- Kagome, vamos subir um nível no seu treinamento. – Sango exalava confiança, finalmente o treinamento físico da amiga parecia andar para algum lugar.

- Tudo bem, mas é melhor deixar para outro dia. – Desde que aprendeu a sentir a energia das coisas ela estava muito mais confiante para treinar com Sango, tudo estava fluindo naturalmente. – Eu estou exausta, não vou aguentar mais uma sessão. – A jovem se atirou no chão, por cima da esteira de bambu. – Além disso tenho que treinar mais minha energia espiritual, caso contrário não vou conseguir aumentar o ritmo do nosso treinamento.

- Você quer que eu chame o Miroku?

- Não é necessário. – Ultimamente estava sendo muito mais fácil convencer a amiga a dar uma pausa no treinamento. – Eu posso fazer isso sozinha e você pode procurar o Miroku e aproveitar esse tempo livre com ele, eu sei que vocês precisam disso. – Terminou com um sorriso divertido nos lábios.

- De novo essa história? Já falei...

- Somos apenas amigos. – Kagome gargalhou. – Até uma cega consegue perceber que tem alguma coisa entre vocês.

- Você anda muito engraçadinha, mocinha. Agora eu vou deixar você com sua super concentração em paz.

Kagome permaneceu deitada onde estava enquanto sua amiga saiu do barracão. Fazia alguns dias que não sentia aquela energia e apesar de não conseguir mais captá-la tinha certeza de que ele estava por perto e de que tinha feito aquilo para chamar sua atenção.

Continuaria ali descansando seu corpo, se ele era ousado o suficiente para passar os limites do bosque, deveria ser para encontrá-la ali também assim que sentisse que Sango estava longe o suficiente.

Não demorou muito tempo para que o rangido característico da porta avisasse que alguém estava entrando no recinto. Os passos dele eram tão leves que não conseguia saber se ele tinha parado na porta ou se já estava perto de si.

- Eu estou preparada. - disse para um silêncio incômodo e sentiu-se uma tola ao não receber uma resposta imediata. Ficava se perguntando se ele realmente estava ali enquanto tentava se levantar do chão.

Uma mão vinda do além lhe tocou e ela não pode evitar o susto que tomou quase fazendo com que se estabacasse no chão novamente, só conseguiu manter o equilíbrio pois o youkai a segurou e a colocou de pé em segurança.

- Não parece estar tão preparada assim. - Kagome conseguia ouvir um ar zombeteiro em sua voz grave.

- É difícil estar preparada para alguém que se aproxima feito uma assombração. Se ainda não percebeu eu não consigo enxergar, logo não é uma boa ideia chegar como uma sombra e encostar em mim do nada. - A garota estava constrangida e seu coração parecia querer sair pela boca. Aquele demônio misterioso parecia gostar de fazer seu coração acelerar.

- Tudo bem, vou me lembrar disso. - Ela não conseguiu definir se ele falava sério ou se ainda estava brincando com ela.

- Acho que dá última vez que nos encontramos faltou uma apresentação mais formal. - Ela realmente precisava saber um pouco mais sobre o ser que estava a sua frente. - Eu me chamo Kagome e você?

O youkai ficou tenso por alguns instantes, seu nome não era motivo de orgulho para ele, na verdade lembrar de suas origens só lhe trazia dor. Apesar de tudo entendia que aquele nome seria levado pelo resto de sua vida, mesmo que talvez passasse a usar um nome diferente, mas não tinha tempo e nem vontade de pensar nisso agora.

- Me chamo Inu-Yasha. - Era estranho ouvir seu próprio nome depois de tanto tempo.

- Então acho que agora temos um trabalho a fazer. - resolveu ser direta ao ver que uma pergunta tão simples como essa tinha deixado o youkai receoso.

- É melhor você se sentar de novo então. – Kagome voltou para o seu lugar e ele sentou-se de frente para ela. – Fiquei pensando em como te ensinar isso por um bom tempo.

- Não seria mais fácil da forma que ensinaram a você? – Questionou com o cenho franzido.

- Ninguém me ensinou, eu tive que aprender sozinho por uma questão de sobrevivência. – Como assim uma questão de sobrevivência? Pensou, mas achou melhor não perguntar sobre isso, não parecia ser o melhor momento para isso. – Apesar de que você tem que aprender pelo mesmo motivo, você ainda está em um local seguro. – Cada frase deixava-a mais e mais curiosa, ela estava perdendo totalmente o foco. – Não posso fazer isso muitas vezes então é melhor que preste atenção. – Com certeza conseguiu mudar o centro de sua atenção.

- Tudo bem, eu estou prestando atenção. – O que não era mentira, apesar de sua imaginação estar bem agitada com as informações que recebeu.

- Vamos começar igual ao seu amigo, quando ele lhe explicou como usar os seus poderes.

- Como você sabe disso? – Questionou mais a si mesma do que ao demônio. – Você andou me vigiando esse tempo todo?

- Não é como se eu tivesse algo mais divertido pra fazer por ai. – Respondeu com casualidade. – Na verdade, comecei a observar desde o dia em que nos encontramos pela primeira vez. – Kagome ficou chocada ao saber de tal informação, não conseguiu mais pronunciar nenhuma palavra. Inu-Yasha prosseguiu como se pudesse ler seus pensamentos. - Só fiz isso porquê senti um poder muito grande em você e isso fez com que eu tivesse muito interesse.

Kagome ficou um pouco zonza ao descobrir tudo aquilo, era muito estranho saber que ele a vigiava por tanto tempo. Qual era o intuito por trás de tudo aquilo.

- É melhor a gente se concentrar no que realmente importa agora.

Inu-Yasha segurou as mãos da jovem e posicionou no lugar em que deveriam ficar, logo em seguida sobrepôs as próprias mãos com as mãos dela. Kagome sentiu as garras de encontro com a sua pele e teve vontade de explorar e saber se um youkai era tão diferente dos seres humanos.

- Vou concentrar minha energia nas mãos e depois vou subjuga-la e fazer com que desapareça.

A explicação era extremamente simples, não deveria ser assim tão difícil.

Kagome conseguiu sentir toda a energia de Inu-Yasha voltar como numa explosão, rapidamente ele concentrou tudo de forma surpreendente na palma de suas mãos e pouco a pouco tudo aquilo desapareceu. Estava sem folego.

- Incrível. – Suspirou.

Ele era muito bom naquilo, sentiu-se como uma criancinha que mal sabia andar ao lado de um corredor profissional. A forma como ele manipulava tudo aquilo era simplesmente fantástica, como ele tinha conseguido aprender tudo sozinho? A sensações transmitidas pela energia do youkai eram tão puras que não conseguia entender, um ser que dizem ser maligno, mas transmitir pureza.

- Espero que tenha conseguido entender. - Rapidamente as mãos de Kagome se sentiram sozinhas. - Pode ficar muito perigoso caso os outros consigam me localizar.

- Os outros? - Repetiu automaticamente.

- Sim, outras pessoas, outros youkais. - Kagome ainda estava um pouco confusa, mas resolveu não proceguir questionando.

- Certo. Parece fácil.

A jovem acumulou a energia nas mãos como Inu-Yasha havia explicado, estava acostumada a fazer aquilo. Agora só tinha que subjugar a própria energia, mas percebeu que não era tão fácil. A força que ela lançava sobre a energia pareciam ser iguais e aquilo deixava tudo muito equilibrado, precisava ser mais forte do que a própria energia para fazê-la sumir.

Vários minutos se passaram e Kagome continuava naquela briga contra si mesma, a energia diminuiu pela metade e aquele era o máximo que conseguia fazer. Por fim desistiu daquele braço de ferro, estava totalmente exausta e o suor escorria pela sua face.

- É melhor você parar por hoje se não quiser acabar desmaiando.

- Eu sei admitir quando estou vencida. – Kagome tinha forçado seu próprio limite outras vezes e aprendeu da pior maneira quando um treinamento chegava ao fim. – Mas o amanhã é sempre um novo dia para uma nova batalha.

- Você parece muito mais bem-disposta do que na primeira vez nos falamos. – O youkai parecia um pouco preocupado.

- Não é todo dia que uma garota de 10 anos tem que lidar com o fato que vai morrer muito mais rápido do que podia imaginar. Hoje eu sei que não sou somente a menina cega e inútil que a maioria pensa. – Uma pausa foi dada, muitas vezes era difícil lidar com aqueles sentimentos. – Hoje eu sei que sou muito mais forte do que eu pensava e posso ser muito mais, basta eu me empenhar. Tenho certeza de que todos vão se surpreender com as minhas habilidades.

- Eu realmente já fui surpreendido. – Aquilo era realmente inesperado, como alguém com tamanha habilidade poderia se surpreender com ela? Ele parecia mais e mais misterioso a cada momento em que estavam juntos. – Nosso encontro acabou por hoje. Seus amigos estão vindo.

Desta vez Kagome ouviu os passos dele se afastando e sabia que fazia de propósito, a porta fez o mesmo barulho como de costume.

- Inu-Yasha! - Chamou antes que fosse embora.

- Oi? - Seu olhar caiu sobre ela.

- Eu só queria agradecer por me ajudar.

- Não há de quê, pequena Kagome.

Quando Inu-Yasha foi embora deixou para trás uma jovem que não conseguia parar de pensar no som de sua voz ao pronúnciar seu nome.

Tentei responder os comentários direto por lá, não sei se essa opção aqui da muito certo, mas minhas respostas estão lá então quem comentar depois dá uma olhada pra ver se tem resposta