Kagome andava feliz e há muito tempo ela não se sentia assim, não era exatamente como antes, quando era criança, mas com toda certeza era o melhor que conseguia apesar de sua condição.
O treinamento da nova técnica ia muito bem, em pouco tempo conseguiu dominá-la, mas ainda não conseguia manter sua energia oculta por muito tempo.
Ela tinha esperado ansiosamente pelo próximo encontro com Inu-Yasha, mas todas as vezes que havia se isolado para treinar sozinha ele não tinha aparecido e isso acabou por deixá-la um pouco decepcionada. Ele tinha dito que havia aprendido aquela técnica sozinho e era questão de sobrevivência e isso lhe levava a pensar se ele estaria bem. Será que ele não havia aparecido pois estava ferido ou algo do tipo? Seu lado mais sentimental imaginava que ele só não queria ficar muito próximo ou que talvez não tenha gostado muito dela, porque um youkai iria se prestar o papel de se importar com uma reles humana? Era tanta coisa que passava por sua cabeça que acabava se desconcentrando do treinamento.
Inu-Yasha era um poço de mistérios e ela ansiava pela resposta de cada uma de suas dúvidas, como ela gostaria de ter uma longa conversa com ele.
O rangido na porta avisou a presença de alguém entrando e tirou a jovem de seus devaneios. Imediatamente ela descobriu que era aquele que tanto esperava e seu coração acelerou em apreensão a sua chegada.
- Boa tarde, pequena Kagome. - Disse com o ar despreocupado.
- Boa tarde, Inu-Yasha. Aconteceu alguma coisa com você? - A pergunta direta dela acabou deixando ele incomodado, mas não havia porque mentir.
- Na verdade aconteceu algo. - Ele percebeu que ela prendeu o ar, estava assustada. - Tive que despistar alguns youkais que sentiram minha presença por aqui e acabaram ficando de tocaia para caso eu aparecesse de novo.
- Você está ferido? - Inu-Yasha não entendeu o motivo dela estar tão preocupada, eles mal se conheciam.
- Não estou ferido, Kagome. - O ar pesado saiu dos pulmões dela em forma de um longo suspiro e agora estava aliviada. - Como vai o treinamento? - Ele só queria trocar de assunto, pois sabia que ela ia continuar fazendo perguntas das quais não iria querer responder.
- Ótimo. Veja! - Kagome fez uma rápida demonstração. - Ainda não consigo manter por muito tempo, mas estou treinando sempre que possível.
- Muito bom. É melhor continuar treinando.
- Inu-Yasha. - Ela sabia que não deveria continuar com esse assunto, mas ela precisava saber mais. - Por que os outros youkais estão atrás de você?
Um breve momento de silêncio foi feito, ele sabia que a garota não o deixaria em paz até que lhe contasse o que queria, suspirou, era melhor contar alguma coisa e amenizar a curiosidade dela.
- Eu não sou um youkai, Kagome. - A cabeça dela deu um nó, como assim não era um youkai. – Eu sou um hanyou, sou metade humano e metade youkai. Eu sou apenas uma experiência que deu certo, mas a cobaia acabou fugindo e é por isso que eles estão atrás de mim, Naraku acha que é meu dono. – Enquanto a jovem tentava assimilar toda aquela informação um breve momento de silêncio pairou no local.
- Naraku... – Aquele nome não era estranho.
- Naraku é o youkai que trouxe toda essa merda pra cá. – Ela não acreditava que havia esquecido daquele nome. – Eu fui escravizado durante boa parte da minha vida e agora que fugi daquela tortura não quero voltar nunca mais. – A vida dele também não era nada fácil, concluiu.
- Inu-Yasha? – Kagome o chamou hesitante.
- Sim?
- Talvez seja um pouco estranho o que eu vou pedir, mas é a única forma que eu tenho para saber como são as pessoas. – Ela não queria soar invasiva, não mais do que já estava sendo.
- Diga.
- Posso tocar no seu rosto? – Era um pedido estranho e se fosse feito por uma pessoa comum e sem qualquer intimidade com certeza seria levado a mal.
- Tudo bem. – Ele entendia as condições da garota e apesar de achá-la curiosa demais também tinha algumas curiosidades sobre ela e os humanos em geral.
Inu-Yasha aproximou-se dela e guiou as mãos dela para seu rosto e deixou que ela explorasse da forma que quisesse. Sentiu que ela estava nervosa e as mãos tremiam levemente enquanto tocava sua pele, imaginou que ela tinha medo de estar tão próxima de um ser como ele.
- Você não se parece diferente de qualquer outra pessoa. Achei que os youkais, ou no seu caso como hanyou, teriam uma aparência distinta. – Uma leve risada do meio youkai pode ser ouvida e ela não entendeu o motivo.
- Pequena Kagome, qualquer um que possa enxergar verá nítidas diferenças entre eu e um humano, mas nem todos os youkais possuem a aparência tão humanizada, alguns certamente causariam muito mais medo do que eu. – Depois dessa experiência ela não conseguia acreditar que sempre imaginou todos os youkais sendo no mínimo monstruosos.
- É melhor você voltar a treinar. - Concluiu ele. - Não posso ficar muito mais tempo por aqui, os outros ainda estão monitorando por essas bandas.
Kagome ouviu ele indo embora e mais uma vez sua cabeça ficava cheia de perguntas que tanto queria fazer à ele.
