Deméter então olhou para o deus. "Você está pronto, Hades?" Perguntou, mesmo sabendo ser em vão.
Hades negou com a cabeça mais uma vez. "Estou e não estou" Respondeu.
"Vai funcionar" A deusa garantiu-lhe. "Conheço minha filha. Sempre justa e introspectiva. Achará o caminho até você novamente."
Hades quase sorriu com a tentativa de consolo. "Achei que me odiava por roubar sua filha de você", ele comentou. Deméter levantou-se da cadeira onde se sentava.
"Ela te ama. Eu não posso te odiar, sou mãe dela" A deusa caminhou até a porta dos aposentos. Mudou de ideia e voltou-se para Hades novamente. "Cuide bem dela".
Com um aceno de cabeça que significava uma promessa, Hades tranquilizou a deusa, que o deixou ali, esperando por Perséfone.
Gina subiu nos rochedos, satisfeita. Tinha despistado Harry nas ruas vertiginosas da Grécia e conseguira o último barco para aquela ilha de pedra, onde, dizia a lenda, Poseidon teria fechado e protegido o portão do inferno com seus mares e banido Hades daquele mundo para sempre.
Caminhou pelas pedras, que faziam eco de suas botas, e achou a fenda nas rochas por onde se abria um caminho, que logo era coberto com pedras, o que formava uma estranha caverna. Caminhando devagar, começou a sentir-se estranha, enregelada. Tentou usar a varinha, sem nenhum sucesso. Sua magia não funcionava ali.
Quando já estava fundo demais para voltar, começou a ouvir vozes e sentir frio, coisa que ignorou mesmo sentindo o coração gelado de medo. Não enxergava um palmo a frente da mão, emersa no breu da caverna. Devia ter descido muito, pois não via mais luz quando se virava para trás, tentando olhar caminho de volta.
Respirou fundo, reunindo toda coragem que conseguia, e continuou a caminhar. Mais alguns metros a frente e acabou chutando um cascalho sem querer, o barulho bagunçando seus pensamentos, de tão alto. Talvez porque estivesse acostumada com o silêncio, Gina não sabia dizer, mas sabia que a pedra tinha batido em algo à sua frente e voltado para ela, o que dizia a ela que a caverna terminava ali em um paredão de pedra, como a própria lenda descrevia.
Prendeu a respiração, então, ao sentir algo bafejar no seu ombro. Dois bafejos se uniram ao primeiro e Gina soube.
- Cérbero – Ela disse, fazendo o que a lenda dizia que devia. Primeiro devia chama-lo, e depois devia recitar aquelas palavras… quais eram mesmo as palavras?
Engoliu em seco e gelou, ouvindo três rosnados simultâneos. Seus pés não conseguiam e nem queriam correr. Ela sempre soubera que era pior correr, ainda mais de um cão enorme de três cabeças. Mesmo assim, tinha esquecido as falas, tinha esquecido tudo e não sabia o que fazer. Iria morrer ali. Começou a tremer e a sua frio, engoliu em seco várias vezes, parada como um poste, controlando todos os músculos que podia. Só pedia para não morrer antes de salvar Hermione.
O cão, para sua surpresa, afastou-se dela, ela pôde ouvir as unhas estalando contra a pedra. Em seguida, ouviu um barulho quase ensurdecedor no meio daquele silêncio. O paredão de pedra à sua frente se movia. Enxergou, finalmente, uma luz azul bruxuleante à sua frente, que a guiava para uma escada caracol estreita, de degraus de pedra irregulares.
Gina viu a silhueta do cão gigante logo ao lado da "porta", e decidiu que não devia prestar atenção naquilo ou seu medo iria para níveis incontroláveis.
Respirou fundo e deu um passo a frente, descendo por si própria as escadas para o inferno.
