Os últimos dias estavam sendo bastante movimentados na vila de shikon, o ancião continuava a convencer parte do povo a realizar mais um sacrifício, enquanto que a outra parte se preparava para uma possível guerra contra os temidos youkais.

Os demônios também andavam estranhos, as pessoas viam constantemente eles se juntando próximos aos limites entre a floresta e a vila, o medo dos que moravam lá apenas aumentava.

Dias antes Inu-Yasha descobriu por outros youkais que naquele dia haveria mais um dia de oferenda e, junto com Kagome, decidiu que iriam a vila para tentar impedir que acontecesse mais uma vez a morte de um inocente. O meio youkai sabia que ela não estava totalmente recuperada, até gostaria que ela descansasse um pouco mais para que não se arriscassem tanto, entretanto os acontecimentos estavam forçando-os a tomar medidas precipitadas.

— Está na hora, pequena Kagome. – A essa altura a jovem tinha ouvido tantas vezes o adjetivo pequena ser usado antes de seu nome pelo hanyou que não tentava argumentar mais sobre o porquê não usá-lo e, apesar de divagar sobre o jeito que o rapaz lhe chamava não pode deixar de sentir borboletas em seu estômago em antecipação ao seu retorno a sua vila. Fazia pouco tempo desde o ritual do seu sacrifício, mas, às vezes, ela sentia como se fosse muito mais tempo. — É melhor que suba nas minhas costas, assim chegaremos lá mais rápido. – Inu-Yasha se abaixou em sua frente e levou as mãos dela aos próprios ombros e sem muita cerimônia ela montou nas costas dele.

O meio youkai não encontrou nenhum contratempo pelo caminho e por isso a viagem até a vila se tornou muito mais rápido, pelo visto a quantidade de youkais na cerimônia de hoje seria muito maior.

O barracão tão conhecido pelos dois estava à vista e quando o hanyou olhou para Kagome percebeu que estava adormecida com a cabeça apoiada em seu ombro, preferiu não acordá-la e continuar seu caminho para o interior do abrigo.

Para ele não foi surpresa encontrar os amigos de Kagome lá dentro, pois já sabia que estavam lá, entretanto a surpresa de Sango não pode ser disfarçada em seu olhar, assim que ela reconheceu quem era a pessoa com a capa vermelha nas costas do youkai voou para cima dele.

— O que você fez com ela? – acusou a morena, enquanto Miroku revirava os olhos.

— Nada. Kagome está dormindo. – Mesmo respondendo a pergunta a garota começou a chacoalhar a outra em suas costas até que acordasse.

— Kagome? Kagome? – Sango chamava com urgência.

— Nós já chegamos? – perguntou ainda sonolenta.

— Sim, nós chegamos.

— Kagome, tá tudo bem com você? – Ao reconhecer a voz da amiga a garota voltou a si rapidamente e saiu das costas de Inu-Yasha para poder abraçá-la.

— Sango. – chamou emocionada por reencontrá-la, era tão inacreditável que estivessem juntas novamente que por um momento pensou que estivesse sonhando. A morena devolveu o abraço com a mesma intensidade, tinha ficado tão preocupada os último dias que agora sua vontade era de não perder Kagome de vista nunca mais.

— Você já pode ir embora. – disse olhando para o youkai enquanto se afastava da amiga.

— Sango? – reclamou Kagome com a intransigência da amiga. – Inu-Yasha não vai embora, ele irá permanecer comigo.

— Kagome, não dá pra confiar em um youkai. – continuou Sango. – Não consigo ficar perto dele sem achar que ele está tramando alguma coisa.

Inu-Yasha e Miroku permaneciam calados enquanto as duas garotas, ambos sabiam que não adiantava se meter com Sango, até mesmo o hanyou que mal a conhecia já tinha percebido que ela era cabeça dura.

— Ele me salvou e cuidou de mim, eu confio nele. – Kagome suspirou. — Além de tudo eu fiz uma promessa e vou cumprir. – A garota não gostaria de ser dura com a amiga, no entanto ela não lhe deixava escolhas e sabia que, apesar de cabeça dura, Sango tinha um bom coração e acabaria aceitando Inu-Yasha. — Se quiser permanecer ao meu lado terá que aceitar a presença de Inu-Yasha, caso não consiga fazer isso é melhor que cada uma siga seu próprio caminho.

Sango queimou de raiva, não acreditava que sua amiga estava dando tamanha importância aquele youkai e, querendo ou não, de agora em diante teria que aturar ele ao seu lado, mas continuaria de olho no maldito e qualquer deslize dele ela não hesitaria em meter a espada em sua jugular.

— Tudo bem, Kagome. Se é assim que você quer. – respondeu a contragosto.

— Agora que nós quatro somos uma grande família feliz, chegou a hora de falar sobre um assunto mais sério. – Miroku se fez ouvir pela primeira vez depois de toda aquela discussão e Sango lembrou dos motivos que estavam lhe trazendo agonia.

Inu-Yasha e Kagome também voltaram a sua atenção para o outro rapaz presente.

— Creio que as notícias não são boas. - prosseguiu, enquanto os outros permaneciam calados. – O ancião não vai fazer uma cerimônia tradicional dessa vez e a pessoa que será sacrificada já foi escolhida.

— Miroku… – Sango tentou interromper.

— Ela precisa saber de uma vez, nós não temos muito tempo. – A jovem cega ficou cada vez mais apreensiva. — Kagome, sua mãe foi a escolhida. O velho disse que seria justo, já que você havia fugido do seu destino.

O mundo de Kagome desabou sobre seus pés, ter salvo a si mesma colocou a vida de sua mãe em risco e agora sentia um peso gigante em suas costas. Talvez aquele tivesse sido o pior erro de sua vida.

Percebendo que a garota estava petrificada, Inu-Yasha não pode deixar de tocar em seu ombro.

— Nós vamos salvar sua mãe. – Tentou consolar a garota.

As palavras de Inu-Yasha acabaram por lhe renovar as forças que tinha acabado de perder e pensou que, se a probabilidade de salvar a própria vida era praticamente nula e mesmo assim tinha conseguido, agora que sabia da extensão de seus poderes jamais ficaria parada enquanto sua mãe era tomada de si, lutaria até o final e se preciso daria a própria vida para salvar a de Sora.

Kagome estava determinada e estar ao lado de seus amigos lhe dava ainda mais forças.