Capítulo 7
-O que quer dizer com isso? –Falou Remus.
-Que a qualquer momento, as habilidades que eu tenho ou terei irão despertar dentro dela. –Eu falei.
-Se é que já não despertou. –Falou James.
Eu me inquietei. Será...?
-James, agora sou eu quem pergunta: O que quer dizer com isso?
-Lily eu sei que antes você não tinha uma percepção para saber o que estava ao seu redor, mas sinceramente me diga... Não achou nada de estranho naquela casa?
-Tirando que o jardim é parte de um dos parques mais antigos da cidade? Sim, claro que sim. E desde que entrei naquela casa há dez anos eu sinto.
-E aquele amigo dela... O Lee. Ele não é metade demônio. Ele se tornou metade demônio. Lily há uma razão para demônios e anjos não conviverem.
-Anjos e demônios quando juntos... Eles acabam virando humanos, porque tudo se equilibra. Um humano tem bondade no coração e está sujeito a ser um indivíduo ruim. Nós sempre somos ruins em algum ponto, em algum gesto. Poucos têm essa divindade e por isso se tornam santos.
-O que quer dizer com isso novamente?
-Lily aquele garoto se tornou meio demônio porque uma metade se apaixonou pela parte anja de Chloe e a outra se apaixonou pela metade demoníaca de Chloe. Ou seja, só metade dele se converteu.
-Então a parte anja de Chloe deveria ter sumido. E só a parte demoníaca ficado.
-Não é bem assim... Os únicos que se convertem são os demônios. Os anjos viram meio anjos. Ou melhor, dizendo... Iluminados. Ainda não entendeu? Aqueles tocados por anjos. De natureza boa.
-Ah, sim.
-Mas como a Chloe já é meia anja...
-Então não a afetou.
-Exatamente. –Falou James.
-Mas e se ela não for apaixonada pelo Lee? Ela vai ter que se prender a ele indefinidamente?
-Lily, eles só se ligam se forem anjo e outro demônio. A parte anja dela o ama e a parte demoníaca também. –Falou Remus suspirando. –Minha família é uma confusão... A começar pelo o meu pai. Eu realmente não queria ter puxado o meu pai...
-Puxado o papai? Remus você virou um bêbado compulsivo?
-Eu não! Sirius é quem exerce esse papel! Deus que me livre...
-Então como você pode ter puxado o papai? Só me resta mencionar a canalhice.
-Isso também... Lily você não se lembra do nosso pai?
-Remus, ele sempre estava bêbado ou viajando. Você me protegia de alguns ataques dele e sempre de Petúnia e a mãe dela.
-Lily sinto lhe informar que eu apenas sou um médium graças aos genes do nosso pai. Ele foi um médium fortíssimo e em outras palavras ele foi um sensitivo poderoso. Por que achas que é tão poderosa?
-Remus eu sou filha de um demônio com uma anja.
-Não você não é. Eu, mesmo tendo 5 anos, estava presente no seu parto. Vi sua mãe e todo o resto que eu não gosto de lembrar...
-Isso... Isso é impossível! Eu nasci de...
-Chegamos. –James interrompeu.
Eu olhei pela janela.
Parecia ate mesmo a fazenda de Clark Kent de Smallville.
Nós saímos do carro e ouvimos um grito. Corremos até a porta e vimos... Bem, eu não pude me segurar.
Ri como nunca.
Sirius amarrado em uma cadeira de balanço.
-Hey Guys. –Falou Sirius assistindo o jogo de soccer.
-Sirius... O que... –Começou Remus.
-Remus! Eu bem que te abraçaria agora, mas já dá pra ver o meu estado. –Ele tomou um gole de cerveja.
-Se você está amarrado... Porque metade do seu braço não está?
-Marlene foi generosa... Estou feliz por virem. Nem sei se quero mesmo trocar ela pela antiga Marlene... Essa ai arrebenta na cama.
-Sirius! –Eu falei.
Remus gargalhou juntamente com James.
-Mas admito que estou com saudades dos trocadilhos e das piadas da Marlene. Não sinto tanta falta dos socos ou dela sempre me fazer dormir na banheira ou no sofá quando está estressada.
-Onde está ela? –Eu falei.
-Bem atrás de você. –Marlene falou fechando a porta. Nós nos viramos.
-Hello Alice. –Ela deu um sorriso.
Eu parei.
-Alicia... Eu... Só vou pedir essa vez e com educação. Liberte a Marlene e você não sairá machucada. Eu lhe garanto.
-Ok. Eu posso até sair, mas daí eu teria que achar outro corpo e eu já tenho um em potencial e eu tenho certeza que você detestará. E eu lhe dou uma dica: Começa com C e termina com Chloe. –Ela balançou a chave da porta nas mãos.
-Você não vai encostar nem em um fio de cabelo dela. Porque pra isso você vai ter que passar por todo mundo primeiro. –Falou Remus. –Principalmente por mim.
Ela só sorriu.
E então ouvimos o grito novamente só que dessa vez foi um grito... Demoníaco.
Duas pessoas obviamente controladas por demônios pularam em cima do Remus e do James sobrando apenas eu e Marlene. Ou Alicia. Sei lá!
-Agora você apanha. –Eu disse com raiva.
-Olhe eu preciso te contar uma coisa...
-Muito tarde. –Eu chutei a chave das mãos dela fazendo-a cair na mesa.
-Eu não queria ir pra briga física, mas você não me deixa escolha. –Falou Alicia.
-É claro. Você só queria levar o mundo para o dia do juízo final e é claro que eu não posso me esquecer de me matar.
-Eu estou tentando salvar o mundo. Não consegue ver? –Ela já havia levantado novamente e parado a minha frente.
-O que há de errado com o Green Peace? –Ela me olhou com raiva pelo trocadilho. Tentou passar do meu lado e eu peguei o pulso dela e ela tentou me dar um soco, mas eu desviei e agarrei a cintura dela levando a gente para cima da mesa.
Ela ficou por cima tentando me mobilizar, mas eu dei um soco mais parecendo no rosto dela fazendo-a me soltar um pouco para eu poder me virar e tentar sair. Mas ela me deu uma cotovelada nas minhas costas fazendo-me deitar de vez e ela puxou meu cabelo e abraçou meu pescoço nos virando para eu ficar em cima dela. Mas eu me virei me livrando do braço dela e pegando o pulso dela e colando-o nas costas imobilizando ela. Mas ela se virou me forçando a solta-la, e na hora em que se virou ela agarrou meu pescoço com as pernas e me jogou para fora da mesa.
Eu fui mais rápida enquanto ela ainda se levantava eu peguei uma pedra grande que havia na sala(Aquelas coloridas de enfeite) e bati na cabeça dela fazendo-a cair pela janela e quebrar o vidro.
Eu pulei da janela me ajoelhando ao lado dela.
Marlene sangrava um pouco, mas meu medo era que eu tivesse causado uma concussão.
Eu toquei a face de Marlene. Ela começou a adquirir o tom de pele normal e livrando-se da palidez anormal. Ela abriu os olhos tomando fôlego.
-Lily? –Ela fez uma cara de desentendida. –O que estamos fazendo aqui fora... Ai! –Ela massageou o local em que eu a acertei com a pedra.
-Desculpa, mas foi preciso. Você estava possuída e eu... Eu não sabia mais o que fazer.
-Tudo bem... Só vamos entrar e limpar a bagunça.
Nós entramos na casa e eu estava apoiando Marlene.
-Uau. –Falou Sirius. –UAU!
Ele falou novamente pulando de excitação.
-Uau! Vocês duas tem noção de como vocês ficam gostosas lutando daquele jeito? –Falou Sirius ainda amarrado na cadeira de balanço.
-Eu estou atônito. –Falou Remus. –É assim que treinam vocês na policia? Porque nós dois acabamos com aqueles demônios na hora em que você comentou sobre o Green Peace. E íamos ajudar só que ficamos... Pasmos.
-Cara... Que azar o seu! –Falou Sirius para James. –Sua ex e sua futura namorada são uma versão feminina de Chuck Norris! –Sirius sorriu com tal... Elogio eu ouso dizer.
-Sirius... De toda essa bagunça que está essa casa a única coisa certa é você amarrado nessa cadeira. –Falou Marlene.
-Ok... Mas agora diga que você não sentiu minha falta e eu durmo assim mesmo.
Marlene mordeu o lábio inferior. Detalhe: Eu puxei a minha mania de morder o lábio inferior quando vai mentir dela!
-Lene, não minta. –Eu avisei.
Ela me olhou meio que com raiva.
-Por que você me conhece tão bem hein? –Ela cruzou os braços.
-Todos te conhecem bem. –Falou Remus. –Aliás, olá Marlene.
-Remuxquinho! –Marlene apertou as bochechas do meu irmão.
Todos nós rimos.
Eu senti uma pontada no peito. Como se algo tivesse me atravessado bem no coração. Eu comecei a ficar sem ar e senti um gosto estranho na boca. Um gosto metálico.
-Lily? –Perguntou James se aproximando.
Algo escorreu da minha boca e o toquei para saber o que é. Era sangue.
-Lily! –James agarrou minha cintura antes que eu caísse. Eu cuspi sangue.
Todos nós ouvimos a porta se abrir e nos viramos.
-Por favor, me ajudem. –Falou Lee completamente machucado e com a Chloe nos braços desacordada.
-Chloe! –Remus colocou a menina nos braços. –O que você fez? O que você fez? –Gritou Remus.
-Eu... Eu fui puxado para um lugar estranho e... E eu comecei a lutar contra alguém ou eu mesmo, eu não sei! Eu só lembro que a Chloe chegou depois e...
-E se sacrificou. –Falou James.
-Você estava lá. Você a levou. –Lee falou apontando para mim.
-Eu? Eu estive aqui este tempo todo! Não venha... –Eu parei.
-Lily? –Falou James no meu ouvido. –Alicia.
Eu o olhei com um pouco de medo.
-Remus? Como ela está? –Eu perguntei.
-Aparentemente dormindo. Sem machucados. –Ele havia colocado ela no sofá.
-Então ela está em coma? –Falou Marlene se ajoelhando ao lado da Chloe e passando a mão nos cabelos dela.
-Ei... Gente! Vocês poderiam fazer o favor de me desamarrar? Já está ficando um pouco desconfortável! –Falou Sirius.
-Tem certeza? Porque eu te garanto que você vai preferir ficar ai amarrado a sofrer o meu castigo. –Falou Marlene se agachando atrás dele.
Ele olhou para ela e ficou em silêncio por um minuto.
-Não. Pode deixar assim mesmo. Não é tão desconfortável assim. –Ele segurou a corda.
-Sirius! –Falou James.
-Desculpe, mas eu não quero ver minha mulher enfezada.
-A Marlene não vai te fazer nada. Não enquanto eu estiver aqui. –Eu falei.
-Lene, não foi culpa do Sirius. Foi culpa da Alicia.
-Eu sei. –Falou ela. –Eu estou brava por ele ter dito que não queria que vocês nos trocassem!
Bom… Ela tem razão.
-E que ela é melhor do que eu na cama! –Marlene cruzou os braços.
-Eu não falei isso não! Eu só falei que ela arrebenta na cama... Você quer que eu minta... ? -Ele quase sussurrou a última frase.
-Vou te mostrar quem arrebenta na cama mais tarde... –Marlene o beliscou.
Sirius apenas deu uma risada.
-Não percam a concentração! O problema aqui não é esse! –Falou Remus.
Concentração... Palavra familiar. Eu me lembrei da voz!
Um sonho...
-Lee! –Eu gritei me livrando do James e agarrando o colarinho da camisa branca do garoto. –O que houve lá embaixo?
-Lá embaixo? –Ele perguntou com um pouco de medo.
-No abismo do medo. Você disse estar lutando contra alguém ou você mesmo. E não venha com o "eu não sei", porque eu sei o que você é mestiço!
-Você me chama de mestiço, mas nem sempre eu fui assim... É melhor tomar cuidado. Eu apenas sou bonzinho perto da Chloe.
-Esqueci de contar? Você não pode me machucar. Porque quando você se apaixonou pelo sangue da Chloe vieram 3 regras básicas: Nunca machucá-la, protegê-la e ser "escravo" dela até que a mesma não precise mais. E só cabia a você e a sua natureza se apaixonar ou não. E por se apaixonar por ela você perdeu 50 por cento da sua natureza demoníaca.
A máscara de raiva dele já havia sumido. Ele está um pouco confuso.
-Ou seja, você não pode me machucar, precisa me proteger e se eu quiser você é meu "escravo" então vai baixando bola! –Eu o soltei e ele caiu no chão.
-Mas para isso você teria que ter o sangue dela.
- Ela tem o MEU sangue. Eu sou a mãe de sangue dela.
-Espera um pouco. Ela não é filha da Dorcas? –Falou Marlene.
-E é. Mas tem o meu sangue. História complicada. Explico depois. –Eu arrumei o cabelo que tinha desarrumado ao me alterar.
-Por mais que seja verdade ainda me enoja. Ela tem 3 pais! Eu, Dorcas e a minha própria irmã! –Falou Remus.
-Eu não tinha pensado dessa maneira. É realmente... doentio. –Eu falei. –Agora me diga o que houve.
Lee me olhou com ódio. Eu seria se sombra de dúvida a pior sogra de todas. Ele olhou para o lado escondendo a tristeza.
-Eu estava lutando com o demônio dentro de mim... E quando eu menos percebi a Chloe estava bem ao meu lado. Não exatamente ela, mas sim a sua alma. Ela já havia falado para mim que estava aperfeiçoando a Projeção espiritual, mas eu não liguei.
Ele parou para tomar fôlego.
-Ele... Começou a nos atacar com mais intensidade então eu fui protegê-la e a coloquei em um lugar seguro, mas enquanto estava lutando tive um momento de fraqueza e ele me derrotou temporariamente e avançou para quebrar minha parte humana. Mas a Chloe reagiu e acho que a ajuda que ela precisava apareceu. Você. –Ele olhou novamente para mim.
-Alicia. Foi ela. –Eu falei.
-Não importa. Ela simplesmente o baniu e levou a alma da Chloe consigo. E quando dei por mim, estava na frente dessa fazenda só com o corpo da Chloe nos braços.
-É só isso? –Eu falei.
-Lily. –Falou Marlene se agachando ao lado do Lee. –Ele é só um menino.
Ela o levantou e o levou para cozinha.
-Ok. Estou boiando aqui. –Falou Sirius.
-Lily, venha aqui. –James me puxou para fora da casa.
Eu me sentei na terra enfiando as mãos na grama. Respirei fundo.
-Eu sinto que ele fez o possível para salvá-la. Ela se intrometeu. –James pegou um cigarro e o acendeu com um isqueiro.
-Desde quando você fuma? –Eu perguntei. Nunca o vi fumando.
-Há dez anos. Quando conheci seu irmão.
-Ele te fez muito bem não é? –Eu dei um sorriso triste.
-É... Mas você não é diferente dele nesse sentido. –Ele olhava para o céu.
-James, eu fui sarcástica.
-Oh, desculpe. Parece que você também não notou o sarcasmo na minha voz. –Ele deu um sorriso.
-Malvado! -Eu joguei um pouco de terra nele.
-Ei! –Ele se esquivou, mas logo o sorriso dele sumiu.
Ele jogou o cigarro no chão e esmagou com o pé o resto. Olhou para mim e eu até poderia dizer que ele está com um dilema interno.
-Lily eu... –Ele parou. Olhou para mim novamente e sentou-se ao meu lado.
Ele suspirou.
-Eu tenho uma idéia. E ela vai parecer meio louca, mas é a nossa única chance.
-Em relação à Chloe?
-Sim. E acredito ser o nosso plano B. Precisamos nos encontrar com Alicia e negociar a alma dela.
-Certo, mas por que plano B?
-Se esse incidente com a Chloe tivesse acontecido antes de tirarmos a Alicia desse plano... Talvez não tivéssemos que ir até ela.
-James, onde nós deveríamos encontrar ela?
-No abismo Lily.
-Não. Eu não volto mais lá. Eu... –Eu me lembrei das asas, dos mortos... –Eu não consigo voltar James.
-Consegue sim. E só há um jeito de entrar lá.
-E qual é? –Eu não queria saber da resposta porque eu sabia que não sairia algo bom.
-Lily somente almas entram lá. Na primeira vez você só chegou até o portão porque o seu corpo ainda estava conectado a você.
-E quais são minhas opções?
-Você tem duas opções e uma é muito longa e a outra é bem rápida.
Eu esperei ele continuar.
-A mais difícil e demorada é projeção astral a qual a Chloe usou.
-Eu posso também.
-Não você não pode. Lily, a Chloe fez perfeitamente isso. Ela se desligou completamente do próprio corpo e para isso precisa de muito treinamento. Anos de pratica.
Agora tudo fez sentido.
"Projeção Astral? - Remus me interrompeu.
-O que é isso? –Eu falei.
-É quando a alma de um indivíduo sai do corpo sem causar danos ao mesmo. Mas para isso você precisa estar dormindo. Bom... Pelo menos foi o que eu ouvi falar. –Chloe sorriu."
-Ela fez isso só para salvá-lo? –Eu perguntei. –Ela nem pensou em mim, na Dorcas e no Remus?
-Lily ela o ama. –Eu encostei minha cabeça no ombro dele.
-Mesmo assim...
-Lils... –Ele suspirou de frustração.
-Vai me apelidar agora? –Eu sorri.
-Preciso pedir permissão?
-Não, você não
-Ela vai ficar de castigo por um mês. –Eu sussurrei.
-Lils, qual seria a primeira coisa que você faria se eu estivesse prestes a morrer?
-Te salvar. Sem pensar duas vezes.
Ele sorriu.
-É exatamente disso que eu estou falando. Se ponha no lugar dela e me ponha no lugar dele. Veja por outro ângulo.
-James Tiago Potter você está insinuando que eu te amo? –Eu levantei a cabeça olhando diretamente nos olhos dele.
Ele olhou de volta e levantou a sobrancelha. Acho que isso foi um nem preciso responder.
-Convencido! –Eu dei um tapa no braço dele.
Ele gargalhou.
Eu olhei para trás. Para onde os outros estavam. Eu não queria me despedir pessoalmente deles.
-James, eu sei exatamente qual é o método do qual você está falando.
Ele me olhou.
-O método que eu precisarei usar.
Nós suspiramos.
-Longe de todos, por favor.
-Há um lago aqui perto. Teremos privacidade lá.
Nós dois entramos no carro e saímos. Eu peguei meu celular e comecei a discar um número.
-O que vai fazer? –Ele perguntou.
-Dar Adeus. –Ele segurou meu pulso.
-Lily você não vai morrer. Quer dizer, você apenas precisa ficar morta por alguns segundos.
-Não vai ser o suficiente. Eu não vou conseguir fazer tudo isso em poucos segundos.
-Lily quando você morre o tempo para. Não vai precisar mais do que alguns segundos.
-Mesmo assim eu quero ligar. Posso?
-Claro. –Ele soltou meu pulso.
O celular da Marlene tocou algumas vezes até ela atender.
-Lily? Por que está me ligando? Você está na frente da... –Ela parou. –Lily, onde você está?
-Lene eu te amo. Muito. Pode passar para o Remus?
-Claro...
-Lily? –Falou Remus.
-Remus eu queria te falar uma coisa. Se tudo der certo exclua tudo o que vai ouvir, mas se não der... Enfim, eu quero te dizer que eu nunca te culpei por ter saído de casa e que eu te amo.
-Por que isso está parecendo um adeus? E como assim não dar certo? Lily onde você está?
-Adeus Remus. –Eu desliguei.
-Você é muito dramática sabia? Agora eles vão surtar.
Eu abaixei o vidro do carro e botei a cabeça para fora. O vento balançando meus cabelos em uma tentativa inútil de me acalmar. Olhei para lua... Lua Cheia. Uma luz tão pálida e frágil que me fez sentir falta de algum tipo de nostalgia. Eu não gosto de me lembrar do passado. Porque eu não tenho lembranças boas suficientes. Por isso eu não tenho nostalgia ao olhar para algo ou alguém.
-Chegamos. –Ele parou o carro.
Nós descemos do carro e caminhamos até a beirada.
-Temos que ir até onde a água bata no pescoço. –Ele tirou os sapatos e eu fiz o mesmo.
-Preciso tirar mais alguma coisa? –Eu perguntei meio que sem graça.
Ele riu.
-Não você não precisa.
Nós andamos até onde a ele disse. Mas o pescoço dele é o topo da minha cabeça, então...
-Sabe boiar? –Ele perguntou.
-Sei. –Eu me deitei e comecei a boiar. Ele parou do meu lado.
-E agora? –Eu perguntei.
-Não resista, por favor. Só vai tornar tudo mais difícil
Ele ficou um tempo em silêncio. Olhando-me nos olhos.
-Essa é a parte difícil.
-Qual? –Eu mal perguntei e ele me puxou para baixo.
Eu comecei a bater nele para subir. Eu não havia me preparado. Mas ele não tirava as mãos do meu pescoço. Eu me virei tentando abraçar o pescoço dele com as pernas e trazê-lo para baixo e o trouxe.
Ele também estava sem ar, mas continuou com nós dois em baixo d'água. Eu o olhei pedindo para que me deixasse subir, mas ele continuava com a expressão fria.
Meu pulmão parecia que ia explodir. Eu já não agüentava mais lutar contra ele. Ele fechou os olhos em uma tentativa frustrada de não olhar o que acontecia comigo.
Eu abri a boca tentando respirar, mas só me fez engasgar mais.
Tudo ficou mais turvo ainda e a imagem de James sumia aos poucos. Meu corpo se debatia e começava parar aos poucos. Minha mão, que antes estava arranhando os braços dele, simplesmente parou e o soltou.
E então tudo ficou preto.
Senti a água ficar quente e conseguia respirar.
Eu abri os olhos novamente. Eu olhei para baixo. Era exatamente onde eu havia sonhado com o Lee.
-Uau. –Eu falei baixinho. O céu... Bem, o céu parecia mais um retrato abstrato. Uma mistura de azul marinho com um leve tom de prateado, junto com laranja e marrom. Como eu disse um quadro abstrato.
Mas ao meu redor só havia poucas ruínas e água ao chão.
Um clarão branco ofuscou tudo me obrigando a ir para outro cenário.
-Lily? –Eu me virei. Estava em uma sala com os moveis antigos, mas com o aspecto de novo. Eu olhei para pessoa que me chamou.
-Chloe? –Ela correu para os meus braços.
-Por favor, não comecem a choradeira. –Eu olhei para o sofá.
Alicia estava sentada com um vestido rodado azul.
-Eu só vim pegar a minha sobrinha.
-E você acha que eu simplesmente vou deixar você sair com ela assim? Você acha que pode vir e ir à hora que quer? Aqui não é a casa da mãe Joana não! –Ela cruzou os braços.
-Tia Lily! –Chloe me soltou. – Tia Alicia é legal.
-Legal? –Eu dei um sorriso frustrado. –E onde é que você ver isso?
-Ué! Ela que me salvou, e também salvou o Lee. E eu a conheço há mais tempo que você. –Chloe virou para ela. –Não é sensei?
-Sensei? –Eu repeti a palavra. –Como assim?
-Ela é quem vem me ensinando e me treinando esse tempo todo. Ao Lee também, mas só eu sei a verdadeira forma dela.
-Ela tem mais potencial que você. –Alicia falou sorrindo.
Eu suspirei.
-Ok, Alicia me diga exatamente o que você quer para que eu e a Chloe possamos voltar para casa.
-Primeiro fale direito comigo, porque além de tudo eu ainda sou sua mãe. E...
-PARA TUDO AI! –Eu a interrompi. –Do que você se chamou?
-De sua mãe. Exatamente o que eu sou.
-Você não consegue parar de mentir não é? Eu sou filha...
-Não. –Alicia me interrompeu. –Você é neta de uma anja e de um demônio. Que são meus pais. Você é a reencarnação da minha irmã Alice que era filha de uma anja e de um demônio. Você confundiu tudo.
-A anja que você disse ser minha avó falou para mim...
-Você está sendo enganada. Por tudo e por todos. Ouça-me. A aposta ainda vale. Mas não mais para mim que estou aqui dentro. Vale para você. Estão a todo custo tentando ganhar uma vida. Entre o céu e o inferno não tem nem como decidir. Por que mesmo que você vá para o caminho do bem você não vai entrar no céu. E se você seguir o caminho do mal... Também não vai entrar no inferno.
-Eu também estou nessa aposta. –Chloe falou. –Ganhei o sangue de vocês.
-E por que então estão lutando por nós? –Eu falei.
-Antes era pra ver quem morre primeiro. E antes eu havia ganhado. –Alicia falou. –Mas saiba que foi do seu consentimento eu te matar.
-Eu deixei você me matar? Se liga, eu tava grávida! Eu nunca ia deixar você machucar o meu filho!
-O que estava crescendo no seu útero era um demônio e não seu verdadeiro filho. E essa era a segunda condição da aposta. Entre nós, qual filho nasceria primeiro: Um de baixo ou um de cima. E acredite, seria um desastre nas duas alternativas. Uma coisa é o filho de Deus e outra é um anjo. Há muitos relatos de anjos secundários querendo dominar a terra.
-Secundários você diz... Os mais próximos Dele?
-É.
-E o que os anjos poderiam fazer contra a terra? –Eu perguntei mal acreditando. "Anjos maléficos" seria um pouco difícil de acreditar.
-Eles teriam toda a liberdade de trazer o filho dele para terra. E eu digo o de baixo e não o de cima.
-Ah... –Eu já estava agoniada. –Qual é a prova que eu sou realmente sua filha e de que você não está mentindo?
-O Remus é a prova viva de que eu dei a luz a você. Ele estava lá. E o seu pai também... Mas você era de uma forma bem perturbadora, parecida comigo que ele se afastou.
-Eu acredito nela. Ela é minha avó de sangue agora.
-Lily, você não deixa de ser metade anja e metade demônio, mas você também é médium e para ser médium precisa ser humana.
-Você matou minha irmã... –Eu falei.
-Eu não fiz isso. No diário dela especifica alguém atrás dela. Não eu. Quem a matou foi seu avó, meu pai.
-Por que você me deixou viver naquele inferno que era minha casa então?
-Porque eu sabia que ia ser arrastada para cá. E logo depois que você nasceu e quando eu estava no quarto com o seu pai e seu irmão eu selei seus poderes. Você fala tanto em ser anja e demônio, mas não faz nada. Tudo que você já percebeu e ouviu foi graças a sua mediunidade herdada do seu pai.
-Como pretende me convencer disso?
-Tudo se encaixa Lily.
-E por que quase me matou naquela vez? Na primeira vez que eu vim aqui?
-Na primeira vez que veio aqui? Essa é a primeira vez que pisa aqui. E também a primeira vez que nos falamos pessoalmente.
-E naquela vez que você foi atrás do James e quase o matou?
-O que? É aquele rapaz que te ajudou a ficar viva até agora não é? Por que razão eu iria atrás dele?
-Você foi. Eu estava falando com a minha mãe ou avó eu não sei, mas você foi atrás dele!
-Lily, eu estava no corpo da Marlene até quase agora. Como eu poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?
-E por que alguém se passaria por você então?
-Provavelmente para o James não perceber o que realmente estava acontecendo.
Alicia suspirou.
-Vamos fazer assim: Você volta e eu devolvo a alma da Chloe, mas você precisa me acordar. Essa é a condição.
-Te acordar?
-Sim, meu corpo está preso embaixo de um teatro e que por acaso é o teatro da escola da Chloe. Lá você precisa me acordar.
-E como eu faço isso? E como eu vou te achar?
-É só me dar um pouco do seu sangue e você vai sentir minha presença. Agora vão. Você já está morta há um minuto. –Ela falou para mim. –Se ficar mais tempo, você morre de vez.
-E a Chloe? –Eu a abracei.
-Você também precisa acordar ela. E do mesmo jeito que eu. E por favor, tome cuidado! Tudo que acontece a você também acontece em mim.
-Como assim?
-Todo ferimento causado por mãos humanas em você é causado em mim e vice-versa. Na Chloe também por ter o seu sangue.
-Por quê?
-Você tem meu sangue. E ponto. Agora tchau.
Um vento forte me atingiu e ficou escuro.
-Lily? –Eu ouvi uma voz ao fundo.
Eu murmurei algo.
-Lils acorde! Vamos, não faça isso comigo. Não morra agora!
Eu abri os olhos.
-James? –Eu perguntei.
-Oh, meu Deus você está bem! –Estávamos em terra. Ele me abraçou. - Pensei que tinha perdido você.
Eu me sentei. Minha vida foi virada e revirada do avesso. Deus, eu vou enlouquecer!
-Lily? E então? Falou com Alicia?
-Sim... Sim, eu falei. E já sei como acordá-la.
-Lily desculpe-me. Eu te puxei repentinamente porque eu não suportaria você dando Adeus. Eu detesto despedidas.
-Tudo bem. Eu não te culpo. –Eu me levantei rápido, mas logo cambaleei de volta. –Ops.
E quando eu menos esperava, graças a tontura, o chão sumiu.
-Já percebeu que tudo sempre termina com você sendo carregada por mim?
-Isso é sarcasmo ou ironia?
-Qual é a diferença?
Nós dois rimos. Ele me deitou no banco e trás e fechou a porta. Um pouco depois ele abre a porta atrás da minha cabeça.
-Está confortável? –Ele se inclinou ficando cara a cara comigo.
Eu concordei apenas com um som inelegível. Eu senti minhas bochechas queimarem e isso significa que eu estava corando. E pra piorar minha respiração falhou e meu coração começou a bater em um ritmo rápido.
Ele primeiro ficou se entender, mas logo sorriu de uma forma zombeteira.
-Está nervosa Lily? –Ele se aproximou mais.
-P-Por que e-eu estaria? –Pronto. Entreguei-me.
-Não sei... Me diz você. –Ele se aproximou a ponto de encostar nossos narizes. Minha respiração falhou novamente e eu engoli em seco. Por que eu estou nervosa? Eu já havia o beijado antes!
-Lily por que está tão nervosa? É sua última chance.
-Última chance do que?
Eu devia ter perguntado isso mais cedo. Definitivamente.
Yo (o/) pessoinhas! Como passaram de Natal e Ano novo? Minhas sinceras desculpas por não ter postado no dia 1. Mas é que eu passei o dia tooodo fora e a noite quando eu voltei o meu irmão tava no computador ai eu fui dormir e capotei de vez.
Mas ta ai.
Olhem eu vou explicar o capítulo e o conteúdo já que deve estar meio confuso:
Um demônio é proibido de andar com anjos e vice versa pelo único motivo: Se apaixonarem. Sei que parece impossível, mas um demônio pode sim se apaixonar por um anjo. E quando os dois se apaixonam tudo se equilibra.
Por um lado tem o bem e o mal que nem nós humanos. Humanos têm o lado bom e o mal e poucos têm o privilegio do "puro bem" que no caso são os santos. E quando anjos e demônios se apaixonam eles viram meio-humanos cada um com seus respectivos toques( no caso os mestiços n/a: Quem nem foi explicado em Constantine). Só que no caso da Lee é assim:
O Lee era demônio completo e quando se apaixonou, ele se apaixonou pelo sangue demoníaco que era bastante forte. Mas depois ele veio a se apaixonar pelo lado anjo da Chloe se tornando meio-humano, mas a Chloe não precisou se transformar, pois ela já era meia-anja. E daí por diante. E no caso dos pais da Alicia não houve manifestação física.
Milla Pink: Estou feliz por você estar gostando tanto assim! Eu quando comecei a escrever apenas tinha o básico. O resto veio de inspiração alheia. XD
Vanessa S.:Desse capítulo eu acho que você vai gostar. Principalmente do final. Do próximo você vai amar. Kkk
Maga do 4: Sorry não ter mandado no dia 1 =( , mas ta ai um pedaço do que eu ia mandar. Bjin.
Ana Krol:Fia tu FINALMENTE apareceu NE? Rumph! Te amo amore.
Zix Black: Que review estranha foi essa? É por isso que eu já disse pra parar de tomar esses remédios dona Júlia!
Bjin para todos e(Eu to viciada em Kuroshitsuji) por favor:
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