Inu-Yasha correu muito rápido, como nunca havia corrido antes, não era só a sua vida que estava em perigo, a vida da garota desacordada em seus braços também dependia totalmente dele. Tudo aquilo era muito estranho para ele, se preocupar com alguém que não fosse a si mesmo era uma novidade em sua vida solitária. Sempre formava um nó em sua garganta quando ele pensava em Kagome, aqueles sentimentos eram completamente diferentes dos quais ele já havia provado em toda vida, o medo lhe tomava por muitas vezes e quando surgia um turbilhão de emoções em seu peito sua vontade era de se manter distante e a salvo, entretanto ele se afeiçoou pela humana, e era muito mais fácil gostar de alguém do que ele imaginava, principalmente se aquele alguém era Kagome, ficar distante da única pessoa que lhe mostrou algum tipo de sentimento bom também lhe feria e muitas vezes deixava um grande vazio dentro de si.
O esconderijo de Inu-Yasha era em uma árvore gigante e tudo indicava que estava ali por muito mais tempo do que qualquer outro ser vivo habitante do local. Goshinboku era como chamava a árvore que lhe servia de morada, andar por debaixo de suas raízes era fácil já que parte delas se elevavam acima do solo, mas a principal característica que lhe fez permanecer ali é que a velha árvore gigante era sagrada e os outros youkais não conseguiriam chegar próximos dela, pois ela estava constantemente emitindo energia e purificando a área ao redor. Não era o seu local favorito, apesar de nenhum outro lugar ser tão tranquilo quanto aquele, entretanto ele também era um meio demônio e a energia da árvore também o afetava mesmo que com menor potência do que os outros.
O hanyou depositou o corpo da jovem cuidadosamente no chão e coletou várias folhas da árvore gigante e amontoava todas em um ponto específico, não sabia exatamente se era melhor se deitar sobre as folhas ou permanecer no chão, na verdade nunca havia pensado muito sobre isso, quando queria dormir subia em um dos galhos mais altos ou mesmo permanecia no chão, sua vida não tinha nada de luxuosa e ele aprendeu a não se importar com isso. Depois de pronta a cama de folhas o corpo inerte de Kagome foi movido até lá e a capa vermelha que trazia agora servia de cobertor para manter seu corpo aquecido.
A noite não demoraria muito para acabar e ele aproveitou o tempo em que ela estava desacordada para recolher frutas suficientes para alguns dias, tinha certeza que ela acordaria faminta.
Enquanto nascia a aurora e os primeiros raios de sol começavam a aparecer timidamente e o hanyou permanecia acordado, sentado ao lado da jovem, observando atentamente a garota que agora o acompanhava. O plano deles tinha dado certo, mas ainda parecia surreal que ela estivesse ali do seu lado, para ele era um alívio tê-la por perto.
Kagome começou a resmungar alguma coisa sem sentido e nesse momento a floresta já havia sido tomada pela claridade do sol. Inu-Yasha ficava cada vez mais impressionado com a humana, mesmo depois de chegar a exaustão ela estava acordando em apenas uma noite.
— Inu-Yasha? - Ele pode distinguir o próprio nome em meio aos gemidos.
— Kagome, estou aqui. - instintivamente ele procurou a mão dela e enlaçou na sua e ela apertou sua mão com firmeza.
Aos poucos a adolescente foi recobrando a consciência.
— Eu estou viva? - A garota perguntou incrédula. — Onde nós estamos? - nesse momento Kagome se lembrou do ataque que recebeu dos youkais e as lembranças voltaram para sua cabeça, quis levantar o mais rápido, mas só conseguiu sentir muita dor no corpo é uma tontura terrível que a fez voltar ao chão.
— Calma, Kagome. Nós estamos seguros aqui. - O meio youkai tentou aplacar o desespero da jovem. — Os outros não podem vir para cá, pois estamos ao lado de uma árvore sagrada.
Kagome se sentia tonta e totalmente exausta, parecia que alguém havia lhe surrado durante um dia inteiro, entretanto sua mente estava agitada e só conseguia pensar em levantar dali e voltar para sua casa, contar para sua mãe e seus amigos que tinha conseguido o que ninguém mais conseguiu. Ela tinha sobrevivido, mas não era capaz de se mover sozinha, se não fosse por Inu-Yasha a essa hora ela seria só mais um alimento dentro do corpo de vários monstros diferentes.
— Obrigada, Inu-Yasha. - disse com a voz trêmula e não pode resistir à onda de sentimentos que chegou em seu coração, as lágrima escaparam de seus olhos e os soluços que se acumularam em sua garganta estavam livres. Agora ela se sentia livre de todo o peso que andou carregando em suas costas por tanto tempo, tinha certeza de que ela era tão forte quanto sua mãe e sua força era muito maior do que poderia imaginar.
O meio demônio continuou ao lado dela com as mãos gentilmente entrelaçadas, percebendo que ela precisava retirar todo aquele sofrimento de dentro de si permaneceu passivo, apenas observando em silêncio enquanto Kagome lidava com os sentimentos que transbordavam do seu coração.
