- Angústia/Romance/Universo Alternativo etc.
1x2, 3x4 e talvez mais alguma coisa. –
"Dois irmãos, sentimentos confusos e crenças sendo testadas. Seria a hora de fortalecer, quebrar, ou desenvolver novos laços, novos vínculos. O quanto se pode resistir sem sucumbir ao que sua mente e o mundo diz ser proibido...".
Gundam Wing não me pertence, e esse trabalho é sem fins lucrativos... Talvez se eu ganhasse alguma coisa... Podia conseguir os direitos da série pra mim! E faria algumas modificações, como matar a Relena, e criar uma grande cena de casamentos... (sonhando novamente)
OBS: Em negrito, estão as mensagens lidas pelo Heero. Em itálico sugere lembrança - sem o auxílio da famosa sinalização de "flashback" – já o outro uso que usei pra formatação, vocês serão capazes de entender.
Vínculos
VI
(#w#)
Duo POV
Virei o rosto fitando o pequeno calendário em metal que contribuía para a decoração. Se forçasse um pouco a minha imaginação, quase poderia ver os riscos vermelhos cortando os dias que já se passaram, como em uma daquelas folhinhas presas em quadros de cortiça.
Era a tarde do domingo em que eu esperava já ter esganado Heero, ou quem sabe entrado em mais uma de nossas discussões. Ou, pior ainda, me jogado em seus braços declarando todo o meu amor por ele.
Bem... Nada aconteceu.
Como o prometido, Heero não havia ido trabalhar no sábado, e quando percebi que ele cumpriria a sua palavra cheguei a cogitar que nos mataríamos antes que o domingo chegasse. Pensei que ele viria até mim com toda sua gentileza e me interrogaria sobre a discussão do dia anterior. Pensei que ele questionaria a minha bebedeira sem motivos... Pensei muitas coisas... Na verdade, passei cinco horas apenas pensando em quanto tempo demoraria para a porta do meu quarto se abrir e aquele par de olhos cobaltos me fitarem com intensidade e exigir suas respostas...
Mas passaram-se seis horas e ele não veio exigir nada... Não ouvi nada dele a não ser o som de seus passos.
Isso me deixou intrigado... Muito intrigado. Mas eu era um Yuy no fim das contas; podia não ter os genes, mas cresci com seus portadores, e não seria uma ignoradinha que me faria sair e ceder a minha curiosidade...
Esse pensamento sumiu completamente quando completei sete horas.
Um sorriso amargo se formou em meus lábios diante da lembrança das horas em que passei enclausurado olhando para porta, desejando intimamente que ela se abrisse. Eu havia descido mais baixo do que eu poderia ter imaginado quando deixei o meu lar. Havia criado táticas para me defender de Heero, mas não tinha nada pronto para me proteger... De mim mesmo.
Afinal de contas, quem em sã consciência passa sete horas, trancado dentro do próprio quarto esperando para levar um sermão? E tudo isso de livre e espontânea vontade?
Passava das cinco da tarde, quando meu estômago venceu o meu orgulho. Eu não havia comido nada além de um saco de biscoito abandonado em cima da cômoda e as três xícaras de café na parte da manhã; estava faminto, e minha curiosidade não podia ser mais controlada.
Como ele conseguia dar passos tão silenciosos pela casa? Ele não estava nem um pouco preocupado com a minha clausura? E... O que diabos tinha acontecido com ele para que não agisse como... Como Heero?
Essas eram apenas algumas das milhares de perguntas bestas que fervilhavam meu cérebro ávido por respostas.
Ainda lutei comigo mesmo, na tentativa de esperar mais um pouco... Heero ainda nutria aquela coisa toda de afeto fraternal e bla bla bla, ele não me deixaria morrer ali...
Mas no final acabei cedendo.
Maxwell tinha um segundo grande defeito: a não menos importante... Curiosidade.
O que era orgulho quando se tinha fome e um poço de perguntas idiotas a serem respondidas? Foram quatro dias me escondendo e contendo a minha boca, pedir para que eu domasse o segundo demoniozinho era demais.
Sai do quarto como se nada fosse; como se não estivesse trancado ali dentro há horas, e muito menos, tivesse um buraco no lugar do estômago. Lancei uma olhada rápida para o escritório que ficava quase em frente ao meu quarto e a única coisa que encontrei foram os livros e um odioso laptop abandonado. Continuei meu caminho na direção da cozinha onde um estoque de suprimentos congelados estaria a minha espera, e se eu estivesse com sorte - o que era muito pouco provável - Heero estaria em algum canto e eu conseguiria vê-lo apenas para matar um maldito desejo insano.
Mas... Contrariando as leis que regiam a natureza... Eu tive uma prévia de sorte; ele estava lá...
E posso dizer que nunca tão bem acompanhado e tão bonito.
Uma calça jeans e uma regata branca cobria o corpo que eu sabia ser perfeito. Os cabelos bagunçados, uma mão no paneleiro do armário e os pés descalços batendo de encontro ao chão, no que deveria ser uma música que apenas ele estava ouvindo... E por Deus! Ele estava cozinhando massa! E não era nada congelado ou pré-feito, encomendado... Era a pura e velha comida caseira!
Meu coração apaixonado e meu estômago esfomeado se contraíram em dor. Dor por saber que eu nunca o teria... Assim como não teria aquela macarronada que parecia estar sendo feita na medida exata para ele...
Entrei na cozinha com a maior cara de pau do mundo, pronto para levar um sermão por não ter almoçado, ou por qualquer outra coisa que eu havia imaginado no quarto...
Mas misteriosamente nada aconteceu.
Não houve palavra, nem olhares, nem nada! Heero continuou dando atenção a sua panela no fogo como se eu não tivesse entrado na cozinha...
Isso era inaceitável! Já não bastava não ter tido a decência de bater na porta para saber se eu estava vivo?
Congelei minhas lembranças nesse exato momento, sufocando meu rosto em um dos travesseiros e me sentindo uma das pessoas mais idiotas do universo. Estava para contemplar um daqueles momentos que as pessoas passam a vida rezando para poder voltar e apagar. Sabia que meu rosto já deveria estar cor de rosa, e me vi frustrado com isso.
Bati um pé contra o colchão liberando o meu rosto do aperto. As lembranças sempre estariam lá, eu quisesse ou não; eu deveria enfrentá-las por mais idiotas que fossem...
Heero havia me ignorado, isso era fato. Minhas entradas costumavam ser bem audíveis, e sendo ele o senhor reflexos e sentidos perfeitos, eu não havia passado despercebido.
Mas não era isso o que parecia.
Minha mente maquinou várias formas de chamar a atenção ao mesmo passo em que eu fornecia ao meu estômago a distração necessária. Foi assim que eu dei início ao meu vergonhoso show.
Fingi um pigarro; bati a porta da geladeira; tropecei no banquinho; bati três diferentes portas do armário; mexi na panela ao lado da dele; estourei um saquinho de confetes; deslizei ruidosamente as gavetas; derrubei o saleiro e comi um saco de batatas de boca aberta... Tudo isso em menos de dez minutos, e ele não se dignou a me dar uma olhadinha que fosse.
Minha frustração atingiu níveis máximos, e quando sei por mim, estava encenando um acesso teatral de tosse induzida por uma engasgada com o refrigerante.
Se isso fosse verdade eu poderia estar morto por falta de ar... E ele nem mesmo teria olhado para minha cara.
Quando me recompus do acesso muito bem feito, pensei no quão idiota e dramático eu estava sendo. Tratei de me recolher, levando comigo mais um saco de um salgadinho qualquer e o peso daquele ato vergonhoso e extremamente infantil...
O que eu estava pensando? Que tinha cinco anos de idade?
Lembro que naquele momento, a primeira coisa que me ocorreu foi que Heero deveria estar apenas zangado... Que logo voltaríamos a discutir...
Mas daí chegou o domingo de manhã e ele não estava falando ainda.
Tomamos café no mesmo cômodo, pelo tempo em que pude suportar a sua hostilidade... O que não foi muito tempo, na verdade. Eu ainda esperava manter a minha máscara impassível, e ele não fazia a menor questão de quebrar o silêncio palpável em que estávamos. Engoli meu café, que não estava lá essas coisas, e sai da cozinha, deixando para trás um pedacinho meu.
E chegou a tarde... E nós ainda estávamos vivos; debaixo do mesmo teto, nos encontrando em vários cômodos da casa... E ele não havia me dirigido um olhar. Suas palavras, então? Nem se fala.
Literalmente.
Nos breves instantes em que pude contemplar o som de sua voz, ela estava dirigida para o telefone, onde ele desencadeava uma conversa quase, eu disse quase, animada sobre um trabalho que estava dando certo. Senti o diabinho da curiosidade se revirar em seu posto, doente para saber que trabalho era esse, e se por acaso era isso que o mantinha distraído durante todo o dia naquele escritório, grudado em seu laptop e encenando o papel de rei da indiferença.
Girei mais uma vez abraçando uma almofada consideravelmente grande. Me sentia ligeiramente impotente e um tanto fragilizado. O relógio a minha frente estava prestes a virar para cinco horas, como na tarde do dia anterior, e eu estava ali deitado, resignado... Imaginando quando eu levantaria novamente, se ele falaria comigo...
Apesar dos pesares, sempre pude me considerar o Sr. Otimista; o típico sujeito que olha para as piores situações e ainda consegue manter no rosto um sorriso, e guardar uma esperança ínfima de que no final as coisas possam dar certo.
Acho que isso se deve a um lado meu em que nunca vi grande futuro. Já que eu não seria abastado no amor, pelo menos no resto dos assuntos eu deveria ter um pouco mais de sorte, não é mesmo?
Sinto que no momento o meu ângulo não estava focado no melhor lado dos acontecimentos. Infelizmente, eu não conseguia enxergar nada de positivo em minha atual situação, e algo me dizia que as coisas só tendiam a piorar.
(#w#)
Heero POV
Desviei meu olhar do laptop, encarando a porta do quarto logo em frente. Ela estava fechada desde o almoço, e provavelmente permaneceria assim por um bom tempo. Quando não estava enclausurado, Duo andava pelos cantos da casa, fazendo sua observação distante. Há algum tempo atrás teria dito algo a respeito, mas depois de sua encenação vergonhosa na cozinha, talvez ele mereça algum espaço.
O baka passou sete horas trancado dentro do próprio quarto, sem comer ou beber nada. Foi difícil segurar a vontade de ir vê-lo, mas para que tudo desse certo. Eu precisava continuar com meu jogo, e foi isso que eu fiz.
Ele levantou um pouco depois das cinco da tarde, como se nada tivesse acontecido e esbanjando um de seus tradicionais sorrisos engana-bobo. Fez uma entrada barulhenta na cozinha e varreu tudo que via pela frente, no mínimo querendo compensar o dia perdido. Continuei ignorando sua chegada, e não foi preciso esperar muito para que ele desse início ao seu show. Observei tudo de meu lugar à frente do fogão sem interromper por um segundo a minha tarefa. Dez minutos depois ele estava engasgando, e sem conseguir resultado partiu me deixando um pouco culpado, mas intimamente satisfeito.
A noite se arrastou sem que ele deixasse o quarto e, por mais que eu estivesse preocupado com esse comportamento, obriguei minhas pernas a me levarem até a cama. Não ouvi nenhum som dele até cair na inconsciência; desconfio que não tenha comido nada até o outro dia.
Pela manhã, o observei preparar um café horroroso, contendo um desejo de arrancar aquela xícara de suas mãos e prover algo menos nocivo para que se alimentasse. Novamente fui obrigado a engolir todo o meu instinto superprotetor, e resumi meus atos a pequenos goles em minha própria xícara enquanto ele degustava aquela coisa. Não demorou muito para que Duo cedesse, e novamente me vi vitorioso no joguinho que ele mesmo havia criado.
Uma vingança perfeita por suas palavras desaforadas... Mas que não me trazia conforto algum, apesar do bem que fazia ao meu orgulho.
Demoraria muito para que ele saísse daquele quarto e me pedisse desculpas por suas palavras grosseiras?
Ou quem sabe eu deveria ir até lá e pedir desculpas pelo péssimo irmão que fui nos últimos sete anos?
Voltei os olhos ao laptop, dando atenção a mensagem que acabava de pular na tela. Seguia o mesmo padrão dos últimos e-mails: curtos, diretos e sem nenhum conteúdo.
"E aí, cara? Blz? Espero que os negócios estejam indo bem. Estou me preparando para as provas, por mais incrível que pareça. Essa noite visitarei uma boate nova da cidade, pra depois me esconder em casa por duas semanas, até que as provas acabem.
Não repare se meus e-mails diminuírem, estarei ocupado.
Duo."
A idéia de recorrer aos e-mails havia partido de Quatre, que continuava a me dar idéias ainda disposto a ajudar a resolver o nosso problema. Aproveitei o período em que Duo estava trancado em seu quarto para fazer uma ligação, e agradecer ao loiro por sua colaboração, afinal, já era manhã de domingo e ninguém estava morto.
Muito menos arremessado contra a parede.
Durante a ligação, fui pego de surpresa por uma pergunta muito simples: "você ainda tem os e-mails do Duo?".
Mais surpreso ainda fiquei ao descobrir que não tinha apagado as mensagens, como também tinha arquivado quase seis anos de e-mails, fotos e cartões virtuais, todos mandados por Duo...
Eu não sabia que eram tantas... Na verdade, eu não lembrava de tê-las guardado. Ou melhor, talvez eu soubesse delas, mas nunca tinha me dado ao trabalho de ler a maioria ou simplesmente deletá-las.
Esfreguei meus olhos com os nós dos dedos, sentindo o cansaço de um dia inteiro sentado na frente do computador. Quando me lancei a essa tarefa, não tinha idéia de que seria tão trabalhosa, muito menos que eu ficaria mais de cinco horas preso nesse processo.
Os dois primeiros anos foram os mais fáceis de serem lidos por serem poucos os e-mails. Em parte, eu atribuía esse fato as visitas que eu fazia frequentemente a casa deles em L2 e as constantes ligações, que pareciam ser a forma de contato mais apreciada por Duo. Por outro lado tinha o apreço que o baka tinha por máquinas, principalmente computadores; o que me fez imaginar o quão difícil deve ter sido para ele sustentar essa ligação fria por tanto tempo.
Uma lembrança assaltou minha memória e me vi sorrindo ironicamente para o meu próprio laptop.
Era um dos aniversários de Duo, e imaginei que o presente perfeito fosse um computador como o meu. Já havia presenciado olhares furtivos do americano dirigidos para a máquina, e pensei que fosse amor à primeira vista, assim como eu quando tinha a sua idade. Encontrei o laptop na lixeira dos fundos na manhã seguinte; teclas afundadas, visor rachado e algumas partes danificadas demais para ter sido um simples tombo.
Tentei por dias persuadi-lo a me contar o porquê daquela travessura, mas ele se recusou terminantemente, ficando semanas emburrado até que lhe dei algo do seu agrado. Mais tarde, minha mãe me convenceu de que um laptop não era um presente muito interessante para um garoto de oito anos, e apesar de discordar, acabei aceitando sua tese...
O terceiro ano do diretório veio acompanhado do décimo terceiro aniversário de Duo, e com ele parecia que as coisas iam mudando palpavelmente. Os e-mails não eram mais iniciados com o tradicional "Querido Hee-chan", e nem eram tão afetuosos quanto costumavam ser. O apelido se perdeu com o tempo, e me pergunto se naquela época meus olhos bem treinados haviam percebido isso... Ou quem sabe ignorado.
O Hee-chan foi substituído por um Hee, esse por um Heero e o último por um "cara". Para completar, seus e-mails passaram a não perguntar mais pelo meu retorno, e a partir da minha última visita, não havia menções a isso em lugar algum.
E eu chequei umas três vezes.
Além das mudanças óbvias no tratamento, era notável sua mudança comportamental e de interesses. No começo, seus e-mails eram maiores e mais detalhados. Alguns com desabafos pessoais sobre a rotina da vida em L2; algumas situações especiais para ele e outros momentos que até para mim pareciam realmente importantes...
Com o avançar de mais um ano, o conteúdo foi baixando consideravelmente. Não havia mais descrições de brigas com Natsumi, ou com a governanta que, com o tempo, passou a ser mencionada pelo nome. A maioria das mensagens mais recente não passava de discrições de restaurantes que ele havia freqüentado, ou locais que tinha conhecido em viagens com os amigos, que notei ficarem mais freqüentes com o avançar de sua idade. Algumas se resumiam a como ele fizera para conseguir entrar ilegalmente em uma boate, enquanto outro contava que ele estava se preparando para as provas, como o que eu havia lido minutos atrás.
Seus e-mails que eram diários passaram a ser semanais; na ultima pasta anual havia apenas duas divisões, meses completamente distintos, que não somavam cinco mensagens. Avancei rapidamente para as próximas mensagens percebendo que era ali que tudo começava a acabar.
Selecionei a última esperando encontrar a resposta para a pergunta que me levara a sentar ali por tanto tempo perdido no trabalho de ler e reler e-mails antigos:
Afinal de contas, quem havia encerrado o contato?
Abri um novo e-mail que possuía patéticas duas linhas:
"Hey, aqui está tudo bem sim. Espero que ai também.
Duo."
Não era preciso e ser nenhum gênio para perceber que nenhum de nós havia cortado a comunicação de fato. Eu não conseguia ver muito que ser respondido nessa mensagem, e provavelmente ele pensasse a mesma coisa quando recebia uma das minhas. Seguindo esse raciocínio, me deparei com a idéia quase incontestável de que talvez, Duo também estivesse procurando um motivo para encerrar o contato, assim como eu.
Esse pensamento levou consigo toda a culpa que eu senti durante todas essas horas, enquanto remexia em seus e-mails carinhosos e tentava lembrar o que eu tinha na cabeça quando resolvi ignorá-los.
A partir dessa mensagem seguiam dois anos de pura distância entre nós dois, sem telefonemas, cartas, visitas... E talvez nesses dois anos estivesse a resposta para a pergunta que eu havia tentado ignorar, mas que fazia todo um sentido no momento:
Por que Duo havia decidido encerrar o nosso contato?
Fitei novamente a porta do quarto enquanto minha mente me assaltava com várias especulações que em nada me agradavam. Todos giravam em torno de seu desagrado pelo meu comportamento distante e minha falta de tato. Não era de se estranhar que ele não me visse mais com um irmão. Em seu lugar eu faria o mesmo...
Mas ainda assim, algo ali não se encaixava e seus e-mails não haviam sido o suficiente para acabar com todas as lacunas daquele grande mistério. Não havia mais onde eu pudesse procurar; nada que estivesse inteiramente acessível, e só haviam três pessoas que poderiam me ajudar no momento: o próprio Duo, Quatre, e minha mãe.
Ou seja, não havia esperanças.
Eu seria um ingênuo se acreditasse que Duo fosse despejar tudo de livre e espontânea vontade, e creio não estar curioso o suficiente para atirá-lo contra a parede novamente. Quatre já havia deixado bem claro que nunca trairia a confiança do amigo, mesmo que seja para uma boa causa. E Natsumi... Bem, ela estava hospitalizada, e apesar de ser considerado um tanto quanto insensível, eu ainda não havia alcançado níveis tão altos de indelicadeza.
Remexi dentre os arquivos até encontrar uma pasta com algumas fotos antigas, tiradas no tempo em que morávamos todos juntos aqui na Terra. Um sorriso melancólico se formou em meus lábios sem grandes dificuldades, enquanto um punhado de imagens passava por meus olhos.
Uma seqüência em especial chamou minha atenção. Era um passeio que uma de minhas turmas fez a uma cidade do interior para fazer pesquisas complementares para diferentes matérias. As fotos em questão haviam sido tiradas dentro de uma gruta, e devido ao conteúdo das fotografias, acredito que a maioria delas não tenha sido tirada por mim. Em algumas delas, havia pessoas das quais eu nem lembrava e muitas já não sabia mais os nomes.
Passei as ultimas fotos com verdadeira curiosidade tentando recordar o máximo daqueles tempos, que apesar de importantes, eu não havia aproveitado em nada. Para a minha surpresa, a ultima foto do álbum em nada tinha a ver com o acampamento. Era uma foto de Duo, ou o que parecia ser ele; embolado em um amontoado de cobertas e cabelo. O ângulo não permitia ver muito além de seu rosto, os edredons e um pequeno braço agarrado a um travesseiro. Os olhos firmemente fechados enquanto sua face espelhava a tranqüilidade do sono que estava tendo.
Tentei recordar os acontecimentos no momento em que a foto foi tirada, e quando as lembranças me assaltaram, um outro sorriso foi roubado de meus lábios.
-Flashback-
- O que ele está fazendo ali? – Heero mirou seus olhos no amontoado de lençóis e edredom onde seu irmão estava aninhado. O corpo pequeno de quatro anos quase se afogava no meio de tantos panos e travesseiros.
- Não brigue com ele... Foi um final de semana difícil.
O japonês encarou a mulher ao seu lado, os longos cabelos negros caindo pela camisola cor de pêssego. Trazia o mesmo semblante sereno de sempre, mas parecia um pouco mais cansada do que de costume. Podia jurar que havia olheiras em volta dos olhos delineados, e sua mãe sempre fora vaidosa demais para permitir que marcas como aquelas estampassem seu rosto.
Aquele pensamento lhe fugiu da mente quando voltou a fitar sua cama ocupada por Duo, esparramado no centro do colchão. O japonês queria descansar; estava há quatro dias fora em um acampamento idiota com pessoas que não eram em nada do seu agrado. Já era tarde de domingo, teria aula no dia seguinte, e a última coisa que esperava encontrar quando chegasse em casa era cena que tinha diante dos seus olhos. Não que Duo nunca tivesse entrado em seus quarto, ou deitado em sua cama, mas o americano tinha seu próprio quarto, e era lá que costumava passar suas noites.
- Difícil como? – entrou no quarto jogando a mochila em um canto, decidindo se acordaria o garoto ou dormiria em outro quarto da casa.
Um silêncio estranho caiu sobre o cômodo e Heero estranhou mais ainda aquele comportamento.
- Natsumi? – viu sua mãe erguer os olhos da figura adormecida, e o encarar com o mesmo semblante contrariado que adotava toda vez que a chamava pelo primeiro nome.
- Não sei se reparou Heero, mas foi a primeira vez que Duo ficou tanto tempo em casa sem o irmão mais velho...
- E? – ergueu uma sobrancelha ainda não entendendo onde ela queria chegar.
- Ele... Ele passou os dois primeiros dias correndo pela casa... Se recusava a dormir enquanto você não voltasse. – suspirou esfregando os olhos com os nós dos dedos. – Ele deu muito trabalho para os empregados, e só sossegou nas poucas horas em que foi vencido pelo sono...
Heero permitiu-se sorriu ao observar o movimento preguiçoso do pequeno entre as cobertas, cobrindo-se ainda mais com elas. Ao seu lado, sua mãe olhava para o menino como se a qualquer instante ele fosse saltar da cama e iniciar a maratona dos últimos quatro dias. Agora entendia o motivo da sombra de cansaço no rosto pálido e do silêncio incomum que o recebeu quando chegou em casa.
- No terceiro dias eu já estava muito preocupada, cogitei a idéia de pedir que você voltasse. – o japonês virou-se para sua mãe, que parecia mais tranqüila quando Duo não deu mostras de que acordaria. – Ele passou um tempo choroso pelos cantos e no final do dia o encontrei dormindo aqui, agarrado nas suas coisas... Ele dormiu umas boas horas, mas quando acordei de madrugada ele estava chorando novamente. E é só isso que fez desde então. Acorda, pergunta por você e dorme novamente.
Heero não disse uma palavra, apenas ficou ali, encarando o sono do irmão. Não admitiria para ninguém, mas também sentira muita saudade da pequena bola de energia e sua falação sem fim. Passou aqueles dois anos se perguntando se era normal uma criança tagarelar daquele jeito, mas com o tempo acabou por se acostumar e até mesmo apreciar todo aquele entusiasmo.
Essa foi sua primeira oportunidade de se afastar por mais de um dia do garoto, e na segunda noite já estava inquieto tentando imaginar o que o seu pequeno baka estava fazendo. Quando toda essa história de adoção começou, não tinha muita certeza se gostaria da idéia; hoje poderia dizer que nada era mais certo que isso.
- Ele está dormindo há quanto tempo? – perguntou retirando da mochila o estojo onde guardava a câmera.
- Não vá acordá-lo! Os empregados precisam e de descanso, Heero!
O japonês se permitiu rir sonoramente, se aproximando da cama onde o irmão dormia tranqüilo. Procurou por aquele que julgava ser o melhor ângulo e bateu a foto do americano imerso em sua redoma.
-Fim do Flashback-
Fechei meus olhos tentando me apegar o máximo as sensações que essa recordação me trazia. A presença do americano estava despertando memórias enterradas por anos, e eu me vi apreciando uma delas, muitas delas. Era como se apenas aquela foto trouxesse uma enxurrada de outras lembranças que eu havia feito questão de esquecer; momentos tão simples como esse, mas que em sua época tiveram um significado muito especial para mim.
Ainda não conseguia acreditar na minha insensibilidade em botar uma pedra em tudo aquilo, sem respeitar o que Duo deveria estar sentindo. Ele pode ter tido seus motivos para se afastar, mas tenho certeza de que quem deu o primeiro passo fui eu.
A idéia de me desculpar surgiu em um lapso. Eu era um homem de vinte e sete anos na cara e estava fugindo das minhas responsabilidades. Ignorar Duo era uma boa idéia, mas pedir desculpas pelos meus erros era melhor ainda. Seria difícil, eu provavelmente engasgaria, mas pelo menos estaria com a minha consciência tranqüila.
Quando dei por mim, já estava de pé, caminhando a passos largos na direção do quarto ocupado pelo americano. Com um suspiro resignado, avancei até a maçaneta, mas antes que tivesse a chance tocá-la a porta se abriu, revelando Duo, vestido de preto da cabeça aos pés e com seus cabelos firmemente trançados. O fitei como se fosse a primeira vez, enquanto minha mente se revirava nas lembranças dos e-mails e meus olhos constatavam que ele havia realmente crescido.
- He... Heero?
- Hum?
Nos encaramos por alguns segundos onde seus olhos espelharam mais surpresa do que ele provavelmente gostaria, se misturando com uma ponta de mágoa e outras coisas que eu não conseguia identificar. Senti ímpetos de abraçá-lo e falar tudo o que eu havia me proposto a dizer, mas minhas pernas falharam em se mexer e minha coragem se esvaia enquanto eu observava seu rosto se contorcer em vários sentimentos diferentes.
Talvez fosse um sinal para continuar com os planos traçados por Quatre.
- Heero? O que você está... Fazendo aqui?
- Eu moro aqui se não se lembra... – respondia no automático, me recriminando segundos depois ao ver a expressão sofrida em seu rosto. – Eu...
- Certo, como eu pude me esquecer... Com licença.
Ele passou por mim evitando meus olhos, e seguiu para a sala. Foi quando me toquei na roupa que ele vestia, e que provavelmente não estava indo dar um passeio pelo condomínio.
- Aonde você vai? – perguntei me adiantando em sua direção.
Duo parou com a mão na maçaneta encarando a porta da sala, da mesma forma que eu havia feito com a sua minutos atrás. Deveria estar considerando se responderia a minha pergunta, e eu me vi rezando para que a resposta fosse positiva.
- Não deve ter reparado Heero... Mas estou confinado aqui há seis dias. Se você não se importar, vou dar uma volta.
E sem mais uma palavra ele deixou o apartamento, seguindo para o destino que não havia informado.
Enquanto a porta se fechada, me vi chegando a conclusão de que o Yuy pelo qual ele me vinha me chamando nos últimos dias era mais confortável do que o Heero que saiu de seus lábios. A quantidade de sentimentos expressos naquela única palavra foi o suficiente para me deixar mais do que atordoado.
Eu havia feito muito mal aquele garoto e não conseguia ver uma forma de concertar o meu estrado, nem reaver o tempo perdido.
Voltei ao escritório ao perceber que ele não voltaria mais, e corri em direção ao laptop acessando a pasta com as fotos que eu estava olhando anteriormente. Sem conter um impulso, imprimi a mesma foto em que Duo dormia tranquilamente enrolado em meus antigos edredons e esperei apenas o tempo de secagem para dobrá-la e enfiar no bolso.
(#w#)
Duo POV
Fitei o interior da vitrine não me atendo a nada, mas olhando a tudo. Era uma daquelas lojas de roupas onde você poderia comprar de tudo para a nova estação, e no momento caminhávamos para o inverno, o que fazia o interior estar recheado de sobretudos, capas longas, calças de todos os tipos e outras diferentes roupas e acessórios, para nenhum gosto botar defeito... É claro, se você tivesse uma carteira bem gorda.
Fiz uma careta para alguns preços exorbitantes, principalmente quando observei a quantia de três dígitos que eu teria de desembolsar caso continuasse a admirar um certo cachecol vinho com detalhes em preto, preso em um dos manequins. Não que eu não tivesse dinheiro o suficiente para comprá-lo, mas me parecia um absurdo pagar o que era pedido em um pedaço de pano tão pequeno. Em uma loja mais ao lado, havia uma blusa com triplo de pano e pela metade do preço, o que me fez cogitar a hipótese de ter algum ponto em ouro no cachecol da outra loja.
Preso em divagações tão sem sentido quanto essa, percorri toda a avenida, sem adquirir nada nas dezenas de lojas pelas quais passei meus olhos. Quando finalmente me dei por satisfeito e suficientemente distraído, já passava das sete da noite e meu estômago roncava em protesto pelo abandono. Eu não havia comido muito no almoço, e meu quarto não estava mais abastecido com salgadinhos durante a tarde... Mesmo que estivesse, não creio que conseguiria colocar muita coisa para dentro naquele momento.
Heero tinha esse efeito sobre mim... Na verdade, causava vários outros efeitos que eu jurava poder encher linhas e mais linhas com uma interminável lista do que sua presença poderia me causar. Encabeçando a listagem estaria a falta de apetite, e logo abaixo as belas olheiras que eu estava observando em meu reflexo nos vidros de mais uma loja.
Tentei não levar esse pensamento adiante, afinal, estava cientificamente comprovado que pensar em Heero não trazia bons frutos. Foquei minha atenção no interior da loja em questão, e para a minha surpresa, estava fitando o interior de uma completíssima loja de doces. E quando digo completa, era completa mesmo; com tudo que o cacau, corante, aroma artificial e o açúcar poderiam me oferecer.
Entrei na loja sem muitas cerimônias, sendo recebido prontamente por uma simpática vendedora que me apontou uma mesinha em um dos extremos da loja, me guiando até ela através da massa de clientes entretidos entre fazer seus pedidos, ou enfrentar a pequena fila que já se formava próximo ao caixa. Meu estômago zumbiu em clara alegria, e eu me permiti sorrir, enxergando o primeiro momento de diversão naqueles dias... Na verdade, o segundo, eu diria.
Não poderia me esquecer da ajudinha, mesmo rápida, que Trowa me deu na manhã anterior...
É... E quem disse que não havia mais vizinhos prestativos?
Me vi recordando uma das conversas que tive com a Srta. Boazuda em meu primeiro dia de estada, onde falávamos a respeito dos moradores. Dentre os vários comentários sobre os vários "bons" visinhos que eu ainda teria de conhecer, elogios não faltaram para descrever o "meu" visinho de porta, como sendo um rapaz muito educado e com um bom porte. Querendo ou não, eu tinha que concordar com aquela garota. Trowa barton estamparia seu perfil em um daqueles dicionários ilustrados, bem ao lado da palavra "bom".
No mesmo instante me vi tentando achar uma palavra que classificasse Heero e seu belo corpo em alguma palavra do mesmo volume. É claro que eu tinha algumas na ponta da língua, como: bonito, forte, gostoso, maravilhoso... Teimoso, irritante, pretensioso, arrogante...
Hum... Acho que apenas "perfeito" está bom pra mim.
- Senhor?
Ergui meus olhos para fitar a jovem que me atendeu minutos atrás, e percebi que ela aguardava um pedido. Apontei meia dúzia de porcarias, como tortas, refrigerantes e alguns outros doces... Se eu saísse com vida daqui, teria sérios problemas internos.
Com meia dúzia de sorrisos e uma piscadela, deixei que a garota partisse, e coloquei-me a observar a pequena rua, uma das muitas que davam acesso a avenida principal. A mágica das luzes do lugar e o burburinho no interior da loja funcionaram como um mantra, e me vi perdido naquela linha de pensamento distante do meu cérebro.
Eu estava recordando as noites mal dormidas, resultado das horas esperando Heero chegar, ou da madrugada do porre, ou quem sabe, o novo tópico que se juntava a lista:
Por que Heero estava me ignorando?
E por que isso era um problema?
Me senti imensamente idiota enquanto ali sentado, revisando as diversas trocas de humor e mudanças de opinião que me acometeram nos últimos dias. Estava cada vez mais certo de que o problema aqui era a minha indecisão, e não qualquer coisa que Heero pudesse estar fazendo... E se eu parasse para pensar bem, isso se resumia a nada, já que o japonês não fazia nada além de existir... O que já era um bom tormento...
Todos os irmãos ficavam maravilhosamente bem em uma regata branca semitransparente e apertada? E quando juntavam isso a uma bela calça jeans desbotada apertada em lugares estratégicos? E se acrescentássemos o cabelo naturalmente bagunçado, os olhos azuis e...
Acho que não preciso ser nenhum gênio para chegar a conclusão de que Heero Yuy é único. Tão único quanto um homem de descendência oriental, com os olhos azuis e uma pele tentadoramente bronzeada...
É... Definitivamente Heero estará ilustrando a palavra perfeito na próxima edição de um desses dicionários...
Tive meus pensamentos interrompidos mais uma vez pela jovem simpática, que trazia uma bandeja recheada de varias porcarias que eu havia pedido há poucos minutos. Quando tudo foi disposto a minha frente, levantei uma das sobrancelhas diante da incompatibilidade da maioria das guloseimas.
- Er... – apontei para a mesa, numa indicação obvia de que nada fazia muito sentido, e me dei conta de que eu não estava prestando muita atenção no cardápio quando apontei a maioria das coisas.
- O Sr. também acha que torta de chocolate não vai muito bem com refrigerante? Muito menos com essa bomba de chocolate... Ou quem sabe...
- É, é... Acho que não estava muito atento... – dei um pequeno sorriso desolado para os meus queridos doces.
- Temos variedades ótimas de café, uma mistura com caramelo cairia muito bem.
Encarei a jovem de longos cachos loiros, imaginando o quão enjoativa poderia ficar essa mistura se combinado a todos os derivados de chocolate que eu tinha na minha mesa. Acabei chegando a conclusão de que seria melhor do que um cortando o sabor do outro, como provavelmente aconteceria se eu optasse por permanecer com aquela lata de refrigerante.
Deixei que ela partisse novamente enquanto eu degustava de um pouco de cada coisa na bandeja. Minutos depois ela estava de volta, com o que reconheci ser um dos melhores cafés que eu já havia bebido na minha vida.
Sozinho, e com uma deliciosa tarefa pela frente, deixei que meus pensamentos retornassem ao ponto anterior, tendo o cuidado de voltar a fita para um pouco antes de eu me perder em conjecturas sobre dicionários ilustrados e palavras que estampariam o rosto de Heero. Meus olhos vagaram pela pequena rua, e sem que eu percebesse, estavam mirando o alto da torre de um dos hotéis principais da cidade; um que eu sabia estar hospedando um certo loiro.
Eu não precisava de cartões para saber onde encontrar Quatre, e me surpreendia o fato de ele ter deixado um deles para mim... Cartão esse que eu não tinha idéia de onde estava, mas de qualquer forma, eu tinha o número gravado no celular. Afinal de contas, eu mesmo já me hospedei ali em outra ocasião.
Desviei minha atenção de mais uma lembrança indesejada, e foquei minha atenção na falta que o loiro me fazia naquele momento.
Nunca pensei que fosse sentir falta dos sermões repetitivos de Quatre; mas, como dizem, só damos conta do valor das coisas quando perdemos. Mesmo já tendo um dos longos discursos sobre Heero decorado na memória, eu sentia falta do meu guia... Da mão amiga e do abraço protetor...
Deus! Como eu sentia falta dele... Mas eu era orgulhoso demais para ligar e admitir que tudo o que ele vinha me dizendo estava certo.
Não, não, eu morreria antes de dar esse gostinho... Assim como não daria o gostinho de ver Heero saindo triunfante dessa batalha de mudinhos. Eu estava me quebrando aos poucos, mas sairia vencedor...
Ah... Eu sairia.
Hum... Ironicamente eu estava fazendo justamente o que planejei antes de deixar a colônia, mas tinha a ligeira impressão de que todas as minhas barreiras não estavam protegendo o meu coração...
Eu poderia sair vencedor daquela pequena disputa, mas acho que não levaria um coração inteiro.
-
Uma hora depois, enjoado, e com as pernas doendo, cheguei ao apartamento encontrando Heero saindo da cozinha, os cabelos levemente molhados indicando que havia acabado de sair do banho... E se os cabelos não fossem a dica, provavelmente a toalha enrolada em sua cintura seria um bom indicador.
Fitei aquele pedaço de tecido aproveitando seu momento de distração, e me vi desejando dolorosamente ser aquele maldito pano. Toalhas eram objetos felpudos e de muita sorte; podiam estar em qualquer lugar da pele dourada sem maiores compromissos, a não ser secar cada pedacinho daquele corpo... Como os braços trabalhados, as pernas musculosas que o pano estava escondendo, ou quem sabe outras partes, não é mesmo?
Queria eu um compromisso como aquele.
E... Excitante também seria uma palavra perfeita para ele estampar com seu perfil... De toalha...
- Seu celular não parou de tocar...
Desviei meus olhos da toalha para encontrar as duas pedras azuis me fitando; e eu podia jurar que havia um quê de... Preocupação? Seja o que for sumiu tão rápido quanto apareceu; sua atenção já estava direcionada para a tv, onde provavelmente ficaria pelo resto da noite.
Antes que eu me colocasse em uma divagação sobre o quão sortudo era aquele aparelho, ordenei que minhas pernas me levassem ao quarto, território seguro para meus inevitáveis grunhidos de frustração.
Larguei minha roupa enquanto fazia o caminho do chuveiro, me atirando debaixo do jato de água quente. Tomei um banho longo dando atenção especial aos meus cabelos, passando duas vezes o condicionador pela extensão dos fios e escovando enquanto o agente condicionante fazia enfeito.
Cultivar uma trança longa como aquela era trabalhoso além de não ser nada funcional. Mas ainda assim era o meu bem mais precioso...
A única coisa que me lembrava de uma época muito distante e da qual eu não tinha memórias. As poucas que eu possuía, foram construídas com a ajuda das recordações da Natsumi...
"Ela tinha os cabelos assim... Cumpridos... E quando a luz do sol tocava os fios... Eles luziam exatamente como os seus...
E davam tanto trabalho como os meus?
Davam... Mas quando ela o deixava solto... Fazia valer a pena..."
A única coisa que me assegurava de que eu realmente tinha algo da minha verdadeira mãe...
Senti a leve névoa da lembrança desanuviar meus sentidos, fazendo-os atentar para o celular que já devia estar tocando há um bom tempo. Enrolei meus cabelos em uma toalha e envolvi minha cintura com outra, correndo em direção ao quarto lançando um olhar atordoado para o amontoado de roupas espalhadas pelo chão e tentando descobrir em qual das calças eu havia deixado o aparelho.
Lembrei automaticamente do aviso que Heero havia me dado, e me amaldiçoei por ter esquecido de levar o aparelho.
- Inferno...
Puxei uma, duas, três bermudas de um monte onde o toque parecia ser mais alto; vasculhei os bolsos retirando alguns papeis de bala, mas nada que se parecesse com um celular. Em um monte mais no canto, peguei duas calças encontrando no bolso da primeira o maldito aparelho, o atendendo antes que perdesse a ligação.
- Por Deus Duo, onde você estava?
A voz de Sally me alcançou assim que eu abri o flip, e meu coração saltou em reconhecimento. Eu estava tão obcecado na idéia do Heero que havia esquecido completamente de fazer as ligações para o hospital, ontem e hoje.
Agora, além de idiota, eu estava me sentindo tremendamente culpado por não ter lembrado da minha mãe.
- Eu... Eu sinto muito Sally... – desabei na cama não vendo outra opção; a leveza das horas de distração fugia por entre os dedos, dando lugar para a expectativa do que estaria por vir.
- E eu que pensei que Heero fosse dar um jeito em você... – quase pude ver seu semblante sério e sua cabeça mexendo de um lado para o outro. – Continua o mesmo cabeça de vento de sempre.
- Também te amo Srta. Pô. – esperei por seu reclame costumeiro, mas a única coisa que obtive como resposta foi uma pequena inspirada de ar. As notícias não deveriam ser nada boas. – Como ela está? – perguntei não querendo fazer da ligação um grande rodeio.
- Não muito bem Duo, eu sinto muito... – seu pesar foi quase palpável, e percebi no silêncio que ela não se sentia nada a vontade em ter de me dar aquela notícia. Sally estava conosco há quase dez anos, e juntos formávamos aquela família quase bizarra, sem nenhuma ligação sanguínea, mas com vínculos iguais ou maiores do que qualquer outra.
- Não sinta, apenas... Conte-me...
Um outro momento de silêncio caiu entre nós, e fiquei ali, deitado e corroído pela sensação de estar atado e vendado. Eu não poderia fazer nada de tão longe, muito menos ver o que estava se passando. Minha única fonte de informação era um maldito telefone, e eu nem tinha certeza se Sally ou os médicos estavam sendo totalmente verdadeiros quando falavam comigo.
- Os médicos iniciaram um processo conjunto de radio e quimioterapia. O tratamento anterior não estava sendo suficientemente eficaz...
- Não tem sido o suficiente? – indaguei não confiando no tom de sua voz.
- A ressonância... Apontou um crescimento significativo do tumor... Foi indicada a quimioterapia com aumento das seções de radio...
- Deus... – murmurei angustiado, tentando imaginar a dor da minha mãe ao receber essa notícia. – E isso vai dar certo?
- Não... Não sei dizer Duo... Ela está muito sonolenta ultimamente... Tem sentindo várias dores... Eu... Eu não sei dizer o que é melhor ou não...
- Entendo... – suspirei não encontrando nada melhor para dizer ou fazer. – Foi por isso que andou me ligando?
- Também. Foi preciso uma autorização para iniciar o tratamento, como eu não sou parente...
- Uma autorização? – perguntei, sentando de imediato. – E como você conseguiu?
Nos breves segundos que ela precisou para formular uma resposta, eu já tinha uma em mente. Liguei o novo fato a carranca do Heero e seu olhar receoso quando encontrou o meu. Ele havia dado a autorização que Sally precisava.
- Eles precisavam dessa autorização... Eu não vi outra escolha a não ser ligar para o Heero, ele também é filho dela e...
- Ela está bem? – interrompi suas desculpas querendo finalizar a ligação o mais rápido o possível. Muito provavelmente, ela não estava acessível para falar comigo ao telefone; prolongar a conversa com Sally não me traria mais conforto.
- Dormindo com os remédios... Acho que não vai acordar até a hora dos medicamentos. Vão inserir um cateter quando ela acordar para a próxima rodada de remédios...
- É mesmo necessário? – perguntei, me recusando a imaginar outro daqueles tubos em seu corpo fragilizado.
- Não temos certeza de quanto tempo será preciso injetar o medicamento... Vai ser menos doloroso pra ela se for dessa forma...
- Certo... Você pode me ligar quando ela acordar? Não importa a hora.
- Eu ligarei... Mas, como vão as coisas entre você e Heero? Conseguiram se acertar? Sua mãe não pôde dizer muito, eu...
- Até mais Sally...
Finalizei a ligação jogando o aparelho em um canto qualquer... Não me importaria se ele voltasse a tocar; de notícias ruins eu já estava cheio.
Alguém tinha idéia do quão doloroso poderia ser tratar assuntos como esse via telefone?
Me encolhi abraçado aos joelhos. A imagem da minha mãe deitada naquela cama teimava em me atormentar, e eu não sabia se deveria ou não esquecê-la. A lembrança não me deixaria esquecer das coisas realmente importantes; mas também não aliviaria a minha estadia ali.
Eu queria correr e abraçá-la bem apertado; e se possível, sugar toda a sua dor para mim, fazê-la esquecer desses quase dois meses de dor e angustia.
Tive tanta fé que as coisas melhorariam... Que a biópsia traria boas notícias e que o maldito tumor pudesse ser curado; que uma cirurgia pudesse ser feita... Vi todas as minhas esperanças serem esmagados junto com a liberação dos resultados dos milhares de exames aos quais ela foi submetida...
Seu rosto pálido no dia em que seus longos fios negros foram cortados nunca será apagado da minha memória...
Sentei na beirada da cama sentindo meus olhos arder na tentativa de conter as lágrimas. Puxei a toalha que enrolava meus cabelos e deixei que caíssem soltos. Eu cuidaria deles mais tarde. Catei uma calça de moletom e uma regata do armário, isso serviria até eu decidir o que fazer com as próximas horas.
Morpheus não me visitaria essa noite.
Comecei arrumando o resto das roupas que estavam espalhadas pelo chão ou jogadas em cima das estantes; eu nunca fui do tipo organizado, mas meu quarto nunca foi assim, nem nos meus piores dias.
Na verdade, muitas coisas ali estavam completamente fora do normal.
Confinamento em quarto e lamúrias sem fim também não fazia muito o meu estilo. Eu sempre fui o tipo de pessoa que quando tem um problema recorre a primeira diversão que encontra pela frente. Incontáveis foram as noites em que eu me enfurnei em uma boate até altas horas da manhã, tentando esquecer qualquer discussão com a minha mãe ou afastar meus pensamentos das lembranças do Heero. Sempre achei a autoflagelação física mais interessante que a mental...
Passei a mão por dentro de um dos bolsos da calça que eu tinha em mãos, encontrando um pedaço de papel que não me era estranho. Larguei a roupa em um canto e me sentei para ler seu conteúdo, arqueando as sobrancelhas ao encontrar um número acompanhado de um nome que não havia me ocorrido durante esses dias:
Hilde Schbeiker.
Aquele único nome foi capaz de ligar vários pontos distantes na minha cabeça, traçando uma linha única que terminou em uma idéia quase brilhante.
Eu precisava de uma distração, livrar minha mente da pressão que a presença de Heero exercia; precisava deixar minhas mente vagar para algum lugar onde não houvesse câncer, mágoas de amigos, um irmão postiço asiático ou qualquer outra coisa que pudesse me perturbar. Eu iria dançar, beber - sem exageros é claro -, e quem sabe até compraria meus velhos amigos cigarros!
Nada muito recomendável ou saudável, mas eu poderia até me divertir se Deus desse uma forcinha.
Se a Srta. Schbeiker estivesse em terra firme e não tivesse compromissos...
Bem... Ela teria de se encontrar com Duo Maxwell.
(#w#)
Heero POV
Sempre me considerei um homem de poucos arrependimentos. Talvez por pensar demais antes de realizar um movimento, por mínimo que ele seja, fazendo com que os efeitos sempre atinjam as minhas expectativas, ou até mesmo superando-as. Essa vida bem sucedida não me preparou em nada para suportar o peso do arrependimento que caía sobre os meus ombros agora, muito menos para a tonelada de culpa que eu estava sentindo.
Passei a maior parte do tempo relembrando as várias linhas dos vários e-mails que li durante todo o dia, remoendo esse novo sentimento dentro de mim, e alimentando-o com lembranças há muito esquecidas em alguma parte da minha mente.
Abri a porta da varanda sendo recebido pelo ar frio da noite. Uma luz azulada invadia a sacada do lado, indicando que meu visinho estava em casa e, provavelmente sozinho.
Depois de um tempo morando ao lado da mesma pessoa, você acaba descobrindo pequenas coisas sobre ela, querendo ou não.
Trowa era o meu "alvo de estudo" desse prédio, e depois de um bom tempo de observação involuntária, seria capaz de descrever com precisão algumas passagens da sua rotina.
Meu visinho era do tipo funcional, e nas muitas visitas que fiz a seu apartamento, tive a confirmação ao contemplar a decoração limpa e extremamente prática que todos os cômodos tinham. A luz azulada que me lançou em toda essa análise, vinha das luminárias fincadas próximas ao chão de todas as paredes da sala branca decorada basicamente de aço e vidro. Poucos móveis e algumas obras de arte davam vida aos ambientes; o típico apartamento se solteiro, não muito diferente do meu.
Certa vez, ouvi um comentário sobre as luzes serem algo relaxante e pessoal para ele, e talvez seja por isso que nunca as veja acesa quando ele recebe alguém em seu apartamento. Pelo que sei, suas companhias nunca passaram da sua concepção de funcional; sendo assim, nunca ninguém permaneceu naquele apartamento tempo o suficiente para curtir um momento calmante proporcionado pelas luminárias azuis.
- Estamos pensativos hoje, não estamos?
Ergui meus olhos para encontrar o dono das luminárias me estendendo uma garrafa de cerveja, que foi prontamente aceita. Trowa me analisava de forma contida e, comprovando meu palpite inicial, vestia suas roupas de casa. Mais uma tese levantada depois de alguns meses de observação. Ele adotava apenas uma calça de moletom larga quando queria ficar a vontade, nada parecido com seus ternos impecáveis ou suas roupas casuais escolhidas a dedo para chamar atenção para o seu porte. Poderia dizer que Trowa se vestia para os outros a maior parte do tempo, deixando de lado toda sua imponência nos momentos em que ficava só.
- Quem cala consente, hum?
Pisquei algumas vezes percebendo que havia entrado em mais um devaneio e balancei a cabeça timidamente, levando um pouco da cerveja aos lábios.
- Como sabia que eu estava aqui? – perguntei visivelmente interessado.
- Não sabia, apenas esperei que estivesse. – respondeu, deixando no ar um de seus sorrisos enigmáticos. – Como foi o dia?
- Foi... Interessante. – comentei esperando por uma indicação para me aprofundar ou não no assunto.
- Algo relacionado ao belo espécime que você esconde ai dentro de casa?
- Como é? – lancei-lhe um de meus olhares mais gelados, que não fez efeito algum já que ele estava de costas para mim, apoiado no parapeito.
- Você sabe... Duo... – levou a própria cerveja aos lábios, e eu podia jurar que ele escondia um pequeno sorriso por trás do gargalo.
- Mantenha as suas garras longe do meu irmão Barton, e não teremos problemas...
A risada sonora que ganhei como resposta me fez corar, e notar o quão possessivo eu estava sendo. Infelizmente isso era algo que eu não conseguia evitar; pensar em Duo como mais um a contemplar a caríssima decoração do interior do apartamento de Trowa, não era nada acolhedor. Deus sabe a quanto tempo que eu não sinto esse sentimento de posse por alguém... Não que Duo me pertencesse de alguma forma... Mas ele estava sobre os meus cuidados, eu não deixaria que algo de ruim lhe acontecesse.
- Certo, sem garras. – declarou erguendo as mãos para o alto. – Mas não posso negar que você esconda algo muito interessante aí dentro...
- Posso classificar como casual a sua vista de ontem?
- De forma alguma... – respondeu deixando que visse o pequeno sorriso que curvava seus lábios. Ele estava se divertindo. – Agora me conte, o que é tão interessante para deixá-lo nesse estado?
Trowa se aproximou, debruçando na divisa entre as duas varandas. A iluminação azulada contrastando com a noite escura, deixava sua pele pálida e seus olhos verdes brilhantes no meio das sombras. Ele parecia realmente disposto a ouvir, e mais uma vez eu estava sedento por conselhos; um comportamento que vinha se repetindo muito nos últimos dias.
- Ainda não estamos muito bem. – comecei, esperando que ele ligasse a situação à pessoa. – E para completar, recebi um fax do hospital onde minha mãe está internada... As coisas também não estão nada boas para aqueles lados...
Alguns segundos se passaram, talvez minutos, enquanto ficamos ali em silêncio, contemplando nossos próprios pensamentos. A figura sobrenatural de Trowa me encarava sem realmente me ver; e eu retribuía seu olhar, pensando no que dizer quando a hora de continuar chegasse.
- Talvez ela soubesse que as coisas tomariam esse rumo. O câncer é inoperável; talvez ela não quisesse que Duo a visse nesse estado...
Recuperei meu foco a tempo de vê-lo tomar mais um gole da cerveja, e acabei por imitar seu gesto na intenção de limpar a garganta. Demorou um pouco até que eu conseguisse alcançar sua linha de raciocínio.
- Foi a primeira coisa que me veio em mente... Não consigo ver outro motivo para fazê-la ter essa idéia fantástica... – murmurei quase grunhindo no final. – Soa poético demais afirmar que ela tenha feito isso em prol do meu relacionamento com Duo...
- Hum, e se ela não for esse monstro que você pinta? – indagou erguendo uma sobrancelha.
- Eu nunca a pintei como um monstro, apenas como relapsa.
- E se ela estiver tentando concertar os erros? Não é isso que as pessoas fazem em seus últimos dias?
Desviei meus olhos dos dele, fitando a garrafa de cerveja entre as minhas penas, fugindo da intensidade com que Trowa me encarava, e do peso daquelas poucas palavras.
E se ela estivesse querendo se redimir, apenas se redimir?
Era uma idéia simplista, mas desde quando as coisas deveriam ser tão complicadas?
Natsumi estava morrendo, e a autorização que eu precisei assinar hoje foi apenas a prova irrefutável do pouco tempo que tínhamos até seu momento final. Os antibióticos da quimioterapia não fariam nada bem ao seu organismo já debilitado pelas seções de radioterapia. O tumor aumentava a pressão no cérebro aos poucos, e eu já via a hora em que muitas de suas ações básicas, como falar ou até mesmo se mexer, fosse completamente afetada pelo avanço da doença.
- Você pensa em se despedir?
Nossos olhos se encontraram novamente, e um sorriso involuntário escapou dos meus lábios.
- Quando meu pai veio a falecer... Já não nos falávamos há um bom tempo... – as palavras me deixaram sem que eu tivesse controle sobre elas. – No momento em que o médico anunciou a morte, eu me lembrei imediatamente da ultima vez em que nos vimos, da frieza com que nos tratamos... – levantei da cadeira apoiando a garrafa vazia na divisa. – Prometi a mim mesmo lembrar que a ultima vez que vemos uma pessoa... Pode ser realmente a ultima... Acho que não honrei com essa promessa... Como desonrei tantas outras... – murmurei dando uma ultima olhada no céu enegrecido.
"- Hee-chan...?
- Está fazendo o que deitado na minha cama baka?
- É você sim... O seu trabalho da escola já... Já acabou?
- Uhum... Eu disse iria voltar não disse?
- Disse... Você promete que vai voltar sempre Hee-chan?
-...
- Hee... Você promete?
- Prometo, baka..."
Já de costas, puxei o papel que havia guardado em meu bolso, observando o semblante adormecido registrado na foto. Ele era tão inocente... Eu havia prometido que voltaria...
- Faz parte da mágica do tempo, Heero... – ouvi a voz de Trowa distante, já dentro do próprio apartamento. – Fazer com que esqueçamos de algumas promessas que fazemos...
(#w#)
Continua...
Um comentário sem noção... Eu sempre quis tomar uma cerveja com o Trowa o.O ... Oras, isso não é pecado, é? XD
Primeiro, gostaria de pedir desculpas por duas coisas: a demora, e os possíveis erros... Como sempre XD
A culpa da demora foi da falta de internet, já os erros... Isso não tem desculpa... T.T
Não pude responder aos reviews de todos, e nem lembro bem quais eu tive a oportunidade. Como agradecer nunca é demais, aqui vai:
Blanxe, Tammy, Litha-chan, Tsuki-chan, Yuukii, L'Arcan, MaiMai e Saiyo.
Também a Dark Vampira, que deixou um e-mail super fofo pra mim.
Muito obrigada pela atenção de vocês. Talvez não percebam, mas saibam que seus reviews são sempre aproveitados.
Acho que muitos, ou quem sabe todos, esperavam algo cômico para esse capítulo, mas eu estou tentando aprender a escrever angst para algumas situações futuras da fic, e a única forma é treinando... Por isso, se tiverem críticas e sugestões... Sou toda ouvidos... Inclusive para outros erros que vocês encontrem por ai.
Prometo tentar colocar mais humor no próximo capitulo.
Espero que gostem e... Até a próxima!
Comentem! o/
