Poseidon deixou que Deméter se sentasse a sua mesa, sorrindo quase que a contragosto. Ninguém conseguia não gostar daquela deusa, por mais que quisesse.

"Ela já está lá?" ele perguntou, mesmo que não quisesse saber realmente qualquer coisa sobre aquilo. Estava apenas desconfortável com a ideia de tirar seus mares daquela caverna e deixar o caminho dos mortais até o submundo abertos daquela forma.

Deméter apenas suspira e assente com a cabeça. "Agradeço seu favor, Poseidon", ela diz tranquila. Poseidon deu um sorrisinho.

"Prefiro a gratidão de Zeus," diz zombeteiro, referindo-se a todo ouro que o deus dos deuses do Olimpo teve que dar a ele em pagamento àquele "favor".

Deméter riu também. "Que seja.… fazemos qualquer coisa por nossos filhos, de qualquer forma. Por isso não julgo os humanos por seus erros. Nós, do Olimpo, erramos muito também." a deusa da fertilidade declara em um desabafo e começa a comer o peixe do qual Poseidon desfrutava também.

O deus bebeu vinho, pensando que talvez ela tivesse razão, e os humanos não fossem tão patéticos assim.


Gina olhou aquela sala, perplexa. Um grande salão de pedra com uma espécie de banheira sem fundo do lado, que brilhava por conta das almas imersas ali. Um buraco arredondado na parede do outro lado, que ela desconfiava ser uma porta, dando para aposentos nos quais ela podia enxergar móveis e uma cama. O lugar era bem iluminado com tochas que bruxuleavam algo azul.

A ruiva esgueirou-se para frente, tentando lembrar-se do que devia procurar. Era uma estatueta dourada com um buraco embaixo, onde qualquer água se tornaria a cura para a maldição que acometia Hermione.

- Procurando por isso? – Gina quase deu um grito ao ouvir a voz atrás de si, apenas pelo susto. Virou-se devagar, observando a figura maior que ela e maior que um ser humano normal. Era um tipo de ser de pele cinza, olheiras tão negras quanto o próprio manto que vestia, e cabelos em um fogo azul bruxuleante, absurdamente sobrenatural.

Nas mãos dele estava a estátua dourada, que mais parecia um cálice, com as patas de Cérbero como seu apoio. Gina engoliu em seco.

- É seu. Pegue – A figura, que ela identificou como Hades, deus do submundo, jogou a estátua de ouro maciço para ela, que pegou com dificuldade por conta do susto. – Tudo que eu quero é que você volte aqui em três dias. Pode ir agora. – Ele disse e virou-se de costas, contornando o corpo dela para seguir até os aposentos que ela percebeu agora, eram correspondentes a um dormitório.

- Por que está fazendo isso? – Ela perguntou, mesmo sabendo que não devia, mesmo sabendo que devia correr dali e não pensar em mais nada daquilo. Aquele era o cálice, era de ouro maciço, não tinha porque desconfiar – e Hermione estava morrendo.

Hades não pareceu irritar-se com a pergunta dela. Por outro lado, deu um meio sorriso, que ela pôde sentir que estava lá mesmo que ele estivesse de costas.

- Porque você é minha – É tudo que ele diz. Gina arrepia-se, a imagem de Draco lhe vindo nítida na cabeça. – Agora vá, antes que Poseidon feche os portões e você não possa mais sair.

A garota não questionou mais. Subiu correndo pelas escadas e voltou para o barco que alugara, vendo, ao chegar na costa, que o mar realmente engolira a parte da ilha onde ela estivera. Não era hora de pensar, entretanto. Segurou o cálice firmemente nas mãos e aparatou no St. Mungus.