CAPÍTULO 10

POVLILY

-LILY!

E a porta foi arrombada (com o meu sorriso saindo de vez do meu rosto) por ninguém menos que meu companheiro de trabalho, Severus Snape.

-Mas o que diabos… - James levantou-se empatando o Snape.

-O que está fazendo aqui? –Eu também me levantei.

-Saia da minha frente! –Sibilou Snape para James.

-Então saia da minha casa. –James falou entre dentes.

-Esperem os dois! –Eu puxei um pouco James para o lado ficando entre os dois. –O que…

Snape me puxou em um abraço.

-Fiquei tão preocupado… -Ele falou no meu ouvido.

-Ah, espera aí! –Eu o empurrei. Eu nunca dei liberdade a ele para ser tão íntimo assim. –O que você quer aqui, Severus?

-Lily! Sua irmã morre você some e ontem a noite deu entrada no hospital e some novamente. E ainda por cima não consegui contatar nem a Dorcas e nem Marlene. O que aconteceu?

Eu abri a boca para falar, mas me calei.

-Severus, eu ficarei bem. Quer dizer, estou bem. Minha família está cuidando de mim e, aliás, cadê esse povo que não te impediram de entrar?

Quer dizer, não havia nem sombra deles.

-Lily, quem é ele? –Perguntou James nas minhas costas.

-Bem, ele trabalha comigo na delegacia. Ele faz parte da investigação dos corpos.

-O que está fazendo aqui? –Perguntou Snape. –O que está fazendo na casa de um criminoso?

Eu me virei para James.

-Ele não é um criminoso! –Eu me virei com raiva para Snape.

-Ele é sim. Só não o incriminaram, porque não havia provas suficientes, mas eu sei que foi por culpa dele que Olivia Bennet morreu.

-Snape. Eu já li a ficha criminal dele. E eu lhe garanto que não foi culpa dele.

-E como você sabe?

-Eu o conheço, Severus. Eu conheço o mundo dele. –Eu dei um passo para trás colando o meu corpo no de James.

-Você só o conhece há um dia, Lily!

-Eu o conheço. E ponto final.

-E VOCÊ O CONHECE COMO?

Eu revirei os olhos. Snape podia ser muitíssimo chato às vezes. Eu me virei para James, o puxei pela nuca e o beijei. Joguei meus braços em seu pescoço e ele segurou minha cintura. Ele fez questão de tirar o meu ar quando segurou minha cabeça e aprofundou o beijo.

-Já está na hora de ir embora, não acha? –Alice apareceu do lado do meu lado nos interrompendo.

-Você quem é?

-Eu sou Alice. Irmã gêmea de Lily, agora se retire. –É claro que ela mentiu. Ela não é minha irmã, é minha tia. –Você está perturbando nossa paz e o descanso dela. Todos saíram, mas voltarão logo. Desculpe não ter aparecido antes. –Ela falou esta última frase olhando para James. E tornou a olhar para Snape. –Seu nome é Severus, não é? Vai sair por bem ou por mal?

Ela falou isso muito calmamente. Tão calma que deu medo.

Snape olhou para mim.

-Você não se atreveria a me expulsar, não é?

-Saia por bem e não irei me atrever a fazer isso. –Falou Alice.

-Adeus Snape. Saia, pelo o amor de Cristo!

-Está bem. Eu vou, mas se você não me mandar uma mensagem a cada duas horas dizendo se está bem, eu voltarei!

-Agora vá.

Ele se virou olhando com puro desprezo para James. E foi embora.

-Acho que está na hora de termos uma conversa. –Falou Alice dando alguns passos a frente.

-Acho que sim. –Falou Dorcas\Alicia da porta.

-Por que não vamos todos para a sala? –Falou Dumbledore também da porta.

Todos estavam sentados na mesa da sala de estar.

-Quando foi que chegaram? –Eu perguntei.

-Assim que aquela coisa estranha saiu. –Falou Remus se referindo ao Snape.

Quando estávamos todos sentados, Alice apareceu na sala.

-Bem, vocês precisam saber de toda a verdade. –Falou Dumbledore. –E não há mais tempo para desperdiçar. Há essa altura ele já deve estar vindo.

-Ele quem? –Eu perguntei.

-Seu avô. Nosso pai. –Falou Alicia.

-Nós teremos que explicar nossa história desde o começo. Desde muito antes de nascermos.

"Há muito tempo, como maioria sabe, houve a queda de um anjo: Lúcifer. E quando o filho de Eva, Caim, matou seu irmão Abel ele foi condenado ao inferno. Mas a história foi distorcida. Caim na verdade na verdade nunca foi filho de Adão e Eva, mas sim da cobra (lúcifer) e de Eva. Mas Caim não foi para o inferno, pois foi condenado a ser um "espírito terrestre". Enquanto vivia aqui, ele era apenas um Nephilim." Ela parou ao ver minha cara de desentendida. "Nephilim são filhos de anjos com mulheres. Ele conheceu outra Nephilim, Electa. Os dois eram apaixonados um pelo outro, mas Electa sempre fora do outro time. Ela sempre seguiu os ensinamentos Dele. Electa engravidou de Caim e deu luz a gêmeas humanas, mas se recusou a casar com ele. E com raiva, Caim propôs uma aposta aos anjos e aos demônios. Que suas crias tivessem suas duas origens para que em uma luta indireta vissem que lado as garotas iriam seguir. E assim aconteceu: O sangue angelical e demoníaco que havia em suas veias queimaram ao ponto de expulsar o sangue humano."

Alice suspirou.

"Electa o condenou e fugiu com suas filhas. De acordo com ela, ele tirou dela e de suas filhas algum dia serem perdoadas pelo Criador por serem espíritos impuros. Electa, temendo pelas vidas das filhas, as entregou ao um casal de camponeses e sumiu."

-Eu continuo daqui. –Falou Alicia.

"Como já perceberam, as gêmeas de que falamos somos nós. Nós crescemos sendo muito diferentes. Alice vivia na igreja rezando com nossa mãe, Sophia. E eu caçando com meu pai, Henry. Apesar da nossa criação religiosa ser um pouco diferente, nós duas sempre amamos a Deus." Alicia olhou para baixo e deu um leve sorriso. Um sorriso triste. "E foi aí que a história começou a girar. Nós tínhamos vinte e cinco anos e ainda estávamos solteiras o que era na época muito ruim, pois já estávamos sendo consideradas velhas! Mas nossa mãe entendia, pois, de um jeito que eu nunca soube, ela sabia que éramos especiais. Que estávamos destinadas a algo grande."

-Eu gosto dessa parte. -Falou Alice. –Foi a única coisa que fez tudo valer a pena.

-Shhh! Não adiante a história! –Falou Dumbledore.

"Bem, todas as mulheres da cidade estavam muito ansiosas com a chegada do conde Eliot Knight. Todas as nobres foram apresentadas a ele, mas nenhuma o interessou. E em um dia nublado ele resolveu ir caçar e topou comigo. Bem… Eu praticamente quase o matei. Mas eu juro que foi por causa da chuva forte! De qualquer jeito, eu o convidei para ficar na nossa casa enquanto a chuva não cessasse. Eu definitivamente era muito adiantada para o meu tempo, ou seja, eu era um escândalo. Ele realmente gostou de mim na hora e até tinha dito que todas que ele vira eu era definitivamente a mais interessante. Bem, isso foi até ele chegar à minha casa e ver minha irmã. Os dois se apaixonaram e um pouco depois se casaram. Sabe, ás vezes ele dizia a mim que se houvesse alguém que tivesse metade do meu temperamento e do temperamento de Alice, seria para ele a mulher perfeita."

Ela parou de falar e olhou para mim.

-O que claro, já aconteceu. Finalmente Eliot obteve sua mulher perfeita, não acha Alice? –Ela não tirava o olhar de mim e de James.

-Ele definitivamente achou quem procurava. –Falou Alice tocando o ombro de James.

-Eu continuo a insistir que não sou a reencarnação desse tal de Eliot. –Falou James tirando a mão de Alice de seu ombro.

-Ah, tá. Você acha que nós não reconheceríamos o nosso amado Eliot? –Falou Alicia.

-Nosso? –Perguntou James.

-Preciso terminar a história, não preciso?

"Eu fui muito apaixonada por ele. Além da minha família, ninguém até então não entendia o porquê de eu não me adequar às regras da sociedade. Esse meu… "Espírito de liberdade" o encantava muito."

-Teimosia. –Tossiu Alicia.

"ENFIM, Alice engravidou, mas não de Eliot. Os demônios quebraram a regra de não interferir e mandaram um Íncubo para engravidá-la. Iria nascer um monstro."

-E como Eliot não percebeu o Íncubo em seu quarto? –Perguntou Remus.

-A questão era que ele não estava com ela na hora. Estava comigo. –Falou Alicia.

"Como todo mestiço pode fazer, ele deu a sugestão dele ter uma noite comigo. E eu não consegui negar o meu amado. Acho que ninguém conseguiria. De qualquer jeito, Alice odiou tudo e todos. E cometeu suicídio para matar o monstro que crescia rapidamente em seu ventre. Depois de sua morte foi que ela soube que era imortal. Seu corpo se curou rapidamente e com muita sorte ela matou o monstro. Mas para me avisar da trama toda que ela havia descoberto ela teve que sair do seu corpo, mas após isso não conseguiu voltar e foi mandada para o abismo do medo que é um lugar destinado a criaturas indesejáveis para os dois lados. Mas como descobrirmos nossas habilidades colocamos uma hierarquia lá dentro. Nós somos as mais poderosas lá embaixo. E há mais de trezentos anos eu vivi correndo de algo que pudesse me reconhecer."

"Mas há uns 25 anos, Caim conseguiu recuperar seus poderes demoníacos herdados do pai. Mas não todos. Ele ainda está preso há algo na terra e assim que ele colocar suas mãos nisso, estaremos ferradas. E quando isso aconteceu, quando eu percebi o que ele havia se tornado, eu precisei tomar uma decisão. Sabia que ele viria atrás de mim. Atrás do meu sangue, assim como ele foi atrás de minha irmã. Eu precisava deixar algo na terra que fosse capaz de combatê-lo. E foi quando eu conheci Dumbledore. Mas ele estava convicto que não poderia ser ele, mas sim seu filho. E foi quando conheci Gregorius R. Lupin e tive você Lily. E um pouco depois fui atacada e mandada para o abismo e no momento que entrei Alice se aproveitou e saiu. E foi encantada com sua luz e acabou sendo sugada para dentro de você. Então você encontrou a reencarnação de Eliot e aqui estamos."

-Lily? –Perguntou Dumbledore.

-Estou aqui. –Eu falei baixinho. Eu olhava para meus pés.

-O que foi minha querida? –Falou vovô.

-Por que… Por que Petúnia morreu? –Eu apertei minhas mãos.

-Eu… Eu acho que posso lhe explicar. –Falou Alice. –Bem, eu sempre notei que ela estava perturbada. Não tem aquele demônio que atacou você? Bem, ele antes estava tentando roubar a alma da sua irmã para ficar com o corpo e se aproximar de você se que ninguém percebesse. Ela em desespero pulou do prédio o que o deixou furioso e foi atrás de você diretamente e acabou nos alertando.

-Ela está no inferno, não está? Por ter cometido suicídio.

-Está sim. –Falou Alicia\Dorcas.

-E a Chloe? Eu tenho minha própria teoria, mas ainda sim não sei se é verdade…

-Bem, no dia em que ela atravessou aquela porta de vidro e precisou de sangue, que no caso foi o seu… Você acabou mudando o sangue dela… Imagine como um vírus. Se um vampiro dá seu sangue, ele o infecta e essa pessoa se torna um vampiro. É o mesmo conceito para o que aconteceu entre as duas.

-Sério? Legal! –Falou Chloe.

-E essa conexão entre a Chloe e o Lee? –Perguntou Remus.

-Bem, no final de tudo os dois vão ficar juntos. Não importa se eles começarem a gostar de outros ou não quiserem ficar juntos, suas necessidades sempre os atrairão. Mas isso só se despertara daqui há uns anos. Por enquanto ainda estão na fase de amigos. –Falou Alice preguiçosamente.

-Quanta coisa ruim… - Eu já não conseguia falar. Um torpor tomou conta de mim. Eu levei a mão ao meu peito e senti falta de algo. Do crucifixo.

Quando levantei os olhos eu já não estava mais na casa de James, mas sim em algum avião.

Havia poucos lugares então era um avião particular. Eu comecei a olhar em volta e me deparei com alguém de costas para mim. Ele parecia tranqüilo sem parecer me enxergar. Eu tapei minha boca para ele não me ouvir, mas não deu certo.

Ele arregalou os olhos verdes e virou para mim. Meu coração acelerou. Seus olhos se tornaram puro vermelho. Sua expressão era de puro alívio e desejo. Ele deu um sorriso torto. Ele me puxou em um abraço deixando meu corpo mais do que arrepiado. Ele não era humano, eu conseguia sentir isso. Eu o empurrei. Ele deu um leve sorriso e fechou a mão em meu pescoço. Eu comecei a sufocar. Ele começou a me arrastar para o banheiro. Eu me debatia loucamente. Ele abriu a torneira e tapou o ralo. E enfiou meu rosto na pia cheia. Eu fechei meus olhos chorando. Eu não queria terminar ali.

Eu os abri novamente.

Estava novamente na cozinha de James e ninguém parecia notar que algo havia acontecido comigo. Aparentemente eu havia apenas abaixado a cabeça. Eu respirei bem fundo e fazendo muito barulho.

-Está se sentindo bem? –Perguntou James.

-Não… Eu quero descansar… E-e-eu vou me deitar. –Eu me levantei, mas me senti fraca e sentei-me novamente.

-Você teve uma visão, não teve? –Perguntou Alice. –Aposto que foi com o meu pai.

-Como sabe? –Eu perguntei.

-Bem, de algum jeito ele tem uma conexão com você e toda vez que se comunicava eu obstruía as visões. Elas me atingiam e não a você. Bem, eu tentava. Ele conseguiu falar com você uma vez. Mas só porque eu estava fraca. Agora que estou fora de você, terá que lidar com as visões e sempre escapar dele.

-O que aconteceu na visão? –Perguntou Alicia.

-Ele estava em um avião. Ele me viu e me abraçou, mas eu o empurrei e aí ele começou a me estrangular e tentou me afogar. E quando pisquei já estava aqui novamente.

-Ah. Entendi. Feliz em te ver e depois mandou sua mente de volta. –Falou Alicia.

-Isso quer que nós temos pouco tempo. Em breve ele estará aqui. –Falou Dumbledore.

-É. –Falou Alice. –Maninha, temos que achar seu corpo urgente.

-Não precisa. –Alicia falou. –Eu treinei bem minha sucessora.

-Eu já tenho uma idéia de onde está seu corpo, sensei. –Falou Chloe.

-Sensei? –Repetimos todos.

-Ela vem nos treinando há um ano. –Falou Lee. –Apesar de eu nunca ter visto seu rosto até algumas horas atrás.

-E onde está? –Eu perguntei.

-Era uma antiga igreja e agora é um teatro. O teatro da minha escola. –Falou Chloe.

-O QUE?

-Pois é. Hoje à noite vamos lá. E devolve minha, por favor. Ela precisa me ajudar a me produzir. E ao Lee também. Temos uma peça hoje a noite da qual somos protagonistas.