A escuridão estava atrás de si, não podia vê-la, mas podia sentir o quão próximo ela estava. A respiração das pessoas estava pesada e no meio delas havia um leve ruído de choro e um cheiro salgado de lágrimas.

Não se lembrava de já ter presenciado tal cena, todos pareciam estar lá, homens, mulheres e crianças, todos. Ela era o centro das atenções, sentia-se terrivelmente observada por todos os lugares, todas as direções.

Estava sendo puxada pouco a pouco para dentro, todos aqueles olhos fixos nela, eles sabiam o que iria acontecer, mas por que ninguém fazia nada. Onde estaria sua mãe?

Não podia ser verdade, ela não queria partir...

Era o juízo final.

Kagome acordou agitada e o suor frio escorria pelo seu rosto, sentia seu coração batendo descompassado. Esse tinha sido o sonho mais terrível que já tivera em toda sua vida, sentia-o como se fosse sua realidade, será que as palavras que Hakudoushi tinha lhe sussurrado havia feito com que ela ficasse tão alterada a esse ponto? Ela acreditava mesmo que aquele era seu destino? E mesmo que fosse ela conseguiria provar que era capaz e se livraria de tudo o que esperaria por ela nesse destino cruel? Afinal o sangue de uma guerreira corria em suas veias. Não deveria se abalar por tão pouco.

Sua mãe bateu na porta suavemente e entrou, como de costume, a porta, envelhecida pelo tempo, reclamou com um longo rangido.

- Bom dia, querida. – Sora sentou-se ao seu lado na cama. – Está tudo bem? – Ergueu a mão e tocou suavemente na face gelada da filha.

- Eu tive um pesadelo horrível. – Kagome sentiu-se sendo abraçada e devolveu com a mesma intensidade.

- Está tudo bem. Pesadelos são apenas sonhos ruins.

A menina não tinha certeza se poderia se apegar firmemente a essas palavras. Tudo o que sabia naquele momento era que Hakudoushi conseguiu plantar uma terrível incerteza dentro de seus pensamentos.