Tudo era tão entediante, ele não precisava se esforçar para ser reconhecido. Entretanto ainda tinham algumas pessoas capaz de deixar o seu dia um pouco mais divertido.

- Se você é tão bom, que tal um desafio? – Aquela garota era muito petulante.

- Não estou a fim de desafiar uma menina. – O olhar que lançava sobre ela dava a impressão de que não passava de um misero inseto tentando vencer um elefante.

- Eu não sou apenas uma menina. – o tom convencido que usava soava como uma piada nos ouvidos dele. – Eu sou a melhor.

O brilho nos olhos daquela pirralha chamou a atenção dele. Ela estava realmente disposta a desafiá-lo e até que aquilo não parecia ser uma má ideia.

- Tudo bem, Sango. Eu vou aceitar a sua proposta já que parece que essa é a forma mais fácil de me livrar de você. – Miroku tinha percebido que aquela garota estava lhe sondando há dias e por vezes conteve seu ímpeto de ir tirar satisfações com ela, mas agora sabia exatamente o porquê de tudo aquilo. – Então o que vai ser?

- Uma luta, é lógico. – Sango tinha a fama de ser uma ótima guerreia, mas ele mesmo não sabia se isso era por merecimento ou se pelo fato do irmão dela não ter alcançados as expectativas de todos, a forma que ela falava mostrava em si mesma uma grande confiança.

Miroku sabia que também tinha alguma fama, mas essa não era por um grande esforço. Ele não queria fazer nada daquilo, tudo era uma grande e chata obrigação e como achava fácil demais sentia uma grande preguiça em prosseguir com seus treinamentos, entretanto o fazia e tentava ficar um pouco acima da média porque tinha ciência de que se estivesse entre os piores poderia ser um dos indicados para a cerimônia de sacrifício e disso ele queria passar bem longe.

- De preferência agora. – Miroku ergueu uma sobrancelha, ela era bem atrevida.

- Tudo bem. Vamos começar. – O material do jovem foi ao chão e ele se colocou em guarda enquanto ela sorria e o encarava com seu olhar felino.

A garota sabia que tinha uma desvantagem no quesito força, mas ela nunca desistiria de um bom desafio por isso, seu corpo era esguio e numa luta conseguia ser muito ágil.

Os dois estavam em guarda, os pés se movimentavam como numa dança ensaiada enquanto um analisava ao outro detalhadamente. Miroku se sentia estranho ao lutar contra uma garota e só queria que tudo acabasse logo, já Sango estava determinada.

O garoto foi para cima e desferiu um golpe afobado, Sango percebeu o punho vindo em sua direção e desviou facilmente. Miroku não conseguia acreditar na rapidez que ela possuía, ele estava totalmente despreparado e com a guarda baixa quando sentiu o contra-ataque que ela lançou, o golpe foi certeiro em seu estômago e lhe fez perder totalmente o ar, ele não conseguiu evitar de se curvar para frente, uma tentativa falha do seu próprio corpo diminuir a dor que sentia. Sango não o deixaria se recuperar e aproveitou o momento de vulnerabilidade desferindo um chute alto em suas costas. O equilíbrio dele foi prejudicado e com isso foi ao chão, completamente indefeso. Sentiu o peso de Sango em suas costa e se deu conta de que foi derrotado, seu braço foi puxado para trás e a dor de ser imobilizado chegou lancinante em seu ombro e em seu orgulho.

- Você venceu! – Gritou o jovem tentando evitar comer a grama e a terra que estavam próximas do seu rosto.

Sango se afastou e ele tratou de levantar do chão e se recompor de sua derrota vergonhosa.

- Eu esperava um pouco mais de você, Miroku. – O olhar felino dela era muito maior agora.

- Talvez eu tenha te subestimado, mas espero que a gente possa ter uma revanche em breve. – Ele nunca esteve tão empolgado em ter uma luta com alguém antes.

- É melhor não pegar leve comigo, porque eu não vou pegar leve com você. – Sango estendeu a mão em sua direção.

- Prometo dar mais trabalho da próxima vez. – Miroku segurou a mão da jovem e levou rapidamente aos próprios lábios, depositando um beijo. – Eu jamais quebraria uma promessa feita a uma garota.

Sango parecia surpresa com o beijo repentino, mas evitou o olhar dele enquanto ia recuperar seu material escolar. Miroku nunca tinha sentido seu coração tão acelerado no peito e ficou tão nervoso que temeu não conseguir pronunciar nenhuma palavra depois de ter levantado do chão, mas por fim conseguiu. Ele não saberia nomear o sentimento que preencheu seu peito tão repentinamente, mas era bom e queria experimentar muito mais dele. Por agora só lhe restava observar a silhueta da garota indo embora sem imaginar que o coração dela pulsava tanto quanto o seu.