Tiki
Autora: Merula
Tradução: Aryam
Casal: 1x2
Parte 2
"Encomenda."
Duo abriu caminho para o entregador entrar com a caixa em sua casa. "O que é isso?"
O homem grunhiu. "Sei lá, cara, eu só deixo as caixas. Assina aqui."
Duo fez o que lhe foi pedido e fechou a porta em seguida. A caixa era tão grande quanto ele e quando experimentou um empurrãozinho, descobriu ser bem pesada.
"Esquisito," murmurou, procurando o remetente. "Quem me enviaria um negócio gigante desses?" Seus olhos se arregalaram quando encontrou a etiqueta. "Quatre?"
Mas Quatre estava desaparecido! Seu avião caíra há semanas, e ninguém encontrara sequer sinal dele.
"Talvez ele tenha enviado antes?" Duo questionou-se, abrindo o pacote. Por que seu amigo de infância lhe mandaria algo assim e o que diabos seria?
Terminou de cortar o duro papelão e franziu o cenho. "Um tiki? Por que Quatre me enviaria isso?" Tudo bem, o loiro era conhecido por dar presentes estranhos, mas esse merecia um prêmio. Duo circundou a estátua. Era bem bonita – os entalhes eram bem detalhados e ele gostou dos olhos azuis pintados no rosto – mas ainda assim – um tiki?
"O que Quatre estava pensando?" Perguntou para a escultura e soprou a própria franja para tirá-la dos olhos. Inclinou-se para mexer na embalagem novamente – não tinha nota, carta, nada explicando o presente colocado na sua sala – talvez ele planejara explicar cara a cara antes de desaparecer?
Não havia pista alguma, nem ao menos uma data de envio. Com um suspiro, Duo recolheu a bagunça. O que faria com todo esse papelão e papel bolha? Não podia simplesmente largar na porta da frente – talvez na cozinha? Ou na varanda? Com certeza ia começar uma fofoca entre os vizinhos.
Em seguida, Duo largou-se no sofá, ligando a televisão. Sua atenção continuava a se desviar para a estátua. Não teria coragem de se livrar do último presente do amigo – mas aonde colocaria?
Fechando os olhos, bocejou e se acomodou mais no sofá. Tiraria uma soneca, decidiu, e então moveria a estátua.
Um toque suave em sua coxa – uma boca? Uma mão? Deslizou para cima e Duo sufocou um ofego. Seria um sonho?
Mais toques – passeando pelo seu corpo – seu sangue esquentou suas veias. Devia ser um sonho – estava certo de ter deitado no sofá completamente vestido – e sozinho. Agora podia sentir sua nudez e definitivamente tinha companhia.
Abriu os olhos violeta, a luz bruxuleante da televisão iluminando a figura ao seu lado. Devia ser um sonho. Não reconheceu o homem pairando sobre ele, olhos azuis faiscando emoldurados por um cabelo bagunçado.
O de cabelos dourados me prometeu uma oferenda valorosa. Ele não mentiu.
Duo tentou desvendar as palavras – mas não conseguia pensar – não com aquelas carícias tirando-lhe a razão, as mãos apertando suas pernas, separando-as, abrindo-o, fazendo como se estivesse pegando fogo de dentro para fora.
Vai se entregar para mim?
O homem de cabelos compridos não encontrou palavras para responder. Não conseguia raciociar direito – apenas podia reagir – e foi o que fez, acolhendo o estranho em um abraço, erguendo os quadris...
Fechou os olhos novamente, acompanhando o ritmo das estocadas – se fosse um sonho, passaria o resto da vida dormindo...
Duo acordou.
A televisão ainda ligada, o relógio mostrava que pouco mais de uma hora havia passado – embora tenha parecido muito mais...
Foi mesmo um sonho?
Mas... suas roupas estavam ao lado do sofá, como as tirara? Virou-se para pegá-las e estremeceu. Não... por que sentiria...? A não ser...
Duo franziu a testa, tentando entender. Olhou ao seu redor, olhos encontrando o tiki ainda no mesmo lugar.
Aquele azul... e aquela coisa estava sorrindo agora? Estava certo de que estava carrancudo antes!
Não podia ser.
Mas se for...
"Por que tem essa coisa horrorosa no seu quarto, Duo?" Wufei perguntou, juntando-se ao amigo na cozinha.
"Você não tocou, tocou?" O homem de trança perguntou enquanto colocava seu jantar no prato.
"Não. Quase caí em cima tentando entrar no seu banheiro, mas não toquei." Os olhos negros rodaram e o chinês se sentou. "Quatre te enviou aquilo?"
"É, deve ter sido logo antes..." Duo mordeu o lábio. "Recebi alguns dias atrás."
"Isso explica," Wufei suspirou e pegou seu garfo. "Recebi os pacotes dele essa manhã. Ele me enviou dois troços desse! No que ele estava pensando?"
Os olhos violeta se arregalaram. "Dois?"
"Sim. Dois." Wufei balançou a cabeça. "Não sei o que fazer com eles. Não consigo me desfazer do último presente de Quatre – a não ser que você os queira?"
Duo balançou a cabeça. "Ah não. Não. Um está bom demais. É só com o que consigo lidar. São todos seus."
O chinês estranou as peculiares escolhas de frases. "Por que será que ele me mandou dois? Acha que um dos seus se extraviou no correio?"
Duo sorriu. Quatre sempre dissera que Wufei era mais do que uma pessoa conseguia aguentar. "Não, acho que ele sabia exatamente o que estava fazendo."
Parte 3...
