E estamos aqui de volta! A música "Simple Together" da Alanis Morissette é um amor, quem passou por momentos amorosos difíceis e quiser chorar é só ler a letra dessa música. (Coisa muito legal de se dizer antes de postar um capítulo).

Ainda POV do Scorpius.

SIMPLE TOGETHER


– Minha vez! – exclamou Alice, rindo. – A melhor transa que eu tive foi aos dezoito anos.

– Porra, vai mesmo falar isso na minha frente, amor? – James segurou os ombros dela e lamentou, mas estava levando a conversa na brincadeira.

Era sábado e estávamos bebendo no Três Vassouras. Não sei como, não sei quando, mas de repente começamos a contar um para o outro a melhor transa que tivemos.

– Foi com o irmão de uma amiga minha – ela continuou. – Estávamos lá em uma praia, curtindo uma festa e, bem, depois de vários beijos ele me levou para esse barco.

– Que original – zombou James.

– E nós fizemos bem a luz do luar.

– E quando vocês perceberam, o barco tinha sido levado pelas ondas e viram que estavam em alto mar longe da civilização – adivinhou James. Rose e eu ríamos.

Alice mostrou o dedo do meio para o amor dela. Ao meu lado, Rose virou aqueles olhos verdes interessados em saber:

– Qual foi a sua melhor vez, Scorpius?

Eu tive que beber um pouquinho para responder essa.

– Vai ser difícil, foram tantas – falei – com você.

– Não vale – ela disse, afastando minha cara quando fui beijá-la.

– Tirando a Rose, qual foi a sua melhor performance, Scorpius? – quis saber Alice. Eu apostava que as duas sempre tiveram curiosidade de saber disso, então contei.

– Bem, foi quando comecei a trabalhar na empresa. A primeira reunião que participei, essa mulher alta e realmente gostosa estava liderando ela. Quando acabou a reunião, ela pediu para que eu a esperasse. Ela começou a elogiar minhas perguntas... no minuto seguinte, ela estava tirando a minha calça, no banheiro.

– Mentira! – exclamaram as duas.

– Eu não posso provar – falei, sorrindo. – Bem, ela começou a dizer que não tinha muito tempo, que tinha que fazer essa outra reunião depois do almoço. Então, eu prometi que ia acabar rápido. Eu a fiz gozar duas vezes, em dez minutos, só com sexo oral, naquele banheiro.

– Acho que Scorpius esqueceu como funciona essa brincadeira – Rose disse. – Estamos falando da sua melhor transa, e não a daquela mulher.

– Eu já disse, nenhuma vai competir com você.

Segurei o rosto dela e a beijei. A princípio, por Rose, só seria um beijinho, mas eu aprofundei nossas bocas, pensando em como eu a queria o tempo todo. Nossas línguas se entrelaçaram e, mesmo ciente que James e Alice estavam no outro lado da mesa, Rose sussurrou colocando um espaço entre nossas bocas.

– Seu celular está vibrando. De novo.

– Ei, isso é um código para vocês saírem daqui e transarem no banheiro? – reclamou James. – Então vão.

Meu celular estava mesmo vibrando. Sem muita vontade, peguei-o de meu bolso, olhei o número, hesitei. Evitar meu pai estava dando certo, mas até quando eu poderia fazer isso sem algo drástico acontecer? Falei "já volto" e saí do Três Vassouras para atender.

A cidade estava maravilhosa, com luzes, neve e as pessoas embrulhadas nas roupas de inverno. Sem antes de ouvir a voz dele, eu já falei com rispidez, vapor saindo da minha boca:

– Me dá mais um tempo para eu falar com ela. Ainda não achei a chance.

– Não temos tanto tempo, Scorpius.

– Foi por isso, não foi? – observei um casal brincando com uma criança na neve perto da calçada que eu estava. – Foi por isso que você me enviou para a Alemanha. Isso tudo foi planejado nas minhas costas. Você sempre tentou afastar Rose de mim, mas não é porque você não gosta dela ou porque ela é uma professora e não ganha muito dinheiro.

– Scorpius.

– É porque ela é independente – eu disse, amargurado. – E ela me faz querer ser também. Ela é a má influência, eu não posso ser independente. Eu vou ter o meu pai pegando no meu pé para o resto da vida.

– Eu quis evitar isso para você, filho, eu não queria que meus problemas caíssem em suas costas agora.

– Que tocante – falei sarcástico.– A pior parte disse foi que durante a minha infância eu achei que meus pais se amassem. Eu lamentei pelo divórcio de vocês.

– Scorpius, eu amo a sua mãe. Quero dizer, eu aprendi a amá-la.

– Eu não vou discutir com o senhor sobre amor – falei com a voz fria. – Considere-se sortudo que eu estou pensando em conversar com Rose sobre esse... acordo. Eu poderia esquecer que um dia tive uma família e começar uma nova com ela. Eu fugiria com ela, e deixaria você se afogar em dívida com os Parkinson. O que acha disso, pai?

– Eu entendo sua raiva.

– Não entende! – eu gritei. Um homem passou por mim e olhou assustado. – O senhor nunca entendeu. Eu nunca quis isso, pai, nunca quis ir para a faculdade, eu nunca quis trabalhar para o senhor, eu nunca quis assumir essa responsabilidade. Eles precisam que eu me afaste da minha melhor amiga. Eu não consigo fazer isso.

– Então eles farão com que ela se afaste – meu pai disse severamente, como se ele não pudesse mais esperar para jogar a verdade fria na minha cara. – Você sabe que eles são capazes disso. É melhor você afastá-la, porque, filho, eles não hesitaram em quase me matarem, eu duvido que hesitem em afastar Rose, que para eles é só um pequeno problema. Vai ser mais seguro para ela se você a afastar. Então não espere mais. Os Parkinsons precisam da sua resposta.

Ele desligou. Eu demorei um pouco para desligar. Não entrei de novo no bar, mas decidi ficar sentado no banco pensando em como ia resolver aquilo, sem magoar Rose. Sem me magoar.

Pensei na idéia de Rose e eu fugindo. Era absurda demais para levá-la adiante embora tentadora. Ela tinha uma família, ela tinha outros melhores amigos, ela tinha uma classe de crianças que a adoravam e...

– Nós vamos assistir a um filme na casa do James, quer ir junto?

Senti os braços dela ao redor do meu ombro quando me abraçou por trás.

– Não, estou sem humor pra isso agora – falei, aparentemente ríspido como se eu ainda estivesse com o reflexo da conversa que tive com Draco. Rose deu a volta no banco para sentar ao meu lado.

– Eu sei que você vai resolver isso – ela disse confiante, mesmo não sabendo o que me atormentava naquele momento. Brincou com uma parte da minha barba rala e sorriu. – Nenhuma sujeira gruda em você por muito tempo. Por que acha que conseguiu escapar de tanta encrenca na sua vida? O que tiver acontecendo lá na empresa do seu pai, você vai resolver.

– Rose, a gente tem que conversar – eu me virei para ela rapidamente.

A ponta do nariz de Rose ficava corada quando estava frio. Eu sempre achei aquele detalhe atraente nela. Seu gorro estava um pouco frouxo e seus cabelos estavam cumpridos, os cachos caindo em cada lado dos ombros.

– Eu descobri por que minha mãe se casou com meu pai. Adivinha? – falei com a voz baixa. – Não foi por amor. Foi um monte de papeladas e acordos entre duas famílias que estavam devendo dinheiro uma para a outra.

– Onde ouviu isso? – ela soou cética.

– Da voz da minha própria avó.

– Tem falado com sua avó ultimamente?

– A merda está séria, Rose – eu disse.

Ela mordeu os lábios.

– O quão séria? Por favor, diga que isso não incluirá viagens. Eu não suportaria-

– Não – respondi.

Depois não disse nada. Fiquei em silêncio. Rose reparou nisso e se inclinou mais para segurar meu rosto e me fazer encará-la.

– Fala – mandou. Ela estava terrivelmente séria. – O que pode ser pior do que você na Alemanha de novo?

Passei a língua nos lábios. Ela me observava, apreensiva.

– Sabe por que Sarah Parkinson voltou para Londres?

A menção de Sarah fez acontecer um silêncio estranho entre nós. Ela não respondeu.

– Aqueles papéis que meus pais tiveram que assinar... – falei o minuto inteiro em que eu sentia os dedos dela roçarem minha barba – eu vou precisar assinar também. Com ela.

Rose deixou cair a mão como se tivesse se transformado em bigorna.

– É o único jeito de fazer as dívidas acabarem – acrescentei, como se isso fosse adiantar alguma coisa para tirar a expressão do rosto dela.

Ela se levantou e ficou na minha frente, com os braços cruzados, o olhar perdido.

– Eu acho que eu vou para casa – falou baixinho.

– Precisamos falar sobre isso.

– É, claro, porque eu vou dizer que você tem que assinar os papéis – de repente a voz dela aumentou: – e viver o resto da sua vida fazendo tudo o que mandam você fazer!

– Eu não tenho escolha – disse, tentando me controlar.

– Sim, você tem! E se você pensou por um segundo em aceitar essa besteira, então não acho que me amou de verdade.

– Não é só você! – eu gritei também e me arrependi disso no mesmo instante. Ela duvidar que eu a amei foi um choque que eu não previa para mim mesmo. – Você acha que é só você que se preocupa com a sua família?

– Que família você tem, Scorpius? Uma família que mente para você desde que você nasceu? Que nunca te deixou na liberdade de escolher o que é melhor para você? Isso não é família, isso é prisão.

– Eles não me controlam totalmente.

– Faculdade, Alemanha e, agora, casamento. Você é um fantoche para eles, Scorpius, não um filho. Apenas um robô que eles programaram.

– Rose, por que acha que meu pai quase morreu há cinco meses? – olhei para minhas luvas. Ela deu as costas para mim. – Você não tem idéia do que uma empresa desesperada por dinheiro pode fazer. Não é sobre seguir as ordens de um pai, é sobre entender o perigo que minha família está correndo. Sim, eles foram uma merda. Meus pais, meus avós. Mas eu ainda os amo, apesar de eles terem tentado tanto criar um robô. E sabe quando eles falharam? Quando eu conheci você. Como eles dizem mesmo? Sim, você abriu meu coração e eu sou capaz de sentir. Eu não sou a porra de um robô e não se atreva a achar que eu nunca te amei de verdade.

– Scorpius. Você está escutando a si mesmo? Consegue perceber o quão ridícula essa situação está sendo, essa discussão? Há dez minutos tudo estava bem e então você vem falar para mim que você vai se casar.

– Eu não vou me casar, eu só preciso assinar papéis.

– Isso é pior – ela vociferou, olhando bem para mim. – Você vai me trocar por um pedaço de papel.

– Eu não vou trocar você. Por nada.

– E quando você assinar esses papéis, você vai esperar o quê, Scorpius? Que eu te dê a minha benção e vamos continuar sendo namorados? Ou melhor... amantes?

A porta do Três Vassouras se abriu, atrapalhando a discussão porque James e Alice acabavam de sair, abraçados, beijando-se e... quando nos viram, seus sorrisos derreteram e eles nos encararam preocupados.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou Alice.

– Scorpius não quer assistir filme com a gente – respondeu Rose.

– Bem, pela cara de vocês parecia ser algo mais sério – disse James. – Alice e eu já estamos voltando. Vejo vocês amanhã?

– Esperem, eu vou assistir ao filme – falou Rose, passando por mim e se aproximando dos dois melhores amigos dela.

– Mas achei que você ficaria com o... – começou Alice.

– Não estamos casados, estamos? Não precisamos fazer tudo juntos.

Eles acenaram para mim, mas Rose continuou olhando para frente e não disse mais nada quando foi embora com eles.

Voltei para casa e passei o tempo sozinho, depois de tomar uma ducha quente. Fiquei sentado no sofá, assistindo televisão, mas na verdade eu estava entorpecido pela minha falta de sono, meu cansaço e a raiva de tudo o que estava acontecendo. O celular tocou em um momento, mas dessa vez era Blaze Zabini, avisando que ele não estava conseguindo entrar em contato com os Goyle. Quando Rose voltou para casa, eu estava sentado na mesma posição que fiquei por uma hora.

Nós não trocamos um olá. Rose tirou suas luvas, seu cachecol, o gorro e o casaco. Nunca tivemos aquele silêncio.

Então dissemos ao mesmo tempo:

– Eu vou dormir.

– Eu não vou trocar você.

Ela parou e me olhou. Eu me levantei.

– Sim, eles querem que você se afaste de mim também. Não vamos ser namorados, nem amigos. Eu vou me casar e então provavelmente não vou mais ficar em Londres. Mas não vou fazer isso – falei, tendo certeza de que essa era a coisa certa a dizer. Eu não me importava com outra coisa senão ela. Pensei naquilo o tempo todo em que ela não estava comigo. – Eu vou tentar achar outro jeito de consertar essa merda. Quero dizer, você sempre diz que nenhuma sujeira gruda em mim por muito tempo, até parece que Sarah Parkinson vai conseguir.

Rose encostou-se no balcão da cozinha e eu me aproximei dela. Hesitante, fui chegando mais perto, querendo ter certeza de que ela ficaria aliviada com essa minha decisão. Não era isso o que a fez discutir comigo? Eu beijei seu pescoço e subi até seu queixo. Eu a beijei, forte, urgente, mas a mão dela no meu peito não estava com a mesma intenção que a minha outra mão, quando tentou abrir seu sutiã embaixo da blusa.

Foi então que Rose me afastou para murmurar:

– Acho que você deve ir.

Eu parei. E me afastei dela, como se não a conhecesse.

– Que?

– Acho que você deve ir embora.

– Rose, eu não vou mais aceitar outra coisa senão a idéia de ficar com você.

– Você não pode – ela falou, escondendo o rosto para que eu não visse que ela estava chorando. – Você tem que ir embora. Você tem que assinar aqueles papéis.

Ela não me encarou ao dizer isso e andou até seu quarto. Nosso quarto.

– Rose! – eu exclamei, chamando-a. Eu entrei no quarto atrás dela. – Quem fez você falar isso?

– Ninguém! Você.

– Besteira. Quem? Você ficou fora por uma hora e-

– Sua avó – ela disse rapidamente.

– Minha...?

– Ela me encontrou no caminho para a casa do James. Nós tivemos uma conversa. E ela me fez acreditar que... bem, eu nunca me encaixaria na sua família. E, claro, Sarah é melhor para você.

– Inacreditável – sibilei.

– Não, eu até vi alguma razão no que ela estava dizendo. O que nós temos em comum, afinal de contas? Além da trilogia Cavaleiros da Cidade?

– Não sei, talvez dez anos de amizade.

– E tudo ficou uma bagunça quando avançamos para a segunda base, e a terceira e a quarta e a quinta.

– Está se arrependendo?

– Talvez as coisas fossem melhores se nunca tivéssemos tentado nada.

– É – eu falei, sem acreditar como ela poderia aceitar isso tão fácil. Essa não eraRose. Mas então percebi uma coisa. Rose estava passando a mão na testa várias vezes. Ela apenas ficava assim por uma razão. Observei-a atentamente. Ela não sustentou meu olhar. – Você é terrível para mentir, sabia? Eu lembro quando você tentou fazer teatro na escola e me fez ver aquela peça de Romeu e Julieta. Foi a pior que eu já vi na minha vida.

– Vai se ferrar – ela girou os olhos, e sentou na cama para tirar as botas. Um alívio percorreu meu corpo quando Rose respondeu com um sorriso de escárnio: – Eu decorei todas as falas, pelo menos.

– Merda – eu dei uma risada e passei a mão no rosto. – Quanto minha avó pagou você para terminar comigo e falar todas essas coisas?

– Ela me mostrou um cheque de dois mil. Eu devo te dar os pontos, Scorpius – ela disse, voltando rapidamente a ser a Rose que eu amava e conhecia. – Sua família sabe como manipular. Eu estava louca para comprar um stereo de Natal para mim, então eu aceitei o dinheiro.

– O quê? Rose, você se drogou.

– Scorpius, se eu não aceitasse... ela ia achar que eu ainda o amo. E eu não acho que é seguro para sua família achar que eu ainda o amo.

– Pode me explicar, professora? – zombei.

– Eu pensei sobre as coisas que você disse – ela falou baixinho. – Você não tem escolhas, mas eu tenho. Claro, foi um choque você aparecer falando que vai se casar com Sarah Parkinson, além do fato de que foi muito ridículo, considerando o que nós dois temos juntos. Mas nós não temos que brigar, nós só temos que fazê-los pensar que brigamos. – Ela se levantou da cama, passou por mim e pegou o telefone. – Eles não são os únicos que podem manipular, Scorpius. – Aproximou-se de mim e me entregou o telefone. – Ligue para o seu pai, diga que você terminou comigo e não estamos mais morando juntos. Ligue para Sarah e diga que vocês irão casar. Eles precisam saber que você está no jogo por enquanto, não precisam? Isso irá proteger você e sua família... Tudo o que você precisa é de mais tempo para resolver as coisas, encontrar outra solução, então use seu charme para ganhar esse tempo para você.

Se uma vez eu pensei que seria impossível admirar essa garota mais um pouco, eu me enganei naquele momento.

Ela segurou meu rosto, olhando-me profundamente.

– Você não esperava que eu fosse aceitar tão fácil, certo? Você não esperava que eu fosse deixar você na mão no momento em que você mais precisa, esperava?

– Honestamente, não.

– É, porque não somos a maldita de uma novela mexicana que deixa nossa vida escapar entre os dedos por causa de uma dívida fodida. Então faça as malas, tire aquele pôster horroroso dos Falcons da minha sala, e vai embora. Precisamos ser convincentes – acrescentou diante do meu olhar incrédulo. – E isso inclui alguns sacrifícios... por enquanto.

Fiquei lembrando quando éramos mais jovens, na escola, ela sabia resolver todos os problemas de matemática com um raciocínio diferente de todo mundo até ela provar que chegava ao mesmo resultado. Rose sempre encontrou várias formas de resolver uma única situação. Estive tão concentrado no fato dela ser linda, divertida e minha namorada, que esqueci como ela sabia ser brilhantemente esperta em seu tempo vago.

– Agora, se me der licença, vou dormir porque amanhã tenho um longo dia no shopping para gastar duas mil libras.

E se jogou na cama, sonhadoramente.

– Você vai doar tudo para a caridade, não vai? – eu adivinhei, conhecendo ela perfeitamente.

Rose voltou a se sentar na cama.

– Sua avó fez uma ótima ação hoje, Scorpius. Agradeça a ela por mim.

Peguei a chave da casa dela do meu bolso, dei uma última olhada e a joguei em sua direção. Agora com Rose ciente das coisas que estavam acontecendo e com o fato de que ela estava colaborando com isso, comecei a ver que era possível resolver a situação de outra forma. Como uma resolução em matemática. Os Parkinson não são os únicos na jogada, e eu estava cansado de deixarem me fazer de fantoche. Era minha vez de agir, e Rose me deu força para isso.

– O que está fazendo? – ela me viu tirando minhas roupas do armário.

– Colocando o plano em prática – eu disse como se fosse óbvio. – Vou embora.

– Está tarde demais para ir embora agora – ela disse, puxando-me pelo cós da calça. – Por que não uma despedida antes de você se casar com sua ex do colegial? E então brigamos amanhã de manhã?

– Tem certeza? – perguntei, observando seus dedos abrirem cada botão da minha camisa. – Eu não quero que isso... torne as coisas difíceis depois.

– É só para você não esquecer – ela beijou meu pescoço, sorrindo, e desceu até minha clavícula... – onde seu coração pertence.

– Se isso der errado... se não tiver mesmo outra solução... – falei, observando o topo de sua cabeça, que descia além do meu peito. Seus dedos abriram a minha calça. Eu inclinei minha cabeça para trás, sem deixar de soltar um suspiro prazeroso antes no toque dos lábios dela na base do meu abdômen enquanto ela descia o elástico da minha cueca. – Se eu precisar assinar esses papéis... como ficamos, Rose, você e eu?

Ela levantou a cabeça para me encarar. Acariciei seu rosto.

– Ainda podemos ser amigos – sussurrou completamente sarcástica, porque, depois, ela me deu o melhor sexo oral da minha vida.

E um desafio também. Use seu charme para ganhar tempo para você. Fiquei metade da noite acordado pensando nessa frase, enquanto acariciava o cabelo de Rose, adormecida com a cabeça em meu peito. Olhei para seu rosto, dando um suspiro forte, pensando que eu não podia falhar ou continuar deixando ser controlado a cada decisão da minha vida, porque eu não via minha vida voltando a ser como era antes – quando éramos somente amigos. Rose me deu um desafio, e eu estava apto a ser sucedido, mesmo que isso significasse alguns sacrifícios por enquanto.

Levantei-me na manhã seguinte sem acordá-la. Tirei minhas roupas do armário e enchi minha mala com elas. A próxima coisa que eu estava fazendo era pegando a estrada para a Mansão do meu pai.

CONTINUA...


Notas finais do capítulo

Quem conhece Rose e Scorpius nessa fanfic sabe muito bem que eles não são fáceis de se separarem, não pelo menos antes de lutarem. E você aí achou que ela ia ficar abalada. Nada típico da nossa Rosie!

Agora... acho que os próximos voltarão a ter o POV da Rose, estou com saudades dos pensamentos dela. E vocês?

Comentem e muito obrigada pelos lindos comentários, pelos elogios e por tirarem um tempo da vida de vocês para, claro, lerem. Se ainda não comentou... o que posso fazer para que comente? Bom, eu ESCREVO essa fanfic! Então se você gosta e tem consideração por ela... faça a autora feliz. Uma notinha já é o suficiente =)