Disclaimer: Alguns dos personagens encontrados nessa estória não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Contudo, a trama me pertence.
PLÁGIO É CRIME!
Bruges
Capítulo II
Sasuke suspirou aliviado assim que pôs seus pés para fora do avião e se sentia livre daquele ambiente tão cheio de pessoas. Uma das coisas que com certeza mais o deixava irritado eram ambientes cheios (apesar do avião ao menos ser silencioso), ainda mais um em que quase todos não tiravam os olhos dele.
Segundo sua mãe, já deveria está acostumado, mas era praticamente impossível se acostumar com o fato de ter dezenas de pessoas o observando o tempo todo, aonde quer que ele fosse. Era ainda pior quando resolviam elogiá-lo em alto e bom som declarando o quanto ele era bonito. Como se não soubesse disso. Era irritante. Todos o encaravam, se sentia como uma peça em exposição.
Esse com certeza era um dos motivos por não gostar de sair ou não ir naquelas festas ridículas a que Naruto o convidava. Além de haver pessoas demais, elas pareciam chegar sempre a um consenso mútuo de que queriam ele. E pior que ter que dispensar todas elas, era as brigas que era obrigado a presenciar entre aqueles mais possessivos que discutiam entre si o direito de ir conversar com ele. Era uma situação lastimável, sem contar constrangedora. Impossível de acostumar.
Mas apesar disso, conseguia se controlar melhor do que na adolescência, que fora um período em que se metera em várias brigas e discussões com pessoas que insistiam em persegui-lo por todo o canto. Hoje apenas ignorava.
Entretanto, sentiu-se tentado a um regresso quando o ser mais vulgar que já teve o desprazer de conhecer sentou-se na poltrona do seu lado. O ser, que depois de segundos descobriu que se chamava Karin, não parou um minuto de atormentá-lo e falar em uma velocidade que poderia ser considerada crime.
Tentou até mesmo pegar um livro para ler, esperando que ela tivesse o mínimo de bom senso e se calasse, mas tudo indicava que tanta tinta vermelha tinha corroído os neurônios da ruiva. Ou ela era muito burra ou muito cara de pau.
Até se permitiu um sorriso quando o comissário de bordo autorizou todos a saírem de suas poltronas e se retirarem do avião, se levantando o mais rápido possível. Contudo tendo seu movimento impedido quando a ruiva cruzou as pernas desnudas e fechou a passagem. Por Deus!, aquela mulher não estava com frio?
A garota ainda teve o disparate de passar a mão na sua perna e colocar um papel no seu bolso, dando uma risadinha que ela deveria considerar sexy (mas que o lembrava muito o miado do gato da sua vizinha) e dizendo que poderia ligar quando sentisse saudade.
Ficou tão atônito com a ousadia da garota que nem deu-se ao trabalho de entrar numa discussão com a mesma, saindo desesperadamente rápido quando a ruiva desbloqueou sua passagem.
Alguém deveria odiá-lo muito em algum canto do universo, porque sinceramente, aquilo só deveria ser praga, era o que pensava enquanto se encaminhava para a estação de trem.
A mansão Uchiha se localizava, obviamente, em um dos bairros mais nobres e bem conceituados de Londres, ocupando uma significativa quantidade de metros quadrados e com espaçosos jardins a cercando, assim como um imponente muro que lembrava vagamente a fortaleza de um castelo.
A mansão estava há anos na família, sendo passada sempre de geração em geração para o filho mais velho, como uma tradição. Tradição essa, contudo, que havia sido quebrada pelos atuais residentes da habitação.
Quando o filho mais velho dos Uchihas se recusou a ficar com a casa para si, alegando que seria mais prático morar em um apartamento no centro da cidade, onde teria mais fácil acesso à empresa, a casa foi deixada para o filho do meio, Fugaku Uchiha.
Fugaku, que desde sempre almejou o cargo de sucessor do império Uchiha, não fez objeções ao aceitar de bom grado o lugar. Para ele, seu irmão não passava de um tolo ignorante que não sabia o real valor das coisas.
Então, assim que seu irmão saiu de casa, após se casar, e tão logo chegou sua própria vez, se apossou em definitivo da residência com sua esposa, ainda que a contragosto dos pais, que não eram sutis em esconder que não achavam o filho digno de merecer o lugar.
Os velhos Homura e Koharu nunca fizeram questão de disfarçar o seu grande desgosto em relação ao filho do meio, que nas próprias palavras destes, tinha pouco talento para os negócios.
Fugaku, por outro lado, se esforçava ao máximo para adquirir a confiança dos pais e um lugar de maior destaque na empresa, não importava o que tivesse que fazer para tal. Entretanto, na maioria das vezes, sempre sendo encoberto pelos grandes feitos e acordos que seu irmão mais velho conseguir fazer sem o menor esforço.
Tudo isso somado ao orgulho ferido e as palavras ácidas dos pais, fazia com que o ambiente da casa se tornasse frio e carregado de raiva e ressentimento. As pesadas e lustrosas paredes da mansão cercavam pessoas amargas e ambiciosas, nada mais que isso.
Havia alguém que escapava a regra, no entanto, que passava a maior parte do tempo em uma parte menos habitada da casa, onde poucas pessoas circulavam, no meio de um quarto pequeno e com certeza menos limpo que todos os outros quartos da casa. Não havia muitos objetos ou móveis no quarto, apenas uma lareira em uma das paredes, uma janela que era coberta pela sombra de uma árvore que tinha seus galhos quase dentro do pequeno cômodo, uma pequena mesa em um dos cantos e dezenas de quadros apoiados em cada centímetro de parede.
No meio de todo esse curioso ambiente, se encontrava sentada no meio uma mulher com praticamente cinquenta por cento do corpo coberto de tinta e com roupas com aparência desgastada e desbotada.
Vestia uma calça jeans simples, que deveria ser um tamanho maior que o seu e uma blusa fina de alcinha preta, também um pouco maior que seu pequeno porte requeria.
Seus cabelos negros estavam presos frouxamente em um rabo de cavalo baixo, e algumas fivelas prendiam sua franja, impedindo que a mesma caísse em seus olhos incrivelmente negros.
Mesmo que há muito já tivesse passado dos 35 anos de idade, era exatamente essa a impressão que seu rosto bonito e jovial passava, dando-a uma beleza que transparecia sabedoria e perspicácia.
A mulher em questão estava sentada no chão com inúmeras latas de tinta ao seu redor, com uma infinidade de pinceis espalhados por todo canto, e uma tela repousada a sua frente, onde se podia observar a figura de um ser celestial com asas, numa mistura perfeita de tinta preta, azul, cinza e branca.
As pinceladas no quadro que davam forma ao desenho eram precisas e demonstrava prática, digna de um artista profissional, e pareciam ser feitas com o máximo de concentração e cuidado.
Mas concentração era algo que Mikoto Uchiha com certeza não tinha no momento. Apesar de nada em sua obra demonstrar tal falta de atenção, seus pensamentos de modo algum se encontravam no trabalho em questão, e em seus olhos era nítida uma leve nota de preocupação e contrariedade.
Desde a visita do seu filho na noite anterior, que viera avisar de sua repentina viagem, não conseguiu evitar que seus pensamentos levassem-na por caminhos tortuosos e escuros.
Mesmo sabendo que Sasuke já não era mais uma criança e que sabia se cuidar, nada lhe tirava aquela sensação de que algo daria errado, o que só se confirmou quando o mais novo a informou para onde viajaria.
Bélgica.
E o pior de tudo, era que sua verdadeira fonte de estresse nem era essa – o que a fazia se sentir egoísta –, mas sim lembranças há anos enterradas e que voltavam para assombrá-la, mesmo depois de tanto tempo.
Tinha grandes motivos por detestar aquele lugar, e esse era o último lugar em que gostaria de ter seu filho perambulando.
Entretanto, mais uma vez, contrariando a si mesma, não pode deixar de ficar imensamente feliz pelo filho. Apesar de fingir não notar e muito menos ousar comentar, não passou despercebido por ela o alívio no semblante do Uchiha mais novo, que ela tinha certeza que estava assim devido à perspectiva de esquecer um pouco seu futuro noivado.
Ela não podia culpá-lo exatamente, sabia perfeitamente como ele se sentia, e somando isso ao fato de que mesmo que indiretamente era a causadora da aflição de Sasuke, seu coração se apertava de uma forma que só uma mãe entenderia.
Não era nada reconfortante ter que dissimular que estava animada com a ideia de forçar seu filho a um casamento com uma desconhecida, muito menos não poder fazer nada para contornar tal situação.
Mas, olhando de outro ângulo, ela com certeza não estava em uma posição diferente da que Sasuke estava no momento. Também era obrigada a fazer tudo conforme a vontade de seu marido, e ainda tinha que soar convincente.
Quando, há dois anos, Fugaku tinha anunciado que escolhera uma esposa para Sasuke, fizera de tudo para convencer seu marido a mudar de ideia, mas como sempre — ela já deveria está acostumada —, ele não lhe dera ouvidos. O máximo que conseguiu foi tempo, alegando que Sasuke ainda era muito novo para casar-se, e parecendo concordar com isso, Fugaku decidiu que não custava esperar.
Mas parece que a paciência do patriarca da família tinha acabado, e decidindo que Sasuke deveria cumprir seu papel naquela família, sem consultá-la, marcou um jantar formal para a oficialização do noivado.
E por esse motivo, entrara em uma discussão feia com o marido, em que tinha certeza que pela altura que atingira suas vozes, tinha sido presenciada por todos os empregados da casa. Não que ela se importasse, é claro. Há anos cansara de fingir que seu casamento era feliz e estável.
A discussão, no fim das contas, não adiantou em nada – não que já não soubesse.
E para piorar, ainda foi designada para dar a notícia ao filho.
Ainda lembrava-se do tempo em que ficara em frente ao apartamento do filho hesitando, pensando seriamente em dar meia volta e falar para Fugaku que o mesmo não se encontrava em casa.
Mas por fim decidiu que não adiantava em nada adiar o momento, cedo ou tarde ele saberia mesmo. E na esperança de que não deixaria o filho numa situação ainda pior, resolveu que fingiria que estava feliz com a notícia, para que o mesmo não tivesse que sustentar também sua tristeza.
E assim o fez, mesmo que a cada palavra que pronunciava e via o choque estampado no rosto de Sasuke, seus olhos brilhassem com lágrimas que queriam ser derramadas. Ainda assim, não o permitindo, sustentando até o final seu melhor sorriso falso e, sem esperar resposta por parte do mais novo, saiu às pressas do apartamento, sob o pretexto de que precisava começar a arrumar os preparativos para o noivado.
Na volta para casa, em que dispensara o motorista particular e foi a pé, pensara seriamente em voltar e...
E nada. Não sabia o que podia fazer.
Fugaku estava irredutível em sua decisão, e ela não poderia fazer nada a respeito.
Pensou em apelar para o inexistente lado sentimental do marido, mas o mesmo estava convencido de que era o melhor a ser feito, que Sasuke deveria finalmente assumir com suas responsabilidades.
Suspirou.
O relacionamento de Sasuke e seu progenitor nunca havia sido dos melhores — apesar de saber que Sasuke sempre tentara na medida do possível agradar ao pai —, e quando o Uchiha menor decidira que não iria fazer a faculdade de direito que seu pai almejava para ele, mas sim letras, tudo explodiu como um enorme iceberg colidindo com uma bomba nuclear.
Foi o estopim para que o filho saísse de casa e fosse morar com seu tio mais novo, Izuna, que também não era o mais querido por Fugaku.
Izuna, assim como Sasuke, tinha decidido que não seguiria o ramo de negócios da família, e sendo o mais novo dos três irmãos Uchiha, não tendo tanta responsabilidade como os dois primeiros, decidiu abrir seu próprio negócio.
E a raiva e ressentimento de Fugaku só aumentaram quando percebeu o enorme sucesso que a editora de seu irmão caçula conquistara. Depois de poucos anos, já era a melhor e maior de Londres.
Tinha a impressão de que lá no fundo, dentro de uma caixa secreta de pandora, Fugaku tinha inveja de seu irmão menor ter conseguido realizar seu sonho e ser bem sucedido.
Ressentimento esse que só aumentou quando descobriu que com a ajuda do tio, Sasuke conseguira uma bolsa de estudos integral da Universidade de Cambridge.
Depois de entrar na faculdade, Sasuke conheceu Naruto, e estranhamente os dois viraram amigos, sendo que depois de um tempo, alugaram um pequeno apartamento perto da faculdade.
Os dois tinham morado juntos por dois anos, quando no último ano da faculdade Naruto conhecera Hinata, com quem hoje morava junto e de quem estava noivo.
Depois de se formar e assumir um emprego formal na empresa de Izuna – pois desde que tinha saído de casa Sasuke estagiava na editora –, Sasuke comprou seu próprio apartamento (aceitando parte do dinheiro como presente de aniversário da sua mãe, pois não a via realmente como parte da família Uchiha).
Desde então vivia afastado da família, o que só irritava ainda mais Fugaku, que apesar de tudo, sabia em seu ínfimo que seu filho era, assim como o irmão, muito bem sucedido.
Todavia, parece que o mesmo cansara de ter suas vontades questionadas e estava usando de sua autoridade como pai para pressionar o filho, sabendo que Sasuke veria nisso uma oportunidade de se redimir pelo desacato de sair de casa.
E sabendo que era exatamente assim que a mente do seu filho funcionava, Mikoto se desesperava cada vez mais, temendo que seu filho tivesse uma vida tão triste como a dela mesma.
Porém, não vendo uma luz no fim do túnel, para ela, só restava pintar.
Assim que desceu do trem que o havia levado de Bruxelas até a pequena cidade de Bruges, Sasuke ficou momentaneamente decepcionado ao notar que a estação de trem era quase tão lotada quanto à de Londres, apesar de ser consideravelmente menor. Imaginou que por ser uma cidade pequena não haveria tanto movimento de pessoas, mas ao dar uma olhada ao redor, percebeu que grande parte parecia turista.
Se desviando habilmente de todos que passavam por ele, e chegando a conclusão mental que odiava viagens, e já se arrependendo de aceitar aquela proposta maluca de Naruto, Sasuke se encaminhava na direção em que um homem apontava ser o ponto de Táxi. Sua maior vontade no momento era ir o mais rápido possível para um hotel, a fim de dormir — pois ficara arrumando seus pertences até tarde e ainda tinha demorado mais que o previsto na sua pequena visita a sua mãe — e quem sabe comer algo, acrescentou mentalmente ao sentir sua barriga se contrair com a ausência de comida; o lanche servido no avião há horas já digerido.
Assim que avistou o que parecia ser a fila do táxi — que por sorte não estava longa -, tratou de se encaminhar até ela arrastando pelo chão sua mala, no entanto sendo impedido quando sentiu uma mão no seu ombro o puxando pra trás, fazendo-o parar.
— Você tem que vir comigo. — uma voz estranhamente alegre se pronunciou.
O primeiro pensamento que veio a mente de Sasuke era que ele estava sendo sequestrado. O segundo era o de desgosto por está sendo tocado por um estranho.
Uma fração de segundos depois, o Uchiha estava pronto para desferir um golpe certeiro no ousado individuo que tivera a coragem de importuná-lo, e teria conseguido, se o mesmo não tivesse mudado de posição no momento em que Sasuke se preparava para virar, estando agora de frente para Sasuke.
'Como ele conseguiu ser tão rápido?' pensou Sasuke estupefato enquanto observava a figura estranha diante de si.
Era um homem que aparentava ser uns poucos anos mais velho que ele, com a pele clara, olhos escuros e cabelo preto e curto, muito parecidos com os do próprio Uchiha até. Vestia uma calça azul escura e um moletom preto onde estava escrito "Eu sou um bom garoto", que contrastava perfeitamente com o sorriso ridicularmente feliz que o mesmo portava.
Não era o tipo de sorriso radiante que Naruto costumava dar, mas sim o que uma criança em um parque de diversões teria. E levando em consideração a idade do homem a sua frente, chegava a ser bizarro.
—Você tem que vir comigo. — repetiu o homem enfaticamente e não deixando de sorrir.
Estranhava como os músculos faciais dele ainda não tivessem entrado em colapso.
— Quem diabos é você? — perguntou Sasuke após se recuperar do choque inicial. —E por que eu teria que acompanhá-lo a algum lugar? —completou enquanto retirava bruscamente a mão do homem de seu ombro, que tampouco mudou sua expressão facial pelo gesto repentino.
— Oh, porque essa é a missão de Tobi. — respondeu o homem simplesmente, fazendo Sasuke erguer uma sobrancelha e começar a levantar a possibilidade de que talvez o sujeito fosse algum louco que tinha fugido do hospício, porque claramente aquilo não era um sequestro. Um sequestrador não seria tão idiota.
Ou talvez fosse exatamente essa a questão. Estavam fazendo isso apenas para confundi-lo. E ele tinha dito que era a missão de um tal de Tobi, certo?
— Olha só, você deve tá me confundindo, eu nem conheço você. —respondeu Sasuke enquanto andava para o lado a fim de desviar do estranho e continuar seu caminho, mas não tendo sucesso ao ser seguido de perto pelo garoto felicidade.
— Oh, mas Tobi conhece você. — respondeu o homem simplesmente. —Você é Sasuke Uchiha, não?
Sasuke estancou no momento em que seu nome fora pronunciado, fazendo com que virasse de frente para o homem ao seu lado.
— Como sabe meu nome? — perguntou Sasuke muito desconfiado e com uma sobrancelha erguida. — Como me conhece?
— Itachi disse para Tobi seu nome. — disse simplesmente. — E seu rosto está na foto. — terminou enquanto retirava seu celular do bolso e mostrava uma foto de Sasuke, que provavelmente tinha sido tirada em alguma festa da empresa, visto que estava de terno.
Agora Sasuke estava quase completamente convencido de que aquilo era sim um sequestro. Por que outro motivo aquele homem saberia seu nome ou teria uma foto sua? E para completar, acrescentava mais nomes desconhecidos para Sasuke.
Pensou que talvez fosse algum sócio de seu pai que tinha ido à falência e que agora tentava raptá-lo a fim de conseguir algum dinheiro em troca. Se fosse isso, achou que deveria avisar pro sujeito que seu pai provavelmente não cederia um centavo pela sua vida.
— Por que você tem uma foto minha? – perguntou Sasuke realmente irritado e se afastando pra um canto menos movimentado da plataforma de desembarque, visto de estavam parados no meio de todo o movimento de pessoas, e com o estranho em seu encalço. — E quem é Itachi? — completou enquanto soltava a alça de sua mala e cruzava os braços. Aquilo realmente estava sendo uma chatice, mas não podia evitar a curiosidade.
Para um sequestrador, o homem a sua frente era bem comunicativo.
— Já falei, Itachi me deu a foto, para que eu viesse buscá-lo. — falou. —Você não conhece Itachi? — perguntou o moreno mais velho desfazendo o sorriso e aparentando está realmente confuso. — Mas Tobi achou que Sasuke estava aqui para ajudar Itachi.
— Para ajudar? — questionou Sasuke recebendo um aceno de cabeça do mais velho. — E como eu poderia ajudar esse cara?
— Ora, você é o editor que veio para ajudar o Itachi, certo? — perguntou em dúvida, mas fazendo com que a compreensão finalmente atingisse Sasuke, fazendo-o suspirar.
— Você quer dizer o escritor Van Hart? — perguntou Sasuke recebendo novamente um aceno de confirmação da parte do estranho, que agora Sasuke entendeu ser Tobi. — E ele pediu pra você me encontrar aqui?
—Oh, sim! — respondeu Tobi entusiasticamente. — Itachi pediu para eu levá-lo até sua casa, para que você possa ajudá-lo.
Oh, isso era inesperado. Não sabia que teria que tão cedo se encontrar com o escritor, e muito menos que ele mandaria alguém para buscá-lo na estação.
E isso tudo era meio estranho, pois não havia sido avisado do fato, o que fazia que não descartasse a ideia de sequestro. Mas sinceramente, já estava muito cansado para discutir.
Parece que os planos de descanso e de uma bela refeição vão ter que ficar para depois, pensou frustrado.
— Muito bem, me leve até lá então. — disse resignado, afinal, aquele era seu trabalho, não custava nada adiantá-lo um pouquinho.
Itachi estava sentado em sua mesa no escritório, folheando casualmente um livro que havia sido dado de presente por algum fã.
Era até interessante e original a ideia da história, mas o autor, em sua opinião, falhara miseravelmente em conseguir prender o leitor para que chegasse até a última página.
Apesar de ser escritor, um dos seus passa tempos favoritos era fazer críticas literárias sobre novos livros em ascensão. Criara um site exclusivamente para isso, apesar de usar um pseudônimo para a conta.
Tinha centenas de seguidores, o site era visitado milhares de vezes, e suas colunas eram sempre comentadas pela internet e sua opinião, com o tempo, passou a ser mencionada inclusive em revistas importantes. Já perdera a conta de quantas vezes tinham tentado entrar em contato consigo para que ele pudesse dar uma entrevista ou para que trabalhasse para eles.
Nunca respondia às propostas, e nem podia. Não gostaria de ter ninguém invadindo seu espaço pessoal e seu hobbe. Pois era aquilo que representava para ele: um hobbe. E tinha certeza que se descobrissem sua identidade, seria ainda mais pressionado pela mídia a aparecer.
Para um autor, com certeza não há nada mais satisfatório que saber que suas obras estão sendo apreciadas por alguém. Valia muito mais que o dinheiro, ousava dizer. Era estimulante e extasiante ler algum comentário sobre seus livros, os elogios, até mesmo as críticas.
Contudo, ter alguém apreciando suas obras e ter milhares de pessoas querendo saber cada detalhe sobre sua vida eram questões bem diferentes, por isso desde o seu primeiro livro, pediu sigilo quanto a sua verdadeira identidade, assinando seus livros apenas como "Van Hart". A maioria nem mesmo sabia se se tratava de um homem ou uma mulher, apenas aqueles que estavam diretamente ligados ao seu trabalho.
Era um dos motivos pelos quais não aceitou ir até Londres quando Izuna levantou a possibilidade. Nunca se sabia ao certo quando algum engraçadinho tiraria uma foto sua e publicaria na internet. Até mesmo nas mais confiáveis empresas há alguém anti-ético. Não demoraria muito para descobrirem quem ele era e o que estava fazendo ali. Poderia começar como um simples autógrafo para o filho de alguém ou uma escutada em uma conversa aqui ou lá.
Poderia até soar paranoico, mas não estava, em hipótese alguma, disposto a colocar sua doce liberdade em risco. Preferia a beleza e silêncio do anonimato do que a enorme explosão que a fama trazia.
O que também era um dos motivos para não revelar seu nome no site: não duvidava que os fãs mais empolgados pudessem hackear de alguma forma a conta e descobrir seu endereço. Sabia que já havia acontecido com alguns outros autores, e a simples ideia de ter algum maluco na sua porta o fazia ter pesadelos.
Colocou o livro chato que tentava ler e desviou os olhos para seu notebook ainda aberto, com linhas que há dias o encaravam, como se o desafiando a aumentá-las.
Um dos motivos que justificava sua crescente demanda por novos livros e leituras –– que em uma situação normal já não era pequena –– era a esperança que mantinha de que talvez isso o ajudasse a ter alguma nova ideia. O que não estava dando muito certo lendo aquelas coisas tediosas, diga-se de passagem. Não estava servindo nem para passar o tempo.
E por falar em tempo, olhou novamente pro relógio, afim de verificar que sim, já tinha se passado bons minutos do horário que Tobi dissera que chegaria com o editor.
Pensando bem, ainda achava que tinha sido uma péssima ideia deixá-lo encarregado de buscá-lo. Tinha dito a Izuna que ele mesmo buscaria o editor, não outra pessoa, e tendo conhecimento da personalidade excêntrica de seu amigo, a cada minuto se arrependia mais.
Talvez fosse uma boa ideia ligar pra ele e perguntar se tá tudo bem, pensou Itachi, enquanto já se levantava em direção ao celular que se encontrava em uma mesinha perto da janela.
Quando tomou o celular em mãos e já procurava o nome do amigo na lista de contatos, teve o vislumbre do carro do alvo de suas preocupações estacionando em frente a sua porta.
Finalmente, pensou enquanto já descia as escadas para atender a porta da frente de sua casa.
Quando chegou em frente a mesma deu-se conta que vestia nada mais que uma calça jeans preta já bem desbotada e uma blusa fina cinza de manga comprida. Era uma roupa muito casual e pouco profissional, levando em consideração o fato de que aquilo era quase uma reunião de negócios. Mas também era sua casa, lembrou-se, então podia dá-se ao luxo. E realmente odiava ter que usar todas aquelas roupas formais e desconfortáveis.
Então deixando a etiqueta de lado, caminhou os últimos passos até a porta abrindo-a. E quando seus olhos pousaram na figura a sua frente, não pode evitar o choque de surpresa, ainda mais quando seu olhar foi devolvido por um tão negro quanto o seu próprio.
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23/07
Lady Lovegood
