N/A: Zumbis, uma pequena cidade no litoral, pessoas fugindo e morrendo.
Capítulo 01.03
Início
Naruto
Estava encarando os potes de lamén por exatos cinco minutos quando um casal pediu licença para escolher aleatoriamente o sabor bacon defumado. O homem, talvez apenas alguns anos mais velho, o olhou como se ele estivesse fazendo algo errado enquanto a garota o puxou pela manga provavelmente prevendo alguma briga. Por que logo ele entraria em uma briga? Especialmente com um estranho que desconhecia a importância de escolher o sabor certo. Naruto bufou estreitando os olhos, pensando que as pessoas não tinham prioridades nos dias de hoje.
Escolheu o sabor molho tailandes, pois era uma edição limitada e seguiu até o balcão. O homem gordo e barbudo, conhecido "desconhecido" seu há meses, passou o produto sem o olhar na cara. As pessoas eram tão introvertidas.
— E ai?
O atendente levantou a vista emburrado. Não respondeu.
— Como vão as coisas?
Naruto insistiu, não por que realmente quisesse conversar, mas por que de repente queria falar qualquer coisa, mesmo que fosse ignorado pelo atendente daquela loja de conveniências.
— Do mesmo jeito.
— Entendo. Por que a TV está desligada? Não era hoje que ia rolar aquele jogo de baseball? - Naruto sorriu sem ser correspondido.
— Todos os canais estão fora de ar desde manhã. É uma bosta mesmo, há anos que não acontece um jogo decente nessa cidade, e a TV simplesmente dá "pau".
— Será que alguma coisa… como que chama mesmo?
O silêncio se pendurou por um tempo até que suas atenções foram roubadas por um jovem que acabava de entrar na loja. Naruto se lembrou dele de outras situações, o cabelo ruivo o deixava sempre em evidência, assim como a cara de drogado normalmente inexpressiva. Sorriu para ele, mas o garoto apenas deu um aceno de cabeça educadamente.
— Cigarros? - Naruto perguntou. Não sabia por que, mas estava cheia de perguntas intrometidas naquele dia.
—Sim… - respondeu indo em direção a máquina ao lado do balcão.
Naruto sorriu amarelo para si mesmo, o ruivo drogado não era de conversar muito. Recolheu o pode de lámem e seguiu até a máquina de água quente. Esperou em uma das mesas de plástico no lado de dentro, de onde podia ver o movimento lá fora.
O mar estava especialmente bonito naquele dia, mas a praia estava vazia, assim como praticamente toda cidade. Sentia-se levemente solitário. Suspirando encarou o celular, nenhuma mensagem de Jiraiya. Ele tinha saído correndo pela manhã, pediu, sem explicar nada, que Naruto mantivesse o celular sempre por perto. O velho nunca era de agir assim, mas Naruto decidiu que esperaria notícias antes de chegar a qualquer conclusão. Odiava ficar ansioso por algo que poderia ser bobagem.
Seu celular está funcionando?
O garoto ruivo surgiu ao seu lado, a caixa de cigarro em uma das mãos. Naruto antes esparramado na cadeira ajeitou-se sentindo-se ridículo logo em seguida.
Sim… - respondeu levemente surpreso. - Você precisa dele?
Ele apenas concordou com a cabeça. Discou um número, e no intervalo em que o lámem ficou pronto, anunciou:
— Não está funcionando para números fora da cidade.
— Como assim?
- Minha irmã está fazendo uma visita à faculdade rural, e o número está dando fora de área.
Faculdade rural era uma escola politécnica praticamente fora da cidade. Diziam que domesticavam cavalos e tinha mais adestradores de cachorro do que doutores. Naruto concordou com a cabeça, sem saber o que falar, provavelmente ele não estaria interessado nessa informação certo? Percebeu, entretanto, que era a primeira vez que o via com uma expressão tão tensa. Lembrou-se de Jiraiya e seu comportamento estranho pela manhã.
— Por que está tão preocupado? É algo urgente que você precise falar com ela?
— Não… só acho que as coisas estão ficando estranhas.
Duas meninas de biquine entraram repentinamente, Naruto tomou um susto. O ruivo o fitou, erguendo uma das suas ralas sobrancelhas enquanto falava:
— Sabe, eu sugiro que volte para casa. Eu estou indo também.
Entregou o celular e saiu. Naruto o viu ir embora, o lamém em suas mãos já estava papado.
Reclamou mentalmente, mas mesmo assim o comeu enquanto pensava em Jiraiya. Ele era policial federal, e vivia viajando, mas especialmente naqueles últimos meses estava em Fukuya. O que era suspeito considerando que aquela pequena cidade litorânea não oferecia muito serviços para seu cargo, a policia federal só passava ali para resolver casos muito específicos e normalmente não passavam mais de duas semanas.
Fukuya era pacata demais, com poucas pessoas e vivia basicamente a base do turismo ultimamente quase inexistente, da produção de melancias e uma das filiais dos Laboratórios Uchiha. Existia um único hospital, e alguns centro de referencias a saúde, a pequena clinica litorânea também fazia alguns curativos, mas basicamente era ocupada por bombeiros salva vidas. Naruto inclusive tentara ser um deles, mas lhe faltava experiência e um curso profissionalizante. Agora estava ali, perguntando-se o que fazer da vida, enquanto era bancado por Jiraiya que nem parente era.
Naruto suspirou levantando-se. Jogou o pote de plástico no lixo já pensando em ir embora. Enquanto saía uma mulher entrava, estava com máscara sobre a boca e a pele reluzia de suor, Naruto notou que tinha dificuldade para andar, até mesmo de manter os braços em torno de si. Com o surto de gripe todo atendimento emergencial estava prejudicado. O hospital estava lotado, sabia disso por que Jiraiya o tinha avisado.
Uma ambulância atravessou a pista, a sirene soou por vários segundos enquanto Naruto atravessava a rua perguntando-se o que poderia ter acontecido. Ambulâncias não eram exatamente raras, mas ainda provocavam aquela sensação de que algo poderia ter acontecido com algum familiar.
- Talvez eu devesse ir para casa… - sussurrou encarando a praia e o mar há alguns metros de distância. Ficou em silêncio por dois minutos. O celular no bolso dos shorts, os braços cruzados e uma expressão perdida de puro tédio. O mar balançava em ondas rítmicas e agradavelmente barulhentas. O cheiro da areia e sal o fez respirar fundo e alto.
Foi então que outra ambulância passou, sua sirene o deixou surdo por um instante, fazendo-o virar para trás.
Parecia um anúncio para o inferno.
Ao fim da rua, há vários metros de distância, Naruto viu que o garoto ruivo corria pela calçada fugindo de três homens. Dois deles, um de terno e o outro, provável estudante de ensino médio, estavam com as vestimentas ensanguentadas, enquanto o terceiro, seminu, tinha o braço semi-amputado balançando estranhamente enquanto corria, como se simplesmente ter o braço quase arrancado não significasse nada. Isso aconteceu um segundo antes de Naruto olhar intuitivamente para a loja de conveniência e ver pelo vidro a cara impassível e despreocupada do atendente. Seus olhos procuraram intuitivamente algum outro ponto seguro naquela rua, mas em direção contrária duas pessoas apareceram correndo enquanto gritavam desesperadamente. Dois segundos depois um grupo de cinco homens e mulheres, todos igualmente sujo de sangue, apareceram correndo atrás delas.
Escutou um som de batida de carro. O cheiro de fumaça começava a ficar forte.
Naruto não raciocinou, e talvez por isso ele não tenha entrado em choque. Atravessou correndo a rua e entrou na loja de conveniência; quase em um timing perfeito, o ruivo entrou e fechou a porta de vidro, para logo em seguida Naruto derrubar a máquina de refrigerante bloqueando a entrada.
Foi a sensação mais estranha de sua vida. Os três homens estavam diante deles, socavam a porta de vidro, os olhos vibrados e amarelados os encaravam em um desespero latente. Seus dentes, sujos de sangue se exibiam como uma cachorro com raiva, enquanto soltava sons totalmente irracionais. O terceiro homem, não parecia se importar que tivesse uma fatura externa gravíssima, continuava a socar desengonçadamente com o braço quase amputado. Então uma moto passou e os homens simplesmente começaram a correr os ignorando completamente.
Naruto olhou para tras, o atendente estava com olhos arregalados, e o casal se abraçava em um algum ponto da paisagem. Voltou-se novamente para frente, encarou as mãos suadas que tremiam.
— Que merda é essa? - Naruto perguntou para si mesmo.
Nunca esqueço o fanatismo de Naruto por lámen. E no meu imaginário Gaara é sempre fumante haha será um elemento importante na história.
Abraços
Oul K.Z
