Maroon 5 - "Sweetest Goodbye"


12 - Doce despedida

– Já fiz sexo pelo telefone uma vez – contou Lily.

– Obrigado pela informação desnecessária, Lily – James tomou um longo gole da bebida, fazendo uma careta. Depois se levantou para ir ao banheiro (vomitar, provavelmente, depois dessa informação de sua irmã), enquanto deixava Alice com a gente na mesa dos Três Vassouras.

– Só estava dizendo... – defendeu-se Lily ao ver nossas expressões – que se Rose ficar com saudades de Scorpius, sabe, daquela forma, o telefone pode ajudá-los.

– Você pagaria a conta dela? – quis saber Alice, brincando. – Temos Skype para isso. Quero dizer, não para sexo à distância, mas... para vocês matarem a saudade que terão um do outro. Quando James precisa viajar a negócios... não que isso aconteça com frequencia, bem, nós mandamos e-mails ou algum recadinho no facebook.

– Essas coisas são o suficiente pois vocês ainda estão apaixonados – argumentou Lily. – E definitivamente James nunca precisou se mudar de Londres. A situação da Rose vai ser diferente. Ela só vai ser capaz de ter encontros sexuais com Scorpius, depois que ele sair de Londres, em algum feriado prolongado ou no próximo mês. O que isso significa que ela passará por um período de seca. E dizem que se a mulher nunca precisou fingir um orgasmo com o parceiro sexual dela, esse período sem ele será definitivamente... intenso e terrível. Rose vai recorrer ao sexo por telefone. A conta não vai ser nem o problema. Posso apostar isso.

Lily era uma moça tão peculiar. Eu fiquei olhando para ela com a testa franzida.

– Eu não sou você, Lils. Um mês sem sexo não é exatamente um período de seca para mim.

– Oh, querida, você fala isso agora porque você e Scorpius passaram a noite inteira transando ontem. Espere passar uma semana sem ele e tente repetir o que acabou de dizer!

– Acho que você não deve se preocupar com isso, Rose – disse Alice em um tom quase tranquilizador. Até ela acrescentar: – O problema mesmo é Scorpius. Ele é um cara que passou a vida inteira levando mulheres diferentes para a cama. Ele seria capaz de esperar um mês ou mais por você durante o tempo em que ele precisa morar lá?

– Alice tem razão.

– Tenho sim. O tempo mais longo que James e eu ficamos sem transar foi por três semanas desde que começamos a namorar sério, tirando, é claro, as noites em que brigamos e terminamos no meio tempo que tivemos antes de nos casarmos. Quando ele ficou fora e nos correspondemos por e-mails... eu tinha muita preocupação de que ele pudesse, vocês sabem, me trair.

– E como você sabe que isso não aconteceu? – perguntei.

– Eu nunca vou saber. Eu precisei confiar nele, porque eu o amo.

– Awn, isso é tão lindo, mas tão errado – disse Lily com uma mão no ombro de Alice. – Não estou dizendo que meu irmão é um cafajeste. Hoje em dia. Mas eu sou a favor de aproveitar o cara até o último minuto dele aqui, como já falei. Mas na despedida, o sexo não deve ser somente para dizer "boa viagem" ou "tenha uma ótima vida em outro país" ou "me liga quando chegar", mas para se despedirem de qualquer responsabilidade de serem fieis um ao outro nos próximos meses. Será menos complicado para os dois e evitará qualquer tipo de confronto emocional quando acabarem descobrindo ou desconfiando de que um de vocês dois transou com alguém enquanto o outro estava fora.

– Gente, nós dois não estamos rotulando nada – eu esclareci. – Eu não vou prender Scorpius a nada. Ontem a noite foi apenas... o que Lily disse. Vou aproveitar o tempo que tenho com ele. E vamos terminar isso antes dele ir embora.

– Por uma decisão sua ou dele? – quis saber Lily.

– Eu não sei – eu respondi de um jeito impaciente. – Eu não sei. Por mim... por mim... minha vida seria muito mais fácil se ele resolvesse entender que ele está sendo idiota por aceitar o trabalho na Alemanha. Por mim, ele deveria ficar aqui. Comigo. Quero dizer, com a gente. Olha... ficar sem sexo é o mínimo dos meus problemas. Eu esperei tempo demais para nós dois acontecermos, e se tiver que continuar acontecendo, haverá um sinal. Enquanto isso, eu só sei que vou sentir falta dele. Do Scorpius todo. Não só do Scorpius incrível na cama. Vou sentir falta de sair com ele e ter a certeza de que todos os dias eu vou poder ligar para ele e contar como o meu dia foi cansativo e ouvi-lo reclamar do trabalho, do pai dele, e de assistir a algum filme com ele. Vou sentir falta de ficar perto dele quando eu precisar.

– Se isso não é estar apaixonada, então me explique porque eu não sei o que sinto pelo meu próprio marido – analisou Alice, tomando de sua bebida lentamente. – Rose, claramente você está apaixonada pelo Scorpius.

Enterrei as mãos nos meus cabelos.

– Faz alguma diferença agora? Quero dizer, admitir ou sentir isso? Ele vai embora!

– Faz sim – James voltou a sentar ao lado de Alice e explicou. – Você poderia admitir isso para ele. E isso o amoleceria, porque, vamos ser sinceros, há reciprocidade no relacionamento de vocês. E quase na mesma proporção. Se ele amolecer, ele poderá desistir de ir embora.

– Quase? – estranhou Lily. – Os dois vivem em uma paixão desenfreada desde que eu me conheço por uma garota.

– Para o tipo de cara que Scorpius é, ele está num nível mais apaixonado do que Rose. Ele não sai mais para ir a balada ou a nenhuma festa. Ele não me conta mais sobre as mulheres que ele pega, porque... adivinhem, ele está fazendo isso com a minha própria prima. E ele, considerável como é, não iria ficar falando de detalhes sobre a Rose comigo. Isso me fez concluir que Rose tem sido a única com quem ele esteve nesses últimos tempos. E, de novo, para um cara como ele não há provas mais eficientes do que essas que acabei de dizer para mostrar que Scorpius pode mudar de ideia sobre sair de Londres quando Rose admitir os mesmos sentimentos que tem por ele.

Ficamos um tempinho em um silêncio incrédulo com o que James havia acabado de concluir. Morar com Alice devia ser contagiante, porque quem normalmente fazia análises assim, tão psicológicas, era a própria Alice. Eu pisquei severas vezes até perguntar:

– Está dizendo que ele pode ter aceitado essa viagem para me pressionar a sentir o que eu estava sentindo para finalmente admitir a mim mesma que me apaixonei por ele? Então, consequentemente, eu vou admitir a ele?

– Rose – respondeu Jamie. – Essa conclusão é sua, eu nunca disse isso.

– Eu acho que uma hora ou outra você iria admitir que está apaixonada, Rose – disse Lily dando de ombros.

– É mesmo. Scorpius ter aceitado sair do país e agora estar em fase de despedida com você... pode ter apenas acelerado um processo que poderia demorar mais de dez anos.

No momento que Alice acrescentou o comentário, a porta do Três Vassouras se abriu e Scorpius ultrapassou o caminho para chegar até nós quatro na mesa. Era como ter expectativas para cantar na frente de milhões de pessoas, porque a cada passo de Scorpius próximo a mim era como se meu peito levasse marteladas. Minha mente comandava: "diga a ele, você pode dizer a ele." E eu queria dizer. Eu poderia dizer naquele momento.

Eu vou dizer naquele momento, se for o que precisa ser feito para continuar vendo Scorpius andando pelo pub naquela sua postura decidida, elegante e sofisticada. Todos os dias.

Ele abriu um sorriso e ia dizer qualquer outra coisa. Mas eu o interrompi, porque me levantei da cadeira e, ali mesmo, agarrei seu pescoço para puxar o rosto dele para mim e beijá-lo. Fortemente. Malditamente apaixonada.

Eu me acomodei rapidamente naquele beijo, e Scorpius não o parou para estranhar o momento. Apenas aproveitou o máximo. Quando a garçonete que estava ficando com Hugo pigarreou, nós finalmente nos afastamos porque estávamos interrompendo sua passagem para atender a outra mesa.

Scorpius abriu um sorriso para mim.

– Isso foi inesperado.

– Essa era a ideia.

– Preciso falar com vocês – ele disse, virando-se para James, Alice e Lily. – Onde está Albus?

– Ah, desde que ele descobriu que vai ser papai, pediu Kate em casamento e ela não aceitou... nossas famílias estão tentando entrar em um acordo, então... Albus e Kate estão em uma reunião familiar extremamente tensa e desconfortável na qual eles decidirão o futuro que terão daqui para frente.

– Obrigado pela resposta esclarecedora e completa, Lily – disse Scorpius, sentando-se ao meu lado.

– O que você queria falar com a gente? Passamos o recado para Albus depois – eu disse.

– Terá que ser até hoje à noite. A empresa do meu pai fará uma conferência hoje no clube e... eu meio que reservei uma mesa para vocês. Mas podem inventar uma desculpa para não irem. É muito chato. Eu não vou esperar que vocês aceitem. Mas, por favor... aceitem.

– Oh, nós tínhamos planos – disse Alice num lamento. – Estávamos planejando uma festa de despedida para você.

– É sério?

– Qual a surpresa? – eu quis saber, ao observar sua expressão. – Amigos fazem isso.

– Bem, mas qual é o ponto de uma festa de despedida se o cara que vai embora já tem outro compromisso mais importante? – indagou James. – Podemos ir à conferencia do seu pai, Scorpius, sem problemas nenhum.

– Valeu. Rose? – ele se virou para mim. – Podemos conversar lá perto do balcão. Em particular.

– Tudo bem... eu também quero conversar com você.

Saímos da mesa e nos aproximamos do balcão. Eu me sentei na cadeira e ele ficou em pé a minha frente. Eu observei os botões de sua blusa e brinquei com um deles distraidamente. Queria dizer "não quero que vá embora, há uma chance de fazê-lo mudar de ideia por mim?" Seria patético, mas precisava ser feito. Porque era algo que eu queria e Alice sempre diz que é saudável dizer a pessoas que você ama o que você sente e não guardar os sentimentos o tempo todo.

Mas esperei que Scorpius dissesse o que ele queria dizer primeiro.

– Não fomos responsáveis ontem – ele disse baixinho, passando a mão na testa. – Ficamos bêbados e desesperados e as camisinhas estavam em algum canto longe do lugar em que começamos.

– Oh. Scorpius... hum... Se eu não estivesse tomando pílulas, nem mesmo a mais bêbada Rose Weasley permitiria que as coisas continuassem. Eu te disse que estou tomando pílulas rigorosamente desde quando começamos a dormir juntos.

– Eu devia ter lembrado. É só... é fácil perder o controle com você. Eu fico parecendo um garoto na puberdade, como se eu nunca tivesse transado na vida. Mas eu nunca tive um deslize desses com nenhuma outra pessoa, eu juro isso.

– Scorpius, minha única opção agora é acreditar nisso. Mas era apenas sobre isso que queria falar?

– Não. Preciso te pedir uma coisa... um último favor.

– Claro, o que quiser. Quero dizer, não tudo. Mas... qualquer coisa. Quero dizer, não qualquer coisa ou...

– Acho que ainda vamos precisar continuar encenando o que continuamos na primeira vez que jantamos em família. – Scorpius me encarou como se estivesse esperando as piores respostas minhas.

– Quer dizer que ainda sou sua namorada para irritar seu pai?

– Só se quiser irritá-lo. Ou posso dizer que terminamos.

– Ele vai te fazer sair de Londres. Então – dei um suspiro e brinquei: – podemos escapar e transar no banheiro do clube. Eu adoraria irritá-lo.

Ele sorriu. E me beijou.

– Mais uma coisa – acrescentou com os lábios colados no meu.

– O quê?

– Você vai precisar se sentar comigo na mesa.

– Claro, por que não?

– Estou te devendo muito, Rose. E o que você queria falar comigo?

– Nada... eu apenas queria dizer... veja, Lily e Alice estavam discutindo comigo sobre... como as coisas entre nós dois vão ficar durante o tempo em que você estiver na Alemanha. E...

Por que eu nunca consigo expressar meus sentimentos de forma sensata, com palavras e frases completas sem gaguejar ou deixar a voz desafinada e aguda?!

– Scorpius – tentei recapitular e sorri.

– Rose – ele sorriu de volta, com a sobrancelha erguida. – Está meio que abrindo a minha blusa.

Eu afastei a minha mão e aproveitei para passá-la em meu cabelo. Scorpius sorriu docemente, ou debochadamente. Seja natural. Ele é o seu melhor amigo. Não há nada com o que se envergonhar. A escola não vai ficar sabendo!

Patética, patética, patética. – Respirei e olhei para Scorpius. Ele ainda estava esperando, pacientemente, tentando ficar sério.

Lembra-se como você se declarou para o Brian?

Eu nunca me declarei para o Brian.

Eu nunca precisei me declarar para ninguém.

Merda, Scorpius, porque você não diz logo o que você sente?

Scorpius é pior do que eu.

– O negócio é o seguinte, Scorpius. Não ria de mim.

– Não vou, prometo. Pode dizer qualquer coisa. E sabe que farei o que precisar, não se envergonhe de pedir.

– Por que acha que quero pedir alguma coisa?

– A última vez que você ficou estranha foi quando quis me pedir dinheiro emprestado para comprar pipoca no cinema. Você não sabia como formular a pergunta ou as palavras. Foi bonitinho. Nos conhecemos há anos e você ainda tem problemas para me pedir alguma coisa. Vamos – ele deu um soco fraco no meu braço. – Eu faço qualquer coisa por você, já falei que te devo muito.

Não vá embora.

Eu ia dizer aquelas palavras como um atirador solta o gatilho da arma.

Fiquei aqui comigo.

Mas a merda do celular dele tocou na hora. E a maneira como ele ficou só significou uma coisa:

– Oi, pai. – Pausa. – Vou sim. – Pausa. – Entendi. – Pausa. – Convidei. – Sim. – Pausa. – Sim. – Hesitação. – Eu ainda não fiz isso, pai. E não vou fazer. – Pausa. – Ela vai. E o resto do pessoal também. – Suspiro longo e cansado. – Precisa ser agora? Eu estou no meio de uma reunião. – Girada de olho. – Estarei aí em dez minutos.

Quando ele desligou o celular, olhou para mim e me deu um beijo rápido e casual.

– Desculpe, Rose. Meu pai está em uma emergência com as coisas da conferência e precisa da minha ajuda. Provavelmente só vou ver vocês por lá.

– Oh – eu dei uma olhadinha em seus lábios manchados. E então sorri. – Sem problemas. Até de noite então.

– Depois você me fala o que precisa. A não ser que seja realmente urgente, pode dizer agora e eu posso cancelar o que tiver que fazer.

– Não, Scorpius, dá para esperar – menti. – Conversamos por lá.

– Ótimo. – E me beijou de novo. – Só para constar... fique bem gostosa.


Eu sorri em resposta. Outro beijo rápido veio de seus lábios antes dele pegar suas coisas e sair, e eu percebi que não existe nenhuma dificuldade de encenar que éramos namorados, porque talvez não encenássemos, afinal de contas.

A mão de Scorpius apertava levemente a minha por baixo da mesa e sobre minha coxa. Parecia imperceptível, pelo modo como ele fazia isso distraidamente, mas eu só estava prestando atenção nisso.

Estávamos na conferência da Empresa Malfoy, no clube do centro de Londres. Ao nosso redor havia outras mesas redondas e pessoas com aparências elegantes, ricas e importantes, ouvindo discursos e recebendo alguns prêmios e medalhas. Aquela seria a última noite de Scorpius antes dele se mudar para a Alemanha, então me convidou para participar do compromisso com sua família e eu não via como negar isso, principalmente porque eu andava tendo uma necessidade louca de ficar perto dele o tempo todo. A madrasta e as duas filhas gêmeas de cinco anos também sentavam à mesa, com o pai e a avó de Scorpius, além de nós dois.

Aceitei aparecer de mãos dadas com Scorpius para continuarmos a mentira de que nós estávamos namorando. Mas, julgando pelo modo como Draco me cumprimentou – um aperto de mão acompanhado com um "Olá, Weasley" –, não parecia mais haver motivo para irritá-lo. Ele parecia conformado com a namorada do filho e fiquei surpresa por descobrir que Scorpius nunca sentiu necessidade de dizer que, em um momento desde o jantar com eles na Mansão, nunca terminamos de mentira também.

Scorpius estava olhando para mim quando desviei o olhar do palanque em que homens e mulheres faziam longos e cansáveis discursos. Ele tentava fortemente não rir, mas sussurrou no meu ouvido:

– Eu disse que você podia inventar uma desculpa para não vir.

– Do que está falando?

– Não acha que conheço sua expressão quando está entediada, Rosie?

– Ok – eu sussurrei de volta. – Não é como se eu não quisesse ter escapado, mas sua mão está me prendendo aqui.

Nós dois sorrimos e dei um jeito de apertar mais um pouco seus dedos, até entrelaçá-los.

– Sabe, você realmente sabe ser uma ótima namorada.

– De mentira – lembrei.

Passei um dedo da outra mão pela mecha do cabelo loiro dele que caía em seus olhos. Mas antes que Scorpius dissesse alguma outra coisa para confirmar isso – ou negar, como eu esperava –, todos da conferência começaram a bater palmas e olhavam para ele como se estivessem esperando que ele subisse lá no palanque e fizesse um discurso.

Certo. Era exatamente o que estavam esperando que ele fizesse.

Ele me beijou rapidamente antes de levantar com os aplausos, mesmo sem Draco estar olhando para nós.

Scorpius não tinha me avisado que ia discursar, então fiquei surpreendentemente admirada com a forma como ele se levantou da mesa numa postura totalmente profissional para caminhar até o palanque, como se já estivesse preparado. Eu dei uma espiada nos outros convidados e meu coração deu um salto empático quando notei que todo mundo estava olhando acordado para Scorpius. Alice, James, Lily, Kate e Albus estavam por lá também e acordaram apenas para baterem palma e assobiarem. Tudo bem que metade das mulheres daquele lugar olhava para ele de uma forma insuportável. Mas enquanto os aplausos terminavam, eu me virei para a senhora que estava sentada na mesa perto da nossa.

– É meu namorado. – Tipo, super orgulhosa, sorrindo.

Scorpius apertou a mão do homem que o apresentou antes de começar.

– Queria agradecer pela oportunidade de ser o representante da Empresa Malfoy pela Europa. No tempo que trabalhei com meu pai, ele me ensinou muita coisa embora eu não tivesse prestado atenção no início. Fiquei surpreso quando me escolheram para essa "missão" na Alemanha, então... vou fazer o possível para expandir os conceitos da empresa e da economia, como tem sido feito pelo meu pai aqui na Inglaterra. E não vou falhar nessa responsabilidade que eu entendo ser importante e que preciso merecer. Obrigado.

Quando ele terminou, ajeitando a gravata no colarinho, os aplausos foram altos e entusiasmados. Pareciam orgulhosos de Scorpius também. E, acredite, era realmente estranho vê-lo ser idolatrado num ambiente de trabalho que ele, por muitos anos, reclamou de fazer parte. Que tipo de epifania passou por ele para soar tão responsável? Mesmo com essa dúvida, eu acreditei em sua mudança e aplaudi. As pessoas começaram a se levantar para apertar sua mão e desejar boa sorte.

O sr. Malfoy foi até lá para ficar ao lado de Scorpius. Havia jornalistas, fotógrafos e flashs por todo o lado. A família Malfoy sempre aparecia em jornais quando conferências assim aconteciam, mas Scorpius sempre tentou ficar fora disso. Agora lá estava ele, sério e lindo para as fotos, dando às pessoas uma visão de um acontecimento importante, junto ao seu pai. Os dois estavam parecidos, exceto que Scorpius estava com a barba mal-feita e incrivelmente sexy. Parecia um momento inapropriado, mas eu queria beijá-lo inteiro. Era uma sensação que não esquentava só o meu corpo, mas meu coração também.

Antes de Draco encerrar a conferência – e dar partida ao jantar – todos fizeram um minuto de silêncio em memória a Lucius Malfoy. Quando os dois voltaram à mesa, a madrasta de Scorpius, Elizabeth, abraçou Draco com força. Eu não vi mais eles, porque me virei para Scorpius e disse:

– Uau, Scorpius, estão tão orgulhosa de você.

– Meu cabelo estava bom? – ele passou a mão, lentamente. E sorriu, apertando as mãos na minha cintura e me puxando para perto dele. – Eu queria que viesse até aqui para entender porque vou precisar me afastar por um tempo. É uma coisa importante a ser feita e as pessoas contam comigo.

– Eu sei – falei baixinho, olhando para ele de uma forma totalmente diferente. Passei a tarde inteira, enquanto me arrumava para este compromisso, tentando encontrar uma maneira de dizer que eu o amava e não queria que ele fosse embora.

Mas vendo como as pessoas confiavam em Scorpius... eu não senti na necessidade de tentar impedi-lo de ir embora por um sentimento tão egoísta que era o amor. Quero dizer, Alemanha era aqui do lado... não significava que íamos perder contato depois que Scorpius pegasse um avião.

Nós nos afastamos quando James e a galera se aproximaram para abraçarem Scorpius e parabenizá-lo. Lily deu uma cotovelada fraca e chamativa em mim, com a expressão quase tão surpresa quanto a minha, que dizia: "você sabia que Scorpius era tão importante?" Nós duas fomos ao banheiro juntas, com Alice e Kate.

– Vocês viram aquilo? – exclamou Alice, animada, quando ficamos seguras dentro do banheiro. – Por que Scorpius nunca falou nada sobre ele ser, tipo, muito importante?

– Ele não gosta de se gabar, pelo menos não da sua vida profissional – respondeu Lily.

– É, ele não era muito aberto nesse assunto.

As três olharam para mim.

– Que foi?

– O que vai fazer agora, Rose? – quis saber Lily agitada. – Scorpius vai morar em outro país. Não está com medo que ele te troque por uma alemã?

– É – acrescentou Kate. – Dizem que as alemãs são as mais excêntricas na cama.

– Eu não vou dizer nada.

– Então por que você está na mesa com a família dele?

– Porque estamos encenando um namoro para o pai dele ficar irritado.

– Malfoy não parece irritado hoje.

– Ok! Ótimo! – eu exclamei, rendida. – Eu o amo, mas não vai fazer diferença porque Scorpius não vai ser idiota de preferir ficar comigo e desistir de uma viagem que todos os homens mais importantes estão esperando que ele faça! Eu não vou dizer nada e vocês não vão dizer também. E ele não vai me trocar por uma alemã porque não há nada para ser trocado. Só transamos e beijamos e transamos de novo, mas não passou disso!

– Tudo bem – Alice ergueu as mãos. – Engane-se, Rose. Mas acho que você deveria dizer e deixar as decisões de Scorpius na mão dele.

– E é a minha decisão dizer alguma coisa para ele se decidir. E eu decido não dizer nada.

– Você está com medo, não está? – perguntou Kate com a expressão aflita. – De dizer que o ama e ele te responder com um "obrigado, Rose, mas... eu não posso mudar de ideia." Estamos sempre esperando a melhor resposta quando nos confessamos. Talvez Rose esteja certa. Não é bom dizer nada agora, porque a resposta de Scorpius pode ser ruim. Seria um risco querer que ele decida.

– Viram? Conheço Kate há menos de um ano e ela me entende melhor do que vocês duas – olhei para Alice e Lily acusadoramente, e as duas giraram os olhos.

– É melhor voltarmos para o jantar – suspirou Lily. – E nos lembrar que não estamos em um filme.

As três deram passos na direção da porta do banheiro para saírem, mas eu decidi ficar mais um pouco, sozinha, para pensar nos meus próximos movimentos quando Scorpius estivesse comigo. Encarei-me no espelho da pia e mordi os lábios.

Foi então que eu vi a porta de um dos toaletes atrás de mim se abrirem. Assustada com quem poderia ter escutado a conversa, eu fiquei nervosa e aflita. Mas apenas surpreendida quando vi que a mulher que estava ali não era a madrasta de Scorpius, mas a verdadeira e única mãe dele.

– Sra-

Eu parei no ato, porque eu ia chamá-la de "sra. Malfoy", de tão acostumada eu fiquei na minha adolescência, quando ela ainda era uma deles. Astoria se aproximou da pia ao meu lado para lavar as mãos. Ela usava um vestido incrível e era muito bonita. Havia traços da aparência dela que Scorpius havia herdado. Talvez a expressão bondosa e o sorriso de um lado, charmoso e fácil.

– Weasley, é óbvio que ouvi toda a conversa – ela disse quando viu minha expressão.

– Hum, certo. – eu franzi a testa. – É um prazer revê-la. Faz muito tempo.

– Naturalmente, muitas coisas mudaram desde então – ela olhou para mim ao dizer a indireta.

– Então, o que eu disse com as minhas amigas sobre o seu filho...

– Ainda estou contente em saber que vocês dois sejam bons amigos, srta. Weasley.

– É... bons amigos.

– Preciso lhe dizer – ela se aproximou de mim. Era mais alta e os cabelos negros mais cumpridos. – Scorpius acha que fazer as coisas que Draco gosta fará com que ele o ame. Mas eu sei que meu filho odiaria fazer uma coisa que ele mesmo não gosta sem ouvir o que a melhor amiga dele tem a dizer também. Então, diga. Sem pensar.

– Está me aconselhando?

– Estou só dizendo... é, estou aconselhando. Scorpius sempre demonstrou uma afeição muito grande por você, Rose. Não descarte a possibilidade de você ter uma grande influencia no que ele se tornou hoje e, talvez, no que ele vai se tornar de agora em dia.

– Certo – olhei para ela mais uma vez, piscando os olhos. – Obrigada, sra...

– Astoria, só Astoria.

– Obrigada – eu sorri.

Ela ia sair do banheiro, então acabei seguindo-a. Nós duas saímos juntas, exatamente no momento em que Scorpius e Draco estavam saindo do banheiro masculino.

Não sei dizer se a cena foi desconfortável, porque dois ex-casados se cruzarem trazia esse tipo de sensação nos outros, mas Scorpius foi tão rápido em abraçar a mãe que não deu tempo de sentir isso a não ser a empatia do carinho que ele tinha por ela.

– Mãe – ele disse ao soltá-la. Ficou olhando para ela muito surpreso. – O que a senhora está fazendo aqui? Eu não sabia...

– Eu a convidei – disse Draco Malfoy ao lado dele, segurando uma taça de vinho. Colocou a mão no bolso. – Liguei para sua mãe nos Estados Unidos e disse que essa seria sua última noite em Londres e que era importante a presença dela.

Scorpius encarou Astoria, incrédulo, como se perguntasse: "meu pai está falando sério?"

– Eu peguei o primeiro avião que consegui – respondeu. – Estou orgulhosa de você, querido. Eu espero que esteja feliz também.

– Só um pouco... nervoso. Eu nunca achei que iria sair da Inglaterra.

– Vai se dar muito bem – encorajou Draco. Depois voltou a olhar para a ex-mulher. – Sua mesa já foi servida?

– Eu estava no banheiro, então não sei. – Ela fez uma pausa antes de perguntar: – Como está Elizabeth?

Scorpius pegou minha mãe e me afastou dali rapidamente quando a mãe dele fez aquela pergunta para Draco. Os dois continuaram perto do banheiro, talvez trocando informações sobre suas vidas agora, mas Scorpius não nos deixou ficar lá para saber... então eu apenas perguntei para ele, quando alcançamos um lugar perto da mesa.

– Você nunca me disse por que seus pais se separaram.

Então ele pegou uma caipirinha antes de começar a contar:

– Meu avô tinha morrido naquele mês e então meu pai não conseguiu se desgrudar um segundo do trabalho. Ele abandonou minha família por meses desde então. Não deu notícias, deixou minha mãe preocupada por tanto tempo que ela chegou a dizer que talvez Draco tivesse fugido de nós. Ficamos sabendo que ele estava na França. Eu o odiei tanto naqueles dias. Então... quando ele voltou, ele e minha mãe brigaram. Pediram o divórcio. Ela foi morar nos Estados Unidos porque sua empresa construiu um Hotel em Miami e ela é gerente de lá agora. Meu pai provavelmente conheceu minha madrasta quando fugiu de nós e agora eu tenho irmãs gêmeas de cinco anos que me pedem para brincar de casinha e tomar chá.

– Ele estava traindo sua mãe?

– Não sei, talvez. Meu pai estava uma merda naquela época. E agressivo. Então... eu gosto de pensar que ele se separou da minha mãe para protegê-la de ser muito infeliz pelo cara que ele havia se tornado.

Encontrei a mão dele e a apertei.

– Por que nunca me conta isso? Eu fico pensando em como você deve ter se sentido naquela época e eu sei que eu estava lá com você, mas sinto que você não queria ser ajudado.

– Eu estava infeliz, mas me recuperava em festas e baladas e sexo.

– Sempre me ligando de madrugada para buscá-lo na casa de uma desconhecida porque estava bêbado demais para dirigir – lembrei.

Ele fez uma careta.

– Eu fiz isso com você, não fiz? Eu era totalmente idiota e nojento.

Ele estava sentado e me abraçou pela cintura, num modo de se desculpar por isso. Eu segurei o rosto dele e beijei seu rosto levemente.

– De alguma forma, eu sabia que naquela época você precisava de alguém que se importasse com você – sorri. – E esse seu jeito de galinha que dormia com todas na escola e desaparecia nas festas... depois contava para todo mundo o que fazia com elas e não se importava com os sentimentos delas... Eu quis te odiar muito por isso, sabia? Mas me fez crescer e abrir meus olhos, como menina e mulher. Eu teria deixado ser enganado por garotos, porque você não é o único que faz isso. A única diferença entre você e os outros caras é que você...

– É que eu tenho você – ele disse baixinho. – E eu realmente não sei como tenho tanta sorte de ainda ter você. Porque se isso dependesse de algum merecimento... eu estaria sentindo sua falta na minha vida.

Eu estava com as duas mãos segurando seu rosto e passei um dedo pelo seu cabelo, confessando:

– Eu acho que te amo demais. Caso contrário, eu já teria dado muitos chutes nas suas bolas.

– Você já fez isso.

– Eu disse "muitos".

Rimos baixinho, então ele me beijou, talvez como nunca beijara antes. Pensei que fui muito idiota por ficar pensando demais se deveria dizer ou não que eu o amava. Como se fosse alguma novidade. Quando queremos dizer isso a alguém, a palavra simplesmente sai, você não tem que pensar demais sobre isso.

O beijo estava delicioso, a língua dele acariciando a minha e os dedos brincando com meus cachos, mas fomos divertidamente interrompidos por um homem de cabelos castanhos da idade dele, porque segurou Scorpius pelos ombros e exclamou numa saudação:

– Scorpinto! Você é um cara de sorte.

– Will – ele cumprimentou Will com um aperto de mão, sem o entusiasmo exagerado do colega dele, já que havia nos interrompido. – Obrigado, meu pai queria que eu fosse para Alemanha há muito tempo.

– Não estou falando da Alemanha, seu loiro oxigenado – ele se afastou de Scorpius para olhar para mim. E devo acrescentar que foi dos pés a cabeça. – A senhorita deve ser...?

– Minha namorada, Rose Weasley – disse Scorpius primeiro do que eu.

– Ooooh, namorada?! Desde quando Scorpinto tem uma namorada? – ele gargalhou sozinho e o mais estranho disso tudo era que o cara não estava cheirando a álcool para estar tão bêbado assim. – Ela é linda, cara, não perde ela, hein? E se forem casar – acrescentou, apontando o dedo para mim, super sério – quero o convite. Oh, não, é melhor não convidarem... eu posso tentar enfiar a língua na sua boca – avisou honestamente. – E isso não vai ser legal, porque gosto muito do Scorpinto e nunca gostaria de ficar entre vocês dois. São um casal bonito.

– Obrigado, Will – disse Scorpius pacientemente. – Olha, acho que sua mulher está olhando para você.

Ele espiou ao redor, assustado, e foi embora.

– Então – eu voltei para Scorpius depois que Will desapareceu de vista –,Scorpinto...

Nos encaramos e rimos.

– Que diabo de apelido é esse? – eu exclamei inconformada.

– Foi logo depois que ele descobriu que eu dormi com a secretária do meu pai – contou Scorpius, não soando muito orgulhoso disso. Mas eu não consegui parar de rir.

– E quem mais te chama assim?

– Só Will. Ele trabalhava no escritório ao lado do meu. Vou sentir falta do cara. Fazia o trabalho ficar divertido, sabe. Acho que ninguém na Alemanha vai me chamar assim.

Parei de rir aos poucos. Ele ficou com a testa franzida por uns segundos, como se só agora tivesse se dado conta do que ia acontecer nos próximos dias. Foi como ele ter levado um tapa na cara, porque bebeu o resto da bebida de uma vez e afrouxou a gravata no colarinho, suando.

– Rose – ele murmurou, levantando-se. – Eu preciso ficar sozinho... já volto.

Quando saiu, tirando a gravata inteiramente do pescoço, eu observei seus passos com a expressão confusa. Peguei uma bebida para mim e olhei para as pessoas dali. Albus andou até mim com as mãos no bolso.

– Por que Scorpius saiu daqui tão depressa? – ele perguntou para mim.

– Eu... eu não sei. Acho que ele entrou em pânico.

– Estranho. Ele parecia confiante quando fez o discurso.

– Al, eu disse a ele que o amava. Você acha...

Ele segurou meu braço, antes de eu ter concluído a minha preocupação. Eu gostava tanto de Al por isso. Por termos vivido mais tempo do que vivemos com qualquer outro de nossos amigos, ele sabia exatamente como ler a minha mente de modo que outra pessoa não entenderia.

– Ei, não. Isso não tem nada a ver com você, ouviu? Scorpius não é um covarde. Só é assustador pensar que vai morar em outro país. Ele não ficaria assim porque você disse que o amava.

– Mas ele não disse de volta.

Al me abraçou e beijou o topo da minha cabeça, quando percebeu que eu havia falhado um tom de voz. Então me lembrei que Albus devia ter preocupações piores do que a minha e eu me afastei para abanar a cabeça.

– Eu sou tão estúpida. Você vai ser pai e eu aqui preocupada por uma coisa tão boba.

– Não é boba. Mas você conhece Scorpius e sabe que ele tem dificuldade de expressar o que ele sente, certo?

– É, ele sempre foi assim. Mas e você? Como estão as coisas?

Ele parecia genuinamente preocupado, mas satisfeito.

– Kate e eu vamos morar juntos. Nada de casamento por enquanto. Eu só vou ficar com ela toda a gravidez e depois da gravidez e até nosso filho ou filha crescer e sair das nossas asas. É esse o plano.

– Espere! Vocês vão morar juntos... mas Kate mora com Lily e isso quer dizer que...

– Lily pode vir perguntar a você se tem algum espaço para ela no seu apartamento, então finja que eu não disse nada.

– Eu adoraria morar com Lily!

– Então isso facilita as coisas para nós – ele sorriu. Apertou meus ombros, ternamente. – Olha, Scorpius te ama e todo mundo sabe disso. Deixe o cara processar, a vida dele vai mudar também.

– Eu sei, eu sei... pelo menos eu disse e não conseguiria deixá-lo ir embora sem que ele soubesse disso.

Encontrei Scorpius dez minutos depois sentado na grama do jardim do clube, longe da sua festa de despedida, longe dos pais, longe de nossos amigos e longe de mim. Seu paletó estava jogado ao seu lado, assim como a gravata. Ele tinha as mãos enterradas nos cabelos como se pensar muito o deixasse enlouquecido.

Aproximei-me cautelosamente e, sem dizer nada, eu ajeitei meu vestido e sentei ao seu lado, olhando para a paisagem do lago e da piscina. As luzes iluminavam pouco caminho, então basicamente estava quase escuro. Não conversamos, eu apenas deixei que ele dissesse alguma coisa primeiro. Ou "saia daqui" ou qualquer outra coisa para mostrar que ainda queria ficar sozinho.

Até lá, então, eu não o deixaria sozinho.

Ele finalmente disse:

– Estou assustado. Não quero isso. Mas... não vejo meus pais juntos em um mesmo lugar há muitos anos e eles estão orgulhosos de mim. Esperando que eu faça alguma diferença. Eu não quero sair de Londres, Rose. Nunca. É tarde demais para dizer isso.

– Você não precisa fazer isso se não quiser, Scorpius – eu respondi baixinho.

– Com que cara eu vou falar isso para o meu pai? Ele nunca vai me perdoar, eu vou humilhar a empresa e...

– Escute – eu o interrompi e acariciei suas costas. – Então você deve deixar esses medos de lado agora... e seguir o caminho que disse que ia seguir. Não é como se Alemanha fosse absurdamente longe e você não pudesse nos visitar.

– Não vai ser mais a mesma coisa.

– Nada é a mesma coisa. Elas devem mudar uma hora.

– Então quer que eu vá? – ele me encarou, aflito.

– Vou sentir sua falta, como falei. Mas agora sua obrigação é com o seu trabalho, sua vida profissional. Você estudou para isso, trabalhou para isso e sinto que você quer ter essa responsabilidade. Você poderia morar lá por um tempo, mas se estiver se sentindo inseguro ou muito sozinho por lá... não hesite em voltar, ok?

– Tenho que tentar, pelo menos, não?

– Sempre.

Ele abriu um sorriso para mim e roçou o dedão em meus lábios, antes de se aproximar e me beijar como havia me beijado dentro da festa. Eu correspondi por um tempo, até ele se afastar para dizer:

– Você sabe que eu te amo, certo? Não é nenhuma novidade.

– Eu acho que mesmo assim vou sempre ficar surpresa quando disser.

Scorpius observou meus lábios tão perto para dizer outra vez:

– Bem, eu te amo.

Fiz uma expressão surpresa, colocando a mão na boca para enfatizar; Scorpius riu e só não voltamos a nos beijar porque Lily gritou do outro lado do jardim:

– Aí estão vocês, pombinhos! Nós vamos para o Três Vassouras, aproveitem que James deixou todo mundo entrar na caminhonete dele!

Scorpius e eu nos entreolhamos.

– Vamos – eu sussurrei, apertando a mão dele. – A não ser que você precise ficar aqui até o fim.

– Ninguém precisa ficar aqui até o fim – ele respondeu e se levantou, ajudando-me a ficar de pé também. – Só preciso me despedir da minha mãe e alcanço vocês.

Deu-me um rápido beijo e voltou para o salão.

Eu fui meio que tropeçando até Lily.

– Que cara de avoada é essa? – ela perguntou.

– Nada – eu disse, percebendo que estava sorrindo feito uma boba.

– Vocês estavam transando? Rose, eu disse que eu seria a primeira a experimentar sexo em público!

E saiu atrás de mim, totalmente inconformada. Mas não estávamos transando – e não achei que precisasse responder isso a Lily – Scorpius e eu só estávamos... hum, namorando.


Quando nos despedimos de nossos amigos perto das duas horas da manhã, fiquei mais uma noite com Scorpius, conseguindo tudo aquilo que eu precisava. Ele parecia saber exatamente o quê e constava todo o meu prazer e felicidade em apenas atos quentes e sensíveis, embaixo de lençóis. Naquela noite, nós tomamos banhos juntos e ficamos um pouco na banheira, conversando sobre como ficaríamos agora que Scorpius não ia mais morar em Londres.

Scorpius fazia a melhor massagem do mundo. Eu estava com a cabeça encostada ao seu peito, brincando com a água ao nosso redor, enquanto ele apertava seus dedos habilidosos em meus ombros tensos. Estava quieto e cheiroso dentro do banheiro. Eu não parava de pensar que eu estava apaixonada. Eu quis dizer algo o tempo todo, mas ele sempre caladão, e então murmurei, olhando para o teto:

– Preciso confessar que as coisas mudaram completamente quando você decidiu que queria ter um relacionamento sério com a Stephanie Escandalosa. Lembre-me de agradecê-la.

– Eu queria ter um relacionamento sério. Não necessariamente com ela.

– Você pediu minha ajuda.

– Ainda estou tentando pedir.

Ele começou a passar o sabonete pelos meus braços e disse perto do meu ouvido:

– Eu quero ficar com você. Não importa a distância agora... eu gostaria de poder dizer a um mulher quando ela estiver dando em cima de mim: "Eu não posso, eu tenho uma namorada." Ela vai dizer: "mas ela não está vendo." E eu iria responder: "Não importa, eu não vou traí-la." E então eu pensaria em você... e ligaria para você da Alemanha só para ouvir a sua voz. Sabe, essas coisas que namorados fazem porque estão apaixonados por suas namoradas.

– Então é sério? – minha voz estava baixinha quando girei o pescoço e o encarei. Ele pousou um dedo no meu queixo e me beijou lentamente, sugando meus lábios de um jeito torturante. – Você quer tudo isso?

– Quero. Você quer?

– É muito arriscado para você. Eu não sei... vai que você encontra uma mulher e se apaixona por ela e perde a cabeça e volta para Londres dizendo que vai se casar com ela ou sei lá.

– Você está assistindo muito a filmes, Rosie. Eu demorei dez anos para dizer que eu amo minha melhor amiga. Eu não perderia minha cabeça por alguém desconhecido só porque vou estar alguns quilômetros longe de você.

– Você disse que me ama de novo – eu avisei, quase de um jeito divertido, mordendo os lábios e dando um tapinha fraco em seu rosto encostado no meu ombro nu e molhado.

– Vai ficar surpresa o tempo todo? – ele girou os olhos, embora sorrisse também.

– Certo, eu não fico totalmente surpresa. É só bom... ouvir isso da sua voz. Soa verdadeiro.

E único.

– Eu gosto do jeito que isso soa – ele sussurrou. – Devia ter falado antes e aproveitado mais isso. É bom mesmo.

E eu esperava que continuasse sendo assim por muito mais tempo, mesmo que não o tempo todo agora.


Eu não me lembrava de alguma vez estar sentindo o que eu sentia naqueles últimos tempos. Era talvez tudo o que eu sempre senti por Scorpius, mas dessa vez de uma forma intensificada. Talvez porque eu sabia que não nos veríamos todos os dias, que nossos meios de comunicações seriam por via internet. Não sei. Tudo era muito misturado, e essa mistura de sensações boas e confusas e tristes e alegres estava conectada ao beijo que nós dois não conseguíamos parar de trocar, alguns minutos antes de Scorpius entrar no avião, no aeroporto.

– Eu devia deixar você ir – falei entre seus lábios entreabertos. Ele mordiscou o meu inferior. Parecia que todo mundo do aeroporto estava olhando para nós dois. Mas a gente não se importou.

– E eu devia ficar com você aqui.

– E eu devia obrigar você a isso.

– Oh, caramba – reclamou James do nosso lado, olhando para o relógio do seu pulso. – Eu vou precisar escovar meus dentes de tão melosos que vocês estão aqui.

Acho que isso fez a gente se despertar. Scorpius ajeitou as malas nos ombros, depois que me soltou, e ele e James apertaram as mãos. Ele abraçou Alice, Lily, Albus e Kate, dando um tchau para cada um das garotas com um beijo no rosto. Agora ele estava realmente indo embora para valer, mas voltou para agarrar minha cintura e me dar um último e forte beijo na boca. Eu ri, mas quis chorar, mas ri mais do que quis chorar, porque ele disse:

– Tchau, namorada. Eu te ligo quando chegar. Vocês também.

– Tchau, Scorpius, tchau – disse Lily apertando os ombros dele para levá-lo até a fila do avião, uma vez que Scorpius não parecia disposto a ir para lá sozinho.

Ele se aglomerou na fila. Deu uma última olhada para nós quando Lily voltou a ficar ao meu lado. Nós abanamos nossas mãos em uma despedida um pouco triste.

Ficamos um tempinho em silêncio quando a porta se fechou assim que o último da fila entrou no avião.

Eu me senti patética, quando confessei:

– Já sinto falta dele.

– Aaaawnn – eles zoaram, mas Alice jogou um braço ao redor do meu ombro. – Vai ficar tudo bem, Rose. Sabe o que as melhores amigas fazem quando uma delas sente a falta do namorado?

– Espero que a resposta não soe muito lésbica.

– Não! Nós fazemos festa de pijama!

– Uma festa de pijama? Quem você vai convidar?

– Apenas as meninas. Al, você pode emprestar a Kate por essa noite? Prometemos que não vamos fazer nada irresponsável.

– Eu toparia – ela disse sorrindo. – Não é como se eu estivesse morrendo. Ultimamente as pessoas têm me tratado como se eu estivesse morrendo. Muito ao contrário disso. Só estou grávida.

– Oito horas, na casa da Rose. Festa do pijama. Lily também está convidada.

– Claro que estou.

– E a gente? – perguntou James.

– Vocês podem ficar... zoando por aí como vocês sempre fazem. Desculpe meninos, mas dessa vez é só as garotas – Alice disse. – E você não vai querer ouvir os detalhes sobre a vida sexual da sua irmã, não é, querido? Obviamente só vamos falar sobre isso.

– Promete uma coisa? – perguntou James. – Fale bem de mim.

– Vai ser fácil.

– Ei, eu não quero saber dos detalhes sobre meu irmão – disse Lily estupefata. – E nem do meu outro irmão. E nem do Scorpius. É melhor fazermos a noite do Karaokê! É mais seguro e todos podem ir.

Após curtirem a ideia da Lily, eles olharam para mim como se eu fosse a líder do grupo.

– Claro, gente. Se Scorpius fosse, ele totalmente broxaria com a minha voz. É melhor aproveitarmos que ele não está aqui agora – brinquei.

Enquanto eles discutiam que músicas iam cantar, eu dei uma última olhada para trás, para o avião. Sabe quando você espera o cara que você ama voltar e desistir de toda essa loucura de viagem? Eu não esperei isso. O pessoal já estava há cinquenta passos a minha frente então tive que correr um pouquinho para alcançá-los. Abracei Lily pelo pescoço, já que agora seríamos colegas de quarto. Eu apenas ia esperar por Scorpius quando voltasse. Permanentemente? Para sempre? Eu não sabia de nada. Só sabia que as coisas realmente iam mudar. Cabia a nós mesmos nos certificar de que a mudança fosse, definitivamente, boa.


Meu Merlin, demorei com esse capítulo né? Eu sei, mas espero ter compensado tanto com o tamanho quanto a qualidade... eu prefiro pensar que a qualidade é mais importante, então tomara que tenham gostado! Obrigada pelos comentários, os votos (nao apenas na fic, mas em meu perfil tmb, obg!), os números de leitores, visitantes, etc.

Começamos mais um ano com este capítulo cheio de confissões e sentimentalismo... Scorpius vai mesmo embora, mas por quanto tempo ele conseguirá ficar lá? Só lendo para saber como as coisas vão ser... Queria avisar tmb que a fic não vai ser gigante e é capaz dela estar em seus capítulos finais. Acho que até o quinze ela pode terminar...

Obrigada a todos e até o próximo! :)