Esfreguei minhas mãos desconfortavelmente enquanto andava com Alec pelo corredor. Eu sabia que era estúpido, mas tinha medo que Emmett ou Rosalie me visse perto dele. Não que eles fossem brigar comigo, mas também não iriam gostar. Então eu me sentia meio que como uma fugitiva.
-Vai comigo? – Alec me perguntou, de repente parando no corredor.
Balancei a cabeça.
-Fico esperando... Bem aqui.
-Vai ficar na minha mente?
-Bem que eu queria – suspirei – Mas Edward logo perceberia. Estou nos mantendo no escudo, e não consigo usar dois poderes ao mesmo tempo. É normal para ele não poder ouvir meus pensamentos, porque sempre bloqueio, mas se eu entrar na sua mente ele nota.
Ele encolheu os ombros e saiu andando calmamente.
Tirei-o do meu escudo, mantendo só a mim mesma resguardada.
Se passou algum tempo... Longo, até.
Eu percebi que o plano que Alec e eu criamos era estúpido. Com apenas um toque, Aro perceberia que ele planejava me contar a conversa toda.
Minhas entranhas se contorceram violentamente.
Eu sentia preocupação... Pelo Alec.
Hipóteses absurdas rodopiavam em minha mente, mas eu estava em pânico. Não conseguia diferenciar o que era ou não lógico.
E se Aro estivesse zangado?
E se alguma estivesse acontecendo com Alec bem agora, enquanto eu continuava parada no corredor, esperando que ele voltasse?
Alec precisava de mim.
Sem pensar em mais nada disparei pelo corredor.
-ALEC! – entrei correndo na sala, onde estavam os Volturi.
Alec estava parado no centro, conversando serenamente com Aro.
Lentamente sua atenção se voltou para mim. Em menos de um segundo ele entendeu que eu estava preocupada, e uma expressão de divertimento com certa ironia preencheu seu rosto.
Bem... Não era só a atenção de Alec que estava voltada para mim. Todos me encaravam. Eu não sabia se me sentia como um astro do rock ou como uma palhaça de circo.
Decidi agir como se fosse a primeira opção.
Joguei os cabelos por cima dos ombros e empinei o nariz, com certa arrogância.
-Eu preciso de você – eu disse, ignorando todos os outros e me concentrando somente em Alec.
Notei que Aro estava se divertindo absurdamente com toda a cena.
Mas eu estava ocupada, concentrando todas as minhas forças em me manter firme, mesmo depois de ter entrado aos gritos, desesperada.
-Claro. – Ele respondeu tranquilamente e se virou para Aro.
-Vá.
Alec veio até mim. Já era noite. Andamos devagar até a entrada do castelo. Depois ele começou a correr. Eu segui-o.
Depois de alguns minutos ele escalou uma casa e sentou-se no telhado.
Hesitei, mas acabei seguindo-o outra vez.
Assim que me sentei ele se virou para mim, com uma expressão curiosa.
-Achou que estavam me fazendo mal?
-Achei – respondi, me sentindo estúpida.
-E se estivessem... – ele levantou as sobrancelhas – Teria enfrentado todos os eles?
Mordi o lábio. Na verdade, eu não tinha percebido o que estava fazendo. Agi por instinto. Agi porque eu precisava salvar Alec. Não importando quantos eu tivesse que enfrentar para isso, eu precisava salvá-lo.
-Sim.
-Por quê? – ele estava mesmo surpreso.
-Porque isso parecia o certo.
Ele ficou em silêncio.
Olhei para baixo, examinando a cidade cuidadosamente. A vista era bonita.
-Angelina?
-Sim? – me virei para Alec.
-Imprinting.
-Como é? –arregalei os olhos.
-Seth teve um imprinting. – ele repetiu sem a menor cerimônia. Não parecia preocupado com me magoar com aquelas palavras. Estava somente me dizendo a verdade. Coisa que ninguém mais tinha feito.
-Merda! – rosnei.
Ele encolheu os ombros.
-Não foi difícil descobrir. Aro me contou, mesmo sabendo que eu diria para você.
-Imprinting! – repeti frustrada, sem lhe dar atenção. –Por que sempre comigo?
-Quantas vezes isso aconteceu com você? – ele levantou uma sobrancelha, agora curioso.
-Bem... Só essa. – respondi, ainda despejando mentalmente mil maldições ao Seth.
-Então não é sempre – ele revirou os olhos – É uma vez.
-Mas... Mas... Porcaria!
Ele mordeu o lábio, como quem tem vontade de rir.
Semicerrei os olhos.
-ALEC!
-Desculpe, ta bem? – ele revirou os olhos outra vez – Mas foi merecido. Um vampiro não deveria se envolver com um lobisomem. Eles fedem. E são estúpidos.
Abri a boca para rebater, mas ele me interrompeu,
-E isso não aconteceria se você fosse normal. E namorasse um vampiro normal. E levasse uma vida normal.
-Eu sou normal!
-Angelina - ele segurou meus braços e me encarou, como quem explica para uma criança alguma coisa óbvia. – Você namorava um lobisomem. Essa é a prova concreta de que você não é normal.
É claro que por trás dessas palavras havia divertimento.
Revirei os olhos.
-Sou normal! – repeti.
-Não é nada.
-Tá bem – rosnei.
-Vai fazer o que, agora?
-Ligar para o Seth.
-Posso ouvir a conversa? – ele perguntou, excitado.
-Não, é claro que não! – revirei os olhos.
-Oh... – ele suspirou. –Então me procure depois de quiser falar comigo.
-Tá.
-x-
-IMPRINTING, SETH! IMPRINTING! – gritei no telefone – COMO OUSOU TER UM IMPRINTING? E ESCONDER DE MIM?
-Eu não tive culpa... – ele respondeu, com a voz fraquinha. Parecia triste. Mas eu não me importava. Ele tinha me magoado. Eu o magoaria de volta.
-E de esconder de mim? TAMBÉM NÃO TEVE CULPA?
-Eu só estava tentando te proteger... Eu ia contar... Quando tivesse entendido realmente o que me aconteceu. É estranho... Ela só tem sete anos, entende?
-Não, Seth. – respondi magoada – Não entendo.
-Desculpa...
-Não.
-Vamos conversar quando estiver aqui, certo? Eu... Preciso me explicar.
-Mas eu não quero ouvir... E não quero te ver. Acho que já me magoou o bastante, não é?
-Eu... Eu... Sinto muito.
-Eu também.
Desliguei o telefone e me atirei na cama, fechando os olhos.
Ouvi a porta do quarto abrir, mas não me levantei para olhar.
-Angelina...
-Você escondeu de mim, pai. – cortei Emmett, antes que ele tentasse dizer qualquer outra coisa – Eu estou magoada com vocês. E tenho o direito de querer ficar sozinha agora.
-Eu sei... – ele ignorou a parte sobre eu querer ficar sozinha e sentou na cama ao meu lado –Desculpa, boneca...
-Tá.
Ele suspirou.
-Quero que me perdoe de verdade. Não da boca para fora.
-Então vai ter que esperar.
Outro suspiro.
-Já podemos ir embora? – levantei a cabeça e olhei-o pela primeira vez, desde que ele tinha entrado no quarto.
-Sim, acho que sim.
Sem dizer mais nada me levantei e comecei a arrumar minhas coisas.
-Vai estar bem voltando para lá?
-Não. E é por isso que não vou voltar.
-Não vai voltar...? – ele repetiu devagar, como quem não consegue entender.
-Não. Por enquanto não.
-Angelina...
-Não, pai! Não quero ficar perto dele! Preciso estar sozinha! Digerir isso, entende? Eu fui trocada por uma garota de sete anos!
-Não é bem assim...
-É exatamente assim! É dela que ele gosta! De uma criança! Então ele vai ser babá. E quando ela crescer? Eles vão ficar juntos. Ele não se importa mais comigo.
-Filha...
-Não, pai – respondi chorosa. –Eu vou sentir saudades, mas preciso estar sozinha por um tempo.
-x-
-Alec?
-Ah... Olá... Eu soube que vai embora. É verdade?
-Sim. Vim me despedir de você.
Ele pareceu surpreso.
-Hãn... Adeus. – ele respondeu vagamente.
-Então... Okay. Adeus. – respondi no mesmo tom.
Nos encaramos por alguns segundos.
-Vai estar bem?
-Claro.
-Espero que sim.
-Obrigada, Alec.
-De nada.
-Eu... – franzi as sobrancelhas, confusa – Eu acho que vou sentir sua falta.
-É... Eu também acho que vou sentir a sua. Pode ao menos me dizer para onde vai?
-Eu poderia. Se soubesse.
Ele riu.
-É uma longa existência. Todos precisamos estar sozinhos às vezes.
Eu sorri e o abracei. Ele pareceu confuso, mas em seguida retribuiu ao abraço, enquanto acariciava meu cabelo.
-Obrigada mesmo. Por tudo. – murmurei, com o rosto escondido no pescoço dele.
-A única coisa que fiz foi te contar uma coisa que você saberia de qualquer forma – ele disse divertido, ainda sem deixar de acariciar meu cabelo. –Oh, cara! Eu fui o fofoqueiro da história! Não pode me agradecer por isso!
-Não estou – eu ri e levantei a cabeça, encarando-o nos olhos – Durante o tempo em que eu estive aqui você foi meu amigo. É por isso que estou te agradecendo.
Ele encolheu os ombros.
Eu não imaginava que um Volturi pudesse ser boa companhia, mas Alec havia se superado. Eu tinha ouvido tanto sobre eles... E agora, aqui perto de Alec eu me sentia bem. Ele não era nada do que haviam me contado. Tudo bem, ele tinha olhos vermelhos e matava pessoas. Mas era gentil, simpático e divertido. Afinal de contas, quem poderia culpá-lo por não reprimir um desejo que nós todos tínhamos?
-Até algum dia, Volturi – eu sorri.
-Quem sabe mais cedo do que você imagina, Cullen? – ele sorriu de volta e me soltou.
-Quem sabe? – repeti e dei-lhe as costas, sorrindo secretamente para mim mesma.
Sem dizer mais nada eu sai de perto dele, rumo a uma nova fase da minha vida. Ou existência. Não havia diferença.
N/a: Pronto. Está definitivamente diferente. Mas espero que gostem!
Reviews:
FeParodi: Entããão, acho que eu não demorei taaanto assim para postar, né? xD Obrigada pela review, querida! Beijinhos! :D
Hino: Ah, eu também adoooooooooro o Jasper! E fico feliz que esteja gostando no novo Alec! xD Então, seu palpite? Estava certo? Beeeeeijos!
Nina: Espero que esteja gostando! Beijos! :)
Aaahhh, a DW tinha acertado o que aconteceu com o Seth! xD
