"Já a achou?" foi a única pergunta que Deméter fez ao ver Zeus pela próxima vez, para cobrar sua promessa. O deus apenas entregou o lenço das moiras para ela. "Está fora do meu alcance, Deméter."

A deusa encheu os pulmões de ar, pronta para libertar todo o seu ódio em um grito fulminante, mas Zeus já estava fazendo um pequeno buraco no chão do Olimpo e se debruçando sobre ele. Deméter então o seguiu, curiosa.

"Veja", ele disse, consolando-a e a si mesmo. "Ela está feliz." Deméter de início resistiu, mas em seguida deixou que o sorriso desabrochasse em seu rosto.

"É... ela está" concorda. Então olha para Zeus. "Isso não tira sua culpa, Zeus. Terá de fazer três coisas, e sabe disso" continua. "Terá de olhar por eles, transformá-los em heróis e mantê-la junto dele." A deusa levanta-se e, já nos portões do Olimpo, vira-se para Zeus uma última vez. "Cuide bem da minha menina."

Zeus deu um suspiro ao vê-la sair e sentou-se em seu trono. Com a ajuda do destino, cuidaria daquela garota com toda sua vontade.


- Malfoy! – A ruiva chamou-o nos jardins, cinco meses depois da última vez em que tinham se falado, já no início do último ano escolar do rapaz. Draco não sorriu. Tinha o rosto fechado dos desesperançosos, dos que já sofreram o suficiente para que a dor contaminasse sua alma.

– Eu estou te desafiando. Quem pegar o pomo primeiro vence. Eu e você no campo de quadribol às três da tarde. – Ela continuava falando, tirando-o de seus pensamentos profundos e sombrios, de seu mundo cheio de trevas agora que fora obrigado pelo pai a servir ao Lorde. Havia um fogo dentro dela que o fez sorrir inconscientemente de toda aquela animação, de toda aquela inocência.

Ficou de pé e andou até ela, vendo-a estremecer e morder o lábio inferior. Sentiu o peito inflar ao vê-la fazendo aquilo e soltou uma risada. Ergueu uma mão e bagunçou os cabelos da ruiva com um tipo de carinho desperto por aquela pureza.

- Não pode mais ficar perto de mim – Ele diz simplesmente. Os olhos dela se abrem mais.

- Eu posso sim. – Tentou corrigi-lo, sem eficácia.

- Não, não pode – Draco dá de ombros. – Sei que esperou até seu irmão desistir do colégio com o Cicatriz para fazer isso, e eu esperei também. Eu esperei, mas já não posso – Dá um suspiro. – Você deve ficar com os seus. Não pertence ao meu lado.

Gina socou o peito dele com raiva. Ele não reagiu. Tivera tempo o suficiente com o Lorde para se acostumar com a dor, e tinha o corpo forte o suficiente agora, por ter passado as férias carregando corpos sem vida das masmorras até a vala atrás da sua própria mansão, agora usada como covil de Voldemort.

- Eu sou a morte, Weasley – Ele diz, segurando os pulsos dela com mãos suaves. Ela cheirava tão bem.

- Eu estou meio morta, sem você – A garota responde, arrancando uma risada curta dele.

Draco dá um beijo rápido no rosto dela, que fecha os olhos, contendo as lágrimas. Aquele era um adeus.

- Você vai ficar bem viva – O rapaz garante. – É tudo que resta da minha paz.

Gina deixou-se sentar, os joelhos fracos, ao ver-se sozinha. O coração doído como se milhares de formigas o tivessem mordido, uma dor aguda que não parecia ser possível de ignorar. Mas era forte, e ele observou-a se erguer a cada dia com orgulho da menina, até que ela não o viu mais no Salão Principal e soube.

Soube que o veria novamente, mas que estariam em polos opostos. Soube, finalmente, o que significava a última frase que ele lhe dissera antes de ir embora. Soube que ele não deixaria ninguém mais entrega-lo à paz eterna além dela mesma.