"Ali In The Jungle", de The Hours

Não é onde você está,
É onde você está indo,
Onde você está indo?

E não é sobre as coisas que você fez,
É o que você está fazendo agora,
O que você está fazendo agora?

Todo mundo quer te derrubar,
Todo mundo quer te derrubar,
Quão rápido você vai se levantar?
Quão rápido você vai se levantar agora?


Capítulo 9

Tradutora: Irene Maceió

BPOV

Por que eu não o beijei?

Essa foi a única coisa que eu pensei. Isso me perseguiu quando eu falei para Alice sobre a minha falha épica quando cheguei em casa, enquanto eu tentava dormir naquela noite, foi o primeiro pensamento que tive quando acordei na manhã seguinte, e isso permaneceu no fundo da minha mente enquanto eu estava me vestindo para o trabalho e fui até a biblioteca para o meu turno.

Por que eu não o beijei?

Ele estava ali, olhando fixamente para minha boca e eu tinha congelado.

Havia alguma coisa sobre ele, uma aura (se eu acreditasse em tais coisas), que gritava "inocente". Quem era eu para tirar isso dele? Arrastá-lo até a sarjeta com a minha imoralidade e pensamentos sujos?

Dane-se tudo no inferno. Eu me importava muito com ele para manchar sua virtude de boa fé. Porque embora seu corpo dissesse 'homem', seus olhos diziam 'menino'. Eu tinha visto isso claramente no momento em que estive no seu quarto ontem à tarde. Essa quase-criança maravilhosa. Como se eu fosse a resposta a todas as questões da vida.

Então, se eu não conseguia parar de me imaginar agarrando seus cabelos indisciplinados e beijando-o por todos os cantos, valia a pena? Seus óculos tortos ficariam bem melhor, bem melhor. E eu não queria nem começar a mergulhar no sonho que tive ontem à noite com Edward, acorrentado ao teto, e eu usando-o como um poste de stripper, esfregando-me de cima para baixo nele enquanto girava ao seu redor.

Yeah.

Não posso mesmo fazer isso.

Eu apenas não poderia ser a pessoa que lhe estragaria assim.

Suspirei pesadamente, percebendo o número de olhares que recebi de alunos com excesso de zelo que já estavam passeando por lá, todos os quais eu tinha interrompido com o suspiro.

Felizmente o meu trabalho não exigia muito do poder da mente e, já que o ano letivo ainda não começou oficialmente, eu fui deixada com meus próprios pensamentos por um longo período de tempo. O que foi perfeito porque eu precisava descobrir uma maneira de corrigir isso. Para que ele soubesse que eu queria a ele também.

Eu carreguei o meu carrinho cheio de livros para guardar e comecei a tarefa servil de circular pela primeira vez no andar grande, colocando os livros de volta onde pertenciam. E quando eu estava no meio do caminho, o mais terrível pensamento cruzou minha mente, parou o meu coração e deixou o meu sangue frio.

E se eu tivesse o afastado por apresentá-lo aos meus amigos estranhos?

O carro continuou sem mim, correndo fora de controle quando eu estava ainda no meio de um corredor. De repente, uma voz "ow" quebrou-me do meu transe. Corri ao virar da esquina e vi um homem pulando, segurando o joelho com as duas mãos perto do peito, como se estivesse em dor extrema. Quando percebi quem era, eu não pude deixar de sorrir.

Mike Newton.

O meu 'chefe' e um grande cachorro.

"Pooorrraaa!" ele gritou. "Isso dói. Owwww, dói".

Eu abafei o riso atrás da minha mão e olhei em volta para ver se alguém estava vendo isso. Felizmente essa parte da biblioteca parecia estar deserta. Depois veio o momento em que percebi que ele não tinha me visto ainda. Eu poderia apenas rastejar para trás das pilhas e ele nunca saberia quem o tinha ferido.

Mas eu não podia fazer isso... podia?

Sim, eu podia, eu decidi quando eu continuei a ver seu rosto ficar cada vez mais vermelho. Andando para trás o mais silenciosamente que pude, eu escapei da tempestade que se aproximava com o conhecido temperamento de Mike e deixei minha mente vagar de volta para o pensamento do que tinha iniciado isto.

Eu sei que eu tinha deixado a decisão de ir para o jantar com Edward, mas ele não sabia onde ele estava se metendo. Eu estava grata por ele não ter saído da sala gritando na noite passada, não querendo falar comigo novamente. Mas e se, após ter a noite para pensar sobre isso, ele decidisse que não valia a pena? Que minha vida e meus amigos eram demais para ele suportar?

Merda.

Agora eu tinha que fazer isto direito.

Mas como?

Eu estava atrás do balcão do caixa, considerando o meu problema pelo que pareceram ser horas. E então foi como se de repente Deus separasse as nuvens e me desse um vislumbre do céu...

Eu sabia exatamente o que fazer, graças a um pequeno conselho que Alice me deu na noite passada.

Pus meu plano em ação imediatamente.

EPOV

Havia algo de errado comigo.

Tinha que ser isso.

Talvez eu tivesse um interruptor na minha cabeça que ainda estava preso em 'garotas esquisitas', de modo que eu era fisicamente incapaz de ficar perto delas. Ou talvez eu precisasse admitir que eu deveria ter corrido atrás de Bella na noite passada e explicado como eu era um completo perdedor com experiência zero quando se tratava de meninas e então a beijado até que ambos estivéssemos sem fôlego.

Porque isso teria sido muito melhor do que o que eu fiz, ir para casa e olhar para o teto na maior parte da noite, vendo Bella sorrindo, rindo, flertando... todas as coisas que eu provavelmente nunca veria novamente.

Marchando para o trabalho eu mantive minha cabeça baixa, envergonhado por todo o caminho. Eu não tive vontade de olhar ou falar com ninguém. Eu esperava que eu fosse capaz de manter isso pelas próximas semanas porque eu imaginei que seria o tanto correto de tempo necessário para a boa lamentação de minha perda, no silêncio e na solidão.

Alguém me cumprimentou quando eu pisei fora do elevador e fiz meu caminho até a minha mesa, mas eu não olhei para cima ou para acusar quem quer que fosse. Não havia nenhuma necessidade de fingir civilidade hoje. Não quando eu estava me sentindo dessa forma terrível.

Eric correu para mim e pegou uma cadeira, batendo-se nela antes de apressar-se em alguma história. Eu dei uma atenção meio-irresoluta, ocasionalmente assentindo onde ele parava para respirar e então ele parou abruptamente e olhou para mim. Olhei para trás, esperando que ele continuasse.

"Você ao menos ouviu o que eu disse, cara?" ele perguntou em um tom exasperado.

"Sim, eu ouvi" eu respondi logo, a minha ira queimando. Por que nem todo mundo via que eu só queria ficar sozinho?

"Mike. Foi atingido. Com um carrinho. Vamos, é um clássico. E a melhor parte é, ele não sabe quem fez isso!"

A exaltação de Eric sobre a dor de Mike não fez nada para despertar a mim, ou a minha atenção. "Uh-huh."

Eric suspirou. "Esqueça isso, cara." Ele saiu em um huff, se retirando rapidamente da cadeira e virou-se no corredor. Me encolhi, girando a tela do meu computador e clicando no site do departamento de TI. Eu precisava me concentrar em outra coisa agora e trabalho parecia ser a única solução disponível para mim. Assim, o trabalho seria.

Rapidamente, eu fiz a varredura nos relatórios dos problemas listados na tela. Hmm, não há muito a fazer. Eu poderia ir pelo campus e ajudar um cara em um dos dormitórios ligar-se à internet no campus. Ou eu poderia ficar aqui e passar o serviço a alguém. Levei dois segundos para tomar minha decisão.

"Eric!" Eu gritei, virando-me para localizá-lo. Ele levantou a cabeça acima de sua mesa e olhou para mim. "Você vai atender o número dezessete" ordenei. "E não se esqueça de usar o seu crachá enquanto isso". O rosto dele caiu e ele murmurou algo baixinho enquanto ele recolheu suas coisas e saiu. Interiormente, sorri para seu descontentamento. Ele iluminou meu dia um pouco.

O telefone tocou, mas felizmente alguém atendeu antes que eu pudesse me fazer levantar o braço. Eu olhei com indiferença a tela do computador, esperando que alguma coisa fosse aparecer para que eu pudesse fazer alguém infeliz.

Miséria adora companhia, depois de tudo.

"Edward!" de repente alguém gritou do outro lado da sala. Lentamente girando em volta, vi Terrance fazendo o seu caminho até mim. Enfiei um pedaço de papel na minha cara e ele começou a falar quando eu estendi a mão e peguei o papel dele. "Você foi solicitada para um trabalho lá em cima. Aparentemente, um computador travou e o reiniciar não funciona porque ele só trava novamente."

Eu rosnei para ele, mas levantei-me, certificando-me de pegar o meu kit de computador. Olhando para baixo no papel, notei que o computador era localizado no mesmo departamento de Bella. Meu coração caiu e, em seguida, começou a bater no meu peito. Eu não sabia se de medo ou de felicidade ao vê-la tão cedo sem ter algum tipo de plano. Por um lado, eu poderia explicar o meu comportamento na noite passada, mas por outro lado, eu poderia acabar me fazendo de completo idiota novamente.

Sentindo-me um pouco enjoado, eu fiz o meu caminho para cima, abri uma das portas de vidro pesadas que separava o salão principal da biblioteca em linhas de pilhas de livros e cruzei o limiar. Bella estava atrás no balcão e ela olhou para cima, vendo-me no mesmo momento em que eu a vi.

Gaahhh.

Eu vou vomitar.

Bella sorriu para mim e meu estômago parecia que tinha sido suspenso e chutado.

Yep. Havia definitivamente uma pequena possibilidade de que eu estivesse vomitando no minuto seguinte.

Eu olhava freneticamente ao redor por algum abrigo, algo pra me esconder por trás de modo a permitir-me tempo para me controlar antes de falar com Bella, mas não havia nada. Nada que se interpusesse entre mim e ela. Minhas opções poderiam ser apenas ter que engolir o meu nervosismo, ou fazer uma corrida até ela.

Minha mente gritava 'fuja! Corra daí!' e eu pensei, indo a toda velocidade, que eu poderia chegar os corredores em quatro segundos e sair da biblioteca de novo. Dando dois passos para trás, esperei até que a minha respiração estivesse normal, limpando o suor da minha testa, e tentando essa coisa toda de novo.

Ou, eu pensei com um suspiro, eu poderia ser homem e colocar o meu 'garotão' nas calças porque se eu fugisse agora, eu poderia beijar qualquer pequena chance que eu tive com Bella e dar adeus. E esse resultado não era aquele com o qual eu estava disposto a viver.

Então eu respirei fundo e comecei a andar em direção a Bella. Ela animou-se quando viu que eu estava me dirigindo até ela e me deu um pequeno aceno. Tentei sorrir de volta, mas tive que abandonar qualquer expressão que passou pela minha face, pois a grande formação de caroço na minha garganta tinha preferência. Rapidamente limpando minha garganta, eu parei em frente ao balcão e respirei (Respire! Como uma menina! Como um flertador, caça têtas, 'Eu vou me pressionar em você' garota!), "Hey Bella."

Eu imediatamente quis bater o meu rosto para baixo na bancada no segundo em que as palavras deixaram minha boca.

Que forma de afirmar sua masculinidade, Edward.

No entanto, Bella nem sequer piscou com a minha temerosa abertura inspiradora. "Ei, Edward" ela respondeu, inclinando a cabeça para baixo com os cabelos cobrindo os lados do seu rosto como um véu. Ela brincava nervosamente com uma caneta enquanto eu me recuperei até falar novamente.

"Então... Bella," Comecei desajeitadamente. "Eu tenho que consertar um computador aqui em cima, mas enquanto eu tiver terminado, eu queria saber se, talvez, nós poderíamos conversar...?"

Ela olhou para cima e sorriu um pouco. "Você não tem nada para consertar. Eu era a pessoa que ligou lá pra baixo."

"Oh". Minha mente ficou totalmente em branco enquanto eu tentava encontrar outra coisa para dizer. "Legal".

Legal? De onde veio isso?

"Eu queria vê-lo," Bella disse, levantando um ombro pouco mais que o outro. Ela limpou a garganta, endireitou os ombros e, rapidamente, olhou para a área em torno de nós. "Na verdade, eu esperava que você quisesse conversar também."

"Sim", deixei escapar. "Eu quero".

Mas será que ela queria falar sobre a mesma coisa que eu? O que ela teria a dizer? Que ela teve bons momentos na noite passada, mas ela achava que seria melhor se nós fossemos apenas amigos?

Deus, eu ouvi essa frase tantas vezes que eu deveria apenas tatuá-la na minha testa para que a próxima garota pudesse apenas lê-la sem ter que criar sua própria variação.

"Que bom", disse ela, sorrindo brilhantemente e parecendo muito aliviada. "Você confia em mim?"

"Sim" respondi sem hesitação. Bella acenou para que eu fosse ao redor do balcão, assim que eu fui ela estendeu a mão para eu pegar. Agarrando-a muito bem, eu fui puxado pelo corredor atrás do balcão, vindo de repente a parar quando Bella ficou de frente à primeira porta, sem uma placa sinalizando o que tinha lá. Então ela abriu a porta rapidamente, empurrando-me para dentro com força suficiente para me fazer tropeçar um pouco. Quando eu encontrei o meu pé, consegui olhar em volta e descobri que estávamos em um armário de vassouras - e um grande armário de vassouras, mas ainda, porém, um armário de vassouras - antes que Bella batesse a porta atrás de mim. O barulho me fez pular e girar ao redor para tentar descobrir o que estava acontecendo.

Mas Bella veio até mim e falou primeiro. "Desculpe. Eu precisava de algum lugar onde não fossemos interrompidos."

Eu fiz uma careta confuso. "Para -"

'O que' seria a próxima palavra, mas foi interrompida assim que eu fui apanhado completamente desprevenido quando Bella delicadamente colocou suas mãos em meus ombros, levantou-se de modo que ela ficou apenas no nível com o meu queixo, e em seguida, levemente escovou os lábios dela contra os meus.

Sua boca macia me queimou, aqueceu todo o meu corpo da cabeça aos pés. Eu não pude mais controlar a minha resposta como eu podia impedir que a Terra girasse. Curvei minha cabeça para baixo e eu peguei sua boca com a minha, beijando-a com uma paixão não diluída.

Esse beijo, com essa mulher - porque Bella era uma mulher e não mais uma menina - deveria ter sido nervoso e desajeitado, mas não foi. Nunca na minha vida eu tinha desejado alguém de tantas maneiras como eu desejava Bella.

Nunca tinha desejado tanto fazer tudo certo.

E de alguma forma, milagrosamente, eu fiz.

Pelo menos, eu acho que eu fiz.

Bella gemeu, o que deveria ser o único e melhor som do universo, e ela colocou os braços em volta do meu pescoço, apertando seu corpo contra o meu. Levantei minhas mãos e segurei seus quadris pequenos, segurando-a firmemente contra mim, tentando trazê-la de alguma forma mais próxima e eliminar cada milímetro de espaço entre nós. Sua boca ficou mais insistente contra a minha e então sua língua varreu a costura da minha boca fechada. Eu abri com ela e timidamente toquei a sua língua com a minha própria. Isto era tudo tão novo para mim que eu não conseguia me mexer.

Eu queria sentir seu gosto. Eu queria devorá-la. Eu queria beber tudo o que fizesse dela ela, e ver se isso me transformaria no homem que às vezes eu pensava que deveria ser - suave, sofisticado, charmoso.

Imitando seus movimentos, eu deslizei minha língua e recuei, explorando sua boca pequena e provando-a. Degustando-a. E doce céu, que gosto. O sabor remanescente de hortelã, o mais provável de ser de sua pasta de dente, um leve toque de pêssegos, e apenas... ela. A essência que compunha Bella.

Meus pulmões gritavam por ar, mas eu não conseguia me afastar. Eu não conseguia o suficiente. Não era possível obter o suficiente dela, deste momento feliz, dessa... vida! Meus pulmões poderiam esperar mais um ou dois minutos. Ar não era tão importante.

Mas eu não tive muito tempo para esperar porque Bella interrompeu, virando a cabeça assim descansando sua testa contra a minha bochecha, respirando forte o suficiente para eu sentir a corrente de ar entrando e saindo de sua boca. Nos abraçamos enquanto recuperávamos o controle da nossa respiração e minha mente entrou em parafuso, tentando conciliar o que tinha acontecido e como eu me sentia a respeito.

Eu me sentia... eu estava... bem. Exultante. Explodindo de alegria. Não é só alegria, mas ALEGRIA.

Ela me beijou.

Voluntariamente, sem necessidade nenhuma de ação da minha parte, ela me beijou!

E então eu a tinha beijado de volta.

Quem sabia que eu tinha isso em mim?

Bella meio que riu, meio que limpou a garganta, e me puxou de volta para avaliar minha expressão. "Você está bem?" ela perguntou calmamente.

Hah. Eu estava bem?

Como eu poderia colocar suficientemente em palavras meus sentimentos sem saltar para cima e para baixo, enquanto gritava "Aleluia" com o máximo de meus pulmões?

"Uh-huh."

Bella riu baixinho e sorriu. "Você gostaria de tentar de novo?"

"Uh-huh" eu havia dito mais uma vez, dando alguns acenos de cabeça lentamente, só para misturar as coisas.

Ela sorriu e começou a empurrar-se para frente, mas eu inclinei-me para encontrá-la no meio do caminho para que ela não tivesse que ir para cima na ponta dos pés novamente. No último segundo, Bella inclinou a cabeça para a esquerda, para que nossos narizes não colidissem entre si. Em seguida, os lábios dela estavam pressionados contra os meus mais uma vez e eu estava de volta ao céu.

Sendo um profissional neste momento, eu assumi, beliscando e sugando seu lábio inferior até que eu tive um suspiro suave dela. Então, pensando que eu a tinha totalmente sob controle, eu dei um passo à frente, tentando arrastar Bella para trás. Eu queria pressioná-la contra a porta, senti-la ao longo de cada membro e centímetro do meu corpo. O que eu não estava percebendo era que eu não era Gene Kelly. Um grande beijo de fazer a Terra tremer não me transformava em Cary Grant.

Porque eu, de alguma forma, consegui viajar sobre o meu próprio pé e, conseqüentemente, ambos caímos no chão.

Felizmente, a minha coordenação do olho da minha mão é estelar, graças às muitas horas que passei jogando jogos de vídeo, e eu fui capaz de proteger a cabeça de Bella de bater no chão acarpetado, com uma mão enquanto a maioria do meu peso a apoiava sobre a outra.

Bella piscou para mim em estado de choque, mas antes que eu pudesse perguntar se ela estava bem, ela caiu na gargalhada. Eu estava tão feliz, tão incrivelmente encantado, que eu comecei a rir também. E assim nós rimos no chão de um armário de vassouras... porque sim.

Quando o nosso riso diminuiu, eu me movi e ajudei Bella a se levantar. "Você está bem?" Eu perguntei, arrumando alguns fios rebeldes de cabelo pra fora do seu rosto.

"Sim, estou ótima" ela respondeu com um sorriso enorme. "Você está bem?"

"Mais do que bem" eu disse calmamente, olhando para seus lábios atraentes como se fossem um farol numa noite escura e tempestuosa.

Um canto de sua boca levantou em um meio sorriso. "Não..." ela repreendeu suavemente. "Nós realmente precisamos conversar." Ela parou e eu relutantemente levantei o olhar para seus olhos. "Você quer começar primeiro, ou eu devo?"

"Comece."

"Ok ... bem, primeiro eu queria pedir desculpas por ontem à noite. Eu deveria tê-lo avisado antes de te jogar aos meus amigos loucos daquele jeito". Comecei a abanar a cabeça para indicar que ela não precisava fazer isso, mas ela levantou uma das mãos para me deter. "Não, é necessário um pedido de desculpas porque eu te coloquei em uma posição bastante desconfortável sem lhe dar qualquer aviso prévio. Foi errado da minha parte e eu sinto muito."

Vendo a culpa e angústia nos olhos dela, eu aceitei prontamente o seu pedido de desculpas, mesmo que apenas para apagar esses atrozes sentimentos desnecessários para sempre.

"É a minha vez?" Eu perguntei timidamente, empurrando as mãos nos bolsos da frente da calça cargo e curvando os ombros. Ela balançou a cabeça 'sim'. Eu tomei uma respiração profunda e me foquei no tapete bege abaixo de nós antes de lançar meu próprio pedido de desculpas.

"Me desculpe por não tê-la beijado na noite passada... eu queria" eu admiti, e então eu disse suavemente novamente. "Deus, eu queria, mas eu não beijei." Arremessando um olhar para cima, eu parei. A boca de Bella estava aberta e ela parecia... atordoada.

"O que há de errado?" Eu perguntei, confuso e um pouco preocupado com a reação dela.

"Uhhh... nada" ela respondeu, sacudindo a cabeça rapidamente de lado a lado duas vezes. "Eu não estava esperando isso".

Eu dei de ombros em resposta, incapaz de avançar e sem mais nada a dizer. Bella sorriu ternamente e deu um passo em minha direção, envolvendo os braços em volta da minha cintura. Ela descansou seu rosto no meu peito e suspirou. "Então... você queria me beijar a noite passada?"

"Sim", eu ri, o som que saiu em jorros me ajudou a me soltar. A tensão lentamente deixou meu corpo e pude relaxar, colocando meus braços em volta do corpo esguio de Bella e vagamente apertei as mãos atrás das suas costas. Ficamos assim por mais um minuto. Eu me deleitei com seu toque, seu calor e o conforto que me passava.

De repente, senti a necessidade intensa de lhe perguntar algo. Algo que era tão infantil e juvenil, que era embaraçoso.

Mas eu tinha que perguntar a ela.

Porque eu tinha que saber a resposta, independentemente da forma como era embaraçoso.

"Bella?" Comecei timidamente.

"Hmm?" ela respondeu, fazendo o som inquisidor mais como um suspiro satisfeito.

"Umm... isto é estúpido porque eu sei que nós não nos conhecemos há muito tempo, mas... eu estava me perguntando se você quer ser minha, uh, namorada?" Inconscientemente eu segurei minha respiração, esperando a sua resposta. Esperando que ela fosse reiniciar ou terminar a minha vida.

Bella se aconchegou em meu peito e apertou minha cintura. "Sim" ela riu, afastando-se apenas o suficiente para olhar para o meu rosto. Os olhos dela procuraram os meus e ela ficou muito solene. "Sim" ela sussurrou, se colocando ao lado do meu rosto e subindo nas pontas dos pés. Ela beijou-me levemente e sussurrou novamente.

"Sim".

Em seguida, um outro beijo e um outro sussurro.

"Sim".

Ela fez isso de novo e de novo, até que eu não podia suportar mais beijos castos e eu segurei sua cabeça para que eu pudesse realmente beijá-la. Um minuto ou dois se passaram em um êxtase feliz antes de ela bruscamente se afastar.

"Preciso voltar ao trabalho" ela disse em forma de explicação. Minha cara caiu quando eu me lembrei que eu, também, precisava terminar o meu turno. Bella recuou, fixando o seu rabo de cavalo, e de má vontade eu me soltei dela. Ela tirou a poeira de suas roupas e endireitou-se, piscando-me um sorriso.

"Você parece como se tivesse colocado o dedo em uma tomada" ela riu. Corri meus dedos nos meus cabelos, sentindo a indisciplina deles e fazendo caretas quando os fios não respeitavam o meu desejo para que eles ficassem para baixo.

Eh. Não importava muito, eu decidi, logo descartando isso da minha mente.

Bella rastejou até a porta e encostou a orelha contra ela, ouvindo com atenção qualquer ruído externo. Sua mão repousava levemente sobre a maçaneta, pronta para girá-la na primeira oportunidade.

"Ei" eu sussurrei, vindo por trás dela.

"Hmm" ela respondeu ainda ouvindo os ruídos externos.

"O que você vai fazer esta noite?"

Ela virou a cabeça para olhar para mim. "Nada. Por quê?"

"Você quer voltar lá em casa? Nós poderíamos assistir a um filme e comer alguma coisa."

"Sim, eu gostaria disso" ela disse com um sorriso.

"Ótimo" respondi, voltando o seu sorriso. Ela voltou a escutar na porta e, em seguida, muito lentamente a abriu. Enfiando a cabeça para fora no corredor, ela acenou para mim que a barra estava limpa. Saímos do armário e eu silenciosamente fechei a porta atrás de nós. Bella pegou minha mão e tomamos o nosso tempo andando de volta para o balcão da frente.

"Eu te ligo quando eu chegar do trabalho?" Bella perguntou.

"Parece bom."

"Ok, então eu vou te ver esta noite."

"Vejo você esta noite" eu repeti. Não querendo deixar Bella, mas sabendo que eu tinha que sair agora ou nunca conseguiria, eu andei para trás até chegar às portas de vidro. Bella deu um último aceno, eu puxei e abri uma porta e continuei com o meu dia.

Quando eu pisei fora do elevador e voltei para minha mesa, eu tinha uma mola no meu passo que não tinha antes. Quando eu tinha saído daqui, eu estava tão inseguro sobre o que iria acontecer entre mim e Bella. Mas agora... agora ela era minha namorada.

E nós nos beijamos. Não poderia esquecer dessa parte.

Não que eu pudesse. Aqueles poucos momentos estavam tão entranhados em mim agora, pois eles eram parte de mim.

Bella era minha namorada.

Hah.

A vida era engraçada, às vezes. Dois dias foram tudo o que precisou para ela me desligar completamente do meu mundo. Dois dias ... e agora eu tinha uma namorada. Bonita, engraçada, inteligente, uma linda namorada que parecia por algum milagre gostar de mim.

Eu tive um súbito desejo de dizer a alguém sobre a minha grande sorte. Assim, impulsivamente, eu disquei o primeiro número que eu sempre ligava em momentos como este.

"Olá?"

"Ei" eu respondi. "Quer ouvir algo engraçado, Emmett?"


Nota da Tradurora: Gente.... eu adorei esse capítulo... se vocês não gostaram... leiam de novo! ahahahaha

Será que eu não mereço review? Deixa review? Eu gosto de review! *louca, eu sei*