Capítulo 10

"Um segundo a mais
é o sim
é o começo das surpresas
combinadas e reservadas por você"

(Um segundo a mais - Kid Abelha)

– Nunca vou me acostumar a isso – decidi, apontando meu copo de suco para o casal perto da porta do banheiro no Três Vassouras. Não deixei de fazer uma careta. – Meu irmãozinho está crescendo. Devorando a cara de uma garota em público, mas está crescendo.

– Se ele vier com ela até aqui – disse Lily, fervendo de ciúmes internamente – não temos lugar sobrando. – E empurrou a cadeira vazia para outra mesa.

– Para alguém que disse que estava bem sendo apenas amiga do meu irmão, você está morrendo de ciúmes – eu disse com um sorrisinho. – Isso é tão anti-Lily.

Minha prima apertou os lábios e franziu a testa na minha direção, como faz quando está me repreendendo por alguma coisa. Então eu lembrei que Scorpius estava ali na mesa e escutava tudo. Ela reparou que Scorpius não ficou surpreso quando insinuei que ela tinha sentimentos por Hugo.

– Então vocês dois andam compartilhando segredos dos outros também quando estão brincando de pega-pega, como todos os amigos costumam fazer nos dias de hoje? – ela retrucou, mas não parecia tão brava assim.

– Rose deixou escapar essa informação uma vez – confessou Scorpius. – Um segredo pelo outro. Justo, não?

– Vocês não são primos.

– Ainda bem – dissemos em uníssono e nos encaramos.

– Vocês nem mesmo são nojentos de se imaginar juntos – ela nos observou. Scorpius estava ao meu lado, e Lily a nossa frente da mesa. Eu senti como se ela estivesse nos elogiando. – Por que estão escondendo isso do resto do grupo?

Mordi os lábios quando nós dois nos entreolhamos. Ele se ajeitou no assento e cutucou o copo de whisky.

– É só... – eu comecei.

– Sexo – ele completou.

– É, só isso.

– Nada mais.

– Nossos pais se odeiam.

– Imagina o que James iria dizer.

– E – eu levantei um dedo para enfatizar: – é só sexo. Você entende isso, Lils.

Scorpius não continuou dando suporte a esse detalhe, ficando só calado.

– Bem, mesmo se não fosse só isso... – eu continuei de um modo hesitante e suspirando. – Alice e James estão viajando em lua de mel. Kate e Albus estão preocupados com o rumo que a vida deles está tomando por causa da gravidez. Eles têm coisas mais importantes para darem atenção a isso agora.

Depois disso, Lily virou os olhos lentamente para Scorpius esperando que ele confirmasse o que eu disse ou desse razão para essa nossa escolha de continuar escondendo o fato de que estávamos dormindo juntos.

Ele não confirmou. Então Lily bateu os dedos na madeira da mesa percebendo o clima confuso.

– Hugo está pegando aquela garota faz trinta minutos. Eu vou lá no banheiro, sabe, vomitar.

Quando Lily saiu da mesa, deixando Scorpius e a mim sozinhos, eu passei a mão no meu rosto enquanto apoiava o cotovelo na mesa. Minhas pernas estavam inquietas, porque eu sabia que Scorpius estava olhando para mim e não parecia satisfeito. O jeito como ele ficou calado não era satisfação. Era... desapontamento.

Ele não escondeu isso.

– Então não é nada demais para você o que estamos fazendo.

– Não quis dizer isso.

– Não sei, Rose Weasley – ele jogou um braço para trás da minha cadeira e ficou mais perto. – Às vezes você é estranha com as palavras. Eu nunca te entendo.

– Bem, então ainda bem que a natureza inventou o sexo.

– Nesse caso – a voz dele estava baixinha quando nos olhamos – isso está me deixando cada vez mais confuso, e não me fazendo entender nada. O que estamosrealmente fazendo, Rose?

– Biologia pode explicar isso.

– Rose – ele me encarou sério dessa vez, sem rir do meu sarcasmo. Talvez ele estivesse mesmo procurando alguma resposta. – Por que tenta ignorar isso quando estamos em público?

Eu sempre desconfiei que eu morderia minha própria língua algum dia, sobre todas as coisas que eu julguei antes de experimentá-las.

Sempre "condenei" Lily pelo estilo de vida que ela tinha, experimentando diferentes caras todas as noites de um final de semana. Não que eu estivesse me aderindo aesse estilo de vida, mas... durante toda a minha vida, eu sempre julguei que o amor fosse prioridade sobre qualquer outra coisa, especialmente sobre sexo.

Mas agora tenho mudado um pouco essa minha opinião, pelo menos depois de ter acabado um namoro de três anos... Desilusões começaram. Sexo não é sobre amor, nem mesmo sobre qualquer ato romântico. Tudo isso tinha a ver com uma longa espera de dez anos, ou mais. Uma longa espera na qual você se prepara durante muito tempo para chegar até esse momento, quando não há nada melhor do que experimentar o ato mais natural entre os seres humanos com o seu melhor amigo.

Várias vezes.

Ele sabe tudo sobre você, quer ficar com você mesmo conhecendo todos os seus defeitos, e não faz questão de se importar com alguns xingamentos ali e aqui, ou ter alguma cerimônia ou vergonha quando um de nós quer reclamar de alguma coisa em relação ao desempenho do outro na cama.

Mas talvez essa estivesse sendo a fase mais divertida da nossa amizade – ou qualquer coisa que estava acontecendo entre a gente.

Aquela estava sendo uma fase muito boa.

Boa até demais.

Mas... se era uma fase, nós julgávamos que ela acabaria em algum momento. E pensar em acabar com isso, quando eu tinha o tamanho de Scorpius dentro de mim, deslizando suavemente em mim, com suor na testa e arquejo na respiração perto do meu ouvido, era ultrajante. Havia momentos que pensar em acabar com isso me frustrava.

Por que eu estava ignorando aquilo perto das pessoas?

Eu respondi a Scorpius sinceramente:

– Porque eu tenho uma preocupação de não conseguir me controlar quando estoupensando nisso. Em nós dois.

– Como assim? Quer dizer que...

– Eu penso toda hora. Em voltar para casa e esperar você me fazer sentir bem. Todos os dias e, agora, noites. Desde aquela noite, depois que você me defendeu contra seu pai. A princípio eu não soube se era só parte do plano para fazê-lo acreditar que estávamos mesmo... apaixonados ou algo assim. Mas...

Desviei o olhar, meio que me condenando por ter falado tudo isso tão depressa e confusa. Minhas pernas ainda estavam inquietas, e eu estava nervosa por um motivo idiota. Medo de que ele se assustasse com essa insinuação.

Os dedos dele deslizaram pela minha coxa, fazendo minha perna ficar imóvel. Gentileza era o toque dele. Gentileza e tranquilidade.

– Ei, não foi difícil dizer aquelas coisas – ele sorriu.

– Você sempre foi um ótimo mentiroso – ergui uma sobrancelha.

– Não foi por isso... Eu penso tudo aquilo sobre você desde o dia em que nos conhecemos.

Eu o beijei ali, sem me importar que o bar estivesse lotado de pessoas e que Hugo pudesse ver e contar aos meus pais ou ao Albus. Não éramos mais crianças, nem adolescentes. Nós cuidávamos de nossas próprias vidas. Scorpius ficou surpreso, mas não demorou e correspondeu. A boca dele sobre a minha e nossas línguas se tocando eram capazes de desligar o meu mundo contra todo o resto. Apenas o silêncio e o beijo. Nem mesmo a música eu escutava. Talvez só a batida do meu coração.

Nós nos separamos ofegantes. Eu desloquei meus lábios do dele lentamente. Eu ia dizer alguma coisa, mas Lily tinha voltado.

Ele parecia estar tendo uma noite péssima. Hugo ficou com a garçonete a noite inteira. Lily não tinha Albus para encher o saco, porque ele viajara para a casa dos pais de Kate para conversarem sobre o futuro deles agora que Kate engravidou. James ligava de vez em quando para contar sobre a temperatura da água do mar de Miami.

Scorpius e Rose dormindo juntos.

Lily nunca segurou vela antes.

– Oh, céus, eu preciso de um cara na minha cama – ela estava quase chorando de exasperação.

Foi embora provavelmente para alguma balada.

– Bem... – Scorpius voltou a olhar para mim quando ficamos sozinhos outra vez. – Estamos ou não em um encontro agora?

– Eu acredito que não – falei rindo.

– Por que não?

– Porque encontros são para casais que querem se conhecer. Saímos juntos todas as noites, Scorpius. Você não me surpreende em mais nada.

– Está me desafiando, Weasley? Eu tenho certeza que posso te surpreender.

Antes que eu tivesse a chance de responder, ele pegou meu braço e me fez levantar da mesa. Depois de colocar o jantar por sua conta, com pressa, nos levou lá fora. A rua estava um pouco vazia e escura, a calçada por onde caminhamos tinha resquícios da chuva de hoje de tarde. Scorpius colocou as mãos no bolso enquanto eu o seguia até o seu carro.

– Para onde vamos? – eu perguntei quando coloquei o cinto lá dentro.

Scorpius sorriu de lado, ligando o carro.

– Surpresa.

Eu deixei que ele me surpreendesse com sua maneira. Dez minutos depois estávamos pegando uma estrada. Música tocava no rádio e eu comecei a cantar baixinho até que parei para conversar.

– Lembra a primeira vez que fomos à praia juntos? – perguntei. – Você, James, Albus, Alice... bons tempos, não acha?

– Eu prefiro agora.

– Naquela viagem... foi a primeira vez que eu transei com Brian. Ou com qualquer outro cara.

– Obrigado pela informação – ele me deu um sorriso amarelo.

– Isso é ciúme na sua voz? – olhei para o perfil do seu rosto. Quando ele dirigia, Scorpius tinha a testa franzida, concentrado na estrada a sua frente. Era fofinho.

– Vai desejando – ele retrucou, mas isso só me fez rir, porque pensar em Scorpius com ciúmes me deixou satisfeita.

Aos poucos a velocidade do carro foi diminuindo até estacionar. Ficamos um tempinho calados até Scorpius desligar o carro. Ele não saiu, não se mexeu. Só olhou para a frente. Eu franzi a testa.

– Qual era a surpresa? Sequestro?

O rádio ainda estava ligado.

– Isso – ele respondeu.

– Ok – eu disse lentamente, tentando entender porque ele tinha nos levado até uma estrada vazia e estacionado o carro em um morro no qual tínhamos a vista de Londres inteira no alcance de nossos olhos.

Então Scorpius começou a explicar:

– É engraçado, não é? Nós passamos nossa vida inteira aqui, nessa cidade. Sabe a sensação de olhar para essa paisagem e achar que ela é ordinário, tão normal quanto todas as outras, porque a vemos todos os dias? Mas então... quando você realmente para para observá-la... começa a perceber coisas que deixou escapar algumas vezes. Detalhes, entende? E a partir desse detalhe... a gente começa a enxergar a cidade de outra forma. Acho que isso às vezes acontece entre as pessoas.

Eu estava compreendendo tudo o que ele dizia.

– Ela é linda. Londres – eu cochichei. – Tem razão, Scorpius. Não importa quanto tempo a conhecemos, nunca vamos conhecer o suficiente.

Ele sorriu e se ajeitou no banco só olhando para mim.

– Diga uma coisa que você nunca fez, Rose – ele pediu. Quando nos encaramos, ele ergueu o braço e afastou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

Pensei por um instante, mordendo o lábio inferior. Com um suspiro, imaginei que talvez os pensamentos de Scorpius estivessem conectados aos meus.

Ao em vez de me deixar responder, ele ficou mais perto de mim, segurou meu rosto e eu culpei a música romântica que estava tocando por empurrar a boca dele até a minha, instigando-me a um beijo.

Amigo colorido, minha cabeça ecoava. Os lábios de Scorpius se moveram sobre os meus, quando percebeu que eu não ia impedi-lo, e sua língua acariciou a minha. Acho que eu nunca ia me cansar disso, porque era bom demais.

As pontas dos meus dedos roçaram seu rosto. Ele tinha deixado um pouco a barba loira por fazer, o que me pareceu um detalhe genuinamente sensual. Eu sorri quando a boca dele se afastou da minha e desceu até meus ombros. Enquanto isso, ocupei minha mão em descer até o cós da sua calça jeans. Não demorei e ousei ainda mais, apertando-o mais abaixo por cima do tecido. Estava duro.

Com essa reação inevitável, Scorpius se afastou dos meus lábios para levantar minha blusa com facilidade, entendendo que essa era a resposta. Eu nunca havia feito sexo no carro. Isso era meio antiquado, mas ainda assim muito excitante. A música e a paisagem de Londres lá fora? Não tinha cenário melhor ou que pudesse nos deixar ainda mais loucos.

Ele acariciou levemente um de meus seios, apertando-o com mais força depois. Fazíamos tudo simultaneamente, porque enquanto isso eu me preocupava em abrir o zíper da calça dele de modo a conseguir abaixar sua cueca e acariciar sua ereção, tirando-a do sufoco das roupas.

Não paramos de nos beijar. Ele mordeu minha boca, causando-me um arrepio maravilhoso. Eu gemi ainda mais quando ele chupou a minha língua de um modo nenhum pouco exagerado, muito excitante e gostoso. Mas então eu decidi fazer a minha parte e desviar os meus dentes até o queixo dele. Então comecei a abrir a camisa dele botão por botão. A pele dele estava fervendo e seu abdômen subia e descia descontroladamente, adicionando a necessidade de fôlego quando eu me inclinei para substituir pela boca o que eu estava fazendo com a mão há alguns segundos.

Scorpius engoliu um palavrão. Ele ficava deliciosamente sem controle quando eu o chupava. A cada vez que fazíamos aquilo, ele menos acreditava em como podia ser tão bom. Para mim e para ele. Os gemidos dele eram baixinhos e roucos, mas a respiração era descontrolada e alta. Ele pulsava entre meus lábios. E os dedos dele puxavam meu cabelo, manuseando o ritmo que ele queria.

– Cacete, isso é tão bom... você é maravilhosa, simplesmente é... não para. Ooh merda, não para. – Alguns minutos depois ele mudou de ideia, gemendo: – Rose, pare... eu vou gozar.

Eu não parei até ele realmente gozar, urrando forte e socando o teto do carro. Foi incrível; eu nunca havia chegado com ele até esse ponto. Sentir de verdade seu gosto, seu líquido. Ele me deixava tão louca que às vezes eu nem me reconhecia.

Passei um dedo em meus lábios e olhei para Scorpius. Ele estava tentando se colocar no lugar, com os olhos semicerrados.

– Você me fez perder o controle – eu disse rouca.

– Eu gosto disso.

– Eu sei.

Ele sorriu e passou um dedo na minha bochecha. Terminamos de tirar nossas roupas naquele espaço minúsculo do carro que nos apertava mais e mais contra o outro. Ele me deu um sorriso tranquilo e bonito quando sentei em seu colo, mas logo o sorriso foi substituído por uma risada quando eu bati a cabeça no teto do carro enquanto me ajeitava em cima dele.

– Ai! – eu exclamei. Enquanto ele ria, seu dedo acariciava meu clitóris à medida que nós nos encaixávamos naquela posição. – Para de rir, Scorpius, doeu.

– Quer um beijo pra sarar? – provocou e começamos a dançar com nossos corpos.

– Vou precisar mais que isso, idiota.

– Sorte a sua que não sou deplorável nesse departamento.

A sensação do carro balançando dava um toque mais excitante para o que estávamos fazendo. Nós ficamos ali, nos beijando e transando como se nada nunca fosse nos interromper.

A única coisa que nos interrompia era a nossa necessidade de ficar conversando enquanto nossos corpos se moviam. Às vezes eram conversas bem idiotas, do tipo:

– Sabe... em filme de terror... o assassino nos encontraria agora e mataria a gente – eu disse observando as gotas de suor em suas têmporas. Estávamos ofegantes, mas ainda dava para falar.

Então Scorpius confessou e às vezes era difícil saber quando ele estava falando sério ou sendo apenas sarcástico:

– Eu morreria feliz assim com você.

Meu coração reagiu a isso.

– Eu não – sorri toda irônica. – Ainda tenho muito que experimentar as coisas com você.

– Porque amigos servem para isso – adivinhou, erguendo uma sobrancelha.

– Não... é porque eu confio que, com você, eu não vou me decepcionar.

Nós voltamos a nos beijar. No momento em que formular palavras estava ficando difícil, Scorpius murmurou:

– Rose... eu preciso te contar uma coisa.

– Agora não, Scorpius, eu estou quase... ooh! Vai mais rápido, mais...

Ele me obedeceu até cairmos em êxtase pelo banco do carro, eu deitada em cima dele. Era até difícil acreditar que eu tinha tanto orgasmo assim com um único cara, com o meu melhor amigo. Nós descansamos um pouco até recuperarmos o fôlego. Ainda um pouco alterada, eu apoiei meus braços em seu peito e perguntei:

– O que você queria me contar?

Ele roçava um dedo pela extensão da minha coluna, distraidamente, quando voltou a me olhar e a sorrir aquele seu sorriso único e difícil de ver direcionada a outras pessoas.

– Essa foi a melhor a transa que eu tive.

– Não minta para mim, Scorpius – eu pedi toda brava.

– É sério. Foi a melhor. Na verdade... essas últimas noites tem sido bastante reveladoras.

Depois de um tempinho em silêncio eu sussurrei:

– Acho que Lily está certa. Sobre... continuarmos escondendo isso para o pessoal. Não devíamos.

Ele afirmou com a cabeça e decidimos que não tinha mais motivos para esconder. No começo só estávamos aumentando o nível das coisas, sem saber o que diabos estávamos aprontando fora do alcance das pessoas.

Fiquei lançando uns olhares discretos para Scorpius, ao meu lado no volante, enquanto voltávamos para casa.

Pensando que talvez agora... eu desconfiava ter algumas respostas.


Você tem quatro mensagens!

09:34 – "ROSE, ME AJUDA! Fiz outra cagada. Não, não usei drogas. Acho que fiz até pior... Eu estava na festa ontem e fui até a casa de um cara, como sempre. O que você deve saber sobre ele para me condenar? Bem, achei uma aliança de ouro no banheiro dele. Rose, eu já fiz de tudo. Já transei com todos os tipos de cara. Presidiários, professores, tudo. Menos com um casado. Ai, já não bastou o Hugo ter comido aquela vagabunda! Preciso desligar e vomitar mais um pouco. Me liga!"

10:03 – "Rose Weasley? É a Emily, da escola. Os ensaios das apresentações das crianças devem mudar para a próxima quinta-feira. Pode avisar as outras professoras para mim? Obrigada!"

10:40 – "Eu estou oficialmente casada. Só isso. James e eu estamos voltando, Rose! Nos vemos nos Três Vassouras de tarde. Mas posso só dar um aviso? Se preza sua vida, não pense em rir quando ver o James."

11:33 – "Rose... ei, é o Al. Se escutar essa mensagem, me liga de volta? Preciso conversar contigo."


Eu saí do banheiro escovando os dentes a tempo de ver Scorpius subir o zíper da calça e colocar a blusa que estava em cima da cama.

– Então é por isso que você não gosta de acordar tarde. Todo mundo parece desesperado por uma Rose Weasley pela manhã – falou, fechando os botões calmamente. Sorriu para mim, aproximando-se. Eu cuspi a pasta de dente na pia e limpei a boca. Quando encarei o espelho, observei o rosto sorridente dele pelo reflexo. Ele estava atrás de mim e eu me virei para encará-lo.

– Já falaram que você fica sorridente demais quando passa a noite transando? – perguntei displicentemente. – Não tem nada discreto nesse sorriso.

De repente ele pegou meu rosto com as duas mãos, sem abandonar aquele sorriso irritante que mostrava seus dentes brancos. Eu fiquei olhando para eles, para os lábios dele, provavelmente sorrindo também. Feito uma idiota também.

– Eu preciso ligar para o Al. Ele deve estar precisando de alguma ajuda.

Scorpius abafou minhas últimas palavras aproximando com a boca para me dar um beijo calmo. Seus lábios estavam quentes.

– E eu preciso voltar – ele disse e afastou a manga do casaco para observar o relógio no pulso. – Tenho reunião... aliás, já começou a reunião. Nos vemos hoje à noite?

Scorpius saiu do meu quarto e pegou sua chave, antes de se despedir com um beijo no meu rosto. Abri a porta para ele passar. Quando a fechei, eu me senti esquisita pelo silêncio, como se eu não quisesse que ele tivesse ido embora agora.

Peguei o telefone para discar para Albus e ele queria marcar um almoço comigo. Saí depois do meio-dia e nos encontramos num restaurante perto do apartamento dele. Eu o abracei antes de nos sentarmos e pedirmos nossos pratos.

– E então, como você tá? Você e a Kate.

– Ela está grávida mesmo. O pai dela quer... – ele hesitou um pouco – que a gente case agora.

– Não é uma ideia surpreendente.

– Eu só... faz pouco tempo que terminei a faculdade, ainda nem tenho trabalho fixo. E a Kate nem terminou de estudar. Tudo bem, ainda dá tempo dela se formar antes do bebê nascer, mas... é complicado. Queria saber se você tem alguma outra ideia.

– Minha única ideia é ajudar vocês no que eu puder. E nossa família vai ajudar também, Al. O problema que se pode encontrar nisso agora é falta da certeza se vocês dois se amam ou não.

– Eu amo ela. Tenho certeza disso. Mas está acontecendo tudo muito depressa.

– Fique ao lado dela sempre, ok? É o que Kate vai mais precisar. Se os pais dela continuarem pressionando... obviamente isso resultará em um jantar entre a família dela e a sua. Nossa família já sabe?

– Meu pai disse que a vó quase desmaiou.

Ele passou a mão nos cabelos despenteados de uma forma preocupada. Eu pousei minha mão em seu pulso, para tranquilizá-lo. Mas era impossível tranquilizar os nervos de um futuro pai tão jovem como Albus era.

Nós almoçamos em silêncio. Albus só queria uma companhia diferente de Kate para poder desabafar os medos e as preocupações dele, já que não achava digno demonstrar isso para a família dela. No final do almoço, ele parecia decidido de alguma coisa como se nosso almoço tivesse feito com que ele refletisse.

Quando nos reencontramos no Três Vassouras para revermos os casados James e Alice, Kate finalmente voltou a sair com a gente. Por consideração a ela e ao novo Potter que nasceria em oito meses, nós fizemos um trato de não tomar nada alcoólico quando Kate estava por perto.

Scorpius não foi muito a favor, então Kate disse:

– Gente, eu sei me controlar, não se preocupem. Hoje é sábado, então aproveitem por mim.

Nós nos entreolhamos.

E aproveitamos por ela.

James estava torrado pelo sol que tomou em Miami e ficamos rindo dele a noite inteira. Mais porque ele tinha a marca dos óculos no rosto. Mas logo ficamos com inveja das coisas que ele e Alice conheceram nas viagens. Deu até vontade de casar.

Lily chegou um tempinho depois e me lembrei da mensagem dela. Nós nos afastamos da mesa do grupo para conversarmos sozinhas.

– Estou tão arrependida – ela apertou a cabeça. – Ele... ele me usou como amante! Sou tão suja.

Nesse momento, Alice também se aproximou. Ela cruzou os braços.

– Fiquei quase três semanas fora do país e vocês duas ainda acham digno sair da mesa para ficarem de segredos?

– Lily transou com um cara casado ontem.

– Scorpius e Rose estão dormindo juntos – acusou Lily em resposta.

Alice colocou a mão no peito para testar o batimento cardíaco. Ela podia bem comentar sobre Lily ter ficado com um cara casado, mas ela achou mais surpreendente a informação de que eu estava transando com meu melhor amigo.

– É sério?

– Eu não queria que você descobrisse dessa forma.

– Há quanto tempo?

– Um pouquinho antes de você e meu irmão casarem – Lily fofoqueira.

Alice abriu a boca, num ofego.

– E você escondeu de mim... todo esse tempo?

– Não é o que está pensando, Alice.

– Pensei que era minha amiga!

Foi então que eu percebi que ela estava sendo apenas sarcástica. Abandonou a expressão de que Rose e Scorpius juntos eram o fim do mundo, para dar um empurrão no meu braço.

– Vocês demoraram demais, sinceramente.

– É o que eu digo a eles – respondeu Lils.

– E não venha mudando de assunto, Lilian. Que história é essa de que você transou com um cara casado?

– Se eu soubesse eu teria...

– Feito do mesmo jeito – eu girei os olhos. – Nós te conhecemos.

– Eu sou tão assim? – ela pareceu chateada de verdade. – É assim que vocês me vêem então? A garota que vai para a cama com qualquer um e não se importa com a consequência? Ao em vez de falarem que o cara estava errado e que ele devia ter sido sincero... bem, não ganho nenhum consolo de vocês duas? Somente uma confirmação de que eu sou uma vaca de verdade? Sabe, amigas mentem para fazerem as outras se sentirem melhor. Por que vocês não mentem e tentem me fazer sentir melhor? Eu estou mesmo arrependida!

– Lily, não foi isso... – começou Alice, mas minha prima abanou a cabeça.

– Erro meu, eu sei. Mas por que vocês nunca tentam me parar?

– Você nunca deixou, Lily! – eu exclamei. – Por que está discutindo com a gente? Sempre fez suas cagadas porque você quer e pede para isso! Não venha colocando a culpa no modo como somos suas amigas só para você se sentir menos culpada. O rapaz era casado, e daí? Você já fez coisas piores!

– Eu nunca mais usei drogas, Rose.

– Não estou falando das drogas.

Eu fui malvada, mas Lily precisava ouvir isso. Ela passou todos aqueles dias desde que Hugo voltou da Grécia agindo como se não se importasse. Mas ela se importava e estava tentando chamar atenção. Ela precisava levar uma bronca por ter magoado meu irmão. E as consequencias estavam atingindo ela agora, porque Hugo parecia ter superado Lily. Isso estava machucando ela, e talvez ela merecesse passar por isso para perceber que seu estilo de vida não podia ser assim para sempre.

– Está tão acostumada a ficar com todos os homens que vê pela frente que... já não consegue enxergar a consequência. Magoou Hugo por isso. Ele está seguindo em frente, mas você continua estagnada. E vai continuar cometendo erros. Ao em vez de correr atrás de consolo, por que não para de ser vaca logo de uma vez?

– Rose! – exclamou Alice estupefata quando Lily deu as costas para mim e desapareceu de vista. – Não precisava ter falado assim.

– Um homem casado, Alice. Lily foi longe demais e se ninguém jogar isso na cara dela, ela não vai mudar nunca.

– Tem razão – Alice respondeu. – Mas não entendi uma coisa. O que Hugo tem a ver com isso?

– Eles se gostam de outro jeito.

– Do jeito apaixonado?

– Exatamente.

– Como você é pelo Scorpius?

Alice deu um sorrisinho quando eu não respondi nada e passou por mim para pegar as bebidas no balcão. Eu passei a língua em meus lábios e, por um reflexo, tive que olhar para Scorpius. Ele estava rindo de alguma coisa que Albus dizia. Sabe a sensação de inspiração e uma dorzinha no peito quando vemos alguém que gostamos? Eu estava assim quando deixei claro para Alice:

– Só estamos transando.

– Claro.

– É sério. Nós somos amigos há muito tempo e se isso der errado-

– Esse papo não cola mais, querida.

– Alice – eu segurei o braço dela para me encarar. – Eu não posso estar apaixonada por ele. É muita coisa. Isso... isso... isso...

– Pare de gaguejar. Scorpius está vindo.

Ela deu um tapa nas minhas costas para me fazer desengasgar o "isso" e aproveitou para me empurrar na direção dele. Scorpius sorriu para nós duas.

– Ela é toda sua, Malfoy.

Alice voltou a ser útil lá com o resto do grupo. E nos deixou sozinhos.

Scorpius colocou as mãos nos bolsos ao olhar para mim.

– Lembra quando eu disse que precisava te contar uma coisa?

Cruzei os braços, pensativa. E sorri com arrogância:

– Você disse que teve a melhor transa da sua vida ou algo assim.

– Bem... não era só isso que eu queria dizer.

Agora encarei ele preocupada. Scorpius tinha a expressão um pouco... triste. Vazia. Com dificuldade de se expressar. Eu dei um passo na sua direção quando notei que ele hesitou muito, passando a mão nos cabelos.

Meu sangue começou a ferver.

Ele vai falar que não quer mais. Ele vai falar que viu uma mulher gostosa passando pelo banheiro e decidiu que quer ir embora com ela essa noite.

Antes que isso acontecesse, senti necessidade de evitar desavenças, sendo bem adulta em relação a isso:

– Olha – eu interrompi. – Tudo bem, eu entendo. Foi só uma fase, certo? Tudo bem... ainda vamos conversar normalmente. O que fizemos... podemos deixar no passado. Amigos passam por fases assim. Quero dizer...

Ele me calou aos poucos, trazendo meu corpo para junto do dele até ele me beijar nos lábios suavemente. Eu não pude evitar e joguei meus braços ao o redor do seu pescoço, suspirando contra sua boca.

– Você fala demais, Rose Weasley – ele disse ao me soltar.

– Você não quer acabar com isso?

Ele negou com a cabeça.

– Por que eu iria querer acabar com alguma coisa que está me fazendo bem?

Eu olhei para seus olhos cinzas.

– O que está tentando me contar, então?

Ele vai dizer que também está apaixonado.

Ele vai dizer.

Ele vai dizer.

Meu coração está sentindo isso.

Oh cacete.

– Scorpius.

Ele apertou um dedo nos meus lábios, para eu calar a boca.

– Eu te falo mais tarde.

– Você está me deixando curiosa.

– Na minha casa.

– Ok – eu respondi. – Na sua casa essa noite então.

Antes que nós disséssemos mais alguma coisa, uma movimentação estava ocorrendo lá trás na mesa em que sentávamos. Kate se levantou depressa de sua cadeira. Achei que ela ia vomitar no banheiro, por causa da gravidez, mas ela pegou a bolsa e foi embora de forma desesperada.

Quando voltei para ver o que tinha acontecido, encarei um Albus com os olhos em total perplexidade, olhando apenas para o vazio. James estava estranhamento calado também. Alice me contou:

– Albus pediu Kate em casamento.

Involuntariamente, eu sorri.

Mas pelo clima da mesa isso não parecia certo. Então vi a aliança na mão de Albus e a pior das hipóteses aconteceu.

– E-ela... – Albus passou a mão na testa, como se estivesse suando – ela negou.


– Não acredito que Kate negou o pedido – eu desabafei com Scorpius naquela noite, depois de mais alguns pacotes de camisinhas usados. Ele estava quase roncando ao meu lado, com um braço atrás do travesseiro, e vestindo apenas a cueca. Mas só era impressão que estivesse dormindo, porque ele estava ouvindo tudo ao meu lado. – Quero dizer, não era isso o que os pais dela queriam para ela?

– Não é o que ela quer – a voz dele estava quase sumindo de tão sonolenta. – Não tem o que discutir sobre isso então.

– Está dizendo que ela não ama Albus?

– Kate está grávida, Rose. Ela acha que Albus só quer casar com ela por causa disso.

Eu não respondi, mas concordei internamente com ele.

– Albus deve dar um tempo para ela pensar. Nem eu imaginava que ele fosse pedir naquele instante. Você imaginava?

Ele resmungou alguma coisa, claramente só querendo dormir. Então eu apenas abafei uma risadinha e me levantei da cama. Estava vestindo minha blusa quando Scorpius se movimentou para perguntar:

– O que está fazendo?

– Colocando as minhas roupas – eu disse como se fosse óbvio.

– Eu não mordo quando estou dormindo.

– Eu sei disso. Você se esqueceu de ir embora ontem – brinquei. Ter dormido na minha cama com Scorpius foi uma das coisas mais reveladoras que poderia ter acontecido, mas eu imaginava que só tivesse sido um acidente por ele ter dormido depressa demais antes de pensar em voltar para a casa dele ontem.

Olhando agora para a tentativa dele em me fazer ficar de novo, eu não achei que seu sono de ontem na minha casa tivesse sido acidental.

– Você, hum, quer que eu fique?

– É pela sua segurança. As ruas são perigosas na madrugada.

– Pela minha segurança. Porque eu sou uma menininha indefesa e não sei cuidar de mim mesma.

Ele então fez algo incrível. Ficou de joelhos na cama e se aproximou de mim, envolvendo os braços na minha cintura para me derrubar de volta ao colchão. Eu soltei um berrinho que ele abafou ao me beijar. Foi um beijo sem nenhuma intenção de transar, apenas de...

– Boa noite, Rose – ele sorriu e me abraçou por trás de modo que, em questão de segundos, nós estávamos de conchinha.

Oh, céus, eu não tinha essa sensação há anos.

Eu fechei os olhos.

– Receio que eu não tenho escolha – fingi tédio.

– Não mesmo – a voz dele estava no meu ouvido. – Imagina se te assaltam na rua? Eu não ia me perdoar por ter deixado você ir embora se minha cama tem espaço o suficiente para dois.

– Pare com isso, está me fazendo sentir muito especial aqui.

Ele apenas riu e ficamos em silêncio para dormirmos. Eu peguei no sono mais rápido do que o normal. Eu estava tão confortável ali. Scorpius sabia ser quente mesmo quando não estava me excitando. Na manhã seguinte só acordamos porque a campainha de seu apartamento soou pelos aposentos. Enquanto Scorpius atendia, eu fui ao banheiro para me lavar. Passei um tempo longo embaixo do chuveiro, às vezes sorrindo como uma idiota, mas apenas feliz. Algumas preocupações ainda me atormentavam, mas eu me sentia bem.

Desliguei o chuveiro e peguei uma das camisas de Scorpius para vestir sem antes, claro, cheirar como se eu fosse uma adolescente tomada por excesso de estrogênio. Eu estava ficando muito patética. Mas, tudo bem, se alguém pudesse ter a chance de sentir o perfume de Scorpius provavelmente ficaria viciada. Era tomado de lembranças boas e sensuais.

Eu saí do banheiro na preocupação de que Scorpius ainda poderia estar com a visita, então não saí do quarto.

Mas foi impossível não ouvir a voz de Draco Malfoy na sala.

– Você vai, Scorpius. Não tem escolha. O futuro da empresa depende disso.

– Não é uma boa hora, pai. Podemos almoçar em algum lugar e conversamos melhor sobre isso. Agora eu estou...

– Provavelmente escondendo alguma vagabunda na sua cama.

Com certa raiva, eu fiz questão de sair do quarto e aparecer para o sr. Malfoy ter uma ideia da vagabunda que o filho dele escondia na cama.

– Ah, claro – ele apenas disse. – Ainda estão juntos. Uma pena que isso não vai durar muito agora que Scorpius irá embora, não é?

– Pai.

– Como assim? – eu olhei para Scorpius.

Ele não me encarava.

– Ele não contou a você? – Draco Malfoy perguntou com a testa franzida. – Ou Scorpius estava esperando fazer isso quando já estivesse pegando o avião para a Alemanha?

– Sai do meu apartamento – ele pediu com a voz neutra. – Por favor. Deixe-me sozinho com Rose.

Sem mais nenhuma palavra, mas com uma satisfação no olhar que me deu mais raiva, ele deu meia-volta e foi embora.

Quando Scorpius fechou a porta, ele continuou de costas para mim. Eu movimentei meus dedos rapidamente tentando entender.

– O que seu pai falou sobre Alemanha?

– A empresa começou a construir uma sede em Frankfurt há dois anos. Meu pai acha que eu preciso fortalecer o nosso sobrenome. Um Malfoy na sede da Alemanha pode ser capaz disso.

– Vai passar um tempo por lá então?

– Não.

Meu coração estava batendo forte.

E piorou no momento que Scorpius me corrigiu baixinho:

– Eu vou morar lá.


Oi oi gente, desculpem a demora com esse capítulo. Estamos no final de ano e o tempo passou consideravelmente rápido. Mas consegui um tempinho para escrever o décimo capítulo dessa fanfic que está trazendo tantos leitores queridos! *-* Muito obrigada, a todos. Comentários sempre serão bem-vindos e fazem o meu dia. Fico lisonjeada pelos elogios e pelas recomendações que alguns de vocês fazem para algumas galeras. Obrigada mesmo.

Agora entramos em um drama de que talvez Scorpius vá embora. Explicações no capítulo onze e a continuação também. Palpitem, comentem, falem tudo o que pensam. Trarei o próximo capítulo em algumas semanas se tudo correr bem =)

Obrigada mais uma vez e até o próximo!