- Angústia/Romance/Universo Alternativo etc.
1x2, 3x4 e talvez mais alguma coisa. –
"Dois irmãos, sentimentos confusos e crenças sendo testadas. Seria a hora de fortalecer, quebrar, ou desenvolver novos laços, novos vínculos. O quanto se pode resistir sem sucumbir ao que sua mente e o mundo diz ser proibido...".
E... Gundam Wing ainda não me pertence... Ah... Eu teria matado a Relena se assim fosse...u.u
Vínculos
V
(#w#)
Heero POV
Estava ali sentado a cerca de quarenta minutos e apesar do meu corpo presente, minha mente estava muito longe daquele café. Tentei por várias vezes voltar a minha atenção para o loiro que falava empolgado; dando ênfase a tudo com seus gestos, mas quando eu me distraía por um instante... Estava pensando em como o baka estaria.
Assim que meu relógio marcou sete horas, não hesitei em pegar o pequeno cartão, tentar localizar Quatre Winner e com ele algumas respostas. Para minha surpresa o loiro parecia muito satisfeito com a ligação. Ousava dizer que ele estava esperando por ela, por mais absurdo que esse pensamento fosse. Não conversamos mais que três minutos e já tínhamos um encontro marcado paras às oito e meia no café do hotel em que ele estava hospedado.
Rápido demais para o meu gosto. Mas, mesmo desconfiado aceitei sem pestanejar.
Sai do apartamento por volta das oito deixando um Duo inconsciente e tranqüilo, ronronando coisas incompreensíveis e babando em uma das almofadas. Eu não queria ter saído do seu lado, apesar de saber que quando ele acordasse, eu provavelmente receberia uma chuva de pedras como agradecimento pela minha preocupação. Mas... Eu não havia contratado a diarista para ficar com ele, sendo assim, ele estava lá sozinho e provavelmente começaria a ter os sintomas da ressaca. Ele precisaria de remédios, uma xícara de café, um bom banho e...
- Heero?
Ergui meu olhar que nem ao menos percebi ter baixado para a xícara. Eu estava novamente me perdendo em coisas que eu deveria fazer, mas que nunca teria a oportunidade. Não enquanto as coisas estivessem daquele jeito, e é por isso que eu estava aqui.
Os olhos azuis me analisavam com curiosidade e um sorriso tranqüilo brincava pelos lábios avermelhados. Ele parecia um belíssimo boneco de porcelana, daqueles que enfeitam prateleiras de colecionadores, e não pude deixar de pensar na dupla bonita que ele e Duo deveriam fazer. A primeira vista, o loiro deveria ser o mais centrado dos dois, visto a tranqüilidade com a qual ele se portava; um contraste violento com a bola de energia que Duo era.
- Não sou muito de palavras, como já deve ter percebido. – murmurei não querendo entrar em detalhes sobre o caminho que meus pensamentos percorriam.
- Ah, mas disso eu sei. – comentou com um sorriso brilhante iluminando a face pálida. – Duo falou e falou milhares de vezes sobre as suas habilidades verbais.
- Hn. – ele sorriu ainda mais, como que agraciado com um de meus grunhidos. Me permiti acompanhá-lo, mas sem grande exagero; sorrisos não eram o meu forte.
- Sabe o que é? – se debruçou sobre a mesa como se fosse me confidenciar algo. – Foram muitos anos com Duo. Quando percebo estou falando pelos cotovelos como ele faz...
- Ah... – deixei escapar sentindo meu coração se apertar um pouco.
O loiro não fazia idéia, mas havia acabado de me dar a prova concreta de que Duo realmente tinha algo contra mim, visto sua maneira contida a meus olhos quando para os outros ele se mostrava de corpo e alma. O baka ainda era o mesmo tagarela como eu imaginava. Mas para mim, sobravam apenas os movimentos calculados ou os olhares assustados e perdidos...
" Você não gosta mesmo de conversar comigo, não é?"
Minha mente conseguiu reproduzir aquele mesmo tom de voz magoado, aquela mesma voz pastosa de horas atrás, como se ele estivesse falando aqui para mim. Eu devo tê-lo machucado tanto e tantas vezes... Quatre disse que ele falava sobre mim... Teria sentido a minha falta? E se sentiu, por que nunca me procurou, por que nunca insistiu?
- Imagino que deva estar sendo bem difícil lidar com Duo esses dias, não?
Voltei a fitar a xícara incomodado com o peso de suas palavras. Ele provavelmente havia escutado boa parte dos gritos, e se era assim, também estava ciente de todas as acusações... De tê-lo abandonado... Eu não deveria estar me incomodando com isso depois de tanto tempo, mas uma parte minha não queria esnobar, não queria dormir em paz sabendo da magoa nos olhos ametistas, da dor... Aquele sentimento estranho que sempre passava pelos olhos dele quando eu estava muito perto, como naquela noite...
-... E o estado da mãe dele só faz as coisas piorarem... – sua voz soou distante novamente, mas tentei me agarrar a ela quebrando minha linha de raciocínio. Eu precisava me concentrar e fazer logo as perguntas certas para me ver livre desse encontro improvisado e resolver logo qualquer problema no inferno que um dia chamei de "meu apartamento".
- Já pensei nisso, mas não é a preocupação por Natsumi que eu vejo quando estamos brigando. – falei sem grandes rodeios notando um certo brilho nos olhos claros. Ele realmente sabia de alguma coisa, o que era de se esperar. Pelo que eu havia entendido até ali, eles eram realmente muito amigos.
- Você pega as coisas rápido... – levou a própria xícara aos lábios sorvendo um pouco de seu chá. – Infelizmente, eu não posso simplesmente contar tudo o que eu sei sobre Duo e esperar que ele ainda seja meu amigo depois disso.
- Justo. – recostei-me no encosto cruzando os braços sobre o peito. – Mas pode me dar uma luz para que eu resolva o meu problema?
Uma luz era tudo o que eu precisava. Passei a madrugada toda divido entre vigiar o sono de Duo e pensar a respeito do que fazer para resolver a nossa situação. Já havia dado o braço a torcer e seria capaz de admitir para mim mesmo que a preocupação para como baka era maior do que a minha teimosia em me abster dos acontecimentos.
Novamente eu estava sendo atingido pelo velho instinto que me levaria afazer qualquer coisa que aqueles olhos me pedissem, como quando éramos mais novos...
E só haviam se passado três dias.
- Ele falava muito sobre a forma como você se afastava algumas vezes... - pisquei algumas vezes confuso coma mudança repentina de assunto, mas deixei que ele continuasse. – Sei que parece muito estranho, mas eu tenho a ligeira impressão de que a sua recusa chamava mais a atenção dele do que qualquer outro gesto.
Curvei o corpo para frente tentando encarar mais de perto os olhos azuis. Finalmente suas palavras aparentemente sem nexo fizeram um pouco de sentido, e me vi relembrando alguns momentos no passado.
Quando pequeno, Duo era uma bola de energia ambulante e não era preciso muito para agradá-lo, mas eu fazia questão de satisfazer todas as suas vontades, que na verdade, não eram grandes coisas. Enquanto várias crianças se descabelavam por brinquedos e outras futilidades, a atenção de Duo era voltada para pequenas coisas como sua comida, ou a temperatura da água que bebia... E até mesmo o leite, que ele cismava ficar ruim quando o chocolate não desmanchava. Pessoalmente, eu achava aquilo ridículo, mas não era capaz de negar uma coisa tão pequena, principalmente quando a recompensa era um de seus enormes e brilhantes sorrisos.
Às vezes eu tentava dizer a mim mesmo que era errado, que eu não mimá-lo daquela forma, mas fazê-lo sorrir acabou virando uma questão de honra para mim. Tentar apagar a lembrança ruim que ele tinha até entrar em nossas vidas... E ainda as repreensões constantes do meu pai, que não parecia satisfeito até vê-lo sentido com suas palavras. Definitivamente ele precisava de mim, precisava dos meus cuidados... Era assim que eu pensava.
Meus pais tinham os seus problemas, e restava para mim atarefa de fazer companhia para Duo, que não parecia se incomodar muito com isso. Ele permanecia quieto a maior parte do tempo, mas bastava ser ignorado por alguns segundos e já começava a tagarelar e gesticular tentando chamar a atenção com a primeira coisa que passasse pela sua cabeça.
Antes que eu entendesse que isso era apenas coisa de criança, foi difícil me acostumar com aquela presença elétrica. Mas no final acabei mudando certas rotinas apenas para acomodá-lo, deixando-o feliz e a mim em paz.
É... Quatre não podia estar mais certo.
- Interessante... – murmurei pegando a xícara abandonada. – Mas o que você sugere?
Olhei para ele pela borda da porcelana, observando um sorriso diferente formar-se em seus lábios. O loiro estava realmente empenhado em me ajudar, e mesmo que eu não entendesse bem os seus motivos, aceitaria de bom grado. Eu não poderia forçá-lo a contar tudo o que sabia, e teria de me satisfazer com o que estivesse disposto a falar.
- Olha Heero, eu realmente estou disposto a ajudá-lo, não acho que faça bem para o Duo passar um mês aqui vivendo em constante atrito com você. – ele disse calmamente recostando-se no encosto do assento. – Ele tem um jeito difícil... Espero que esteja disposto a agüentar um pouco.
- Agüentar? – ergui uma sobrancelha não entendendo completamente o que ele queria dizer com aquilo.
- Você sabe... Alguns chiliques, uns gritos... Nada do que você não tenha presenciado na noite anterior. – comentou com um certo toque de diversão em sua voz.
- Terei de agüentar tudo sem socá-lo? – perguntei me sentindo mais disposto, até para fazer uma piada.
- Não! É isso que ele vai querer, te deixar nervoso... – debruçou-se novamente e dessa vez eu o acompanhei. – Duo tem um jeito muito estranho de demonstrar afeto... Você já deve ter percebido, não é Sr. Yuy? – e com uma piscadela se afastou.
Deixei uma pequena risada escapar de meus lábios e me surpreendi com o repentino bom-humor. Quatre era sem dúvida uma companhia agradável e de fato um bom amigo. O loiro havia saído de sua casa apenas para acompanhar o momento difícil pelo qual o amigo passava, e agora estava ali me dando conselhos de como lhe dar com a situação.
Certas pessoas ainda conseguiam me surpreender.
- Certo. Farei o possível.
- Mas lembre-se Heero... Em hipótese alguma ele pode saber do que estamos conversando. Eu perderia um amigo... E você grande parte dos seus pertences.
Me permiti mais uma risada, imaginando o ataque que o baka teria se soubesse onde eu estava, e com quem estava falando. Certamente não sobraria muita coisa depois que o Furacão Maxwell passasse pela minha casa.
Olhei para o relógio que marcava nove horas. Ainda teria um tempo antes que Duo pensasse em acordar, e o aproveitaria para tomar nota das idéias de Quatre que parecia verdadeiramente empolgado com a situação.
- Então... O que você sugere Sr. Winner? Sou todo ouvidos...
(#w#)
Duo POV
Mergulhei lentamente o dedo dentro do líquido preto sentindo a temperatura morna envolver meu indicador, que fazia largos círculos dentro da caneca de café. Aquela era a segunda dose e ainda não me sentia completamente acordado; não como deveria, mas mais do que esperaria para uma manhã de ressaca. Eu conhecia bem os sintomas de uma manhã pós-porre e estar de olhos abertos era definitivamente um bom sinal, ter conseguido preparar o meu café... Era melhor ainda.
Beber nunca foi nem nunca será o remédio para nada e eu sabia disso, mesmo tendo mergulhado de cabeça na burrada. Entornar uma garrafa de vodca foi uma burrice, mas beber outra - tão grande quanto - de um líquido desconhecido foi demais para minha cota de imbecilidade.
Essa não foi nem a primeira nem a ultima vez que eu abusei do álcool para fugir dos meus problemas, mas ainda não era o Sr. Degustador para beber o que viesse pela frente.
O resultado da brincadeira: uma mente doída, porém mais clara, partindo do princípio que a dor me deixa mais racional.
Com minha nova visão fui forçado a rever cada fato ocorrido na noite anterior e a única palavra para resumir tudo o que me passou foi vergonha.
Eu tinha uma lembrança vergonhosa sobre Heero e seus cuidados para comigo, outra de uma conversa com Quatre na noite anterior... E é claro, a nova visão gerada pela ressaca me fazia ter ainda mais vergonha de tudo que joguei sobre o Heero...
Acho que nunca usei tanto essa palavra na minha vida. Mas, mais uma vez...
Eu estava envergonhado.
Provei o café em meus dedos aprovando a quantidade certa de açúcar e da temperatura ideal. Nem muito doce nem muito amargo, nem muito quente nem muito frio. Mais uma frescura da minha longa lista de outros itens...
A água sempre fresca tanto para banho quanto para beber, comidas com uma cara estranha ou que eu não conheça de longa data. Aquelas bolotinhas estranhas que o achocolatado deixa quando misturado no leite... Coisas tão ridículas, mas ao mesmo tempo tão minhas que eu já não sei mais o que pensar.
Na verdade, eu nunca havia pensado a respeito disso. Talvez seja o tempo esfriando, ou os acontecimentos recentes... Ou a saudade dos mimos que eu tinha em minha casa... O interessante é que naquelas duas horas em que eu me encontrava sentado nessa cozinha tomando café como um viciado, eu havia pensado mais sobre esse assunto do que em qualquer outro momento. Juntando os novos dados que recolhi de minhas lembranças com a conversa com Quatre, chegava à conclusão de que às vezes, eu era um ser extremamente infantil.
Quando fui recebido pela família Yuy, estava tão agradecido que tudo parecia maravilhoso. As bolotas do chocolate ou a água gelada demais; qualquer coisa era melhor do que o destino que me aguardava... As ruas.
Eu tinha apenas dois anos, mas já era muito inteligente - pelo menos para entender o que era gratidão - e não me importava com luxos, queria apenas estar abrigado e retribuir o gesto de caridade.
Mas... Infelizmente - ou não - não consegui me ater muito a essas simplicidades deixando-me corromper pelos mimos desenfreados da desesperada Natsumi e um pouco depois, da proteção desenfreada de um atencioso irmão mais velho que não se cansava em bater a porcaria do leite até que não sobrasse sinal das malditas bolinhas.
Sorri na borda da caneca acalentado por uma lembrança qualquer de Heero em cima de um banquinho na beirada da pia empenhado em deixar a coisa do jeito que eu queria. Era sempre assim... Eu pedia e ele não se continha em realizar o meu desejo, por mais estranho ou idiota que ele fosse. Às vezes tentava disfarçar, me dava voltas, fazia cara feia... Mas no final eu sempre tinha o que queria...
Droga! Eu era uma merda de menino mimado... Mimado pela mãe, pelo irmão... Até pela governanta que me arranjaram. E o pior de tudo, eu gostava das coisas desse jeito. Não me importava com as preocupações da minha mãe, ou com o exagero de Sally me examinando a cada espirro. E acima de tudo, eu sentia falta do leite... Heero era o único que conseguia deixá-lo do jeito que eu gostava... Talvez por isso eu o tenha substituído pelo café assim q o japonês não estava mais disponível para satisfazer o meu capricho bobo...
"... e infelizmente devo dizer que continua olhando o problema com os mesmos olhos imaturos..."
Senti uma pontada maior em minhas têmporas para depois contemplar a volta do lateja enjoado e constante. Estava me entupindo de aspirinas desde que eu acordei. Meus olhos ardiam, minha cabeça girava, meus músculos protestavam e não conseguia focalizar nada que não fosse a maldita dor insistente que não me deixava permanecer no maravilhoso mundo dos sonhos... Mundo esse que estava me dando o alívio que eu procurei em troca de me envenenar um pouco com grandes quantidades de álcool...
Uma falha na missão eu diria.
Não passava das dez da manhã e eu estava ali, sozinho, com sono e cansado, com uma puta ressaca que me trazia apenas o gosto da derrota por não ter conseguido ficar dopado o suficiente para ter um momento de alívio maior que as poucas horas na madrugada.
"... Não podemos ter tudo o que queremos..."
As lembranças do meu desastroso encontro noturno com Heero vieram com tudo em minha cabeça e senti meu estômago se revirar.
"... Me diga o que você quer, e eu trago pra você..."
Droga! E se ele soubesse que eu o quero? Com cada fibra do meu ser? Ele se entregaria a mim? Continuaria tão gentil? Ainda me colocaria de volta a cama depois de mais um porre infundado? Me devolveria os mimos que eu tanto sentia falta...? Os abraços...
"... O que você quer? Um amigo, um irmão... Um amante..."
E as palavras de Quatre nunca me deixaram tão confuso como agora. Eu tinha total conhecimento de seu significado e isso tornava tudo mais doloroso por não saber ao certo que era mais importante para mim.
"... e infelizmente devo dizer que continua olhando o problema com os mesmos olhos imaturos..."
Eu não sabia o que procurar em Heero... Quatre estava amaldiçoadamente certo!
Eu queria as brincadeiras, os abraços... Coisas que um amigo e um irmão poderia me dar naturalmente. Era preciso apenas que eu baixasse a guarda, permitindo que Heero se aproximasse de mim novamente. Eu não guardava rancores por seu afastamento, eu quis que fosse assim, eu tentei esquecer também... Não seria difícil abrir meus braços e aceitar...
Mas a cada vez que eu o olhava...
Eu queria me afundar no mar revolto de seus olhos, queria beber em sua boca, queria mais que um abraço... Eu queria ser pressionado contra todas as paredes daquele apartamento, não com raiva, mas com desejo... Luxúria... Eu queria seu amor, mas não o fraternal... Eu deseja um amor além disso...
Eu desejava coisas demais...
"... Infelizmente nem todos nós podemos ter tudo Duo..."
Apoiei meus cotovelos sobre o balcão e ao redor da caneca, afundando meu rosto nas palmas de minhas mãos. Um suspiro profundo e doloroso rompeu meus lábios rachados... Eu queria tudo... Queria demais... Heero conseguiria me dar tudo o que meu coração desejava?
Fechei meus olhos ardidos pelas lágrimas contidas e revi mais uma vez a cena em meu quarto. Os olhos disfarçados, mas preocupados; os toques livres da hesitação apenas por eu estar ali, com a guarda baixa, sem pedras nas mãos prontas para atirar a qualquer momento; as palavras curtas, mas dotadas do mesmo carinho que era apenas meu há anos atrás.
Eu estava bêbado demais para perceber na hora, mas não tão chapado para não recordar cada movimento, cada olhar... E lembrando agora, eu me dou conta do quanto gostava daquilo.
Minha alma estava repleta de anseios, minha mente confusa pelas dúvidas, mas uma coisa não poderia ser ignorada...
Eu o queria para mim, de qualquer forma, mas tinha que ser meu novamente!
- Isso é um absurdo... – murmurei rouco, fitando o café tremular com o ar que escapava dos meus lábios.
Eu precisava de um plano de uma maneira de me aproximar... Sem máscaras, como amigo... Amante... Irmão...
"... Só espero que entenda que esses vinte e oito dias que você ainda tem pela frente é uma chance única de concertar as coisas como seu irmão..."
- Vinte e sete dias agora... – bufei vendo o café ondular dentro da caneca mais uma vez.
Antes de mergulhar em planos absurdos eu precisava tomar uma decisão. Não da forma preguiçosa e infantil como eu estava fazendo; precisava de algo certo. O que uma criança poderia oferecer ao Heero? Ele era tão forte, tão seguro de si, com toda a sua vida já organizada...
É sinceramente eu não conseguia enxergar um lugar para mim.
Céus! Eu havia jurado a mim mesmo não me deixar levar pelos sentimentos que Heero poderia despertar... E cá estava eu, sentado na cozinha dele acabando com seu estoque de café, pensando num jeito de me aproximar e recolher as migalhas da sua atenção... Existiria alguém tão inconstante quanto eu?
Pensei em formular uma resposta para essa pergunta tão óbvia, mas o som da campanhinha preencheu todo o apartamento fazendo minha cabeça zumbir desesperadamente. O que diabos levaria uma pessoa a tocar a campanhinha dos outros às dez horas da madrugada de pleno sábado? Onde estava a maldita diarista boazuda quando eu precisava dela? Por que diabos Heero não havia chamado aquela mulher?
- Droga! Ele sabia que eu estaria de ressaca... Ele sabia... Vingança... Ele só poderia querer se vingar pela garrafa de conteúdo desconhecido...
Parei no meio da sala e estapeei minha testa tentando por fim a infantilidade. Imediatamente me arrependi, acuado pelo latejar irritante e pelo tocar da campanhinha que mais uma vez ecoava na minha cabeça e no cômodo espaçoso. Senti ímpetos de deixar o maldito ser inoportuno do lado de fora; plantado esperando por uma resposta, afinal de contas o apartamento nem era meu. Mas um terceiro toque me fez pular no lugar e agarrar minha cabeça com as duas mãos, andando a passos apressados até encontrar a porta.
Tentei colocar no meu rosto uma das caras que via Heero fazer frequentemente, mas, momentos depois desisti. Estava com muita dor e ciente de que aquela frieza toda não era para mim. Eu estava tentando há quatro dias, por Deus! Errar tudo bem, agora, insistir...
Encarei um par de olhos verdes ligeiramente divertidos... O que fazia uma pessoa se divertir àquela hora da manhã? Estaria ele tão bêbado quanto eu estive noite anterior?
- Desculpe, mas... Heero não está... – anunciei sem me importar com apresentações. Minha voz saiu mais rouca do que eu esperava e o sujeito ergueu uma das sobrancelhas visíveis, já que a outra estava escondida por um pedaço de cabelo que caia por um lado de sua face... Como ele conseguia manter uma franja como aquela?
Eu estava um tanto quanto questionador essa manhã...
- Uma manhã difícil?
Senti alguns pelos de minha nuca arrepiarem-se diante de sua voz. Um pequeno sorriso surgiu nos lábios bem desenhados e eu me vi perguntando de onde saíra aquele espécime... De qualquer forma ele era bem surreal. Poucas pessoas conseguem ficar tão bem ainda pela manhã, vestidas num terno marrom impecável... E é claro, tinha aquela franja que realmente chamava atenção.
Bem... Certos homens tinham tranças que atualmente estavam para tocar as coxas, por que não uma franja exótica?
- É... – balbuciei debilmente, ainda ocupado inspecionando o nem tão maldito ser inoportuno...
- Isso me cheira a ressaca... – seu tom leve me fez sair de meus devaneios e uma leve irritação me acometeu. ´Tá, ele podia não ser mais inoportuno, mas agora estava virando um impertinente.
- Eu...
- Apenas experiência própria, desculpe se estou enganado.
Eu pensei em replicar, ou quem sabe deixar no ar uma de minhas piadas sem graça... Mas o a forma descontraído com a qual ele dava de ombros e encaixava suas mãos no bolso do blazer... Fez qualquer pensamento racional fugir de minha cabeça. Só pude imaginar o quão bonita poderia ser a imagem desse desconhecido ao lado do Heero.
Deus estava sendo legal comigo novamente... Talvez por eu estar clamando tantas vezes em apenas uma manhã...
- Ah cara, relaxa! – joguei minha trança para trás e sorri o máximo que conseguia. – E você acertou em cheio. Estou apenas de mau-humor por causa da enxaqueca, mas nada que o tempo não cure não é? Já tomei aspirinas como um viciado, mas não aprece ter dado muito jeito, quer dizer... Um pouco. Veja só já estou até falando como uma matraca!
E a velha máscara do garoto risonho nunca falha! Fui recompensando com uma magnífica risada... Breve, mas ele não me parecia ser de muitos sorrisos, o tipo de pessoa séria demais para um gesto tão banal.
- Você deve ser Duo... – ele me estendeu a mão, mas não consegui me mover de imediato. Como ele sabia quem eu era? Seria ele realmente um amigo do Heero... Deus! Heero tinha amigos? – Perdoe-me novamente... Sou Trowa Barton, amigo do seu... Do Heero.
Me perdi por alguns segundos no jogo entre as palavras seu e Heero, e nada me pareceu mais certo. Segundos depois eu estava tentando meter na minha cabeça que não era certo coisa nenhuma. Estava aí a resposta à pergunta do: "Existiria alguém tão inconstante quanto eu?"
E mais alguns instantes depois eu me via apertando com entusiasmo a mão estendida, acrescentando alguns pontos no tal de Trowa por ter me poupado do taxativo "irmão". Eu não sabia se havia sido proposital, não poderia ser... Mas o cara já tinha a minha gratidão.
(#w#)
Heero POV
A conversa se desenvolveu com uma facilidade impressionante, e apesar de minhas habilidades verbais, não tivemos muitas dificuldades em nos entender. Afinal de contas eu estava ali para escutar, e realmente me dediquei a isso na meia hora que ficamos entretidos comentando certas coisas do meu passado com o Duo, e do seu presente com o loiro. Quatre realmente mostrou um conhecimento amplo sobre as ações e reações de Duo, parecendo rever cada detalhe antes mesmo de algo acontecer.
Em certo momento, quase me senti enciumado vendo toda a cumplicidade que parecia existir entre eles. O loiro havia tomado para si o meu papel na vida de Duo, eu deveria ter sido o irmão mais velho, eu deveria tê-lo aconselhado...
Havia perdido tanta coisa...
Por volta das dez, deixei o restaurante com a promessa de ligar depois de colocar o "plano" em prática; ligação essa que eu não tardaria a fazer. Sendo Duo terreno inexplorado, Quatre era a minha única fonte de informações e referências, e se eu estava realmente disposto a resolver o problema, precisaria do loiro para me auxiliar.
Não voltei para o apartamento de imediato e tentei me convencer de que Duo ainda demoraria um pouco para acordar, e que eu estava me comportando como um idiota.
Passei por alguns lugares comprando algumas coisas sem nenhuma necessidade, havia enchido a geladeira e os armários uma semana antes do americano chegar e duvidava que ele tivesse terminado com tudo em tão pouco tempo. Só o que eu queria era um pouco mais de tempo para pensar no que eu estava fazendo e no que eu iria fazer quando entrasse naquele apartamento.
Quatre e eu havíamos concordado que a melhor forma de chamar a atenção de Duo era ignorá-lo, não completamente como eu estava fazendo nos últimos dias. Eu precisava estar lá, mas não dar atenção para ele.
Era uma idéia idiota o bastante para dar certo, e era com isso que eu estava contando.
A primeira coisa que eu precisava fazer era entrar em contato com Lena. Começaria a trazer os trabalhos para casa, o que não era uma coisa tão difícil. Minha presença no escritório era necessária apenas quando os clientes desejavam reportar seus pedidos diretamente a mim, fazendo suas especificações ou retoques. Eu permanecia lá apenas por comodidade, mas ficar em casa não seria de todo o ruim.
Com isso toda a tarefa "social" ficaria com Relena, nada complicado. Tenho certeza de que muitas pessoas ficariam encantadas de não precisar se dirigir diretamente a mim durante um tempo. O Sr. Cubo e Gelo não era uma pessoa muito popular... Como seu ligasse para isso.
Sempre tive uma personalidade introspectiva, nunca fui de palavras e isso nunca me incomodou. Mantinha as pessoas afastadas de mim sem mais transtornos, e eu conseguia levar a minha vida sossegado. Quanto a Duo, eu me permitia... Amolecer um pouco quando estava a seu lado, e ele parecia estar ciente disso, mas nunca comentou nada a esse respeito depois de adquirir certa idade.
Tentei afastar esses pensamentos que não dariam em nada, apenas me fariam remexer mais em sentimentos que já deveriam estar lacrados. Busquei pelo meu celular e disquei um número já conhecido; o da minha sócia. Dias de sábado costumavam ser apenas meus na empresa, colocando alguns trabalhos em ordem, não havendo necessidade dos dois ficarem nos escritório.
Se bem que... Em certas ocasiões sua companhia foi muito bem vinda. De qualquer forma, Relena costumava passar seu final de semana resolvendo seus assuntos pessoais, e seria muito pouco provável que estivesse em casa.
Alguns toques depois a ligação caiu sem ser completada. Tentei mais uma vez, mas novamente não tive resultados. Teria que deixar para avisá-la mais tarde, o que desencadearia uma pequena discussão, mas isso não era importante agora.
Olhei ao meu redor tentando me dar conta de onde estava. Havia saído de casa sem o carro, disposto a fazer uma pequena caminhada, já que o hotel não era longe. No momento eu me encontrava frente a uma vitrine toda decorada em dourado, repleta de doces e chocolates, até onde meus olhos conseguiam alcançar. Devia ser uma dessas lojas onde serviam todo o tipo de guloseimas, em todos os formatos e tamanhos. Duo com certeza estaria encantado se pudesse ver essa loja.
Sem pensar muito, passei pela porta de vidro, não contendo o velho impulso de mimar aquele baka.
Quinze minutos depois e eu já estava na frente do prédio com algumas sacolas repletas congelados, chocolates e outras porcarias. Estava tão perdido em pensamentos que nem ao menos percebi o que estava comprando, e com certeza aquelas coisas não eram para mim. Mesmo inconsciente eu havia começado mal o plano de "ignorar" o meu irmão...
Meu irmão. Uma parte um pouco estranha do nosso acordo. Quatre havia me instruindo a não usar essa palavra se eu pudesse evitar. Isso me deixou um pouco desconfiado, mas preferi acreditar em sua desculpa tão sem sentido quanto o pedido em si.
Ele havia me explicado que talvez Duo não me enxergasse mais a minha figura depois de tanto tempo ausente. Aquilo me incomodou, mas fiz um esforço para não demonstrar totalmente. Imaginar que seu irmão não o via mais como tal... Era no mínimo angustiante.
E eu que pensava que não pudesse sentir esse tipo de coisa.
Agora, como eu conseguiria reconquistar a amizade dele em menos de um mês? Se ignorar o baka para fazê-lo se aproximar não desse certo - como certamente aconteceria - não me sobraria muitas opções. Infelizmente - ou não - eu não era o Sr. Comunicativo, e atrair pessoa não era o meu forte.
E se eu tornasse a nossa relação ainda mais fragilizada?
- Não temos uma relação Yuy... – murmurei para mim mesmo passando pela entrada principal do meu prédio. – Atenha-se ao plano principal... Manter distancia...
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Duo POV
- Duo Maxwell... Yuy. – forcei um sorriso um pouco maior tentando encobrir o costumeiro incômodo. – Sinto muito que tenha vindo aqui Sr. Barton, mas o Heero não está.
- Não tão longe... Sou seu vizinho... – ele apontou a porta do outro lado do corredor com um movimento de cabeça reforçando as suas palavras. – Queria apenas saber como estavam as coisas... Mas melhor ainda, tive a sorte de conhecer o famoso Duo.
Não sei se foi o sorriso enigmático, - que por segundos me lembrou os dispensados por Quatre - não sei se foi magnetismo, ou o mais provável, ele ser vizinho e amigo do Heero. O que sei é que cedi passagem para ele e o convidei a entrar. Definitivamente Trowa Barton parecia ser uma pessoa interessante...
E por Deus! Amigo do Heero! De quem mais eu poderia arrancar uma informação?
A perspectiva de algumas horas na companhia de uma pessoa interessante me encheu de empolgação e por hora a dor de cabeça seria esquecida.
- Hoje é sábado! – atestei estendendo o braço num sinal claro de que ele deveria entrar. – Nem Heero trabalharia aos sábados... Não é?
- Bem... Eu trabalho. – fez um gesto com uma das mãos apontando para o terno. – E Heero é um viciado. Provavelmente está no escritório.
- Sr. Barton...
- Trowa. – interrompeu com um ligeiro levantar da sobrancelha visível. – Assim pareço mais velho do que realmente sou.
- Não seja exagerado... Quantos anos, se me permite?
Senti um pouco de hesitação da parte do moreno dos olhos verdes. Na verdade eu me senti ousado demais, praticamente flertando o amigo do Heero. Não que essa fosse a minha intenção.
Bem... Eu estava de ressaca, me sentia infeliz e não queria passar pelo menos cinco minutos na companhia de alguém interessante...
Era justificável não?
- Vinte e nove, acredita?
- Não! – respondi sincero, ele não aparentava mais que vinte e cinco, apesar do ar extremamente maduro.
Muito parecido com Heero.
- Certo Trowa... Não vai recusar um pedido de um pobre homem de ressaca, vai? Algo me diz que Heero não tardará a voltar, não gostaria de esperá-lo?
Uma leve hesitação novamente, mas meu convite foi aceito dessa vez. Dei espaço para que ele passasse, agradecido por sua generosidade. E no final das contas, eu realmente acreditava que Heero não tardaria a voltar. A cortina fechada e a luz do banheiro acesa, eram sinais claros de que o japonês havia se preocupado e ele provavelmente estava ciente da "fossa" em que eu estaria quando acordasse.
Isso me fez pensar no quão ingrato eu era, o tratando como um inimigo quando não guardava mágoas... Não as que ele pensava que eu supria.
Balancei a cabeça tentando afugentar os pensamentos negativos, isso não tornaria as coisas melhores. Quando me virei Trowa já havia encontrado um lugar para si em um dos sofás, provavelmente acostumado com o lugar.
Eu tentaria ter uma manhã agradável e tentaria saber mais a respeito do Heero.
Quinze minutos depois eu já estava sorrindo para o moreno que terminava sua porção do café, contando um pouco sobre o seu trabalho. Trowa era mais um empresário do meio eletrônico, e a matriz de sua empresa ficava bem aqui na cidade. Heero havia sido contratado para montar um sistema de segurança para a empresa do Trowa e por fim acabaram por ficar amigos.
A conversa havia sido realmente proveitosa, e naqueles poucos minutos consegui reunir algumas informações preciosas, inclusive a que mais me interessava.
Depois de três dias tentando ignorar minha curiosidade para saber quem era a dona da voz enjoadamente educada... Eu havia obtido a informação sem fazer nenhum esforço!
Mas não posso dizer que fiquei inteiramente feliz com a descoberta.
Relena Peacecraft é o seu nome.
Perfeita ele disse.
Uma bela loira de olhos azuis claros, pele branca e sedosa aos olhos. Sócia na empresa com o meu Hee, cuidando das relações públicas. Os elogios de Trowa terminaram depois do "inteligente também...", mas eu tinha certeza de que ele poderia falar muito mais se não pensasse que eu estava completamente desinteressado pelo assunto.
- Preciso ir.
- Ahm? – ergui num salto do banquinho em frente ao balcão da cozinha. – Mas já?
Ele sorriu com o canto dos lábios, muito parecido com os sorrisos do Heero e eu me senti felicitado mais uma vez. Como eu imaginava, Trowa não era do tipo expansivo. Basicamente, eu tagarelei nos primeiros cinco minutos, até me dar conta de que eu deveria colher informações, não abrir minha vida como um livro para ele.
- Trabalho, lembra?
- Ah é... – balbuciei um pouco triste.
Heero ainda não dera sinal de vida e sem a boazuda eu teria de passar o dia sem nenhuma companhia. E por Deus, eu sentia que a terceira caneca de café estava fazendo efeito...
Quem me agüentaria falando pelos cotovelos? Talvez fosse uma boa idéia ligar para Quatre, por mais que isso fosse ferir um pouco o meu orgulho. Eu teria de admitir que ele estava certo, admitir que eu estava finalmente aceitando o que ele me dizia há cinco anos...
- Duo. – senti uma mão tocar o meu braço, e sem perceber já havia chegado até a porta do apartamento. – Sei que não deveria me meter, afinal, mal nos conhecemos. – ele olhou para um ponto qualquer no apartamento fugindo do meu olhar. Parecia pensar se deveria prosseguir ou não, e eu não seria bobo de deixá-lo partir sem saber o que estava tentando me dizer.
- Pode mandar cara! É sobre o Heero não é?
Seu único olho visível voltou para mim e lhe dei um pequeno sorriso de encorajamento. Qualquer informação que eu pudesse obter, uma única que fosse, seria de grande ajuda.
- Heero... – suspirou me olhando com convicção. – Dê um crédito a ele.
- Não entendi Trowa o que você...
- Ele está sozinho há muito tempo Duo, não é fácil para ele.
Minhas sobrancelhas franziram e tenho certeza que se juntaram no meio de minha testa.
- Isso não quer dizer nada... – dei de ombros abrindo a porta para que o moreno passasse. – Além do mais ele tem essa tal de Relena não tem? – parei ao lado do batente me sentindo uma namoradinha enciumada, o pensamento havia se formado tão rápido que nem tive tempo de impedi-lo de vocalizar.
Mas eu precisava aprender, eu não podia sair por ai dando mostras claras do meu ciúme pelo japonês. Se eu realmente quisesse ficar ao lado dele eu precisava me controlar... Eu precisava...
- Olha isso é...
O ruído do elevador cortou a fala de Trowa e Heero Yuy saiu detrás das portas metálicas, trazendo consigo algumas sacolas de tamanhos e formas variadas. No primeiro momento pude perceber uma leve confusão em seu rosto, mas rapidamente sua velha carranca estava de volta. Ele e Trowa trocaram um olhar estranho, mas foi tudo muito rápido para que eu pudesse entender o que se passava entre os dois.
- Vejo que o conheceu Trowa.
- Bom dia para você também Heero.
- Hn.
Mais uma troca de olhares incômoda ocorreu, como se eu nem ao menos estivesse ali.
- Não vai trabalhar hoje, Heero?
Senti um ligeiro toque de desafio na voz de Trowa, e por um momento pensei que Heero não fosse responder.
- Hn... Não. A partir de hoje trabalharei em casa por um tempo...
Tenho a certeza de ter executado o comando para que meus lábios se abrissem, mas não consegui escutar nenhum som saindo da minha boca, que continuou abrindo e fechando sem que uma palavra se formasse. Minha mente deu uma volta completa em si mesma, assim como meu sensível estômago que se contorcia me deixando um tanto nauseado.
Não tive muita consciência dos fatos seguintes. Quando dei por mim, Heero já estava passando ao meu lado, sem dizer uma palavra se quer. Enquanto isso, Trowa parecia estar dizendo alguma coisa, se despedindo talvez, mas eu não conseguia ouvir a sua voz. Minha mente gritava desesperada a ultima frase proferida pelo japonês:
"... trabalharei em casa por um tempo..."
Deus! Vinte e quatro horas por dia com aquele homem de baixo do mesmo teto? Nós acabaríamos mortos no amanhecer do domingo.
(#w#)
Continua...
Como sempre, desculpem os possíveis erros, continuo péssima pra corrigir...
Uhm... Espero que não esteja muito ruim... Infelizmente a vida real acaba atrapalhando um pouco as coisas, e por sinal, está interferindo um pouco aqui. Mas tentarei continuar atualizando com freqüência, e fazendo o meu melhor. o/
Gostaria de agradecer a vocês que comentaram: Blanxe, Ayami Yuy, Litha-chan, Tammy, Yukii, Saiyo e Tsuki-chan. E as pessoas que também passam seus olhos por essas linhas, mas que não deixam seus comentários por vários motivos. A fic é pra vocês tbm.
Até o próximo.
E comentem, please!
