Inferno sentimental

Capítulo 8

Ikki chegou cedo à casa de Shaka. O indiano já estava acordado, na verdade, ele parecia não haver dormido; olheiras marcavam seus olhos que estavam meio avermelhados pela insônia. O loiro sorriria ao vê-lo entrar, mas quando os olhos escuros do moreno pousaram nele, mudou a expressão para um semi-sorriso irônico.

- Seja bem vindo... Ikki... – fingiu que não se lembrava do nome do moreno. Na verdade, nem entendia muito bem porque gostava tanto de provocá-lo.

- Onde posso guardar minhas coisas? – perguntou ríspido, sem fazer questão de ser agradável.

Shaka, que até então estava sentado no confortável sofá, se ergueu e subiu as escadas, pedindo com o olhar para que o moreno o acompanhasse, o que Ikki fez, mal grado.

Shaka o levou até um quarto amplo, no mesmo estilo que o seu, com amplas janelas de vidros com uma ótima vista. Ikki colocou a mala e a mochila aos pés da cama, e encarou seu "anfitrião".

- O que quer que eu faça agora? – perguntou cruzando os braços numa atitude de defesa.

- Você não teria aula? – indagou Shaka, ajeitando os cabelos que estavam soltos, caindo sobre a bata branca que ele vestia.

- Não tenho aula, hoje. Se quiser, posso ficar a sua disposição essa manhã. – respondeu com indiferença.

O indiano sorriu amplamente, sem perder a malícia do olhar.

- Ótimo! Poderia me ajudar a colocar algumas telas na entrada da casa? Meu agente virá buscá-las hoje. – explicou.

- Tudo bem.

- Então vamos! – o artista saiu do quarto, indo para o ateliê. Ikki o seguiu e se espantou ao ver mais de quinze telas prontas.

- Você é um artista bem produtivo. – comentou naturalmente.

- Sim, porque não durmo, então tenho que fazer alguma coisa. – explicou o loiro, pegando uma grande tela e entregando a Ikki que a levou para a entrada da casa, retornando para pegar outra.

O moreno percebeu quando Shaka segurou uma tela enorme, e fez uma careta de dor. Antes que pudesse pensar, foi até ele e retirou o quadro de suas mãos.

- Deixa. Eu levo tudo sozinho. – disse, contrafeito.

- Não precisa... – o loiro corou, visivelmente envergonhado – Só meu braço que... bom...

Ikki ergueu uma sobrancelha, encarando o artista que estava visivelmente constrangido.

- Você o machucou quando me arremessou contra a parede... – explicou sem jeito – Mas... não é nada sério...

Ikki corou, e suspirou, colocando as mãos nos quadris, sem saber muito bem o que dizer.

- Ainda está muito dolorido?

- Não. – negou Shaka – Vamos terminar o que estávamos fazendo, certo? Não vou morrer por isso!

- Mas...

- Isso não é uma das suas obrigações aqui, rapaz! – cortou irritado.

- Seu idiota! Estou me sentindo assim porque foi minha culpa estar machucado agora!

- Não foi. Poupe-me da sua piedade! – disse, e sua voz soou amarga – Eu já estava machucado.

Se as palavras de Shaka foram ditas para diminuir a preocupação de Ikki, o efeito foi o inverso. Saber que de alguma forma seus atos pioraram a situação do loiro, lhe causou um profundo mal estar.

- Eu sinto muito...

- Não sinta, isso vai passar. – Shaka sorriu com ironia – Não sou nenhuma flor de laranjeira, meu bem...

Ikki bufou, e arrebatou a tela das mãos do indiano que teve que soltar rapidamente para não parar nos braços do moreno junto com ela.

- Insuportável! – resmungou o estudante, seguindo para a entrada da casa com o quadro nas mãos.

Shaka se segurou para não rir, mas não se atreveu a contrariar o rapaz. Deixou que ele colocasse as quinze telas no hall de entrada, mesmo porque, seu braço estava realmente dolorido.

O material era um pouco pesado, e quando o moreno terminou, sua testa apresentava algumas gotículas de suor, que ele fez questão de enxugar com o braço.

- Prontinho. Quando ele vem?

- Ele quem? – indagou Shaka distraído.

- O seu agente. – volveu Ikki sem paciência.

- Não sei. Hoje, não sei a hora. – volveu o artista compenetrado em seus pensamentos.

- Quer que eu faça mais alguma coisa?

- Massagens nos meus pés é uma opção? – perguntou rindo, adorando a cara brava do mais jovem – Estou brincando, não precisa ficar bravo! – riu mais ao encarar o moreno.

- Você é mesmo impossível! – resmungou Ikki, depois olhou sério para o indiano. Shaka se sentiu nu com aquele olhar. Desde quando um olhar o deixava daquele jeito?

- Deixe-me ver seu braço. – pediu o mais jovem.

- Eu já disse que...

- Deixa de ser teimoso! - reclamou Ikki e pegou o braço do loiro, o forçando a se sentar no sofá.

O Amamiya mais velho prendeu a respiração quando ergueu a manga da bata. O hematoma no braço esquerdo do artista havia se transformado num ferimento infeccionado.

- Está infeccionado, você precisa ir ao médico. – disse chocado – O que pretende com isso...?

- Eu... eu me atrapalhei com as agulhas... – murmurou o loiro. Nesse momento o moreno percebeu que ele parecia bem distante do homem arrogante que demonstrava ser constantemente.

- Você... você deveria parar com isso! – volveu Ikki, incomodado – Vai acabar perdendo o braço se continuar assim!

Shaka puxou o braço e se afastou dele, irritado, sentindo-se perturbado demais, e reagindo da única maneira que sabia: agredindo.

- E qual o seu interesse em meu braço? – vociferou – Eu não estou pedindo sua ajuda! Estou pagando para que você, apenas, ligue para uma ambulância caso eu precise! Não preciso de nada de você, além disso! Não quero sua piedade, não quero sua preocupação, ouviu bem?

Ikki o encarou estupefato. Não entendia como uma pessoa podia ter tantas variações de humor.

- Escuta seu viciado de merda! – grunhiu, e nesse momento a campainha tocou. O estudante evitou dar prosseguimento àquela discussão. Rumou para a porta, achando que deveria ser o tal agente, mas se surpreendeu ao encontrar um garoto que não deveria ter mais que dezesseis anos.

O garoto mirou Ikki com estranheza; ele levava uma caixa nas mãos.

- O Shaka está aí? – perguntou tentando enxergar por cima do ombro do moreno.

- O que você quer com ele? – perguntou o leonino hostil.

- Isso é dele. – declarou o menino.

Ikki pegou a caixa, e desfez o lacre. Engoliu em seco ao verificar que se tratava de seringas e drogas, fosse lá que tipo de drogas ele consumisse. Nesse momento o indiano chegou por trás dele.

- Oi, Alecto... – disse empalidecendo.

- Oi, Shaka, eu vim trazer...

- Saia já daqui com essas porcarias! – grunhiu Ikki empurrando a caixa em cima do garoto que olhou assustado dele para Shaka.

- Ikki, para com isso! – pediu o indiano se assustando com a fúria que via nos olhos do leonino – Isso... eu preciso disso!

- Você não precisa dessa porcaria! – bradou o moreno – E se quiser continuar consumindo essas merdas, é melhor que eu não esteja aqui!

- Isso não é da sua conta! Não é seu trabalho! – irritou-se Shaka – Quem você pensa que é pra querer mandar em minha vida dessa forma?

O moreno bufou, olhou para o rapazinho que continuava encarando-os lívidos e disse:

- Saia com essas porcarias daqui, antes que eu enfie cada uma dessas seringas em seu rabo!

O menino não pensou duas vezes, saiu correndo carregando a caixa. Shaka ainda estava meio atônito com tudo que acontecia. Viu a mão de ferro de o moreno fechar a porta e puxá-lo pelo braço para dentro da casa.

- Você enlouqueceu? Eu preciso daquilo! – argumentava o loiro com os olhos assustados para o moreno. Não esperava uma atitude daquelas.

- Escuta, loiro! – esbravejou, mas respirou fundo tentando manter a calma – Você escolhe, ou essa merda dessa droga ou eu! Os dois não há jeito de ficar nessa casa!

- Mas não...

- Eu não quero saber! – cortou Ikki – Sei que aqui sou um reles serviçal, como você não cansa de dizer, mas onde estou, essas merdas não entram, entendeu bem?

Pela primeira vez a língua afiada do indiano não conseguiu proferir respostas, embora, os olhos... Ah, se um olhar matasse, Ikki não sobreviveria pra contar aquela história a ninguém.

- Você tem a opção de mandar o serviçal embora caso as condições dele o desagrade, senhor Shaka Phalke. – declarou encarando seriamente dentro dos olhos claros que faiscavam.

- E então, loiro? O que me diz?

- Eu...

- É só dizer se aceita meus termos ou não. – cortou Ikki – Só isso.

- Sim... – balbuciou, baixando um olhar raivoso para o chão.

- Ótimo, então vamos começar uma nova etapa a partir de hoje, loiro... – sorriu vitorioso.

Shaka bufou e se ergueu do sofá, mirando-o como alguém que tentaria matá-lo.

- Escute, garoto, - começou – não pense que manda em mim e nem na minha vida, você pode até impor suas condições como empregado, mas não pode querer mandar no que faço ou deixo de fazer fora dessa casa!

- O que você faz de sua vida, fora dessa casa, não me interessa. Mesmo porque, não serei eu que terei que limpar sua sujeira depois!

- Eu não me sujo nunca, caro mordomo! – declarou Shaka com desprezo – Eu estou tão, mais tão distante de tudo que você um dia tocou, que você nem seria capaz de imaginar.

Ikki riu com sarcasmo.

- Percebe-se, um viciado!

- Não me importo com o que pensa sobre mim, só preciso que cumpra suas obrigações nessa casa. – falou caminhando para a cozinha. Ikki o seguiu.

- E será que conseguiremos ter uma relação profissional, começando desse jeito? – interpelou.

O loiro parou, suspirou e se virou para encará-lo.

- Vamos tentar suportar um ao outro, certo?

Ikki chegou bem perto do artista, Shaka permaneceu parado no mesmo lugar. Os olhos deles se prenderam como imãs.

- Por que, Shaka? Por que eu?

Um leve rubor coloriu o rosto claro do indiano, mas ele, insolente, não desviou o olhar; sorriu com um misto de ironia e amargura e se afastou.

- Acho que você é capaz de me suportar, só isso. – explicou contrafeito – Não fique fantasiando nada.

- Não estou.

- Certo. Eu tenho que sair agora. – suspirou.

- E seu agente? – indagou Ikki.

- Ele virá, pegará as telas e partirá. – declarou incomodado – Ele nunca entra em minha casa.

- Posso saber por quê? – o mais jovem não conseguiu deter a curiosidade.

- Por isso... – Shaka ergueu a bata, exibindo a barriga perfeita. Os olhos de Ikki se fixaram numa pequena cicatriz que ele tinha do lado esquerdo, pouco abaixo do umbigo – Ele tentou me matar – informou o loiro naturalmente.

- E ainda é seu agente?

- Sim, negócios não devem se misturar a assuntos pessoais. – piscou o indiano, e subiu as escadas.

Ikki balançou a cabeça, incrédulo. Realmente, aquele homem era muito, mas muito maluco mesmo!

"Onde fui me meter?" indagou-se, voltando para seu quarto e começando a colocar suas coisas no armário.

-OOO-

Ele estava parado, encostado num belo carro esporte quando Seiya deixou a faculdade naquela manhã.

O jovem japonês engoliu em seco. Shiryu vestia um terno claro, seus cabelos estavam presos, e ele sorria de forma descontraída. Por um tempo, o mais jovem não soube muito bem o que fazer e ficou parado no meio da escadaria.

- Oi, eu queria falar com você, é possível? – declarou o chinês rindo da cara pasmada do rapaz mais novo.

Os imensos olhos castanhos piscaram indecisos, mas depois, seu dono riu, coçando os cabelos e terminando de descer as escadas.

- Como sabia que me encontraria, hein? – perguntou Seiya se aproximando do rapaz. Ele segurava a mochila com uma das mãos, e os livros com a outra.

- Eu procurei saber qual era a sua turma, e qual aula estavam tendo. – Shiryu confessou sem embaraço – Então o esperei sair. Que tal almoçarmos juntos?

Os olhos castanhos de Seiya se fixaram nos verdes do jovem de cabelos longos.

- Por quê?

- Que tipo de pergunta é essa? – riu Shiryu – Eu gostei daquele nosso primeiro encontro, e me sinto em dívida por você ter salvado minha vida.

- Ah, certo, claro! – sorriu Seiya desconfortável.

Shiryu abriu a porta do carro, e convidou Seiya a entrar. O adolescente obedeceu. Em minutos, eles chegaram a um restaurante no centro da cidade.

O local era irreverente e com um público jovem e descolado, o que deixou o japonês bem à vontade. Fizeram os pedidos, e então o chinês encarou os olhos castanhos do rapaz a sua frente, olhos que, a contragosto, não abandonavam seus pensamentos.

- Você trabalha há muito tempo na Cignus? – indagou de forma descontraída.

- Comecei o estágio há pouco tempo, no final do ano passado. E você trabalha nela há muito tempo?

- Não. Tem mais ou menos um ano que estou lá.

- Hum... mas você trabalha na diretoria. – observou Seiya provando do suco que havia pedido.

- Sim, sou assistente do diretor financeiro. – respondeu Shiryu incomodado.

- Só assistente? – Seiya corou, mas curioso por natureza não conseguiu evitar fazer a pergunta.

- O que quer dizer com isso? – corou Shiryu.

- Não quero dizer nada, mas... é que tem alguns boatos, sabe? – confessou sem jeito.

- E esses boatos o incomoda? – indagou desviando o olhar.

- Não! Não, por favor, não me entenda mal, Shi... é... eu posso te chamar de Shi?

Shiryu acabou rindo; Seiya era mesmo divertido, apesar de indiscreto.

- Pode sim, sem problemas.

O mais jovem bebeu todo o suco do seu copo, enquanto encarava o jovem executivo por cima do mesmo. Shiryu comia sem se abalar.

- Você deve me considerar um pirralho muito do intrometido, não é? – volveu de forma triste.

- Se o considerasse um pirralho não haveria motivos para convidá-lo para almoçar, não acha? – devolveu o chinês de forma charmosa.

- É verdade... – riu o mais jovem, coçando os cabelos, sempre fazia isso quando ficava nervoso – Mas... Mas você tem alguém, não tem?

Shiryu bebericou seu Martini antes de responder.

- Não. Eu não tenho ninguém.E você?

- Eu... Na verdade...

- Você me disse que morava com uns amigos, então, devo crer...

- Sabe, Shi, pra mim é estranho ver um homem interessado em mim. – confessou, não se importando com o rosto pasmo e envergonhado de Shiryu – Tipo... eu até entendo o Ikki, o Milo, mas quanto a mim, eu sempre achei a coisa meio esquisita...

- Esquisita? – repetiu o mais velho, atônito.

- É, esquisita! – riu Seiya – Eu já tive muitas garotas. O Milo e o Ikki já ficaram com mulheres maravilhosas! É estranho sentir a mesma atração por marmanjos como nós, você não acha?

Shiryu riu, não conseguiu se conter com a sinceridade do rapaz.

- Você deve estar me achando um imbecil. – Seiya encolheu-se, ruborizando sem jeito.

- Não, claro que não, você é só...diferente. – volveu Shiryu continuando a rir.

- Por que isso me soou como "esquisito", hein? – riu também o mais jovem.

- Não, Seiya, eu só estranho essa sua sinceridade, sério. – um sorriso charmoso invadiu o semblante de Shiryu – Eu... eu gostaria de vê-lo novamente, o que você acha?

Seiya ruborizou.

- Quando? – indagou, baixando o olhar.

- Hoje à noite seria bom pra você?

- Sim, sem problemas, eu o encontro na porta da faculdade, certo? – disse o rapaz de olhos castanhos.

- Certo. – o sorriso de Shiryu se tornou mais evidente – Agora preciso ir trabalhar, você quer uma carona?

- Não, obrigado, eu estou de moto. – volveu Seiya com certo incomodo.

O jovem executivo se ergueu, antes, pousando sua mão levemente na do rapaz, dando alguns tapinhas leves.

- Vejo você à noite.

- Tchau, Shi...

- Tchau, Seiya...

Shiryu saiu, Seiya ficou seguindo seus passos com os olhos, até que ele desapareceu no estacionamento.

"O que alguém como você pode querer com alguém como eu?" indagou-se, mas depois deu de ombro, nunca foi de ficar se questionando. Gostava da companhia de Shiryu e isso deveria bastar, ao menos, naquele momento.

-OOO-

Milo chegou cedo a sua repartição. Encontrou Afrodite sentado, pacientemente, no vestiário, sabia que o amigo o estava esperando, e fez uma careta assim que o viu.

- Dite, me perdoa! – pediu, dramático, se ajoelhando com as mãos unidas em prece, aos pés do sueco.

- Nem adianta, Milo! Não faz drama, dessa vez você abusou de minha boa vontade! – reclamou o pisciano, se erguendo.

- Mas foi por uma boa causa, eu juro! – fez cara de menino magoado o escorpiano. Todavia, aquilo não comoveu Afrodite que manteve o olhar sério para ele.

- Boa causa? Uma boa trepada, no mínimo!

O loiro grego balançou a cabeça.

- Juro que não foi só isso, não foi uma boa transa, foi à transa! – provocou, logo tapando os lábios ao receber o olhar indignado do amigo – Brincadeira, Dite, eu juro que não foi só por isso...

Afrodite cruzou os braços e se encostou a parede, esperando que o grego continuasse.

- Dite, me desculpe. Juro que isso nunca mais voltará a acontecer.

- Você não tem nada que queira me contar, Milo Seferis?

- O quê por exemplo?

- Por exemplo o seu almoço com certo executivo de cabelos vermelhos...

Milo empalideceu.

- Como você soube disso?

- Ah, ele não foi muito discreto ao fazer o convite. Depois, ambos sumiram o resto da tarde. Acorda, Milo! É o comentário da empresa!

O mais jovem baixou a cabeça, ruborizando um pouco. Que mancada eles deram!

- O Camus já chegou? – perguntou.

Afrodite riu com ironia.

- O senhor Verseau? Sim. Nem mesmo eu que já trabalho aqui há anos o chamo de Camus, aliás, eu nem sabia que aquele demônio tinha nome!

- Não fale assim dele! – irritou-se o grego – Qual o seu problema, Dite?

- Meu problema? – vociferou Afrodite, irritado, se aproximando e segurando os ombros de Milo – Meu problema é que terei que demitir meu melhor amigo, tudo porque ele resolveu matar trabalho pra passar uma tarde fogosa com um dos donos da empresa!

O sueco explodiu; depois respirou fundo e afagou o rosto do grego.

- Droga, Milo! – resmungou – Sei que você precisa do emprego, mas... pelo estatuto interno da Cignus isso não poderia acontecer...

- Eu sei. O Camus me disse. – suspirou o escorpiano – Mas essas coisas tem que ser provadas, não é? Ninguém tem provas de que... Aliás, ninguém nem sabe que o Camus...

- Eu sei. Mas...

- Mas?

- Fui chamado hoje ao céu pelo próprio Verseau. – confessou.

- O Camus? – agora Milo estava surpreso.

- Sim. – disse Afrodite com pesar – Olha, eu nem deveria estar falando com você sobre isso, ele me pediu para que o mandasse a sua sala, assim que chegasse...

- O que ele queria? – Milo sentiu um aperto no peito, antevendo a revelação de Afrodite.

- Ele pediu que o demitisse...

O grego engoliu em seco. Ergue-se e pegou o capacete que tinha deixado numa cadeira.

- Olha, Milo, eu não pude fazer nada. Eu sinto muito... – Afrodite tentava conter o amigo que caminhava para o elevador.

- Dite, sai da minha frente! – pediu o escorpiano irritado.

- O que você vai fazer, Milo? – indagou o sueco assustado, conhecia o quão perigoso ficava aquele escorpião quando era magoado – Olha, lembre-se que isso aqui é uma empresa...

- Ele disse que queria me ver, não disse? – indagou – Pois bem, vou ao encontro de senhor Camus Verseau!

Milo entrou no elevador. Afrodite não teve como evitar. Tinha certeza que o amigo se envolveria em confusão, mas ninguém era capaz de deter Milo enfurecido como ele estava.

"Ele está gostando mesmo daquele francês filho da puta!" resmungou pra si, pegando o celular apressado e discando o número da única pessoa que tinha peito suficiente para segurar um escorpião venenoso e enfurecido.

- Oi, Ikki! Não importa o que esteja fazendo, vem pra Cignus agora!

-OOO-

Ikki desligou o celular. Havia acabado de sair do banho, e estava enrolado numa toalha.

Não acreditava que Milo tinha se metido em confusão no primeiro dia sem ele.

"Ah, escorpião louco!" resmungou, arrancando a toalha e procurando uma cueca dentro da mala que tinha acabado de abrir.

Estava de costas pra porta, vestindo a cueca boxer branca quando um barulho o fez se voltar para a mesma, a tempo de ver uma mecha de cabelos loiros se afastando rapidamente.

- Shaka! – chamou.

- Desculpe! Mas da próxima vez, você fecha a porta quando for se trocar! – gritou a voz distante do indiano.

Shaka não esperou por resposta. Desceu as escadas para a cozinha e pegou uma garrafinha de água mineral na geladeira, virando-a na boca.

"Como essa casa ficou quente de repente..." murmurou pra si mesmo.

Minutos depois, Ikki desceu as escada, o encontrando na sala. O loiro não conseguiu esconder o rubor nas faces. O moreno o olhou sério, sem entender as variações de humor daquele rapaz. O indiano, por seu lado, examinava o quanto aquele garoto era sexy, vestido no jeans preto e na camisa azul escura, que se moldava tão bem ao peito e braços definidos.

- Tenho que dar uma saída rápida. – declarou a voz grave do leonino – Mas não demoro, certo?

O artista apenas balançou a cabeça, afirmativamente, de maneira indiferente.

- Seu compromisso comigo é só à noite. – declarou – Durante o dia, você pode fazer o que quiser.

Ikki assentiu e saiu. Shaka, como um menino travesso, esperou a moto desaparecer na rua serpenteada; então, tomou um banho rápido, vestiu-se e saiu em sua lótus prata.

-OOO-

A porta do elevador se abriu, e Milo entrou na diretoria executiva das indústrias Cignus.

- Oi, Milo... – a senhorita Nicklos se interrompeu ao ver o jovem caminhar em silêncio em direção a sala do ruivo.

- Milo, espera! Eu tenho que anunciá-lo!

O loiro não lhe deu atenção. Empurrou a porta de forma violenta e entrou na sala de Camus.

O ruivo estava assinando alguns papéis, e usava óculos de grau o que lhe conferia um semblante ainda mais sério. Mirou o loiro, seu olhar demonstrou um pouco de confusão. Entretanto, o francês percebia que o mais jovem estava muito nervoso. Engoliu em seco. Adivinhou só em olhá-lo que Afrodite havia lhe revelado sua decisão antes que pudesse conversar com o escorpiano.

Ergueu-se, contornando a mesa, para chegar perto do grego.

- Milo...

- Seu filho da puta! – grunhiu o mais jovem, e seus olhos marejaram. Isso o deixou ainda mais irritado. Não deveria dar tanto valor a Camus. O que tiveram? Uma tarde de sexo, mais nada! Por que estava com o coração aos pedaços de tão decepcionado?

- Seferis, me escute... – tentou Camus novamente. Porém, chamá-lo de pelo sobrenome só fez potencializar a revolta do escorpiano, e claro! Ele iria distribuir suas ferroadas.

- Não chega perto de mim, seu canalha! – rosnou Milo – Eu sei muito bem como são as pessoas como você! Fui um idiota ao pensar que você era diferente!

- Não, Milo...

Camus ergueu a mão para tocá-lo no ombro, mas em resposta levou um safanão e um soco que quebrou-lhe o óculos, e o jogou no chão.

- Nunca mais me toque, seu playboy filho da puta, falso! – gritou o grego entre as lágrimas.

Camus, sentado no chão, massageava o rosto, sem conseguir esboçar reação ainda.

Nesse momento, chegaram à sala, Shura, a senhorita Nicklos e dois seguranças que contiveram o grego, segurando-o pelos braços, e o arrastando porta a fora.

Milo não dizia mais nada, apenas as lágrimas, e os olhos faiscantes em cima de Camus eram capazes de manifestar toda sua dor e raiva.

Quando o grego já estava fora da sala, Ikki saiu do elevador com Afrodite.

- Soltem-no! – exigiu o moreno.

- Ikki, esse louco agrediu um executivo! – explicou um dos seguranças que os conheciam. Por sinal, gostavam muito do grego e não queriam machucá-lo.

- Deixe-o comigo, Lisandro, eu me responsabilizo! – pediu Ikki.

Os dois homens libertaram os braços de Milo, que estava desolado, irritado e envergonhado sendo alvo de todas as atenções da diretoria executiva.

Enquanto Ikki e Afrodite levavam o loiro para a gerência, Shura saiu da sala e pediu para que avisassem a Dimitri que ele levaria Camus ao médico, pediu também para que a secretária ligasse para a polícia, pois queria um boletim de ocorrência e que o Office-boy fosse indiciado.

Quando o diretor financeiro voltou à sala, Camus já estava de pé, no lavabo. Cuspia sangue na pia, e lavava o rosto com água fria.

- Você está bem, Verseau? – perguntou. Eles nunca se deram bem, mas numa ocasião como aquela, o espanhol sentia-se obrigado a ser solidário.

- Estou sim, Shura. Obrigado. – disse Camus da mesma forma fria de sempre – Eu... eu só preciso de um oftalmologista...

O executivo espanhol franziu o cenho, e arregalou os olhos, quando o ruivo se virou e um filete de sangue escapou do seu olho esquerdo.

- Ele machucou meu olho... – declarou.

-OOO-

Já estavam no meio da tarde, quando Ikki conseguiu levar Milo pra casa, e fazê-lo descansar um pouco, depois de receber um calmante dado por Afrodite que se mostrou um verdadeiro "mata leão".

O loiro antes disso, havia xingado Deus e o mundo, praguejado contra si mesmo e contra o francês, jurado Camus de morte, etc. Agora ressonava como um garotinho.

O moreno observava o amigo, com uma expressão introspectiva, e o sueco estava ao seu lado, tomando uma cerveja. Todos estavam muito nervosos e abalados.

- Eu avisei pra ele que isso não poderia dar certo. – volveu Afrodite – Há um estatuto na Cignus a respeito. Não pode haver envolvimentos entre pessoas que tem uma ligação direta...

- Mas eles não têm uma ligação direta, Afrodite. – explicou Ikki – O Milo responde a vária pessoas antes daquele francês. O problema não foi esse e sim o boato que se espalhou sobre os dois, isso sim deve ter incomodado o tal Verseau.

- Verdade. – suspirou Afrodite – E eu entendo o lado dele, infelizmente. Pense, Ikki, o cara é um dos donos da empresa, não pode se transformar em fofoca de repartição.

- Se foi por isso, a estratégia dele não deu certo. Ele não conhecia esse grego quando fica nervoso. – volveu o moreno com amargura. Na verdade, estava com o coração comovido com o problema do amigo, no dia anterior, Milo estava tão feliz...

O que se precisa para ir do céu ao inferno?

- Ikki, e se eles prestarem queixa, hein? O que o Milo fará? Já está desempregado, depois dessa, por justa causa, e ainda agrediu um dos homens mais poderosos da Grécia! – Afrodite estava visivelmente aflito.

- Afrodite, acho melhor você voltar para o trabalho. – declarou Ikki – Deixe o Milo comigo, avise ao Seiya, mas diga que ele não precisa voltar pra casa, ficarei com o Milo até ele chegar.

- Tudo bem. Vou aproveitar pra saber como está a repercussão do ocorrido, e ligo assim que tiver novidades. – disse o sueco.

- Ok. – concordou Ikki.

Afrodite beijou a testa do loiro que dormia, depois bateu carinhosamente no ombro do moreno, e saiu.

Ikki suspirou. Segurou forte a mão do amigo, e pegou o celular. Tentou ligar para Shaka, mas o artista não atendeu.

Bem, segundo o próprio Shaka, ele só precisaria dele a noite. A noite deixaria Milo com Seiya; agora, o amigo precisava dele.

-OOO-

Hyoga esperava, meio aflito, na recepção do consultório médico. Camus já estava na sala de cirurgia da clínica oftalmológica há mais de duas horas, e o jovem russo se sentia desolado, com raiva, e impotente.

- Hyoga...

Ele ergueu os olhos e encontrou o olhar plácido de Shaka, ergueu-se, apertando a mão do artista.

- Que bom que você veio, eu... eu estava enlouquecendo por ficar aqui sozinho! – declarou nervoso.

- Ele está bem? – indagou o indiano.

- Ao que parece sim, ele me ligou, porque não queria que o Shura ficasse aqui, bancando "sua babá" como ele mesmo disse. Como não poderá dirigir depois do procedimento...

- Sei. – Shaka riu – Só num caso como esse pro Camus pedir ajuda. Mas o que aconteceu afinal?

- Não sei bem; disse que um Office-boy bateu nele, mas está tudo muito confuso...

- Alguém bateu no Camus? – espantou-se Shaka – Deve ter sido alguém muito corajoso!

- Para, Shaka, não estou brincando, a coisa foi séria! – irritou-se Hyoga – Eu até agora não entendi nada!

- Você disse Office-boy? – indagou Shaka pensativo.

- Foi o que o Shura me disse...

Shaka guardou silêncio. Aquela era uma história de Camus que não se achava no direito de divulgar.

Sentou-se ao lado do russo e esperou que francês deixasse a sala de cirurgia, com uma ruga de preocupação na testa. Shaka era grande conhecedor de relacionamentos intempestivos, só não esperava que Camus atraísse algo do tipo. Resignou-se, seus pensamentos pousaram em Ikki, mais propriamente na cena nada ortodoxa do moreno sem roupa, vestindo sensualmente a cueca...

- Ah, por Buda, Shaka, você não precisa de nada disso agora... – murmurou.

- Quê? – indagou Hyoga, e ele sorriu.

- Estou conversando com meu mestre espiritual. – disse piscando para o mais jovem.

Hyoga suspirou e se calou. Mirou o relógio, esperava que desse tempo de deixar Camus em casa e não se atrasasse para o encontro com Shun.

-OOO-

Milo se moveu na cama, despertando. Ikki afagou-lhe os cabelos cacheados; o escorpiano escondeu o rosto no travesseiro, abafando um soluço.

- Eu sou mesmo um idiota! – resmungou – Eu conheço as pessoas como ele, e mesmo assim caí nessa armadilha...

- Você não teve culpa de se apaixonar, Milo...

- Tive sim! Eu fui idiota, afinal só saímos uma vez...

- Você já estava apaixonado por ele. – Ikki não sabia muito bem o que dizer para aplacar o sofrimento do amigo. Milo era sempre tão forte e orgulhoso, que vê-lo arrasado daquele jeito era doloroso ao extremo.

- Sou mesmo um idiota...

- Não é não. – Ikki o puxou pra si e o abraçou. Milo recomeçou a chorar no ombro do amigo.

- Minha maior raiva é que não paro de chorar! – disse irritado – Por que essas merdas dessas lágrimas insistem em cair! Pareço uma mocinha abandonada!

Ikki riu e afagou-lhe as costas.

- Só você mesmo, Milo...

- Ikki, obrigado...

- Bobo! Somos amigos, não somos?

O loiro não respondeu, apenas movimentou a cabeça positivamente, permanecendo abraçado ao moreno, tendo um afago momentâneo para seu coração machucado.

-OOO-

Camus saiu com um curativo no olho esquerdo. Hyoga correu para ele, assim que o amigo apareceu na recepção da clínica, acompanhado pelo médico.

- Camus, você está bem? – indagou nervoso.

Camus sorriu pra ele, e depois para Shaka.

- Olá, Shaka. – cumprimentou.

- Olá, Camus. – sorriu com charme.

- Estou bem, Hyoga, não precisa ficar chateado, foi um ferimento na esclerótica, e na parte interna da pálpebra, por isso sangrou, mas não foi nada demais...

- Como não? Você ficou duas horas na sala de cirurgia! – reclamou Hyoga, irritado.

- Depois conversamos sobre isso. – sorriu Camus, constrangido – Agora eu preciso ir a um lugar...

Tanto Shaka quanto Hyoga miraram o ruivo curiosos.

- Não me façam perguntas, eu preciso que me leve, Hyoga, pois ainda não estou enxergando direito.

- Mas... Camus...

- Se você não quiser, eu pego um táxi. – disse o executivo contrafeito.

Hyoga cruzou os braços e bufou.

- Não é nada disso, seu mal agradecido! – irritou-se – É que preciso ver o Shun daqui a meia hora, e...

- Não falte ao seu encontro, Hyoga. – interrompeu Shaka – Eu levo o Camus aonde ele quiser ir, se você aceitar, Camus, claro!

- Sem problemas pra mim. – disse o francês, e encarou o jovem russo – Hyoga, cuidado...

- Eu sei o que estou fazendo. Acho que é você quem tem que tomar cuidado com o que anda fazendo! – devolveu o outro aquariano e virou-se pra Shaka – Cuida dele.

- Eu prometo. – sorriu o indiano, e Hyoga saiu, ele então se virou para Camus – Foi o tal Office-boy quem fez isso com você?

- É uma longa história, Shaka, mas agora, preciso que me leve a um lugar?

- Aonde, senhor executivo? – ironizou.

- A casa dele.

-OOO-

Hyoga chegou ao banco de sempre e se sentou, esperando que Shun chegasse. Sorriu ao pensar no rapaz. Era incrível o quanto estava fascinado por ele, fascinado a ponto de deixar Camus sozinho num momento como aquele.

"Não, ele não está sozinho, está com o Shaka..." Tentou se sentir melhor.

Aproveitou para folhear uma revista enquanto o tempo passava. E o tempo passou rápido, rápido o suficiente para levar ao russo aquilo que ele não queria crer. Que Shun não iria encontrá-lo naquela tarde.

Viu a lua clarear o céu, os morcegos sobrevoarem as árvores e nada do rapaz aparecer. Contudo, continuava confiante; sabia em seu íntimo que cedo ou tarde ele estaria ali, embora a noite avançasse...

-OOO-

Já passava das 07:00 da noite quando Seiya chegou a casa, e Ikki lhe narrou todo o acontecido. O sagitariano esmurrou algumas paredes, dizendo que faria aquilo com Camus se tivesse a chance de encontrá-lo e dando todos os seus "predicados homéricos" ao ruivo francês.

Depois, percebendo que "acabar com a reputação" do ruivo não iria ajudar ao amigo, ele calou-se, se sentou ao lado de Milo e lhe deu um abraço.

- Não se preocupe, ele terá o que merece, aquele bosta! – disse, irritado, mas de forma carinhosa.

Ikki mirou os amigos, sério.

- Seiya, preciso que você fique com ele, o dever me chama?

- Dever? – ironizou o mais novo.

Ikki achou melhor não responder. Ajoelhou-se perto do loiro, que estava sentado na cama.

- Você vai ficar legal?

Milo o olhou nos olhos e sorriu de forma um tanto amarga.

- Quebrar a cara do Camus já me deixou extremamente melhor, você não percebeu?

- Ok. – suspirou – Vou nessa...

Nesse momento, eles ouviram a campainha, e Ikki resolveu atender...

-OOO-

"Mais de sete horas, ele não vem..." constatou Hyoga angustiado. Olhou para o céu, onde nuvens pesadas se formavam; suspirou, sentindo-se em um abismo.

Pensava que algo muito grave deveria ter acontecido a Shun, e ele nunca saberia, pois não sabia nada sobre a pessoa que amava.

Sim, amava! Não havia mais o que negar, amava-o tanto que sua ausência doía e o jogava num verdadeiro inferno...

"Shun, onde está você..." murmurou sentindo os olhos úmidos. Não, não sairia dali até ele aparecer.

Sentou-se novamente.

-OOO-

Ikki caminhou a passos rápidos para abrir a campainha insistente.

Parou estático ao descobrir quem estava ali.

- Eu preciso falar com o Milo. – declarou Camus, sério – E nem pense em me impedir...

O moreno ficou sem ação por um tempo, não pela presença de Camus, mas por se dar conta de quem estava ao seu lado. Nesse momento, Seiya saiu do quarto de Milo, lembrando-se de que prometera a Shiryu encontrá-lo, e deparando-se também com Camus e Shaka parados à porta.

- Que inferno! – resmungou o mais jovem, cruzando os braços e se postando ao lado do leonino, numa posição no mínimo ofensiva.

Continua...

Notas finais: Dois capítulos em menos de 72 hs, eu estou de parabéns, e dois capítulos enormes XD! Isso se chama compulsão. É esquisito, mas entrei em surto, fazer o quê?

Não queiram me matar, eu disse que esse seria um complemento do outro, então, não teve como colocar grandes revelações, deixa para o próximo.

Agradecimentos especiais:

Milaangelica, Keronekoi, Danieru, heeth,Nitsu,Maya Amamiya,Luanna Tsuki,Arcueid,anapanter,ShakaAmamiya,saorikido,Cardosinha,Virgo Nyah,Graziele Kiyamada,Draquete Ackles Felton,nannao.

Essas são as pessoas que, além de ler, têm a gentileza de deixar um review de incentivo que é de graça, não tira pedaço e faz uma autora feliz.

Beijos aos que acompanham mesmo que silenciosamente.

Sion Neblina