-Corram! –berrou Amy, puxando o irmão como uma louca pela rua.

Ian tomou a dianteira, porém caiu no meio do caminho, parecia ter torcido o tornozelo.

-Ian! Ian! Amy, me ajude! –gritava Natalie, desesperada, enquanto tentava levantar o irmão e levá-lo para algum lugar seguro.

Amy se virou e gritou para Dan começar a correr, ela o alcançaria. Os homens se aproximavam, mas eram só os dois.

Ian fitou-a, seus olhos estavam duros e frios.

-Eu vou te resgatar, pode apostar. –falou Amy, apenas movendo os lábios. O Kabra assentiu ligeiramente e empurrou a irmã para longe, fazendo-a cair aos pés de Amy.

-Não! –reagiu Natalie, mas Amy estava arrastando-a pelo braço.

Não quis olhar, mas quando ouviu o som abafado de um tiro, virou-se e segurou Natalie atrás de sí.

Amy apertou os olhos e percebeu que não tinham matado Ian, e sim tranquilizado. Porém o garoto ainda estava se debatendo.

-Não! Não! –ainda berrava Natalie, chutando as pernas da Cahill.

Cuide bem dela. –sussurrou Ian, desta vez caindo no sono.

Amy se virou e empurrou Natalie com força, ao encontro de Dan.

-Monstro! Monstro! –berrou a Kabra, enquanto dois homens do clã Madrigal tentavam imobilizá-la.

Amy não conseguiu se conter. As lágrimas rolavam e rolavam, por mais que soubesse que isto estava sujeito a acontecer. Eram os vespers, de qualquer forma.

Dan havia ficado pálido e não pronunciara uma única palavra quando tiveram que relatar o ocorrido, mas Natalie parecia estar disposta a falar por todos.

-Foi ela! E-ela tinha que ter ajudado o meu i-irmão! Mas resolveu correr p-para salvar a própria p-pele! Os v-vespers estão com meu irmão! C-como pode? Monstro!

Alguns médicos foram encaminhados para auxiliar o estado mental de Natalie, que não aparentava estar se sentido nem um pouco bem.

-D-dan? –chamou Amy, soluçando. Ela se sentia fraca, de todas as formas possíveis.

-Pare de se esforçar tanto. Vá descançar. –respondeu o menino, mas isso não conteve sua irmã.

-V-você não me acha c-culpada, acha?

Ele negou com a cabeça, olhando para o horizonte pela janela da base Madrigal:

-Isso poderia acontecer. Fomos avisados.

-Eu n-não queria deixá-lo… -murmurou Amy, encarando o teto do quarto.

-Tudo bem, mana. Você fez o que pode, né? Resgatou a irmã dele, por mais que ela seja uma ingrata…

Amy soltou uma risada:

-Uma i-ingrata de quem você g-gosta muito…

-Ei! –reclamou Dan, vermelho.

-Sai p-pra lá, estou de cama, vou d-descançar. –argumentou Amy, virando de lado na cama.

Pouco tempo depois ela dormiu, com o sono acompanhado de um terrível pesadelo.