O cheiro da comida estava no ar e ela só conseguiu perceber que estava com fome agora que estava indo para o refeitório, pois durante a aula estava tão fascinada que não iria prestar atenção em mais nada.
Sango e Miroku conversavam animadamente sobre qualquer que fosse o assunto, eles pareciam se conhecer a muito tempo, tempo esse que fazia com que tivessem uma forte amizade, talvez até mais que isso. De qualquer forma, ela estava com o pensamento anos além do presente, algum dia talvez, conseguisse conversar a respeito do assunto com Sango. Por enquanto era melhor aproveitar.
- Higurashi, fica sentada aqui que Miroku e eu vamos pegar o lanche e logo mais voltaremos, tudo bem? – disse Sango assim que chegaram perto das mesas. Algo em sua voz a tranquilizava.
- Claro, podem ir. – Sango posicionou Kagome para que ela pudesse se sentar no extenso banco que ficava próximo à mesa, logo depois se retirou com Miroku para a fila do lanche.
Enquanto aguardava, Kagome se sentiu estranhamente vigiada, não como se fossem Sango ou Miroku olhando para ela, mas sim como se algo ruim a estivesse encarando insistentemente, esperando pela oportunidade de capturar a sua atenção. A garota sentiu algo puxando uma mecha de seu cabelo gentilmente, entretanto sentia uma onda de hostilidade vindo do mesmo local para onde seu cabelo era puxado. Estava com medo.
- Hi-gu-ra-shi-chan. – Era o mesmo garoto que estava sentado à sua frente na aula. Ele pronunciou seu nome lentamente e se aproximou mais. – Parece que você já fez alguns amiguinhos.
- Quem é você? – Conseguiu perguntar, no entanto sua voz tinha uma calma que não era verdadeira.
- Isso não vem ao caso agora, mas é melhor você não se acostumar com essa vida, pois o seu destino está traçado e todos sabem disso. Você vai ser um sacrifício, assim como o que a gente acabou de ouvir na sala de aula. – Ele dizia calmamente, sussurrando, como se nada de errado pudesse existir nas palavras que ele proferia. – É melhor você estar preparada para o pior. – Ela sentia o hálito quente batendo contra a sua face, não conseguia compreender por que aquele garoto falava coisas tão cruéis, ele sequer a conhecia, por que sentia como se ele a odiasse mais do que qualquer outra coisa no mundo?
Deixando que a mecha de seu cabelo caísse de volta ao seu lugar ele se afastou um pouco.
- Não se esqueça, Higurashi, é melhor não fazer muito amigos, pois só irá fazê-los sofrer com o seu fim. – Dizendo isso foi embora, mas aquela sensação de que ele a estava observando permaneceu intensa.
- Higurashi, tudo bem com você? O que o Hakudoushi queria? – Perguntou Miroku, logo depois sentiu sua mão tocar em seu ombro. – Você parece um tanto transtornada.
Sango sentou ao seu lado, ela sentia uma onda de preocupação vindo dos dois, tanto o Miroku, como Sango esperavam pacientemente a resposta daquelas perguntas.
- Bem... – A garota se retraiu.
- Se você não quiser falar, não precisa. – Sango a acalmou. – Eu não sabia exatamente do que você gostava, então trouxe algumas coisas simples como pão e leite.
- Obrigada. Não é que eu não queira falar, é que ele me disse várias coisas e eu fiquei confusa. Ele não veio me dar boas vindas, diria que exatamente o contrário.
- Não ligue para o que ele diz. – Miroku sentou-se ao lado de Sango. – Hakudoushi não tem uma boa fama por aqui, ele está longe de ser uma pessoa boa.
- Depois das coisas que ele disse com certeza ele não é uma pessoa boa. – Kagome começou a comer silenciosamente.
Sango e Miroku não a pressionaram a falar, mais cedo ou mais tarde ela acabaria tocando no assunto e desta forma seria melhor para todos.
