Uma chance para amar

Fanfiction de Sion Neblina

Romance – yaoi

Disclaimer: Saint Seiya não me pertence, os personagens aqui citados pertencem a Masami Kurumada e Toei Animation, texto sem fins lucrativos, apenas para diversão dos fãs.

Sinopse: Quando se chega ao limite, só há duas possibilidades; se superar ou desistir de tudo. Mas até onde vai nossa capacidade de mudar o que consideramos errado em nossas vidas? Até que ponto, somos capazes de resistir, vencer a tristeza e refazer nossos sonhos por mais que a estrada de volta seja dolorosa? Até onde vai a nossa capacidade de amar?

Personagens principais: Shun e Hyoga / Ikki e Shaka/ Camus e Milo/ Seiya e Shiryu

Notas iniciais: Essa história é um romance angst que abordará temas fortes, como suicídio, traumas de infância, promiscuidade, dentre outros. Nela tentarei mostrar que ricos e pobres não estão tão distantes quanto possa parecer, e que não há barreiras para sentimentos verdadeiros. Contém forte conteúdo yaoi, então se não gosta, feche a página. Pode conter descrição ou insinuação de sexo, violência, linguagem vulgar, distorção de valores e outros temas adultos. Recomendada somente para maiores de 18 anos e para aqueles que não se sentem ofendidos por nenhum dos assuntos citados. Boa leitura.

Prólogo

How can I go on ?

How can I go on this way...

When all the salt is taken from the sea

I stand dethroned

I'm naked and I bleed

But when your finger points so savagely

Is anybody there to believe in me ?

To hear my plea and take care of me ?

Como posso continuar?

Como posso continuar dessa maneira?

Quando todo o sal é tirado do mar

Eu perdi meu trono

Estou nu e sangrando

Mas quando você aponta seu dedo tão selvagemente

Existe alguém pra acreditar em mim?

Para ouvir meu apelo e cuidar de mim?

O jovem mirou o mar a alguns metros abaixo de onde seu corpo balançava perigosamente. O forte vento que soprava naquele local, um belo mirante armado em metal e concreto, desalinhava seus cabelos cacheados, e os mesmos chicoteavam seu rosto. Mirou mais uma vez as águas límpidas do Egeu e fechou os olhos, respirando profundamente.

Era o que deveria fazer. Vida? Que vida? Estava cansado daquela existência vazia.

How can I go on

From day to day

Who can make me strong in every way

Where can I be safe

Where can I belong

In this great big world of sadness

How can I forget

Those beautiful dreams that we shared

They're lost and they're no where to be found

How can I go on ?

Como posso continuar

Dia após dia

Quem pode me fortalecer em todos os sentidos

Onde posso estar seguro?

A onde pertenço?

Nesse enorme mundo de tristeza

Como posso esquecer

Aqueles lindos sonhos que compartilhamos

Eles estão perdidos e não consigo achá-los

Como posso continuar?

- Você acha que tem motivos pra morrer? – a voz doce, juvenil, mas com certa melancolia e irritação, fez com que abrisse os olhos novamente, sobressaltado.

Encarou o garoto; ele estava sentado entre a armação de concreto e ferro do mirante, meio escondido. Usava uma calça jeans, uma camiseta verde sem estampa e uma boina quadriculada em vermelho e marrom cobria os espessos cabelos castanhos. Seus olhos esmeraldas miravam-no com certa hesitação.

- Não vai responder? O que você acha que tem de tão ruim em sua vida pra fazê-lo se jogar daí? – continuou o garoto.

Sometimes I start to tremble in the dark

I cannot see

When people frighten me

I try to hide myself so far from the crowd

Is anybody there to comfort me

Lord... take care of me

Às vezes eu tremo no escuro

Não consigo ver

Quando as pessoas me assustam

Tento me esconder longe da multidão

Tem alguém aí pra me confortar

Deus... cuide de mim

O loiro resolveu que o melhor seria ignorá-lo; não era momento para conversas e nem muito menos para confissões a um estranho como aquele. Seu coração estava pesado, mas não desesperado. Estava triste, vazio e resignado.

- Minha vida não faz nenhum sentido... – ouviu-se dizer enquanto ainda se equilibrava sobre a sacada de metal.

- Então é porque você não quer dar nenhum sentido a ela... – o rapaz de cabelos castanhos respondeu tranquilamente, e o estudante

Forçou-se a encará-lo. Percebeu que ele tinha um pequeno hematoma ainda arroxeado, e um corte nos lábios que devia datar de alguns dias atrás, pois já começava a cicatrizar.

Os lábios pequenos do jovem de olhos verdes se abriram num sorriso melancólico, e ele balançou a cabeça, se movendo da posição em que estava e se colocando ao lado do loiro, encostando-se a sacada onde o outro estava em pé. Era final de tarde, e o sol dava um espetáculo sobre o mar azul de Atenas.

- Pula logo, então... – disse – Se não há sentido em sua vida, pula.

How can I go on

From day to day

Who can make me strong in every way

Where can I be safe

Where can I belong

In this great big world of sadness

How can I forget

Those beautiful dreams that we shared

They're lost and they're no where to be found

How can I go on ?

Como posso continuar

Dia após dia

Quem pode me fortalecer em todos os sentidos

Onde posso estar seguro?

A onde pertenço?

Nesse enorme mundo de tristeza

Como posso esquecer

Aqueles lindos sonhos que compartilhamos

Eles estão perdidos e não consigo achá-los

Como posso continuar?

O estudante hesitou; mirou mais uma vez os olhos esmeraldinos tão lindos e tão meigos e depois o mar que ondulava embaixo dos seus pés.

- Acreditaria se eu dissesse que tenho uma fortuna, moro numa mansão e possuo uma linda namorada?

- Sim, acreditaria. – o rapaz desconhecido respondeu simplesmente.

- Não te espanta que uma pessoa que parece ter tudo queira acabar com a própria vida?

- Não. – o jovem sorriu mais uma vez – Não posso imaginar como é ter tudo, porque nunca tive nada...

Os olhos azuis do loiro, mais uma vez, examinaram o garoto ao seu lado. O jovem de cabelos castanhos era pouco mais baixo que ele, e também mais magro, embora possuísse ombros largos e certa definição muscular. Seu rosto parecia o de uma criança, muito delicado e belo; pele pálida, a aparência era até um pouco doentia, mas seus olhos; ah, que olhos! Nunca vira tão brilhantes e... quase inocentes.

- Qual o seu nome?

- Por que alguém que vai se matar quer saber o nome de um desconhecido? – até mesmo a ironia pareceu doce nos formosos lábios do rapaz.

- Quem sabe para levá-lo pela eternidade, como a última lembrança de minha vida? – o loiro riu e depois suspirou com desgosto – Vida? Será que posso chamar isso que tenho de vida?

- Nenhum ser vivo deveria estar cônscio da própria morte. – o garoto de cabelos castanhos balançou a cabeça com certo pesar – Deveríamos ser como os animais, eles são felizes porque não sabem que vão morrer. Os animais não cometem suicídio...

When all the salt is taken from the sea

I stand dethroned

I'm naked and I bleed

But when your finger points so savagely

Is anybody there to believe in me ?

To hear my plea and take care of me ?

Quando todo o sal é tirado do mar

Eu perdi meu trono

Estou nu e sangrando

Mas quando você aponta seu dedo tão selvagemente

Existe alguém pra acreditar em mim?

Para ouvir meu apelo e cuidar de mim?

- Sim, eles também não pensam! – tornou o loiro com amargura – Daria tudo para não pensar também... – confessou num sussurro quase inaudível, achou que o rapaz não escutaria, presos como estavam ao assoviar do vento naquele lindo lugar. Mas se enganara...

- Então não pense, pensar nem sempre é o melhor a fazer, e acho que nesse momento específico não é mesmo.

O loiro baixou o olhar para o mar de um azul tão profundo quanto seus olhos.

- Não consigo mais suportar minha existência... – o estudante não sabia por que sentia aquela necessidade de conversar e contar todas as suas mazelas para aquele menino estranho. Mas eram suas últimas palavras, e queria de falar. Além disso, aqueles olhos, aquele sorriso eram tão cativantes, compreensivos e doces... Sentia-se tão em paz ao olhar aquele garoto de boina xadrez... Por quê?

- Por que simplesmente não fecha os olhos e sonha? – sugeriu o desconhecido, alheio aos seus pensamentos – É isso que faço quando a dor se torna insuportável...

How can I forget

Those beautiful dreams that we shared

They're lost and they're no where to be found

How can I go on ?

Como posso esquecer

Aqueles lindos sonhos que compartilhamos

Eles estão perdidos e não consigo achá-los

Como posso continuar?

- Quando fecho os olhos, só tenho pesadelos… - a confissão foi um sussurro.

- Então, abra-os e veja o sol...

O estudante mirou profundamente os olhos verdes a sua frente, eles pareciam tão fortes, pareciam ser os olhos que lhe dariam força para continuar, para achar os sonhos que foram perdidos, esquecidos, arrancados dele há muito tempo. Sentiu um calor tão profundo na alma que isso quase lhe arrancou lágrimas. Mas aquele não era o momento para chorar. O final chegou. Não era mais capaz de continuar...

- Não há sol para mim... – respondeu – Não há como não pensar o quanto minha vida é vazia e sem sentido! – gritou angustiado – Você não sabe! Não me conhece, quem pensa que é pra me dar conselhos?

- Não sou ninguém. – o jovem de cabelos castanhos respondeu com um sorriso triste – Mas aprendi ao longo de minha curta vida que para o suicida há apenas um problema.

- E qual seria?

- A falta da esperança; a certeza que nada mais vale à pena...

O loiro sentiu seu coração apertar e lágrimas marejaram seus olhos enquanto algumas imagens passavam por sua mente; esperança, palavra bonita, mas não entendia muito bem seu significado e nem o que aquele menino queria dizer; esperança...

- Nada mais vale a pena pra você? – o garoto insistiu, e o estudante piscou confuso. Estava decidido até então, decidido a por fim a tudo, todas as cobranças, todas as pressões, e sua própria auto-cobrança. Não mais suportava tudo aquilo, não suportava mais a vida enlouquecida; tinha que ser o estudante perfeito, o namorado perfeito, o filho perfeito, o profissional perfeito...

Chega!

Mirou mais uma vez o mar.

- Não, não vale! – respondeu – Foi um prazer conhecê-lo...

- Shun...

O loiro sorriu, e por seu rosto desceu uma lágrima...

- Gostaria de tê-lo conhecido antes... – murmurou Hyoga.

- Eu também... – os olhos verdes do garoto também marejaram, e ele deixou escapar uma lágrima que escorregou por sua pele clara.

Who can make me strong in every way

Where can I be safe

Where can I belong

In this great big world of sadness

Quem pode me fortalecer em todos os sentidos

Onde posso estar seguro?

A onde pertenço?

Nesse enorme mundo de tristeza

- Adeus, Shun... – disse se voltando definitivamente para o mar.

- Adeus, Hyoga...

O estudante parou, voltou-se rápido, mirando o rapaz com olhos arregalados.

- Espere, como você sabe...?

Não houve tempo para perguntas, seus pés, calçado em caríssimos sapatos pretos, escorregaram, e em questão de segundos ele despencava da sacada do mirante, rumo às límpidas águas do mar egeu...

How can I go on?

How can I go on?

Como posso continuar?

Como posso continuar?

Continua...

Notas finais: Sion em mais um UA. Bem, só posso agradecer aos meus leitores pacientes e todos aqueles que deram uma olhadinha, deixando review ou não.

Por favor, não me cobrem atualizações relâmpagos, eu nem queria postar a fic agora, porque estou enrolada com outras, fiz isso só pela data especial mesmo.

Música: How can I go on – Freddy Mercury

Abraços afetuosos!

Sion Neblina