Cena Extra 1 – Encontro no meio do dia
Tradutora: Ju Martinhão
EPOV
Olhe para o telefone quando ele tocar, espere para ver se alguém atende, suspirar e depois atender o telefone quando ninguém mais atender, ouvir a reclamação do incompetente que ligar, arrumá-lo, registrá-lo e chamar de incompetente, corrigi-lo, registrá-la, e repetir.
Esta era a minha vida, o que parecia.
Quinze a vinte horas por semana, isto é o que eu faço.
E como era tedioso.
A única vantagem era o acesso livre aos computadores conectados que eu e os outros caras no calabouço aproveitávamos. Alguém tinha facilmente acessado ilegalmente os protocolos de rede ao redor do campus, então podíamos acessar e instalar tudo o que queríamos.
Nosso "supervisor" não se importava, contanto que respondêssemos aos telefonemas e ocasionalmente o deixássemos entrar nos jogos.
Agora mesmo eu estava jogando Magic: The Gathering* online com Eric e chutando sua bunda. Ele só tinha dois pontos de vida para perder e eu estava bem sentado em dez.
*Magic: the Gathering, ou simplesmente Magic, é um jogo de cartas colecionáveis (TCG) no qual cada jogador utiliza um baralho de cartas construído por si para tentar vencer o adversário. A diversidade de cartas editadas até a data é imensa, existindo atualmente mais de 10 mil cartas diferentes. Cada jogador faz o papel de um "Andarilho dos Planos" (planeswalker), uma entidade de pura energia capaz de se movimentar entre os vários planos do multiuniverso Magic. O jogo: cada jogador começa com 20 pontos de vida e constrói deck de pelo menos 60 cartas (40 se for partida de deck selado, ou se o jogador for iniciante). Perde o jogador que tiver seus pontos de vida reduzidos a zero pontos de vida, ou menos; se aquele jogador que tiver de comprar um card e não puder fazê-lo por seu grimório estar vazio ou por efeitos de cartas. Magic é um jogo de turnos, um jogador joga seu turno e passa a vez para o outro. Algumas prioridades permitem que um jogador jogue cartas no seu turno que não poderia jogar - no turno de outros jogadores. Assim sendo, os movimentos da sua jogada não podem ser desfeitos, dando uma boa estratégia ao jogo. Os jogadores precisam de estratégia, sem ela não é possível fazer aquilo e ativar aquilo. As cartas são divididas em permanentes e não-permanentes. As não-permanentes (mágicas instantâneas e feitiços) são jogadas e, quando seu turno é resolvido, elas são descartadas. As primeiras são cartas rápidas para usar a qualquer momento, enquanto as segundas são cartas mais poderosas para uso somente no turno do próprio jogador.
"Como se sente, Eric?" Eu zombei dele depois de ouvir seu suspiro na estação de computador ao lado do meu.
"Como é que se sente?" ele disse sarcasticamente.
"Como se sente ao saber que eu vou ganhar?"
Sorri quando tudo o que ele fez foi uma careta e voltou a olhar para a sua tela, mais provavelmente criando uma estratégia sobre como me derrubar. Eu sabia que ele não poderia ganhar com as cartas que ele tinha deixado, então eu estava presunçoso na minha vitória.
O telefone tocou novamente e eu silenciosamente quis alguém para atendê-lo. Minha oração foi respondida quando a luz piscou e o toque cessou.
Voltei para a edição do meu post sobre as vantagens do software livre versus software corporativo, que alguém tinha estragado na noite passada no Wikipédia, e o reli para me certificar que tudo estava correto mais uma vez.
Com um sorriso satisfeito, eu cliquei em "Enviar" e recostei-me na minha cadeira, lançando sobre a tela do MTGO (Magic: The Game Online) para ver se Eric já tinha jogado um cartão.
O telefone tocou novamente e eu sabia que não poderia evitar outra ligação, então eu fiz o meu trabalho e atendi o telefone.
"Alô?"
"Hola! Mi computadora no responde y no se como desbloquearla." Uma voz feminina disse tão rápido que tudo que eu ouvi foi o burburinho.
"Hum, minha senhora? Eu não falo espanhol." Eu interrompi. "Você pode esperar enquanto eu encontro alguém que fale?"
Ela disse algo que eu assumi ser concordância e eu coloquei-a em espera.
"Pepe!" Eu gritei, inclinando a cabeça até achar o cara.
"O quê?" Foi a resposta. Pepe disparou de uma das mesas de baixo e sobre uma linha.
"Esta pessoa está falando espanhol. Você é porto-riquenho, você fala com ela".
"Eu não sou de Porto Rico." Pepe corrigiu. "Eu sou da República Dominicana. Por que você sempre entende errado?"
"O que seja, cara. Perto o suficiente. Basta atender a ligação." Eu pedi. Ele bufou e sentou-se enquanto eu transferia a chamada para a sua estação.
Meu celular tocou ao lado do teclado assim que eu coloquei o telefone no gancho. Olhando para a tela, vi que Bella tinha me enviado uma mensagem de texto. Lendo-a, eclodi em um enorme sorriso e sinalizei para Eric que eu iria fazer uma pausa. Ele assentiu enquanto continuava a olhar para a tela do seu computador e acenou despedindo-se de mim.
Correndo pelas escadas porque o elevador demorava muito, eu fui em direção ao nosso "local", que nós tínhamos reivindicado como o lugar que nós deveríamos sempre nos encontrar enquanto estivéssemos trabalhando ao mesmo tempo. Olhando ao redor enquanto secretamente cantarolava minha música tema de espião, que é composta principalmente pela música de 'Missão Impossível', eu deslizei para o armário do zelador e fechei a porta.
Virei-me e fui recebido por um borrão de uma pessoa, que saltou em mim com um grito de alegria. Saboreando seu entusiasmo porque eu me sentia do mesmo jeito, eu caí para trás contra a porta, segurando Bella para mim quando ela agarrou meu rosto e começou a me beijar como se tivesse passado dias desde a última vez que vi nos vimos, ao invés de um par de horas.
Minhas mãos deslizaram para o seu traseiro, suspendendo-a contra mim antes eu fosse capaz de me parar e ela gemeu em minha boca. Virei-nos e pressionei suas costas contra a porta esmagando meu corpo ao dela. Depois de mais beijos energéticos muito necessários, nos separamos, ofegantes.
"Senti sua falta." Bella disse sem fôlego.
"Eu também senti sua falta." Eu respondi com um sorriso brilhante. Nunca deixou de me surpreender que Bella pudesse sentir-se da mesma forma que eu me sentia sobre ela.
Nós fomos de encontro um ao outro novamente e expressamos o quanto sentíamos falta do outro com nossas ações. Porque as palavras não chegariam tão longe.
Eventualmente, nosso ritmo febril desacelerou e ficou mais suave. Eu sabia que precisava parar logo porque a combinação de estar ao lado dela em uma sala fechada com essa elevada tensão sexual zumbindo através do meu corpo só poderia levar ao fracasso certo para cumprir com as restrições que eu tinha colocado em mim.
Eu tinha deixado Bella definir os limites e eu sabia que iria forçá-los em breve, por isso me afastei acariciando as maçãs do rosto de Bella com as pontas dos meus dedos. Ela sorriu docemente e eu observei que seus lábios estavam vermelhos, uma indicação clara do que nós tínhamos acabado de fazer. Tenho certeza de que eu não parecia melhor, já que Bella tinha o hábito de puxar meu cabelo a cada minuto.
Não que eu me importasse.
Eu adorava tê-la puxando meu cabelo.
Inclinei-me para um beijo rápido e depois sorri. "Sente-se melhor?"
"Sim." Ela respondeu, mordendo o lábio. "Você é muito tentador para o seu próprio bem".
Eu caí no riso e balancei a cabeça. "Eu acho que você tem isso invertido".
Bella ficou tensa e girou ao redor na direção da porta, o que me fez tenso também. Eu deixei as minhas mãos caírem, confuso com o que ela estava fazendo, até que ouvi o som distinto de passos abafados no lado de fora no corredor acarpetado. Este era um corredor bastante isolado, razão pela qual era perfeito para os nossos encontros. Portanto, passos abafados significavam problema.
Bella se virou para mim, uma pergunta formando-se em sua boca esfolada, mas já era tarde demais. Eu sabia o que ela ia perguntar e a resposta ocorreu-me imediatamente.
Eu tinha esquecido de trancar a porta.
Minha mente correu para descobrir como nos tirar desta situação.
A maçaneta girou.
Virei-me e peguei qualquer coisa que estava na prateleira acima da minha cabeça assim que a porta começou a abrir.
"Era isso que você queria?" Eu perguntei em voz alta, olhando para trás sobre meu ombro para Bella e desejando que ela entrasse no jogo.
Seus olhos perderam o seu olhar 'cervo nos faróis'*, quando ela pegou-o. "Sim. Três desses, por favor".
*Cervo nos faróis (deer in the headlights): um estado mental de grande excitação causada por ansiedade, medo, pânico, surpresa e/ou confusão, ou abuso de substâncias. A pessoa que experimenta a síndrome do "cervo nos faróis" freqüentemente mostra sinais comportamentais lembrando os de um veado submetido aos faróis de um carro, como abre os olhos amplamente abre os olhos e a falta de reações motoras
Entreguei-lhe três blocos de papel legítimos porque era isso que eu tinha pegado, e ambos nos viramos ao som de alguém limpando a garganta.
Mike estava enquadrado na porta, um olhar confuso em sua cara quando ele pegou nossas aparências.
"Edward. Bella. O que está acontecendo aqui?" Ele perguntou com firmeza, os olhos brilhando.
"Ei, Mike. Edward estava apenas me ajudando a conseguir algumas provisões que eu não podia alcançar." Bella mentiu.
"Bem." Eu exclamei antes que Mike pudesse dizer alguma coisa. "Acho melhor eu voltar. Meu intervalo está quase acabando".
"Tudo bem. Obrigada, Edward." Bella disse, continuando a nossa falcatrua.
"Sem problemas, Bella." Eu passei perto de Mike e saí para o corredor. Bella me seguiu enquanto Mike ficava na porta como se não pudesse acreditar no que tinha acabado de acontecer.
Coitado.
Esperemos que ele se distraia com algo brilhante em breve.
Voltei para o calabouço depois de um olhar de despedida de Bella, tentando alisar meu cabelo para baixo ao longo do caminho. Eu parei na mesa de Pepe e perguntei, "O que aquela pessoa queria?"
Ele olhou para cima e arregalou os olhos quando me viu. Eu acho que eu parecia pior do que eu pensava.
"O que falava espanhol?" Ele perguntou.
"Sim".
"Não foi nada. Apenas um erro pebcak*".
*PEBCAK (Problem Exists Between Chair And Keyboard): um problema entre a cadeira e o teclado (expressão usada pelo pessoal de apoio técnico quando eles acreditam que o problema no programa é causado pelo próprio usuário).
"Oh." Eu respondi com um sorriso. "Obrigado por fazer isso".
"No es nada." Pepe disse.
Eu não tinha idéia do que aquilo significava, mas ele não parecia tão ameaçador então eu concordei e voltei para minha estação. Sentando, eu olhei para Eric, que estava olhando para mim com o maior sorriso de comedor de merda que eu tinha visto em um tempo.
"O quê?" Eu suspirei.
"Como está Bella?"
Como ele sabia?
Eu dei a ele um olhar confuso e ele revirou os olhos.
"Por favor. Você só volta dos intervalos parecendo que um aspirador de pó passou pelo seu cabelo nos dias que você recebe uma mensagem de texto." Ele explicou. "Eu não sou um idiota".
Eu sorri, sentindo-me realmente viril e orgulhoso com o fato de que eu tinha uma garota como Bella, mas eu não era aquele de beijar e contar, então eu olhei para a tela de meu computador. "Eu não sei do que você está falando".
"Sim... claro que não." Ele respondeu sarcasticamente. Após uma breve pausa, acrescentou, "A propósito, eu ganhei".
"O quê?" Eu mudei para a minha tela do MTGO e imediatamente avaliei a situação. "Você trapaceou!" Eu berrei enquanto Eric ria e atirou-se para fora da cadeira, fugindo de mim. Eu pulei atrás dele e circulamos a sala algumas vezes, os outros caras torcendo por nós.
Apenas mais um dia no calabouço...
N.T.: Essa é a primeira cena extra da fic, semana que vem será um cap. "normal"... Obrigada à D por betar esse cap.! Espero que tenham gostado! Continuem deixando reviews! Bjs... Ju
