Antes que eu respirasse a informação de que eu estava revendo meu ex-namorado desde o ano passado, Brian deu vários passos em minha direção e não hesitou em me abraçar. Eu não terminei com ele porque eu o odiava, então acabei retribuindo o aperto, mas por trás de seus ombros eu olhei Scorpius se afastando dali para se estabelecer em uma casual conversa com o grupo de amigos de Albus.

Quando nos encaramos, Brian sorriu.

– Hey.

– Hum, oi, Brian.

Droga, por que eu deveria ficar nervosa? Ele não estava mais lindo como antes eu o considerava. Ele tinha cabelos castanhos que batiam até os ombros. Naturalmente, ele sempre usou aqueles óculos que lhe davam feições intelectuais. Ele não estava mais bonito, ele não estava nem mesmo feio. Ele estava... Brian. O mesmo Brian. Isso me despertou para o fato de que não tínhamos mais o que compartilhar juntos. Isso me despertou para o motivo de não amá-lo como antes. As coisas não são as mesmas para mim.

Eu não fiquei nervosa.

Só me afastei dele depressa.

– Eu vou... eu vou parabenizar Alice e James pelo casamento. Fique a vontade.

Alice estava toda chorosa depois de cumprimentar seus tios. Sem escrúpulos, eu peguei o pulso dela e a levei até um canto para perguntar:

– Então, parabéns, Alice, tudo de bom nessa nova vida, mas você podia ter falado alguma coisa sobre ter enviado um dos convites para o meu ex-namorado!

Ela olhou brava para mim, apontando o dedo.

– Você estava junto e eu até perguntei se estava tudo bem pra você! Lembra, naquele dia que passamos a noite toda aprontando a lista de convidados?

Reforcei a minha memória.


Há trinta dias, Oprah anunciou ao mundo que o programa ia acabar. Eu estava com Alice aprontando a lista de convidados, a televisão ligada no fundo da sala. Quando ouvi o que estava acontecendo, eu peguei o controle remoto para aumentar o volume.

"Não! Não podem cancelar!", exclamei estupefata.

"Rose, então, eu estava pensando que talvez eu não devesse ignorar um convite para o Brian, está tudo bem para você?"

"Você ouviu isso? Vão cancelar a Oprah!"

"Sim, tudo bem, querida, mas estamos falando..."

"Como aumenta a porcaria dessa televisão?"

"Eu vou mandar um convite para o Brian, ok?"

Eu tinha conseguido aumentar o volume da televisão e queria que ela parasse de falar.

"Sssssh! Faça o que quiser Alice, o casamento é seu... agora quero entender o que está acontecendo com a Oprah!"


– Você estava distraída demais com o fato de que seu programa favorito de televisão ia ser cancelado – voltou a dizer Alice.

Dei um suspiro.

– Eu tenho que ser madura quanto a isso, não é?

– Sim, Rose. Você e Brian não terminaram de modo drástico e ele não fez nenhuma mal a você, então vocês não precisam se preocupar com a presença um do outro.

– Não, madura em relação ao final do programa da Oprah, quis dizer.

Alice me olhou com vontade de rir e ficar brava ao mesmo tempo. Abanei as mãos.

– Tudo bem! É só um ex-namorado, certo? Ex-namorados não são permitidos de morder.

– Totalmente. Agora não posso continuar falando com você, as pessoas querem dar atenção a mim. Nos vemos n'A Toca depois.

Mais convidados se aproximaram para abraçá-la e então eu tentei encontrar Scorpius em algum lugar, mas meus olhos foram atraídos para a figura de Brian. Oh merda. Ele estava cumprimentando meu pai. Apertando a mão dele.

Não venha falar comigo, eu pedia mentalmente. Não venha falar comigo.

Não era imaturidade, não era ódio, não era rancor. Eu apenas estava me lembrando de como havíamos discutido até entrarmos no consenso de terminarmos a relação, há alguns meses. O rompimento, olhando para ele novamente, parecia mais recente do que nunca. Suspirei, lembrando de como ele não ficou cem por cento a favor do término quando eu sugeri tal ideia.

Caminhei até Lily, sabendo que isso repeliria Brian e o seu olhar que não parava de seguir os meus saltos e o modo como eu mancava devido ao dedo machucado. Quando contei a ela a minha situação, Lily agarrou meus braços, alarmada.

– É melhor irmos para a festa logo – ela disse empolgada.

A ideia foi a melhor que ela teve em anos.

A festa de casamento estava marcada para ocorrer a céu aberto n'A Toca. O jardim e o local eram extensos o suficiente para suprirem a quantidade de convidados e mesas. Aos poucos, quando Lily e eu voltamos para lá, mais pessoas saíam da capela e dirigiam para a festa, loucos por uma dança entre os noivos e os discursos, as brincadeiras, as bagunças e, principalmente, as comidas.

Minha avó fez o bolo de três andares, mas só deixou que ficasse a mostra na maior mesa do jardim, quando Alice e James aparecessem juntos. Teddy montou seus instrumentos e a banda realmente talentosa dele tocava um som ao vivo e agitado pela noite, enquanto assistíamos a linda entrada dos noivos lindos e invejáveis. Alguém começou a jogar confete neles e arroz.

Teddy tocava o violão enquanto um pianista e violinista o seguiam numa música que instigou os recém-casados a se dirigirem até o centro do jardim, onde algumas luzes iluminavam os dois para a dança que iniciaram. Só entre eles, ao som da música favorita de Alice, Something, dessa vez instrumental e melodiosa.

Todo mundo assistia aos dois com certa admiração. Eu me lembrei de como Alice não parou de encher o saco sobre as aulas de dança que ela teve só para não pagar o mico de pisar no pé de James naquele momento. "A primeira dança como casados é a mais especial". Provavelmente meu primo deveria ter se preocupado com o mesmo, porque duas ou três vezes Alice fez uma careta e ele pediu desculpas. Mas acho que estava tão bonito que ninguém tirou sarro ou sequer reparou nos erros.

Aos poucos, eles foram perdendo os espectadores, porque os casais mais velhos se aproximaram para a segunda música, dançando juntinhos, e então quando Teddy e sua banda trocaram para a bateria, guitarra e baixo, ninguém mais ficou parado. Principalmente porque começaram a distribuir as bebidas.

Enquanto eu conversava com Dominique sobre seu novo emprego, alguém segurou meu braço, fazendo com que eu me virasse.

– Rose, podemos conversar? – perguntou Brian.

– Eu vou deixar os dois sozinhos – disse Dominique e então me dei conta de que me esqueci de contar a ela que eu estava solteira.

Com um leve suspiro eu esperei que ele dissesse alguma coisa.

– Em algum lugar mais silencioso?

– Eu gostaria de ficar aqui, Brian, eu...

– Dois minutos.

Acabei cedendo e entrei na casa com ele. Sentamos no sofá até ele começar a dizer:

– Eu confesso que não queria vir aqui hoje. Mas eu não conseguia parar de pensar no fato de que você estaria aqui e eu precisava te ver.

– Brian – eu disse calmamente. – Nós terminamos.

– Eu sei, eu sei, mas... Rose, é impossível você não sentir nenhum pouco alguma falta. De nós... dois? Nenhuma?

– Eu me admiro por você ainda estar fazendo essa pergunta, nós não temos mais nada, Brian, há muito tempo. Antes mesmo de terminarmos. Olha – eu me levantei. – Não vamos ter essa discussão de novo.

Quando virei minhas costas, Brian perguntou:

– É outro cara, não é? Não é exatamente você que se sente assim. Não é exatamente o fato de que nós estamos cansados um do outro.

– Você ainda não entende. Nos últimos anos com você... eu não conseguia mudar a minha vida. Eu era a única e instável Rose Weasley e isso começou a me incomodar muito. Não é sobre outro homem. Nunca vai ser. É sobre mim. Eu estou com vinte e cinco anos, meus dois melhores amigos acabaram de se casar, e eu nunca tive muita certeza se eu realmente te amava. Você não me ama, Brian. Você só não consegue mudar a sua vida. Nem mesmo o seu corte de cabelo.

– Você sempre gostou dele assim.

Eu olhei para ele com certa pena.

– Passou da hora de seguirmos em frente, eu te disse isso. E eu estou seguindo em frente, como falei que eu ia seguir. Não venha atrás de mim, por favor, Brian.

– Eu só queria checar como estava. Mais linda do que nunca – ele elogiou me olhando dos pés a cabeça. – Queria ver se estava infeliz.

– Eu me atrevo a dizer que não me sentia tão feliz em muito tempo.

– Bem – ele apertou os cabelos e tentou manter a calma. – Isso é injusto. Desculpe por ter prendido você por tantos anos. Desculpe pelos anos que eu te fiz muito infeliz, pelo visto.

– Não é nada disso.

– Eu entendo, Rose. Só não é fácil aceitar. Esses meses que ficamos sem nos ver... parece que foi o que precisávamos. O que eu precisava para perceber que ainda penso em você.

Ao ouvir aquilo, eu olhei para nossos pés, pensei alguns instantes e tomei fôlego:

– Certo, eu menti.

Ele fez uma expressão ansiosa.

– Eu menti. Tem outro cara. Há muito tempo. Eu estou apaixonada por ele e não penso mais em você.

Foi duro, eu sei, mas eu não podia deixá-lo insistir ou dizer que ainda pensava em mim. Acrescentei baixinho:

– Não devia ter me procurado de novo.

Rezei para que Brian fosse embora e não recorresse a bebidas para me provocar ou causar alguma confusão. Então naquele momento eu percebi que nós dois havíamos mudado. Brian pareceu aflito ao me ouvir dizer aquilo, mas para a minha surpresa ele só completou:

– Eu sei, foi um erro meu. Desculpe. Dê lembranças a Alice e James. Adeus, Rose.

Se fosse o Brian que eu namorei por três anos, ele não teria aceitado aquilo de forma sóbria. Mas o rompimento havia mudado nós dois. E ele deu as costas para mim, indo embora. Acreditei que aquela seria a última vez que eu fosse vê-lo.

De alguma forma, vê-lo amadurecido me fez lembrar as coisas que tivemos. Nossa primeira vez em uma viagem a praia. Às vezes que trocamos beijos e dissemos a cada um minuto o quanto nos amamos.

Eu estava a caminho de pegar o maior gole de um ponche, quando Scorpius agarrou meus ombros para que eu parasse antes de trombar nele.

– Está com cara de quem terminou pela segunda vez.

Então confessei a ele:

– Brian ainda pensa em mim.

Seus dedos se afastaram dos meus ombros para se enfiarem nos bolsos.

– Não é culpa dele. Você faz as pessoas pensarem.

Lembrei da última conversa que tivemos e seu olhar apagou a sensação de vazio por saber que Brian e eu poderíamos ser estranhos um para o outro daqui mais alguns meses.

Eu só pensei em uma coisa, enquanto Scorpius pegava meu pulso e me levava para o centro da pista de dança, entre os casais dos meus familiares:

Eu não quero que, daqui alguns meses, eu e você viremos estranhos um para o outro, Scorpius. Eu não quero que isso jamais fique estranho.

Minha preocupação foi calada quando ele me trouxe para perto de seu corpo no intuito de me instigar a uma lenta dança. Pensei em estabelecer uma conversa, mas eu estava ocupada demais me lembrando daquela nossa única noite, enquanto tinha os braços dele abraçando-me de modo quente e confortável. Eu estava com as mãos apoiadas em seu peito, olhando para os casais ao meu lado, mas então em um momento a boca dele ficou próxima ao meu ouvido. Esperei ele dizer alguma coisa.

– Você se lembra do que estávamos falando antes de sermos interrompidos pelo seu ex?

Eu levantei o rosto para encará-lo.

– Algo sobre... alguma coisa... não ser o suficiente, talvez?

– Não, algo sobre você querer algum pedaço... de novo, certo?

– Eu acho que a gente não ia conversar mais.

Ele entendeu isso e seu nariz chegou a tocar o meu, eu cheguei a sentir seu hálito fresco de vinho, eu cheguei a pressentir a boca dele na minha. Mas a sorte não estava para o nosso lado. De repente Roxanne pulou em mim, já bêbada, para anunciar, tirando-me dos braços de Scorpius para ficar com os braços ao meu redor:

– DISCURSO DOS PADRINHOS! VAI LÁ, ROSE.

Isso fez todo mundo continuar: "Discurso! Discurso!"

Eu mordi os lábios, sentindo que estava ficando vermelha, mas não fugi. Eu era madrinha daquele casamento e meu dever era dizer algumas palavras. Os amigos de Scorpius começaram a empurrá-lo para o microfone, mas ele se afastou mais rápido do que eu e se safou dessa.

Teddy sorriu para mim quando subi o palanque onde sua banda estava tocando. O pianista ainda tocava algumas leves melodias para acompanhar as minhas palavras, quando pigarreei, ajeitei a saia do meu vestido e deixei o garçom me servir um vinho.

Tomei um gole para ficar mais desinibida e sorri para os meus familiares e amigos, sentindo o líquido descer gelado e ardente pela garganta. Alice e James estavam abraçados a minha frente, curiosos para me ouvirem.

– Bem – a minha voz saiu alta demais no microfone, então assustei um pouco e o segurei. – Bem, eu não posso parabenizar os dois pela escolha sensata dos padrinhos. – Meus tios reclamaram alguma coisa, então eu abanei a mão. – É, eu estou sendo modesta.

Eles riram e isso me deu continuidade.

– Eu me lembro de quando James era o artilheiro do time de futebol, antes de virar um oficial da polícia. Tinha esse campeonato anual e toda a nossa família parava o que estava fazendo para assisti-lo jogando. Naquela final específica contra o time que eles sempre perdiam, Alice estava começando a morar comigo e eu queria levá-la a algum evento especial no fim de semana. O jogo do James era um evento especial para mim desde sempre. Foi lá que eles se conheceram pela primeira vez. Eu apresentei ela a ele. E no meio do jogo."

Enquanto eu contava os detalhes daquele dia em especial, a lembrança voltava a minha cabeça nitidamente. Fora num dia ensolarado. Alice e eu conseguimos um lugar perto do banco reserva do time de James naquele dia. Quando deu intervalo para o segundo tempo, o técnico de James berrava com ele sobre o fato de não passar a bola para ninguém. O time dele estava perdendo. Mais uma vez, quando James está nervoso, ele não consegue prestar atenção em nada ao seu redor, mas mesmo assim eu e nossos amigos berrávamos incentivos para ele.

– ... Só por brincadeira, porque eu sabia o quanto Alice se sentia envergonhada por isso, eu gritei para o James: "Ei, primo, se você empatar a Alice aqui vai para a cama com você hoje mesmo." Bem, a palavra 'cama' sempre teve algum impacto nesse tarado e ele desviou atenção do xingamento de seu técnico só para dar um sorriso para Alice.

As risadas se seguiram mais um pouco. Os dois se olharam, James riu por também se lembrar do dia e deu um beijo na ponta do nariz de Alice, para depois voltarem a ouvir o resto do meu discurso.

– Bem, resumindo: James não empatou o jogo. E demorou muitos meses para eles terem o primeiro beijo. Algumas horas depois para brigarem. Alguns meses depois foi o pedido de namoro. E mais alguns anos foi o de casamento. Quando olho para esse casal, é difícil sentir que o amor entre eles vai durar menos do que o gosto de um chiclete na boca. James sempre falou alto, Alice odeia chamar atenção. James sempre fez besteiras; Alice o amadureceu. Alice sempre foi séria demais; James a deixou mais descontraída, sarcástica e cara de pau, como um Potter deve ser. Os dois não se amam porque foram feitos um para o outro, mas porque eles vivem tentando dar um jeito de se completarem, teimosos e traiçoeiros. – Sorri para eles a minha frente, erguendo a taça de vinho. – Sr. e sra. Potter, vocês mostram todos os dias que o amor não é obra do destino, mas de vocês mesmos. E só vocês farão o que quiser com ele. Devo confessar que é uma responsabilidade imensa, mas uma que faria qualquer um feliz por tê-la essa noite. Aos Potter!

Eles aplaudiram e eu saí rapidamente do palco para deixar a banda voltar a tocar. Muitas pessoas vieram me parabenizar pelo discurso, Alice chorou no meu ombro e James me abraçou muito forte. Eu estava feliz por eles e eu estava feliz por ter feito um discurso que rendeu risadas e choros pela parte da minha avó e minha mãe, por exemplo.

Mas não estava completamente feliz. Ou satisfeita. Eu estava aflita com alguma coisa dentro de mim, e senti se intensificar quando vi Scorpius sentado numa das mesas. Antes que ele dissesse algo sobre meu discurso, pois ele estava com cara de que ia me elogiar, eu o puxei para fora do jardim, em direção ao campinho de futebol. Eu me lembrava de quando Lily trazia um namorado para passar as férias aqui, quando ela tinha quinze, e os dois sempre se escondiam num armário que meu avô guardava caixas e coisas inúteis.

Voltei ter dezessete anos quando eu abri a porta e o empurrei lá dentro. Mesmo que fosse um local apertado, não foi pior para nós dois, porque não queríamos espaço. Espaço era a última coisa que eu queria. Ainda estava com a adrenalina por discursar na frente de um monte de gente, então aproveitei e avancei minha boca contra a dele, antes que alguma coisa nos interrompesse.

Amigo colorido, minha cabeça ecoava. Eu escutava o som da música da festa. Os lábios de Scorpius se moveram sobre os meus e eu os entreabri para receber a sua língua. A minha a roçou leve e urgentemente. Minha mão apoiada em seu peito subiu até seu rosto; ele aumentou a intensidade, sugando meu lábio inferior de um modo leve. Eu não contive um gemido. Mas não passou daquilo; foi só um beijo, um amasso, as respirações aceleradas e as mãos para cima da minha cintura.

Foi mais demorado do que eu esperava e mais rápido do que eu queria.

Ele se afastou de mim primeiro, suas mãos estavam comportadas apenas alguns centímetros acima de meu quadril, paradas em minhas costas. A outra mão afogada em meus cabelos. Ele me encarou. Ele não sorriu. Ninguém interrompeu. Ninguém me ligou.

– Por quanto tempo... você consegue beijar a mesma garota? – eu perguntei surpresa por não saber isso sobre ele.

– Depende de quanto tempo eu esperei para beijá-la.

– Então eu acho que a gente não tem que ter pressa pra sair daqui... certo?

Ele fez que não e voltamos a nos beijar.

É preciso esclarecer algo sobre os beijos de Scorpius. Ele sabia ter a pegada certa para me deixar envolvida naqueles lábios finos e a língua macia, que tocava a minha com gentileza e lentidão, de um jeito muito profundo para se dizer a verdade.

A reação que eu tenho é nada menos do que corresponder com entusiasmo, os braços ao redor do seu pescoço e depois minhas mãos descendo de seus ombros até o peito dele. Scorpius era magro, esguio, e não consegui evitar, naquele momento, roçar meus dedos para dentro da sua blusa branca depois de tirar o paletó e o colete do seu traje a rigor. Eu devo admitir, demonstrei a minha vontade de tirar a roupa dele ali mesmo.

Outra coisa sobre os beijos de Scorpius era que eles me deixavam entusiasmada, a um ponto que confundia meu corpo com desejos realmente ousados e deliciosos e, porra, eu começava a atender porque tanta mulher se perdia com ele.

Scorpius entendeu a minha ousadia, mas ele era ainda mais descaradamente ousado e se achou na permissão de se encostar ainda mais contra mim, aumentando a intensidade do beijo. Ele fez isso me empurrando contra a porta fechada atrás de mim. Seu corpo ficou entre as minhas pernas depois de eu ter enrolado elas ao redor do seu quadril, o meu vestido encurtou. Eu senti muita coisa ali.

Levado pelo momento, ele afastou nossos lábios e desceu suavemente até o meu pescoço. Beliscou a pele com os dentes e depois a chupou de tal maneira que eu soltei um palavrão ofegante e lhe dei um tapa no braço.

– Vai ficar marcado – eu disse sem nenhuma convicção na minha raiva.

Scorpius sorriu para mim, mordendo os próprios lábios.

– É essa a intenção, Rose. Mas, hum, espere – ele pediu quando meus dedos encontraram a fivela de sua cinta ao redor da calça, tentando abri-la. – Rose, eu não...

– Você não...?

– Minhas camisinhas estão dentro da casa.

Eu acho que eu estava tão excitada que falei rapidamente:

– A gente pega elas-

Parecia uma ideia ótima sair assim e voltar para a festa só para pegar uma camisinha, mas Scorpius segurou minha mão quando fui abrir a porta para sairmos.

– Rose, é melhor não.

– O quê?

– É melhor a gente não fazer isso aqui. – ele acrescentou: – Na casa dos seus parentes, com a festa do casamento do James e da Alice rolando lá fora. Acho que não devíamos desrespeitá-los assim.

Eu ergui uma sobrancelha, franzindo a testa.

– Nós mudamos de corpo?

Ele riu e, depois, eu acabei rindo também, um pouco decepcionada por termos parado.

– E então... quando voltarmos para casa amanhã, você e eu teremos uma pizza para encomendarmos, o que acha? – ele perguntou apertando a ponta do indicador na ponta do meu nariz.

– Eu acho que eu nunca fiquei tão ansiosa para comer uma pizza.

– Posso te contar um segredo? – os lábios dele estavam vermelhos e manchados do meu batom. – Eu nunca mais vou ter a mesma visão de pizza que antes eu tinha. E todas as vezes que eu escuto essa palavra eu só me lembro da noite que você estava... – ele estava me provocando com os lábios a centímetros do meu – incrivelmente sexy.

Eu capturei seus lábios de novo com força e urgência. Merda, eu precisava sentir aquilo de novo. Mordi a boca dele, de modo que Scorpius fez um som sofrível com a garganta.

– Rose, eu não vou aguentar manter os meus princípios se me provocar desse jeito...

– Ninguém está pedindo pra se aguentar.

Ele mudou de ideia completamente.

– Eu vou pegar as camisinhas.

– Espere! Você está manchado de batom.

Ele pegou o paletó e limpou os resquícios. Depois eu tirei os grampos de meu cabelo, pois eu precisava deixá-lo solto para esconder caso o chupão de Scorpius ficasse realmente visível. Nós nos ajeitamos para sairmos e foi como se nunca nada fosse mais inocente do que dois grandes amigos sumirem um pouco pela festa e voltarem juntos.

Nada mais normal.

Fingimos que eu ia mostrar o resto da casa para ele, mas quando Lily nos viu ela levantou o polegar e sorriu, antes de voltar a dançar. Subimos as escadas. Esperei Scorpius sair de seu quarto. Ele estava com as mãos no bolso, onde provavelmente guardava os preservativos, e tentava não rir muito de como estávamos sendo adolescentes.

Olhei ao redor antes de me sentir segura para puxar Scorpius até o meu quarto. Eu bati a porta atrás e estava começando a abrir os botões da blusa dele com certa impaciência, quando a voz chorosa de alguém soou em cima de uma das camas.

– Rose?

Eu e Scorpius nos afastamos imediatamente, com o susto de ver Kate por lá.

– Kate? – dissemos em uníssonos. – Scorpius e eu só estávamos...

– Não precisam se explicar para mim. Eu estava de saída.

– O que é isso na sua mão? – eu perguntei assustada. Ela tentou esconder, mas como eu já tinha visto e sabia o que era, Kate apenas passou a mão no rosto e se levantou para sair depressa, chorando.

Scorpius pareceu não ter notado nada, então quando Kate foi embora ele voltou a me beijar, sussurrando um "finalmente a sós", mas eu apertei seu peito e exclamei:

– Você viu aquilo?

– O quê? Kate chorando? Ela deve ter brigado com Albus, isso não é da nossa conta.

Eu me afastei dele, subitamente pensando em Albus.

– Scorpius, ela estava segurando um teste de gravidez.

Ele ficou com a boca entreaberta de susto quando eu disse isso. Afastou-se lentamente de mim, piscando algumas vezes.

– Será que ela...?

– Com o jeito que ela saiu chorando daqui, setenta e cinco por cento é a chance de ter dado positivo.

– Albus vai ser pai?

– Não temos certeza.

Ficamos silenciosos por alguns segundos até que Scorpius anunciou:

– Vou pegar mais camisinha.

Mas eu o impedi.

– Talvez você tenha razão. Não é certo fazermos nada aqui, com tantas coisas acontecendo. E eu disse a Kate que se ela precisasse conversar, eu estaria lá por ela. Então...

Ele bufou, mas não estava chateado. De fato, entendeu o que quis dizer e voltou a ter seus princípios.

– Então eu devia voltar para a festa – ele disse baixinho. – A gente se fala mais tarde?

– Ok.

A gente se encarou um pouco até ele inclinar seu rosto e me dar um rápido beijo nos lábios, leve e sem peso.

– Não conte nada ao Albus.

– Ele vai me matar se souber-

– Não conte nada sobre ter visto Kate chorando ou segurando algum teste de gravidez ou algo assim. E sim, também não conte que você esteve me beijando.

Ele sorriu.

– Vamos esconder isso deles, então? Nosso segredo?

– Lily é a única sabe.

– Naturalmente. Alice? – fiz que não. – James? – não também. – Seus pais?

– Serão os últimos a quem eu vou contar.

– Fico feliz por isso. – Ele me deu outro beijo e voltou a descer as escadas para a festa.

Não foi difícil encontrar Kate. Ela estava trancada no banheiro. Quando perguntei se nós podíamos conversar, ela falou que não, mas mesmo assim abriu a porta para mim.

Sentou na tampa da privada e mostrou o teste de gravidez positivo. A mão dela estava trêmula. Agora isso explicava os constantes distúrbios de seu humor, seu medo por estar ali, a vontade de ficar sozinha e evitar Albus para não contar a ele. Eu sentei na margem da banheira, enquanto ela olhava para o teste, inacreditavelmente positivo, sentada na tampa do vaso sanitário.

Não falamos nada por meia hora.

– Sabe o que é pior? – a voz dela estava fina quando apagou o silêncio. – Eu estou tão preocupada com isso que não quero uma bebida forte. Preciso, mas não quero. Eu estou grávida, Rose... – ela enterrou os dedos nos cabelos. – Eu não sei o que vou fazer, como vou contar ao Albus... nem terminei minha faculdade e nós quase terminamos semana passada.

– Seus pais estão sabendo?

– Meu pai quer matar Albus, por isso relutaram em me deixar viajar com ele, mas eu disse que eu ia contar a ele nessa viagem, mas até agora...

– Você deve dizer ao seu pai que Albus não é vagabundo. Você viu nossa família e como apoiamos os outros. Ele não é um idiota e ele não vai fugir.

– Eu não sei, eu não sei mais de nada. Como posso ter certeza de que tudo vai ficar bem? Entre nós? Albus diz que me ama, mas... e se isso mudar tudo?

– Não sei te dizer o que vai acontecer, mas eu conheço meu primo. Ele percebeu que há algo acontecendo com você, então diga a ele o que está mesmo acontecendo.

– Amanhã – ela engoliu em seco. – Contarei amanhã. Se eu contar hoje, ele pode beber muito e eu não quero estragar a festa da Alice e do James. Mas- mas eu fiquei aliviada por você estar sabendo e...

No mesmo instante, a porta do banheiro se abriu. Era ninguém menos do que o próprio Albus, avisando que Ginny dissera a ele que Kate estava mal e que eles deviam conversar. Assim que ele me viu também, Al transformou a expressão dele para uma bem preocupada e se aproximou de Kate. Ele também viu o teste e as lágrimas e a aura do banheiro.

Ele não era tapado.

Albus sentou-se no chão a frente de Kate, apoiando o queixo em suas coxas e olhar totalmente distraído com a notícia e o medo. Eu achei melhor me levantar, porque percebi que Albus já havia entendido tudo e não conseguia dizer nada. Os dois agora precisavam ficar sozinhos, submerso em silêncio e preocupação. Eu passei a mão no cabelo dele antes de me afastar e, assim que fechei a porta, jurei ter escutado a voz baixinha e rouca de Albus:

Por que não me contou antes?

O resto da noite foi tranquila e animada, apesar das revelações. As danças, as conversas, as bebidas, elas só pararam por volta das quatro da manhã. Antes disso, o bolo foi cortado e distribuído a todos. Albus e Kate me disseram que não iam contar a família até Kate ter absoluta certeza sobre a gravidez, depois de irem a um médico. Mesmo assim, eles ficaram quietos e sentados juntos numa mesa, sem muito contato com as outras pessoas, só com a novidade deles mesmos.

Hugo havia feito amizade com uma das amigas de minha prima Roxanne e isso deixou Lily com os braços cruzados a noite inteira, pelo menos até ela conseguir ficar com um rapaz mais velho, provavelmente um dos colegas de trabalho de James. Meus pais me apresentaram a uma amiga deles que era editora de uma revista nova e que estava interessada em contratar colunistas. Deu-me seu cartão e garanti que ligaria para falarmos melhor sobre o assunto, que não fosse numa festa.

Scorpius e eu não ficamos de novo, mas eu não podia dizer que iríamos esperar mais um mês para que isso se repetisse. Eu queria continuar onde paramos o mais rápido possível, de modo que não reclamei, na manhã seguinte, de voltar para casa na garupa de sua moto e segurar a cintura dele sentindo o vento roçar meu rosto com a velocidade calma que ele nos conduziria.

Arrumamos nossas malas depois do almoço e nos despedimos de nossa família. James fez sua primeira surpresa a Alice, como casados, mostrando a ela os passaportes para os Estados Unidos, onde eles desejavam passar a lua-de-mel durante o mês todo. Então os dois apenas levariam Albus e Kate embora, mas logo sairiam do país. Lily e Hugo iam ficar mais um tempo com meus avôs, de modo que eles me convidaram também, mas eu não podia porque precisava voltar a dar aula. Scorpius não podia se ausentar da empresa. Então, naquela tarde de domingo, mesmo com o sono e o cansaço da noite anterior, nós viajamos de volta para Londres.

– Eu fiquei sabendo que há uma pizzaria nova perto do meu prédio – ele disse dez minutos antes de chegarmos.

– Eles fazem entregas? – então eu perguntei.


O apartamento de Scorpius estava escuro quando ele escancarou a porta. Aos beijos, eu o empurrei para dentro, sentindo-o me prender contra a parede ao lado da porta, depois que ele a trancou. Seus lábios estavam movendo contra os meus, rápido, faminto, maluco e agitado, as duas mãos perfeitamente em uso, apertavam minha cintura.

Ele levantou as palmas das duas mãos, enchendo-as com ambos os meus seios por baixo da minha camiseta. Eu soltei um gemido contra a boca dele, algo como um "huuuum" prolongado, para que ele não parasse. Então minhas pernas envolveram sua cintura. Ele se sentiu tentado a me deslocar para outro canto de seu apartamento, para o seu quarto.

Durante a ida, em seu colo, tirei a minha camiseta, o calor estava me sufocando. Scorpius me deixou cair em sua cama. O colchão era macio, confortável, delicioso, mas eu só me senti mais confortável quando ele ficou de joelhos a minha frente, olhou para mim e fez aquele movimento com os braços para tirar a camisa por cima de sua cabeça.

Não existe coisa mais sexy do que um cara tirando a camisa para você. Não existe coisa mais sexy do que Scorpius tirando uma camisa. Quando ele voltou a me beijar, seu corpo sobre o meu, ele desceu a boca de meus lábios para o meu queixo e depois soprou meu pescoço. Eu gemi. Ele sorriu, prensou os dentes em meu lábio inferior e eu percebi que eu não podia fugir naquele instante. Era impossível.

Ele se afastou e começou a descer a minha calça de minhas pernas, ao mesmo tempo em que eu me concentrava decididamente em abrir a calça dele. Scorpius tinha um volume considerável entre as pernas e com certa leveza eu o apertei ali. Depois um pouco mais forte.

– Rose – ele murmurou fazendo com que eu o encarasse. Ele segurou a minha mão, tirando-a de sua ereção, dizendo baixo e penetrante: – Eu não quero fazer isso apressadamente agora. Deixe-me cuidar de você, como você merece, então não se mova...

Os dedos dele encontraram o elástico da minha calcinha. De forma bastante delicada, eu deixei que ele a tirasse das minhas pernas e jogasse ali perto, em algum canto. Nunca antes tão curiosa para o que ele pretendia fazer comigo, eu observei seus movimentos com os olhos. Passou todo o olhar pelo meu corpo. Eu não me senti envergonhada. De fato, eu parecia feliz por ele estar gostando do que via.

Começou nos meus mamilos. Ele os chupou vagarosamente, alternadamente. Todo o tempo, todo o tempo que ele deixava um rastro de umidade com língua e boca em meu copo, eu acariciava seu cabelo liso, docemente, chamando-o e instigando-o para mais. E, realmente, Scorpius foi descendo, beijando cada traço da minha barriga, alcançando minha virilha e contornando até a minha coxa.

– Faça o que quiser, Scorpius, oh...

Eu devo ter enlouquecido, mas já me acostumei com essa loucura. E quer saber? Não me importei. Eu precisava daquilo de novo, do que Scorpius estava disposto a me proporcionar.

A ponta da língua dele brincou com meu clitóris, calma e suavemente.

– Não pare...

Oh meu Deus. Estamos nas preliminares. Isso me pareceu tão certo e atencioso da parte dele. Eu tirei qualquer pensamento da minha cabeça e fechei os olhos, apertando os ombros dele com força. Investiu a língua de novo, depois fez uma leve sucção, beijando e chupando. Eu me contorci, levando meu quadril para junto da boca dele, puxando seus cabelos, gemendo e certa de que atingiria o orgasmo, pois me concentrei nisso, pedindo para que ele não parasse.

Ele abafou meu escândalo capturando os lábios para si. Eu não sabia por onde começar a mover aquelas minhas mãos pelo seu corpo, eu só precisava começar de algum modo. Eu o deitei ao meu lado, podendo ficar sobre ele enquanto retribuía o prazer que ele me dera, e ainda estava me dando.

Nós nos encaramos há centímetros de distancia um do rosto do outro, depois o beijei levemente. A suavidade de nossas bocas era tanta que eu sentia nossos corações apressados contra nós mesmos. Eu fui tomada por um impulso de fazê-lo gemer, porque a voz dele era linda. Coloquei meu cabelo para o lado e sorri para ele:

– Parece que está procurando incrementar o jantar de hoje.

– Nunca é ruim deixá-lo mais gostoso.

– Tem noção do que estamos fazendo?

– Não... mas tenho noção de que é isso o que eu quero.

Eu desviei o rosto quando ele tentou me beijar, mas antes que reclamasse, foi minha vez de deixar algumas marcas em sua pele branca e seu corpo rígido com o cheiro de homem que me impregnava. Eu desci até as suas calças. Eu apenas a abaixei a com a cueca, revelando sua ereção. Enquanto eu o segurava, Scorpius deixou escapar um suspiro prazeroso antes mesmo de sentir-se dentro de minha boca.

Entorpecida pelo prazer, eu não consegui parar e ele tinha um gosto bom, o suficiente para que eu me perguntasse por que enrolamos tantos anos para chegarmos a isso. Scorpius afastou meus cabelos para trás de meus ombros, gentilmente, apoiado com um braço no colchão, enquanto me observava fazendo aquele tão inusitado, louco e maravilhoso trabalho com minha língua pelo eixo de sua ereção por mim.

Eu não fiquei, infantilmente, pensando: "oh estou chupando meu amigo e blá blá blá". Era mais do que isso. Eu não podia culpar inteiramente o tesão que estávamos sendo submetidos com o calor do quarto. Era simplesmente porque havia coisas que não sabíamos sobre o outro, e isso era novo. Era incrível. E tinha algo a ver com nossas necessidades.

Talvez eu nunca tivesse feito isso com tanta dedicação, carinho, preocupação com o meu rendimento. Ele já deve ter tido vezes melhores com outras mulheres. Mas eu não conseguia me afetar com isso, e podia sentir pelos espasmos de Scorpius e os baixos e roucos gemidos ali saindo de sua garganta, que ele estava gostando. Eu estava quente, pegando fogo, chupando-o da forma mais atenciosa que Scorpius merecia, ou talvez não merecesse, na verdade.

– Ooooh Rose... assim, isso. – Aos poucos ele foi movendo o quadril com o ritmo da chupada. Eu então me afastei, prolongando um beijo na glande, e olhei para ele. Scorpius estava transpirando e isso me fez sorrir por dentro. Ele parecia surpreso, mas ainda duro. – Tem certeza... tem certeza que só transou com dois caras na sua vida?

– Mas não duas vezes – eu respondi, fazendo-o rir e arquejar, pegando meu rosto com as duas mãos para me beijar. Nós invertemos a posição e ele ficou de joelhos a minha frente, segurando minhas pernas de cada lado de seu corpo. Soltou-as para pegar a camisinha e vesti-la. Eu o olhei enquanto isso, o modo como seus cabelos caíam em sua testa úmida de suor. Então se direcionou até a minha entrada dolorida de tão molhada. Nós dois gememos juntos com o contato.

O corpo dele não era mais desconhecido.

De fato, eu reagi a isso como se estivesse lhe dando boas vindas novamente. Deslizou fácil e lentamente dentro de mim, até ter necessidade de aumentar as investidas e desabar com o corpo sobre o meu, ainda sem parar de se mover. O bom era que, para ele, nós estávamos apenas começando. Ele não tinha somente uma camisinha de reserva na carteira, de modo que, mesmo o feito gozar durante a cavalgada, ele mostrou para mim que tinha disposição para não parar tão cedo. Decidiu colocar-me de joelhos no colchão, abaixando meu tronco com a palma da mão, deslizando a outra pela minha coxa. A posição em que me colocou o despertou para mais uma rodada. E eu percebi o motivo de ouvir os gritos de sua ex-namorada no quarto ao lado do meu, porque, atrás de mim, Scorpius parecia saber exatamente o que fazer. E ele sabia me fazer gemer como eu nunca gemi antes.

Não por ele, mas por mim. Não era como se ele tivesse atenção a inevitável vontade de gozar outra vez, mas de me fazer sentir o prazer também. E eu estava tendo, muito. Talvez um prazer que eu nunca senti a minha vida inteira. Ele sabia como cuidar de uma mulher, ele já parecia ter estudado todos os meus pontos fracos. Ele sabia quando eu precisava que ele fosse mais rápido, ou que diminuísse os movimentos, que usasse a boca para me beijar, então seu peito encostava-se contra as minhas costas. Ele me beijou nos ombros e depois no pescoço, saindo e entrando em mim, cobrindo minhas nádegas com o aperto de suas mãos firmes e longas.

Aos poucos ele foi parando, desabando comigo no colchão. Colocou os braços de cada lado do meu corpo para não colocar todo o peso em mim. Passei os dedos pelo seu rosto quando o encostou à curva de meu pescoço. Eu dei um suspiro, um arquejo, um ofego, um pouco sofrível.

– O que foi, Rose? – ele notou minha inércia.

– Estou pensando em quantas já estiveram assim com você.

– Ei – ele disse suavemente, virando meu corpo para que nós nos encarássemos. Enrolei minhas pernas em seu quadril. Ele pareceu se confortar quando me penetrou de novo, mas ficou ali parado para me dizer, olhando-me nos olhos: – O que quer que esteja acontecendo entre... entre a gente agora... eu nunca vou fazer nada para te machucar ou agir como se você fosse qualquer uma... muito menos aqui, muito menos depois disso.

– Por que demorou tanto? – perguntei mais para mim mesma do que para ele, roçando a ponta do meu indicador no seu maxilar. – Por que nunca fizemos isso antes, por que só tivemos essa loucura agora?

– Você amava outro cara.

– E você amava as mulheres.

– Eu acho que... eu não estava preparado pra você.

– Como assim?

– Você é muito, Rose.

Eu dei um sorrisinho confuso.

– Sou muito o quê, Scorpius?

– Muito para alguém como eu. Sempre foi. É difícil explicar... eu não sei. Eu nunca sei.

– Vamos fazer um acordo – eu envolvi meus braços ao redor do seu pescoço. Ele beijou meu pescoço, querendo ouvir. – Não vamos tentar explicar nada. O que está acontecendo ou que nós sentimos. Vamos só... deixar acontecer, certo? Ver até onde isso vai chegar. Não posso ignorar o fato de que nossa relação subiu para um nível mais colorido, mas se isso ultrapassar um limite... eu não vejo minha vida sem você. Não no sentido romântico da palavra, mas é só um fato.

Scorpius deu um mínimo sorriso. Nossos corpos voltaram a se mover até ele me levar ao limite, gozando comigo.

Ele caiu ao meu lado, totalmente exausto, respirando fortemente. Eu olhei para ele e ele olhou para mim. E aquelas palavras sussurradas teve o mesmo baque do orgasmo que ele me instigou a ter naquela noite.

– Fique aqui hoje.

– Tipo, dormir?

– É, não tem o que fazer agora, não é? Albus provavelmente só está pensando no fato de que ele pode ser pai. James e Alice foram viajar. Só sobrou a gente aqui...

Eu ia relutar porque deveria voltar para a casa e preparar as aulas de amanhã, mas quando observou a minha hesitação, ele tentou reverter a situação, fingindo não se importar:

– Claro que é só uma sugestão.

– Não – eu disse rápido. – Só acho que, se eu ficar, é melhor a gente realmente encomendar uma pizza. Estou morrendo de fome.

– De verdade? – ele ergueu uma sobrancelha.

Eu sorri, levantando-me para tomar banho em seu banheiro.

– De verdade.


Mais um capítulo pronto, com uma NC nova e mais aventureira, casamento, uma notícia reveladora para Albus. Scorpius e Rose se decidiram... agora é ver até onde isso realmente vai levá-los. Por favor, comentem! Só... uma notinha? :X

Até o próximo!
Pokie