Inu-Yasha estava entediado, prometera a Kagome que avisaria seus amigos dos últimos acontecimentos e mesmo que ele não estivesse com vontade de fazê-lo não seria uma opção não fazer.
Ele estava vigiando o local em que eles costumavam treinar junto com Kagome, tanto ele como ela achavam que os dois acabariam aparecendo por ali mais cedo ou mais tarde, o hanyou torcia que fosse o quanto antes. Os youkais pareciam alvoroçados e ele não gostaria de ser descoberto por ali antes de ter resolvido esse problema.
Felizmente as preces do meio youkai pareciam ter sido ouvidas e logo ele percebeu os dois amigos da garota vindo naquela direção. Inu-Yasha ficava mais nervoso a cada momento, a interação com outras pessoas ou youkais não era uma de suas melhores habilidades, se por um lado os demônios o queriam como um escravo, pelo outro tinha os humanos que se o vissem o temeriam com a mesma força que teriam ao ver o satanás em pessoa, ambos os lados o deixavam terrivelmente desconfortável.
Kagome lhe contou que havia tido uma conversa com Sango sobre ele e esperava que aquilo a deixasse menos arisca no momento em que se aproximasse.
Os dois se aproximaram do barracão e adentraram, tinham um semblante carregado de preocupação e isso aumentava a ansiedade que o híbrido sentia.
— O que vamos fazer, Miroku? - Inu-Yasha pode ouvir enquanto se aproximava. — Deve ter algo que a gente possa fazer para parar essa loucura. - O desespero da garota era óbvio em sua voz.
— Eu não sei, Sango.
O meio youkai entrou no barracão, aquela conversa não lhe cheirava nada bem, esperava que tudo aquilo não passasse de uma má impressão.
— Youkai. - Sango foi a primeira a lhe ver, mas em poucos segundos já tinha sua espada desembainhada e apontada em sua direção. Ele não se atreveu a dar mais nenhum passo na direção dos dois.
— Calma, eu vim apenas trazer notícias da Kagome. - Sua fala foi áspera, mas aquele era o máximo de carisma que poderia passar enquanto alguém lhe apontava uma arma.
— Ah então é você o tal Inu-Yasha? - Sango perguntou sarcástica, sua voz estava carregada de ironia. - E como eu posso saber se tudo isso não é só um plano sujo seu e de outros youkais? - A garota não deu brecha para ele dizer mais nada. — Como posso ter certeza que a minha amiga está viva se ela não se encontra aqui?
— Não é tão simples assim. - Ele tentou começar a falar, mas a outra garota o interrompeu novamente.
— Não é tão simples? O que seria mais simples do que ela mesma aparecer e se mostrar viva? - Miroku observava a discussão calado e só podia concluir que Sango e Kagome guardavam um segredo e isso incluía aquele youkai na frente deles.
— Kagome está fraca, ela usou muita energia na fuga e agora os youkais estão caçando ela por todos os lados. Não tem como ela caminhar até aqui como se fosse fazer um passeio agradável. - A rispidez do meio youkai aumentava a cada segundo em que a garota a sua frente tagarelava, ele não imaginava que a amiga de Kagome seria uma pessoa tão difícil.
Sango andou em sua direção com a espada em riste pronta para atacá-lo a qualquer momento.
— Eu não vim aqui para lutar com você. - Aquela garota lhe deixava cada vez mais impaciente, ele não queria ter que machucar ninguém ali, mas se fosse preciso o faria com certeza.
— Você não tem moral para falar isso, seu lugar é lá do outro lado e a partir do momento em que você colocou os pés para o lado de cá me dá todo o direito de fazê-lo em pedaços. - A tensão entre os dois aumentou, Sango não deixaria barato a presença daquele youkai. A garota só conseguia pensar que aquele monstro deveria pagar pela sua ousadia com a morte.
Sango sentiu alguém agarrar em seu braço e impedi-la de continuar seu caminho até Inu-Yasha.
— É melhor todo mundo manter a calma por aqui. - Miroku se pronunciou pela primeira vez.
— É impossível manter a calma, Miroku. - Sango tentou se desvencilhar dele sem êxito. — Esse youkai imundo deve estar tramando alguma coisa com os outros, isso se esses malditos não estiverem mantendo Kagome em cárcere e agora estão exigindo um novo sacrifício. - A forma de Sango pensar não era de todo errada, mas pelo visto ela, Kagome e o youkai presente naquela sala não se conheciam a pouco tempo e sabendo do temperamento explosivo de Sango era melhor ponderar sobre todas as possibilidades.
— Pelo que eu entendi a Kagome e esse cara já tinham alguma ligação antes do dia do sacrifício e você está bem ciente disso. - Miroku soltou o braço da garota e passou a sua frente ficando entre ela e o youkai, no olhar dele ela percebeu a acusação oculta por guardar um segredo como aquele. — Então digamos que ele realmente está ajudando Kagome e como disse ela está fraca e creio que sozinha nesse momento. Agora você pode pegar sua espada cortar a cabeça dele fora e ter a consciência pesada com a incerteza de que ela realmente estava bem ou não, mas nós temos a opção de acreditar que ela está bem, afinal não tem lógica nenhuma que ele venha aqui só para nos encontrar sendo que o ancião já fez todo mundo ficar revoltado com esse novo sacrifício no lugar da Kagome. - Sango repensou depois de tudo que Miroku tinha dito e voltou a espada para a bainha, ela não queria depender de youkai nenhum, mas o amor por sua amiga a fez recuar novamente. — Acho que entramos em um acordo. - Com os ânimos menos exaltados ele achou que poderia encerrar aquela conversa.
Inu-Yasha estava apreensivo com aquela história de um novo sacrifício, aquela de longe não era uma boa notícia. Naraku com certeza estava tramando algo e ele teria que agir mais rápido do que estava planejando.
— Não tenho mais nada para fazer aqui. Prometi a Kagome que seriam avisados, então já vou indo. - O hanyou só pensava em sair logo dali e descobrir mais sobre tudo isso que estava acontecendo.
— Espere. - Disse Miroku.
Quando Inu-Yasha se voltou novamente para o garoto havia uma mão estendida em sua direção.
— Obrigado. Sei que as coisas aqui foram um pouco complicadas, mas agradeço por ajudar Kagome.
Inu-Yasha estava hesitante e imaginou se aquilo não seria uma armadilha, no entanto resolveu lhe dar uma chance, assim como o garoto parecia ter lhe dado. Estendeu a mão e o cumprimentou, logo após saiu deixando os dois amigos de Kagome para trás.
O hanyou refletiu enquanto voltava para dentro da mata e decidiu que os humanos são seres ao qual conseguiria suportar.
