Notas iniciais: Olá, queridos leitores,
Mais uma vez desculpa o atraso. Mas eu tenho um grande problema, quando a fic está chegando no final eu travo, aff, mas um dia ela sai!
Espero que gostem do capítulo, boa leitura.
Obs. Continuo sem BETA, então relevem os erros pelo texto.
Refazendo laços
Capítulo 17
-Uma chance para amar-
Camus quase não dormiu à noite. Por várias vezes tentou entrar em contato com Hyoga, mas seu telefone estava desligado. Já passava das dez da manhã e ainda não tinha notícias do jovem. Seu coração estava angustiado. E se Hyoga tentasse fazer uma loucura? Insistia em lhe questionar isso aquela voz negativa que sempre nos visita quando estamos preocupados. Mas por outro lado, possuía uma certeza estranha de que o russo não tentaria suicídio novamente. Nos últimos tempos o garoto recuperou a vontade de viver e isso se devia somente a uma pessoa.
- Shun... – murmurou e sorriu – é isso, ele está com o Shun.
Milo que prendia os cabelos cacheados num rabo-de-cavalo, enquanto preparava-se para ir à faculdade o olhou com uma interrogação nos olhos.
- O namorado do Hyoga se chama Shun. – Explicou Camus. Ele estava vestido em um roupão negro, sentado na cama.
- Engraçado, é o mesmo nome do irmão do Ikki... – Observou Milo sem dar muita importância aquilo e que se surpreendeu com a risada gostosa que Camus deixou escapar. Uma risada de Camus Verseau era rara e isso merecia sua atenção.
- Parece que todos sabiam disso menos eu. – Continuou o executivo.
- O que quer dizer? – Indagou o grego que queria muito saber o que era tão engraçado.
- O namorado do Hyoga é o irmão do Ikki. – Explicou Camus – Soubemos há pouco tempo disso e, em falar no Ikki, eu tenho que falar para ele que o irmão está há mais de quatro meses em Atenas o procurando.
Milo ficou estarrecido, piscou confuso e se sentou ao lado de Camus.
- Do que você está falando? O que o Shun tem a ver com você e seu filho?
- É uma longa história, mon chère, e agora tenho que ir ao hospital vê-lo...
- Eu vou com você! – Falou Milo apreensivo.
- Milo, sua aula...
- Dane-se a aula, Camus, eu preciso entender o que está acontecendo. – Volveu o grego firme – O Ikki vai surtar quando souber que o Shun passou todo esse tempo sozinho e que esta em um hospital! Então foi ele o tal garoto...
- Sim, foi ele. – Cortou Camus – Tudo bem, se você quer tanto, vamos tomar café e depois vamos ao hospital, certo? De lá, ligamos para o Ikki.
O loiro não respondeu, beijou de leve os lábios do ruivo e, de mãos dadas, foram para a sala.
-Uma chance--Uma chance-Uma chance-
Estava frio, muito frio para os seus padrões na verdade, mas Hyoga não parecia se preocupar com isso, apenas Shun se encolhia desesperadamente dentro da jaqueta pesada do russo. Estavam na praia ainda, acabaram passando a noite protegidos numa cabana abandonada, caindo aos pedaços, mas que tinha uma bela vista do mar. Ao contrário do que pensou, não choveu, mas aquele dia prometia uma tempestade de verão. Mirou o mar agitado e sentiu o vento frio que entrava, chicoteando seu rosto, em contraste com o corpo quente do loiro que o envolvia nos braços.
- Estou tão feliz... – murmurou o jovem de cabelos castanhos – A única coisa que me deixaria ainda mais feliz, seria encontrar meu irmão...
Hyoga sorriu e beijou os cabelos macios do mais jovem.
- E se eu disser que sei onde ele está? – Sussurrou em seu ouvido, fazendo o garoto se arrepiar e se virar em seus braços.
Shun o mirou com olhos brilhantes e emocionados.
- Não está brincando, está?
- Não, meu anjo, o Camus localizou seu irmão. Ele esteve bem perto de você, esteve no hospital.
- Hyoga, como você não me disse isso antes? – Indagou trêmulo de emoção – Eu... eu preciso vê-lo...
- Calma, Shun, o Camus...
O loiro sentiu uma dor aguda de remorso no peito ao falar o nome do pai. Fechou os olhos por breve instante e voltou a encarar o menor.
- Eu tenho que voltar, o Camus deve estar muito preocupado. Ah, droga! Eu sempre faço tudo errado! – Lamentou-se.
- O que fez de tão errado?
- Você sabe, Shun, eu não compreendi seus motivos, fui cruel. Tenho que falar com ele. Eu saí e nem mesmo disse onde estava e deixei o celular desligado até agora. Ele deve estar louco a minha procura.
Shun assentiu com a cabeça.
- Liga pra ele, isso não se faz, Hyoga, você sabe o quanto ele se preocupa com você. – Reclamou sério.
- Sim, vou falar com ele. É melhor também sairmos daqui, seus lábios já estão roxos de frio.
- Estou mesmo congelando. – Riu Shun, mas depois olhou para o próprio corpo e se voltou para o namorado - Mas como vou embora assim? – Ruborizou mostrando o roupão do hospital – As pessoas vão pensar que fugi de um manicômio...
Hyoga riu com gosto.
- Chamarei um táxi. Você fica aqui quietinho que quando eu conseguir um, venho buscá-lo. É o tempo que ligo para o Camus e ele localiza seu irmão.
- Hyoga...
O loiro o encarou, e Shun umedeceu os lábios.
- Eu preciso falar algo importante pra você...
- Depois, Shun, agora preciso levá-lo para um lugar protegido. – Disse o beijando de leve e se afastando.
O mais jovem sorriu concordando e Hyoga deixou à cabana.
- Para amar -- Para amar - Para amar -
- Como fugiu? – Camus indagou aturdido.
- O paciente estava aqui até a última visita da enfermeira, senhor, mas quando ela voltou pela manhã ele havia desaparecido. – Explicou a recepcionista.
- E vocês não têm nenhuma responsabilidade por isso não é? – Irritou-se Milo, estava muito preocupado com a saúde do irmão do amigo.
O grego percebeu que uma das enfermeiras acompanhava a parte à conversa com atenção. Astuto, logo imaginou que ela sabia de alguma coisa; aproximou-se da moça para sondar.
- Olá... – Sorriu com charme, tinha ciência do quanto seu sorriso era desconcertante.
- Oi... – falou a mocinha que deveria ter em torno de 20 anos.
- Olha, aquele garoto que estava aqui é meu primo, a família está desesperada, você saberia pra onde ele foi?
- Não, eu não sei. – disse ela nervosa e confidenciou baixando o tom de voz – Mas... É que... o senhor promete que não fala nada a ninguém?
- Claro que prometo, eu só quero saber onde ele está, não quero prejudicá-la. – Foi muito firme, olhando dentro dos olhos da moça.
A enfermeira mordeu os lábios ainda em dúvida, mas resolveu falar, afinal se algo acontecesse ao garoto, estaria em maus lençóis.
- Um rapaz... um rapaz loiro muito bonito veio vê-lo ontem após o horário de visita e acho que eles saíram juntos.
- Obrigado. Essa informação me ajuda muito. – Milo disse sorrindo e se afastou, encontrando Camus parado, de braços cruzados, o esperando.
- Milo, o que estava fazendo? Jogando charme para uma enfermeira? – Reclamou em voz baixa – Pensei que estivesse preocupado com o garoto.
O loiro riu.
- Não sabia que você era tão ciumento, e se quer saber, acabei de descobrir que o Shun está com o seu filho...
- Como assim?
- Eu tenho um faro de detetive, percebi que aquela mocinha sabia de algo e ela acaba de me dizer que um loiro muito bonito veio ver Shun depois do horário de visitas e que ele sumiu depois disso.
- Eu mato o Hyoga... – resmungou Camus e puxou o celular do bolso do terno, tentando ligar mais uma vez para o filho. Dessa vez teve sucesso.
- Hyoga, onde você está?
- Oi, Camus! Desculpe-me, eu deveria ter ligado pra você... – O mais jovem falou do outro lado da linha e o ruivo pode perceber o barulho do vento enquanto ele falava.
- Sim, deveria, eu passei a noite tentando entrar em contato, imagina como fiquei? – Vociferou o francês, quer dizer, apenas Hyoga sabia que ele "vociferava" porque sua voz continuava baixa - Onde você está?
- Calma, Camus, eu já estou voltando pra casa... Precisamos conversar.
- Sim, eu sei. – Suspirou – O Shun está com você?
- Sim.
- Como pode fazer algo tão irresponsável? – Irritou-se o executivo – Hyoga, esse garoto precisa de cuidados!
- Estamos bem, pai...
- Não importa! Você deveria...
As palavras morreram em sua garganta; seu rosto tremeu, deixando Milo muito apreensivo.
- Camus? O que houve? – Indagou o grego apertando-lhe o ombro com carinho.
- Pai? Camus? – Insistia Hyoga do outro lado da linha.
- Eu... eu estou aqui, filho... – Murmurou fechando os olhos com força.
- Ah, que susto! Pensei que a ligação tinha caído! Estou procurando um táxi, chegamos ao seu apartamento em vinte minutos.
Hyoga falava com naturalidade, como se nada do que dissesse fosse novo ou insólito, como se a tensa noite anterior não houvesse existido e como se eles tivessem sido sempre pai e filho.
- Tudo bem... – conseguiu balbuciar Camus, tentando vencer a emoção.
- Ok, mestre Camus, e, só pra constar, eu te amo... – disse e riu alto. Era tão fácil dizer aquilo agora. Não que antes não fosse, mas se sentia tão feliz, tão completo que era capaz de gritar para o mundo inteiro o quanto amava a vida. Shun conseguia sempre abrir seus olhos para tudo que tinha, para como a vida era bonita. O amava tanto e amá-lo o fazia tão feliz que só possuía bons sentimentos para devolver ao mundo.
Camus ficou parado com o celular ainda no ouvido, enquanto o aparelho dava sinal de que a ligação fora cortada. À sua frente, Milo encarava a emoção presa em seu rosto sem compreender e parecia nervoso com isso.
- Camus diz alguma coisa. – Pediu receoso.
O francês piscou o que fez uma lágrima escorrer por seu rosto bonito. Ele a enxugou rápido como se temesse que alguém visse que ele não era feito de gelo, saindo do seu estado de entorpecimento e guardando o celular novamente.
- O que ele disse, chére? – Perguntou Milo mais uma vez.
- Nada demais, vamos, eles estão indo para minha casa. – Cortou se esforçando para manter a sua sempre perfeita máscara de frieza.
- Como nada? Você não ficaria com essa cara por nada! – Insistiu Milo aborrecido.
Camus parou, encarou o loiro e sorriu de leve.
- Ele... ele me chamou de pai... – murmurou emocionado. Milo sorriu e o abraçou com força. Camus repousou o rosto por um tempo em seu ombro, até que resolveu ir pra casa, afinal, seu filho estava chegando.
--Uma chance para amar-Uma chance para amar-
As horas passaram rápido. Seiya consultou o relógio; estava sentado a mais de meia hora, esperando por Saori. A moça ficara de sair da faculdade para que almoçassem juntos, e ele esperava, esperava, nervoso, quase com ganas de roer as unhas. Precisava terminar o relacionamento, mas não sabia como, mesmo porque, para ele, não era fácil dizer o que precisava dizer.
Quase uma hora depois do marcado a garota apareceu sorridente, falava ao celular, mas parou ao vê-lo, o beijou e se sentou a sua frente.
- Oi, amor, desculpe o atraso.
- Tudo bem. – Suspirou o rapaz – Quer fazer os pedidos?
- Hum... prefiro que conversemos primeiro, você parecia tenso ao telefone, aconteceu alguma coisa?
- Saori... eu... – Respirou fundo – Eu...
A moça franziu as sobrancelhas.
- Seiya, por favor, pare de gaguejar, o que está acontecendo?
- Eu conheci alguém, Saori... – disse. Não era muito bom com as palavras e não sabia mesmo como tornar aquilo menos doloroso.
Saori se afastou, recostando-se no encosto da cadeira.
- C-como assim alguém?
- Isso que ouviu, alguém. – Murmurou – Me desculpe...
Saori apertou uma mão na outra, sem saber o que dizer, os olhos marejando.
- Você... você está terminando comigo é isso?
- Eu...
- Essa moça é mais legal, não sei, mais bonita que eu? – Respirou fundo tentando conter as lágrimas – O que há, Seiya? Eu nunca signifiquei nada pra você?
- Não, Saori, não é isso! – Disse o rapaz envergonhado – Você... eu gosto muito de você, você é linda, é gostosa, mas... não foi porque quis...
- Nunca é, Seiya, mas sempre há um começo, quando começou? Não vai me dizer que se apaixonou à primeira vista? – Perguntou irritada e magoada, amava o namorado, fizera planos com ele e agora isso.
- Não. Na verdade, nos tornamos amigos, foi isso, quando vi já estava apaixonado. – Foi sincero – Eu não queria ser sacana com você, desculpe...
- Obrigada por ter a decência de me comunicar! – Saori se ergueu – Eu não esperava que me descartasse dessa forma...
Seiya se ergueu e segurou o braço da moça antes que ela fugisse.
- Eu não a estou descartando, Saori, eu gosto de você, gosto de verdade!
- Então fica comigo! – Pediu e se agarrou a ele chorando – Fiz tantos planos para nós dois, Seiya, foi tão difícil fazer meus pais aceitarem nosso namoro, você sabe como eles são. Não é justo que me abandone assim, não é!
Seiya respirou fundo.
- O que eu posso fazer?
- Dei-me outra chance, por favor...
O rapaz engoliu em seco e afagou os cabelos macios da namorada.
- Você sempre será minha amiga, Saori. Sempre.
A garota chorou mais forte, e Seiya tentou consolá-la. Sabia que seria difícil, mas estava sendo pior, bem pior do que pensou.
-Uma chance--Uma chance-Uma chance-
Shiryu passou o dia em uma enfadonha reunião ao lado de Shura e Afrodite, sobre as mudanças que a dissociação da Cignus e da Verseau resultariam. Estavam deixando a sala quando uma das secretárias entrou e lhes entregou convites elegantes.
O sueco examinou o seu antes dos demais e entreabriu os lábios.
"Dimitri Cignus convida sua equipe para um jantar em comemoração aos bons resultados do primeiro bimestre. É indispensável a presença de todos."
- Que estranho... – murmurou Shiryu – ele nunca fez nada do tipo antes, o que será?
- Tenho a ligeira impressão que isso tem a ver com o grupo interessado em se associar a empresa. Com a saída das Indústrias Verseau, certamente os primeiros abutres começarão a se aproximar. – Falou Shura preocupado.
- Você conseguiu falar com o Hyoga? – Afrodite indagou a Shiryu.
- Não. Tentei a manhã inteira, mas deu caixa de mensagens, então desistir.
- De qualquer forma, o tal jantar é na sexta, com certeza o herdeiro do trono real estará lá. – Ironizou Shura. Shiryu percebia que o ex-amante que já possuía uma personalidade meio depressiva, se tornara ainda mais amargo. Gostava de Shura e gostaria de ajudá-lo, mas ele se tornara tão esquivo consigo desde que tudo terminou que não tinha coragem.
- Verdade. – Falou Afrodite soltando os cabelos e os sacudindo levemente, antes de começar a prendê-los de novo – Tenham certeza que estarei lá, mais lindo e loiro do que nunca.
- Sei disso – sorriu Shiryu caminhando para a porta -, mas agora voltarei para minha sala, estou exausto e ainda tenho aula à noite.
Deixou os amigos e caminhou devagar até sua sala. Observou-a por um tempo da porta; sim, era hora de mudar, de começar a vida que há anos estava planejando. Sabia que ainda era muito jovem, mas não iria se prender a algo que não estava ao seu agrado, então, quanto antes, melhor.
Entrou e se sentou à mesa, começando a digitar seu pedido de demissão.
--Para amar-Para amar-Para amar-
Hyoga chegou ao apartamento do pai, ao lado de Shun. Sentia-se bem como há muito tempo não se sentia. Ao lado do pequeno e frágil de aparência Shun, mas que era tão forte de espírito e caráter, ele se sentia o rei do mundo.
- Venha, você precisa de um banho e repouso, acho que fui um monstro deixando que dormisse comigo naquela cabana fria. O Camus tem razão, fui um irresponsável.
- Eu estou bem. – Falou Shun e afagou o rosto do amado – Eu é que fui muito irresponsável e louco em convencê-lo a me tirar do hospital – lamentou -, eu preciso de um banho sim, mas também de curativos novos; terei que voltar ao hospital de qualquer forma...
- Eu cuido de você. Sou um bom enfermeiro, você verá. – Piscou o mais velho, Shun riu de leve e deu de ombro.
- Se você diz...
Seguiram para o quarto, o apartamento ainda estava vazio, mas o russo sabia que Camus não demoraria a chegar. Separou roupas para Shun enquanto ele se banhava. O garoto saiu minutos depois com os cabelos úmidos, envolvido numa toalha.
Hyoga, que estava sentando na cama até então, se ergueu.
- Vou preparar um café enquanto você se troca. Precisa de ajuda?
- Não, só de um curativo novo.
O loiro foi até o banheiro e voltou com uma maleta de primeiro socorros.
- Acho que posso improvisar. Deite-se na cama. – Pediu e Shun obedeceu.
O mais jovem ruborizou quando Hyoga desfez o nó da toalha que se enrolava em seus quadris. O ferimento ficava pouco acima da virilha, e Shun se sentia desconfortável, tão exposto, embora o loiro não parecesse nem um pouco interessado em algo que não fosse desinfetar e cobrir o ferimento.
- Está muito feio? – Indagou sem coragem de olhar para baixo, ainda não tivera coragem de olhar o ferimento.
- Não. Foi um corte pequeno e está bem suturado. – Falou o russo indiferente.
O curativo foi feito com precisão e quando terminou, o loiro se afastou sorrindo.
- Pronto. Aulas de primeiros socorros servem para alguma coisa.
- Obrigado. – Sussurrou Shun ruborizado, e o russo ficou mirando seu rosto em silêncio.
- O que foi? – Indagou desconfortável.
- Você é tão lindo, parece um anjo...
O adolescente ficou ainda mais vermelho se possível.
- Eu... eu sei que...eu ainda...
O dedo de Hyoga cobriu os lábios pequenos, bem feitos e rosados de Shun, e o mais novo fechou os olhos experimentando a sensação do calor que saía dele.
- Shun, eu nunca farei nada que você não queira...
As esmeraldas se arregalaram e o encararam.
- Não foi isso que pensei.
- Eu sei que não, mas sei também que você, assim como eu, está cheio de dúvidas sobre... sobre nós dois... sobre o que está acontecendo entre nós, afinal somos homens...
Shun balançou a cabeça e se sentou na cama, realinhando os cabelos atrás das orelhas.
- Eu nunca tive dúvidas, Hyoga, eu... eu sempre o amei... – baixou o olhar ao confessar aquilo – eu o amei durante toda minha vida...
O russo o encarava com uma interrogação gritante na expressão. Shun voltou os olhos para ele novamente.
- Eu... eu preciso ir a casa da Ilana, dizer que está tudo bem... – desconversou constrangido.
- Shun, eu preciso saber. – Cortou Hyoga – Sua vida para mim ainda é um incógnita, você sempre se recusa a me explicar essas coisas que diz ao meu respeito, por favor, eu preciso saber.
- Poderia ser depois que eu visse a Ilana e as crianças? – Pediu suspirando cansado.
Hyoga o encarou sério durante alguns segundos antes de responder.
- Posso sim, mas antes, acho melhor você descansar um pouco.
Shun entreabriu os lábios decepcionado.
- Hyoga, quando poderei ver meu irmão?
- Ah, verdade! – O russo procurou pelo celular com o olhar – Ligarei para o Shaka...
- Quem é Shaka?
- Ele é... um amigo do seu irmão, o Ikki está morando na casa dele...
Shun mordeu o lábio inferior em dúvida.
- Não seria o Milo? Ele chegou a me falar do Milo e do... Seiya, é isso...
- Bem, acho que é melhor ele mesmo explicar pra você.
Shun concordou passivamente. Estava ansioso, ansioso demais com todos os acontecimentos, mas tentava se manter tranqüilo, não gostaria de ver Ikki nervoso e angustiado e sabia que seria assim que o irmão ficaria quando soubesse de tudo que lhe aconteceu até ali. Tentaria sorrir, mostrar-se bem, mostrar-se feliz e satisfeito. Mesmo que seus dias em Atenas não tenham sido dos melhores inicialmente, no final estava feliz, tudo parecia se resolver.
- Hyoga, vou me trocar, você...
- Claro, Shun! – O russo ergueu-se da cama e se encaminhou para a saída do quarto – Quando estiver pronto, estarei esperando.
Shun acenou com a cabeça e sorriu. Hyoga saiu do quarto e foi para a sala. Sentou-se no sofá e respirou fundo, deixando um sorriso escapar dos seus lábios, sentia-se leve, leve como nunca.
Shun apareceu minutos depois vestido numa calça branca e uma camiseta da mesma cor. Seus cabelos castanhos, volumosos e cacheados estavam soltos, emoldurando o rosto de anjo, deixando-o ainda mais encantador.
O loiro ficou um tempo apenas o olhando se aproximar com um pouco de dificuldade ainda devido ao ferimento, mas ainda assim de forma elegante.
- O que está olhando? – Riu Shun se sentando ao seu lado no sofá.
- Você é lindo. – Respondeu o russo beijando-o no ombro.
Shun sorriu de leve e se ajeitou no sofá. Nesse momento, a porta se abriu e Camus entrou no apartamento ao lado de Milo.
- Hyoga! – Exclamou o ruivo se aproximando do filho – Que bom que está bem. O que você fez foi muito irresponsável sabia? – Continuou o ruivo severo.
O loiro russo se ergueu do sofá, meio sem jeito. Olhou para Milo o cumprimentando com um "oi" constrangido.
- Podemos conversar em... em outro lugar, Camus? – Pediu. O ruivo resignou-se e o chamou para o escritório.
Quando fechou a pesada porta, virou-se para o filho o encarando sério.
- Camus, eu sei que errei tirando o Shun do hospital. – Disse tentando não rir da cara enfezada do mais velho – Mas estamos bem, não vê? E se quer saber, você foi muito mal educado agora, nem mesmo cumprimentou o Shun.
Camus corou de leve, se dando conta da gafe, mas continuou mirando o filho de forma severa.
- Não tente desconversar. – Resmungou, mas não conseguia ficar zangado. Os olhos de Hyoga brilhavam de felicidade e se aquela fuga noturna foi responsável por isso, ele ficava feliz.
- Não estou tentando, pai, estou explicando. – Sorriu.
Camus sentiu novamente aquele aperto de emoção no peito. Baixou o olhar e colocou as mãos nos bolsos.
- Hyoga, me perdoe. – murmurou – Eu entendo que mentir a vida toda pra você, mas o que fiz...
- Camus, eu entendo. – Interrompeu o mais novo – O Shun abriu meus olhos, eu estava sendo egoísta e mimado. Eu nem mesmo quis ouvir seus motivos.
- Filho... digo... – Tentou se consertar, mirando o mais jovem, mas foi novamente interrompido.
- Filho. – O loiro disse e sorriu, fechando os olhos com força – Sabe quantas vezes eu sonhei em ser seu filho? Quantas vezes eu pedi isso aos céus? Entende quando um sonho se realiza, Camus?
- O meu está se realizando agora, Hyoga. – Falou o executivo emocionado. O russo se aproximou do pai e o abraçou com força, sendo retribuído na mesma intensidade. Aquilo não era estranho para eles, era tão natural, era como se soubessem a vida toda.
Não havia fogos de artifícios ou emoções descontroladas. Eram apenas eles, o que sempre fora, Camus e Hyoga, pai e filho.
Depois que se separaram, o ruivo fez questão de lhe explicar como tudo aconteceu, o que deixou o russo atônito por um tempo, perdido naquele passado lúgubre do pai. Era como se conseguisse ver todo o sofrimento de Camus, então com 14 anos, e de Natássia, a mãe que nunca conheceu. Aquilo era estranho e doloroso, mas tentava assimilar bem os fatos e entender todos os pontos.
Voltaram para sala quase uma hora depois, para encontrar Milo e Shun numa conversa bastante cordial. O loiro explicara ao adolescente que era amigo do seu irmão o que fez o pequeno Amamiya bombardeá-lo de perguntas.
- Shun, você ainda quer ir a casa da Ilana? – Indagou Hyoga se aproximando.
- Na verdade, o Shun deveria estar no hospital. – Reclamou Camus – Foi muita irresponsabilidade tirá-lo de lá.
- Você já disse isso. – Resmungou Hyoga revirando os olhos.
- A culpa é minha, senhor, fui eu quem pediu isso ao Hyoga. – Declarou Shun corando – Eu... eu já estou bem melhor.
- Os médicos ainda não lhe deram alta, então o melhor a fazer é levá-lo para o hospital mesmo, Shun. – Volveu Milo pousando a mão no ombro do garoto – Avisarei ao Ikki que você está em Atenas, ele está muito preocupado.
- Hyoga, vamos levar o Shun para uma clínica, precisamos nos certificar de que ele está bem e que não corre nenhum risco de infecção. – Insistiu Camus.
- Tudo bem. – O russo falou se sentindo o homem mais irresponsável do mundo – O Camus tem razão , Shun, é o melhor.
- Podemos passar na casa da Ilana, por favor... – Pediu o mais jovem e Camus assentiu com a cabeça.
Milo se ergueu do sofá e se dirigiu ao ruivo com um olhar sério.
- Eu preciso ir. – Falou – Tentarei entrar em contato com o Ikki e lhe aviso assim que conseguir.
Hyoga pigarreou e, como estava atrás de Camus, fez sinal com os olhos para que o pai apresentasse o loiro a ele. Camus ruborizou sem jeito, mas achou mesmo muito mal educado da sua parte não ter apresentado os dois já que quando eles se conheceram, bem, não foi da melhor maneira.
- Ah... Milo, acho que ainda não te apresentei ao Hyoga...
O grego se voltou e apertou a mão do filho do amante.
- Prazer... – disse sem jeito se lembrando do papelão da noite anterior.
Hyoga apenas assentiu com a cabeça sorrindo de leve.
- Vamos? – Pediu Camus, e os três se precipitaram a sair a sua frente – Shun, o melhor é que vá direto para a clínica. Passamos na casa da Ilana e avisamos onde você está, o que acha?
- Tudo bem, senhor... – volveu o adolescente derrotado.
- Pode me chamar de Camus.
O garoto balançou a cabeça. Camus se despediu de Milo e junto com Shun e Hyoga, entrou em sua BMW em direção a uma sofisticada clínica onde internou o Amamiya mais jovem. Hyoga ficou de seguir para a casa de Ilana onde pegaria os documentos do rapaz para "oficializar" a internação.
Camus seguiu para a Verseau horas depois, enquanto Milo tentava entrar em contato com Ikki.
Hyoga tirou os óculos escuros quando Ilana abriu a porta. A mulher pareceu surpresa ao vê-lo.
- Hyoga, aconteceu alguma coisa com o Shun? – Perguntou aflita.
- Não, Ilana, fique calma. – A tranquilizou – Vim aqui por que... Bem, nós levamos o Shun para uma clínica e ele me pediu para lhe avisar, também disse que deseja vê-la e as crianças.
Ilana assentiu.
- Eu vou arrumar as crianças, ficamos prontas em vinte minutos no máximo, você espera, por favor?
- Claro, Ilana. – Sorriu Hyoga – Você poderia me mostrar o quarto do Shun? Gostaria de levar suas coisas pessoais.
- Claro, Hyoga, é o segundo do corredor, fique a vontade!
A mulher lhe deu passagem e seguiu para chamar as crianças para se aprontarem. Hyoga seguiu pelo corredor estreito e abriu a porta do primeiro quarto.
Tudo era muito simples, mas impecavelmente organizado e limpo. Aproximou-se da pequena mesa de cabeceira, observando alguns livros empilhados e um caderno de anotações. Sorriu emocionado ao ler o que estava escrito no caderno, mas ao mesmo tempo sentiu-se intrigado e inquieto.
" 23 de janeiro, feliz aniversário meu amor..."
Passou as mãos nos cabelos e resolveu fazer o que tinha que fazer; encher a sacola que segurava com coisas pessoais do adolescente: roupas, escova de dente, etc.
Abriu o armário e estancou pasmado com o que viu: uma espécie de mural com várias fotos suas. Fotos de jornais e revistas, recortes de todos os tipos com datas e frases.
Deixou a sacola cair, sentindo-se extremamente perturbado. O que era aquilo? O que Shun sentia por ele, obsessão? Não! Ele não parecia ser um sociopata ou qualquer coisa do tipo.
Desalinhou os cabelos, preocupado. O mais novo lhe dissera que tinha algo a contar, mas ainda assim, ver aquele mural o deixava chocado e apreensivo.
Pegou o que tinha que pegar rapidamente. Quando chegou a sala, Ilana e as crianças já o esperavam. A loira percebeu seu rosto perturbado.
- Algum problema, Hyoga?
- Não, Ilana, nenhum, vamos.
Saiu na frente, sendo seguida pela pequena família. Deu a partida no carro ainda perturbado com a visão daquele mural. Shun teria muito que explicar, ah, ele teria.
-Uma chance--Uma chance-Uma chance-
Ikki havia passado na Cignus, onde ficou praticamente por toda a tarde, e agora se dirigiu de volta a casa de Shaka. pilotava a moto de forma lenta, os pensamentos envoltos nas sombrias revelações de Aiolia. Sentia uma tristeza, uma amargura crescente no peito e um quase desespero se apossava de si a cada segundo. Aquela história sombria martelava em seus pensamentos.
Parou a moto na entrada da elegante casa e quase correu para o ateliê a procura do indiano.
Parou à porta. Estava vazio...
Seu coração falhou. Subiu as escadas procurando pelo loiro no andar superior e procurou por todos os cômodos. Sua respiração estava ofegante, seu coração descompassado.
Desceu novamente as escadas e se sentou no último degrau quando percebeu que procurar era em vão. Ele não estava. Apoiou o rosto nos braços, derrotado. A voz de Aiolia se repetindo como um eco funesto em sua cabeça:
Precisava estar pronto para ser abandonado por ele na primeira oportunidade. Shaka sabia que era um veneno delicioso, mas mortal...
As lágrimas afloraram, e ele fechou a expressão para contê-las. Shaka tinha feito de novo e faria de novo, e de novo até morrer. Precisava sair da vida dele antes que se machucasse mais, antes que não suportasse e fizesse uma loucura como Aiolia.
- Ikki? – Ele só ouviu a voz, não sabia de onde ela saiu e nem o tempo que estava ali sentado entregue a sua dor. Ergueu os olhos úmidos. O loiro estava vestido de maneira informal, calça jeans, jaqueta de couro e camiseta. Os cabelos longos presos e levemente desalinhados como se estivessem ao vento. Shaka o olhava de forma confusa, parado no meio da sala.
- A porta estava aberta. – Explicou como se ele fosse a visita ali – Algum problema? – Insistiu sem entender o que acontecia.
Ikki o mirou com raiva, fazendo Shaka abrir mais os olhos surpreso.
- Aonde você foi? – perguntou entre dentes, sentindo uma mistura paradoxal de sentimentos; alívio, raiva, dor.
Shaka entreabriu os lábios.
- Eu saí... – murmurou sem entender.
- Pra onde? – Gritou o moreno se erguendo e se aproximando dele – Foi encontrar outro cara, foi isso? Foi dar um jeito de me tirar da sua vida? – Segurou os braços do loiro e o sacudiu.
Shaka apoiou as mãos nos ombros do moreno tentando fazê-lo parar. O encarou dentro dos olhos.
- Você falou com o Aiolia. – Concluiu de forma fria.
- Sim, falei. – Ikki respondeu balançando levemente a cabeça.
- Por que fez isso?
- Porque precisava saber com quem eu estava lidando! - Falou magoado – E não se preocupe, eu saio da sua vida antes de esfaqueá-lo!
Shaka o encarou sério, mas seus olhos deixavam transparecer mágoa. Ikki se afastou dele, profundamente perturbado.
- Eu não fui fazer o que está pensando...
- Como saberei? Como posso confiar em alguém instável como você? – Riu incrédulo o encarando – Não deixarei que tire toda minha sanidade como fez com ele, não deixarei que me humilhe e destrua minha vida como fez com a dele!
- Ikki...
- Pra mim chega! – Continuou ignorando os apelos do loiro – Se você quer pessoas para brincar, eu cansei! Estou cansado de insistir, cansado de querer algo que você não quer!
Shaka estava confuso, mas também estava magoado. Por que Ikki estava daquela forma? Perturbado daquele jeito? Suspirou: Aiolia deveria ter contado tudo nos mínimos detalhes e, apesar de muito maduro, Ikki ainda era jovem demais. Saber de uma história como aquela, trouxe a tona todos seus medos e inseguranças.
– Está sendo infantil! – Irritou-se o artista – Você não é o Aiolia!
- Mas você continua sendo o Shaka, não é? O mesmo Shaka! - Ikki respirou fundo como quem procura um ponto de equilíbrio.
- Sim, ainda sou o mesmo Shaka. – Falou baixando o olhar – Eu não posso mudar isso...
O moreno o encarou, sentiu o coração doer no peito.
- O que quer dizer com isso?
- Que eu continuo sendo o mesmo homem emocionalmente instável e... doente! Como todos dizem que sou! – Shaka o encarou angustiado – Então você tem que decidir se quer tentar algo com alguém assim, ou se prefere fugir!
Ikki ficou olhando pra ele por um tempo, sem saber o que pensar, o que fazer, até que se aproximou e o abraçou com força.
- Merda... eu queria poder deixá-lo... – resmungou e aquilo esmagou o coração de Shaka. Ele era mesmo um veneno para as pessoas...
- Quero que faça o que for melhor pra você... – sussurrou o indiano fechando os olhos com força – Não quero destruir sua vida como fiz a do...
- Não fala o nome dele... – interrompeu e tomou os lábios do loiro num beijo ardente, mergulhando as mãos nos fios trigueiros e o jogando contra uma parede. Shaka o puxou pra si, devorando seus lábios, aceitando a invasão da língua quente e possessiva em sua boca. Não soube quanto tempo ficaram naquele beijo possessivo e angustiado; quando Ikki se afastou, ruborizado de desejo, mas ainda com o olhar duro, Shaka gemeu de frustração, mas permaneceu no mesmo lugar, vendo-o se afastar.
- Aonde você vai? – Indagou aflito, embora sua voz não demonstrasse isso.
- Sair, preciso pensar. – O moreno murmurou antes de sair batendo a porta.
O indiano ficou parado por um tempo, sentiu um misto de raiva e angústia. Sentou no mesmo local onde antes estivera Ikki, tentando pensar. Apesar de tudo se sentia bem, bem como nunca se sentiu na vida e não deixaria nada estragar isso.
Depois de alguns minutos analisando o que fazer, ele se ergueu. Não permitiria que Ikki saísse daquela forma, fosse lá para onde é que ele fosse. Dirigiu-se a porta, mas quando pôs a mão na fechadura, se sentiu tonto; mirou o relógio de pulso por instinto. Oito horas! Oito horas desde que recebeu a última aplicação de insulina, não era tanto tempo assim e não tinha tempo para aquilo agora, não morreria se esperasse mais um pouco. Optou por sair e entrar em seu lothus, resolveria aquela história de uma vez por todas.
Ikki saiu da casa de Shaka completamente amargurado. Montou em sua moto e seguiu. Queria ir pra qualquer lugar em que pudesse pensar com clareza, longe do loiro o suficiente para não fazer uma bobagem. Chegou a um bar no centro e pediu uma bebida. Foi quando percebeu que seu telefone tocava e ao olhá-lo viu várias ligações de Milo.
- Fala escorpião!
- Ikki, que merda! Por que você não atende essa porcaria desse celular? – Rosnou o loiro – Estou a horas tentando falar com você!
- Não tinha visto. – Explicou sem paciência – O que você quer?
- Ikki, estou ligando para dizer que o Shun está em Atenas, e está procurando por você.
Ikki emudeceu; Milo achou melhor ocultar que o Amamiya mais jovem estava numa clínica, falaria aquilo pessoalmente.
- Em Atenas como? Ele está sozinho? – Ikki disse finalmente sentindo algo ruim no peito, aliás, já vinha algum tempo com aquela sensação ruim.
- É uma longa história, que tal me encontrar para que lhe explique tudo e o leve até ele?
O moreno concordou, mas pediu que o amigo não demorasse, estava muito nervoso.
- Para amar- Para amar- Para amar-
Shun foi internado numa sofisticada clínica. Os médicos passaram uma nova bateria de exames que acusaram que o adolescente estava ótimo e que talvez, logo fosse liberado.
Camus fez questão de comunicar ao hospital que o jovem foi encontrado e que estava bem. Hyoga não saiu do lado de Shun em nenhum instante e solicitou que uma outra cama fosse colocada no quarto, pois ele passaria a noite ali.
Foi profundamente emocionante o reencontro entre Shun, Ilana, Alef e Terese. Ilana chorou muito e agradeceu ao menino por ter salvado seus filhos e pediu perdão; sentia-se culpada por ter envolvido aquela criança em sua situação difícil com Marcel.
Enquanto eles conversavam, o celular de Camus tocou. Ele falou algumas palavras e sorriu de canto de lábios.
- Shun... – Chamou a atenção do adolescente pra si – Seu irmão está chegando.
O coração do garoto disparou e seus olhos se abriram e marejaram. Ajeitou o cabelo nervoso.
- Ele... ele sabe... ele...?
- Calma, Shun, está tudo bem, ele já sabe o que aconteceu. O Milo está tentando acalmá-lo antes de trazê-lo aqui.
- Sim, obrigado, Camus. – Uma lágrima desceu pelo rosto claro de Shun e ele percebeu que contrariando o convencional, Hyoga parecia distraído, mirando pela janela do quarto.
- Hyoga, algum problema? – Indagou.
O russo se voltou e sorriu com carinho, mas Shun franziu o cenho percebendo algo em seu olhar.
- Nada, Shun, estou bem. – Disse tentando demonstrar naturalidade. Voltou a olhar pela janela e sorriu se voltando para o mais novo deitado na cama – Seu irmão chegou!
Shun se ajeitou na cama e seus olhos se cravaram na porta em expectativa. Quando ela se abriu, quem primeiro apareceu foi Milo. O adolescente sentiu o coração acelerar quando percebeu que o irmão vinha logo atrás dele.
Ikki parou no meio do quarto com uma expressão meio atônita e emocionada no rosto alguns segundos se olhando em silêncio, até que o mais novo abriu os braços num convite, enquanto lágrimas se derramavam por seu rosto.
O Amamiya mais velho não se negou. Aproximou-se da cama e acolheu o irmão em seus braços, num abraço apertado e reconfortante. Sentiu também as lágrimas quentes invadirem seus olhos e os cerrou para evitar que elas se derramassem.
- Irmão... – murmurou sem consegui achar nada que a emoção deixasse expressar – Sinto tanto...
- Ikki... – Shun soluçou e afagou seus cabelos – Está tudo bem, agora está tudo bem de verdade...
Continua...
Eu disse que desse capítulo não passava. Depois de 16 longos e exaustivos capítulos os irmãos Amamiya estão finalmente juntos.
Acredito (não garanto) que o próximo capítulo é o penúltimo. Espero conseguir esclarecer o que falta nele. UFA!
Beijos a todos que leram, gostaram ou não, em especial aos fofos que sempre se preocupam em deixar uma crítica construtiva ou um elogio.
Izabel ( Bel, você incentivou tanto que por coincidência terminei o capítulo hoje, antes de ver seu review!); _-_Patysinha_-_,Danieru, pollymayfair, virgo nyah, MysticShaka, EnmaHilder, Maya Amamiya, milaangelica, Shunzinhaah2,
Keronekoi, PapillonBleu, Aporro_Granz, ddd, Hannah Elric, Alexia-Black, Julyana Apony, Graziele Kiyamada, Mellow Candie, Kate-chan.
Obrigada sempre o apoio de vocês!
Abraços afetuosos!
Sion Neblina
