5
O novo ano começou como todo ano novo.
Expectativas de que o mundo seria melhor, fim de férias, chuva e, como tradição para Lily, a menstruação atrasada. Na primeira terça-feira do ano ela apareceu em casa com um teste de gravidez e não conseguia ver o resultado sem que eu estivesse ao seu lado, para ela poder apertar minha mão, nervosa, até esmagá-la. Mas, como todos os anos, o teste deu negativo e voltamos a viver normalmente.
Alice me ligou contando que James estava reservando um lugar num dos restaurantes mais chiques de Londres, só para os dois, no próximo sábado. Ela ficou um tanto histérica no telefone porque tinha a impressão de que poderia finalmente acontecer. "Ele vai pedir, estou sentindo, ele vai pedir, Rose." E eu não podia deixar de ficar muito feliz pelos dois, então dei a maior força para ela dizer "sim" se a pergunta dele for "Quer casar comigo?" e não "Quer jogar boliche comigo?", como ele fez na primeira vez que Alice teve a impressão de que ele ia pedi-la em casamento, há cinco meses.
Eu voltei a dar as aulas, o que exigia de mim paciência e dedicação para com os novos alunos que entraram na escola. Primeiro dia de aula e um já vomitou, outro torceu o pulso ao cair, dois começaram a brigar, mas logo depois o dia foi se acalmando, as crianças me adorando, eu as adorando apesar de, muitas vezes, saberem encher bastante o saco. E toda vez que eles se despediam de mim com um abraço depois de aprender a escrever o nome ou contar até dez, eu percebia que ainda valia a pena passar pelos estresses. Minha sorte foi que Johnny não parecia se lembrar de quando ele me viu na cama do pai dele e que ainda nos dávamos bastante bem.
Com essa rotina, nunca se espera que as coisas mudem drasticamente. Eu já estava até me acostumando com Stephanie, para terem noção. Ela estava, oficialmente, namorando Scorpius.
"No carro, Rose! Ele me pediu em namoro no carro! Foi tão romântico que..."
E eu não escutei mais.
Nos primeiros dias foram tudo umas mil maravilhas para esse novo casal de verdade, mas algo em Scorpius não parecia mais o mesmo desde quando conheceu Stephanie, há alguns meses. Uma noite, quando coloquei a televisão alta para ocultar os gemidos, estranhei que, mesmo com Scorpius em casa, não tiveram gemidos.
Será que Stephanie o matou ou algo assim?
Eles estavam estranhamente quietos no quarto. Eu sentada na sala, escrevendo mais uma de minhas colunas na revista Aprenda e Compreenda enquanto passava Oprah na televisão.
Então ouvi vozes baixas no quarto dela. Como se os dois estivessem...
Conversando.
– Eu tenho que ir – a voz do Scorpius estava rouca, arrastada, baixinha, mas audível. Sem querer, me peguei diminuindo o som da TV.
– Por quê?
– Rose está lá na sala e eu não quero atrapalhá-la.
– Ela não está ouvindo. Se estivesse já teria falado alguma coisa. Você me... – não ouvi direito.
– Preciso mesmo ir. Devo levantar cedo para o trabalho.
– Você sempre reclamou do trabalho.
– É, mas ainda trabalho.
– Você está me evitando ultimamente.
– Eu estou te evitando? Desde quando? O que mais faço é dar atenção a você.
– E reclamando disso também.
– Isso porque você não reconhece.
– Claro que reconheço. Reconheço a atenção que você dá para o seu pau. Só quando ele precisa de um pouquinho de diversão, aí você vem me procurar. E só me levou para o seu apartamento duas vezes.
– Eu prefiro aqui.
– Porque a Rose está aqui.
– Quê? Não. Meu pai está usan-
– Com certeza é isso, não é? – A voz dela estava aumentando. – Porra, Scorpius, agora eu entendo porque sempre prefere aqui. Porque é muito fácil acordar de manhã e olhar pra sua amiga, do que quando estamos sozinhos no seu apartamento. Você usa a Rose como um escape para se livrar da tarefa de se importar...
– Você não tem a mínima noção do que importa para mim.
– E eu devia ter, não acha? Estamos namorando.
– É, mas eu não preciso ficar dividindo tudo com você, preciso?
– Não, mas isso seria sensível da sua parte.
– Eu não gosto dessa ideia de ser sensível.
– Olha, então não devia ter começado com isso! Estávamos bem melhor antes!
– Eu concordo com você.
– O que quer dizer com isso?
– Eu concordo. É isso o que quero dizer.
– Você é impossível de conversar.
– Mas estamos discutindo.
– Você começou.
– Eu só falei que eu precisava ir embora! Eu não preciso ficar aqui com você a porra da noite inteira!
– ÓTIMO! – Stephanie exclamou. E isso é a escandalosa. Ouvi a porta do quarto dela se abrindo. – Ótimo, Scorpius. Então sai.
Ele ficou calado, não esperando que ela fosse ceder tão fácil. Stephanie disse de novo percebendo a hesitação dele:
– Sai logo, Scorpius.
Scorpius saiu do quarto, subindo o zíper da calça. Os passos dele eram rígidos quando Stephanie bateu a porta atrás de si com muita força e se trancou no quarto, depois de jogar a blusa dele em sua cara.
Scorpius me viu ali no sofá. Fiz uma careta e mordi os lábios para mostrar que estava sentida pela discussão entre eles.
– É melhor não ficar para a janta – eu disse querendo quebrar a tensão, mas ele foi rumo em direção a porta para ir embora.
– Rose? – Stephanie veio conversar comigo duas horas depois. Ela se sentou à mesa e pareceu hesitante por um momento. – Posso fazer uma pergunta?
– Pode.
– Você e Scorpius já transaram?
Eu fui responder "não", mas engasguei com a sopa. Tossi durante um tempo até conseguir recuperar a voz.
– Não – exclamei. – Não, nunca. Nós somos amigos desde a primeira série. Ele não pensa em mim como alguém com quem, sabe, faria essas coisas. Somos mais do tipo... amigos mesmo.
– Vocês falam que são tão amigos que é impossível acreditar não ter rolado nada, nem quando eu estava nos Estados Unidos.
Eu esperava que ela soubesse que não tinha razão para ficar nervosa ou com ciúmes, uma vez que nada aconteceu entre mim e Scorpius no tempo que ela estava viajando – ou nos dez anos antes disso. Exceto... bem, exceto o fato de que dormimos literalmente juntos na sacada de casa e eu acordei com a cabeça perto do pescoço dele e ele reparou que eu o cheirei e ele riu, perguntando "Você acabou de me cheirar, Rose Weasley?". Enfim. Acho que não significada muita coisa para se fazer tanto alarde sobre isso.
– É porque Scorpius e eu não estamos mais como antes – ela confessou quando eu não respondi desconcentrada com a lembrança. Como eu ainda não falei nada (não sabia o que ela queria ouvir de mim) então bufou. – Scorpius é incrível na cama, mas para namorado... – ela fez uma expressão de pena. – Scorpius não presta para ser um namorado.
Não disse nada, só fiquei olhando para ela com a boca meio aberta e incrédula. Poxa, ele tinha se esforçado tanto.
– Se acha que ele não presta então não fique com ele.
Stephanie me encarou, erguendo as sobrancelhas e se levantando.
– Eu sabia.
Ah. Ela plantou verde para colher madura.
– O quê?
– Você nunca quis que chegássemos a esse ponto. Scorpius e eu.
E ela ainda ousou acrescentar, voltando a ficar nervosa:
– Você gosta dele. É claro que gosta. Que garota idiota iria acreditar que ele realmente a considera uma amiga e não teve nenhuma vontade de comê-la?
Eu olhei para ela sem acreditar como era possível Stephanie ser da família de Alice. E então eu lembrei que ela só era de segundo grau e de repente isso não parecia ser grande coisa agora, então não quis esconder a vontade de que eu sentia muita falta de morar sozinha.
– Scorpius nunca teve interesse em mim – eu disse tentando não ficar alterada. – Ele tem interesse em quem nunca deu sinal de conteúdo. Ele tem interesse em mulheres que nunca lhe deram nenhum desafio. Ele tem interesse em quem parece ter uma mola entre as pernas, porque não conseguem mantê-las fechadas.
– Se você se acha melhor, então deveria abrir as pernas para ele, não acha? É melhor ter molas do que teias de aranhas entre elas.
Ela devia ter sido aquelas vadias de escola que sabiam retrucar tudo com classe e estilo. Para finalizar, jogou os cabelos para trás dos ombros, dando as costas para mim para voltar ao seu quarto.
Os próximos dias foram tensos. Não olhamos para a cara da outra. Fiquei feliz por ela ser uma pessoa ocupada demais com seu emprego de modelo idiota, então nunca realmente nos víamos. Não me abalei com o comentário sobre eu ter teias de aranhas entre as minhas pernas. Eu não tinha que dar tanta satisfação a ponto de me abalar por isso. Mesmo assim, não fingimos mais que nos suportamos.
Scorpius estava percebendo isso e, finalmente, em um dia no Três Vassouras, ele disse para mim enquanto bebíamos no balcão:
– Vou terminar.
– Não precisa fazer isso só porque não nos bicamos, Scorpius. Ela ainda vai continuar morando comigo.
– Eu vou fazer isso porque eu não sou eu com ela. Não sou como você, nem como James, nem como Albus. Não vou me apegar a ninguém, nunca. Talvez Alice tenha razão. Eu sou egoísta demais para compartilhar alguma coisa além do meu próprio pau com outra mulher.
– Ela nunca disse que você é egoísta.
– Bem, eu sou.
– Egoísta é alguém que acha que pode roubar uma pessoa só para ela, por muito tempo. Se apaixonar é egoísmo, amar é egoísmo, namorar é egoísmo.
– James e Alice são egoístas, então.
– Os piores. – Mas os malditos são tão felizes que nos fazem ter vontade de sermos tão egoístas quanto eles.
Scorpius tomou um gole do copo e passou a mão nos cabelos, pensando em alguma coisa. Mas se eu achava que ele ia compartilhar esse pensamento, eu havia me enganado. Ele tirou as chaves do bolso e disse que ia terminar com Stephanie naquele momento.
Quando ele saiu, não fiquei sozinha por muito tempo. Lily apareceu, sentou-se ao meu lado e sorriu.
– Você está bem, ruiva?
– Estou ótima. Só pensando se James já pediu Alice em casamento uma hora dessas. – Os dois estavam jantando no restaurante chique.
– Oh, com certeza. Ele pediu ajuda para mim quando foi escolher o anel.
Eu franzi a testa. Devia ser TPM, mas fiquei meio chateada por ouvir isso. Sabia que Lily era irmã dele e talz. Mas James bem que poderia ter pedido opinião para mim também.
Lily pareceu ler meus pensamentos, então acrescentou:
– Ah, obviamente ele pediria sua opinião, mas julgando por você ser a melhor amiga de Alice, você poderia contar a ela alguma coisa sobre ele ter comprado o anel.
Não deixei de sorrir por isso. Infelizmente James foi esperto para isso.
– E aí, não vai sair com algum gostosão hoje? – perguntei.
– Céus, Rose, pareceu vovó falando.
– Tirando a parte do gostosão, certo? Vovó fala...
– Brotinho – dissemos em uníssono, rindo. Lily suspirou. – Vou sair sim. Sinto que minha prima precisa de companhia, o que acha? E como uma prima muito legal que você é, vai me acompanhar.
– Ah meu Deus. Lá vai. Ainda com a ideia de fazer tatuagem?
– Tem um tatuador que fica aberto por vinte e quatro horas.
– Deixe-me adivinhar. Você já dormiu com ele?
– Eu estou dormindo com ele – ela deu um sorrisinho malicioso. – E ele disse que faria uma tatuagem em nós duas sem problemas.
– É confiável? Não sei, Lily...
– Ah, está vendo?! Você está começando a hesitar, como Scorpius diz.
Peguei a minha bolsa ao lado do balcão e tirei de dentro dela o guardanapo com a minha lista do que fazer quando estiver solteira. Olhei para o papel por um tempo.
– Tá bom. Mas hoje só vou conhecer o lugar. Depois... se eu gostar ou confiar, aí vamos amanhã.
– Fechado.
O tatuador que estava com a Lily dessa vez era um cara mais velho do que ela. Muito mais velho. Provavelmente uns trinta anos, mas... não fiquei encanada com isso. O nome dele é Trevor. Ao contrário do que eu imaginava de um tatuador, Trevor não era infestado com imagens pelo corpo. Nem piercing tinha. O sorriso dele era bonito – é essencial ter sorriso bonito para Lily – e seus cabelos eram raspados, mas ele tinha um pouco de barba. Era, obrigatoriamente, atraente.
– Oi, gostosa – ele cumprimentou Lily com um beijo bem quente, quando se afastou do balcão de atendimento e a pegou pela cintura. O local era estreito, medonho mas iluminado. Os caras e uma das mulheres que trabalhavam lá estavam rindo e tomando cerveja no lado de fora do estúdio de tatuagem. Todos pareciam muito felizes. Felizes até demais. O que um rapaz de boné estava fumando não era cigarro.
– Trevor, essa é a minha prima que eu te falei – disse Lily, afastando-se dele. O cara sorriu para mim aquele sorriso bonito. – Senhorita Rose.
Ele olhou para o meu cabelo.
– Ruivas. Quantas ruivas têm na sua família, Lils?
– Ah, perdemos as contas – ela disse, sentando-se em um sofá como se já frequentasse o lugar há semanas. Perguntei-me se ela também andava fumando o que não era cigarro por aí. Talvez sim. Talvez não. Eu nunca sabia o que Lily andava aprontando. – Viemos para ver tatuagens.
– Aqui? No mundo das tatuagens? Eu não imaginava – ele disse ironicamente. Mas depois sentou ao lado de Lily e a segurou pela coxa, deitando em cima dela ao beijá-la no pescoço. – Se bem que, ultimamente, você não tem vindo aqui para isso, não é, sua safada?
– Agora é sério – ela disse, rindo e se afastando. – Uma tatuagem para cada uma de nós.
– Vamos ver o que pode agradá-las. – Trevor saiu de cima de Lily e chamou um dos rapazes que estavam fora da loja. – Tony, cliente pra você!
Tony era absurdamente parecido com Trevor, exceto que... um pouco mais jovem. Ele poderia ter a minha idade ou mais novo do que isso, mas era tão atraente quanto Trevor. E ele tinha cabelo. Sem barba, um rosto claro e sorridente. O sorriso me ofuscou um pouco, porque eu fiquei boba e patética quando ele se aproximou de mim. Antes de perguntar alguma coisa, eu disse:
– Então sou sua cliente? Quero dizer... isso é estranho. Oi. Rose.
– Oi, Rose. Primeira tatuagem? – Esse parecia ser um pouquinho mais profissional do que o irmão mais velho. Com certeza os dois eram irmãos. Bem parecidos.
– Ah, sim, acho que sim. Eu ainda não sei se...
Ele se afastou para o balcão, sem me deixar falar, e tirou da gaveta uma pasta enorme. Quando me aproximei, Tony abriu a pasta e começou a apontar para os desenhos:
– Posso fazer qualquer tamanho. Combinaria esse bastante com você, com a sua pele, e a cor dos seus cabelos. O que acha?
– Acho que borboletas são femininas demais para mim.
Tony riu e me encarou. Nós nos encaramos. Ela tinha olhos azuis.
– O que acha dessa então? Uma coruja.
– Coruja? Acho que não.
– Bem, escolha o que quiser. Quando se decidir, vou estar lá fora e você me chama, ok?
– Hum, tudo bem. Obrigada.
Eu não tinha onde me sentar, porque Lily e Trevor estavam se atracando ali no sofá. Então peguei uma cadeira ali no canto e comecei a folhear os desenhos. Eram bem feitos e com capricho, num perfeccionismo exato. Uma tatuagem que me chamou atenção foi um escorpião entrelaçado a uma rosa e essa ironia foi tão súbita que comecei a rir sozinha. Quando vi, Lily subiu com Trevor para o andar de cima. Merda, Lily, vai me deixar sozinha aqui? Mas acabei me entretendo tanto com as belas imagens que quase não liguei para o barulho que começou a acontecer lá em cima. Tatuador particular, hein, Lils? Ela nunca muda.
Tony voltou, talvez pela minha demora, mas pareceu contente por eu ainda estar ali.
– Ainda não se decidiu?
– É difícil escolher algo que vai ficar cravado na sua pele por tanto tempo.
– A gente remove tatuagem também.
– Isso é irônico.
– Um pouco.
Ele sentou ao meu lado e mostrou uma tatuagem. Não da pasta, mas de seu braço.
– Minha primeira tatuagem. Eu tinha dezoito.
Era uma tatuagem que ocupava seu bíceps inteiro. A imagem de um guerreiro medieval.
– Não a escolhi – ele contou. – Travor e eu tínhamos um irmão ainda mais novo. A foto preferida dele era essa.
– O que houve com ele?
– Bala perdida. O mundo é injusto.
– Você fez outra tatuagem?
– Nas costas. Um dragão. Quer ver?
Eu fiz que sim e ele arrastou a camiseta para fora do corpo, mostrando-me o dragão. Era tão magnífico que não consegui me conter e toquei a pele dele com o dedo, roçando em um contorno linear pelas chamas.
– Você escolheu essa?
– Sou apaixonado por dragões – ele sorriu. – Minha mãe quase me matou quando viu o tamanho dela.
Depois disso, começamos a conversar. Ele me dava alguns palpites sobre que tipo de tatuagem eu poderia fazer e as que poderiam combinar comigo. Tony tinha uma conversa natural, gostosa de acompanhar e não parecia não ter assunto. Tirou de mim a curiosidade de que eu escrevia para uma revista e dava aula para crianças.
Acabei não escolhendo nenhuma tatuagem, mas falei que poderia voltar – não sei por que falei, talvez porque ele ria das coisas que eu falava. Ele guardou meu nome e me deu um cartão dele para que eu também guardasse o telefone e o lugar, caso eu realmente quisesse voltar.
Havia se passado meia hora e lá em cima estava estranhamente silencioso.
– Vou avisar Lily que eu já vou embora.
Tony assentiu e me deixou subir as escadas. Alguma coisa me levou a um corredor escuro. Havia uma porta entreaberta e escutei lá dentro Lily reclamando de alguma coisa, baixinho. Algo como "ai, não, assim não, Trevor." À medida que eu me aproximava, a voz e o tom de voz ficavam mais nítidos, mas mais confusos. Gemidos, risadas, reclamação. "Pare... pare."
– Lily?
Eu me assustei com a cena. Não, os dois não estavam transando, não estavam pelados, mas Trevor estava em cima dela numa cama, sem camisa, enquanto Lily só tinha sua blusa desabotoada. Ela estava rindo sozinha e estranha, quando me viu ali parada na porta.
– Merda. – Eu corri para dentro do quarto e tirei Trevor de cima dela, muito embora ele fosse cem vezes mais forte do que eu. Comecei a me condenar. Não acreditei que estive conversando com Tony durante tempo o suficiente para Lily e o namorado dela se drogarem. – Lily, merda. Não devia fazer isso.
– Não enche, Rose... – mas ela me olhou toda sonolenta e quanto tentei tirá-la da cama, ela me abraçou e tentou me beijar. Não no rosto. – O que foi que você deu a ela? – eu perguntei rispidamente para Trevor, desviando-me de Lily. Ele deu de ombros, acendendo um cigarro.
– Ela nem perguntou o que era.
Eu não falei mais nada, apenas tirei Lily da cama. Ela se apoiou em mim quando começou a gargalhar e cambalear para fora. Com muito esforço, eu desci as escadas com ela falando muitas coisas sem nexo, algo sobre Trevor ser um grande desgraçado e que ela ia salvar o mundo da destruição. Pelo menos não tinha feito nenhuma tatuagem.
Não falei tchau para Tony, embora ele tivesse me observado sair com a expressão estupefata. Ele e o irmão começaram a discutir, mas eu levei Lily o mais longe possível para o lugar, até o meu carro. Lily não queria entrar, mas não estava muito consciente sobre o que realmente queria. Eu tive de falar que íamos para a balada para ela finalmente entrar no carro.
– Eu não sei o que você tem na cabeça, Lily – eu disse.
Ela me olhou toda estressada, mas com moleza na voz:
– Não posso me divertir agora, mãe?
Depois riu como se tivesse feito piada.
Eu estava pensando em ligar para Albus. Não era seguro deixar Lily andar drogada por aí. Ela estava quase caindo. Como Trevor tivesse dopado ela para fodê-la. Idiota. Filho da puta. E Lily era outra idiota por se envolver com esse tipo de gente.
Meu celular tocou e era Alice.
Provavelmente ia me contar que estava noiva. Eu atendi.
– Finalmente, Rose – a voz dela estava tão emocionada que me senti mal por estar preocupada com a Lily. – Finalmente.
Eu sorri.
– Parabéns! E como foi?
– O mais brega possível! – e ela não se importava com isso. – Estamos saindo do restaurante. Olha, sei que vão querer comemorar com a gente, mas não quero que encham o nosso saco até amanhã de manhã.
– Alice Potter – eu brinquei, observando Lily colocar a cabeça fora da janela para cumprimentar uns rapazes que estavam passando na rua. – Você está dizendo que vão ter a noite de núpcias antes do casamento?
– Ai, a gente precisa aproveitar. Amanhã eu te ligo para contar os detalhes, ok!?
– Tá bom.
– Você está com alguém?
Eu olhei para Lily, ali, brisando.
– Não, não estou com ninguém – menti. – Vou ficar em casa essa noite.
– Tudo bem! Eu conto depois para todo mundo! Até mais!
E ela desligou.
Albus. Preciso ligar para o Albus me ajudar. Eu não podia levar Lily para o meu apartamento, Stephanie não ia sair naquele sábado, principalmente porque Scorpius tinha aparecido lá para terminar com ela. Albus não entende a merda do telefone. Então lembrei que ele também estava namorando e eu não tinha o telefone da Kate. Além disso, não queria levar Lily para o apartamento dela, porque suas colegas de quarto não iriam ajudar em nada. Suas amigas eram piores do que a Lily em questão de irresponsabilidade.
Apartamento do Scorpius.
Tentei ligar para ele. Scorpius atendeu no primeiro toque.
– Eu preciso de um favor seu – falei depressa.
– O que houve, Rose?
– É a Lily. Depois eu te explico. Onde você está?
Diga que está na sua casa, diga que está na sua casa.
– Em casa, por quê?
Suspirei aliviada.
– Vou passar aí. Está sozinho?
– Quer saber se eu estou pelado também?
Eu desliguei na cara dele e continuei dirigindo até seu apartamento. Pedi para que o segurança do prédio ou alguém responsável pudesse chamar Scorpius. Ele apareceu dois minutos depois e quando percebeu o problema, correu me ajudar a carregar Lily para dentro. Ela tinha voltado a si por um momento, mas ainda estava praticamente travando. Scorpius e eu não trocamos nenhuma palavra até chegarmos ao seu apartamento. Levamos Lily ao banheiro, depois a depositamos na cama dele.
– Onde vocês estavam?
– Num estúdio de tatuagem. Tinha drogas lá, eu vi, Lily subiu com um cara e ele a dopou totalmente.
– Vai ficar tudo bem – ele disse ao perceber a minha cara. – Poderia ser pior. Ela poderia não estar com você naquele momento.
– Sim – eu pensei nisso, passando a mão no rosto. Scorpius disse que não era caso para hospital, mas consentiu que ela passasse a noite ali mesmo. Mesmo se não quisesse, Lily já estava praticamente desmaiada em sua cama, falando algumas coisas sem nexo. Só parou quando Morfeu resolveu chamá-la para o sono. Scorpius não se incomodou com isso e permitiu. Eu fiquei agradecida por isso.
Eu fui para a sala e me sentei no sofá. Scorpius ficou ao meu lado o tempo todo, embora não comentamos mais nada sobre o ocorrido. Ele ligou a televisão, apenas para ficar passando algumas imagens, porque decidimos não colocar som algum. Não conversamos. Fiquei ali o tempo todo, sem ter noção da hora. Apenas quando meus olhos começaram a arder eu pisquei várias vezes e disse baixinho:
– É melhor eu ir pra casa. – E olhei para ele para saber se ele cuidaria de Lily. Mas Scorpius falou:
– Pode ficar aqui com ela.
– Não vai te incomodar?
– Ahh eu estou acostumado com duas garotas na minha cama – brincou jogando os braços para o ar a fim de se espreguiçar e eu não deixei de lhe dar um tapa na barriga, fazendo-o rir.
E então foi totalmente um acidente.
Eu fui me inclinar para levantar, mas no mesmo segundo Scorpius fez o mesmo. Meu coração deu um solavanco muito parecido com o de quando o elevador chega a algum andar, porque a pateta aqui teve a impressão de que ele estava se inclinando para dar um beijo no rosto, de boa noite, inocentemente.
Até hoje não dá pra entender o que aconteceu ali, porque foi uma confusão que só... sei lá se até Deus entendeu aquilo.
Eu virei o rosto para receber o beijo no rosto, mas Scorpius deve ter achado que fiz aquilo para dar um beijo na boca dele, e ele deve ter esquecido que eu fiz a promessa de não deixá-lo me beijar, porque os lábios dele roçaram o meu e a sucção logo em seguida me fez paralisar de confusão. Tão paralisada que não fechei os olhos.
A princípio, rapidamente quando entendi o que estava acontecendo, eu tentei empurrá-lo. Mas no mesmo maldito segundo que meus lábios se entreabriram para receber a língua dele, involuntariamente, num toque totalmente submisso. Eu não sabia onde minha mão estava, mas eu sabia onde a dele estava. No meu cabelo. Bem na minha nuca, forte e perigoso, quando tentou me segurar para eu não ir embora. Eu estava me sentindo uma menininha em seu primeiro beijo, porque fiquei tão assustada que eu me afastei ao sentir um ousado aprofundamento em nossas línguas entrelaçadas. Minha mão estava pousada no peito de Scorpius, apertando sua blusa. Eu parecia mais drogada do que a Lily, pateticamente mais drogada. Que merda estava acontecendo?
– Acho melhor eu ficar aqui mesmo – onde eu arranjei voz? E por que eu falei aquilo? Scorpius encostou a testa na minha e eu senti calor. Pigarreei, os lábios estremecendo de excitação pela novidade de outra boca tão desconhecida mas ao mesmo tempo... conhecida ter se conectado com a minha, mesmo que por poucos segundos. – A Lily vai ficar assustada se acordar e ver que acordou no seu apartamento. Ela vai achar que vocês...
– Eu disse que você pode ficar – ele respondeu, quando a gente se encarou.
– Eu prometi que não deixaria você me beijar – eu falei de um jeito meio desolado, mas eu não estava arrependida.
Scorpius deu um pequeno sorriso.
– Você me beijou – ele acusou. – A promessa valia se eu tentasse beijar você. Já que foi você, não teve problema nenhum.
– Foi você – eu teimei. – Você veio e se aproximou.
– Claro que não, Rose. Eu ia levantar, você decidiu que queria me beijar e fez.
– Não. Eu achei que você só ia me dar um beijo no rosto. Você quem confundiu as coisas.
Nós refletimos o momento. Eu olhei para o tapete da sala dele e disse:
– Tá muito tarde. Estamos cansados. Talvez a gente devesse dormir.
– É, estamos ficando malucos.
De braços cruzados, afastados um do outro, assistimos mais um pouco do filme que estava passando. Ele olhou para mim, eu olhei para ele. Pensei em Lily dopada no quarto dele. Se uma vez já pensei em ganhar uns amassos de Scorpius, Lily drogada não estava no meio. Então eu respirei um pouco mais e tirei a conclusão:
– Vou dormir lá com ela.
– Tudo bem.
Quando fui me levantar, verifiquei se Scorpius faria o mesmo, mas não fez.
Na época em que éramos crianças, Lily e eu costumávamos dividir a cama na casa de nossos avós quando passávamos as férias por lá. Às vezes ela tinha pesadelos e precisava da minha companhia. Eu nunca deixei de lhe enviar segurança, portanto me deitei ao seu lado na cama de Scorpius. Foi uma noite totalmente diferente e esquisita. Scorpius dormiu no sofá e achei esse gesto muito nobre e generoso de sua parte.
Dormi rapidamente, os lábios formigando, e na manhã seguinte o dia amanheceu totalmente novo.
Eu acordei com o braço da Lily batendo no meu rosto e o cabelo dela entrando praticamente no meu nariz. Quando ela acordou, ainda estava totalmente sonolenta. Levantou o tronco lentamente e olhou ao redor. Eu estava acordando quando ela fez isso.
– Rose? – sua voz estava embargada de fadiga e os cabelos emaranhados. Ela olhou para o outro lado, onde Scorpius havia se enfiado ali no cobertor com a gente. Lily estava entre nós dois. – Que... que putaria é essa...?
– A gente vai ter uma conversa bem séria, Lils – eu disse com uma parte da boca babando no lençol.
Ela se debruçou em mim e voltamos a roncar.
Quando ela voltou ao normal e já estava melhor para entender a gente, muito embora estivesse com enxaqueca, Scorpius e eu a interrogamos no sofá. Ela estava envergonhada, eu podia sentir isso, e não porque achava que fizemos sexo a três naquela noite.
– Nós bebemos alguma coisa ontem... mas Trevor não iria me estuprar, ele não me daria... – Mas ela não parecia muito certa disso, julgando por ter desmaiado ontem.
– Desde quando está usando drogas com ele?
– Só experimentei uma vez... – ela suspirou. Pelo meu olhar, não conseguiu mentir. – Algumas. Todo mundo já experimentou uma vez.
– Eu não – falei severamente. – E nunca ousaria. E eu tenho a máxima certeza que James iria me aplaudir agora ao em vez de dizer que sou careta.
– Ele sabe que estou aqui?
Scorpius e eu nos entreolhamos. Scorpius disse:
– Não, não contamos a eles. Alice e James estão noivos e não quisemos preocupá-los com isso.
– Vocês vão contar? Por favor, não contem.
– Não estamos no colegial – eu disse. – O que você faz é da sua conta, Lily, mas devia ter mais responsabilidade. E se eu não tivesse aparecido para te tirar de lá? Você está acabando a faculdade e devia se concentrar nisso.
– Querendo ou não, Rose, você fala igualzinho a sua mãe.
– Eu me preocupo com você. Não quero, mas me preocupo.
– Estraguei sua noite, não estraguei? Você estava se divertindo com o Tony.
Scorpius me olhou. Quem é Tony?, parecia estar curioso. Mas não disse nada.
– Não vou voltar para aquele lugar – eu disse e então a cena da noite anterior, quando Scorpius me beijou, fez minha garganta ficar um pouco seca então fui beber água. Lily me acompanhou. Ela pediu carona para voltar para casa e eu não neguei. Nos despedimos de Scorpius, agradecendo por tudo, e fomos embora. Lily ficou em total silêncio o tempo todo, repensando suas atitudes. Não interrompi.
Quando voltei para casa sozinha, entrei em meu banheiro e tirei as roupas para ficar um pouco na banheira, descansando. Fiquei alegre que Stephanie não estivesse em casa. Tentei ficar pensando na besteira que a Lily fez, mas... era só na porra daquele beijo que eu estava pensando.
Maldito Scorpius. Não devia ficar enfiando a língua na garganta de qualquer alma feminina nesse planeta. E eu achando que escaparia disso, escaparia da sensação das mãos dele em mim e de ficar pensando nele e nele e mais um pouco na boca dele. Oh, merda, isso era tão devastador porque quando penso nele, isso me pega de surpresa e eu não consigo conter as minhas mãos idiotas.
Ele deve ter terminado com Stephanie, para ter sido ousado em me beijar. Ele não faria isso se não tivesse terminado com ela. Mesmo assim, mesmo se quisesse ter feito... Será que ele já esteve querendo isso há algum tempo? Eu sei que durante algumas noites, eu me pegava pensando em como seria. Ele foi tão disputado no colegial. As meninas sempre cochichando verdades sobre o beijo dele.
Agora você experimentou como é.
Eu devia estar satisfeita e deixar isso pra lá, agora. E não querer mais. Não era desejo, era? Era só curiosidade. Curiosidade te deixa úmida assim? O banheiro começou a ficar quente. Não, me recuso a fazer isso. Oh, mas... a mão dele tinha agarrado bem a minha nuca. Entrelaçando os fios dos meus cabelos e língua dele era quente e gostosa, macia. E se Lily não estivesse lá, e se nós estivéssemos sozinhos? E se não tivéssemos escrúpulos e tivéssemos transado mesmo com a Lily por lá? A gente iria tão longe assim?
Melhor amigo.
Isso não fazia sentido.
– Droga, Scorpius... – murmurei. E minha voz pareceu ter sido amplificada. O nome dele fez eco no banheiro. Fechei os olhos.
Tentei imaginar se ele me faria tão escandalosa quanto Stephanie. Eu esperava que não. Sinceramente. Eu não podia querer saber disso, era o cúmulo.
Ah, Rose... admita... você não reclamaria de alguns orgasmos. Isso, admita! Você já pensou sim, várias vezes... até quando namorava o Brian. Você já pensou em Scorpius. Vezes até demais... oh, mas veja... olha isso.. até parece que nunca... que nunca...
– Não – eu parei subitamente o que estava fazendo com um dos meus dedos, embaixo da água morna da banheira. – Não. Só foi um beijo de um minuto. E nem era para ter acontecido, porque foi totalmente acidental. Vou ler um livro. Isso. Onde está meu livro?
Na metade da leitura, mesmo assim, larguei o livro e não tive nenhuma culpa durante meus próprios espasmos de prazer. Teia de aranha no meio das pernas. Stephanie idiota. Até ela sabia que eu precisava transar.
Nas próximas semanas Scorpius e eu nem sequer mencionamos o beijo. Ele já devia ter esquecido. Estava solteiro e não ia se preocupar em ser fiel a ninguém, então com certeza seus finais de semana se resumiam a suas típicas mulheres na cama. Certa vez liguei para ele e ele atendeu com a voz ofegante.
– Rose? Péssima hora para me ligar.
– É rápido. Eu só queria saber se você ainda tem aquela disposição de me ensinar a andar de moto. Lembra? Sei que você e Stephanie já nem se lembram um do outro, mas...
– Agora não dá pra conversar, Rose.
– Não?
– Não.
– Por que não?
– Ocupado.
– Você tá transando, não tá? – eu perguntei quando ouvi uma voz feminina através do telefone, pedindo para que ele voltasse e parasse de falar no telefone. Ah, esse era o velho Scorpius que eu conhecia.
Eu me senti aborrecida.
– Poxa, Scorpius, você nunca sabe de nada? É falta de respeito atender ao telefone no meio da...
– Eu não posso deixar de atender, estou esperando ligações importantes do escritório... – A mulher com ele gemeu alguma coisa. Uh, com certeza essa espera estava sendo bem foda pra ele. Mas eu não era idiota. Scorpius atendeu sabendo que eu estava na outra linha. Não precisava ter atendido a não ser se quisesse me deixar com ciúmes, o que era idiota de se pensar porque eu passei várias semanas o ouvindo no quarto ao lado do meu, e me acostumado perfeitamente a lidar com suas vulgaridades. – Eu preciso desligar agora, Rose. A gente se vê no Três Vassouras.
– Se eu descobrir que essa é a secretária-
Tu,tu,tu,tu...
Fiquei com tanta raiva que fui procurar Eric. Ele ainda estava disposto em me distrair de certas coisas e também da raiva que eu estava de como Scorpius nunca se importava com nada.
Não contei a Alice o que aconteceu naquela noite que Lily ficou toda drogada, principalmente porque ela e James estavam extasiados com suas próprias novidades, falando de como e quando eles iriam se casar. Enfim, era uma conversa que só eles achavam divertida, mas escutávamos com empolgação porque os dois contagiavam juntos.
Meu beijo devia ser péssimo. Só podia ser isso para Scorpius nunca ter nem falado "ei, sabe o que eu estava pensando? A gente realmente se beijou naquela noite". Mas não tive nada da parte dele ultimamente, era como se nada tivesse mudado entre nós ou acontecido alguma coisa.
Exceto pelo fato de que eu me sentia diferente.
Mas não dava para culpá-lo por realmente não ter dado nenhuma atenção ao beijo acidental. Passei vários anos ao seu lado e se a gente nunca avançou a zona de amizade, não seria agora que isso poderia mudar.
Certo?
Stephanie superou Scorpius rapidamente e já trazia outros caras para casa, muito embora nenhum deles tivesse feito com que ela fosse escandalosa. Na verdade, eu nem reclamava muito dos ficantes dela porque eles deviam ser tão entediantes para ela que a única coisa possível de escutar era a cama rangendo. Às vezes nem isso.
Em uma certa manhã, para a minha surpresa, atendi ao telefone com uma ligação para Stephanie:
– Oi, você é a Stephanie?
– Não. É a colega de quarto dela – respondi. – Quer deixar algum recado?
– É Taylor Fletcher. Ela me ligou falando que precisava de um apartamento para ficar e eu estou ligando para confirmar que estou disponível às três horas para falarmos sobre isso. Será que você podia anotar o recado?
– Oh. Claro – eu disse. Stephanie não havia me falado nada sobre mudanças. – Taylor Fletcher? Ok, tenha um bom dia para você também. De nada.
Naquela manhã, antes de mandar o recado para Stephanie, eu fiquei cantando Kiss.
No final do mês, Stephanie arrumou as malas. Para falar a verdade isso me fazia sentir estranha embora eu tivesse desejado aquilo por um bom tempo desde que ela disse que sou uma encalhada. Para a minha surpresa, Stephanie se despediu de mim com certa simpatia. Não soube se era hipocrisia ou distúrbio bipolar ou um sinal de que a gente ia sentir a falta de encher a paciência da outra. Mas nossos problemas eram águas passadas e podíamos ser adultas em relação a isso.
– Você aturou mais do que a maioria – ela disse. Eu não a entendia. Às vezes ela era legal. – Valeu, Rose, outra pessoa não teria feito nada do que fez por mim. E... – ela hesitou. – Desculpe por ter sido uma vaca com você ultimamente.
– Sabia que todo mundo chama você de Stephanie Escandalosa aqui no prédio? – dei a informação. – Pois é.
– Ah, céus, então você escutava mesmo. Por que não me chutou daqui antes?
– Sou uma pessoa muito legal – eu disse com sinceridade. – E... eu sei como é difícil procurar um lugar para ficar. Já passei por algo assim antes de Alice e eu morarmos juntas. Espero que se dê bem com a Taylor Fletcher.
– Obrigada. Ah – ela estava saindo com as malas, quando achou melhor explicar: – Taylor é um cara.
– Esqueci que você trabalhava com moda.
A gente acabou rindo juntas. Mesmo assim não implorei para ela ficar ou de repente viramos as melhores amigas nem algo perto disso. Antes de Stephanie fechar a porta, ela disse:
– Espero que um dia o pessoal te chame de escandalosa também. Scorpius não terminou comigo porque ele queria voltar a galinhar por aí. Tchau, Rose, até algum dia.
Mais um capítulo! Cara, esses dias eu fiquei com muita inspiração. O próximo capítulo sairá rapidinho também, gente, é só vocês comentarem, dizerem o que estão achando... e MUITO OBRIGADA pelo feedback do capítulo anterior!
Cenas do próximo?
Aqui vai uma:
"Scorpius tinha a mão mais tarada da Grã-Bretanha, quando lhe davam essa chance. Quinze vezes, antes mesmo de sentarmos na mesa para jantar, eu tive que, discretamente, tirá-la da minha bunda toda maldita vez que ele a apoiava ali, para dar ênfase a palavra "namorada" ao me apresentar a alguém da família de seu pai e de sua madrasta."
Vão entender o que houve!
Beijos!
