A vida de nômade era estranha. Divertida, não posso negar. Mas solitária.
Eu não tinha que estar o tempo todo com humanos, mas estava constantemente em movimento. No início, eu mantive meus olhos dourados, me alimentando somente de animais. E eu juro que tinha intenção de me manter assim! Mas não pude evitar que eles passassem para vermelho.
Eu estava na floresta, caçando animais.
Urso!, pensei animada, enquanto saltava para cima dele. Durante a caçada, eu esquecia de todo o resto. Esquecia do Seth, do estúpido Alec - que teimava em aparecer na minha mente - do meu pai, da minha mãe e de todos. De todos mesmo. Foi por isso que não vi dois caçadores se aproximando. E é claro que ambos me viram em cima do urso.
Um deles me apontou uma arma e eu imediatamente me coloquei em posição defensiva. Eles tinham os olhos arregalados e estavam pálidos, quase tremendo. Tinham medo de mim.
Monstro! - Seus olhos acusavam. Eu tentava desesperadamente arrumar alguma maneira de sair dali, sem ter que machucá-los. Tarde demais. Eles já tinham visto, não havia mais nada para ser feito.
Observei cuidadosamente cada movimento que eles faziam. O que mirava com a arma em mim olhou para o outro, buscando apoio. Ele apenas acenou com a cabeça. E então ele disparou na altura do meu coração.
Eu me esquivei antes mesmo que pensasse nisso.
Meu instinto de sobrevivência – tão apurado, depois que fui mordida! – me dava uma ordem simples:
Acabar com que tinha tentado acabar comigo.
Nenhuma parte do meu corpo protestou contra isso, nenhuma voz irritante tentando me trazer para a razão. Nada.
Eu saltei para cima de um dos homens e dilacerei o pescoço dele.
Em êxtase eu bebi sangue humano pela primeira vez.
Tão bom...! Tão cheiroso...! Era tão... Tão... Poderoso, era essa a palavra!
Eu sugava e sugava, rezando para que nunca acabasse.
Ao sentir que já não havia nada para sugar, deixei escapar um gemido de infelicidade. Eu queria mais! Eu precisava de mais!
Minha bolha de prazer estourou, e eu pude ouvir o outro humano correndo.
Minha comida!
Eu era mais rápida que ele. Muito mais rápida.
Eu sorri, passando a língua pelos dentes, ansiosa por mais sangue delicioso e quente.
Eu pisquei devagar, voltando à realidade, enquanto o veneno me enchia a boca.
Conclusão: Depois de beber pela primeira vez, eu estava como um viciado em drogas. A minha droga era o sangue. E eu não conseguia parar de beber, mesmo se quisesse.
-Angelina... – me censurei baixinho, engolindo o veneno todo. – Não precisa caçar agora. Só precisa de roupas, é isso o que você veio buscar.
Eu estava camuflada na floresta, mas mantinha os olhos na cidade. Eu não precisava de dinheiro, porque peguei o da minha última... hum... Peguei o dinheiro do meu último alimento, pronto. Ele não iria usar, de qualquer forma.
Mas precisava de óculos de sol. Porcaria!
Devagar me esquivei para fora da floresta, andando pelo canto da estrada, até chegar ao centro da cidade, onde ficava o comércio. Por sorte, era um nublado.
Em que cidade eu estava?
Eu mantive a cabeça baixa enquanto andava pelos humanos. Huuum... Tão cheirosos!
Angelina, foco!
Entrei em uma daquelas lojas que vendem óculos.
-Olá! – veio me atender uma moça, sorridente. Não levantei a cabeça para encará-la. Somente balancei a mão, ignorando qualquer ajuda que ela poderia me oferecer.
Escolhi depressa um par preto, simples.
Coloquei o dinheiro em cima da mesa da vendedora, sem dizer nada.
Minha presença começou a incomodá-la, como acontecia com todos os humanos que ficavam perto de vampiros.
-Já... Está certo. – ela disse.
Coloquei os óculos e finalmente levantei meu rosto para encará-la. Ela me olhava com certa inveja, encoberta por algum tipo de prazer ao me ver como estava. Olhei para o espelho. Meu cabelo estava com volume, armado. Minhas roupas não estavam grande coisa. E pela falta de cuidado, eu não tinha tooooooda aquela beleza dos vampiros, apesar de ainda dar de dez em qualquer humano.
Com os óculos escuros, eu comprei todas as roupas que precisava. Quando terminei as compras eu entrei em uma casa aparentemente vazia.
Deixei as sacolas de compra no chão da sala e procurei por um banheiro.
Eu me sentia aliviada ao esfregar meu cabelo com shampoo! Cuidadosamente esfreguei o couro cabeludo e depois passei o condicionador nas pontas.
Também me encantei ao encontrar o sabonete! Eu não podia estar invadindo casas todos os dias, então muita vezes tinha que tomar banho em algum lago, ou coisas desse tipo. Ao sair do banheiro, me vesti com uma das minhas roupas novas.
Fui para o quarto - de uma adolescente, acho eu – e peguei uma mochila. Estava cheia de materiais escolares, mas eu esvaziei tudo em cima da cama. Peguei também alguns pares de tênis. Na maioria das vezes eu corria descalça, mas precisava estar apresentável quando encontrasse humanos.
Enfiei de qualquer jeito os tênis e as roupas que eu tinha comprado.
Antes de sair olhei para a correspondência, para saber onde eu estava. San Diego.
-x-
Em certos momentos a vida era tão entediante! Correr para conseguir comida, correr para ir para outro lugar, correr de vampiros com os quais eu não queria me envolver e todo o resto. Sempre correndo!
Eu agora estava em Boston. Um lugar recheado de vampiros. Eu fiquei literalmente andando pelas beiradas. Nunca ia para o centro, ficava somente onde havia menos possibilidades de sentirem meu cheiro.
Eu costumava ignorar o que ouvia ou via, mas a manchete no jornal que estava no chão chamou minha atenção.
Cinco pessoas desaparecidas. Uma delas encontrada à margem de um rio, sem sangue no corpo. Desconfiavam de ataque animal, pelo estado em que o corpo se encontrava. A falta de sangue se explicava porque a água tinha levado-o.
Animal? Não, não era. Alguém estava fazendo a festa aqui em Boston.
Eu mordi o lábio com força.
Boston já não era um lugar seguro.
~ALEC
-Alec? – Jane buscou minha intenção pela milésima vez. Ignorei outra vez e continuei andando.
Alguns minutos se passaram.
-Alec? –insistiu ela.
Eu suspirei. Ela não iria me deixar em paz tão cedo.
-O que você quer Jane? – perguntei calmamente.
-O que está acontecendo com você? Por que não está animado? Estamos fora do castelo!
Aro havia enviado Jane, Demetri, Felix e eu para uma "missão" em Boston.
Eu não respondia. Não sabia a resposta para a pergunta dela.
-Angelina ainda não voltou para os Cullen – comentou Demetri, distraidamente com Felix.
Demetri passava muito tempo falando de Angelina. Isso me irritava.
-Achei que ela voltaria mais cedo – respondeu Felix. Eles mantinham a voz baixa, sem perceber que eu me concentrava na conversa de ambos.
-Eu também... Talvez a encontremos. – A voz de Demetri tinha esperança, como se ele realmente quisesse isso.
Demetri às vezes se encantava com pequenas vampiras (com humanas também, mas elas sempre acabavam mortas) e ficava "fissurado" por elas. O que ele queria, todos sabiam, era arrastá-las para cama. Depois pouco se importava com elas.
Aparentemente Angelina era uma das que ele quer. Eu não gostava da ideia.
Em certos momentos eu queria trocar meu dom com o de Jane. Assim eu encerraria a conversa com muito mais efeito. Infelizmente, eu não conseguia fazer isso, então fiz pelo jeito tradicional:
-Calem-se.
Ambos trocaram um olhar surpreso e Felix decidiu ser engraçado.
-Oh, Demetri! Não percebe que Angelina é um assunto delicado para o nosso Alec?
Demetri me encarou, confuso.
-Não, eu não sinto nada por ela. – confirmei secamente.
-É claro que não – zombou Felix.
-Jane. – suspirei.
Minha pequena irmã virou-se para ele, enquanto eu continuava andando, despreocupadamente. Ouvi o grito de Felix e sorri satisfeito.
-Assunto encerrado? – perguntei ironicamente.
-Encerrado. – confirmou ele depressa e se encolheu para longe de Jane.
Jane voltou para o meu lado e segurou minha mão enquanto caminhávamos.
-Por que ele ou a Jane sempre estão no comando? – rosnou Felix para Demetri.
Demetri encolheu os ombros e Jane olhou ameaçadoramente para ambos.
-Porque somos os melhores – ela respondeu, em tom de desafio.
Felix pareceu ter uma resposta à altura, mas estava considerando se valeria a pena ser torturado depois.
Aparentemente a resposta não era tão boa, porque ele se calou.
Eu parei de andar na entrada de Boston. Eu sentia um cheiro familiar, cítrico com um toque floral. A parte cítrica se sobrepunha e a floral dava um toque de delicadeza. Doce, mas sem exageros. Sem se tornar enjoativo. Como ela.
Demetri também percebeu. É claro que ele perceberia, era um rastreador.
-Angelina – ele explicou aos outros dois, com um sorriso satisfeito crescendo nos lábios.
-Não viemos aqui por isso! – eu o repreendi ao mesmo tempo em que censurava a mim mesmo.
-Foi ela quem fez a bagunça por aqui? – perguntou Demetri.
-Não. – respondeu Jane – Ela é uma das aberrações que se alimenta de animais. E quem fez isso é um recém-criado.
-Talvez... – Eu vi ali minha oportunidade. – Pode ter sido ela. – Não, não tinha sido. Mas eu fingi que acreditava no que estava dizendo.
Jane me encarou, surpresa.
-Há muitos vampiros aqui. – Declarou ela. –Não foi a esquisita.
Eu ignorei-a. Para mim, Angelina não era esquisita.
-Tem razão, muitos vampiros – Assenti. – É por isso que você, Felix e Demetri vão encontrar o culpado.
-E você? – grunhiu Demetri.
-Eu tenho assuntos importantes para resolver. – rosnei de volta.
Felix riu.
-O assunto importante dele tem pouco mais de um metro e meio e cabelos louros.
-De qualquer forma, é meu assunto importante. –olhei para Demetri ao dizer isso. –Devo estar com vocês em breve.
Dei as costas aos três e segui o rastro que ela deixou.
N/a: Olá! :D Quero reviews, sim? :D
Baby Blair: Oi! Nossa, quanto tempo! Olha que eu não tinha pensado nisso, mas a ideia é boa! 8) Não some outra vez, menina! o.O Beeeijos!
Nina Potter: Como o Quill e a Claire :) Beijos.
Hino: Hey Hino! Estou feliz que tenha gostado! Obrigada, beijinhos! :)
Sofia Bitch xD : Olá, amor! :DVou responder aos reviews todos juntos, porque já agradeci pelo forum xD Não fiz nada ao Seth, calma O.O O Alec e o Mason parecidos? que fofo xD Provavelmente vou te avisar agora que postei o.o Então desculpa não te responder lá enquandto respondia aqui o.o xD Beijos, bebê 3
