N.A: olá pessoas! Eis um cap depois de muito tempo! Uma das capas da fic dá um bom entendimento do assunto, então, deem uma olhada em meu profile para vê-la!
Qualquer um Pode Amar
Capítulo 6 – Segredos despidos
Sentados na colina, em silêncio como costumavam ficar, pela primeira vez Gina sentia-se desconfortável. Não sabia por onde começar, e Draco não falou mais nenhuma palavra desde que chegara.
Tomando coragem, perguntou a primeira coisa que lhe veio à mente:
- O que houve com Dumbledore?
Draco suspirou. Sabia que aquela provavelmente seria a primeira pergunta. Mas não teria como respondê-la sem contar outras coisas, por isso, preferiu começar pela parte que mais lhe doía: sua vida. Precisava colocar logo pra fora, ver Gina chorar e correr para longe, pois depois que lhe contasse, ela nunca mais iria querer vê-lo na sua frente.
- Sabia que algumas famílias bruxas são marcadas? – perguntou.
Estranhando a pergunta, a ruiva negou com a cabeça, sempre o olhando atentamente.
- Bom... As famílias puro-sangue mais antigas, em especial as consideradas do "lado das trevas" – um sorriso de escárnio apareceu em sua boca – possuem um motivo para serem considerado assim, algo que a maioria das pessoas não faz ideia que ainda existe.
Ele engoliu em seco e, olhando para o chão à sua frente, continuou.
- São famílias de assassinos. Não só de matar pessoas aleatórias, mas assassinos profissionais. – virou-se, encarando-a – eu sou um assassino treinado desde o dia em que nasci.
Silêncio. Draco a encarava, mas ela não fazia nada. Continuava com a mesma expressão em seu rosto, olhando-o atentamente. Continuou a contar.
- Quando criança, meu pai me torturava nas masmorras da mansão, para que eu me tornasse resistente. Me ensinou a lutar, a criar estratégias, a matar premeditadamente. Nunca me fez duvidar de que aquele era meu destino: ser mais um assassino da família Malfoy. Ele mesmo havia sido um quando mais novo, mas largou a profissão com a ascensão do Lord das Trevas. No entanto, quis que a tradição familiar continuasse.
Parou de falar e olhou para a garota. Ela continuava encarando-o, sem nada demonstrar. Calmamente, tentando acordá-la de um possível choque, falou:
- Estou te contando que sou um assassino. Não tem medo de que eu vá matá-la?
Mais alguns segundos em silêncio. Gina piscou os olhos e olhou para o horizonte, pensativa. Não estava assustada. De alguma forma, sabia que Draco possuía um passado negro, algo tão obscuro que pessoas normais não entenderiam. Mas não ela. Não depois do que passou com ele, não enquanto sentia seu coração disparar só de olhar em seus olhos. Falou suas palavras seguintes cuidadosamente:
- Se eu tivesse que escolher uma forma de morrer, preferia que fosse pelas mãos de alguém querido, e não por um inimigo. – disse, olhando distante.
Com os olhos arregalados, Draco não conseguiu dizer nada. Voltando a encará-lo, Gina completou:
- Não tenho medo de morrer por você.
E, apoiando-se nas mãos, aproximou-se dando um beijo leve em Draco, apenas o encostar de lábios.
- Continue. – pediu, voltando-se a sentar.
Sem entender aquele tipo de reação, o loiro apenas continuou falando.
- Existe uma espécie de organização que controla os assassinatos. Eles que dizem quem deve ou não morrer. No geral, são pessoas que merecem a morte pelo tipo de conduta que tiveram enquanto estavam vivos. Mas, ainda assim, isso não me dá o direito de fazer isso. – ele mexia em sua pulseira e, de repente, Gina entendeu o significado dela – matei a primeira pessoa quando tinha 8 anos.
A ruiva arregalou os olhos, e se concentrou e voltar à uma expressão impassível. Ele era tão novo! Com essa idade, ela ainda brincava de bonecas no jardim de casa.
- Eu não tive uma infância normal. Não falava com ninguém, não poderia estragar o disfarce. A única pessoa que sempre soube a verdade é o Blaise, pois também vem de uma família antiga e, apesar de não fazer parte da organização, sabe do serviço. Se posso chamar alguém de amigo, é ele.
Gina assentiu. Quando ocorreu o episódio no pub da cidade e Draco apareceu para salvá-la, viu a forma como Blaise o tratou, como se o conhecesse muito bem. Por algum motivo, sentiu uma pontada de inveja.
Draco continuava falando, sempre olhando para o chão à sua frente, dando pequenas pausas na narrativa para que Gina conseguisse absorver as informações.
- Veio Hogwarts. Eu continuava com meu serviço nas férias, mas minha conduta tinha mudado. Eu não podia correr o risco de mostrar quem eu era na frente das pessoas, de me irritar e acidentalmente matar alguém – um sorriso depressivo apareceu em sua face – eu precisei me afastar de todos, e fingir que eu era apenas um garoto rico e mimado.
O som de grilos ressoava ao fundo enquanto ele falava.
- Não pode imaginar o quanto era difícil pra mim conviver naquele colégio. Me cerquei por Crabbe e Goyle para manter o disfarce, mas cada vez que arranjava discussão com alguém, eu precisava me controlar. Se tem uma coisa que aprendi nos meus anos lá, foi a manter meu autocontrole. E eu não fiz isso sozinho.
Ele parou e olhou para Gina, antes de continuar.
- Havia uma pessoa que conhecia meu segredo, além de Blaise. Snape era meu padrinho desde criança, e sabia das dificuldades que eu estava enfrentando. Contou a Dumbledore que, sempre perspicaz, manteve o olho em mim. Me chamava para longas conversas sobre o significado de tradições, sobre como as coisas tendem a mudar com o passar com tempo. Me dizia que eu era novo e podia mudar meu futuro. – sua voz ficou pesada – ele falava comigo como um pai deveria falar a um filho.
Silêncio. Gina podia sentir a emoção no ar. Podia imaginar o que ele iria falar depois mas, ainda assim, esperou para ouvir.
- Quando eu entrei para os comensais... E não foi uma opção, foi uma obrigação imposta pelo meu pai – sua voz ficou mais feroz nesse momento – minha primeira missão era matar Dumbledore. O homem que havia tentado resgatar alguma humanidade em mim, eu simplesmente tinha que matá-lo!
Ele parecia incapaz de continuar a falar. Seus olhos fechados, segurando as emoções despertavam em Gina uma vontade imensa de consolá-lo. E foi o que tentou fazer.
- Você não conseguiu – ela começou – eu sei o que houve na torre, naquela noite.
Assentindo, Draco retomou a fala.
- Snape apareceu e fez o serviço em meu lugar. Ele sempre procurou me proteger e ajudar, mas de forma distante. Foi graças a ele que eu vim para a América. Ninguém sabia de minha fuga, muito menos meus pais. Sabe... – um pequeno sorriso apareceu em sua mente – minha família não é de todo ruim. Fora a fixação de meu pai por certas coisas, minha mãe sempre fez o possível para ser uma boa mãe. Ela aceitou o que me pai fez comigo, mas, cada vez que eu saía da sala de tortura, ela estava me esperando para me curar dos ferimentos. Eu gostaria que ela soubesse que eu estou bem, que não fui morto por ninguém.
Gin assentiu. Era difícil imaginar como uma mãe se sente ao ver seu filho ser propositalmente machucado, mas era fácil imaginar a vontade de cuidar dele. De querer protegê-lo de qualquer dano externo.
- Eu fugi sem nenhum dinheiro, toda a minha herança ficou em Gringotes. Eu pretendia arranjar algum trabalho por aqui, fazer o que eu sempre soube fazer bem – sua expressão era ilegível enquanto falava – mas não consegui.
Olhando nos olhos de Gina, falou:
- Não consegui porque, desde que te conheci, não fui capaz de voltar à minha vida de antes – ele segurou uma das mãos de Gina, fazendo o coração dela disparar – você é tão inocente e, mesmo estando perto, é como se fosse intocável para alguém sujo como eu. Minha vida inteira está manchada de sangue, e eu não quero levá-la para isso, Gina.
Ficaram se encarando, até que Gina quebrou o silêncio.
- Então o que fazemos? Porque eu não quero ficar longe de você. – olhando para as mãos entrelaçadas, continuou – nunca senti o que sinto por você antes. Você acabou de me contar coisas que fariam qualquer um se afastar e, ainda assim, não consigo pensar em ficar longe de você. – voltando a encará-lo, completou – não posso suportar perder outra pessoa novamente.
Draco não sabia o que falar. Ela estava ali, se declarando para ele e tudo parecia um sonho. Era irreal demais que ela havia aceitado tudo o que ele era e ainda quisesse ficar com ele. As palavras de Blaise ressonaram em sua mente "Draco, ela gosta de você. E, o mais importante, talvez ela aceite quem você é por causa desse sentimento."
Soltando as mãos das dela, fez o que achou ser o certo a fazer naquele momento: tirou sua pulseira, o símbolo do que fez a vida inteira, e colocou no pulso da garota.
- Essa pulseira... É mais que o símbolo de um assassino. Ela significa que você tem a proteção de alguém. – encarando-a, completou – eu vou estar sempre te protegendo, mesmo que chegue um momento em que não me queira mais por perto.
Gina negou com a cabeça.
- Esse momento não vai chegar.
E, fazendo o que queriam ter feito desde que chegaram na colina, se beijaram. Um beijo mais maravilhoso que o primeiro, pois estava cheio de promessas.
Continuaram ali, abraçados e trocando carinho, até ver o sol nascer. Draco havia se despido de sua máscara, de toda a mentira que cobria sua vida. Nunca havia se sentido tão feliz antes, e sabia que isso era porque a ruiva estava ali com ele, sabendo de toda a verdade.
Com o sol nascendo e um sorriso no rosto, encarou-a:
- Você precisa voltar. Tenho certeza de que um colégio feminino é mais rigoroso com alunas que passam a noite fora do que um masculino.
Gina sorriu, um sorriso que mexia com o interior de Draco cada vez que o via.
- Estou mais com medo de como encarar minha amigas do que a diretora.
Riram juntos, ao imaginar como as três companheiras de quarto de Gina deveriam ter passado a noite imaginando o que eles estavam fazendo.
- São um bando de pervertidas, devem ter imaginado as piores coisas – Gina comentou, soltando-se do abraço.
- Hum... Eu diria as melhores coisas – falou Draco, puxando-a novamente e sussurrando em seu ouvido – mas isso fica pra depois, quando você for mais madura.
Corando ao extremo, Gina sentiu-se um tanto ofendida mas, ao mesmo, tempo, lisonjeada. Era como se Draco a prezasse tanto que não quisesse correr o risco de machucá-la, ao pressionar algo que poderia não estar pronta.
Levantando-se, deram um último beijo sem se despedir, sabendo que se veriam naquele mesmo dia ao final da tarde, e nos dias subsequentes, na colina que agora era deles, pois guardava segredos que ninguém mais saberia.
**Fim do capítulo 6**
N.A: Olá pessoas!
Então, vinte séculos sem atualizar e eu apareço com um capítulo mixuruca, pequeno e mal escrito!
Acontece... Eu sempre quero parar horas para escrever, mas nunca consigo. Não com a vida de casada, trabalhadora e estudante. Então decidi que vou escrever, mesmo que seja uma única hora por semana!
Nesta fic, em especial pra esse capítulo, decidi que seria pequeno mesmo, pois o importante era o que o Draco tinha para revelar.
Aliás, isso é algo pelo qual tenho que pedir desculpas. Eu queria muito escrever um capítulo mais detalhado, contando coisas de Hogwarts de acordo com os livros da J.K. e a visão dele e tals, mas, realmente, não tive tempo pra reler os sete livros da série e escrever.
Aliás, eu já passo meus dias lendo; eu trabalho como produtora editorial, meu serviço é basicamente ler livros e achar erros xD
Juntem isso à uma faculdade de Direito, que faz você ler um livro por matéria na semana, dando uns sete livros no total, e vão descobrir que não tenho muito tempo pra ler literatura por fora rsrs
Nossa, que saudade de escrever minhas fics! Eu acabei atualizando esta aqui primeiro, apesar de ter tentando escrever um cap novo de "Aventuras de uma Adolescente"! O mais interessante em ter várias fics ao mesmo tempo é que a caracterização dos personagens é diferente; quem já leu essa minha outra fic sabe a diferença da Gina que está aqui, para a Gina que está lá. Me colocar no lugar delas, imaginar o que falariam ou fariam é uma das melhores coisas de escrever!
Bom, enfim, farei o possível para voltar a atualizar minhas fics de agora em diante. E, sim, eu sei que já falei isso antes algumas vezes. Mas estou tentando mudar algumas coisas na minha vida; comecei a fazer Ioga, estou indo ao médico fazer check-up periódico e pretendo melhorar minha alimentação (que é um lixo). Voltar a escrever é uma das coisas que mais quero nesta nova etapa da minha vida :)
Espero reviews das leitoras remanescentes, que ainda recebem e-mails de atualizações!
Bjinhos,
(¯`·._.·[ Princesa Chi ]·._.·´¯)
