Os motivos

Capítulo 1

Notas iniciais: Parece estranho (e é), mas farei um flashback, dentro do flashback, pois a cena a seguir é antes do encontro do Hyoga com o Shun no mirante, como vocês vão notar. Boa leitura.

-OOO-

O despertador tocou. Hyoga ergueu a cabeça e percebeu que não era o despertador e sim o celular. Verificou as horas. Estava mais uma vez atrasado. Pulou da cama, já atendendo ao telefone.

- Oi, Eiri...

- Oi, Hyoga, como você está?

- Relativamente bem, depois da derrocada da festa de ontem.

- A repercussão não foi tão ruim, meus pais acreditaram na desculpa de Camus de que você estava bêbado.

- Devo agradecer de joelhos... – ironizou o loiro enquanto caminhava para o banheiro.

- Não implica com ele, sabe o quanto o Camus se importa e se preocupa com você.

- Sei sim, Eiri, agora preciso tomar um banho...

- Tudo bem, vamos ao cinema no final da tarde?

- Sim, vamos. – suspirou o jovem russo.

- Diz que me ama, Hyoga...

- Eu te amo, Eiri, agora preciso de um banho... – a voz gelada não escondia o desconforto.

- Ok, nos vemos mais tarde.

- Certo.

O jovem loiro entrou no boxe para um banho demorado, enquanto sua mente processava os acontecimentos da noite anterior e o desespero crescia em seu peito. Não podia aceitar, tudo estava terrivelmente errado em sua vida.

-oooFlashbackooo-

O jardim da mansão dos Cignus fora decorado com requinte para a comemoração da festa de aniversário de vinte anos do filho único da ilustre família. Presente, somente boas cabeças da sociedade; a orquestra tocava um jazz elegante; os garçons distribuíam os drinques e caviar. Tudo era extremamente luxuoso.

E fútil...

Hyoga bebericou o uísque com uma expressão de tédio tão grande que chamou a atenção de seu melhor amigo, talvez seu único, e que também era seu primo. Foram criados como irmão, já que o jovem ruivo passou a maior parte da adolescência sob a guarda de seu pai. Camus se aproximou e com um sorriso amistoso bateu seu copo no do jovem amigo, brindando discretamente.

- Como se sente?

- Você já teve essa idade, como se sentiu? – perguntou Hyoga sem esconder o desagrado.

- Entediado. – disse o francês – Tentei alertar meu tio de que não gostaria de tudo isso, mas sabe que nem sempre ele me ouve.

Hyoga riu. A quem o primo queria enganar? Camus era o homem perfeito; o filho que Dimitri Cignus sempre quis ter; brilhante, ponderado, frio, calculista, sábio, elegante. Seu pai não cansava de compará-los.

- E a mim ele não ouve nunca. – respondeu com amargura – Pena, não ter sido você a nascer filho dele.

- Não seja tão radical. – advertiu o amigo – Sinto por não estar feliz com tudo isso aqui, mas essa é nossa vida, Hyoga, queira ou não.

- Como assim?

- Bem, estamos sempre reclamando de algo, não é? Nada é perfeito, mesmo quando todos acham que sim.

- Sinto-me mais estranho e deslocado que nunca, Camus, como se não pertencesse a esse lugar. – confessou, embora não gostasse de demonstrar fraqueza perante o primo sempre tão perfeito.

- Aqui é realmente muito diferente da Rússia onde cresceu, mas com o tempo você se acostuma.

- Tempo? – Hyoga riu incrédulo – Já tenho cinco anos aqui e é como se... como se continuasse sendo um completo estranho...

O ruivo encarou os olhos azuis perturbados do amigo.

- Nunca o vi tão deprimido, o que está acontecendo? Sabe que em mim pode confiar, pode confiar sempre Hyoga.

Os olhos do loiro encararam os do ruivo com melancolia extrema e, talvez, um pouco de vergonha.

- A Eiri... – sua voz foi quase um murmúrio.

- O que tem ela? – Camus sondou, olhando para os lados como se esperasse que algum espião estivesse por perto.

- Ela quer se casar no inicio da primavera...

- E qual o problema nisso? Toda noiva quer se casar no inicio da primavera, ela não é a única...

Hyoga bufou e colocou o copo numa bandeja que passava rápido, apoiada na mão de um garçom.

- Tem razão, o problema sou eu...

- Acredito que sim. Você tem uma noiva linda, apaixonada; é um jovem brilhante, herdeiro de uma das maiores fortunas da Grécia, o que mais pode querer?

O rapaz russo sorriu com a ironia que via nos olhos de Camus; o francês possuía quatorze anos a mais que ele, mesmo assim, era pressionado pela família tanto quanto o loiro. A família Verseau era tão ou mais rígida que a sua, e o jovem sofria a pressão para que se casasse e fabricasse herdeiros para clã. Todavia o ruivo estava sempre ocupado e preocupado com os negócios e pouco tempo lhe restava para se envolver emocionalmente.

Hyoga tinha Camus como um pai ou um querido irmão mais velho. Era seu amigo, mentor e conselheiro para qualquer assunto. Confiava incondicionalmente no ruivo e o amava demais e por isso também, possuía muito medo de decepcioná-lo, se esforçando ao máximo para ser melhor em tudo que fazia. Lembrava-se que era Camus quem estava por perto em sua infância. Era ele que o acompanhava nas reuniões escolares e nas disputas esportiva de que participava. Sempre que vencia era para Camus, e era dele o abraço que recebia e todo o incentivo. Dimitri estava sempre viajando, sempre ocupado, e embora se esforçasse para estar presente na vida do filho, na maior parte do tempo estava ausente, era o ruivo a figura paterna de Hyoga. Considerava-o muito mais seu pai que o próprio Dimitri, e sabia que o ruivo sentia o mesmo.

- Tem razão, o que mais eu poderia querer? – sorriu.

- Nada, a não ser uma vida! – o francês deu de ombro e terminou seu uísque enquanto Hyoga ria. Eiri chegou minutos depois trajando um lindo vestido salmão. Os cabelos loiros preso num elegante coque.

Beijou Hyoga na boca e cumprimentou Camus com um beijo no rosto, o que sempre incomodava o frio executivo; a moça gostava de demonstrar uma intimidade que estavam longe de possuir, na verdade, Camus, embora fosse naturalmente avesso a afetos, não nutria muita simpatia pela noiva do amigo.

- Meus pais chegaram, Hyoga, estão com seu pai próximo à piscina, venha cumprimentá-los. – pediu Eiri se pendurando no pescoço do namorado.

O russo resignou-se, odiava quando a namorada ficava ditando como deveria agir, mas ponderou que deveria mesmo cumprimentar os futuros sogros.

Futuros o quê, Alexei? Já está concordando com essa história? Quem em sã consciência se casaria aos vinte anos? – gritava mentalmente enquanto seguia a loira.

Camus observava o amigo sendo arrastado pela namorada.

"Quem o vê jamais pensará que há algo de errado com ele; mas vejo uma bomba relógio preste a explodir cada vez que olho para meu filho..." pensou.

- Verseau! – ouviu a voz cordial, sensual, e virou-se, sorriu.

- Como vai, Phalke?

O loiro se aproximou e apertou a mão do ruivo.

- Onde está o Hyoga?

- Com a namorada e sua família.

O indiano balançou a cabeça.

- Parece que a coisa ficou mesmo séria. – comentou colocando as mãos nos bolsos da calça preta.

- Parece que sim... – Camus sorriu com o canto dos lábios.

- E você, o que fez em minha ausência? – a pergunta do indiano tinha um duplo sentido que o ruivo preferiu ignorar. Seu corpo ainda lembrava perfeitamente da festa de despedida do artista plástico e ainda possuía algumas das marcas deixadas por suas unhas.

- Trabalhei bastante... – respondeu Camus baixando a cabeça. Shaka sorriu timidamente, não deixando escapar um pouco de malícia. Camus observou os cabelos trigueiros e brilhantes dele, que caíam sobre o terno escuro, até o meio das costas; exótico, belo, sincero... Shaka destoava terrivelmente de tudo que via naquele local.

- Você sempre obcecado por trabalho... – continuou o indiano e mirou os olhos turquesa frios do ruivo – Acho que fiz mal em passar tanto tempo em Nova York, ao menos, conseguia fazer com que relaxasse de vez em quando...

- Você sempre um sedutor... – observou Camus com uma voz intencionalmente lânguida e sensual...

Os olhos deles se encontraram, mas o mestiço hindu resolveu que não entraria naquela peleja com Camus Verseau, sabia que entre eles não era possível, não, nunca daria certo e o melhor a fazer era se afastar, mesmo porque, gostava mais do que deveria dos lábios, da pele, do cheiro daquele executivo frio e sensual; contudo, era uma relação que nunca existiria e sabia bem os motivos para isso.

- Pegarei um drinque, estou com sede... – virou nos calcanhares e acabou trombando com um garçom.

- Por que não olha por onde anda? Veja o que você fez! – reclamou mostrando o terno e a camisa sujos de champanhe.

O garçom que tentava recolocar as taças na bandeja, resmungando, o encarou muito irritado; Shaka engoliu em seco e encarou os olhos escuros, também demonstrando seu grau de insatisfação.

- Desculpe, senhor. – o moreno respondeu cerrando os dentes e o loiro virou-se para Camus, o ignorando.

- Já não se faz serviçais como antes! – reclamou e saiu andando.

O ruivo mirou o jovem que ainda estava parado com a bandeja nas mãos e seguia os movimentos do loiro com um olhar homicida.

- Desculpe-o rapaz... – sorriu compreensivo, e o moreno voltou-se para olhá-lo – Ele pode até ser arrogante, mas esse é seu maior charme...

Ikki terminou de arrumar a bandeja e voltou para a cozinha, revoltado, sabendo que receberia uma bronca da dona do Buffett por ter desperdiçado o caro champanhe. Não merecia aquilo, não merecia mesmo! E só não iria atrás daquele loiro frutinha metido a besta, para lhe dizer alguns desaforos, porque necessitava daquele emprego de merda, que ajudava a pagar as contas e os estudos e ainda mandar algum dinheiro para a família.

- Ikki, o que aconteceu? – perguntou o amigo e que também estava fazendo um bico de garçom, Seiya.

- Um riquinho frutinha metido a besta e filho da puta trombou comigo! – esbravejou os pensamentos revoltados contra o rapaz do jardim.

- Nossa! Quantos predicados para uma pessoa só! – riu Seiya.

- Olha como fala! – reclamou Saori a dona do Buffett e amiga dos jovens - Alguém pode ouvir, Ikki...

O moreno resmungou entre dente e engoliu em seco para não responder a moça, tudo que pensava sobre toda aquela gente. Voltou a encher as taças e seguiu para servir os convidados.

Todos a aristocracia européia estava presente na exuberante festa de aniversário. A família Cignus, uma das mais ilustres de Atenas, recebia os convidados e esperava que os melhores jornais e revistas prestigiassem o evento. O senhor Dimitri Cignus tivera muito trabalho em convencer o filho a aceitar a festa; e se não fosse Camus, com certeza, Hyoga não estaria ali.

Alegre-se, não é todo dia que fazemos vinte anos! A voz do amigo ainda ecoava em sua mente enquanto o aniversariante bebia um drinque escondido nos arredores do jardim. Estava cansado de tudo aquilo, cansado da festa, cansado de ter que ser perfeito. Tirou um maço de cigarro do bolso, acendendo um, soltando à fumaça no ar.

- Outro fugitivo... – ouviu a voz de um dos amigos – certo, nem tão amigo assim – mas era alguém do seu círculo social e a quem nutria muita simpatia. Mesmo porque, era uma pessoa não dada a afetividades ou proximidade; os artistas são excêntricos – pensava Hyoga - e ali estava uma prova real disso. Shaka Phalke era a coisa mais excêntrica que conhecia, desde a sua aparência, um loiro indiano de 1,82m e límpidos olhos azuis, a sua personalidade arredia, ácida e, às vezes, por que não dizer? Provocadora.

- E você, artista, do que foge? – Hyoga perguntou ainda tragando.

- Dessa gente fútil, estúpida e deprimente como nós dois... – riu com escárnio – E do meu papel de rico herdeiro e deslocado social; e você aniversariante?

- Tudo, menos a parte de deslocado social. Sou perfeito! – riu com amargura enquanto observava a fumaça se espalhar no ar – Perfeitamente tolo, fútil e sem perspectiva!

- Vai vestir a camisa de "pobre menino rico"? – a voz do loiro hindu deixou transparecer todo o desprezo que sentia por aquele tipo de auto-piedade que o mais jovem demonstrava, e Hyoga resolveu que Shaka não seria um bom ouvinte para suas agruras. Não, o indiano não suportava a hipocrisia dos atos das pessoas a sua volta, era incisivo e deixava claro que nada que aquele povo socialmente e espiritualmente fútil dizia lhe tocava a alma. Apesar de pertencer à mesma rica e fútil sociedade ateniense, sendo filho de um diplomata inglês e de uma milionária indiana radicada na Europa. Shaka levava em si muito da cultura hindu e suas ideias milenares; era sábio, apesar de irônico e, muitas vezes, irritadiço. Sua fama de artista excêntrico atraia muitos admiradores sociais; pessoas que queriam ficar perto dele para aparentar serem cultas, antenadas e refinadas. O loiro parecia desdenhar de tudo isso e mantinha, sempre que possível, o mínimo de contato com o seu circulo social, embora seus pais sempre quisessem que ele se envolvesse nos eventos dos quais participavam. Por outro lado, às vezes, eles pareciam sentir bastante vergonha do jeito hostil e incomum do filho.

- Não, isso não faz meu tipo, prefiro amarrar uma pedra ao pescoço e me jogar da ponte! – Hyoga respondeu depois de certo tempo.

- Hum... dramático. – riu o indiano – Boa forma de morrer, só dispensaria a pedra...

- E você entende sobre formas de morrer, Shaka? – perguntou Hyoga irritado – Vamos ser sinceros, saia dessa pose de sábio oriental e veja realmente o que temos ao nosso redor. Isso tudo aqui, inclusive você, é podre, fútil e vazio! Não pense que é melhor que algum deles! A bebida, a camisa fina que você veste, o perfume francês são iguais, iguais em todos nós!

- Hum, você está realmente irritado com a festa... – o hindu observou sem perder a calma – O caviar não está tão ruim assim.

Hyoga acabou rindo da observação, o que levou Shaka a rir também.

- Sabe, Hyoga, também já tive minha fase de rebeldia, sou pouco mais velho que você e garanto que daqui a cinco anos, se dará contra de quanto esses sentimentos são inúteis. Os dias passam e nada muda. Seremos sempre o que somos; tolos, vazios, fúteis, porque o mundo exige que sejamos assim, e somos fracos demais para mudar qualquer coisa.

Depois dessas declaração, o artista plástico se levantou, aproximou-se do mais jovem e beijou-o nos lábios levemente, se afastando logo em seguida.

– Feliz aniversário! – disse antes de deixar o jardim.

Hyoga ficou um tempo aturdido, sem saber muito bem o que dizer e nem que rumo tomar. Sua única vontade era beber algo que o embriagasse a ponto de anestesiar sua alma.

- É isso! – disse pra si, satisfeito. Saiu sorrateiramente do jardim, entrou na cozinha onde os funcionários do Buffett trabalhavam incessantemente, e roubou uma garrafa de vodka.

-OOO-

Camus se aproximou do tio, percebendo que não demoraria a Dimitri solicitar a presença de Hyoga no palco onde a orquestra tocava. O empresário russo era extravagante e não tinha nenhum respeito pelo jeito reservado do filho, tendo Camus, muitas vezes, que intermediar os conflitos entre eles. Hyoga era um rapaz sensível, e o amigo sabia que ele detestava a vida que levava; escravo das regras do pai, um homem que queria que o jovem loiro fosse algo que ele não era. Não, Hyoga não era como Camus, estava longe de ser. Não gostava do mundo dos negócios. Mesmo assim, se obrigou a cursar uma faculdade de administração, na tentativa estéril de agradar o pai. Dimitri, porém, não valorizava o esforço do filho e nem perdoava suas falhas. Ele queria Camus como filho, como herdeiro, mas infelizmente, o ruivo nascera apenas seu sobrinho. Ainda assim, era para o francês que ele dispensava todos os elogios e carinho; aquilo, muitas vezes, colocava o rapaz numa situação difícil,mesmo porque, Camus, apesar de pensar muito parecido com Dimitri, gostava demais de Hyoga e não queria de forma alguma magoar o primo.

- Tio, não acho um discurso uma boa ideia. – ponderou o jovem francês – Sabe que o Hyoga é muito reservado e não gosta dessas coisas.

- Não me interessa, Camus, todos os nossos amigos estão aqui e gostaria que ele,pelo menos, se esforçasse para parecer simpático, coisa que até agora não fez. – reclamou Dimitri que já estava irritado com a falta de tino social do filho.

- Dimitri, me escute... – o ruivo tentou mais uma vez.

- Camus, pare de passar a mão na cabeça do Hyoga, ele tem que falar algo aos convidados e fará e sem mais!

O russo saiu, e Camus suspirou. Observou o primo que parecia discutir com a namorada, enquanto o pai se aproximava.

- Camus...

O francês virou-se para mirar quem o chamava.

- Oi, Shiryu...

- Olha, sei que isso não me diz respeito, mas o Hyoga está...

- Bêbado, já reparei. O pior é que o Dimitri quer que ele faça um discurso agradecendo aos convidados. Acho que isso não dará certo...

- Também acho que não, mas o que podemos fazer para ajudar? – o rapaz de longos cabelos negros presos num rabo de cavalo e que trajava um terno escuro interrogou o ruivo que mantinha as mãos nos bolsos num gesto de indiferença.

- Já tentei, e se o Dimitri não me ouviu, não ouvirá mais ninguém.

- Isso com certeza. Pobre Hyoga...

- Como diz o Shaka; pobre menino rico... – suspirou Camus – Mas, não vamos levar as coisas tão a sério, talvez não aconteça nada de mais.

- Sim, talvez não aconteça.

- Em falar no Shaka, você o viu? – Camus perguntou com fingida indiferença, não gostava do efeito que o indiano tinha sobre si, mas também, não conseguia negá-lo. O loiro transpirava uma exótica sensualidade que sempre o deixava meio atabalhoado quando sabia-o por perto.

- Mais cedo, depois ele sumiu, sabe como é excêntrico aquele artista... – respondeu o jovem chinês.

- Ah, sei sim...

- Sim, você sabe, todos nós sabemos... – o sorriso de canto de boca que Shiryu deixou transparecer, intrigou o jovem francês. Camus olhou o amigo de soslaio, pensou em perguntar se Shiryu também já havia passado pela quente cama do indiano; mas depois achou melhor não saber e nem se preocupar com aquilo. Não seria indiscreto em perguntar algo tão intimo, embora tenha ficado curioso.

- Bem, vamos nos aproximar, o Dimitri chama para o discurso do filho...

-OOO-

- Não pai, eu não quero! – Hyoga tentava argumentar com seu progenitor que não era um bom momento para um discurso, mesmo porque, a garrafa de vodka que roubara do Buffett já estava pela metade, e ele mal conseguia articular palavras.

- Não me envergonhe... – o pai sussurrou entre dentes enquanto arrastava o jovem ao palco.

Hyoga sentia o desespero crescer à medida que, a contra gosto, se aproximava do microfone. O desespero e a raiva.

- Boa noite, queridos amigos! – começou o empresário russo – Agradeço a presença de todos a festa de aniversário do meu filho. Não tenho como expressar minha satisfação, e de toda a minha família em tê-los aqui, é realmente uma honra...

Os convidados paravam e prestavam atenção ao anfitrião que estava ao lado do filho. Hyoga tentava se equilibrar nas pernas, Camus e Shiryu percebiam aflitos; Shaka se aproximou do palco com um sorriso irônico...

- Meu filho agora falará algumas palavras em agradecimento à presença de todos.

Palmas para o empresário russo; palmas para o circo das afetações.

O jovem se aproximou do microfone. Segundos de silêncio. Apreensão dos amigos...

- Ah, obrigado a todos por comparecerem a esse circo!

Palavras pronunciadas, silêncio estarrecido, apenas um tímido riso escapou na multidão...

- Fico muito feliz que tenham desperdiçado o precioso tempo de vocês para comer caviar e beber champanhe francês à custa do meu pai! – o jovem riu e algumas pessoas também. Era uma piada! Só poderia ser.

Camus e Shiryu se adiantaram em direção ao palco antes que algo pior fosse dito. Dimitri permanecia estático ao lado do herdeiro.

- Não posso negar que muito me admira que todos, pessoas tão ilustres e ocupadas, tenham tempo para vir aqui prestigiar uma festa como essa. Diplomatas, senadores, ministros! – riu, sua voz já demonstrava que o jovem estava bêbado – Ah, que patético! Vocês tem um país para cuidar e se preocupam com meu aniversário?

Hyoga começou a rir e a aplaudir enquanto todos o olhavam pasmados.

- Parabéns para mim! Devo mesmo ser alguém muito importante e ilustre, não sou, papai?

Camus e Shiryu chegaram ao palco e seguraram o jovem pelos braços.

- Chega, Hyoga... – pediu o ruivo enquanto tirava o rapaz do palco, a plateia continuava estática e palmas foram ouvidas somente de uma pessoa... Shaka.

- Parabéns, garoto russo! – exclamou o indiano – Você falou tudo que sempre quis dizer e nunca me deram um palco!

O artista se afastou, percebendo que estava meio tonto; não tinha costume de beber, nem mesmo champanhe, e já havia tomado algumas taças; a verdade era que, não só Hyoga, todos aqueles jovens viviam sobre uma esmagadora pressão social.

O aniversariante foi retirado do palco. Dimitri, muito envergonhado, foi obrigado a voltar ao microfone. Agradecia aos deuses por haver poucos fotógrafos e jornalistas convidados, pois, assim ficaria mais fácil suborná-los e abafar o escândalo.

Camus e Shiryu levaram o aniversariante para seu quarto.

A festa acabou. Dimitri pedira desculpa aos convidados, dizendo que o filho bebeu demais. Alguns compreenderam, outros saíram chateados e comentando. Em fim, o aniversário de vinte anos de Alexei Hyoga Yukida Cignus fora um fiasco, e no dia seguinte, com certeza, o comentário de todas as colunas sociais.

Agora, o jovem milionário estava sentado em sua cama, depois de tomar um banho gelado, bebendo uma caneca de café, acompanhado por Camus e Shiryu.

- Que merda que eu fiz! – exclamou depois de um tempo mirando o nada – Podem dizer...

- Que merda você fez, Hyoga. – disse Camus com um meio sorriso irônico – Satisfeito?

- Dimitri vai me matar... – murmurou, voltando a tomar o café, o jovem loiro.

- Vai lhe dizer alguns impropérios, fazer algumas ameaças e depois esquecer, não precisa ficar tão mal. – o tranqüilizou o primo.

- Mas, gostaria de saber o que deu em você, Hyoga, - falou Shiryu cruzando os braços – Geralmente, é tão calmo e comedido, por que isso tudo afinal?

- Estou cheio, estou chegando ao meu limite, Shiryu. – confessou o russo – Não agüento mais isso tudo...

Camus e Shiryu se entreolharam e depois miraram os olhos perdidos do rapaz sentado na cama.

- Você está precisando descansar, fazer uma viagem, o que acha? – sugeriu o francês – Ficar nesse estado mental não fará bem a sua saúde, Hyoga.

- Estou no meio do semestre e do estágio, não posso largar tudo e viajar, não posso fazer nada que gostaria de fazer! – o russo passou a mão nos cabelos, prendendo a franja no alto da cabeça, um gesto que sempre fazia quando se achava perdido, sem respostas e perspectivas.

- Tenha calma, essa fase vai passar. – pediu Shiryu – Você precisa respirar, Hyoga; Camus tem razão, precisa de um tempo para você. Livrar-se um pouco da pressão que o Dimitri está pondo sobre seus ombros.

- Shiryu... – Camus advertiu. Não achava prudente que se falasse coisas daquele tipo. Aquele tipo de coisa poderia aumentar ainda mais as desavenças entre o loiro e o pai.

- É a verdade, Camus, desculpe-me, sei que não sou da família, mas a pressão que o Dimitri tem colocado sobre o Hyoga está se tornando insuportável até para quem vê.

- O Shiryu tem razão, Camus... – Hyoga terminou o café e colocou a caneca na mesa de cabeceira – Estou chegando ao meu limite.

- Precisa organizar seus pensamentos, Hyoga. Posso conversar com o Dimitri...

- Não, Camus! Chega de tentar colocar panos quentes em minha relação com o seu tio! – explodiu o loiro o que fez o ruivo se calar – Se ele quer me dizer algo que venha e fale, não ficarei ouvindo calado! Estou cansado de bancar, como diz o Shaka, o pobre menino rico, chega disso!

- Você precisa se acalmar.

- Sim, eu preciso me acalmar, preciso ser menos passional, preciso ter autocontrole e frieza, não é isso que você e o meu pai sempre dizem?

Camus emudeceu, Shiryu também, percebiam que o rapaz estava mesmo em seu limite.

- Você precisa dormir. – declarou o rapaz de cabelos negros – Ficar pensando essas coisas agora não vai ajudar.

Hyoga deixou escapar um sorriso irônico e desdenhoso.

- Incrível como todos sabem o que é certo pra mim!

- Hyoga, chega, é hora de dormir. – interferiu Camus – Estamos tentando ajudar, mas se acha que pode se virar sozinho...

O francês se calou, porque a porta se abriu e Dimitri entrou, seu rosto sério voltou-se para o filho, que ergueu os olhos para encará-lo também em silêncio.

- Camus, Shiryu, saiam, por favor. – o homem de meia idade pediu. Do seu rosto frio não se conseguia tirar nenhuma conclusão sobre suas emoções.

- Dimitri... – Camus tentou, mas o loiro mais velho fez sinal com a mão impedindo-o de prosseguir.

- Preciso falar a sós com meu filho, por favor.

Os dois jovens foram obrigados a deixar os representantes da família Cignus sozinhos.

Hyoga permaneceu estático sentado na cama. O pai puxou uma cadeira e se sentou de frente ao filho.

- Por que, Hyoga? – perguntou – O que fiz de tão ruim pra você?

- Nada. – respondeu secamente – Apenas não aceita que não sou você.

- O que quer dizer com isso? Querer o melhor pra você faz de mim um pai ruim?

- O melhor pra mim? – o loiro mais jovem riu com ironia – Por que o melhor pra mim é sempre o que você acha melhor? Por que não posso ter o direito de mandar em minha vida nem em meu próprio aniversário?

- Para você o que é mandar em sua vida? – irritou-se o executivo – Você pensa que o mundo é um mar de rosas? Não é, Hyoga! O mundo esmaga pessoas como você, é isso que não quero! Tem que aprender a ser forte!

- Para ser forte não preciso ser como você! – bradou o mais jovem se erguendo da cama – Pai, será que não enxerga que está me sufocando? Que está me obrigando a ser algo que não sou?

- Estou o obrigando a ser forte, só isso! Não tenho culpa de ter puxado os genes fraco da família de sua mãe!

- Não fala de minha mãe! – esbravejou o russo – Você não tem nenhuma moral ou valor para se quer tocar no nome dela!

Dimitri encarou o filho enfurecido.

- Então é isso que pensa do seu pai? – suspirou cansado – Tudo bem, Hyoga, então seja como queira, faça o que você quiser, mas arque com as conseqüências disso!

- O que quer dizer?

- Você quer abandonar a faculdade de administração? Não é disso que fala o tempo todo?

- Não tenho vocação para isso, pai, entenda por favor! – pediu o mais jovem cansado – Eu tentei, tentei, mas não pude...

- Então abandone a faculdade, faça o que quer, mas arque com as conseqüências. Quer fazer letras? Pague o curso, porque de mim, não verá um centavo! Aliás, depois da vergonha que me fez passar hoje, não verá um centavo meu, mesmo que permaneça na faculdade de administração.

- A questão pra você é apenas dinheiro, Dimitri, a questão pra mim é minha vida, meu futuro, minha felicidade... – a voz do mais jovem foi um fio, e ele se encolheu, abraçando os próprios joelhos – Por que é tão difícil acreditar que não sou feliz vivendo de acordo com suas regras?

O loiro mais velho respirou fundo e pesadamente.

- Você é muito jovem, um dia me dará razão, um dia verá que o que julga felicidade hoje não passa de ilusões do seu coração romântico. Também pensava assim quando tinha vinte anos, e por isso, cometi muitos erros...

- Então me deixe cometer os meus erros, pai... – suplicou o mais jovem – Tenho direito a viver da forma que acho...

- Você não tem direito a nada, Hyoga! – esbravejou o pai – Terá direitos quando você mesmo pagar suas contas, agora você só tem deveres, e o seu dever é obedecer a seu pai, somente isso!

- Eu...

- Cale a boca e durma! Amanhã conversaremos melhor. Você está bêbado e, por isso, e apenas por isso, vou relevar tudo que fez e falou essa noite.

- Pai, eu não quero...

- Boa noite, Hyoga – cortou o executivo - , façamos de conta que isso nunca aconteceu.

Saiu do quarto do filho batendo a porta fortemente. Hyoga voltou a se sentar na cama. Desolado, demorou bastante até que conseguisse pegar no sono.

-OOO-

A festa acabou. Agora, já se passava das duas da manhã e somente o pessoal do Buffett caminhavam pelo jardim dos Cignus.

Shaka tentava achar o local que estacionara seu carro. Mas estava muito bêbado. Segurou um dos serviçais que passava, pelo ombro.

- Ei, rapazinho, me ajude! – pediu.

Ikki mirou a mão que o segurava e depois o rosto do homem loiro, imediatamente a irritação tomou conta de si e ele se desvencilhou.

- O que deseja? – perguntou contando até mil para não socar aquele arrogante.

- Preciso achar meu carro...

- Não sou manobrista, senhor! – respondeu de mau humor e seguiria, se o homem não segurasse seu braço novamente.

- Te dou cinqüenta euros para me levar pra casa, não tenho condições de dirigir...

Ikki hesitou, mas na verdade, cinqüenta euros apenas pra levá-lo para casa... Hum... era um bom valor para suportar aquele mala por alguns minutos ou horas...

- Onde fica sua casa?

- Em Pireu... – Shaka disse e se apoiou mais forte no rapaz, sentindo a cabeça rodar – Porcaria! Não deveria ter bebido aquelas coisas, sabia que continha álcool!

Ikki olhou mais uma vez, irritado, para a mão que continuava prendendo seu braço.

- Venha, senhor, eu o levarei pra casa.

- Sim, me ajude a achar meu carro, é um lótus prata...

Ikki respirou fundo e ajudou o loiro a andar até o estacionamento, ele parecia muito bêbado na forma de caminhar, contudo, sua mente parecia sóbria e tranqüila. Enxergou o belíssimo carro que se destacava em meios a outros veículos tão luxuosos quanto. Ikki ficou um tempo admirando a beleza do veículo, até ser despertado pela voz irônica do dono do carro.

- Quer namorar com ele? – Shaka perguntou, e o rapaz tratou de tomar a chave que o artista segurava e abrir a porta do carona, quase o jogando no banco.

- Você é muito gentil pelo que vejo! – provocou o loiro, mirando de forma provocativa o rosto fechado do moreno.

O rapaz mais jovem não respondeu, entrou no carro, fechou a porta e deu a partida, saindo a toda velocidade do estacionamento da mansão dos Cignus.

O corpo de Shaka foi projetado pra frente com a brusquidão com que ele guiava, e o artista riu.

- Você parece um piloto de fórmula um! – disse divertido – Não quer ver até que ponto essa lótus acelera?

Ikki o mirou de lado.

- Tenho uma moto, entendo bem de velocidade. – respondeu a contragosto.

- Hum... gosto de motos...

- Eu também. – continuou guiando, com a cara amarrada, em direção a Pireu, o porto mais charmoso de Atenas, na verdade, só queria que aquele riquinho metido lhe pagasse o que prometeu e sumisse de suas vistas.

- Um dia, quem sabe, você não me leva pra passear em sua moto?

- Não acho que gostaria de fazer tal coisa com um subalterno.

- O quê? – Shaka não entendeu, abriu seus imensos olhos azuis ébrios para o moreno que o olhou por mais tempo do que gostaria, antes de voltar a mirar a estrada. Sorte que já era alta madrugada e a mesma estava totalmente vazia.

- Não se lembra? Fui eu quem derrubou champanhe em você.

O loiro franziu a testa como se tentasse se lembrar.

- Hum... ficou magoado com minhas palavras?

- Magoado não seria a palavra, mas irritado com certeza. – respondeu o moreno.

- Mas por quê? É o que você é, um subalterno, ou estou equivocado?

Ikki preferiu não responder, não iniciaria uma discussão com aquele homem, ou poderia perder a paciência e jogá-lo na estrada.

- Ei, mocinho não me ignore, estou falando com você! – provocou o artista e riu – Puxa, você é bem sensível!

- Se você não calar a boca, o deixarei sozinho no meio dessa estrada com essa lótus! – grunhiu Ikki que tinha um pavio bastante curto.

- Certo, certo, desculpe. – pediu o artista ficando sério e se empertigando no banco do carona – Posso pedir um favor?

- Fale...

- Poderia colocar meu cinto?

- Por que você mesmo não faz isso? Não está tão bêbado assim...

- Ah, estou sim, minha cabeça está ótima, mas o corpo não me obedece.

Ikki freou o carro e se voltou para o loiro. Inclinou-se sobre ele, puxando o cinto e passado por seu corpo, prendendo-o no encaixe.

- Obrigado. – sorriu Shaka – Garantia, caso você seja um piloto ruim...

Ikki bufou sem responder e voltou a guiar o carro. Chegaram a Pireu, e Shaka indicou o local onde morava, uma bela casa que ficava na parte mais alta da cidade, uma pequena colina de fronte ao mar.

- Essa casa! – apontou o artista, e Ikki estacionou no belo jardim em estilo oriental, onde uma fonte com a imagem de Buda derramava-se em harmoniosa canção.

O moreno saiu do carro e abriu a porta do carona, ajudando o loiro a sair também.

- Vamos, entre, terá que chamar um táxi para ir embora. – disse ele, passando o braço envolta dos ombros do garçom – Quem inventou o álcool, senhor...?

- Ikki...

- Senhor Ikki, foi um deus muito controverso!

O indiano tateou o bolso a procura da chave, a encontrando depois de algum tempo. Quando a porta se abriu, o moreno avistou uma bela sala, decorada em tons claros e com designer também oriental. Amplas janelas de vidros, cortinas brancas, poucos e adequados móveis de madeira marrom, tudo muito simples e sofisticado.

- Vamos, entre, senhor Ikki... – pediu Shaka dando o primeiro passo. Acabou escorregando no tapete de entrada e levando o garçom consigo.

- Ai... – gemeu o loiro que batera a cabeça no chão, massageando a própria nuca – Você é meio desastrado, não é?

- Eu? – o moreno se indignou – Será que a sua arrogância não o deixa ver que foi você quem criou essa situação toda?

- Eu não sou uma pessoa arrogante, você não me conhece!

- Pra você ver o quanto é arrogante, eu nem o conheço e já sei disso! – disse Ikki mal humorado.

Shaka o mirou por um tempo e então ergueu a mão afastando a franja que caía sobre o rosto do moreno; Ikki corou, só então percebendo a posição insinuante em que estavam; ele largado sobre o loiro e este com as pernas abertas, acolhendo, muito bem, seu corpo e acariciando seu rosto. Tentou se afastar, mas o artista o deteve, passando uma perna por cima da sua.

- Onde pensa que vai? – perguntou Shaka, provocativo.

- O... o que pensa que está fazendo? – volveu Ikki tentando se soltar, mas o loiro era forte e ele continuou preso.

Shaka não respondeu, puxou o rapaz pelo colarinho e beijou-o ardentemente. Ikki lutou para se libertar, empurrou o loiro que voltou a bater a cabeça no chão, de tão bêbado.

- Ai... que menino violento... – reclamou Shaka.

- Seu doido! – Cuspiu o moreno.

O artista riu.

- Desculpe... – pediu – Zeus! Devo estar muito bêbado! Estou assediando um manobrista...

- Não sou manobrista, seu maluco! Paga logo meu dinheiro que vou embora! – tornou Ikki, irritado, enquanto se levantava.

O loiro permaneceu deitado no chão; a cabeça rodando. Ergueu a mão para o rapaz moreno que o olhava enfurecido.

- Ajude-me a me levantar, por favor... – solicitou abusando do próprio charme, o que fez o mais jovem engolir em seco.

Ikki se obrigou a puxá-lo pra si, pela mão, e Shaka teve que se apoiar nele mais uma vez; seus corpos se tocando levemente.

- Mais cinqüenta euros pra passar a noite aqui comigo...

- Não faço programa... – respondeu o moreno irritado, principalmente porque a proximidade do loiro o perturbava mais do que gostaria.

- Não estou pedindo sexo, seu idiota, só preciso que fique aqui comigo, por que... digamos que eu não deveria ter bebido, e posso passar mal, entendeu?

- Você não tem amigos? – Ikki perguntou e riu logo em seguida – Pergunta estúpida, claro que você não tem amigos, quem suportaria alguém como você?

- Fiquei magoado agora... – ironizou Shaka – E então? Você fica?

Ikki hesitou. Mirou os olhos azuis debochados a sua frente. Suspirou resignado.

- Tudo bem.

- Ótimo, me ajuda a chegar ao meu quarto, é subindo àquela escada... – apontou para uma escada de madeira que dava acesso ao andar superior. Ikki não fez mais perguntas, passou o braço pela cintura do loiro e o levou escada acima.

-OOOFim do flashbackOOO-

CONTINUA...

Notas finais: Bem, vocês entenderam, não é? Creio que fui clara, o flashback da noite acabou, agora seguirei com os acontecimentos do dia, até o momento do encontro no mirante.

Perdoe-me o capítulo enorme, mas é que queria fazer o flash back em um único capítulo. Prometo que o próximo será menor.

Beijos a todos que leram e em especial aos que tiveram a delicadeza de deixar reviews.

Danieru; Camie01; Jukie; milaangelica; Arcueid;saorikido; grazita; Maya Amamiya; Meyzinha; Vagabond; Keronekoi; Silvana (tá vendo? Até que foi rápido XD! Bjus querida e obrigada pela review), Virgo Nyah, Amamiya fã (prometo não fazê-lo sofrer muito XD! Mulher faz uma conta no FF ou me manda seu MSN pra gente conversar! Bjus querida!).

Beijos e até a próxima!

Sion Neblina