Uma leve preview para vocês que me esperaram. Essa semana ainda eu posto o capítulo antes da batalha final. Estamos chegando no final . Talvez dois ou três capítulos. Beijinhos.
-De onde nos conhecemos mesmo? –Eu perguntei abrindo o resto da porta para ela entrar.
-Não nos conhecemos. –Ela entrou sem tirar os olhos dos meus. Deus, mas que olhos azuis são esses?
Ela caminhou até a mesa e colocou a bolsa em cima.
-Eu não mordo. Não precisa ficar com medo de mim –Ela disse rindo se virando.
-Ultimamente aprendi a não confiar em pessoas que pedem para confiar nelas. Elas estão me deixando muito desapontadas. –Eu falei cruzando os braços e encostando-me na porta.
-Imagino. –Ela sentou.
-Novamente, o que quer? –Eu falei rudemente.
Ela abriu um sorriso maior que o anterior.
-Vejo que puxou sua mãe. E saiba que sua mãe é muito parecida com a mãe dela. –O olhar dela se perdeu.– Enfim, eu lhe garanto que serei rápida.
Ela me olhou firmemente.
-Todos esses anos minha única função foi preocupar-me com vocês. –Ela abaixou a cabeça. -E depois de muitos anos e pode ter certeza que foram muitos eu vi uma luz no fim do túnel. E essa luz foi você, Lily. –Ela levantou o rosto e vi seus olhos ficando vermelhos. As lágrimas não tiveram chance de cair. Ela as limpou antes mesmo de descerem. –Lily eu vim lhe ajudar.
-Quem é você? –Eu perguntei me desencostando da porta.
Ela voltou a sorrir.
-Já tive vários nomes: Charlotte, Sophia, Olivia. Josephine. –Ela riu com o último nome. –Mas meu nome de batismo foi e ainda é Electa.
Eu a encarei. Electa.
-Não. Eu não vou cair nessa novamente. Da ultima vez que eu confiei em alguém que clamava ser algo de mim… O resultado foi terrível!
-Sei que sim. Mas… Você não irá acreditar em nada que eu disser –Ela falou para si mesma essa última parte. -Não. Lily você sabe que os demônios usam ilusões para enganar sua presa e as levar para o mau caminho e eventualmente para a morte, não sabe? É isso o que estava acontecendo com você. Com todos vocês. A primeira verdade com a qual teve contato foi quando Alicia possuiu Marlene. Qualquer outra visão, acontecimento… Foi tudo uma ilusão. Os cortes foram reais, mas nunca Cain esteve ai na porta. Nunca. Era apenas um demônio cumprindo sua vontade e papel. A imagem dele fora mentira. Os puxões, socos foram produzidos pela força desse outro demônio, não dele. Você nunca esteve em perigo. Não ao menos de morte. A não ser aquele que você mesma provocou. Por favor, entenda!
-Se você é confiável então, por que sabe disso tudo?
-Porque eu sou sua avó! Não ouviu nada do que lhe foi dito? Eu não sou do mal! Sempre estive de olho em você e em minhas filhas. Sempre observando. Temos uma conexão mais profunda do que imagina. Nós cinco. Por isso sei de tudo! Vocês são muito inexperientes para se darem conta dela.
-Se, hipoteticamente, você for quem diz que é, por que esteve todos esses anos sem fazer absolutamente nada? –Eu andei até a sua frente.
Ela não respondeu. Eu iria até o fundo dessa história.
-Você não fez nada para impedir a chegada do apocalipse. Nem mesmo quando suas filhas precisaram de você. Você só ficou sentada enquanto as via morrendo, é isso? Quando me viu morrendo?
-Lily… Não, eu merecia isso. Mas não pude fazer nada. Eu queria fazer algo, mas eu não pude. Não naquela hora. Essa sempre fora a missão delas. –Ela me olhou ferozmente. –Sobreviver. Eu já tinha a minha missão. Que era encontrar Cain e tentar Pará-lo. E o único jeito de pará-lo é estando contra ele. É estando aqui com vocês.
-Eu não sei mais o que falar. –Eu falei irritada.
-Isso significa que você está convencida da minha história. –Ela sorriu de lado.
-Alice e Alicia sabem que está aqui? –Eu falei.
-Não. Mas souberam assim que me virem. Importa-se de eu ficar com você aqui? Eu vim tão rápido e tão de repente que não tive tempo de planejar nada. Nem roupa eu trouxe! –Ela riu. Bom humor o dela, não?
-Eu não sei… A casa não é minha. –Eu falei.
-Ah, então ok. –Ela falou um pouco decepcionada.
-Mas espere um pouco. Assim que James acordar eu resolvo alguma coisa com ele. Minha casa está indisponível.
-Sem problema.
E de repente ela engasgou.
-Lily? –Perguntou James atrás de mim esfregando os olhos. –Tive um péssimo pressentimento… -Ele abriu os olhos e a viu.
-Oi! –Eu falei sem querer tirar os olhos dela. Ela arregalou levemente os olhos e ficou completamente parada encarando James.
-Quem é ela? –Ele passou a mão em minha cintura.
-Electa. –Eu falei. Ele me olhou alarmado.
-Não é possível. –Ela sussurrou nos chamando atenção.
Nós dois franzimos o cenho.
-Lily é ai onde está o seu coração? –Ela perguntou sem quebrar o olhar para James.
-S-Sim… - Eu respondi sem demora. Mas ansiosa. Cedo demais?
James me olhou um pouco… Orgulhoso disso.
-Oh, não… -Ela voltou a sussurrar. James se irritou.
-Com licença, mas o que isso tem haver com o seu espanto? –Falou James.
-Você é a razão de tudo desandar. Dele ter de repente conseguido tudo isso… -Ela se levantou e parou rosto a rosto com James. –Seu olho.
Eu olhei para James. Ele havia se esquecido de colocar a lente.
-Esconda-o imediatamente. –Ela falou. –Ele consegue ver.
-Ele quem? –James fechou aquele olho. –Você sabe quem é o demônio?
-Não vê a conexão? Esse símbolo é o símbolo que o representa e tenho certeza que nunca o encontrou em livros. Isso porquê ele ficou muito tempo impedido de usar suas… Habilidades. Até achar alguém promissor… Alguém com habilidade suficiente de usar sua própria força para fazer o pacto com ele. Você foi o estopim.
James arregalou os olhos e eu também entendi. As histórias batiam. O tempo decorrido em todas as histórias… O demônio era e ainda é Cainn.
