço para dizer:

- Eu não sou confiável. Fique longe de mim.

Seguiu, sem olhar para trás. Gina continuou na mesma posição que foi deixada, com a saia quase toda levantada. Lentamente, sentou-se, tentando se recompor.

O que tinha sido isso? Abraçou-se, apoiando sua cabeça nos joelhos.

Por que ele tinha agido daquela forma? Não conseguia entender. Fechou os olhos, aspirando o perfume que ficou no ar. O toque dele, apesar de frio, deixara um rastro quente pelo seu corpo.

Começou a tremer e, quando deu por si, percebeu que estava chorando. As lágrimas escorriam sem controle e ela não entendia porque sentia-se tão triste.

Era como reviver o término com Harry novamente, só que de alguma forma parecia... pior. Sentia uma enorme decepção.

Não soube quanto tempo passou. Já tinha anoitecido quando finalmente conseguiu reunir forças para se levantar e voltar para o dormitório. Secou as lágrimas no caminho, mas seus olhos continuaram vermelhos.

Quando abriu a porta do quarto, suas amigas a olharam e, sem dizer nada, a abraçaram. Não tinha nada para ser dito, estava explícito ali. A consolaram, dizendo coisas sem sentido até que pegasse no sono, já tarde da noite.


Blaise esperava por Draco no pé da colina. Sem dizer uma palavra, seguiu o loiro quando este passou. Já no quarto, viu o amigo tacando coisas na parede, quebrando o que estivesse na frente. Calmamente, com a varinha, proferiu "reparo" para que tudo se concertasse.

- Você fez a coisa certa. – disse.

O loiro permaneceu em silêncio, com a testa apoiada na parede, os olhos fechados.

- Isso não me deixa melhor, Blaise – disse – você deveria ter visto, o jeito como me olhou... Ela vai me odiar pra sempre.

O amigo permaneceu em silêncio, pois não havia algo que pudesse dizer para consolá-lo. Achou que, com o tempo, as coisas melhorariam um pouco.

Estava errado. Duas semanas haviam se passado e o loiro continuou da mesma forma. Se antes era fechado, agora estava pior. Nem mesmo descontava sua raiva nos outros, apenas sofria em silêncio e não sabia o que fazer para animá-lo.

Faltando cinco dias para o Natal, resolveu fazer algo.

Era tarde de sábado e encontrou o loiro no quarto, deitado na cama. Ele não voltara mais à colina desde a última vez.

- Vamos sair – disse o moreno, enquanto tacava um travesseiro no loiro, tentando tirá-lo daquele estado.

- Não quero.

- Mas vamos – disse com voz firme – você não pode ficar assim para sempre. O Natal está próximo, quero comprar alguns presentes.

- Mesmo que não possa mandá-los para sua família...? – lembrou-o.

- É, mesmo que não possa mandá-los. Uma hora eu tenho certeza que poderei entregar.

Draco suspirou. Blaise estava certo, não podia ficar daquele jeito. Tinha que esquecê-la e precisava se distrair de alguma forma.

- Certo. – disse, sentando-se – vou trocar de roupa.


- Vamos, Gina! – dizia Maya, enquanto a arrastava para for a do quarto.

- Eu não quero!

As amigas tentavam convencê-la de toda forma a irem com elas para a cidade, onde fariam as compras de Natal.

- Você está precisando se distrair – disse Cady – e nada como comprar algo para melhorar o astral.

Gina parou, refletindo. Comprar presentes para sua família poderia distraí-la um pouco. Estava apática desde a última vez que falara com Draco e suas amigas vinham fazendo de tudo para animá-la, sem muito sucesso. Até seu desempenho nas aulas vinham caindo, e não podia continuar desse jeito.

Não compreendia porque ficara dessa forma por causa de Draco. Mas evitava pensar a todo custo no ocorrido.

- Tá bom, eu vou! – disse, rendendo-se.

Suas amigas deram gritos de "viva" e a arrastaram para fora.

Era tarde de sábado e o dia estava liberado para um passeio na cidade. Muitas alunas queriam comprar presentes e a diretora resolveu deixar o dia livre para isso, em vez de apenas a tarde.

Gina já havia visitado a cidade com suas amigas uma vez, desde que chegara ali. Apesar de ser um ambiente para bruxos era bem diferente do povoado de Hogsmeade, com prédios em vez de cabanas e muito mais pubs onde os jovens poderiam se encontrar.

- Muitos estudantes de outras escolas costumam vir aqui nessa época – disse Maya – querem conferir se as garotas de Nortshore são tão bonitas quanto costumam dizer.

Agora, as ruas estavam lotadas de gente realizando compras e elas se infiltravam naquela multidão.

O dia estava meio frio, por isso, usava saia e botas de cano longo, uma blusa branca e um casaco que inconscientemente escolhera na cor verde.

Suas amigas estavam mais produzidas, pois pretendiam conhecer algum cara na cidade. Gina não queria; sua vida já estava confusa demais para isso.

A tarde já estava no meio quando resolveram parar com as compras. Foram para um dos pubs que elas conheciam – e que, segundo elas, era o melhor.

Lá tinha música ao vivo e vivia cheio, por isso, tiveram que esperar para a liberação de uma mesa na própria recepção, onde havia sofás confortáveis e já tinha algumas pessoas esperando. Haviam quatro rapazes num canto e, ao avistá-los, Maya parou.

- Gina – disse seriamente – há quatro caras gatíssimos à nossa frente. Um para cada uma de nós.

A ruiva ia abrir a boca para protestar, mas foi calada pelos olhares severos que recebeu.

- Amigas fazem sacrifícios pelas outras, Gi – disse Cady, ajeitando o cabelo com as mãos.

- Mantenha uma conversa com um deles e nós lhe devemos essa. –completou Gwen, olhando seu reflexo na porta de vidro que dava para a rua.

Gina suspirou. Agüentaria isso por elas, embora não tivesse vontade nenhuma.

Quando um dos rapazes olhou para o grupo, Maya acenou, convidando para que se aproximassem. Um deles, de cabelo castanho e espetado, encarou Gina, abrindo um sorriso. Gina sorriu timidamente, não gostando daquilo.

Eles não pareciam o tipo de garotos que estava acostumada. Pareciam bem mais velhos, provavelmente já haviam acabado o colégio.

- Oi, meu nome é Paul – disse o rapaz, aproximando-se dela – seu cabelo é realmente incrível, sabia?

- Er... Obrigada. – respondeu, sem saber como agir.

- Não, falo sério, você não faz idéia do impacto que causa quando...

Mas Gina parou de ouvir, embora ele continuasse falando. Seu olhar havia ido para porta, olhando quem acabara de entrar, e prendeu a respiração.

Draco e Blaise encontravam-se ali, o moreno falando com a recepcionista. Mas Draco a encarava diretamente e ela não sabia o que fazer. Queria falar com ele, mas a memória da última vez que se viram ainda estava viva em sua mente.

Paul passou o braço pela cintura de Gina e ela sentiu-se incomodada. Viu os olhos de Draco brilharem e sua feição mudar para raiva.

- Me desculpe... Paul, não é? – Gina disse, tentando soltar-se do braço do garoto – olha, eu...

- Não faça jogo duro, gatinha, você sabe que quer – disse o garoto, segurando mais forte. Falava perto demais e Gina podia sentir o cheiro do álcool que saía de sua boca.

Tentou se desvencilhar, mas sua mente estava muito confusa com Draco ali.

- Vamos, vai dizer que você não veio aqui procurando por um homem? – continuou Paul, enquanto sua outra mão descia pelo quadril de Gina.

Draco já havia se virado se costas, pronto para ir embora, quando ouviu um grito.

- ME SOLTA!

Olhou para trás, e viu que Gina olhava para o chão, os braços cruzados no peito. O cara que a agarrava segundos atrás a olhava atordoado.

- Ei, ei, não precisa fazer escândalo... – foi dizendo ele, enquanto apertava mais o braço de Gina.

- Eu disse para me soltar! – falou a ruiva, dando uma joelhada no estômago do garoto, fazendo-o cair no chão.

As pessoas presentes olhavam surpresos para a cena e as amigas de Gina estavam mudas, sem terem entendido nada.

- É nojento quando você me toca, quando se aproxima de mim! – continuou a ruiva, olhando para o chão – Me dá ânsia ser encostada por alguém como você! – mas seus olhos se levantaram e encontraram os de Draco, que estava estático no mesmo lugar. Sua voz diminuiu o volume quando consegui dizer – Mas eu... Não me importo quando o Draco me toca.

E encarando aqueles olhos prateados, parecia que não havia mais ninguém no ambiente. Viu a surpresa no olhar dele e não conseguia dizer mais nada, embora quisesse.

Só que o momento acabou quando Paul levantou-se do chão cheio de raiva.

- Sua vadiazinha! – disse, indo pra cima dela. Mas foi parado no meio do caminho por um soco que levou-o novamente ao chão, a alguns metros de distância.

Draco encontrava-se na frente de Gina, tendo se movido em alguns instantes. Seu semblante estava sério e seus olhos, gélidos de raiva.

- Encoste nela de novo e eu o mato. – disse friamente. Gina o olhava espantava, não esperando por aquela reação.

Alguma parte de sua mente captou suas amigas arfando e comentando coisas como "Aquele é o tal Draco?", "Nossa, tão másculo!", mas não ligou. Só se importava com o loiro à sua frente.

Os amigos de Paul se aproximaram, prontos pra briga. Draco os encarou e Gina sentiu um tremor ao ver aquele olhar. Eram olhos tão gelados, tão severos... "Olhos de um assassino" pensou, sentindo um frio correr pela sua espinha.

- Não me provoquem. – disse Draco, com a mesma voz fria, com a varinha já em punho.

Ao verem que o loiro não estava brincando, os rapazes deram um passo para trás.

- Draco, acho melhor você sair daqui – disse Blaise, aproximando-se – os seguranças já estão chegando.

O loiro assentiu e, pegando a mão de Gina, saiu puxando-a porta a fora, correndo pela parte da rua mais vazia. Gina o seguiu, uma felicidade que não compreendia tomando conta de seu coração, enquanto olhava sua mão entrelaçada com a do loiro.

Correram até os limites da cidade, já perto do caminho para seus colégios. Pararam, arfando, e o loiro apoiou as costas numa árvore.

Quando seus olhos se encontraram, começaram a rir. Era um riso nervoso, mas feliz. Draco puxou Gina para mais perto e, olhando nos olhos dela, com um sorriso na boca, perguntou:

- Então... Quer dizer que não se importa quando eu lhe toco?

As bochechas de Gina ficaram vermelhas instantaneamente. Ela baixou os olhos, encarando o chão, enquanto tentava formular uma frase.

- Ah... Eu... Ahn...

Draco ainda segurava sua mão e não estava conseguindo pensar com clareza. Ele passou sua mão livre pelo seu rosto e só conseguiu fechar os olhos.

Fazendo o que desejava há muito tempo, segurando o rosto dela com uma mão, Draco a beijou.

Era um beijo completamente diferente para Gina. Não chegava nem aos pés dos beijos que havia trocado em Hogwarts com Michel Corner ou com Dino Thomas. E não chegava à sensação que havia sentido ao beijar Harry.

Com Harry, era como realizar um sonho de criança. Fora apaixonada por ele durante tantos anos que, quando finalmente conseguira, estava em êxtase. Já sabia que não ficariam juntos por muito tempo, mas insistiu em viver com ele doces momentos. Beijá-lo era como se acalmar; ser compensada pelas suas preocupações futuras.

Com Draco era diferente. Seu coração disparava e seu estômago revirava, como se houvesse borboletas dentro dele. Sua mente estava em branco e só conseguia pensar nas sensações que sentia. Era tão bom... O beijo, apesar de ser calmo, fazia seu corpo inteiro se arrepiar e querer mais. Parecia que seus pés haviam saído do chão e não sentia mais nada à sua volta além de sua boca na sua, de suas mãos entrelaçadas.

Draco terminou o beijo, dando um selinho, e encostou sua testa na dela. Ficaram assim e Gina não soube dizer por quanto tempo. Só conseguia se concentrar em diminuir as batidas de seu coração, tão acelerado.

Quando sua respiração voltava ao normal, ouviu Draco sussurrando:

- Eu... não devia ter feito isso.

Ela o olhou nos olhos.

- Por que? Por que eu sou uma Weasley? – disse, com o rosto sério.

Ele negou com a cabeça, dando um sorriso triste.

- Não, embora isso até seja um bom motivo. – Ele se afastou um pouco, soltando a mão de Gina – mas há muitas coisas que você não sabe sobre mim. Que a fariam correr se soubesse.

Baixou os olhos. Era isso, o final. Deixou-se levar por um momento, mas não poderia continuar. Achou que ela iria embora naquele momento e assustou-se ao ouvir a voz dela.

- Tem razão. Há muitas coisas que não sei sobre você e que gostaria de saber.

Ele levantou a cabeça e perdeu seu chão ao encarar aqueles olhos achocolatados, transbordando pureza e sinceridade.

- Mas... – ela continuou – Eu não me importo. Sei que irá me contar quando estiver preparado. E sei também que... – ela corou enquanto falava – ... eu gosto de estar com você. Gosto do Draco que você é quando está ao meu lado, mesmo quando não fala nada. E é esse Draco que eu aprendi a conhecer e a gostar.

Ela manteve o olhar, agora cheia de determinação. Draco soltou uma risadinha.

- Você é teimosa, não é? – disse, com um meio sorriso, apesar do olhar melancólico.

A ruiva correspondeu o sorriso, e segurou sua mão entre as suas.

- Pense nisso. Estarei esperando sua resposta.

E, ficando na ponta dos pés, deu um beijo na bochecha do loiro. Virou de costas e correu em direção ao seu colégio, deixando-o parado no mesmo lugar.

Gina não entendia o que tinha acontecido. Não entendia o que tinha feito. Mas seu coração estava disparado e não era pela corrida que estava fazendo até Nortshore. O sorriso em seu rosto não era porque o dia parecia muito mais bonito do que quando acordara.

Era por causa de Draco. Por ele ter aparecido, por ele ter salvado-a mais uma vez, por ele ter tomado sua mão e a levado com ele. Era pelo beijo que ele havia lhe dado.

Tinha vontade de gritar, de colocar o que estava sentindo para fora, embora nem ela soubesse o que era. Quando chegou no portão do colégio, encontrou suas amigas sorridentes. Correu para elas, sendo abraçada por todas.

- Mas que cena, hein? – brincou Maya – seu príncipe encantado apareceu na hora certa!

- Aqueles caras eram uns babacas – disse Cady – demos o fora dali tão logo vocês dois saíram.

- Mas a Gwen... – disse Maya com um olhar malicioso – ficou de papo com aquele moreno gostoso que chamou os seguranças.

- Não tenho culpa se o Blaise puxou conversa comigo. – disse a morena, dando um sorrisinho travesso.

Gina estava feliz. Pelo que tinha lhe ocorrido, pelas suas amigas, por tudo.

- Mas então... – disse Maya, passando o braço pelo ombro de Gina, enquanto entravam em Nortshore – conte-nos em detalhes o que aconteceu com você.

E Gina contou, porque não conseguia manter aquilo só para si.


Draco foi andando devagar até o seu colégio. Ainda podia sentir a sensação de ter os lábios de Gina em sua boca, do seu gosto. Estava desnorteado, perdido.

Encontrou Blaise sentado num dos bancos dos jardins de Southshore, com um violão, dedilhando algumas notas. Ao aproximar-se, o moreno falou:

- Lembra-se dele? – perguntou, indicando o violão que tinha em mãos.

- Claro – respondeu Draco, dando um sorriso – uma peça remanescente da nossa pré-adolescência.

- Queríamos ser músicos – continuou Blaise – mas nossos pais quase deram um ataque!

Ambos riram.

- Meu pai tacou o meu violão na lareira – comentou Draco – para que eu nunca mais tocasse.

Blaise assentiu.

- O meu eu consegui esconder. – ele dedilhou mais algumas notas – e nunca parei de tocar.

Silêncio novamente. O moreno abaixou-se e pegou um embrulho grande debaixo do banco.

- Tome – disse, dando a Draco – seu presente de Natal adiantado. Comprei depois que você saiu.

Draco desembrulhou, já adivinhando o que era pelo formato. Um belo violão cor de mogno revelou-se. Os olhos brilhando, dedilhou algumas notas. Fazia tanto tempo!

- Por que isso? – perguntou, sem entender o motivo de ter ganho o violão de presente.

Blaise abriu um sorriso de orelha à orelha.

- Você vai precisar. Fez as pazes com a Weasley, não?

Draco ficou em silêncio, dedilhando algumas notas.

- Eu não sei o que faço – disse por fim – ela disse que gosta de mim mesmo não sabendo de nada. E que um dia gostaria de saber.

- Então conte a ela.

Draco levantou a cabeça rapidamente, encontrando o moreno sorrindo.

- Mas ela...

Blaise o interrompeu.

- Draco, ela gosta de você. E, o mais importante, talvez ela aceite quem você é por causa desse sentimento.

O loiro ficou em silêncio. Blaise dedilhou uma canção natalina no violão, até que falou:

- Você ainda sabe tocar, não? – Draco assentiu – Ótimo. Você costumava ter talento para escrever canções, além de ter uma boa voz. O que acha de dar um presente inesquecível para sua garota?

Com um leve sorriso, Draco posicionou seu violão e começou a tocar.


Véspera de Natal, Nortshore em polvorosa. Todo ano a diretoria armava um pequeno festival para as alunas, com fogueira ao ar livre, canções natalinas e muita comida. Todas as garotas vestiam uma roupa em comemoração: vestidos vermelhos com franjas brancas, botas pretas e um gorro natalino na cabeça.

Apesar de toda a felicidade à sua volta, Gina sentia-se triste. Fazia quatro dias que estivera com Draco, e ele não respondeu nesse período. Visitou a colina todas as tardes, mas ele tinha sumido. Cogitou enviar uma carta, mas não queria parecer desesperada.

Sentia-se vazia. Disse que gostava dele mas, na hora, não percebeu o quanto a afirmação era verdadeira. Não fazia idéia de quando ou como, mas simplesmente gostava.

Onze horas. Suas amigas a faziam comer de tudo, tentando distraí-la. Segundo elas, mais uma hora e seria Natal, e milagres natalinos sempre aconteciam.

Quando a estavam puxando para dançar em volta da fogueira, ouviram uma campainha. Alguém estava no portão do colégio.

Uma aluna apressou-se em chamar a diretora, e Maya sacudiu a cabeça.

- Espero que não tenham contratado outro Papai Noel esse ano para alegrar a festa. – disse – O último foi um fiasco.

- Bebeu muito ponche e começou a fazer um striptease – completou Cady, fazendo Gina rir.

- Hum... Eu acho que não será não. – disse Gwen, apontando para a outra direção – a diretora parece surpresa que tenhamos uma visita a essa hora.

A Sra. Wordoof veio apressada pelo caminho, já com as bochechas coradas.

- Acho que ela bebeu demais. – comentou Gina.

- Vamos atrás dela, caso precise de ajuda. – decidiu Maya.

As quatro seguiram a diretora, que já havia aberto o portão e falava com alguém.

- É Natal, madame! – uma voz masculina dizia – só queremos tocar uma ou duas músicas para alegrar a sua noite.

- Mas é o Blaise! – disse Gwen, reconhecendo a voz – o que ele faz aqui?

Com o coração dando um salto, Gina aproximou-se e viu que era mesmo Blaise Zabini. E que Draco estava ao seu lado.

Ambos carregavam um violão e, enquanto o moreno sorria e convencia a diretora a deixá-los tocar uma canção, Draco carregava uma expressão de puro tédio.

- Está certo. – disse a diretora – toquem uma canção então, mas no lugar onde estão.

Vendo que Gina e as amigas já encontravam-se ali, Blaise assentiu e, puxando a varinha, conjurou dois banquinhos. Os dois sentaram-se e ajustaram o violão.

Se a ruiva já estava assustada por ver Draco ali, carregando um violão, seu espanto se multiplicou quando ele começou a dedilhar.

Uuuuuuhh...

Os dois começaram a tocar juntos, e a voz de Draco ressonou com a letra da canção natalina.

Hark how the bells
Sweet silver bells
All seem to say
Throw cares away

Christmas is here
Bringing good cheer
To young and old
Meek and the bold

From every village town
Can you hear the sound
Can you see the light through the door

Merry, merry, merry, merry Christmas
Merry, merry, merry, merry Christmas

On on they send
On without end
Their joyful tone to every home

Uh-uh, uh-uh, uh-uh, yeah [Ding dong dong ding ding dong dong ding]
Uh-uh, uh-uh, uh-uh, yeah [Ding dong dong ding ding dong dong ding]
Christmas is here

Blaise fazia o back vocal e Draco cantava. Sua voz era linda: profunda, rouca, envolvente. Gina sentiu suas pernas fracas só de ouvi-lo cantar.

E não podia nunca imaginar que um dia veria um Malfoy cantando tão belamente.

Oh how they pound
Raising the sound
O'er hill and dale
Telling their tale

Hear how they ring
While people sing
Songs of good cheer
Christmas is here

From every village town
Can you hear the sound
Can you see the light through the door

Merry, merry, merry, merry Christmas
Merry, merry, merry, merry Christmas

Hear how they ring
While people sing
Songs of good cheer
Christmas is here

Ele cantava olhando para o chão, concentrado na música, semblante sério. Gina gostaria de encará-lo, de descobrir o porquê de ele estar ali.

Uh-uh, uh-uh, uh-uh, yeah [Ding dong dong ding ding dong dong ding]
Uh-uh, uh-uh, ooh, yeah [Ding dong dong ding ding dong dong ding]
Christmas is here

A música acabou e as garotas aplaudiram. Mais alunas haviam se aproximado do portão ao ouvir a canção e tentavam olhar para os visitantes, tentando ver quem cantava. Gina estava quase sendo empurrada de seu lugar.

- Foi só uma música natalina para animar o clima. – disse Blaise sorrindo, olhando pra diretora – Mas então... Conquistamos o direito de tocar mais uma música?

Surpresa, a Sra. Wardoof assentiu. Ela era humana e havia adorado a voz do rapaz loiro, mesmo este sendo tão introspectivo.

- Ótimo! – disse Blaise – essa música foi escrita pelo meu amigo Draco.

Gina, que não tirava os olhos do loiro, se espantou. Ele havia escrito uma canção?!

Draco, que até então encarava o chão, levantou a cabeça e encontrou o olhar de Gina. Ainda sério, manteve-se encarando-a quando começou a tocar.

Everything that I am
(
Tudo aquilo que eu sou)
Slipping through my hands
(
Escorregando por entre minhas mãos)
And roads that I walk on, somehow all feel wrong
(
E as estradas que eu caminho, de alguma forma tudo parece errado)
But here with you I see, a reason to believe
(
Mas com você aqui eu vejo, uma razão para acreditar)
Inside I'm not alone
(
Por dentro eu não estou sozinho)
You make this house a home
(
Você fez dessa casa um lar)

Can you tell me who I am?
(
Você pode me dizer quem eu sou?)
'Cuz there's no one else who can
(
Porque não há alguém que possa)
I'm lost and upside down
(
Eu estou perdido e deprimido)
But here with you I'm found
(
Mas com você aqui eu me encontrei)
Right here with you I'm found
(
Bem aqui com você aqui eu me encontrei)

Os olhos de Gina estavam com lágrimas e ela tentou secar antes que alguém mais percebesse. Suas amigas já haviam notado que a música era para ela, mas a diretora e as outras alunas não faziam idéia.

Every note that I write
(
Toda anotação que eu escrevo)
Will keep you close tonight
(
manterá você perto hoje à noite)
And the morning all my fears
(
E de manhã todos os meus medos)
seem to disappear
(
Parecem desaparecer)

Can you tell me who I am?
(
Você pode me dizer quem eu sou?)
'Cuz there's no one else who can
(
Porque não há alguém que possa)
I'm lost and upside down
(
Eu estou perdido e deprimido)
But here with you I'm found
(
Mas com você aqui eu me encontrei)
Right here with you I'm found
(
Bem aqui com você aqui eu me encontrei)

A música era linda. A voz dele era linda. E a vontade que tinha de correr até ele e abraçá-lo, interrompendo a música, era enorme. Mas se controlou.

Well you know it's not that bad
(
Bem, você sabe que isto não é tão ruim)
Wanting to give, all I have
(
Querendo dar tudo o que tenho)
I maybe lost, a grain of sand
(
Eu posso estar perdido, um grão de areia)
But maybe in time, I'll grow to be a better man
(
Mas talvez, no tempo, eu crescerei para me tornar um homem melhor)

So... so...
(
Então... Então...)

E Gina percebeu. Aquela era a resposta de Draco. A música, a letra que ele mesmo havia escrito... Estava dizendo o que ele sentia.

Everything that I am
(
Tudo aquilo que eu sou)
Slipping through my hands
(
Escorregando por entre minhas mãos)
And the roads that I've walked down
(
E as estradas que eu tenho caminhado)
From Seul to London town
(
De Seul para a cidade de Londres)
Let me hear with you I'm found
(
Deixe-me ouvir que com você eu me encontrei)

E lá estava, o sorriso que Gina amava. Ele sorria enquanto cantava, deixando toda sua emoção passar em sua voz.

Can you tell me who I am?
(
Você pode me dizer quem eu sou?)
'Cuz there's no one else who can
(
Porque não há alguém que possa)
I'm lost and upside down
(
Eu estou perdido e deprimido)
But here with you I'm found
(
Mas com você aqui eu me encontrei)
Right here with you I'm found
(
Bem aqui com você aqui eu me encontrei)
I'm found, I'm found...
(
Eu me encontrei, eu me encontrei)

E dando um último olhar para ela, cantou a última frase.

Here with you I'm found
(
aqui com você aqui eu me encontrei)

Com mais aplausos, ambos se levantaram. Enquanto um Blaise sorridente acenava a varinha para sumir com os bancos, Draco olhava para além das pessoas. Gina seguiu seu olhar e notou para onde ele encarava: a colina.

- Eu preciso sair daqui – a ruiva sussurou para Maya, que estava próxima a ela, enquanto os garotos iam embora.

- Pode deixar. – disse a amiga, colocando a mão no bolso enquanto voltavam para o pátio e a diretora trancava novamente o portão.

Colocou algo na mão de Gina. Uma pastilha de Vomitilha, invenção dos gêmeos. Sorriu. Havia dado algumas para as amigas e nunca pensara que seria tão útil.

- Sempre carrego uma comigo. – disse a amiga, dando um sorriso travesso – agora engula isso e nós fazemos o resto.

Mordendo a metade certa da pastilha, Gina sentiu um enjôo enorme.

- Srta. Brenan! – gritou Cady, já tendo sido informada por Maya do plano – a Gina não está se sentindo bem!

Mal ela acabou de falar, Gina vomitou.

- Acho que ela comeu demais – disse Gwen, fazendo uma cara de nojo.

- Ah, Srta. Weasley! – a professora estava preocupada – talvez seja melhor a Srta. ir para o dormitório.

- Nós levamos ela. – disse Maya, enquanto arrastava um Gina vomitante pelo caminho.

Quando estavam fora de vista, Gina engoliu rapidamente a outra metade da pastilha, antes que vomitasse o próprio estômago. Nunca havia experimentado aquela pastilha antes e constatou que o efeito era forte demais.

- Aqui – disse Cady, dando um pirulito para Gina – coma no caminho para tirar o gosto de vômito.

- Beijar na boca com esse gosto não dá, né? – disse Maya, sorrindo.

Dando um aceno para as amigas, Gina correu com o pirulito na boca, tentando comê-lo rapidamente. Chegou no alto da colina ofegante e não conseguiu diminuir as batidas de seu coração, uma vez que avistou o loiro parado ali, ao lado da árvore, sem o violão.

Tentando se recuperar, caminhou lentamente até ele, sentindo suas pernas fraquejarem. Quando estava a menos de um metro, ele falou sem olhá-la:

- Você queria saber mais sobre mim – disse, virando-se para encará-la – então irei contar tudo o que você quiser ouvir.

Assentindo, Gina observou ele sentar-se e o imitou.

Meia-noite, Natal. Aquele, pelo visto, seria um dia importante para os dois.



N/A:
Olá pessoas!!!

Então, o que acharam? Capítulo que vem finalmente teremos a história do Draco!

Sei que muitas leitoras estão curiosas para ler. Escreverei o capítulo com mais cuidado, afim de não cometer erros em relação aos livros.

Gostaram das músicas? É do meu cantor favorito, Alex Band. Sou viciada nele! E completamente apaixonada por sua voz. Toda essa fic foi pensada com as músicas dele como tema, logo, provavelmente teremos mais músicas dele na fic.

E o Draquinho cantando essas canções, com essa voz... Ui, fico até quente xD

Anyway... Agora, atualizações só no ano que vem! rsrs

Em janeiro, pretendo atualizar todas as minhas fics, então, fiquem ligadas!

Desejo um feliz Natal atrasado e um próspero Ano Novo pra vocês!!!

Aliás, dia 28 foi meu aniversário, então, quero como presente muitas reviews!!!

Bjinhos,

(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)