"Você me perdoa?", Zeus perguntou ao irmão. Hades cerrou os punhos, já de volta à sua forma divina. "Se você der um jeito de trazê-la para mim viva, sim." Hades respondeu.
Era tudo que importava para aquele imortal. Ficar com Perséfone que, pelas mãos do destino e por vontade própria, pertencia a ele – coisa que Zeus e Deméter não tinham percebido até vê-la ao lado dele como humana. Ela apaixonara-se por ele duas vezes. Não uma, e sim duas.
O destino só tinha que ser bom com ele mais uma vez, pois como Zeus, Hades não podia simplesmente trazê-la de volta à imortalidade, ou quebrar qualquer regra que o universo tivesse imposto a eles centenas de milênios atrás. Ela tinha que se tornar heroína e, no sacrifício final, assim como ele, tornar-se-ia divina.
Tudo isso com apenas mais um toque do destino. Ou, dele mesmo.
Hermione estava grávida. Não que Gina estivesse mal com isso – estava contente, na verdade, vendo a amiga brilhar com um barrigão ao lado de Rony. Só era estranho ver aquela felicidade quando ela, oito meses depois de matar Draco Malfoy, ainda não se sentia alegre daquela forma.
Parabenizou o casal e foi para perto da mesa posta no jardim d'A Toca, pegando uma xícara de ponche. Mesmo com o dinheiro que Harry agora trazia para a casa deles, trabalhando no Ministério e morando ali – o menino-que-sobreviveu devia ter medo de morar sozinho, Gina pensava com ironia – eles ainda mantinham aqueles hábitos e aquela casa da forma original, com alguns consertos, por puro sentimentalismo.
Sua atenção voltou para a mesa principal novamente, onde Hermione estava branca, então roxa, e então com uma sombra negra estranha em cada uma das cavidades do corpo. Aproximou-se rapidamente, afastando todos dela.
- NÃO TOQUEM NELA! – Gritou – SE AFASTEM! – Repetiu ao ver que ninguém a tinha ouvido realmente. Molly olhou para a filha, aparvalhada.
- Mas minha filha...
- É a maldição de Cérbero – Explicou, lembrando-se do trabalho que tivera que fazer para Binns como detenção no colégio – Não toquem nela. Hermione, pode aparatar no Saint Mungus? – Perguntou sob o olhar assustado e a respiração suspensa de todos.
A morena assentiu com a cabeça rapidamente, os olhos arregalados, parecendo sentir-se muito mal. A barriga dela começou a murchar, coisa que Gina temia.
- Ótimo. Aparate lá, eles saberão o que você tem. – Virou-se para a família – Vocês podem ir junto, mas não podem tocá-la. Essa maldição está nela e temos tempo para retirá-la, mas se alguém tocar na Hermione, ela, o bebê e quem a tocar, morrem.
- Que maldição é essa, Gina? – Harry pergunta em tom ameno apesar da própria preocupação, tentando não alarmar Rony ainda mais.
- A maldição do cão dos infernos, criada na Grécia antiga, faz murchar a vida de quem for mordido por ele. Em quatro dias a pessoa deve morrer, a não ser que... – Pensativa, mordeu o lábio inferior.
- A não ser que...? – Rony adianta-se, nervoso.
- Ela tem uma ferida em algum lugar, mamãe. Vocês têm que acha-la e estancar o sangue o mais rápido o possível, no hospital. Não doerá – Gina disse e olhou para a família com determinação.
- Aonde você vai? O que vai fazer? – Rony insiste, desesperado, a voz esganiçada.
- Eu vou com você – Harry se adianta, mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, Gina apenas sorriu e aparatou.
Molly, Arthur e Rony aparataram com Hermione no hospital. Harry foi para o Ministério, tentando pesquisar sobre o que Gina falava; saber o que ela faria e, talvez, impedi-la.
