21
Sweet London
Eu estava odiando os jornais.
Não mais do que a mim mesma, é claro.
Casamento da década! Filho do bilionário anuncia casamento com a herdeira da empresa Parkinson em entrevista com imprensa.
Negócio ou amor?
Foda-se. Foda-se Parkinson, foda-se Draco Malfoy. Foda-se o dinheiro.
Eu quero meu namorado de volta.
Não importa o quão forte eu pareci ser naquele momento em que sugeri que ele desse um jeito nisso. Na manhã seguinte quando acordei sem ele ao meu lado, o guarda-roupa vazio, o pôster dos Falcon despregado da parede, o banheiro com a ausência da toalha verde que ele gostava tanto, foi como sentir que tivéssemos brigado, terminado. E o pior de tudo era o motivo disso tudo estar acontecendo.
Agi super madura, aguentei as mentiras de que brigamos durante uma semana – embora Alice estivesse suspeitando de algo e, dois minutos depois, me fez confessar já que ela era amaldiçoada nisso – mas no fundo eu queria enfiar em Draco Malfoy aquele pôster no-
– Rose, você meio que está esmagando a embalagem.
Como forma de garantir que eu estivesse mais ou menos tranquila em relação ao fato de que Scorpius iria dar um jeito em tudo a tempo de voltarmos a ser namorados e felizes sem a coisa toda da família dele entre a gente, decidi acompanhar Alice ao supermercado para comprar rações para o novo filhotinho de pastor alemão que ela e James adotaram. Ela observou minha expressão – que não devia ter mudado muito desde o dia em que os jornais começaram a publicar o novo casamento do século –, afastou a gente dos olhos curiosos e sussurrou:
– Você devia ligar pra ele. Já faz mais de uma semana que isso está acontecendo, e ele ainda não entrou em contato com você.
– Deve ser mais difícil do que parece. Se livrar da Parkinson. Estive pensando, não acho que ele consiga fazer isso sozinho.
– O que está querendo dizer?
– Quero dizer que eu não quero ficar parada, escolhendo que ração comprar para o Rex, enquanto meu namorado está preso na cagada que a família dele fez. Acho que eu devia agir.
– E eu acho que você devia ficar fora disso. Totalmente fora disso. Você disse que a família dele está sendo ameaçada, Rose. Se acontecer alguma coisa com você...
– Eu sei. A avó de Scorpius apareceu me subornando para que eu me livrasse deles... e eu entendo a generosidade e preocupação dela – fui sarcástica –, mas infelizmente ela não me conhece direito. E eu não sei ficar parada, especialmente agora que não tenho emprego fixo.
– Se você decidir enfiar os pés no assunto deles, eu vou contar tudo o que está acontecendo... para Lily.
– Não! Não conte a Lily!
Ela era a única pessoa que sabia me convencer a não fazer alguma idéia idiota.
– Então prometa que vai deixar isso quieto? Os Parkinson podem ser mais perigosos ainda. Scorpius foi embora por enquanto para o seu bem. E eu sei que isso foi difícil para ele também, Rose, mas... se ele souber que você quer entrar nessa situação...
– Ele não parece que está resolvendo muita coisa sozinho.
Enfiei o jornal com a foto dele e de Parkinson em sua fuça, para que ela se lembrasse em que ponto estava.
– Você devia jogar isso fora. – Ela viu minha expressão. – Você começou o caça-palavras, não é?
– Eu odeio ser perfeccionista. Olha – voltei a ficar séria. – Eu me sinto péssima não fazendo nada para ajudar. Não porque o quero de volta, mas porque... amigos ajudam os outros, mesmo nas piores horas. E Scorpius está em uma situação difícil.
Dessa vez Alice ficou um tempinho calada, mas acho que era porque estava pensativa para escolher entre duas rações. Logo depois, então, ela suspirou.
– Meu conselho é que você fique fora disso, Rose. Mas desde quando escuta meus conselhos, não é?
– Sempre escuto seus conselhos – franzi a testa, admirada por ela achar que eu nunca escutava.
– Você nunca escuta. Pelo menos não quando a coisa se trata de Scorpius. Quando Scorpius foi para Alemanha, falei para você dizer que o amava, que não queria que ele fosse embora... mas você não disse, você preferiu suportar a ausência dele. E quando eu falei para nunca experimentar, nem que parecesse tentador, sexo sem camisinha, com um cara que nem o Scorpius? Você experimentou.
– Em minha defesa... eu não estava pensando em seu conselho naquela hora. Eu estava bêbada com ele, e nós nunca mais repetimos a cagada.
– Rose... o que quero dizer é que, quando a coisa se trata de Scorpius Malfoy, você sempre foi... irracional. E se você for irracional agora, você vai acabar se machucando. Eu acho que você devia deixar os problemas de Scorpius serem resolvidos por ele, porque você também precisa resolver os seus problemas.
– Eu sei que eu já deveria ter encontrado um emprego fixo.
– Você só está conseguindo pagar as contas porque você sempre foi uma pessoa organizada. Rose, um salário de colunista de revista não vai ser suficiente por mais tempo. Você devia contar para o seu pai o que está acontecendo.
– Agora eu entendi porque não escuto seus conselhos. Eles são uma droga. Eu não vou contar pro meu pai que foi despedida.
– Ele vai entender. Ele só não vai entender porque ainda não pediu a ajuda dele.
– Eu não vou pedir a ajuda dele.
– Então pretende usar o cheque de duas mil libras da sra. Malfoy para esse mês?
– Não estou assim desesperada. E eu doei o dinheiro para a caridade.
– Uau – ela disse. – Você é mesmo certinha.
– Você faria a mesma coisa, não?
– Eu demoraria um pouquinho para fazer a mesma coisa. Você foi rápida.
– De qualquer forma, só para você se sentir mais tranquila, vou ficar fora disso então.
– Ótimo, obrigada!
– Scorpius não vai saber que quis ajudá-lo. Vamos esquecer o assunto.
– Ótimo. Qual você acha que é melhor para o Rex. Essa ração ou essa?
Mas eu estava com outras coisas na cabeça.
Naquela noite, na minha cama vazia, digitei em meu notebook: "Empresa Parkinson." E o Google me apareceu com milhares de pesquisas relacionadas. Fotos de conferência, fotos de jornais. A notícia principal era a agregação do sobrenome Parkinson com a empresa Malfoy. Havia uma foto do novo slogan da empresa. Malfoy & Parkinson. Eu podia imaginar a cara de Draco Malfoy por estar dividindo os bens de seu pai com outra família. Os Malfoy nunca tiveram sócios. Mas o mais legal de todas as pesquisas, era sobre a riquinha se casando com o riquinho. Acessei um blog que continha fofocas deles. E foi quando eu li na descrição de uma foto de Sarah Parkinson:
Não deve ter tido uma infância tranquila sabendo da bombástica notícia de que seu pai teria sido preso antes mesmo dela nascer.
Mas o blog não parecia interessado nos motivos de Carl Parkinson uma vez ter sido preso, então o restante do texto foi somente sobre os namorados dela. Chato.
Abri outra janela para pesquisar: Carl Parkinson + prisão.
Não era novidade que homens como Carl Parkinson e Draco Malfoy já teriam tido mandatos de prisão todos os anos de suas vidas. Scorpius aparecia na escola dizendo que tinha se atrasado porque ele teve que visitar o avô na prisão. Muitas vezes esses homens tinham dinheiro para pagar fiança, por isso não passavam tanto tempo para sofrerem por lá.
Estranhei que uma das pesquisas relacionadas a Carl Parkinson era... Atentado do Vôo 179, uma tragédia que ocorreu há quase trinta anos. Meu tio Harry só entrou no assunto sobre esse atentado apenas uma vez, quando Al, com seus cinco aninhos, perguntou o que acontecera com os pais de Teddy.
"Morreram em um acidente de avião" meu tio só tinha falado.
E foi quando minha mãe interveio com certa raiva, mais para si mesma do que para Harry.
"Não foi acidente."
Nas pesquisas, reconheci que Carl Parkinson estava entre os homens que tinham conspirado com a suspeita explosão do Vôo 179, depois de dez anos de investigação. "Foi um atentado, não um acidente."
E entendi porque a palavra "bombástica" no texto do blog estava em negrito. Não havia sobrado nem destroços do avião. Explodira em pleno ar. Tive um aperto no peito, lembrando de Teddy, com apenas um aninho, tendo que saber que seus pais eram alguns dos passageiros dentro daquele vôo.
Outras pesquisas diziam que Carl Parkinson foi rapidamente inocentado. Mas percebi como as pesquisas sobre o atentado eram tão contraditórias. Mesmo depois de três décadas, não havia nada que confirmasse realmente o que aconteceu. Muitos homens tinham sido presos e torturados, por causa das acusações, mas ninguém jamais encontrou o responsável pelo terrorismo.
Carl Parkinson também já havia tentado ser ministro por vários anos. Esse cara devia ter uma ficha realmente limpa.
Ficha.
Quando dei por mim, estava com o telefone na orelha, esperando meu primo Albus atender.
Albus trabalhava em uma empresa de advocacia e era o mais jovem promotor de lá. Desde que ele começou o trabalho, não tem tido lá muito tempo de passar o tempo com a gente, o que explicaria um pouco a ausência dele nos últimos anos. Talvez a ausência dele devesse ter fortalecido o que Scorpius e eu tínhamos. Antes éramos nós três. Depois que ele saiu da faculdade, passou a ficar preso em alguns trabalhos, então sobrava mais tempo para que eu conversasse mais com Scorpius.
Mesmo assim, Albus sempre esteve lá por mim, e talvez ele pudesse me ajudar.
– Al? Você está ocupado? – liguei para seu celular.
– Mais ou menos. Mas pode falar, Rose. Aconteceu alguma coisa?
– Você se lembra do atentado do vôo 179?
– Os pais de Teddy.
– Sim, exatamente. E você se lembra da Parkinson, que Scorpius gostava de comer quando estávamos no colegial?
– E o que uma coisa tem a ver com outra?
– Eu estava fazendo umas pesquisas e parece que o pai dela foi um dos que conspiraram no terrorismo. Você sabe de mais alguma coisa?
– Sei que depois de trinta anos sem nenhuma verdade oficial, isso virou um caso morto.
– Foi o que pensei.
– Scorpius me contou, Rosie – a voz de Albus era baixinha. – Sobre os Malfoy se associarem com os Parkinson. E você está tentando entrar no meio disso.
– O que você esperava que eu fizesse? – vociferei.
– Exatamente isso – eu pude sentir que ele estava sorrindo. Ainda bem que ele não era uma Alice. – Scorpius me contou o que aconteceu, e porque ele teve que se distanciar. Até ver o jornal hoje, eu não estava acreditando. Ele me pediu ajuda. E eu tenho a impressão que você vai me pedir a mesma coisa.
– Você está trabalhando no mesmo local responsável pelas investigações do atentado há trinta anos. Não tem como você-
– Tem, Rose, mas para isso eu teria que mostrar evidências nunca avaliadas antes. Novas acusações. E eu acredito que não existe mais nenhuma prova que nunca foi avaliada antes. Pelo menos não uma que incrimine Carl Parkinson.
– Mas ele não é um cara lá muito limpo. Entrou na política por duas décadas, isso quer dizer alguma coisa.
– Estou tentando encontrar alguma coisa, foi o que Scorpius me pediu também, mas... Carl escapou de tudo.
Passei a mão na testa. A idéia de incriminar Carl era uma idéia cinematográfica. Ele conseguiria se safar de tudo, porque era isso o que homens assim faziam. Eu estava ficando chateada e zangada com a situação, mas Albus parecia estar a par da situação muito melhor do que eu, pois acrescentou:
– Sarah, por outro lado, não tem a mesma sorte do pai.
– O que quer dizer? – levantei da cadeira.
– Existe um caso recente de uma garota que foi assassinada há cinco anos.
– Isso é tão a cara dela. Certeza que Sarah a matou porque a garota falou alguma coisa do cabelo-
– Não, Sarah não foi acusada. Foi o primeiro caso que ela pegou na promotoria. Sarah também é advogada, como sabe. Bem, ela estava defendendo o réu, e fez um ótimo trabalho...
– Certo, qual é o podre dessa garota?!
– Ela fez um ótimo trabalho subordinando o juiz, é isso o que estou querendo dizer. Sarah deve ser bem competitiva, ela queria ganhar de qualquer forma esse caso. Prometeu o dinheiro do papai para isso.
– Como sabe disso, Al?
– Más línguas. Pode não ser verdade, mas... minha teoria é que ela está sendo ameaçada por ainda não ter dado o dinheiro que prometeu ao juiz Harold Paggs. Ela pode estar armando tudo isso, esse casamento com Scorpius, para conseguir o dinheiro dos Malfoy tomando a empresa deles, sem que o pai dela fique sabendo da verdade. Pode ser que os Malfoy não estejam devendo tudo isso. Sarah pode ter tirado tudo isso da empresa do pai dela, mas fez com que... você sabe, a dívida fosse dos Malfoy.
– Ok, você está me assustando. Como sabe de tudo isso? Como chegou a essa teoria?
– Porque eu sou um bom amigo. E um bom investigador. E o juiz Harold Paggs está gritando com Sarah agora.
Eu congelei um segundo.
– Onde você está?
– No carro. Em frente a casa dela. Vamos dizer que Scorpius é muito ciumento e queria saber se Sarah não estava o traindo, então me mandou segui-la.
– Espera, então quando você disse que estava mais ou menos ocupado, você quis dizer que estava espionando Sarah Parkinson para o Scorpius?
– É, é, mais ou menos.
– Que foi? – ouvi um barulho estranho. E Al ficou silencioso. – Al, que foi? O que você está vendo?
– Eu preciso desligar, Rose. Sarah meio que atirou nele.
Scorpius POV
Londres era linda, mas eu nunca quis fugir tanto dela. Pela primeira vez em anos, eu sentia como se não houvesse nenhuma saída. Olhando pela janela do último andar do prédio, eu me sentia como meu pai. Responsável por tudo o que estava acontecendo. E eu odiava essa responsabilidade, pois não busquei por ela.
– Sr. Malfoy – a voz conhecida de Perséfone soou atrás de mim. – O senhor me pediu para avisá-lo quando todos estivessem esperando. A reunião definitiva vai começar em dez minutos. Seu pai também chegou.
– Obrigado, Perséfone. Eu só vou me preparar. Perséfone – eu a chamei quando ela virou o corpo para ir embora. A mulher olhou para mim com seus olhos gentis. E então eu disse: – Você está demitida.
Eu me aproximei dela e segurei seus ombros, quando ela me encarou com uma mistura de decepção e fúria em seus olhos.
– Eu passei a manhã inteira enviando seu currículo para todas as empresas do país - expliquei. – Você vai ser chamada em breve para outro emprego, mas, por favor, saia daqui o quanto antes.
– Scorpius, o que está dizendo?
– Eu não quero mais que trabalhe aqui, ouviu? Assim que eu assinar aqueles papeis... você não estará mais trabalhando para meu pai, nem para mim, de qualquer forma, e eu não quero que os Parkinson tenham você.
– Oh, Scorpius – ela tirou o fone de seu ouvido, e o microfone de secretária. – Você está com ciúmes de uma velha senhora?
– Exatamente – eu consegui sorrir um pouco. – Infelizmente você ainda terá que trabalhar até o fim do dia, mas amanhã... não volte mais aqui. Não será mais a empresa Malfoy.
– E eu ainda não acredito que se casará com... ela.
– São só papeis. Eu prometi a Rose que conseguiria dar um jeito nisso, mas foi impossível. Mas talvez seja melhor assim, não? Se eu ficasse com ela, e ainda continuasse gerenciando essa empresa no lugar do meu pai, eu não a faria feliz, certo? Ser um Malfoy machuca todo mundo ao redor. Minha mãe sabe perfeitamente. Não quero ser para Rose o que meu pai foi para minha mãe.
Sentei-me em minha cadeira.
– Então você nunca mais vai falar com ela? – perguntou Perséfone.
– "Nunca" é uma palavra forte.
Perséfone se aproximou de mim. Suspirou. E então me deu um puxão na orelha tão forte que eu só não gritei "ai" porque seria estranho.
– O que foi isso?
Ela apontou o dedo para mim, brava.
– Eu só fiz isso uma vez com seu pai, e foi quando ele se divorciou de Astoria. Agora eu estou fazendo isso em você, porque está dizendo que vai desistir da Rose por causa de uma piranha?
– Não é por causa dela. E eu realmente não espero que entenda.
– Eu conheço você há vinte anos, Scorpius. Você era pequenininho, idiota, imaturo, quando o vi pela primeira vez. Já vi você fazendo e falando sacanagem pra muitas garotas estagiárias que passaram por aqui. Mas eu nunca vejo você olhando para outra garota do jeito que olha para a linda da Rose, especialmente quando ela vem te visitar aqui. Então... o que você precisa fazer? Eu ajudo no que for para acabar com essa palhaçada de casamento.
– Eu preciso de seiscentos e cinquenta bilhões de euro.
Perséfone engasgou.
– Alguma coisa a altura, querido.
– Tempo – andei apressado pela sala. – Eu não posso assinar esses papeis hoje. Eu preciso que essa reunião não aconteça, para eu conseguir ter tempo de raciocinar melhor e conseguir pagar pelo menos uma parcela da dívida. Mas como vou arranjar tempo para isso em dez minutos?
– Quem é a pessoa mais importante que precisa assinar os papeis ali?
– Eu.
– Então sem você, nenhum acordo acontece.
– Sim.
– O que está esperando pra fugir?
– Acha que não pensei nisso? Eles vão ameaçar meu pai se eu não assinar essa porcaria.
– Ok, e você acha que Draco não sabe lidar com ameaças?
– Essa é pior.
– Essa é pior? Você realmente não conhece seu pai, não é? Você acha que seiscentos e cinquenta bilhões em euro é muita coisa para a empresa Malfoy?
– O que quer dizer?
– Nós passamos por dívidas muito piores, Scorpius. Eu sei disso porque trabalho aqui há mais de vinte anos. Conheço muita coisa que você não conhece. E seu pai já pagou dívidas piores.
– Não faz sentido. Por que eu precisaria me associar com os Parkinson então? Por que meu pai simplesmente não... paga?
– Porque é você quem deve pagar. É você quem está no comando, desde que seu pai quase morreu. Esqueceu disso? Seu pai não deve lhe dar nenhuma ordem.
– Mas eu não tenho a merda desse dinheiro.
– Claro que tem.
– Ok, temos, mas... isso faria minha família falir.
– Mesmo você pagando a dívida com os Parkinson, você não só vai perder metade dos bens da família e da empresa porque irá dividir tudo com eles, mas também vai perder Rose. Se pegar o bicho come, se comer o bicho pega, querido.
– Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega – corrigi.
– É. Estou ficando caduca. Mas entende o que quero dizer?
– Perfeitamente. Carl Parkinson está se aproveitando da minha falta de experiência para conseguir a empresa do meu tataravô. Já sei o que tenho que fazer.
Sem deixar de agradecer Perséfone por me esclarecer as coisas, eu peguei a maleta sobre a minha mesa e, nos dez minutos que me restava, não corri a sala de reuniões, onde eu e Sarah deveríamos assinar nossos papeis e nos casarmos. Romântico, mas necessário.
Corri para outro lugar.
Finalmente entendi o que estava acontecendo.
Carl não queria meu dinheiro. Ele queria o dinheiro da empresa. Ele ia ter o dinheiro, então.
– Desculpem o atraso – falei meia hora depois, quando entrei na sala onde continha a extensa mesa de executivos. Vários homens da empresa Parkinson estavam em volta da mesa também. Todos me encaravam, esperando que eu assinasse o papel. Sarah estava sentada ao lado de outra moça. Ela tinha o canto dos lábios erguido em um sorriso provocador. – Eu estava fazendo uma ligação importante.
Olhei para o pai de Sarah na ponta da mesa, ele continha sua expressão hostil, mas também triunfante. Na outra ponta, estava meu pai com a expressão preocupada. Depositei a maleta sobre a mesa. E antes de sentar, perguntei:
– Quando é seu aniversário, sr. Parkinson?
Foi uma pergunta inusitada. O sr. Parkinson apertou o anel de seu dedo.
– Dia sete de julho – respondeu. – Por que a curiosidade, Malfoy?
– Sete de julho? Você não se importa em receber o seu presente mais cedo esse ano, se importa? Eu tenho um presente para você. Para a sua empresa, para falar a verdade. Pai, é melhor tampar os ouvidos. Não quero que tenha um ataque, o senhor ainda está fraco por causa do assalto. Não queremos nenhuma tragédia.
Suspirei.
– Sr. Parkinson – falei, outra vez, porque gostei de estar fazendo um suspense interessante. Até me senti em um filme. – Poderia checar a conta de seu banco, por favor? Aqui mesmo, no seu celular. Nós não vamos ver sua senha, não se preocupe – sorri.
Desconfiado com a minha estranha confiança, mas ao mesmo tempo muito curioso, o sr. Parkinson pediu para que Sarah ligasse o ipad. O sorriso dela desapareceu aos poucos, a medida que checava os novos dados do banco de sua empresa. Sentia o olhar do meu pai em mim, pegando fogo, o tempo todo. Mas ignorei. Eu estava mostrando poder naquele ambiente, um poder que talvez ninguém acreditasse que eu tinha ainda, mas iria mostrar. Perséfone me fez enxergar. A boa e velha Perséfone, uma secretária de sessenta anos, me fez enxergar o que estava bem embaixo do meu nariz.
– O que significa isso? – perguntou Sarah, levantando-se. – Como conseguiu todo esse dinheiro?
– Você não entendeu? É porque vocês são donos da empresa Malfoy agora – contei com empolgação falsa. – Não é uma história fascinante?! Está tudo bem, está tudo bem – eu falei em meio aos murmúrios e exclamações de todos os homens e mulheres daquela mesa. – Estou oferecendo, em troca de não me casar com essa moça maravilhosa que sei que Parkinson nunca foi, o nome da minha empresa também. O que acha? Minha dívida está paga.
Meu pai não caiu no chão. Achei isso um bom sinal.
– É só assinar esse papel, sr. Parkinson – eu o tirei da maleta e entreguei em suas mãos. – Eu sei que existe esse jogo entre famílias, porque todos nós temos medo de perder o que conquistamos, então nossas filhas casam com os filhos de nossos colegas para continuarmos sendo milionários. Mas eu particularmente não conquistei lá muita coisa para essa empresa. O senhor faria um trabalho muito melhor que o meu.
O sr. Parkinson ficou calado por um instante, observando as letras do papel não falsificado. Eu realmente estava dando a empresa para os Parkinson. Não estava fazendo nenhum joguinho.
– Pai, o senhor não pode estar pensando que ele realmente... – começou Sarah, mas Carl ergueu a mão como modo de mandá-la calar a boca.
– Sempre tentei negociar a empresa com seu avô, o Lucius – disse Carl para mim. – Ele sempre teve medo de perder o poder. E eu gosto que você não queira o poder, Scorpius. Você está fazendo um excelente negócio.
– Pai! – Sarah olhou horrorizada quando o sr. Parkinson pegou sua caneta de um milhão de libras e assinou o papel que o faria dono da empresa Malfoy.
Eu podia ver a manchete do dia nos jornais.
Carl lançou um olhar para Draco. Eu achei incrível que meu pai não tivesse gritado comigo. Ele era tão bom em fazer isso. Ainda olhando para meu pai, Carl Parkinson apertou minha mão. Ajeitou a gravata, todo presunçoso. Levantou-se.
– Bem, Sarah, você ainda é solteira. Scorpius soube resolver a situação exatamente do jeito que...
Aos poucos, ele foi parando de falar. Como a sala continha paredes de vidro transparentes, ele teve a visão de dois policiais andando até a porta. Atrás deles estava minha mãe.
Como eu planejei.
Em 10 minutos. Só achei demais que ela tivesse vindo para cá tão rápido, mas Astoria sempre foi uma mulher prática.
– O que está acontecendo? – perguntou Carl quando a reunião foi invadida pelos policiais.
– Ah, olá, Carl. Draco – cumprimentou minha mãe educadamente. Não mais educada quando constatou: – Estou denunciando a empresa.
– O quê? – Draco levantou-se imediatamente. – Astoria-
– Por roubo, conspiração, bem, a lista é longa. Eu vou deixar a melhor parte quando Carl estiver na delegacia.
Os policiais não foram em direção ao meu pai, mas sim ao pai de Sarah. Minha mãe se aproximou quando os policiais o algemaram, pegando o papel que Carl acabara de assinar.
– É incrível como o poder deixa as pessoas cegas – comentou mamãe. – Você nem mesmo considerou a opção de que, assinando esse papel, você teria que pagar por todos os pecados que Lucius Malfoy cometeu enquanto continha o nome dessa empresa? Que estupidez.
– Você armou contra mim! – gritou Carl, ao me encarar. – Você!
– Não, você armou contra mim.
Draco finalmente se levantou ao dizer.
– Você contratou assassinos para me matarem. Uma tentativa mal sucedida. Mas não foi tão mal sucedida assim com meu pai, não é?
– E que provas vocês têm para me incriminar por isso?
– Sua própria voz – foi minha vez de responder. – Se lembra de quando me ameaçou em seu carro?
Liguei meu celular. Fiz a sala toda escutar a gravação:
"Eu vou destruir tudo o que você e sua família tem. O assalto que levou seu pai a ficar em coma foi só um susto. Se ele continuar ignorando-o, eu não tenho medo de piorar as coisas."
– Você destruiu tudo o que minha família tem – eu lhe contei. – Assinando os papeis, você se tornou o dono da empresa Malfoy, a única coisa que minha família tem. Minha mãe tem todas as provas do mundo para acusar a empresa de roubos. Ela só decidiu fazer isso agora. Coincidência que eu não sou mais dono.
– Você conseguiu o que queria, Carl. É dono da empresa Malfoy – disse meu pai. – Mas saiba de uma coisa. Sempre vem com um preço. Boa sorte para pagar a fiança.
Era indescritível a expressão no rosto de Carl. Quando o segundo policial foi algemar Sarah Parkinson, ela pediu um minuto para conversar comigo. Baixinho, falou:
– Eu imaginei que estivesse aprontando alguma coisa, Scorpius. Você foi esperto, realmente foi. Mas não deveria ser comigo. Não deveria.
– Estou cansado das ameaças da sua família, Parkinson.
– Não é uma ameaça de família. Isso é realmente pessoal. Não leve seus amigos para o Três Vassouras hoje.
Meu maxilar enrijeceu.
– Prendam logo ela – eu sibilei.
Os policiais levaram os dois embora. Outros homens tentaram fugir, mas isso ativou ainda mais a quantidade dos policiais ao redor da empresa. Prenderam os homens que conspiraram com todos os roubos. Minha mãe, após se divorciar de meu pai, soube da ficha criminal de cada funcionário ali. Mas como ela ainda era minha mãe, não fez nenhum depoimento enquanto eu ainda fosse o dono da empresa. Como demiti Perséfone naquele dia, ela não trabalhava mais para a empresa, então não tinha mais nada a ver com isso.
Ela voltou a viver com os filhos de trinta anos, feliz e saudável.
Meu pai observava a bagunça.
– O legado de meu pai inteiro para a prisão. Ele deve estar se revirando em seu túmulo. – Quando um policial se aproximou de meu pai, ele mesmo levantou os pulsos para serem algemados.
– Ei, o que significa isso? – perguntei, olhando de minha mãe para meu pai, e depois para o policial.
– Só pagando alguns erros que tive que cometer – comentou Draco. – Você, no entanto, Scorpius... você nunca fez nada. Está livre. E de castigo, por não ter comentado nada sobre o plano que fez com sua mãe.
Uau, primeira vez que ele me deixava de castigo. Eu sorriria, se não fosse triste vê-lo sendo preso. Não que eu já não tivesse visto isso acontecendo com meu avô, mas meu pai ainda estava mancando por causa dos problemas com a bala que havia quase perfurado seu pulmão. Fiquei até com pena.
– Draco ajudou seu avô em algumas coisas realmente sujas, Scorpius – contou minha mãe quando saímos do prédio. Eu nunca me senti tão livre em toda a minha vida. Livre daquele prédio. – E quando tive que denunciar a empresa, tive que falar o que ele fez. Não foi fácil, mas eu não podia deixar que você virasse um Parkinson por isso. Mas não se preocupe. Zabini é o advogado da família, vamos poder pagar a fiança dele assim que for permitido. Você está bem?
– Estou... estou. Achei que não daria certo.
– Além disso, vão descobrir outras coisas ruins que Carl fez quando decidiu concorrer para Primeiro Ministro. O idiota não vai sair da prisão por um bom tempo.
Lembrei o que Sarah havia falado para mim. Não leve seus amigos para o Três Vassouras. O que diabos significava isso?
– Não é Carl que me preocupa.
– Sarah? – adivinhou. – Ela não foi presa porque era filha de Carl. Encontraram o corpo do juiz Harold Paggs na casa dela. Sarah provavelmente estava devendo algo para ele, e provavelmente ia colocar a culpa em você, mas por sorte seu amigo Albus Potter tirou fotos. Sarah vai ter que lutar muito para sair dessa.
– Ela matou um cara?
Ok. Sarah era uma garota idiota, vadia, mesquinha, mas... assassina? Eu nunca enxerguei isso nela. Assustado, tive que me afastar um pouco para respirar tanta informação em tão pouco tempo.
A rua do prédio estava movimentada pelas viaturas de polícia que enchiam seus carros com homens de terno. Jornalistas de televisão cobriam o acontecido, explicando a situação para as câmeras. Lily era uma das moças que fazia o trabalho. Até havia me esquecido que essa era a profissão que ela estava tentando adquirir. Aproximei-me dela depois que entrevistou um dos policiais e deixou a câmera de lado.
– Scorpius, oi. Que loucura, não? Você tem culpa nisso?
– Um pouco. Longa história. Rose está bem?
– Ela estava no Três Vassouras a última vez que chequei. Mas ela não andava lá muito bem não. O que aconteceu entre vocês?
– Mais uma vez, longa história. Mas vai ficar tudo bem agora, eu só preciso-
– Sim, nós já estamos indo! – exclamou o policial que Lily tinha entrevistado há pouco. Ele gritou para um de seus colegas. – Quero duas viaturas para a rua John J. Miller agora!
John J. Miller era a rua dos Três Vassouras. Lily e eu nos entreolhamos. Lily conhecia o policial e se aproximou.
– Stanley, o que aconteceu por lá?
– Aparentemente um idiota entrou para roubar o bar. A gente precisa correr para lá antes que tenha alguma vítima, porque James disse que ele tava com arma e-
Não escutei mais nada. Só disparei para o meu carro, com a frase "não leve seus amigos para o Três Vassouras hoje" na cabeça.
Rose POV
Eu nunca realmente havia presenciado um assalto antes. O que as pessoas falavam sobre isso para mim era tão assustador que eu sempre torcia para que jamais acontecesse comigo. Quando você está na rua as duas horas da manhã, você tem medo de ser assaltada, porque você está freqüentando um local perigoso e sabe que as chances disso acontecer com certeza é grande.
Mas quando você está freqüentando um local que você o faz há mais de cinco anos, com certeza o que menos espera acontecer é ver um homem encapuzado tentando roubar o caixa, ameaçando com arma e fazendo reféns.
Como eu estava apreciando um pouco da minha bebida preferida, eu não reparei muito no homem que tinha sentado ao meu lado e pedido uma caipirinha bem gelada. Eu até fui idiota por achar que ele estivesse me secando, porque ele olhava para mim frequentemente. Mas ele nem era bonito, então não dei lá muita bola.
O Três Vassouras não estava lotado naquela quinta-feira, final de tarde. Eu estava acompanhando Alice para comprarmos lanches e foi quando ela decidiu ir ao banheiro e me deixar sozinha no balcão. Não sozinha, porque Eric estava aprontando a bebida que o homem tinha pedido.
Quando Eric se afastou para os fundos, o homem se levantou e perguntou:
– Não quer sair um pouco?
– Não, obrigada – respondi. Idiota, pensei girando os olhos.
– Que pena – ele falou antes de tirar a arma do bolso interno do casaco. E me pegar pelo pescoço.
Sério, o cara me pegou pelo pescoço e pediu para que todo mundo ali fizesse silêncio se não ele dava um tiro em mim.
EM MIM!
Que legal. Eu fui a escolhida.
Meus olhos se encheram de lágrimas imediatamente. Bem, eu ainda tinha tanto o que fazer na vida. Não queria morrer assim.
Então só fiquei parada.
Sei que fiz algumas coisas erradas tipo querer mal para algumas pessoas, mas não a esse ponto de merecer uma bala em algum lugar no meu corpo. Quem nunca desejava que sua arqui-inimiga quebrasse o pé ou uma professora chata pegasse um resfriado para não dar aula?
Era esse tipo de mal que eu pedia para as pessoas.
Lembrei que certas coisas não eram justas. E pensei em tudo de bom que aconteceu comigo, quando Eric se afastou do balcão e tentou acalmar o assaltante.
– Ei, cara, solte ela. Eu tenho dinheiro, bebida, pode pegar tudo. Solte ela.
– Eu te vi ligando pra polícia, filho da puta – a voz do assaltante estava bem perto do meu ouvido. Fechei os olhos.
Foi um erro fechar os olhos, porque logo em seguida ouvi um tiro.
Todo mundo berrou.
Achei que me acertaram, mas ainda estava em pé, trêmula e com muito medo. Quando abri os olhos, soltei um grito involuntário também. Eric estava caído no chão, com o peito todo ensangüentado. Acho que Eric tinha tentado se aproximar ou bater no assaltante. Eric foi estúpido o suficiente para tentar me salvar.
Eric. Lembrei de seu filhinho, que já foi meu aluno. Lembrei também de acordar e levar o maior susto com ele. Lembrei que Eric foi o primeiro cara com quem transei depois de terminar um namoro de três anos. Eu nunca senti tanto medo. E ódio. Não morra, Eric, não morra.
Mas não parava de sair sangue dele.
Talvez esse ódio tivesse me dado coragem para dizer:
– Por que atirou nele se está mirando em minha cabeça?
– Esse cara foi bem precipitado e me assustou, só isso.
Um barulho ensurdecedor passou pelo meu ouvido e o aperto que o homem estava fazendo em mim sumiu. Eu estava tão trêmula que caí no chão, arrastando-me até o corpo de Eric, como que tentando protegê-lo mesmo que pudesse estar... morto. Eu não entendi na verdade porque fui até ele. Quando olhei para saber o que estava acontecendo e porque o homem tinha me soltado tão de repente...
Era James. Com seus anos de experiência e treinamento, ele conseguiu agarrá-lo, deixando-o inconsciente enquanto prendia-o no chão com o corpo.
– Todo mundo sai daqui! – gritou. As cinco pessoas foram embora correndo, desesperadas. Eu fiquei ali, parada. – ROSE, SAI DAQUI!
– Mas – engoli em seco. – Eric-
Eu queria ajudá-lo, do mesmo modo que tentou fazer por mim. Não podia deixá-lo assim e...
– Não tem mais jeito, Rose – ele disse com firmeza, segurando a arma do homem. Eu chorava miseravelmente. – Agora sai daqui, vai para um lugar seguro. Cadê Alice?
– No banheiro. Ela tinha saído para ir ao banheiro.
– Tudo bem, tudo bem – ele respirou firmemente. Depois ele fez algo estranho, mas interessante. Como James estava de folga naquele dia, não tinha nenhum equipamento para prender o homem. Então ele pegou o próprio pano da mesa ao lado dele para prender os pulsos em um nó apertado.
Um som saiu da garganta do assaltante, mas James o atingiu com a arma na cabeça para voltá-lo a deixar inconsciente. Eu conhecia sobre direitos humanos, mas queria que James tivesse atirado nele.
– Rose, tire você e Alice daqui. Rápido.
Alice estava agachada perto da porta do banheiro, petrificada, com as duas mãos nos ouvidos. Quando me agachei ao seu lado, ela berrou de susto, mas eu a abracei imediatamente.
– Calma, James deu um jeito nisso. A polícia está vindo. A gente tem que sair daqui agora.
– Rose, eu achei-
– Eu sei.
– Em quem- eu ouvi um tiro, eu achei que-
– Promete que não vai olhar para os cantos quando levantarmos daqui?
Ela prometeu, mas olhou mesmo assim.
Nós duas saímos do Três Vassouras juntas. Alice chorava tanto – principalmente depois de ver o que ocorreu com Eric –, que eu não consegui mais chorar. Eu acho que quis tentar ser mais forte por ela, mesmo passando pelo susto de que poderia estar no lugar de Eric naquele momento. Eu mesma a levei para a rua, onde duas viaturas de polícia estacionavam, e um homem e uma mulher saíam.
– Senhoritas, entrem na viatura rapidamente. Tem mais alguém lá dentro?
Alice não falou.
– James conseguiu nocautear o cara – eu disse. – Mas o barman levou um tiro.
O policial imediatamente chamou a ambulância, antes mesmo de sequer abrirmos as portas da viatura e sentarmos. A mulher-policial que tentava nos acalmar, ver se estávamos bem ou com algum ferimento, também nos deu água. Alice estava desesperada.
Uma gritaria estava acontecendo no meio da rua. Um carro conhecido tinha estacionado de um jeito qualquer perto da calçada. Foi quando vi Scorpius gritando com o policial, que o impedia de entrar no Três Vassouras. Depois que Scorpius gritou "MINHA NAMORADA ESTÁ LÁ DENTRO, PORRA!", eu saí do carro e corri até ele.
– Scorpius!
Antes que ele desse um soco no policial – o que poderia ser bem provável – ele me viu aproximando. Nos abraçamos como nunca, jamais, nos abraçamos antes. Porque eu tive a breve impressão de que ele não poderia me abraçar, se James não fosse tão excelente no que fazia.
– Rose, chamaram a ambulância, eu achei que você...
A ambulância chegou na hora. Foi tão rápida que mal acreditei. Scorpius não fez outra pergunta, apenas viu os paramédicos agirem. A pior cena da minha vida foi ver Eric sendo levado para dentro da viatura da ambulância em uma maca enquanto três homens se ocupavam em fazer respiração boca-a-boca, sem parar, incessantemente. Mas isso tinha seu lado bom. Significava que ele ainda tinha alguma chance. Ao mesmo tempo, três policiais empurravam o assaltante, preso. Antes de jogarem ele na viatura, o cara gritou com os olhos virados para mim e para Scorpius:
– Mensagem para Scorpius Malfoy enviada.
Eu olhei para Scorpius. James perguntou:
– Isso foi... isso foi pra você?
Scorpius se afastou de mim, passando a mão nos cabelos.
– Parkinson.
Lily apareceu de um lugar que eu não vi onde, dirigindo seu carro. Quase me assustando, ela disse com a janela aberta:
– Vocês contam as novidades quando estivermos no hospital. Eric tem que sobreviver. Quem vai fazer minhas bebidas!?
– Scorpius e Rose vão com vocês – disse James. – Eu tenho que levar Alice pra casa, ela está muito assustada. Rose, você está bem?
– Não, eu quero ir para o hospital também – Alice, segurando o copo de água, falou. – Eric era amigo de todo mundo aqui.
– É – eu a corrigi. – Eric ainda é amigo de todos aqui. Vamos logo.
NA: Voltei finalmente! E aqui vai mais um capítulo para vocês comentarem!
Nos próximos capítulos, a fanfic entrará em outra fase. Uma nova temporada. Fiquem esperando!
