Às vezes eu esquecia que minha cama não era mais vazia ao meu lado, então era difícil acordar e não me espreguiçar sem, pelo menos, jogar a mão em cima do rosto de Scorpius. Era tão engraçado. Naquela vez, acordou assustado de um jeito que me fez pedir desculpas daquele jeito desesperado que eu tinha.
– Comecei a achar que você faz isso de propósito – ele disse sonolento. Não me deixou levantar ou me mexer porque decidiu se aproximar com o peito nas minhas costas e me abraçar assim. – Eu não sabia que morar com você vem com um despertador de brinde – ele brincou, beijando meu pescoço.
Eu fechei os olhos novamente, rindo baixinho. Eu só pensava em aproveitar a sensação da boca dele roçando minha pele sensível.
– É que... eu me sinto tão normal com você – murmurei. Ainda estava com sono, mesmo precisando acordar para dar aula naquela sexta. – Confortável demais. – Me virei para ficarmos de frente, um olhando para o outro. – Desculpe por ser essa namorada desastrosa. Quero dizer, eu sei qual é o seu estilo e pensar que você me escolheu... me preocupa, porque eu quero ser sua, mas não quero ser o seu estilo.
Ele franziu a testa, quase aflito, mas ainda com a sombra de um sorriso preocupado.
– Está dizendo que se acha insuficiente para mim? – perguntou no tipo "você é louca?", fazendo-me rir e tentar explicar melhor.
– Depois da transa de ontem eu fiquei pensando. Quero dizer, foi ótima, mas... eu sempre tenho essa sensação de que nada mais te surpreende.
Ele se sentou, sem entender.
– Como assim?
– Você vai rir de mim.
– Claro que vou – respondeu incrédulo. – Sua preocupação é idiota, Rose, você me surpreende o tempo todo. Quero dizer, eu levo um soco para acordar. Quer coisa mais original e surpreendente que isso?
Dei um tapa no braço dele, enquanto ele ria. As desvantagens de ter uma vida sexual e amorosa com seu melhor amigo é que ele tem o direito de zoar você e você não tem o direito de ficar brava porque você também zoa com ele o tempo todo.
– Eu quero dizer que... eu não tenho as mesmas experiências que você. Às vezes eu acho que sou meio sem graça. Não, não é para você dizer coisas fofas agora – eu vi a expressão dele de namorado atencioso. – Só me diga... o que está faltando em mim? Eu sinto que tem algo faltando em mim.
– Confiança – ele respondeu com toda a sinceridade que existia naquele Scorpius que sempre conheci.
– Oi, eu sou Rose Weasley. Até parece que não me conhece, Scorpius.
– Rose, a gente não tem confiança quando nasce. Não é algo que existe na gente, é algo que adquirimos. Às vezes você se reprime muito.
– Sério? – E eu que me achava a pessoa mais escandalosa do mundo na cama quando ele estava em mim. – Eu fico me reprimindo? Tipo, na cama?
– Em qualquer coisa – ele falou seriamente. – Você se reprime porque é a pessoa mais altruísta que eu conheço. Você aguentou morar com Stephanie enquanto eu vinha para cá para transar com ela ao lado do seu quarto. Você suportou todas as garotas com quem já fiquei, suportou todas que Albus ficou, suportou Brian por três anos. Você se preocupa demais com os outros, se preocupa demais com que vão achar dos seus sentimentos. Você reprime seus sentimentos porque acha que eles são menos importante do que o dos outros.
– Tá, mas e na cama?
Ele gargalhou. Eu fiz de propósito. Não entrei naquele assunto para falarmos sobre outra coisa senão sobre minhas habilidades em dar prazer a ele. Mas ele mesmo foi para um assunto que, sem querer, fez-me refletir muito durante todo o tempo.
– Você devia se soltar mais – ele criticou. – Às vezes você fica silenciosa, eu fico achando que eu não estou sendo o suficiente.
Meu Deus. O que Scorpius devia pensar de "escandalosa" então? Uma mulher megafone?
– Mas você é muito confiante, você sabe que é bom em tudo.
– É diferente com você. Eu nunca sei o que você pode estar pensando, porque você tem um quê misterioso. Eu acho isso sexy. E desafiador. E como você disse, eu nunca experimentei um estilo como o seu. Então não diga que você não me surpreende, porque você sabe fazer isso como ninguém.
Eu o beijei levemente, sorrindo.
– Odeio quando tenta me fazer sentir bem. Me faz querer beijá-lo – brinquei. – E eu vou chegar atrasada se eu não sair daqui.
– Tudo bem, você sobrevive.
Ele puxou minha coxa de modo que joguei as pernas em cada lado de seu quadril. Como em toda manhã, ele gostava de atenção. Como em toda manhã, eu tentava nunca me reprimir. Dessa vez, enquanto eu tinha meu corpo cavalgando em cima do seu, ele sussurrou meio que alertando:
– Ei, está reprimindo.
Então eu percebi, naquele momento, que eu pensava no que os vizinhos iam pensar se eu soltasse a minha vontade de exclamar alguma coisa. Scorpius estocou mais algumas vezes, murmurando para eu gritar, gemer, dizer qualquer coisa. Eu fiz. Fiz tudo isso. Naquela simples manhã, um pequeno gesto pode melhorar qualquer coisa. Ele ficou especialmente alterado, talvez como nunca antes. Ele me apertou no meu ponto fraco. Ele murmurava: "Assim você gosta mais, não gosta?" E quando eu fazia "uhum" apenas, ele mordia minha boca carnuda e, daquele jeito dominador, mandava: "grita a porra da resposta, Rosie." E eu gritei. Eu gritei a resposta que me levava para atingir o orgasmo. Scorpius esperava ansioso por isso, e eu sabia que os movimentos dele dentro de mim nunca realmente terminavam até eu suspirar o nome dele, até ele me ouvir dizer o seu nome quando eu gozava.
Parece pervertido dizer, mas ter um sexo matinal daqueles – daqueles que seu namorado não sossega até te ver satisfeita – melhora o seu dia. Bem, pelo menos faz você trabalhar com um sorriso ridículo no rosto. E, sim, sorrisos matinais irritam pessoas, especialmente sua chefe.
Cheguei a sala dos professores e fui surpreendida por ser chamada para a sala da diretora no mesmo momento. Como se eu fosse uma aluna. A diretora McGonagall não era uma das mulheres mais animadas do mundo. Não que ela estivesse sempre de mau humor. Ela apenas não tinha humor. Mesmo assim, eu a considerava uma mulher de exemplo. Estava na lista entre minha mãe e Alice. De qualquer forma, qaualquer que fosse o problema dela, sexo talvez não resolvesse. Eu me perguntei se meu bom humor apenas se resumia ao fato de que eu era jovem, inocente e inexperiente em comparação com sra. McGonagall, e que eu achava tudo divertido só porque transava.
– Sra. McGonagall? – eu bati os dedos na porta da sala dela. Ajeitou os óculos e olhou para mim, desviando a atenção para as papeladas de sua grande mesa.
– Weasley. Entre, pode se sentar. Muito trânsito a essa hora? – perguntou e eu me senti ruim por mentir dizendo que foi esse o motivo do meu atrasado. Ela viu meu sorriso e, provavelmente, alguma marca estranha que Scorpius adorava deixar no meu pescoço. Fiquei preocupada que ela me odiasse por isso, mas então me lembrei do que Scorpius falou. Sobre eu me preocupar com o que as pessoas iam julgar sobre meus sentimentos, então eu me sentei a frente de sua mesa, disposta a saber o que ela queria comigo.
Foi então que ela disse:
– É realmente bom vê-la sempre de bom humor por aqui, Rose.
Fiquei com medo. Ela estava me assoprando. Ela ia morder. Eram noticiais ruins. Eu apertei meus dedos, coisa que faço quando fico nervoso.
– O que aconteceu?
– A escola está com problemas financeiras – ela não enrolou no assunto. Havia rumores entre os professores sobre esses problemas. – E, muitas vezes, isso implica em algumas consequências.
Continuei apertando os dedos, pois todos sabem que consquencias que isso implica.
– Receio que não poderemos suportar um salário para alguns professores no próximo semestre.
– Eu acho que entendi.
Ela assentiu.
– A senhorita é tão jovem, ainda há tantos caminhos pela frente e eu prometo que vou recomendar suas habilidades para qualquer instituto educacional e-
Eu a interrompi, porque a voz de Scorpius ainda estava na minha cabeça: "Você se preocupa demais com os outros, se preocupa demais com que vão achar dos seus sentimentos. Você reprime seus sentimentos porque acha que eles são menos importante do que o dos outros." Eu disse com confiança:
– Eu sou uma ótima professora.
Ela me olhou, com os olhos abertos.
– Eu não disse isso.
– Eu amo aquelas crianças. Eu passei metade do ano preparando-os para a apresentação dos dias das mães. Eu passo a noite corrigindo lições e pensando nas atividades que vou dar. Nunca tive um pai que veio reclamar com a senhora ou mesmo na minha cara que eu não ensino nada aquelas crianças. Eu não mereço ir para rua por ser a mais nova daqui.
– Srta. Weasley, está culpando a pessoa errada. Deveria culpar a economia. A não ser que queira receber menos. A única coisa que podemos fazer é sentarmos e discutirmos a redução do seu salário.
Até ela sabia que isso não tinha cabimento, pois falou como se fosse apenas educada.
Então eu disse:
– Eu vou me despedir das crianças.
– Sinto muito, Rose.
– Não sinta. Não é sua culpa. Eu apenas preciso dizer o quanto agradeço pela oportunidade que me deu de ensinar aqui. Eu estudei aqui e eu sinto muito pelos problemas que estão enfrentando.
– A senhorita tem um ótimo currículo. É jovem e ainda terá muitas experiências. Nós escolhemos despedir os mais jovens professores pois sabemos que as chances são muito maiores de ganhar um novo emprego. Não é pelo contrário.
Eu senti que ela estava sendo sincera. Talvez não fosse divertido estragar as manhãs dos outros, afinal.
Eu voltei para minha sala, provavelmente seria difícil convencer meus alunos do que estava acontecendo. As crianças podiam ser capetinhas quando queriam, mas havia momentos que elas me levavam a sério, especialmente quando eu disse que tinha uma confissão para fazer.
– Lembram quando eu disse a vocês que muitas vezes as coisas não duram para sempre? Eu tenho uma notícia que pode ser triste para alguns ou até mesmo boa para outros. – Olhei para Derick Johnson, ele não gostava de mim, claramente, mas me acostumei tanto a isso que eu sempre fazia uma piada. – A partir do próximo mês não vou mais dar aula a vocês.
– Claro! É férias, professora! Deeerr.
Eles não entenderam.
– Nem mesmo depois das férias – expliquei. – Muitas coisas vão mudar no próximo semestre. E a professora de vocês também.
– Você foi demitida? – Johnny pescou rapidamente a informação.
– Não por fazer alguma coisa errada. Às vezes a direção da escola deve tomar algumas iniciativas para tentar resolver problemas.
Eu tentei explicar da melhor forma possível a eles. No final da aula, Elisa se aproximou quietinha de mim e murmurou:
– Acho que não quero ser professora mais.
E eu expliquei o quanto é importante ser professor e que ela nunca deveria deixar de querer a ser uma, porque muitos dos problemas que professores enfrentavam era a falta de atenção que davam a eles. Mesmo assim, eu não sentia mais no objetivo de iludi-la a querer ser professora. Era uma profissão admirável, porém frágil.
E que te fazia perder um pouco, aos poucos, qualquer esperança. Eu nunca achei que eu seria demitida de qualquer coisa. O primeiro problema que iria enfrentar era o desemprego, porque, com outros professores tendo os mesmos problemas, seria um tanto difícil encontrar vagas em outras escolas.
Mesmo com meus objetivos de vida, eu não tive um sequer quando saí da escola e liguei para Alice, desesperada. Eu não falei: "ótimo, vou ser forte e encontrar outra escola para dar aula agora mesmo." Isso me deu um desânimo total. Tudo o que eu desejei era voltar para casa e chorar. Chorar porque, obviamente, eu era muito sensível quanto aos fracassos que eu cometia. Não, eu sei que não foi fracasso, mas ter sido formada em uma faculdade, ler todos os livros, adorar crianças, pelo visto não era o suficiente porque, querendo ou não, o que realmente vai preocupar é o dinheiro. É o salário.
Almocei com Alice naquela tarde, nervosa. Ela tinha um tempo livre no horário e veio correndo para conversarmos nos Três Vassouras.
– Está me atingindo, eu nunca achei que fosse me atingir.
– Rose, não é sua culpa – ela tentava dizer, mas eu só pensava em uma coisa.
– Eu não devia ser professora. Que estupidez, que estupidez.
– Não vai desistir por causa disso, vai? Rose, mostre seus currículos...
– Eu só quero chorar. Me deixa chorar.
Mas eu não conseguia chorar. Não estava me entendendo.
– Volte para casa, descanse e faça alguma coisa pra distraí-la – disse Alice. – É a única coisa que pode fazer agora.
– Tudo bem – inspirei fortemente e fiz postura.
– Ligou para Scorpius?
– No que isso vai me ajudar?
– Não sei, eu ligo pro James quando eu estou mal e isso me ajuda muito.
– Mas ele não trabalha em uma empresa que já roubou metade da economia desse país.
Quando falei aquilo, Alice ficou calada e eu me arrependi. Mas fiquei aliviada de que apenas Alice tivesse escutado. Por isso chamei ela para almoçar, porque eu podia falar qualquer coisa e ela não me julgaria, ela entenderia que eu estava afetada demais que não mediria as minhas palavras. Eu teria, agora, uma demissão no meu currículo. No que isso podia me deixar bem?
– Não diga que eu disse isso – murmurei. – Ele não tem culpa nenhuma, no que eu estou pensando?
– Sobre voltar para casa e se ocupar com outras coisas... é uma excelente idéia, Rosie.
Era mesmo uma excelente idéia. E, para falar a verdade, fez-me sentir bem porque eu pude me ocupar em fazer um bolo. Durante a semana, combinei com meus amigos de que ninguém deveria contar aos meus pais sobre eu ter sido demitida. Sei que minha mãe entenderia, assim como meu pai ou qualquer um que tivesse um trabalho, mas... eu não queria que meu pai viesse em casa oferecendo ajuda caso as contas apertassem. Elas não estavam em situação tão crítica assim, eu ainda escrevia algumas colunas para a revista educativa, mas, caramba, eu não andava inspirada para fazê-las, mesmo naquelas férias.
– Rose, vai ter que aceitar isso – disse Al quando o visitei em sua casa. – Ou você nunca vai achar outro emprego.
– Eu sei – falei baixinho. – Mas ás vezes me passa a cabeça se eu deveria ter tentando ser outra coisa.
– Isso é normal, acho. Toda crise passa.
Crise. Talvez eu passasse por uma crise interna. E ela piorou quando, na segunda semana do mês, eu recebi uma visita bastante inesperada do pai de Scorpius. A princípio eu achei que ele estivesse procurando o filho – o que é normal de se esperar. Mas não. Draco queria falar comigo.
– O que o senhor quer? Scorpius saiu.
– Scorpius me contou sobre o seu problema. Com a escola.
Cruzei os braços, sem realmente convidá-lo para entrar.
– Veio dizer que me avisou sobre como é uma mil maravilhas dar aula?
– Ainda não se esquece daquele jantar em família, não é, Srta. Weasley?
E esquecer a noite que eu transei pela primeira vez com seu filho? Nunca. Mas eu não falei isso em voz alta. Devia ter falado, eu fiquei curiosa para ver que cara ele ia fazer. Ele continuou me encarando e eu não tive escolha senão deixá-lo entrar. Eu não era tão mal educada assim. E parte de mim, do meu coração mole, lembrou que ele fora baleado, fazendo com que agora andasse com uma espécie de bengala, só que não em uma atmosfera idosa. Achei até intimidador.
– Não vim aqui para falar sobre suas habilidades como professora. Scorpius sempre disse o quanto você escreve bem e que trabalha para uma revista.
Eu esperei ele continuar.
– Minha empresa precisa dessa habilidade. Houve uma demissão no departamento de jornalismo e precisamos de alguém para-
– Eu não sou jornalista.
– Precisamos de alguém para cuidar do departamento e para escrever.
– Obrigada, mas... eu já mandei meu currículo para outras escolas e eu estou esperando a resposta. O senhor poderia falar com a minha prima. Ela se forma em jornalismo esse ano e ela escreve melhor do que eu.
– Foi um "não" sofisticado – ele admitiu. – Mas pense na proposta.
– Eu não vou trabalhar na sua empresa, Sr. Malfoy – deixei claro que eu não queria nem pensar nisso.
Scorpius apareceu no segundo em que eu disse isso. Ele segurava sacolas de loja de ternos e gravatas. Franziu a testa para nós dois.
– Olá, Scorpius. Eu só estava dando algumas oportunidades para Rose.
Ele nunca tinha me chamado de Rose.
– De novo – ele se virou para mim. – Pense no que está negando.
Quando Draco foi embora, Scorpius perguntou:
– O que você está negando?
– Seu pai quer que eu trabalhe para ele – fechei a porta de casa, dando risada, mas quando vi que Scorpius não achou um absurdo, como eu esperava que ele achasse, eu parei de rir e me afastei para ir ao banheiro. – Engraçado, achei que diria que ele estava louco.
– Acho que ele está tentando se desculpar por ter ridicularizado você naquele jantar.
– Por que ele não se desculpa de um jeito normal?
– Porque ele acha que dinheiro compra as pessoas. Mas ele não seria louco de te dar uma oportunidade de trabalhar lá se ele realmente não visse alguma qualidade em você. Eu não estou abismado, estou impressionado.
– Eu não vou trabalhar para a empresa dele.
– Não está nem querendo pensar nisso?
Eu coloquei pasta na minha escova.
– Você quer que eu trabalhe?
– Eu quero que pense nisso. Não vai ser qualquer salário.
Escovei meus dentes de um jeito furioso. Cuspindo a pasta, eu disse a ele:
– Um salário que é tirado de professores a cada mês. Se eu trabalhar na empresa, eu vou me trair.
Ele não gostou do que eu disse.
– Não existe mais roubos por lá.
– Você não sabe.
Entramos na cozinha e ele disse de um jeito neutro:
– Você pensa como todo mundo, afinal de contas, não pensa?
– O quê?
– Você acha que somos ladrões corruptos.
– Eu não acho que você seja. Mas eu não posso ignorar que isso acontecia. Frequentemente.
– Eu estou trabalhando lá agora, tudo vai mudar.
Eu tentei muito entender porque Scorpius tinha tanta certeza disso.
– Você é melhor que isso, Scorpius. E mais realista também. A economia não muda.
– Eu sei que você nunca suportou o fato de que eu sou filho de Draco Malfoy. Você lidou com isso durante toda a sua vida. Mas me apoiou quando decidi trabalhar duro para essa empresa. agora, o que está dizendo, é hipocrisia.
– Hipocrisia? Você decidiu tudo sozinho. Não pense por um minuto que eu apoiei que você morasse na Alemanha. Ou que continuasse na empresa do seu pai. Você passou a vida inteira odiando aquele trabalho. Eu só apoiei que você fizesse aquilo que fosse melhor para você. E você achou que era melhor fazer a vontade do seu pai.
– Eu amadureci, Rose.
– Amadureceu ou foi manipulado?
– Está ofendendo ele. Nunca pensei que faria isso. Você é melhor que isso.
– Eu nunca entendi isso! – exclamei estupefata. – Em um dia você queria fugir de toda a responsabilidade da sua família e aí no outro dia, justamente quando a gente começou a ficar sério, você me aparece dizendo que vai para Alemanha para fazer jus ao seu sobrenome!
– Engraçado porque eu achava que você me entendia melhor que ninguém. Sobre ser responsável, sobre lidar com as conseqüências, sobre aceitar o que eu sou. Eu sou um Malfoy! Eu nunca vou mudar isso! Por que está dizendo todas essas coisas agora? – ele me encarou, bravo. – Foi demitida de um emprego de professora, sabe perfeitamente que tem capacidade de sempre encontrar uma escola para trabalhar, mas então sai da sua zona de conforto e resolve lutar pelos seus direitos, brigando e culpando qualquer coisa? Resolve criticar o meu trabalho e desprezá-lo?
– Semana passada, na cama, você disse que eu reprimia meus sentimentos – retruquei. – Disse que eu os subestimava. Disse que eu ligava para os sentimentos dos outros e deixava os meus de lado. A verdade é que eu não gosto que você esteja gostandode trabalhar na empresa, para o seu pai. Na verdade, eu odeio – apertei os dedos nos meus olhos. – Odeio porque eu conheci seu avô, eu conheço seu pai. Seu avô morreu cedo para um homem da idade dele, a empresa o desgastou demais... e seu pai levou um tiro, foi assaltado e roubado. Eu não quero que algo parecido aconteça a você, eu não suportaria vê-lo odiando a vida e se deixando levar pelo trabalho. Eu não suportaria ver a gente se separando por causa disso, como aconteceu com seus pais. Eu sempre te apoiei porque sou sua amiga, acima de tudo, e meu dever é apoiar qualquer decisão sua. Eu deixei de dizer que amava você só para você não se sentir pressionado em escolher entre mim e a empresa, mas talvez, olhando para trás, eu fui idiota. Eu sou muito mais importante do que essa empresa alguma vez foi para você. Você nunca devia ter escolhido Alemanha em vez de ficar aqui, comigo, e tentarmos ser felizes.
Ele pareceu surpreso com essa minha confissão. Com esse meu medo. Ele até se esqueceu de continuar bravo.
– Rose, eu não vou mais para Alemanha. Estou morando com você, esqueceu?
– Eu não sei, você vai para França, Escócio, Estados Unidos, Cuba, esse não é um emprego estável, você vai precisar viajar sempre.
– Se eu precisar viajar, levo você comigo.
– Não é tão fácil assim.
– Porque você complica as coisas. Meu pai só veio aqui para te oferecer um trabalho. E você desviou o assunto totalmente, dizendo que tem medo de que eu morra.
Eu dei uma risada, embora não fosse engraçado, achando-me patética.
– Desculpe – funguei.
O que nós dois tínhamos afinal de contas? Em circunstâncias normais, o jeito que falei sobre o pai dele e dele, bem, Scorpius deveria estar puto comigo. No entanto, ao me ouvir pedindo uma desculpa sincera, ele deu um suspiro e tirou o espaço que tinha entre a gente pra segurar o meu rosto e me fazer encará-lo.
– Eu não sei o que vai acontecer no meu futuro. Sei que quero você nele. Quando disse que não quer que a gente brigue, eu lembrei totalmente dos meus pais. Eu adoraria brigar com você por ciúmes, mas nunca por trabalho. Nunca, ouviu? Faça o que quiser, a carreira é sua, só conheço meu pai o suficiente para entender que ele não oferece trabalho a ninguém qualquer. Ele estava só pedindo desculpas do jeito dele.
– Sim – eu disse. – Acho que ser demitida me afetou mais do que deveria. Mas eu realmente não quero trabalhar lá.
– Tudo bem. Eu já acho insuportável trabalhar com meu pai, imagina se você tivesse que trabalhar para o seu sogro?
Eu amava Scorpius. Desviamos de uma discussão e agora estávamos rindo com a improvável cena. Ele me abraçou e enfiei meu rosto no peito dele.
– Tonta – ele disse.
– Besta – eu respondi.
E acho que desabafar fez as coisas ficarem melhores.
Ás vezes a vida era louca. Ás vezes era normal nos importarmos com coisas tão pequenas que esquecíamos daquilo que realmente era grande. Os dias melhoram, eu perdi a crise que tive no começo do "desemprego". Eu sabia que eu era esforçada o bastante para nunca ficar mais do que muito tempo sem trabalhar. O pai de Scorpius não voltou para me abordar sobre a proposta de emprego, talvez Scorpius tivesse deixado claro que minha intenção não era essa. Querendo ou não, eu amava dar aula. E eu continuaria fazendo isso, mesmo que as pessoas subestimassem a importância.
A verdade era que eu gostava de crianças e eu estava louca para quando Albus tivesse um filho. Ou uma filha. Eu queria que fosse filha. Ou gêmeas. Falar isso para Kate não ajudava muito. A barriga estava um pouquinho maior, mas ela era magra o suficiente para as pessoas não saírem perguntando se ela estava ou não grávida. Com o medo que se acendia nela sobre essas expectativa de ter filho, Kate soube lidar com isso e também fazia alguns planos de como seria o quarto da criança, por exemplo.
No entanto, algo aconteceu. E eu me sinto impotente por contar isso, porque nunca vou saber explicar como. Talvez realmente não fosse hora – como pensaria a pessoa mais otimista do mundo.
Albus entrou sozinho no Três Vassouras aquela noite. Isso foi a primeira coisa estranha que percebemos naquela noite. Ele não falou oi para gente, não sei se nos viu na mesa de sempre, ou se estava tentando nos evitar. A verdade era que ele queria chegar no balcão. Bebida.
Ele queria beber.
Ele não bebia desde o dia em que descobriu que ia ser pai.
Encarei James, ao meu lado.
– Eu vou lá conversar com ele – disse o irmão, levantando-se. Já tínhamos comentado sobre uma possível crise que Albus poderia ter quando a ficha realmente caísse. Ele não era extremamente forte em tudo, o meu primo, portanto esperávamos por um dia que ele quisesse esquecer toda a responsabilidade e voltar a fazer besteiras ali e aqui, como quando era na faculdade.
– Acham que Kate e ele brigaram de novo? – perguntei.
– Não. Albus não bebe aqui quando eles brigam – informou Scorpius. – Geralmente ele não sai de casa. Fica jogando Assassin's Creed como se não se importasse.
Nossas dúvidas foram tiradas quando James, lá do balcão, fez um gesto com a mão para nos levantarmos e nos aproximarmos de Albus. De perto, ele parecia muito arrasado. Triste mesmo.
– O que houve? – perguntou Alice preocupada.
– Kate e eu fomos no médico dela hoje. Íamos descobrir o sexo do bebê. Mas não tinha-
Porra. Eu nunca vi Albus tampar os olhos com a mão. Ele chorou. Tipo, sem conseguir terminar de dizer. James completou:
– Kate perdeu o bebê.
Sabe quando a sensação de que você quer fazer qualquer coisa para tudo ficar bem? Eu abracei Al, louca para consolá-lo.
– Merda – foi o que Lily murmurou, sentida. – Eu estava me acostumando com a idéia de que eu ia ser tia.
– Todo mundo tava, Lils – disse James. – Mamãe e papai sabem?
Al negou, tentando se controlar.
– Cheguei do médico agora.
– Por que não está com Kate? – perguntou Alice.
– Ela pediu um tempo sozinha. Com a família dela.
– O filho também era seu.
– Eu não entendo – ele olhou inconformado para o nada. – Passar pela maior cagada da vida... e quando você começa a gostar da idéia, a achar que pode dar conta... eu não ia dar conta, eu não tava preparado. Eu me sinto horrível.
– Acho melhor sairmos daqui – eu sugeri, ainda abraçando Al e acariciando seu cabelo. – Ficarmos na casa de alguém... não é bom você beber agora, Al. Katie vai precisar de força.
– Eu não sei se vamos continuar juntos depois disso, Rose. Acho que acabou tudo de vez.
– Isso é inaceitável! – exclamou Lily. – Vocês passam por essa merda toda e aí se separam? Fácil então, aí todos os caras que engravidam outras garotas sem querer é só esperar que elas percam seus filhos para se livrarem delas!
– Vai se foder Lily – mandou James. – Al perdeu o filho e você fica falando merda. Se não tem o que dizer para ajudar, vai galinhar por aí porque assim você enche menos o saco.
– Vai você se foder, James Sirius.
E ela foi embora. Acho que eu não esperava que Lily ficasse tão alterada assim. Mas lembrei o quanto ela era amiga de Kate também.
– Não precisava ter falado isso, Jay – disse Al. – Lily está certa. A coisa deve estar sendo bem pior para Katie. Acham que me sinto bem por deixar Katie sozinha? Ela não quer mais nada comigo. Antes dela dizer que estava grávida, sempre achei que ela fosse terminar.
Eric voltou trazendo a bebida que Al pediu, mas eu falei:
– Não, Eric, Al não vai beber. Ele precisa descansar. Pode fechar a conta.
– Pare, Rose – mandou Al, bravo. – Eu preciso beber. Me deixem, preciso pensar.
– Acha que isso vai ajudar você em alguma coisa?
– Me deixem sozinho, sério.
James se levantou. Todos conheciam como Al podia ser teimoso pra caramba. Não tivemos outra escolha senão deixá-lo em sua própria tristeza. Havia coisas que não dava para ser consolada. Só mesmo o tempo.
Quando saímos, Alice estava pensativa.
– Albus está aliviado.
– Como é que pode falar isso, Alice? – James estava muito bravo. – Você e Lily deviam sair correndo juntas. Meu irmão perdeu um filho que ainda nem tinha nascido... como é que ele pode se sentir aliviado?
– Alguns pensamentos passam na cabeça da gente. Não é nossa culpa, mas todo mundo sabia que Albus está totalmente despreparado para ser pai. Pode ser que a tristeza dele tenha mais a ver com o arrependimento de sentir alívio.
– Isso soa como se meu irmão fosse horrível. Eu não quero mais ouvir, vou pra casa. Você vem também? – James estava estranhamente ríspido.
– Por que está bravo comigo? Ou com a Lily? Só estamos sendo sinceras.
– Se isso acontecesse com um filho que eu estiver esperando dentro de você, Alice, eu nunca vou sentir alívio. Eu nunca vou me perdoar por ficar aliviado.
James saiu andando sozinho pela rua até seu carro, arrasado. Alice ficou olhando para as costas dele, estupefato.
– Vocês já conversaram sobre terem filhos? – franzi a testa.
Os olhos de Alice estavam conhecidamente aguados. Ela tentou segurar, mas disse baixinho:
– Já. E acho que ele está assim porque mês passado fizemos uns exames para ver quais eram as chances. O resultado foi que James é estéril. Ele realmente queria ter um sobrinho agora.
– Merda.
– Eu vou lá falar com ele. Tchau, gente.
Fizemos um tchau com o braço, vendo-os se afastarem. Scorpius colocou as mãos no bolso, pensativo.
– As coisas complicaram.
– Quer voltar pra casa?
Ele segurou meus ombros e voltamos.
As coisas complicaram e quando isso acontecia era uma questão de tempo até elas amenizarem. No começo das férias, Scorpius decidiu que deveria comemorar o próprio aniversário, convidando os amigos e fazendo uma pequena festa no nosso apartamento. Eu aceitei porque fazia tempo que não íamos à festa ou fazíamos uma. A última foi no Natal.
Foi uma boa estratégia, porque assim era fácil ver os sorrisos voltarem naturalmente, Lily e James não estavam mais zangados um com o outro. De fato, quando Lily mostrouque não estava mais galinhando como antigamente – levando o namorado Wood para todos os cantos quando saíamos – James ficou satisfeito. Wood era um bom rapaz.
Hugo não demonstrou muito que não curtia o cara, meio que levando outra garota para a festa. Eu ficava me perguntando se isso ia ser sempre assim, essa tensão entre os dois, essa vontade que eles tinham de conversarem, mas sem denunciar a verdadeira intenção ou mesmo o passado que eles tiveram juntos.
– As coisas estão sérias com o Wood, não? – comentei. Estávamos sentadas na varanda enquanto a festa acontecia pela cozinha e sala.
– Sim, mas... não vai ser para sempre. Ele vai para Escócia semana que vem.
– Uau, eu não sei se te admiro ou realmente penso que isso tudo é uma frieza enorme – me referi ao modo como ela não estava nenhum pouco triste.
– Rose, o que Wood e eu temos não é o que você e Scorpius têm. Eu me divirto com ele, gosto de transar com ele mais de várias vezes, mas não é amor.
– Devo adivinhar o que é amor para você?
– Não vamos falar do seu irmão. Está acabado, tudo. Hugo merece coisa melhor. Eu já fiz tanta cagada na minha vida, Rose. Eu não sou estável, eu não consigo ficar sempre com as mesmas pessoas. Namorar não é pra mim. Se fosse para mim, eu me apaixonaria por um cara que não fosse meu primo e que isso não soasse errado.
– Scorpius diz que sou a pessoa mais altruísta que ele conhece. Mas você é muito pior que isso, Lily. Você ignora sentimentos. Os seus e dos outros também. Acha que Hugo liga para o que você pensa sobre você não ser suficiente?
Não deu tempo de responder, porque Alice apareceu e nos chamou para comermos o bolo que ela tinha preparado. Foi como uma festa de aniversário comum, apenas com os amigos mais íntimos, jogando twister, fazendo perguntas constrangedoras, desafios loucos e muita cerveja e música. Albus se divertiu, embora, logo no final da festa, ele ficou sentado sozinho em seu canto, com aquela expressão pensativa. Kate não andava mais com a gente, talvez os dois tivessem acabado pra valer. Eu não conseguia imaginar como dois namorados que passaram por serem quase pais fosse possível se desfazerem tão fria e facilmente assim. Eu apenas esperava que, no final das contas, Al fizesse as coisas de forma correta e que ele não estivesse realmente querendo Kate longe. Talvez os pais dela – protetores do jeito que eram – causaram a separação e não era culpa dele.
Scorpius ganhou alguns presentes interessantes, mas ele tinha acordado curioso para o meu presente, que eu obviamente só queria mostrar depois da festa. Quando nos despedimos do pessoal e ficamos sozinhos, ele fechou a porta e cruzou os braços para mim:
– E o seu presente?
– Tem certeza que não conseguiu sacar o que eu fiz pra você?
– Me deixou usar o apartamento para fazer a festa? – ergueu uma sobrancelha.
– Vem cá.
Sorrindo de um jeito travesso, puxei os dedos dele. Quando fui em direção a sacada do apartamento, Scorpius não entendeu.
– O que ta aprontando, Rosie?
Havia a cadeira de piscina que ele gostava de deitar desde o dia em que comprei esse apartamento.
– Sente.
Desconfiado, ele se sentou na cadeira. Continuou olhando para mim.
No primeiro botão que abri da minha blusa, ele se levantou alarmado e me fez parar.
– Está muito frio aqui, e alguém pode olhar, que isso?
– Acha que me importo com o que vão pensar? – perguntei baixinho, abrindo o segundo botão. – E sobre o frio... dá pra darmos um jeito nisso.
Ele me olhou dos pés a cabeça. Parou o olhar nos meus dedos, que desabotoavam a blusa. Aos poucos, o sorriso dele foi aparecendo. Mas ele não comentou nada.
– Eu andei pensando sobre o que você disse. Eu me reprimo demais, eu me seguro demais. Eu não faço loucuras demais. E eu acho que você merece uma namorada mais esforçada.
Ele voltou a se sentar, entendendo qualquer intenção que eu tinha. Bem comportado, esperou qualquer coisa que eu pretendesse fazer e não se moveu. Ótimo.
Quando tirei minha blusa, Scorpius deu uma leve risada. Não debochada, não ridicularizada, mas quase sem fôlego, sem acreditar. É, eu tinha comprado um lingerie vermelho. Scorpius adorava vermelhos. Especialmente os mais apertados.
– O que está rindo? – perguntei seriamente.
Ele respondeu:
– Você é demais.
Sentei em seu colo, sem muita cerimônia, e ele murmurou segurando fortemente meus glúteos:
– Sempre quis foder você aqui.
– Você não vai fazer nada comigo aqui. Eu vou. Não tente nada estúpido.
– Como te desobedecer?
Apertei o maxilar dele com os dedos, fazendo-o me encarar. Eu estava mais alta e abaixei os olhos para os dele. Mordi sua boca com força. Ele gemeu. Mas isso porque eu movi meu quadril, mesmo com ele de calça. Eu já queria ter a sensação de sua excitação por mim, rápido, sem enrolar. Quando ele começou a beijar meus ombros, não deixei que descesse para os meus seios ou tentasse arrancar minha peça.
Ao contrário, eu queria que ele ficasse imóvel, eu queria que ele fosse meu. E não que eu fosse dele. Não naquela noite. Eu queria surpreendê-lo naquela noite.
Ainda era possível sentir um pouco de frio, então não era o suficiente. Eu apertei levemente meus dedos em seu peito, fazendo-o deitar naquela cadeira. Nisso, beijei seu rosto e desci a cada botão que eu abria em sua blusa. Ele respirava. Forte. Rocei a língua em seu peito, fazendo um rastro torturante até o cós de sua calça. O abdômen dele estava rápido e rígido. Era tão visível o que estava querendo atenção embaixo daquele tecido da calça. Eu mordi os lábios, abrindo o zíper. Ele só ficava me olhando, tentando o máximo não atrapalhar, não dizer nada, não me deixar irritada.
Seu gosto era salgado e amargo, rígido. Ele endureceu entre meus lábios, que se preocupava em chupar vagarosamente a ponta da ereção. Dei um beijo prolongado no lugar, sem fôlego, para olhar para ele. Massageei a extensão toda com a palma da mão. Ele colocou os braços atrás das nucas, os olhos quase fechados. Depois, jogou a cabeça para trás. Isso era bom sinal, ele estava gostando. Mas eu queria mais.
Voltei ao que estava fazendo. Ele gemeu mais alto dessa vez. Ainda estava longe de gozar, o que era bom... não terminaria rápido. Mas, mesmo assim, eu queria saber um jeito de fazê-lo perder o controle. Enquanto eu ocupava minha boca com aquela tentação, minha mão direita estimulava meu próprio clitóris. Scorpius murmurou alguma coisa, começando a mover o quadril de um jeito inquieto. Palavrões. Ele murmurava palavrões, era sinal de que meu objetivo estava sendo realizado.
– Rose, porra... não quero só sua boca. É melhor parar.
Para o desespero delicioso dele, eu não parei. Eu aguentei. Ele gozou e engolir era o mínimo que eu queria fazer. Ele viu tudo e tinha uma fome maravilhosa no olhar dele. Isso indicava que aquilo só estava começando.
Enquanto ele se recompunha, no escuro da madrugada e ao céu aberto de Londres, abri o zíper da minha calça, tirando-a e jogando-a em algum lugar. Ele estimulava a ereção de novo, enquanto assistia, esperava. De repente não tiveram provocações, não tiveram brincadeiras. Scorpius me queria, e ele me queria logo. Como se nunca mais fosse me ter. Era só uma noite para apimentar o aniversário dele. Tudo o que fez por mim e a forma como estava sendo o melhor namorado que eu poderia ter... seu esforço, seu amadurecimento... fazê-lo ter prazer ao estilo que ele preferia era a melhor oportunidade de mostrar que eu podia ser o estilo dele. Eu podia ser o único estilo dele. E isso o fizesse nunca desejar outra mulher. Nenhuma outra mulher seria o suficiente para ele.
Sentei em seu colo, e isso fizemos aos beijos. Quando amenizamos nossas bocas, Scorpius estava para guiar o sexo dentro do meu, mas eu murmurei outra coisa em seu ouvido. Ele enlouqueceu. Ele sabia que eu tinha sérios problemas em deixá-lo me penetrar em outro lugar, mas dessa vez eu quis experimentar.
– Não quero que faça o que não quer... – ele disse ao receber a permissão. Deve ter custado para não me possuir logo de uma vez, mas ele era isso. Ele queria fazer as coisas certas.
– Eu quero fazer tudo com você, Scorpius.
Mudamos de posição e fiquei deitada, de bruços, na cadeira. Scorpius deitou o peito sobre minhas costas, sem apertar-me com seu peso. Beijou meu pescoço, mordeu meu ombro, murmurou que me amava. Mas realmente fez uma preparação completa. Quando vestiu a camisinha, fiquei receosa que ele tentasse colocar tudo de uma vez, mas foi tão lento, tão aos poucos, tão atencioso, que eu pensei como se estivéssemos em minha primeira vez.
Quando ele conseguiu, eu percebi que estava mordendo meu braço, grunhindo. Scorpius gemeu facilmente, tentando aprofundar mais. Eu gritei. Ele apertou meu quadril, de modo que a empinei para ele conseguir mais espaço e eu confiança. Logo senti a vontade dele em se movimentar rapidamente. Eu não parei, eu suportei a dor, eu sabia que aquilo ia ficar delicioso. Scorpius sabia o que estava fazendo, ele nunca me deixaria sofrer.
Ele não me decepcionou. Foi loucura, como sempre, mas dessa vez ainda maior. Ele caiu ao meu lado, suando como nunca, molhado nos cabelos, quando gozou. Eu não atingi o orgasmo, eu não esperava o contrário na primeira vez, mas Scorpius não descansaria fácil. Ele não forçou mais, ele deu atenção ao meu clitóris em vez disso, quando notou que eu não tive orgasmo até o momento. Deitou embaixo de mim, dividiu minhas pernas em cada lado de seu rosto. E me beijou, penetrou a língua, os dedos, até eu gritar e exclamar que ia gozar. O prédio inteiro devia ter escutado. Eu tinha certeza que a rua inteira escutou. E eu não me importava.
Ao final, Scorpius me olhou profundamente. Queria saber se eu estava bem e eu achei a preocupação dele singela, sincera, então eu sorri exausta, embora dolorida. Ele não sorriu.
– Desculpe, não me controlei.
Deitou a cabeça entre meus seios e eu acariciei seu cabelo loiro encharcado.
– Eu não esperava melhor, Scorpius.
– Não diga que nunca me surpreende, Rose. Foi o melhor presente de aniversário que algum cara poderia receber.
Aos poucos começamos a sentir o vento perpassar por nossos corpos nus. Ele me pegou pelo braço e me levou para o banheiro. Tomamos banho juntos, mas não houve nenhum sexo. Apenas a água jorrando sobre nossas cabeças. Alguns beijos ali e aqui. Risadas. Apenas amor, apenas o que era preciso para não esquecer o que um significava para o outro. Ele passou o sabonete nos meus ombros. Nós sorrimos.
Eu o observei levantar o queixo para aproveitar a água caindo de seus cabelos. A boca dele se abriu levemente e seus olhos estavam fechados. Seu pomo-de-adão visível me fez ter uma lembrança. Quando eu o admirei, quando eu tive uma sensação estranha por pensar que ele era capaz de ser o cara mais bonito que eu conhecia.
"Scorpius!" eu gritara ao vê-lo no meio da rua. Tínhamos dezessete anos. Os amigos dele provavelmente o deixaram abandonado na festa e ele tentou voltar para casa a pé naquela chuva horrorosa. Eu estava de guarda-chuva e fui ao seu encontro. "O que está fazendo aqui? Vai pegar um resfriado."
"Ei, olha lá" ele disse, ignorando minha indignação. "Aquela casa abandonada. Sempre está acesa a essa hora. Vamos lá ver."
Ele estava bêbado. Não em nível crítico, mas o suficiente para que ele agarrasse meu braço e me levasse, meio que a força, até a casa da vizinhança. Era um casarão abandonado, diziam ser assombrada, mas Scorpius não tinha medo. Ele riu quando eu disse que podia ter alguém ali para nos matar. Não tinha. Estava vazia, mesmo assim as luzes acesas. Entramos e subimos as escadas. Scorpius se sentou na cama do primeiro quarto e quando olhei para a visão do quintal pela janela, ele perguntou:
"Parou pra pensar que a gente não vai mais se ver depois daqui?"
"Como assim?"
"Faculdade. A gente vai pra caminhos diferentes. É meio chato pensar isso, eu gosto de você."
Eu abri um sorrisinho.
"Eu também gosto de você, Scorpius."
"Promete que vai falar de mim pra suas novas amigas?"
"É, pode deixar" prometi. E eu cumpri minha promessa.
"Ei" ele me chamou de novo. Olhei para ele. Aproximei-me de Scorpius e me sentei ao seu lado na cama. Seus olhos muito cinzas e cerrados me encararam seriamente. "Não quero não ver você" confessou baixo.
Eu estava lembrando aquela noite há quase dez anos atrás, enquanto ele esquentava com a água no chuveiro. Percebeu que eu estava meio que babando e perguntou sorrindo arrogantemente:
– Que foi? Hipnotizada?
– Só me lembrando de algumas coisas.
Notas finais do capítulo
N/A: Tivemos alguns problemas, algumas desavenças e uma NC, talvez uma NC para anunciar: Oi, pokie voltou e dessa vez ela quer ficar. Eu tentei ousar mais nessa última, acho que eu fiquei louca. Mostrar que Rose pode ser confiante. Foda-se o resto.
Uma propagandinha. Se por um acaso se interessa na vida de Narcissa Malfoy, estou escrevendo uma: In Perpetuum. Confiram e, se gostarem, comentem!
Beijos, obrigada pelos comentários, e até o próximo!
