N/A: Gente, acho que a última fala da Stephanie ficou meio confusa. Só reparei agora... eles realmente terminaram, ok? Stephanie só disso aquilo pois ela acha que Scorpius terminou com ela por ele sentir alguma coisa pela Rose. Agora não sei se ficou muito claro se foi isso o que entenderam dessa fala, então só deixando explicado, assim podemos seguir o próximo capítulo sem confusões! Um beijo!
6
Morar sozinha era sossegado e solitário, mas eu lia tantos livros que eles viraram uma companhia para mim, quando a noite estava silenciosa demais. Tão silenciosa que levei um puta susto ao ouvir o telefone tocar. Eu só me senti preguiçosa demais para atendê-lo, então a caixa eletrônica fez o seu trabalho:
– Lembra quando eu disse que ia te fazer aprender a andar com a moto? Pois é, acho que não vai mais dar certo. Pelo menos até eu conseguir pagar o concerto da moto. Então... acontece que hoje eu estava na estrada andando com ela, como faço quando quero me distrair de algumas coisas, mas então... eu meio que me distraí demais e perdi o controle... Acontece que agora eu estou no hospital. Caí bem feio. Só quebrei o braço, mas não foi grave. Só não tenho como ir embora. Se você não estiver ocupada, ou ouvir o recado a tempo, talvez eu precise da sua ajuda para me dar uma carona de volta pra casa. Ah – ele deduziu que eu poderia não saber quem era – é o Scorpius.
Quando a mensagem terminou, eu estava escovando os dentes, colocando uma calça e penteando os cabelos. Tudo ao mesmo, com pressa, para chegar logo ao hospital. Eu tinha essa mania de me preocupar mesmo que ele tivesse afirmado que não foi grave.
Assim que cheguei ao hospital, tentei encontrar a sala onde Scorpius poderia estar, mas, para a minha surpresa, ele estava com o braço enfaixado perto de uma enfermeira. Tipicamente Scorpius, falando com a moça bonita, gabando-se do machucado e mostrando os vários pontos que teve que fazer no cotovelo e no antebraço.
Eu, por outro lado, cheguei até ele e só não lhe dei um soco porque quando me aproximei demais senti necessidade de abraçá-lo.
– Idiota, você é um idiota, um completo idiota.
– Eu disse que eu estava bem, só quebrei a moto.
– E o braço – eu percebi soltando-me dele. – Você não conseguiu falar com seu pai?
– Pra quê?
– Pra vir te buscar.
– Eu não estou num jogo de basquete, Rose – ele abriu um sorrisinho. – É o seu telefone que está na chamada de emergência, olha. – E mostrou o celular com a tela quebrada.
– Tem noção de que poderia ter sido muito grave?
– Mas não foi, relaxa. – Scorpius riu para a enfermeira, abanando a mão. Senti que ele fez uma careta de dor, mas escondeu muito bem. – Garotas se preocupam a toa. Eu preciso ir embora agora, Amanda. Se não estivéssemos em um hospital, eu com certeza diria que adoraria vê-la outra vez e-
– Vamos – eu puxei a camiseta dele, o que foi totalmente insensível da minha parte porque enquanto saíamos do hospital, Scorpius começou a reclamar de dor. E o andar dele ficou arcado, como se tivesse apenas fingindo ser um verdadeiro macho para impressionar a moça. Scorpius agia feito um adolescente às vezes.
Ele pareceu meu bisavô tentando entrar no carro. Segurou as costelas por um momento, fez uma cara de dor e encostou a cabeça no banco do carro, soltando um suspiro leve, lento e dolorido. Enquanto eu o levava de volta para sua casa, ele não disse nada no carro. Acho que cada palavra que dizia, era uma dor para aturar.
– Sabe, eu consigo até imaginar. No seu leito de morte – a conversa era mórbida, mas eu não aguentei e disse: – você aguentando firmemente só para falar para alguma mulher que os peitos dela aumentaram e que se não estivesse morrendo, diria que gostaria de vê-la de novo. É bem a sua cara fazer isso.
Scorpius riu e gemeu um pouquinho depois.
– Eu derrapei a moto e você preocupada que eu levasse a enfermeira pra cama.
Eu tirei um pedaço da minha franja que estava caído nos olhos.
– Achei que quisesse se estabelecer em um relacionamento.
– Já falei que isso não é pra mim... Eu tentei. Eu tentei uma vez. Não curti a experiência. Ai.
– Stephanie não era a garota certa para você. Quando menos você esperar... vai acontecer. Mas você estava procurando. E não dá certo procurar.
– Rose, como é estar apaixonado? Como você descreveria essa sensação?
Tentei me lembrar de quando conheci Brian, mas o que lembrei foi de quando Scorpius derrubou Ralf na lama do pátio da escola. Pigarreei.
– Acho que, hum, quando você se apaixona... obviamente você quer ficar com essa pessoa o tempo todo.
– O tempo todo?
– É. Não consegue parar de pensar nela. Entendeu? Aí... aí é meio idiota. Você se sente idiota. E sente umas coisas estranhas na sua barriga. Você se sente criança e madura ao mesmo tempo, você quer rir à toa – eu ri nervosa. – E... e você não consegue parar de pensar nos beijos e nas mãos e isso vai ficar irritando você até um certo ponto que quando você começa a pensar seriamente sobre o que está acontecendo você começa a falar sem parar e tem vontade de fugir e esquecer e deixar isso pra lá, porque é... idiota.
– Então se apaixonar é idiota? – ele não sabia de nada. Não faz nem ideia.
– É. É ridículo. Não queira isso.
– Mas às vezes é inevitável, não é?
Havíamos chegado à frente do seu prédio. Eu afirmei com a cabeça e Scorpius tirou o cinto. Fez uma careta de dor, mas conseguiu suportá-la para dizer:
– Valeu, Rose. Te devo uma.
– Amigos servem pra isso – eu olhei para o guidão do carro. Essa frase já estava começando a me deixar com aflição.
Ele abriu a porta, mas não saiu. Achei que precisasse de ajuda, mas no final das contas ele voltou a se encostar ao carro para dizer:
– Meu pai vem saindo com uma mulher... ele contou para mim que... queria se casar com ela.
– Como assim?
– Eu fiquei com vontade de bater nele, Rose. Totalmente ignorando a vida que teve com a minha mãe. Ele vai se casar de novo, aquele desgraçado. Acho que foi isso o que me distraiu. Não quero ter uma madrasta. Sou velho demais para isso.
– Mas se seu pai gosta...
– Ele ama minha mãe! Porra. Ele tem que amá-la, certo?
– Scorpius, às vezes... isso muda, você sabe disso. Faz dois anos que eles estão...
– Separados, eu sei. Rose... então posso pedir outra coisa?
– Por favor, não diga que você me quer como assassina de aluguel. Eu sei que disfarço bem, mas já me aposentei desse trabalho.
Ele riu da minha ironia.
– Não. É que... ele vai fazer um jantar para a família daquela vadia, na Mansão. – O pai de Scorpius morava em uma mansão, mas Scorpius jamais me convidou para conhecê-la antes. – Quero irritá-lo um pouco.
– E como eu posso ajudar nisso?
Por alguma razão, eu já sabia a resposta. Mas ele ergueu o canto dos lábios em um sorriso um tanto malicioso, fazendo questão de perguntar:
– Quer fingir ser minha namorada por uma noite? Vai ser no próximo sábado.
O pai de Scorpius não me odiava. Na verdade, ele apenas odiava a minha família do mesmo modo como a minha família sempre odiou a dele. Antes de se aposentar, meu avô trabalhou em um jornal que sempre tinha notícias sobre as corrupções que geravam na Empresa Malfoy. Em um ano, muito antes de morrer, Lucius Malfoy conseguiu ser preso por alguns meses até pagar a fiança. O jornal o levou para a cadeia, que também tinha um pouco de Weasley e Potters entre os policiais, e desde então nossa família vem se odiando profundamente.
A última coisa que Draco Malfoy gostaria de ver era a amiga de Scorpius virando mais do que uma amiga. Esse era o pensamento que o deixaria irritado. Scorpius pensou nisso seriamente para me fazer uma pergunta dessas.
– O que me diz? – ele esperava uma resposta.
– Vai precisar ficar muito chique? Eu não sou, você sabe, milionária. Só uma humilde professora de jardim de infância.
– Só fique bem gostosa – ele pediu. – Não vai se esforçar muito.
– Cala a boca. – Eu senti minhas bochechas arderem. Ajeitei-me no banco do carro, girando os olhos, embora o elogio tivesse feito com que eu sorrisse e amolecesse. – Tudo bem, eu faço. Mas... com uma condição.
Eu pensei em fazer o charme da Jaime Sullivan em "Um Amor para Recordar", pedindo para que ele não se apaixonasse por mim, mas era meio brega imitar a fala de uma personagem de filme.
– Que condição, Rose?
– Não me assuste mais. Eu fiquei preocupada quando me ligou.
Ele sorriu e levantou o braço que não estava com o gesso, bem em direção do meu rosto, tocando suave e levemente seu polegar no meu queixo.
– Não se preocupe comigo, Rose Weasley.
– Melhoras.
– Ai. Ai. Ai. – E finalmente saiu do carro, fechando a porta atrás de si logo depois.
Bem, pelo menos aquela dor não o faria querer transar por um bom tempo com ninguém.
A semana demorou a passar e quando a noite do jantar chegou, eu estava obcecada em achar alguma roupa boa o suficiente para sentar em uma mesma mesa com Malfoy. Tive de chamar Lily para me ajudar, mas eu não tinha nenhum vestido bom o suficiente. Comecei a andar para lá e para cá, como se Scorpius e eu fossemos a um encontro de verdade. Lily reparou nisso e apertou meus ombros, fazendo-me parar de andar.
– Rose, calma. Eu tenho um vestido, posso emprestar a você. Só me espere aqui, ok?
Ela saiu para voltar meia hora depois com um vestido lindo, azul, ao qual deixava meus ombros a mostra. O vestido ficou apertado e quando fiz questão de comentar isso, Lily respondeu:
– Quanto mais agarrado o vestido da garota, mais apertada fica a calça do cara.
Eu franzi a testa.
– Lily, não estou fazendo isso para impressionar Scorpius.
O que era uma mentira tão tremenda que nem eu vi verdade na minha voz.
Coloquei o vestido e me encarei no espelho. Fiquei irreconhecível. Eu podia ver o que não via todos os dias em mim, e isso indicava um bom sinal, deixando-me até otimista. Eu tinha olhos verdes bem claros e curvas no quadril e no busto. Até meu cabelo parecia estar colaborando um pouco. Ele havia crescido desde a última vez que cortei, então estava bem ondulado.
Scorpius chegou quando eu estava fazendo a maquiagem. Lily já precisava ir embora. Quando saí do banheiro, Scorpius estava jogando snake no celular.
– E aí, o que achou disso?
Ele sorriu antecipadamente quando levantou os olhos de modo rápido para mim ali parada no meio da sala, mas quando realmente me viu, ele largou o celular no bolso e levantou do sofá, parecendo seriamente impressionado.
– Rose, você está...
– Você também – falei depressa. Ele usava um sobretudo preto com gravata frouxa no colarinho. Os cabelos caindo na testa, o sorriso torto lhe dando aquele ar de pouco caso que atraía facilmente a atenção para seus olhos cinzas e sarcásticos.
– Preparada para ser minha namorada por uma noite? – ele perguntou estendendo o braço na minha direção.
Eu sorri e peguei seu braço.
Ser namorada de Scorpius era desgastante, mesmo que por apenas uma noite. Devo dizer que quando o sr. Malfoy me viu entrar na Mansão com a mão segurando a de seu filho, Scorpius pareceu estranhamente satisfeito. Fingiu estar muito contente em ver a família da namorada de seu pai. Era uma mulher alta, loira e bonita, com um sotaque francês. Scorpius a odiava intimamente, mas não era mal educado a ponto de transparecer o sentimento.
Era desgastante ser sua namorada porque Scorpius tinha a mão mais tarada da Grã-Bretanha, quando lhe davam essa chance. Quinze vezes, antes mesmo de sentarmos na mesa para jantar, eu tive que, discretamente, tirá-la da minha bunda toda maldita vez que ele a apoiava ali, dando ênfase para a palavra "namorada" ao me apresentar a alguém da família de seu pai e de sua madrasta.
Quando fomos jantar com eles, nós dois fingimos ser os namorados perfeitos na mesa. A madrasta de Scorpius teve um interesse em saber como nos conhecemos e Scorpius começou a contar, enquanto brincava distraidamente com uma mecha do meu cabelo – seu braço ao redor do meu corpo como se fossemos gêmeos siameses ou algo assim:
– Um menino costumava dizer que ela tinha o cabelo mais feio da escola. Eu o empurrei em uma poça de lama.
O pai de Scorpius estava com os lábios comprimidos em uma linha reta e séria. Então a voz dele soou pela primeira vez no meio do jantar, olhando diretamente para mim com aqueles olhos parecidos com o de Scorpius, só que mil vezes mais frios:
– Ainda é professora de crianças?
– Sou, senhor. – Parecia que eu estava falando com o Príncipe Charles por causa da cortesia exagerada no "senhor", quase como se o chamando de vossa majestade.
– Quanto você recebe para aturar isso? – ele perguntou enxugando a boca. Scorpius colocou a taça de whisky sobre a mesa com um baque estrondoso.
– Não precisa responder, Rose. – Então se virou para o pai, estressado. – Ela gosta do que faz, não importa o quanto ela recebe.
– Importa para a família. Seu pai ainda trabalha naquela espelunca de loja? Não faliu, ainda? Isso é até admirável. As pessoas realmente gostam de gastar seus dinheiros com porcarias.
Eu entendi que tanto Draco quanto Scorpius estavam criando uma guerra entre eles. A cada alfinetada na minha direção era um ponto a mais para o sr. Malfoy. A cada centímetro que Scorpius se aproximava de mim era um ponto a mais para ele. Eu não me surpreenderia em daqui a pouco estar jantando sentada no colo de Scorpius.
Antes que eu criasse voz para responder a pergunta de Draco, Scorpius se virou para a família da madrasta na mesa e perguntou:
– Querem saber também por que eu me apaixonei por Rose?
Ele não deixou ninguém responder e contou:
– Ela não liga para os que os outros pensam, ela não liga para o fato de eu ter sido criado em uma família que consegue tão bem ser desagradável. Não é, pai? Eu gosto quando Rose fala sobre os alunos dela, como se conhecesse cada traço importante nas crianças, e gosto quando ela chega da escola e eu a vejo cansada e mesmo assim ela está disposta a saber como foi o dia de todo mundo. Eu peço a ajuda dela, ela nunca recusa, por mais que não queira fazer. Ela... Olha, esquece. – Ele se afastou de mim e se levantou, com o braço enfaixado batendo na taça. O líquido caiu da mesa, mas ele não pediu desculpas nem quando o vidro estraçalhou pelo chão. – Rose, vamos embora.
– Não saiam da mesa sem terminar seus prato – Draco ordenou quando eu levantei um centímetro do meu traseiro na cadeira.
– Essa regra era quando outra família sentava nessa mesa. Vamos logo, Rose, vamos embora.
– Está agindo como um garotinho de seis anos. – Quando Draco se levantou bruscamente também, o silêncio na mesa reinou. – Saia dessa mesa e eu não vou me importar em deserdar você, Scorpius.
– Se me deserdar, ótimo, não me importo. Assim posso finalmente me demitir da porra daquela empresa!
– Aquela empresa era do seu avô, do seu tataravó, e quando eu morrer ela será sua e você deve aprender a administrar-
– Administrar o quê? Corrupção, inflação, roubo, prisão?
– Sua falta de responsabilidade me envergonha.
– Sua cara me envergonha, pai – Scorpius disse com desprezo. – Magoou minha mãe por vinte e cinco anos. E continua sem se importar.
– Você não entende nada.
– Então me explica, porra!
– Você nunca vai entender! – retrucou Draco Malfoy. – Você é um moleque. Mau educado e com o pior gosto para escolher uma companhia-
– Não fale mais nada para ela – gritou Scorpius apontando o dedo para ele. – Não- Não fale da Rose, senão eu juro que-
– Scorpius – eu tentei interferir, mas minha voz estava bem baixinha. Scorpius ainda não tinha terminado:
– Ela viveu mais tempo comigo do que você fez. Do que você foi capaz de fazer. Então...
Dessa vez ele terminou, mas deixou a fala incompleta porque estava tão vermelho de raiva que agarrou o meu pulso com sua mão boa e me levou para fora da grande Mansão. Scorpius só abandonou minha mão quando atravessamos o jardim e ele entrou no banco passageiro do carro, uma vez que não podia dirigir com o braço quebrado.
Não falamos nada o caminho de volta. Scorpius ainda estava expelindo fumaça pela cabeça, mas parecia ter se acalmado mais porque sua voz estava baixa e rouca quando perguntou:
– Entendeu agora porque nunca te convidei para passar as férias ali?
Foi uma pergunta retórica, de modo que não respondi. Olhei para a estrada a minha frente sentindo o vento enlaçar meus cabelos. E a minha barriga roncar. Ainda estávamos com fome então Scorpius disse:
– Quer ir a uma lanchonete?
– Vamos pra minha casa – eu disse. – Pedimos uma pizza. Comida de gente pobre mesmo, o que acha?
Ele sorriu e fez aquilo de novo. Roçou o dedo indicador no meu maxilar, de modo tão ingênuo e distraído que me fez estremecer. Mordi meu lábio inferior concentrada na estrada. Mas pensando se as coisas que ele gostava em mim eram verdadeiras ou só as disse para irritar o pai mesmo.
Ficamos na sacada do meu apartamento durante o tempo em que comíamos uma pizza inteira, gordurosa e deliciosa. Praticamente nos entupimos sozinhos. Não conversamos muito dessa vez. Depois ficamos na sala assistindo a um show ao vivo na televisão da banda preferida dele, estufados demais pelas repetidas pizzas e as cervejas.
– Ah eu amo pizza – falei quase sem conseguir respirar. Eu tinha até tirado o meu vestido, em meu quarto, para colocar um pijama confortável com o cós dos shorts curto bem elástico e uma blusa folgada e cavada.
Scorpius se ajeitou ao meu lado – ele estava totalmente sem a postura educada de um mero visitante, porque tinha os pés em cima da mesa de centro enquanto terminava a última garrafa de cerveja. Ainda ficamos assistindo ao show, mas percebi que os dedos dele estavam inquietos em sua coxa. Ele ainda devia estar tenso por causa da briga com o pai.
Eu não queria ficar falando daquele assunto então eu só perguntei:
– Eu fiz uma sobremesa, quer experimentar?
– Seus brigadeiros são horrorosos, Rose.
– Esse não está, eu juro! – eu falei depressa, levantando-me e indo para a cozinha. Scorpius me observou.
– Tudo bem, se já comer demais a pizza inteira não for o suficiente por essa noite.
Enquanto ele dizia essa última frase eu carregava a tigela da sobremesa até a sala. Olhei feio para ele enquanto nos sentávamos no chão, entregando-lhe uma colher.
– Então essa é a sua maneira sutil de dizer que estou gorda – comentei.
– Você não é gorda – ele disse com sinceridade. – Só disse que você gosta de comer porcarias.
– Todo mundo gosta de porcarias.
Ele deu uma risada e experimentou a primeira colherada. Fiquei na expectativa. Ele fingiu que ia vomitar. Eu dei um tapa nele, esquecendo totalmente que ele havia quebrado o braço semana passada. Scorpius urrou de dor e eu larguei a minha colher e tentei fazer alguma coisa que não fosse piorar a situação quando me ajoelhei a sua frente.
– Desculpe, desculpe, desculpe – falei meio desesperada e com medo de encostar nele, mas... da forma mais gentil possível eu apoiei minha mão em seu ombro. – Eu... é hábito, costume, você é idiota e eu preciso bater em você e... desculpe. Você tá bem? Scorpius, fale comigo, foi sem querer, eu não vou mais fazer de novo, desculpe. Desculpe.
Ele estava com o dedo indicador e polegar no osso do nariz, como se estivesse sofrendo a terrível dor. Depois, quando ele olhou para mim, sorriu aquele sorriso que mostrava seus dentes e moveu o braço perfeitamente:
– Eu nem sei por que ainda uso essa bosta. Olha a sua cara, parecia que você tinha me dado um tiro!
Dessa vez eu dei um tapa bem forte, só que, por precaução, no outro braço. Ele começou a rir sem parar enquanto eu o xingava por zombar da minha preocupação. Depois ele conseguiu me parar antes que eu desse outro tapa.
– Espera, espera aí – ele observou segurando meu pulso. – Seus tapas não são fracos, Rose.
– Você me irrita.
– Você é irritável! – ele disse. E ficou em alerta para certificar de que eu não avançasse nele outra vez.
Mas nós voltamos a comer o brigadeiro. Scorpius devia ter gostado demais – ele nunca admitiria – porque repetiu várias colheradas. No final da tigela, havia sobrado só mais uma colherada. Nós dois nos entreolhamos para ver quem ficava com o lisonjeio de terminá-lo.
– Pedra, papel, tesoura? – ele sugeriu.
– Não tão fácil – falei. – Beleza, a gente faz um jogo. Quem ganhar, fica com a última colherada.
– Justo. Você sabe que eu odeio repartir.
– Exatamente. Eu também. Calma aí – eu me levantei depressa e procurei no meu quarto algum jogo que fosse rápido e eu soubesse jogar melhor do que Scorpius.
Voltei para a sala segurando a caixa do jogo, mas a tigela de brigadeiro já estava vazia.
– Merda, Scorpius! – eu apontei zangada largando o jogo em cima da mesa da cozinha. Ele estava com a colher na boca e a tirou bem na minha cara, descarado e arrogante. – Confiei em você! Eu vou te bater.
Era como se ele quisesse isso.
Que eu me aproximasse. Então falou:
– Pode vir.
Eu fui, mas ele fez outra coisa.
Ele segurou meu rosto com força, sem pensar duas vezes.
E então.
O gosto dele era de chocolate. Doce. Amargo. Suave.
Eu pensei que estaria preparada para quando ele resolvesse me beijar de novo, mas me enganei. Dessa vez, no entanto, quando senti sua boca na minha e as línguas se entrelaçaram, minhas mãos souberam imediatamente o que fazer e foram parar ao redor do seu pescoço, passando a mão em seu cabelo macio e liso.
Ele agarrou minha nuca como da vez que me beijou em sua casa e me apertou contra a parede da cozinha.
Eu não reclamei mais.
Ele me afastou da cozinha e fomos andando aos beijos até a sala. Estávamos respirando fortemente e mal parávamos para tomar fôlego. Quando paramos, não foi para acabar, mas talvez para começar tudo aquilo.
Tirou a gravata conforme meus dedos deslizavam para desabotoar a sua blusa. Não a tirei a princípio. Com a palma de uma mão, senti a textura da sua pele, do seu peito, do seu abdômen, de como ele era quente. Então o fiz sentar no sofá, sabendo que ele gostava assim, que ele tinha que gostar assim.
Eu o ajudei a tirar a blusa, sem machucar o outro braço enfaixado. Minhas pernas estavam uma de cada lado de seu quadril, meu peso em seu colo. Minha boca moveu com a dele quando voltamos a nos beijar, mas depois ele desceu a língua para o meu pescoço. Eu estremeci e senti que estávamos reagindo aqueles toques.
Quando Scorpius percebeu isso, ele disse ofegando:
– É melhor a gente parar, Rose...
– Uhum – eu murmurei, recebendo os beijos em meus ombros. Eu não acredito que isso está acontecendo, pensei quando afirmei com a cabeça, mas não fiz nada para sair dali. Nem ele. Eu não acredito que não quero sair daqui agora.
Eu temia isso.
Mas não fugia.
A mão dele abandonou meus cabelos e desceu até a minha barriga, dentro da minha blusa. A mão dele era tão quente quanto ele em si, e eu me arrepiei mesmo. Afastei-me dos lábios dele só para tirar minha blusa com um movimento rápido. Eu a joguei atrás do sofá e, ciente de que estava só de sutiã no colo de Scorpius, nenhum de nós fez alguma coisa para o outro parar. Voltei a segurar o rosto dele, puxando-o para os meus lábios.
Scorpius não se afastou, mas disse contra eles:
– Se eu não parar agora... eu não vou parar cedo. Definitivamente não devíamos estar fazendo isso, Rosie...
Estávamos nos agarrando em meu sofá. Desejei intimamente que ele nunca tivesse feito nada com Stephanie ali. Enquanto eu abria o zíper de sua calça, eu sussurrei:
– Não mesmo.
A mão dele, então, apoiou-se em minhas costas. Ele deslizou seus dedos longos até o fecho do meu sutiã, embaixo dos meus cachos. Sua respiração se misturava com a minha. Seus lábios estavam vermelhos e entreabertos. Um movimento apenas, e ele tiraria meu sutiã ali mesmo.
Mas ele hesitou e julguei que Scorpius jamais tivesse hesitado antes com alguma mulher.
Eu não gostei que ele estivesse hesitando comigo.
– Essa é a melhor razão para continuarmos – eu me ouvi dizendo.
– Então isso é só... sexo?
– Apenas sexo – avisei. – Estamos solteiros, isso não é errado.
– Nem estranho – ele percebeu. Eu podia senti-lo entre minhas pernas, numa reação deliciosa e que seria de tremenda maldade fazê-lo dar um jeito nisso sozinho.
– É estranho o fato de que não parece estranho.
– Não somos estranhos.
– Então só vamos prestar atenção na música – eu sussurrei, enterrando meus dedos em seu cabelo. E dizer isso foi o ponto para Scorpius deslizar a mão para dentro do meu short.
Foi rápido e meu gemido foi um ofego e um suspiro ao mesmo tempo. Enquanto ele ocupava dois dedos em um roçar suave contra minha excitação por cima da calcinha, eu puxei um pedaço do seu cabelo com força. Mas só quando os dedos invadiram a calcinha e tive um contato imediato com seus dedos na parte mais sensível do meu corpo, eu estrangulei um gemido "Scorpius" que o prédio inteiro devia ter escutado. O segundo dedo dele ficou com a experiência de detectar a minha umidade e eu sabia que então havia me perdido completamente, quando ele o introduziu ali, quente.
Agora era tarde demais para voltar.
Eu não queria parar.
– Você tem camisinha? – perguntei ofegante, desconexa, meu quadril movendo na sintonia de seus dedos maravilhosamente habilidosos. Quando perguntei da camisinha, ele afastou os dedos e afastou a calça do quadril revelando o que era parte da ereção dele por mim, e uma cueca preta que ficava incrivelmente sensual nele. A camisinha estava dentro da sua carteira, o que agradeci muito quando me mostrou tirando de lá. Eu não iria suportar acabar na metade se ele não tivesse nenhuma.
Mas ele tinha e nós dois sorrimos um para o outro, como dois adolescentes que estavam tendo uma noite cheia de descobertas e travessuras.A letra da música que soava pelo apartamento naquele instante não era da nossa vida, mas o clima com ela estava nos deixando terrivelmente excitados.
I know I don't know you
But I want you so bad.
Eu havia me exposto completamente, tirando o sutiã. Ele paralisado com a visão e mordeu o lábio inferior antes de abocanhar um mamilo para si, duro, apertado, sensível. Depois sorriu quando seus dedos apertaram o elástico da minha calcinha e a desceram para fora de minhas pernas, calmamente.
– Céus, Rose, você...
– O quê? – olhei para o lustre da minha sala, preocupada. Eu também não ia suportar se Scorpius desistisse ou se decepcionasse com alguma visão de meu corpo e... – Que foi, Scorpius? Ainda quer parar?
– Não é que eu não queira... eu só acho impossível sair daqui agora.
Scorpius deitou em cima de mim, minhas pernas entrelaçaram a sua cintura. Ele estava com a cueca ainda, o que me deixou irritada, então tive que arrancá-la dali. Eu parei de beijá-lo porque, sinceramente, não era só porque nos conhecíamos há tanto tempo que eu já o vi exposto assim. Eu precisava dar uma checada, ter alguma certeza de que ele não se gabou a toa pela sua sensualidade inteira.
É. Acho que não.
Eu mordi os lábios ao prender a respiração. Não me contive e meus dedos envolveram seu tamanho, sua textura, deixando-o bem atento ao meu toque e cada vez mais endurecido... Ele tirou a camisinha do pacote e depois a vestiu. Voltou a deitar sobre mim com o calor do seu corpo magro, enquanto me beijava de forma suave e equilibrada, sem aquele exagero e desespero todo que tivemos ali no começo. Eu fechei os olhos de modo antecipado, enfiando minhas unhas na sua pele do ombro. Ele parecia um tanto desajeitado, no começo, por causa do braço quebrado, - e porque o sofá era pequeno, mas não queríamos sair dali para ir até o quarto – depois Scorpius soube dar conta perfeitamente com o resto do corpo.
Lento, devagar, praticamente quase parando, eu quis bater nele com essa enrolação toda. Ele me viu sufocar um gemido e continuou penetrando; se possível, ele endureceu ainda mais à medida que meu sexo engolia seu membro extenso. Me recuso a gritar. Não vou gritar. Mas a dor foi maravilhosamente gostosa e eu decidi não prometer nada a mim mesma.
Scorpius pareceu surpreso também, soltando um ofego um tanto sofrido e aliviado quando chegou até o fundo.
Nos encaixamos perfeitamente.
Nos encaramos.
– Droga – eu gemi, quando vi como estávamos encaixados ali entre nossos quadris. Ele começou a investir de forma suave e relaxada, sem pressa para terminar aquilo. Arrastei meu cabelo para trás, rendida a um gemido forte. – Droga, droga, o que a gente tá fazendo...?
O maldito olhou para mim, ainda se movendo naquela lentidão irritante e deliciosa, quando ergueu o canto dos lábios. Seu cabelo batia em sua testa:
– Ainda quer parar, Rose?
Maldito, maldito, maldito. Ele me fez perder todo o controle.
Dei uma risada lamentosa e resolvi provocá-lo:
– É melhor que isso não dure só dois minutos, Scorpius Malfoy.
Acho que bebemos cerveja demais. Eu nunca falaria isso para nenhum namorado meu.
Ainda bem que tínhamos intimidade demais para não ser estranho.
Aos poucos, fomos pegando o ritmo um do outro, quase ao mesmo ritmo da música. Eu apertei os dedos na almofado atrás da minha cabeça com tanta força que jurei ter furado ela. Ele se inclinava para me beijar e depois afastava ainda mais as minhas pernas entre ele, para poder me invadir completamente, e depois sair, e entrar de novo, e sair. Eu estava me contorcendo embaixo dele, numa tentativa de aumentar a velocidade daquele movimento.
Preste atenção na música.
Sem dar aviso prévio, ele moveu o quadril com rapidez. Depois voltou a diminuir, mas com uma intensidade quase tão melhor, e a me beijar. Nossas línguas se tocaram outra vez, enquanto ele se movia em cima de mim e fazia o sofá sair do lugar. Somente quando Scorpius deu sinal de cansaço e suor escorria por suas têmporas, ele se afastou e voltamos a posição inicial, exceto que ele se deitou no sofá, puxando-me para o seu colo.
Ali, sobre ele, eu me sentia melhor e mais solta para aproveitar. Scorpius estava embaixo de mim e eu sabia que ele estava ainda mais surpreso quanto eu.
Eu estava transando com meu amigo de infância e eu tinha absoluta consciência disso.
Eu pude sentir que havia uma quantidade de dez anos naquele sexo.
Meus olhos estavam cerrados, minhas mãos apoiadas no peito de Scorpius, contraído. Seus dedos apertavam minhas coxas, cerrando os dentes, e eu descia em seu membro mais uma vez. E subia. E descia de novo. Movimentos minuciosos demais, rápidos demais. A gente enlouqueceu de uma vez, só podia ser isso.
Havia o silêncio de nossas respirações aceleradas e gemidos espalhados por ali. De repente eu peguei Scorpius sorrindo, olhando para mim, segurando meu glúteo enquanto manuseava os movimentos da forma como ele gostava. Eu coloquei meu cabelo para o lado enquanto os fios roçavam o rosto dele, fazendo-lhe cócegas.
– Que foi? – não aguentei e perguntei, ofegante. O nariz dele estava batendo na ponta do meu.
– Suas sobrancelhas estão juntas...
Eu percebi que estive com a testa franzida em prazer.
– Você fica incrivelmente sensual quando elas estão assim, sabia?
Não eu não sabia.
Meu quadril rebolou sobre o sexo dele, fazendo Scorpius jogar um pouco a cabeça para trás. Agora eu estava sorrindo também, e me vi gostando muito dessa reação dele, o cara que fazia tantas garotas berrarem estava tendo algum efeito embaixo de mim.
Comecei a beijar seu maxilar. Meus seios faziam atrito com seu peito suado e eu não queria me desfazer deste detalhe quente. Poderia ficar assim a noite inteira, e não cansaria. Mas existia aquela coisa chamada orgasmo e eu não estava muito longe de o atingir. Não dava para parar agora, ia ter que acabar.
– Porra, Rose... Oh, porra, fala em não durar dois minutos... mas está me provocando – ele disse irritado, embora voltasse a sorrir.
Depois ele levantou seu tronco e ficamos sentados, enquanto eu apertava com força seu ombro e ele apoiava os braços para trás do sofá, equilibrando-se para fazer seus próprios movimentos.
Sentiu-se na obrigação de acabar logo com isso de uma vez, empurrando o quadril para cima, nossas peles se chocando, e me fazendo gritar e morder os lábios com força. Precisou de mais algumas estocadas para ele gemer segundos antes de me ouvir prolongar um gemido alto demais também. A intensidade fez com que eu derrubasse o corpo dele de volta para o sofá.
Nós nos encaramos, extasiados. E ofegantes.
Meu peito subia e descia com rapidez. Passei a mão no meu cabelo transpirado e despenteado; Scorpius respirando forte, entre mim e o encosto do sofá, quando caí ao seu lado.
Ele deixou soltar um riso exausto, arfante, incrédulo. Eu olhei para ele ao meu lado com os cabelos molhados, e a cena era tão inacreditavelmente excitante que acompanhei a risada dele. Por algum motivo, estávamos rindo de nós mesmos, da loucura que acabamos de fazer.
Ele até ia dizer alguma coisa, mas...
O telefone começou a tocar bem na hora.
Scorpius e eu nos entreolhamos e eu me debrucei até a mesinha de centro para pegá-lo, mas ainda continuei no sofá, minhas costas contra o seu peito. Ele me mordeu suavemente no ombro enquanto eu me recompunha e via o número.
– É a Alice – eu disse com um suspiro. – Que timing perfeito o dela.
A risada dele ficou quente no meu ouvido, ao dizer brincando:
– É melhor atender. Ela vai achar que você está transando comigo ou algo assim.
E quando ele se levantou para ir ao banheiro, eu atendi. Eu não esperava que ele quisesse ficar para dormir ali e também não ia esperar por outros gestos. A gente se conhecia bem demais para ter alguma formalidade e até mesmo um respeito exagerado entre nós dois. Sabíamos o que o outro gostava e preferia, mas acho que eu nunca me acostumaria com Scorpius andando pelado pelo meu apartamento.
– Rose, querida, oi, interrompi alguma coisa? – Alice disse, mas não esperou resposta. – Eu estava fazendo algumas anotações aqui... – ela fez uma pausa. – Ei, que música é essa? Rose Weasley, você está transando?
– Quê? Alice, estou assistindo-
Como ela desconfiava?
– Ninguém escuta Maroon 5 uma hora dessas se não está transando – ela disse por experiência própria.
– Não é nada disso. – Eu estava procurando minha calcinha e meu sutiã. – Alice, o que você quer?
– Tem certeza que não está ocupada?
– Absoluta, pode dizer.
E ela começou a dizer algo sobre mobiliaria e perguntou números de telefones de lojas e outras coisas sem importância – ela e James queriam um sofá novo. Eu estava colocando shorts e a camiseta do pijama quando Scorpius saiu do banheiro, arrumando a gola da blusa. Na verdade eu não estava prestando atenção em Alice, porque minha cabeça girava por causa das cervejas e da verdade concreta: "eu transei com Scorpius, eu transei com Scorpius, eu transei com Scorpius."
Alice ainda estava tagarelando, animada, sobre como seus pais haviam reagido ao contar do pedido de casamento. E de que já estavam arrumando as coisas para a festa e...
– Tchau, Rose. Eu ligo pra você amanhã – ele disse num cochicho.
Tampando o escuta, deixei Alice falando um pouco sozinha no telefone e cochichei toda brava para ele:
– Não vem com esses papinhos, Scorpius. Esqueceu que eu conheço você?
– É a força de hábito – brincou, mas então me deu um beijo no canto dos meus lábios, quase imperceptível, antes de jogar o terno no ombro, deixando-me calada. Sussurrou: – Mas... a gente ainda pode se surpreender, nunca se sabe. Boa noite, Rosie. – Piscou um olho daquele jeito natural e charmoso dele e estava com o sorriso no rosto quando se afastou da sala e abriu a porta do meu apartamento para ir embora.
Alice ainda estava na linha.
– Rose? Está prestando atenção?
– Não, desculpe – falei abanando a cabeça e enterrando meus dedos no cabelo enquanto olhava para o tapete da sala. Preciso contar a ela, preciso contar... – Não vou conseguir conversar com você agora, posso ligar amanhã de manhã? Posso acompanhá-la para ver os sofás – respondi.
Eu estava sentada em cima de alguma coisa e quando fui verificar, era uma foto dobrado e velha.
Eu a desdobrei.
– Ah, Rose, tudo bem, desculpe atrapalhá-la. Lily contou que você foi jantar com os Malfoy, deve ter sido louco. Eles te trataram bem?
Tentei me lembrar de onde apareceu essa foto e então tive uma súbita idéia de que devia ter caído da carteira de Scorpius quando ele foi tirar a camisinha. Scorpius guardava uma foto na carteira? Isso era...
– É, mas nós não ficamos muito tempo por lá, Scorpius brigou com o pai, como sempre, sabe como é – eu respondi, distraída, lembrando-me do dia em que esta foto foi tirada.
– E a mansão é tão grande como falam? – perguntou Alice curiosa.
Outras coisas também.
– É sim – falei para ela no outro lado da linha
– O que tanto está rindo, Rosie?
Era uma foto minha, dele e de Albus. Eu gargalhava de alguma coisa, Scorpius estava usando óculos escuros e lindo como sempre, e Albus estava perto da foto porque ele havia nos puxado para tirá-la. Isso devia ter irritado Scorpius, porque ele tinha o dedo do meio levantado na direção da câmera e não sorria, muito embora eu tivesse agarrado o pescoço dele para ele não fugir da foto dessa vez, então, é, estávamos meio abraçados ali.
Devia ter sido tirada quando tínhamos dezessete, durante uma viagem que fizemos com o pessoal nas férias, porque o fundo da foto era o mar e as areias da praia. Lembrava de achar que íamos perder contato depois que fossemos a faculdade, mas isso não aconteceu. Ele queria dormir com a amiga da Lily nessa viagem e eu me lembro de ouvi-lo contar os detalhes para Albus na volta. Eu perguntei se ele ligaria para ela quando voltássemos da viagem, mas Scorpius gargalhou e comentou: "Certo, e quem gosta de comer o mesmo prato várias vezes?"
Quando eu tinha quinze anos eu ouvi meu pai discutindo com minha mãe enquanto fazia a barba em frente ao espelho do banheiro: "Rose anda demais com esse Malfoy. Se um dia eu souber que ela transa com aquele moleque eu vou lá na casa dele em pessoa e arranco aquele pinto com esse gilete."
Comecei a rir sozinha com a lembrança, por isso Alice perguntou aquilo.
– Eu- Alice, preciso desligar. Amanhã nos vemos, está bem? Eu passo pra você todos os telefones que precisa. Tchau.
E desliguei, ainda olhando para aquela foto.
O apartamento estava com um cheiro de Scorpius agora, não o seu perfume, mas o cheiro natural dele. Eu transei com Scorpius. Segurando a foto, dormi no sofá, para uma noite sem sonhos. Eu transei com Scorpius. Não foi estranho, não foi por compromisso, apenas...
Mais colorido e confuso do que pintura abstrata agora, pensei antes de adormecer. Mas ainda com dúvidas de que isso poderia voltar a acontecer. Eu conhecia Scorpius Malfoy bem demais para não me iludir com expectativas. Eu não tinha mais dezessete anos e sabia que os meninos não ligavam no dia seguinte.
Música na NC é Secret - Maroon 5. Eu estava ouvindo ela e escrevendo. :)
Talvez você esteja se perguntando: "noooossa, mas eles já transaram?" Pois é, agora que a coisa vai começar MESMO, porque a tensão já estava esparramando e eles não se aguentaram. Ainda haverá descobertas de que não é apenas tensão sexual como a Rose pode estar julgando ser, e as confissões, e as confusões, porque eles vão esconder isso de todo mundo enquanto tentam NÃO REPETIR o ato HAUAHAUHA. Ou será que eles vão deixar os princípios de amizade um pouco de fora agora? Isso fica para os próximos capítulos.
De qualquer forma, tomara quem tenham gostado e que comentem o que acharam! Um beijo a todos, muito obrigada e até o próximo!
