Dizer que nossas mães - minha e de James - estavam exultantes com a ideia de um namoro entre nós seria muito errado. Para elas, era como se o curso do universo tivesse mudado agora que estávamos juntos. Não que estivéssemos juntos de verdade, mas eu não tive o coração para dizer isso à Mrs. Potter. Se eu dissesse à minha mãe ela provavelmente só acharia que eu estava mentindo.
E, bem, não é como se James estivesse morrendo de vontade de corrigir nossas mães.
A conversa do jantar se resumia a qualquer coisa que pudesse levar à oportunidade de nossas mães lembrarem que estávamos juntos. Na verdade, chegou um momento em que saía naturalmente, como se fosse parte integral de qualquer frase. Aqui vão alguns exemplos:
- Eu agradeço o convite, mas James tem que trabalhar amanhã e Lily estará com ele. Já sabe? Estão namorando.
- Sim, iremos para Queenwood também. Lily irá com James, você sabe, eles estão namorando.
- Oh, Lily pode escolher para James. Eles estão namorando.
- Ele deve conversas sobre isso com Lily primeiro, entende? Agora que estão namorando...
Chegando ao ponto de ouvir Mrs. Potter dizer:
- Passe-me a água por favor? James e Lily estão namorando. Sem gelo.
Lógico que James teve que ser colocado ao meu lado à mesa e não perdia uma oportunidade de passar as mãos em minhas pernas. E não em seu usual estilo abertamente provocador, mas quase como uma carícia.
Perceba, mesmo que meu cérebro tenha derretido momentaneamente causando a perda total de meu autocontrole no quarto, leia-se: ter saltado em cima de James como se ele fosse a última garrafa de água na terra - eu não podia evitar a onda de excitação que subia pelas pernas todas as vezes que as pontas de seus dedos acariciavam minha coxa. E ele fazia isso de forma totalmente despretenciosa, quase inocente. Digo, santo Deus, eu estava a beira de um orgasmo e James estava completamente vestido e meus pais estavam do outro lado da mesa. Como isso é escrotamente possível? Ah sim, não deveria ser.
É isso. Meus hormônios estão claramente necessitados de ação masculina e é por tal razão que fico imaginando jogar James debaixo da mesa e fazer tudo o que não é permitido em público. Eu preciso resolver isso pois estou escandalizada comigo mesma. Nunca me senti tão sexualmente frustrada!
Era bem difícil ser polida e educada enquanto James me tocava. Tentei me concentrar nas famílias que ainda sobravam à mesa (os velhinhos já tinha ido embora).
Os Domville não trouxeram as trigêmeas, pois aparentemente havia uma festa do pijama acontecendo na sala de tv deles nesse momento. Os Pearce contavam com seus dois filhos, Caiden e Peyton à mesa. Os Falshaw conseguiram fazer a filha deles Viola, sair do laboratório e ser um pouco mais social - nas palavras deles - mas ela já era suficientemente encantadora para mim. Mrs. Jervois estava presente apenas com seu filho Augustus, já que ela é viúva. E por fim - além dos pais de James - os Byfield com Agnes e Chester, o filho mais novo deles, Alvin, estava em um jogo de futebol.
Lembrei novamente dos beijos de James e fechei os olhos tentado respirar normalmente. A mão de James tocou minha coxa mais uma vez, eu apenas virei discretamente o rosto para ele pronta para ameaçar cortar suas mãos, mas quando meu olhar caiu sobre sua boca tentadora eu esqueci o que exatamente eu deveria dizer.
Algo sobre James... E mãos.
James aproximou o rosto devagar, a essa altura eu estava pouco ligando para os convidados ou meus pais à mesa, só queria beijar James e saltar em seu colo. O cretino saído dos infernos apenas me provocou e em vez de me beijar, colocou um pouco de meu cabelo atrás de minha orelha. Mandei mentalmente tudo se danar e beijei James suspirando com o fim da doce tortura.
James não foi exatamente cavalheiro se você quer saber, ele não parecia nada preocupado com nossa imagem à mesa e deslizou sua língua gostosa para minha boca sem pudores. Para o crédito dele, não é como se alguém estivesse prestando atenção em nós. Suas mãos se entranharam em meus cabelos e pus minha mão em seu braço.
Ouvi Donald - o mordomo de mamãe - pigarrear, e me separei de James sabendo que meu rosto estaria corado tanto pelo beijo enlouquecedor dele, quanto pela vergonha de tê-lo beijado à mesa com convidados.
Meu Deus. Olhe. O que. James Potter. Me causa.
Estou mortificada.
Alguém, por favor, arranje um buraco para que eu possa me enterrar. Não melhor ainda, arranje-me uma pá. Eu mesma devo cavá-lo para me flagelar depois de meu comportamento completamente inadequado.
Mr. Domville riu e se manifestou após tomar mais um gole do whisky:
- Oh, deixe as crianças. Estão apaixonados.
Mamãe riu, mas eu sabia por sua sobrancelha arqueada e o sorriso de lado que ela me pedia para ser mais discreta.
Eu lhe lancei um olhar de desculpas e antes que pudesse reclamar com James por suas provocações, Mrs. Domville perguntou:
- James, você acabou de lançar mais um livro de sua última séria, estou certa?
James assentiu.
- Sim, tenho recebido muitas críticas positivas.
- Oh, minhas meninas adoram seus livros. - Ela sorriu - Já leram e releram.
Mr. Domville riu novamente.
- Não sei o que vou fazer para mantê-las ocupadas até o lançamento do próximo. Elas não nos deixam em paz. Querem que eu peça para você escrever mais rápido.
Risadas ecoaram pela mesa de jantar.
- Diga a elas que estou trabalhando o mais rápido que posso. E prometo que elas receberão uma cópia antes do lançamento oficial.
Mrs. Jervois sorriu:
- Você deve estar orgulhosa Dorea. - Ela tomou o último gole de sua bebida. - James é um homem bem-sucedido e educado. Você o criou maravilhosamente bem.
Mrs. Potter riu.
- Ele sabe que tenho muito orgulho dele. Aliás, de meus dois filhos.
Caiden, que estava comendo um summer pudding, olhou surpreso para Mrs. Potter e perguntou:
- Eu não sabia que senhora tinha outro filho, Mrs. Potter.
Augustus lançou a Caiden um olhar confuso, mas foi Viola quem se manifestou:
- Você não conhece Sirius?
- Sirius? - Caiden olhou para James como se esperasse vê-lo se dividir em dois. - O único Sirius que conheço é o Black, com aquele jeito extravagante dele.
Mr. Falshaw, que se sentava novamente após ter levantado e puxado a cadeira para que sua esposa pudesse ir ao banheiro, sorriu:
- Sim, Sirius Black. - Ele riu - Um excelente rapaz.
- Caiden. Francamente. - A mãe de Caiden, Mrs. Pearce, repreendeu para então se virar constrangida para Mrs. Potter - Eu sinto muito Dorea, ele não quis dizer por mau.
Mr. Potter acenou despreocupado.
- Não se preocupe Yeleena. Se tem uma coisa que Sirius é, é extravagante.
Mr. Domville riu e disse para Caiden:
- Ora, é um homem jovem e bonito. Todos nós passamos por essa fase. Estou certo Edward? - Ele perguntou de meu pai.
Papai riu mas apontou para Mr. Potter.
- Charlus era o pior. Definitivamente.
Mamãe sorriu para nossos convidados falando:
- Edward está certo, Charlus era o pior. Eu mesma tive que estapear muitas oferecidas que apareciam no apartamento que dividíamos.
Mrs. Falshaw que voltava do banheiro, sentou-se e pegando a conversa por ali acrescentou:
- Oh, eu lembro dessas oferecidas. Dorea, tem sorte por Violet ter morado com Charlus durante a faculdade. Ela era a única que conseguia colocá-lo na linha. E com Dorea no exterior as meninas achavam que ele era solteiro.
Caiden voltou a falar de Sirius com curiosidade:
- Eu não tinha ideia de que ele era seu filho.
Mr. Potter sorriu paciente.
- Não biologicamente, mas o temos como um filho sim.
Mrs. Byfield riu.
- É incrível como Sirius se parece com você, Dorea.
Mr. Falshaw completou:
- Sim, tem os olhos dela. Mas o comportamento é igualzinho ao de Charlus quando novo.
James riu.
- Oh, que sorte o senhor tem por ele não ter vindo, pai. Depois de ouvir algo assim Sirius não o deixaria em paz.
Mamãe aproveitou a oportunidade para chamar Donald.
- Donald, por favor, prepare a sala de chá para nós. - Ela pediu.
Ele se curvou levemente em assentimento e sumiu na cozinha.
- Bem, vamos sentar na sala de chá para ficarmos mais a vontade. - Mamãe sorriu e papai, que já estava de pé, puxou a cadeira para ela. - Donald providenciará mais bebidas, chá e algumas coisinhas.
Nos dirigimos à sala de chá, guiados por Donald. Peyton, alegre e falante, se sentou ao meu lado em um dos sofás. Augustus que já tinha bastante intimidade com Payton se sentou ao seu lado, os dois discutiam alguma matéria da faculdade.
Viola, Agnes e Chester sentaram-se em outro sofá, Viola estava um tanto vermelha e me perguntei se Chester já estava pondo em uso os dons que herdou - aparentemente - de seu pai. Minha mãe e as outras mulheres se sentaram à mesa se chá e papai e os homens nos sofás do outro lado da sala.
James tomou o outro lugar ao meu lado com sua perna encostando a minha e o braço descansando na parte superior do sofá casualmente. Já não tão casualmente eu sentia seus dedos acariciarem meu ombro.
Naquele momento percebi que desde que saímos do quarto, alguma parte de seu corpo sempre tocava a minha, mas com alguma restrição. Eu tinha sempre controle e espaço suficiente para afastá-lo ou impedi-lo, mas até agora eu não o tinha feito. Me perguntei se meu autocontrole ainda estava sentindo os efeitos de seja lá o que aconteceu no meu quarto.
Eu ainda tinha vontade pro provocá-lo com comentários brutos e respostas sarcásticas. Mas também tinha vontade de enfiar as mãos nos cabelos dele, morder seus lábios e ouvi-lo suspirar para mim. Olhei para sua mão, os dedos encostando meu ombro e tentei entender o que, nas últimas duas semanas tinham causado toda a situação na qual nos encontrávamos.
Certo, eu tinha invadido a casa dele para fazer um bolo para Emmeline, mas ele já fizera o mesmo diversas vezes. Ok, não para fazer um bolo, mas ele tinha entrado constantemente para tomar banho quando seu chuveiro elétrico deixou de funcionar nesse inverno passado, entrava para pegar alguma comida durante as madrugadas em que virava a noite escrevendo - o que, inclusive causava discussões homéricas mas no final eu sempre cedia e o deixava assaltar minha geladeira com a promessa de que ele me compensasse - quase pôs a porta abaixo uma vez quando queria evitar uma mulher com a qual saíra e eu o deixei entrar para ficar lá enquanto Sirius tentava despistá-la. Lembro que nesse dia nossa discussão chegou a ser hilária pois fora toda por meio de sussurros.
Talvez a diferença fora que nós nunca tínhamos nos tocado tanto até aquele dia. Ele me carregando para seu quarto para tomar banho, eu pulando em suas costas para pegar meu celular, nós rindo juntos…
Franzi o cenho.
Nós já tínhamos rido juntos… não tínhamos? Bom, eu já havia rido bastante dele, isso com certeza.
Dois dias atrás eu o encurralei no corredor para lembrá-lo do jantar a pedido de minha e de sua mãe (que inclusive estava chateadíssima pois Sirius estava novamente fora de Londres tentando resolver outro problema de outra propriedade dos Black e não estaria presente no dia). Eu concedo que "lembrar" se resumiu a agarrar seu colarinho e dizer: você vai estar lá e você vai estar ao meu lado para dar a impressão de que estamos juntos.
Ele me provocou um pouco como de costume e aceitou depois que prometi subir, sem reclamar, com suas encomendas por uma semana.
Nada que fosse necessariamente fora de nossa rotina. Provocações, brigas, sarcasmo, ironia, mais provocações… Em algum momento nas ultimas duas semanas eu comecei a perder o controle que sua atração tinha sobre mim. Talvez quando tratei Rudy.
- Lily? - Peyton chamou.
Levantei a cabeça depressa.
- Oh, sim?
Ela riu.
- Para onde viajou?
Corei.
Francamente Lily, isso não é hora de analisar seu relacionamento com Potter. Digo, nosso relacionamento não existente.
- É, Lily. - Ouvi James rouco em meu ouvido - Em que estava pensando?
Eu lhe lancei um olhar reprovador.
- Em nada, querido. Comporte-se, não quero que Donald nos chame atenção de novo.
Ele sorriu, a sombra da covinha aparecendo para me tentar e eu decidi voltar a me concentrar em Peyton e sua conversa agradável. James parecia satisfeito em acrescentar pontuais comentários à conversa enquanto a roçar as pontas dos dedos em meu ombro. Quinze minutos depois eu não aguentava mais não tocá-lo de volta, por isso levantei depressa com uma ideia:
Podemos ir até a sala de jogos procurar algo para nos divertir, o que acham?
Peyton sorriu em acordo.
- Eu adoraria Lily!
Olhei para os outros convidados, esperando por algum tipo de manifestação. Augustus, Agnes e Chester gostaram da ideia e Viola, que no inicio não parecia muito confortável, por fim aceitou.
Não me preocupei em olhar para James e Caiden. Eles certamente fariam o que nós fizéssemos. Avisei minha mãe que estávamos a caminho da sala de jogos e ela apenas acenou com as mãos para indicar que havia ouvido. Ela estava por demais entretida na conversa.
Assim que entramos na sala, Peyton e Agnes começaram a mexer nos jogos disponíveis em um dos armários de mogno da sala. Caiden e Augustus foram direito à mesa de jogos pegar cartas.
James me seguia como uma sombra, e eu não posso reclamar pois fora exatamente o que eu havia lhe pedido pra fazer. Meus ombros encostavam em seu peito todas as vezes que eu parava de andar. Ele colocou sua mão na base de minhas costas e murmurou:
- Que tipo de jogo você quer jogar, ruiva?
E eu entendi muito bem seu recado.
- Sei jogar qualquer coisa, Potter. - Tentei ignorá-lo.
Ele riu baixo e perigoso.
- Você me parece do tipo que monta uma estratégia antes de começar.
- Eu só jogo para ganhar, amor. - Lhe sorri olhando-o por cima dos ombros.
Caiden pigarreou e falou um tom mais alto que o costume.
- Vamos jogar cartas?
Viola fez uma careta, mas permaneceu calada.
- Oh, não. Vamos jogar algo diferente. - Peyton reclamou com seu irmão.
- Diferente como? - Caiden perguntou impaciente.
Agnes puxou uma caixa de jogos e levantou mostrando-a para nós.
- Imagem e ação!
Só podem estar brincando comigo. Não existe um jogo no qual eu seja pior.
Os olhos de Peyton brilharam e ela quase pulou de excitação.
- Vamos!
Caiden olhou para o jogo descrente.
- Que diversão teremos com um jogo desse?
Chester riu e sugeriu:
- Vamos jogar strip-poker.
James riu ao meu lado, mas agarrou minha cintura e disse a Chester.
- Por mais que sua ideia me agrade, eu sou o único que tem o prazer que ver o corpo nu de minha namorada, Byfield. Se você me entende.
Chester olhou para mim antes de sorrir para James:
- Compreendo. Caso eu estivesse com uma namorada eu teria o mesmo resguardo. Certas coisas devem ser guardadas para dois. - Ele riu.
Não pude evitar ficar vermelha com o comentário de Chester, primeiro por ser um tanto inadequado. Segundo por ser estranho vindo de Chester, quem eu conheço desde os 12 anos.
- Não sei se vou querer jogar. - Caiden disse desinteressado.
- Por quê não? - Augustus perguntou antes de olhar para Peyton - Podemos jogar em duplas.
- Duplas? - Eu repeti - Por quê não mulheres contra homens?
- Acredite em mim, será mais divertido. Mais equipes.
- Talvez ele tenha razão, Lily. - Agnes disse.
- Eu tenho uma ideia excelente. - Chester disse. - Ouçam, jogaremos em duplas, toda vez que alguém fizer uma mimica todos poderemos tentar acertar. A dupla que acertar, ganha um ponto e o direito de escolher uma outra dupla para beber uma dose.
- Dose de que? - Viola perguntou.
Chester acenou com uma das mãos.
- Qualquer coisa. Vinho, whisky, vodca, licor...
- Como isso é uma ideia excelente? - Peyton perguntou.
- Você vai ver depois que tivermos um bando de bêbados fazendo mímica. - Chester riu.
- Bem, parece divertido. - Augustus comentou.
- Vamos jogar? - Agnes se sentou no tapete da sala com a caixa.
Peyton deu de ombros.
- Não era exatamente o que eu esperava, mas por mim tudo bem.
- Como vamos dividir as duplas? - Caiden olhou para mim em questionamento.
James tirou os sapatos, sentando no tapete e puxando-me para seu colo.
- Eu não sei vocês. Mas Lily é minha dupla.
Peyton riu.
- Todos já imaginávamos, James.
- Viola é minha dupla. - Chester falou sentando-se ao lado dela com um piscar de olhos.
Agnes não pareceu incomodada por um segundo com a atitude do irmão.
- Peyton, quer jogar comigo? - Ela perguntou.
Augustus e Caiden olharam um para o outro desconfortáveis.
- Peyton, você não quer jogar com Augustus? Eu jogo com Agnes.
- Não, irmão. Obrigada. Eu e Agnes seremos uma dupla excelente.
Viola e Chester foram a primeira dupla a beber a mando de Agnes, que acertou com facilidade a mimica de Augustus. E agora eu entendia porque Agnes não quis formar dupla com o irmão. Ela aumentava consideravelmente as chances de Chester com Viola após algumas bebidas, - Viola mal tinha tomado dois "shots" de tequila e já estava bem mais desinibida - além de ele ser um péssimo mimico, claro.
- Serrote! - Peyton disse.
- Murro! Soco! - Caiden sugeriu. Ele ficou terrivelmente competitivo após algumas bebidas também. - Socar! É um verbo?
- Motor de lancha. - James disse.
Agnes apontou para James.
- Certo!
James beijou minha boca comemorando a vitória e anotando mais um ponto para nós. Pontos, feitos em maioria por ele, pois eu não conseguia acertar uma. Acabava pensando nas coisas mais improváveis por primeiro. Ele era muito bom nisso
- Motor de lancha? - Caiden reclamou, a língua já enrolada. - Que porra de mimica foi essa?
- James acertou. - Agnes deu de ombros e cambaleou de volta para o lado de Peyton que - eu descobri - quando bebia, ria de forma incontrolável.
- De quem é a vez? - Alguém perguntou.
- Lily!
- Oh! - Eu exclamei ficando de pé após pegar uma carta.
Haviam seis opções no meu cartão. Nenhuma delas possível. Francamente, eu gostaria de saber quem são as pessoas que escolhem o que por no cartão. Depois de pressão dos outros para escolher rápido eu decidi ficar com "O Flash".
Eu comecei a correr no lugar - na verdade algo que se assemelhava mais a pulos ritmados - pensando que seria dedutível imaginar que corro tão rápido que eu havia dado a volta na sala mas ninguém teria visto. Ficou claro após meio minuto que minha ideia não era das melhores. Então tentei ser rápida de verdade dando uma volta pela sala, mas eu continuava a ouvir coisas como: maratona, jogging, corrida, correr, fuga e outros. No meio de minha segunda volta pela sala, tropecei no descanso para pés de papai e - por sorte - me agarrei na poltrona mais próxima.
Peyton explodiu em uma gargalhada exagerada, Agnes se contorceu de tanto rir e eu não consegui evitar rir junto, desistindo de minha mimica e fazendo James e eu beber uma dose.
Meia hora mais tarde passamos de um grupo jovem, bem-sucedido a um punhado de bêbados babões. Chester era definitivamente o mais bêbado de todos e ao contrário do que ele inicialmente havia planejado - tirar proveito da pobre e inocente Viola - era ela quem estava tirando proveito dele. Eu já havia visto as mãos de Viola percorrer quase toda parte do corpo de Chester, que também não estava exatamente se sentindo violentado.
Peyton parara de rir e estava dormindo em posição fetal com a cabeça debaixo de uma das poltronas verde e dourada da sala de jogos. Eu lembro que minha cabeça estava bem leve e minha coordenação já não era mais a mesma, mas estava ao menos confortavelmente recostada em uma almofada quentinha.
Caiden e Agnes estavam mais competitivos do que nunca e discutiam qualquer coisa sobre ser válido ou não fazer mimica da primeira letra da palavra. Então vi Donald entrar e o ouvi dizer algo sobre motoristas e roupas. No momento seguinte eu estava flutuando nos braços de James, ele se dirigiu a porta da sala de jogos e eu agarrei uma garrafa de sekt meio cheia que estava na bancada de madeira envernizada de mamãe e tomei um gole.
- Por hoje chega, Evans. - Eu o ouvi dizer tomando a garrafa de minhas mãos.
- Awn. - Reclamei enfiando meu rosto na curva de seu pescoço.
Senti a pressão de seu aperto em mim ficar mais forte e introduzi minha mão por dentro da gola de sua camisa dando uma mordidinha em seu pescoço.
- Comporte-se, ruiva.
- Eu não quero me comportar. - Murmurei.
Ele deu uma curta risada e entramos em meu quarto.
- Você precisa, está tornando mais difícil para eu me comportar.
Foi minha vez de rir. Ele me colocou na cama de forma gentil e não precisou se preocupar em tirar meus sapatos que deviam estar jogados no tapete da sala de jogos. Eu afastei com um movimento um tanto descoordenado o cobertor com o qual James me cobrira, ajoelhando-me na cama e passei a tentar - sim, tentar, minha coordenação motora é reduzida a inexistente quando eu bebo - desabotoar meu vestido. James desligou as luzes e se dirigiu para a porta parando apenas quando eu gemi seu nome inconformada. Eu o vi virar o rosto em minha direção e falei:
- Preciso de ajuda.
Sinceramente, nesse ponto eu estava mandando tudo para o inferno e pouco me danando para minha resolução de odiar James Potter para todo o sempre. O bastardo é o homem mais sexy e tentador que eu já tinha visto e choveriam macacos antes de eu permitir que ele saísse por minha porta sem - depois de todo aquele caralho de provocação que tive que suportar durante o jantar - ao menos um beijo de boa noite decente do meu pseudo-namorado. Ei, se é para aguentar esse tipo de situação, que hajam benefícios certo?
James fechou a porta atrás dele e caminhou devagar em minha direção. A luz da cidade passava por alguns feixes em minha cortina permitindo aos meus olhos se acostumar de forma rápida com o escuro.
- Você não tem noção do perigo, ruiva. - Ele murmurou rouco antes de descer o olhar e as mãos para onde as minhas estavam, no primeiro botão de meu vestido.
Eu permaneci de joelhos enquanto ele se aproximava um pouco mais de mim - e consequentemente da cama - para manipular melhor os botões e o ignorei perguntando inocentemente:
- Não quer sentar? - Indiquei o espaço ao meu lado na cama com a cabeça. O movimento fez tudo rodar por um momento, mas segurei nos ombros de James para não me desequilibrar.
- Não, obrigado. - Ele estava no quarto botão e descendo.
- James Potter está com medo? - Eu zombei risonha liberando uma mão de seu ombro para tirar o cabelo de meu rosto, depois murmurei provocante - Eu não vou fazer nada que você não queira.
A mão de James achou depressa o caminho para a base de minhas costas fazendo com que eu levantasse o corpo ficando a centímetros do dele.
- Não há nada que você possa fazer comigo que eu não queria, Evans. Estou mais preocupado com o que eu posso fazer com você. - Sua voz soou perigosa.
E eu decidi que gosto do perigo. Quase perdi o ar achando que ele me beijaria, mas James somente encarou-me tentador e senti as pontas de seus dedos empurrarem as mangas de meu vestido - agora já todo aberto - para baixo.
Ele me empurrou com lentidão deliberada, deitando-me na cama e terminando de puxar meu vestido por minhas pernas. Eu estiquei minha perna para ele:
- E a meia-calça?
James inclinou-se para mim, subindo na cama. Ouvi um riso baixo e rouco no momento que ele alcançou a borda da meia-calça.
Você adora me torturar, não é mesmo? - Ele deslizou devagar a peça por minhas pernas e eu quis dizer que o que ele estava fazendo comigo também era uma tortura.
Talvez eu tenha dito.
Agora eu estava só em minha minúscula lingerie roxa e toda vez que eu olhava para James eu tinha vontade de - mesmo ele estando obscenamente sexy com aquele colete por cima da blusa social azul - arrancar suas roupas e sentir a pele quente contra a minha.
Ele se afastou indo até meu armário quase vazio - já que a maioria de minhas roupas estão em minha casa agora - e abriu procurando provavelmente por algo para me dar para dormir.
- Deus, Evans. Você tem outra coisa que não seja lingerie e sapatos nesse armário?
Eu ri.
Ele testou a sua blusa original que estava jogada encima do aquecedor de meu quarto para secar e, satisfeito, a trouxe para mim. A passou por meus braços e fechou alguns botões aleatórios antes de me cobrir mais uma vez.
- Boa noite, Lily. - Ele disse para então murmurar em meu ouvido - Saiba que vou passar a noite inteira sonhando com todas as coisas que quero fazer com você.
Senti seus lábios traçarem de forma tentadora um caminho por meu pescoço, percebi que o pescoço dele estava desprotegido. Dei uma longa lambida até chegar no lóbulo de sua orelha e ouvi - para minha satisfação - um curto e gutural gemido.
Então beijei sua boca, suspirando com o fim da tortura. Eu invadi com minha língua sua boca, colando nossos corpos quentes ao sentir a língua dele responder com igual energia. Empurrei James sentado para sentar-me por cima dele, meu corpo arrepiando-se ao assimilar seu nível de excitação. Chegava a doer em mim.
- James... - Suspirei quando ele invadiu minha blusa para explorar minha pele.
Ele me deitou entre os travesseiros e desceu beijos por meu pescoço abrindo a blusa que ele acabara de fechar. Porém, sem tanta delicadeza dessa vez.
Fechei os olhos e sorri imersa nas mais envolventes sensações; James, sua boca e suas mãos. No momento seguinte, acordo enrolada em meus lençóis em meu antigo quarto com a luz do Sol tentando entrar por entre as cortinas.
Levantei, sentando depressa na cama e olhando ao redor. Bufei caindo novamente entre os travesseiros.
No dia seguinte meu mau-humor era quase físico. O que é compreensível vendo o quão frustrada fiquei depois da noite passada. Eu estava irritada e estava de ressaca. Pelos céus eu estava tão irritada que rosnei para a moça simpática da pequena lojinha onde compro minhas verduras.
Tudo por causa de Potter. Não a ressaca, tudo bem, mas a irritação.
Digo, eu estava parcialmente bêbada, quase para explodir de tesão e aberta - literalmente - a qualquer sugestão safada que ele tivesse para dar. Tudo o que eu esperava dele era que rasgasse suas roupas e pulasse na cama comigo!
É pedir demais? Eu acho que não.
Ele tinha que me largar como se eu estivesse pegando fogo - é justo dizer que eu estava - e sair pela maldita porta?
Decidi que nunca mais bebo uma gota de álcool com James por perto. Toda vez que lembro da outra lambida que dei em seu pescoço tenho vontade de me atirar em frente à um carro. O pior é que eu não sabia se era agradecida ou não por não lembrar da noite inteira.
Assoprei minha unha recém-pintada segurando cuidadosamente o celular perto do ouvido.
- Evans! - Ele gritou do outro lado da linha.
- Não sou surda, Potter! - Gritei de volta.
Não é surda? Estou ligando há dez minutos para o seu telefone de casa.
E você ainda não entendeu que eu não quero falar com você?
Se não quisesse falar comigo não teria atendido o celular.
- Tem razão.
Desliguei o telefone.
Voltei a pintar as unhas dos pés, e o celular tocou mais uma vez. Estreitei os olhos ao ver o número de James no visor. Deixei tocar mais um pouco por pura tortura, então atendi.
O que é?
Nossa, quanta grosseria, Evans? É assim que você atende seus clientes?
Desliguei o telefone novamente.
Francamente, ele acha mesmo que eu vou perder meu precioso tempo ouvindo-o dizer que eu sou grossa? A culpa é toda dele se eu preciso ser grossa o tempo todo.
Mais uma vez o celular tocou.
- Porque desligou o telefone? - Ele perguntou. Eu podia ouvir o entretenimento em sua voz.
- Potter, eu acho que deixei claro as circunstâncias nas quais você poderia me ligar. - Segurei o pincelzinho do esmalte longe do tapete. - Se seus pais estiverem precisando de mim, se alguém com quem me importo estiver morrendo.
- Bom, meus pais não precisam de você e eu não estou morrendo.
- Estou tentando pintar as unhas, Potter! Aliás, quando eu disse que você está na lista de pessoas com quem me importo?
- Você não precisa dizer, hon - Ele respondeu sarcástico - Eu preciso que vá por a comida de Rudy. Eu vou me atrasar um pouco e já passou da hora de ele comer.
- Por favor? - Eu disse esperando a "palavra mágica".
- O prazer é meu. - James respondeu antes de desligar.
Filho da...
Argh.
Levantei pisando devagar para não borrar as unhas, eu teria que descer e pegar as chaves reservas com Mr. Sanders e eu sabia que não seria uma tarefa agradável. Ele já achava que James e eu éramos um casal desde a noite em que ele me trouxe para casa após a despedida de solteira de Alice.
Não que eu quisesse ajuda dele, mas nós moramos no mesmo prédio e de todos os caras na despedida de solteiro de Frank - que era a três quadras da nossa - ele era o único que estava em condições de dirigir. A culpa foi minha, eu admito, já que no momento que ele me tirou do carro em seus braços eu o abracei com força e murmurei umas coisas que - ahem, agora não me são muito claras - eu tenho certeza que fariam uma virgem corar quando ele perguntou por minhas chaves. Porra, coisas que eu não falaria em meu estado normal.
E para piorar, no momento em que ele parou, comigo ainda em seus braços, na frente de Mr. Sanders para pedir minha chave reserva dele, eu dei uma longa lambida em seu pescoço. Eu estava completamente bêbada, só para deixar claro. Okay, James é muitas coisas, mas ele não é um canalha completo. Qualquer outro cara poderia ter se aproveitado muito bem da situação.
Mais tarde, já no apartamento de James, o telefone começou a tocar enquanto eu guardava a comida de Rudyard no armário, mas eu ignorei completamente. Digo, pelo amor de Deus, eu não vou atender o telefone da casa de Potter. Ao fechar a porta da cozinha, eu ouvi a voz de uma mulher.
"Uh, James. Sou eu, Corine. Não quero incomodar, mas estou indo até sua casa deixar um pedaço de bolo que fiz. Caso não esteja, deixarei na porta. De qualquer forma você sabe que é meu. Beijos."
Encarei o telefone.
Beijos?
Mordi os lábios ligeiramente irritada quando uma ideia me surgiu. Lentamente andei até o quarto de James e abri a porta de seu armário.
Lembre-se Lily, você está fazendo isso para ajudar James. Apenas por isso. Quero dizer, ele deve estar sofrendo tendo que desviar da pobre menina o tempo todo. Aliás, você está fazendo para se ajudar! Afinal todos pensam que James e eu estamos juntos. Que desastre seria se alguém visse Corine saindo do apartamento dele.
Repeti esse mantra enquanto tirava minha roupa para por unicamente uma das blusas de James. Em frente ao espelho dele, joguei minha cabeça para baixo bagunçando meus cabelos. O que me causou umas pontadas de dor de cabeça por conta da ressaca.
Cinco minutos depois, ouvi alguém bater à porta.
Preguiçosamente caminhei até a entrada e abri a porta sem perguntar nada.
Corine - a neta bronzeada de shorts minúsculos da Mrs. Mason - sorria de forma encantadora com um prato nas mãos. Vamos aos fatos, ela é mesmo de tirar o fôlego. Seu sorriso morreu ao me ver, dando lugar a uma expressão confusa. Ela não disfarçou o olhar para as roupas de James em meu corpo e perguntou perturbada:
- Quem é você?
- Perdão? - Eu disse - Você está batendo em minha porta.
- Sua? Achei que James morasse aqui.
- Oh, ele mora. - Eu sorri.
- Mas...
- Sim? - Falei inocente.
- Você é a namorada dele ou algo assim?
Sorri.
- Algo assim. - Eu resisti a tentação de dizer que era namorada dele, afinal sabe-se lá o que ele havia dito ou feito com ela no dia do jantar.
- Oh. - Ela encarou-me muda.
- Sinto muito, o que você queria mesmo?
Corine corou.
- Ah, eu vim trazer um pedaço de bolo.
- Oh, que gentileza. - Sorri amigável.
Parecia que Corine estava prestes a cavar um buraco e se jogar. Ou se atirar da janela. E eu a assegurei, mentalmente, que não iria atrapalhar se ela quisesse fazer qualquer uma das duas coisas.
Sabe o que dizem, não se meta na vida dos outros.
Oh, estou má hoje. É a ressaca. E a frustração.
- Não é nada.
- Corine? - Ouvimos James perguntar.
Adivinhe? Talvez eu devesse dar as mãos e me jogar pela janela junto com Corine. Imagine só, pega no flagra por James Potter. Ele pensará que sou louca. Bem, devo ser pelo menos um pouquinho. Oh, não. Pior, ele pensará que estou com ciúmes.
Isso sim é absurdo.
- James! - Ela exclamou sorrindo.
Ele estava de óculos e um cachecol fino jogado de forma displicente en volta do pescoço. James a ignorou, confuso - eu não o culpo - olhando para mim. O olhar percorreu meu corpo com surpresa. Eu lembrei do dia que nos conhecemos. A calça baixa, o peito nu, minha semi-nudez... Foi o único momento em minha vida que pensei beijar - entre outras coisas - um cara que eu tinha acabado de conhecer.
- Foi embora e não me acordou, amor. - Falei tentado deixar claro para ele a situação.
Lógico que James não é nenhum idiota, ele logo deu seu meio sorriso maroto e aproximou-se de mim para depositar um rápido beijo em meus lábios aproveitando para colar meu corpo no seu. Preciso lembrar que estava apenas com a camisa dele e minha lingerie minúscula por baixo? Fiquei meio tensa com a proximidade física repentina e acho que Corine notou.
- Não queria te incomodar, ruiva. - Ele sorriu.
Corine nos olhou desconfiada ainda com o prato com bolo nas mãos.
James sorriu para ela.
- Não acredito que me trouxe mesmo um pedaço de bolo.
Ela apenas devolveu o sorriso e respondeu:
- Eu disse que traria, não disse?
- Você quer entrar? - Ele perguntou e eu quis pisar em seu pé.
Corine olhou de James para mim e para James novamente. Estava claro que ela não tinha comprado toda aquela história de amor e tudo o mais. Ela deu de ombros:
- Por que não? Vou adorar.
Para os infernos com a pisada no pé. Eu quis dar uma joelhada no meio de suas de James. Digo, por que diabos ele teve que convidar a garota para entrar? Eu tinha trocado meia dúzia de palavras com ela e os ciúmes estavam me corroendo por dentro.
Eu nunca tive ciúmes das namoradas de James. Porque agora?
Corine entrou passando os olhos pelo ambiente com curiosidade. James fechou a porta atrás de nós e se aproximou de mim falando:
- Lily, poderia fazer um chá para nós? Por favor. - Ele teu um leve tapinha em minha bunda por cima da camisa que eu vestia.
Eu precisei de muito autocontrole para não gritar com ele sobre o quão inapropriado isso foi. Entretanto, quem sou eu para dizer? O cara chega em casa e eu estou com as roupas dele como uma psicótica.
- Claro, coração. - Eu lhe respondi com um sorriso.
Se ele estava achando que eu iria deixá-lo na sala para ser comido de novo e de novo na mente de Corine, ele está muito enganado. Caminhei graciosamente até Corine - internamente querendo arrancar o prato de suas mãos e atirá-lo pela janela e com o sorriso mais sano e educado que pude dar, eu estendi a mão esperando que ela me entregasse o maldito bolo. Ela sorriu de volta, arqueando uma sobrancelha e me entregou o prato.
Fiz o caminho para a cozinha, de forma deliberada, movendo os quadris de modo calculista. Ao passar perto de James olhei inocentemente para seus lábios e entreabri levemente os meus. Ele me acompanhou com os olhos e da porta da cozinha fiz minha melhor e mais inocente cara e disse:
- Oh, não lembro onde você guarda o chá, James.
- Eu mostro para você. - James falou antes de se virar para Corine e dizer - Fique à vontade.
Entrei na cozinha, larguei o prato na bancada e encostei na ilha esperando por James que veio logo atrás, assim que ele fechou a porta sussurrei o mais alto que pude.
- Mas que porra? Por que você a convidou para entrar?
Ele deu de ombros.
- Qual é o problema?
- Você tem apenas parte do cérebro? E se ela descobrir a verdade?
- Se você agisse como uma boa namorada ela nem desconfiaria.
Eu o encarei chocada.
- Perdão? Quando não agi como uma boa namorada?
James se aproximou com uma sobrancelha arqueada.
- Quem sabe quando tentei beijar você e seu corpo ficou mais rígido que uma tábua.
- Oh, vai jogar a culpa de seu beijo medíocre em mim? - Eu apontei para o peito em revolta para depois zombar: - O que aconteceu com toda aquela história de "meu beijo é muito mais que aceitável"?
A boca de James se curvou em um pequeno sorriso.
- Eu lembro que já lhe disse que não beijo quem não quer ser beijada, não disse Evans?
- Disse sim e pelo que vejo Corine está louca para beijar. Aliás, claramente não só sua boca. - Cruzei os braços arqueando uma sobrancelha.
- Lily Evans com ciúmes? - Ele riu levemente.
Revirei os olhos.
- Francamente, achei que já tínhamos encerrado tal assunto. E você me pegou de surpresa, eu não estava exatamente esperando um beijo seu.
Dessa vez ele pareceu surpreso.
- Você foi pega de surpresa? Volto para minha casa e você está em minha porta, vestida com minhas roupas, esperando-me como uma boa esposa ou algo assim e você foi pega de surpresa?
- Ah, então agora sou uma boa namorada? E pelo amor de Deus não faça escândalo, não é como se isso fosse chocante para você casanova.
- James? - Ouvimos a voz de Corine na sala - Não sei se é um bom momento para dizer, mas eu não gosto de gatos. E o seu está me assustando um pouco.
Revirei os olhos.
- Garanto que ele está mais assustado com ela. - Eu falei dirigindo-me a porta para resgatar Rudy.
James me parou colocando-se à minha frente e levantando meu rosto para o seu.
- Talvez tenhamos que praticar mais.
- É talvez... - Eu fingi ponderar para depois bater sua mão para longe - Em outro universo, Potter!
- Perdão, deixe-me corrigir. Talvez você tenha que praticar mais.
- E talvez você beije direito da próxima vez.
- Talvez adiantasse se você me beijasse de volta como se quisesse! Ou será que Hugh beija melhor?
- Pelos céus, você está se ouvindo?
Ele balançou a cabeça concordando.
- Tem razão, Hugh nunca seria capaz de beijar melhor do que eu.
- Eu quis ressaltar seu ódio infundado por Hugh - Cruzei os braço - Não seu egocentrismo.
- Meu ódio infundado? E o seu por Corine? - Ele acusou.
- Seja coerente, Hugh não olha para mim como se quisesse me comer. Agora Corine? Só Deus sabe! Ela pode muito bem estar esperando nua por você na sala nesse instante que não me surpreenderia.
- Está de brincadeira. Aquele trouxa baba a camisa inteira quando a vê e você ainda acha que ele só quer ser um vizinho prestativo?
- Sinceramente, o comportamento de Hugh sequer se compara ao de Corine!
- Vai dizer que ele nunca tentou beijar você? E de onde você tirou essa ideia estúpida sobre Corine?
- Infernos, Hugh é tão lento que precisaria de três meses para pegar em minha mão que dirá me beijar! Oh Potter, eu não preciso ser muito criativa para saber o que acontece quando você tira suas roupas para uma mulher. - Apontei para seu peito.
- Mas o qu-
De repente ouvimos o barulho dos passos de Corine, e em uma velocidade quase sobre humana James empurrou-me contra a ilha da cozinha e capturou minha boca fazendo com que minhas pernas nuas enlaçassem seu quadril. Eu não lembrei nem mesmo o que estava fazendo antes de James me beijar, a única coisa que eu ouvia em minha cabeça era: caralhos, que beijo mais perfeito.
James sabe beijar. Fato. Puta merda, pelo que Marlene diz, ele sabe fazer qualquer coisa muito bem. A reputação dele definitivamente o precede.
Minha mão agarrou com certa agressividade o cabelo de James e apertei mais meu corpo contra o dele. Eu estava com raiva, não vou mentir, mas a sensação das mãos de James sobre mim e sua boca sobre a minha enevoava qualquer pensamento racional. A língua dele deslizou enlouquecedora por minha boca e suas mãos desceram por minhas costas lentas em uma caricia provocante que fazia apenas com que eu me arqueasse ainda mais contra ele.
- James. - Ela chamou.
Se James ouviu ou não, pouco me importa. Eu não ia parar de beijá-lo por causa dela. Ela não pareceu intimidada - claro que ela não ouviu meus pensamentos - e apenas o chamou novamente quando ele descia as mãos para minha coxa. Eu tive que fazer muito esforço para lembrar que estou sem calcinha.
- James!
James finalmente desgrudou a boca da minha e eu quase gemi inconformada. Ele abriu os olhos focando nos meus para depois virar para Corine e dizer:
- Já estou indo, vou mostrar para Lily onde está o chá. - James sorriu simpático enquanto eu olhava para ela e imaginava por fogo em seu cabelo.
Minha parte disfuncional do cérebro - eu nem sabia que tinha uma, mas ela vem se mostrando bem ativa nesses últimos dias - quis dizer que ele poderia me mostrar o que quisesse, mas a parte racional me obrigou a ficar calada. Corine me pareceu um tanto receosa de nos deixar novamente sozinhos, mas quando abriu a boca para protestar James insistiu.
- Por favor, espere lá.
- Está bem. - Corine fechou a porta atrás de si ao sair.
- Seu beijo melhorou, hon. - Ele sorriu maroto. - Logo eu poderei acreditar.
Arqueei uma sobrancelha e trouxe seu quadril mais para perto com a perna que ainda estava segurando-o de forma possessiva.
- Oh, você me parece excitado o suficiente, amor.
Ele riu e aproximou sua boca de minha orelha.
- Faça o chá depressa - James murmurou antes de morder meu lóbulo e minhas unhas cravaram em suas costas - Você não vai querer me deixar sozinho com Corine, vai?
- Só o tempo necessário para por a água para ferver Potter. - Eu o empurrei para longe mantendo a camisa dele no lugar para não aparecer minha lingerie. - Se comporte.
Em alguns segundos eu já tinha posto a água no fogo e separados as louças para usar. Marcando o tempo em meu relógio, fui até a sala ainda vestindo apenas a blusa.
Corine falava alguma coisa que eu não me dei o trabalho de prestar atenção, ela estava sentada no sofá, perto de James, perto demais se você quer saber minha opinião. Mas, para mostrar que sou uma pessoa adulta e madura, sentei-me na poltrona que ficava ao lado do sofá.
James olhou para mim, e disse:
- Ainda que eu adore ver você em minha camisa, acho melhor você trocar de roupa, ruiva.
Sorri-lhe marota.
Ele pode para cima e para baixo usando apenas uma calça moletom e eu não posso usar apenas uma blusa? Eu acho que não, Potter. Direitos iguais.
Ademais, não é como se tivesse algo aparecendo, a camisa dele era longa o suficiente para me proteger.
- Corine é mulher, tenho certeza de que ela não se importa - Eu cruzei as pernas - Não é, Corine?
Corine sequer olhou para mim.
- Claro que não. - Então ela fez um pequeno teatrinho pondo uma das mãos na cabeça - Oh, James! Que cabeça-de-vento eu sou, esqueci de trazer a camisa que você esqueceu lá em casa.
Vaca escrota.
Meu Deus, eu preciso de tratamento urgente.
Meu celular que estava na mesinha da sala apitou com uma mensagem nova, eu estiquei-me devagar para pegá-lo, observando James com o canto dos olhos. Ele discretamente acompanhou o movimento, lançando-me um olhar de aviso. Com o celular nas mãos, o olhei de forma inocente e eu tenho certeza que pode ler meu pensamento: "O que foi? "
A mensagem era de Petúnia reclamando por mamãe ter marcado o jantar justamente para a semana em que ela estava viajando e mais umas merdas sobre sempre ser apunhalada pelas costas que eu não tive paciência para ler. Eu tive vontade de responder-lhe que mamãe havia dito a ela um mês antes a data do jantar e avisado com antecedência sobre a mudança da data do jantar. Em seguida mandar a representação de uma gesto obsceno, - o que, para esclarecer, eu não faço com frequência, por alguma razão Corine e essa ressaca irritante estão me deixando um tanto agressiva - mas tive uma ideia melhor e sorri para a mensagem como se fosse a noticia mais maravilhosa do dia.
Isso chamou a atenção de James que ainda ouvia alguma coisa que Corine falava, e o fez dizer:
- Uma boa noticia pelo que vejo.
Sorri para ele alegre.
- Oh, sim. Hugh disse que está livre para verificar o que há de errado com meu fogão. Vou esperá-lo em meu apartamento.
Ei, não é mentira. Ele se ofereceu mesmo. Enquanto James não parecia muito feliz, eu por outro lado, gargalhava internamente. Marcar definitivamente uma psicóloga. Ou um almoço com Dorcas.
- Não vejo porque incomodá-lo, eu posso consertar para você.
- Não quero ocupá-lo - Movimentei-me na cadeira como quem vai se levantar - E você tem visita.
- Por isso mesmo que não deve ir. - Ele contrapôs.
- Oh, eu não me importo. - Corine me sorriu e bateu seus cílios para mim com meiguice exagerada.
Isso é evidente sua piranha oferecida.
Estapeei-me mentalmente. Preciso passar menos tempo com Dorcas e Marlene, meu vocabulário já está sofrendo as influências.
Nesse momento meu telefone tocou e ao olhar o visor, sorri novamente e levantei atendendo.
- E ai, gata? - Lene disse - Vamos sair para comer hoje? O barman daquele restaurante de sushi perto da casa de Dorcas é muito gostoso e eu tenho certeza de que ele pode me ensinar outras coisas além de como fazer bebidas.
- Hugh, eu acabei de receber sua mensagem! - Falei simpática.
- Que merda? Você bateu a cabeça, Lily? - Marlene falou do outro lado.
- Se não for muito incomodo para você eu agradeceria. - Continuei como se não tivesse ouvido Lene falar.
- Lily - James falou perigoso - Eu conserto para você.
- OhmeuDeus. Você está na casa de James! O que está fazendo ai? - Ela surtou ao ouvir James.
- Não precisa James, Hugh o fará rapidamente. - Falei cobrindo o telefone com as mãos como se quisesse evitar Hugh de ouvir nossa conversa.
- Hugh? Consertar alguma coisa com você ao lado? Não sei se ele é capaz de tanto. - Ela riu debochada.
- Bem - Eu disse me aproximando do local onde James estava sentado e acariciei provocativa seu queixo - James está um tanto relutante em ocupá-lo com isso, mas...
Nossa, eu devia ganhar um Oscar por essa perfomance.
- Desligue o telefone, Lily.
- Oh, estamos um tanto possessivos, não? - Lene provocou. Não que James pudesse ouvi-la. - Pelo amor de Deus Lily, vá se trancar em um quarto com James e resolva logo isso.
Corine nos encarava em um misto de raiva e ciúmes. O que é compreensível.
- Eu agradeço de todo, Hugh. Estarei esperando voc-
E foi isso. Eu ouvi Marlene gargalhar do outro lado, James levantou tomou o celular de minha mão e o desligou para murmurar:
- Nós temos que conversar, Lily.
- Sim, amor. Sobre seus bons modos. - Tentei tomar o celular de volta para mostrar que ele não manda em mim e que, quando eu decido algo, mantenho minha posição. Isso e para ele não perceber que a última pessoa que me ligou fora, na verdade, Marlene.
James não facilitou minha vida e acabei desistindo do celular. Coloquei as mãos na cintura e disse irritada:
- Certo, fique com ele. - Dei de ombros - Hugh já está vindo mesmo. Divirta-se.
Marchei em direção porta abrindo-a quando lembrei que minhas chaves estavam no shortinho que eu estava usando e que agora está jogado no chão do quarto de James.
Revirei os olhos irritada e dei meia volta, entrando no apartamento de James e fazendo meu caminho até seu quarto. Procurei o meu short no chão onde eu o havia deixado me abaixando cuidadosamente para pegar minha chave do bolso.
Assim que voltei para a sala, vi James e Corine em pé. Ela estava junto à porta não parecendo exatamente feliz.
- Oh, já está de saída? - Eu perguntei - Foi uma visita tão curta...
- Eu posso voltar outro dia. - Ela quase rosnou tentando explodir minha cabeça com a mente.
Inferno, eu não sei exatamente se era esse o objetivo dela, mas caralhos, era o que eu estava tentando fazer.
- Seria maravilhoso. - Forcei-me a ser civilizada tentando lembrar que ela é neta da Mrs. Mason, e eu gosto dela. Então em teoria eu deveria gostar de Corine.
Alguns momentos depois ela se foi e James fechou a porta virando para mim com um sorriso maroto. Ele pegou a chave de minha mão e gesticulou para a porta que ele acabara de fechar.
- Venha, vamos esperar Hugh.
Caralhos que se fodam.
