N/A #1: Esqueci de falar no primeiro capítulo, mas essa fanfic tem classificação M (Mature), não recomendada para menores de 16 anos por conter cenas de sexo, violência e linguagem imprópria.

N/A #2: Só para situar vocês, esta fanfic é uma UA (nada de mágica, people! Aqui eles são meros estudantes de jornalismo!) e acontece nos anos de 2007 / 2008. O primeiro capítulo aconteceu no mês de Julho de 2007 e este acontece em Outubro de 2007. Logo, demos um salto de três meses na fanfic.

Ah, eu sei que o Draco da JK faz aniversário em Junho, mas para esta fanfic, é fundamental que o aniversário do Draco seja no final de Outubro, ok? Não que este seja o principal motivo, mas isto faz com que o meu Draco seja de Escorpião! Convenhamos que combina beeeeem mais com ele!! XD


I Want You

Aquele definitivamente era um dia para se comemorar! Afinal, quando se tem uma experiência de quase morte aos 23 anos, – ou melhor... uma experiência de morte, se considerarmos o fato que eu fui ressuscitado duas vezes – chegar ao aniversário de 24 se torna quase uma realização pessoal.

Os três meses após a minha cirurgia foram dedicados a exames, tratamentos e recuperação, então, na primeira oportunidade de rever meus amigos... ironicamente muito próximo ao meu aniversário, foi de comum acordo que a comemoração seria dupla!

Viajamos todos para um sítio da família de Hermione e na noite de sábado, quando decidimos fazer a festa de comemoração propriamente dita, ainda não tinha certeza do que eu mais estava gostando... da viagem em si... de rever os amigos... ou de poder beber de novo, depois de uma dieta horrorosa durante o meu tratamento!

A música estava alta, as pessoas estavam se divertindo e eu estava aproveitando para conversar com todos, agradecendo por ninguém tocar no assunto "quase morte" durante aquele dia! Sinceramente, eu havia relembrado o incidente durante três meses inteiros, era algo que eu queria esquecer em uma noite como aquela.

"Graças a Deus Pansy não veio!" eu pensei, enquanto tomava mais uma cerveja. Não que ela fosse uma má companhia... longe disso! Na verdade, ela havia sido a pessoa que mais havia me ajudado durante a minha recuperação, mas a preocupação constante dela chegava a me irritar! Principalmente considerando a nossa situação.

"Vem Draco... vamos dançar!" disseram Blaise e Parvati ao mesmo tempo, me puxando para onde a galera estava aglomerada. Eu não era o maior fã das músicas que estavam tocando, mas considerando tudo o que havia acontecido, até daquilo eu havia sentido falta.

Estava dançando com os dois quando vi cabelos vermelhos ali por perto! Considerando que o único que tinha cabelos vermelhos além dela era Ron (no momento em minha frente, dançando com Hermione), tive certeza que era a minha melhor amiga que estava ali.

Era estranho... quase três anos de amizade e, de repente, as coisas mudam. Eu já havia percebido certas mudanças desde o começo do ano. Percebi que eu estava usando com ela, mesmo sem perceber, algumas armas que eu usava quando queria uma garota.

Ela, sempre distraída, nunca percebeu nada!

No começo, eu me assustei com as sensações que ela me causava e tentei negar para mim mesmo o que estava acontecendo... conclui que o que eu estava sentindo era, na verdade, falta dela. Ficávamos juntos na faculdade o dia inteiro e, a noite, ela ainda me ajudava na edição do periódico da universidade. Porém, em Março daquele ano, ela conseguiu seu estágio e seus horários mudaram completamente... eu mal a via depois disso e atribui a isso as coisas que eu estava sentindo: era saudade. Ponto final.

Logo depois, em Abril, Pansy e eu conversamos sobre o nosso relacionamento e vimos que nada mais sairia dali. Com o fim do meu namoro, passei a aceitar que eu queria a minha melhor amiga, mas decidido a não fazer nada. Ela namorava há quase quatro anos e eu não queria acabar com aquilo. Ela tinha valores muito bem formados sobre traição, respeito e amor... eu não quebraria essas convicções dela por puro desejo.

Seu namoro com Harry a fazia feliz e eu sempre soube que foi aquele jeito dela... feliz e espontâneo... que havia me ensinado muitas coisas. Ela se vangloriava de ter me transformado em uma pessoa, e não uma pedra de gelo, como ela insistia em me chamar quando usava o meu apelido: Ice Man. Depois de tudo o que ela já havia feito por mim, seria injusto atrapalhar a felicidade dela.

Sim, isso era o mais certo a se fazer! Lidar com o desejo que eu sentia e deixar para lá. Na certa outras garotas apareceriam e aquilo acabaria... era só uma fissura... um certo tesão e vontade de saber como seria estar com ela... mas eu sabia que iria passar, era só dar tempo ao tempo.

"Ei, vocês podem me ouvir?" fui tirado dos meus devaneios por um barulho de chiados e a voz dela nos amplificadores. Ela estava perto das caixas de som com um microfone na mão "Meus queridos amigos, desculpem-me quem gosta desta merda de música que estava tocando..." ela começou, se referindo à música dançante que enchia o ambiente segundos antes. Eu levantei a minha lata de cerveja, em sinal de concordância... aquela música era uma merda mesmo! "... mas eu vou mostrar a vocês o que é música de verdade!" ela completou, apertando um botão e inundando o ambiente com um solo de guitarra.

"Essa é a minha garota!" eu pensei, quando vi o que ela havia feito... lembrando, ao ouvir Harry incentivando-a também, que, na verdade, ela era a garota dele "Filho da puta!", eu pensei, instantaneamente.

"Agora, em homenagem ao Draco... eu quero ouvir todo mundo cantando!!" ela continuou, com o microfone nas mãos "Espero que todos conheçam a letra, pois como diria o Ice Man ali no fundo..." ela disse, apontando para mim e sorrindo "... não conhecer Beatles é motivo de desprezo!"

I want you.
I want you so bad.
I want you.
I want you so bad.
It's driving me mad.
It's driving me mad!

"Vai Freckles!!" eu gritei para que ela ouvisse e a vi cantando, junto com boa parte dos meus amigos, uma das minhas músicas favoritas. A maioria dos meus amigos gostava das mesmas músicas que eu... quando o assunto era música, eu conseguia ser bem persuasivo... menos com ela! Com ela nunca foi preciso! A sintonia que a gente tinha com as músicas e com muitas outras coisas me espantava!

I want you.
I want you so bad, babe!
I want you.
I want you so bad.
It's driving me mad.
It's driving me mad!

E logo aquela música? Merda! Aqueles simples seis versos saindo dos lábios dela, e todo o significado que eles tinham, não ajudava em nada a minha recém opção de não fazer nada a respeito do que eu sentia por ela!

I want you.
I want you so bad.
I want you.
I want you so bad.
It's driving me mad.
It's driving me mad!

Céus, ela estava linda cantando aquilo! O fato de ela ser absurdamente desafinada nem me passou pela cabeça! Eu apenas via os lábios dela se moverem, falando tudo aquilo para mim!
Naquele momento, pela primeira vez, eu me permiti imaginar como seria estar com ela... imaginar como seria tocá-la e ver todas as expressões que ela poderia fazer... o corpo dela embaixo do meu... a respiração pesada e os gemidos incontrolados a cada vez que eu aumentasse o ritmo... Merda! Como era possível? Eu nunca quis ninguém com aquela intensidade!

I want you.
I want you so bad.
I want you.
I want you so bad.
It's driving me mad.
It's driving me mad!

"Porra Freckles... você não está me ajudando em nada fazendo isso!" eu pensei, vendo-a largar o microfone e caminhar na minha direção enquanto a música continuava repetindo aqueles malditos seis versos. Os olhos castanhos brilhando.

"Parabéns Ice Man!" ela disse, me dando um abraço "Agora que eu consegui tirar aquela merda de música sintetizada, se você deixar alguém colocar aquilo para tocar de novo, eu juro que mato você!"

Eu não consegui falar nada, mas também não foi preciso. Ela me soltou rapidamente e foi ao encontro de Harry, que a esperava. Ele a abraçou e, inesperadamente, pegou uma fatia de limão e passou pelo pescoço dela, lambendo em seguida e tomando uma dose de tequila. Ela gargalhava com a atitude dele, com os olhos fechados e as mãos afundadas nos cabelos morenos.

"Filho da puta!" eu pensei pela milésima vez na noite, percebendo que ele havia gostado do show dela tanto quanto eu, mas, ao contrário de mim, poderia fazer muito a respeito.

Eu não sabia o que pensar... realmente não sabia! E considerando a racionalidade com que eu sempre tratava tudo na minha vida, aquilo não poderia ficar assim.

Eu precisava pensar e decidir o que fazer... e precisava fazer isso logo.

XxXxX

Mesmo sendo outubro, a noite estava muito quente... e como se não bastasse o calor, minha imaginação não conseguia mais parar depois que eu havia permitido que ela formasse imagens minhas com a minha melhor amiga em uma cama. Era quase impossível dormir e eu havia desistido de me revirar na cama e imaginar... coisas... após uma hora tentando pegar no sono.

Levantei decidido a ir até a cozinha e pegar qualquer coisa que acabasse com aquele calor infernal, porém, ao chegar lá, qual não foi a minha surpresa ao vê-la parada em frente a pia, os cabelos presos em um rabo de cavalo alto e propositalmente mal feito. Ela usava apenas uma das camisetas de Harry e um short jeans "Merda de calor!" pensei, ao perceber que a temperatura naquela cozinha... com ela em plena madrugada... poderia ser bem maior que a do quarto que eu estava dividindo com Blaise.

Me aproximei devagar, tomando cuidado para que ela não notasse a minha presença, até perceber, quando cheguei um pouco mais perto, que aquilo seria muito fácil, já que os fones de ouvido que ela usava tocavam um rock no último volume.

"Como sempre!" eu pensei, relembrando o dia em que nos conhecemos na faculdade de jornalismo.

XxXxX

14 de Março de 2005. Segunda-feira. Oito e meia da manhã. Início da terceira semana de aulas na faculdade de jornalismo e, aparentemente, o professor de Design Editorial havia acordado de extremo mal humor.

Apenas isso explicaria aquela atitude!

Vi uma garota ruiva, que eu sabia estar na minha classe, encaminhando-se para o prédio onde a aula de Design estava acontecendo. "Só ela pensa que não chama atenção com esse cabelo" eu pensei, maldoso, dando uma risada irônica por saber o que estava prestes a acontecer.

"Idiota!" eu pensei, dando uma tragada em meu cigarro e vendo a garota com os livros entrando no prédio apressada "Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze... Há! Treze segundos! Uau, ela é rápida!" eu pensei, soltando a fumaça e rindo novamente ao vê-la saindo do prédio, com uma expressão de poucos amigos.

Ela deveria ser a terceira pessoa tentando entrar na sala de aula trancada pelo professor, mas era a primeira vindo em minha direção. "Droga, o que ela pode querer?" eu pensei.

"Oi, você está na minha sala, não é?" ela perguntou, retirando os fones de ouvido que usava. Eu dei uma nova tragada em meu cigarro, pretendendo ignorá-la, quando ouvi algo aparentemente inacreditável saindo dos fones da garota ruiva. Aquilo era Pink Floyd? Que garota como aquela, com seus 20 anos e tipicamente fútil, escutava Pink Floyd em pleno século 21? Inacreditável! "Ei, você está me ouvindo?" ela repetiu, ao ver que eu não respondia.

"Você está ouvindo Pink Floyd?" eu perguntei, sem nem pensar.

"Sim, eu estou" ela disse, claramente estranhando a minha pergunta e abaixando o volume do som "E você está na minha sala, não? Design Editorial?"

"Sim, eu estou." eu falei.

"Você sabe por que o professor Johnson trancou a porta?" ela perguntou, se sentando ao meu lado no gramado.

"Digamos que foi por minha causa." eu falei, simplesmente.

"O que você fez?" ela perguntou, curiosa. Se não fosse Pink Floyd tocando no mp3 dela, eu simplesmente levantaria e a deixaria lá falando sozinha... mas... Pink Floyd!... vamos dar uma chance para a garota.

"Comi uma maçã" eu disse e ela continuou me olhando, esperando a continuação da história, eu dei uma nova tragada no meu cigarro, procurando ter paciência "Eu comi uma maçã e, ao mesmo tempo, alguém entrou na sala atrasado. No mínimo o Johnson estava de mau humor e considerou estas duas atitudes como desrespeito. Resultado: a garota atrasada e eu fomos expulsos da aula e ele trancou a porta, dizendo que apenas alunos pontuais e interessados mereciam o conhecimento dele."

"Ele é um imbecil." ela disse "O trânsito desta cidade é um inferno! É quase impossível chegar no horário."

"É" eu disse, simplesmente, apagando o cigarro na terra ao meu lado.

"Eu sei que não é da minha conta, mas você não acha meio cedo para fumar?" ela falou e aquilo foi demais até mesmo para alguém que ouvia Pink Floyd... garota insuportável! Não calava a boca e ainda se intrometia na minha vida.

"Bom, quem vai se foder fazendo isso sou eu, não é? Acho que você não deveria se intrometer." eu disse, pegando um novo cigarro e acendendo.

"Hum, você é quem sabe." ela disse simplesmente, mas a sua expressão dizia claramente que ela estava me xingando em pensamento. Ótimo! Achava que com aquela resposta e o novo cigarro ela sumiria, mas fui desapontado ao vê-la encostando-se na mesma árvore que eu e ligando novamente seu mp3. Uma nova música, desta vez desconhecida por mim, mas claramente um rock, invadiu o ambiente. Ela escutava aquilo em um volume absurdamente alto.

Tentei ignorar e voltar a minha leitura, mas o som dela estava tão alto que ficava difícil se concentrar. "Garota, some daqui!" eu pensei, enquanto chamava a sua atenção, cutucando o seu braço. Ela me olhou, retirando um de seus fones "Eu não consigo ler com a sua música neste volume." eu disse, tentando deixar claro que ela estava me atrapalhando desde o momento em que chegou.

"Oh, me desculpe..." ela disse irônica , apanhando seu mp3 e ajustando o volume. Para o meu desgosto, eu percebi que o volume do aparelho aumentou ainda mais "... mas, sinceramente, atrapalhar a sua leitura não é problema meu!"

"Ok, vá em frente! Não sou eu que vou ficar surdo em menos de um ano" eu disse, irônico.

"Bom, quem vai se foder fazendo isso sou eu, não é? Acho que você não deveria se intrometer" ela respondeu, repetindo palavra por palavra a resposta que eu havia dado! Ora, ora... ninguém antes havia me dado respostas como aquela! Eu admirava pessoas firmes e ela, claramente, era uma delas... sem mencionar o fato de gostar de Pink Floyd! "Ok, nova chance para a tagarela." eu pensei, tocando novamente o seu braço e recebendo dela um novo olhar irritado. Fiz um gesto para que ela tirasse os fones de ouvido e assim ela o fez.

"Porra, o que você quer agora?" ela perguntou, irritada. O rosto quase tão vermelho quanto os cabelos.

"Draco Malfoy" eu disse, estendendo a mão a ela. "Já que vamos dividir o mesmo espaço pelas próximas duas horas, que tal uma tregua?"

"Virgínia Weasley" ela respondeu, apertando a minha mão "Eu abaixo o meu som se você apagar essa droga de cigarro."

"Feito" eu disse, apagando meu cigarro e fechando meu livro "Eu realmente quero que você abaixe o seu som, mas você poderia me emprestar um de seus fones. Seu gosto musical é bom!" eu disse, sinceramente.

"Você também gosta de rock clássico?" ela perguntou, me passando um dos fones.

"É a única coisa que vale a pena escutar" eu respondi, encostando-me na árvore novamente.

"Concordo plenamente!" ela disse, fechando os olhos e curtindo a música.

Apenas não contávamos com o fato de que a bateria do aparelho duraria apenas 15 minutos e que, nas quase duas horas que ainda restavam antes da nossa próxima aula, eu descobriria que o único defeito daquela garota ruiva era falar demais... mas falar sobre assuntos que me interessavam!

Quem diria... naquela faculdade havia alguém com quem valia a pena fazer uma amizade.

XxXxX

"Noite louca, huh, Freckles?" eu sussurrei em seu ouvido, retirando um dos fones que ela usava. "Seu show foi sensacional!"

"Porra Draco! Que susto!" ela respondeu, virando-se em minha direção e quase derramando o copo de água que tomava "Ainda acordado?"

"Dormir neste calor está impossível!" eu disse, simplesmente, imaginando quanto o calor poderia aumentar se ela tivesse derrubado a água naquela camiseta branca que ela usava "E você, porque não está no quarto?"

"Enxaqueca... para variar." ela respondeu "O Harry capotou depois de tanta tequila e eu não consegui dormir por causa da dor de cabeça... então decidi descer para tomar meu remédio."

"Vamos lá para fora... deve estar menos quente." eu disse, caminhando em direção a varanda da casa e sentando nos degraus "Senta aqui." eu apontei para o espaço entre as minhas pernas, no degrau abaixo ao que eu estava sentado.

"Você é um santo!" ela respondeu, já sabendo o que eu estava propondo "Queria saber como você consegue." ela disse, sentando-se entre as minhas pernas e apoiando a cabeça em um dos meus joelhos, enquanto eu massageava as suas têmporas com os dedos "O Harry já tentou, a Mione, que é quase uma médica, já tentou... até eu tento às vezes... e nunca dá resultado!"

"Minhas massagens não seriam necessárias se você não estivesse ouvindo música no último volume" eu repreendi "De onde vem a dor desta vez?"

"Da nuca" ela respondeu, levando minhas mãos para o local exato. Céus, eu sabia que ela estava com dor, mas era inevitável não pensar em... em tudo o que eu havia desistido de negar. Eu queria a minha melhor amiga! E olhá-la praticamente deitada no meu joelho não ajudava o meu autocontrole em nada! "E a música não piora a dor... você sabe disso! Na verdade, ela até ajuda a aliviar o desconforto."

"Sei, sei!" eu disse, irônico "E então, o que você me conta? Não conversamos direito há séculos... desde o

hospital."

"Eu sei... me desculpe, Ice Man" ela disse, me chamando do jeito que apenas ela me chamava, assim como apenas eu a chamava de Freckles. A ligação que eu tinha com ela chegava a ser estranha... com as outras pessoas eu era extremamente frio... mas com ela, era impossível. Ela era a única pessoa que me fazia ser um pouco mais... humano "O estágio tem sido tão corrido! E as aulas a noite estão acabando comigo! Não tenho tempo para nada!"

"Não pense que tem sido fácil para mim... afinal, você conseguiu um estágio, saiu da editora da faculdade e deixou tudo nas minhas costas! Estou atolado de trabalho por sua causa!" eu disse, brincando e sentindo as mãos dela nas minhas, movendo-as para outro local em sua cabeça. Eu já havia feito milhões de massagens para acabar com as enxaquecas fortes dela, mas aquela estava acabando comigo.

Merda! Admitir que se quer alguma coisa faz as suas atitudes mudarem tanto assim? Aparentemente faziam! Era isso ou nada explicaria que movimentos tão... inocentes... pudessem gerar aquelas sensações em mim.

"Trabalho que você está tocando maravilhosamente bem" ela disse, dando um sorriso fraco em minha direção, os olhos fechados aproveitando a massagem.

"Bajuladora!" eu disse, colocando um pouco mais de pressão em um dos movimentos em sua têmpora.

"Aiii" ela reclamou, brincalhona "Eu não preciso bajular você! É só dar um dos meus sorrisos infalíveis e você faz o que eu quiser!" ela respondeu e eu não podia negar! Como ela podia ter aquele poder sobre mim? "Foi uma pena a Pansy não poder vir! Parvati me disse que a avó dela não estava bem."

"A avó dela está ótima!" eu respondi, desconfortável. Ouvi-la falar da Pansy fez com que eu me sentisse péssimo e eu decidi, independentemente do que eu faria com relação à Freckles, que eu contaria tudo o que havia acontecido entre Pansy e eu de uma vez por todas "Ela não veio por outro motivo."

"Qual motivo?"

"Não estamos mais juntos, Freckles." eu disse simplesmente, sem qualquer mudança ou arrependimento em minha voz.

"Como assim?" ela se virou rapidamente "Aiiiiiii merda!" ela completou, levando a mão a frente dos olhos rapidamente, devido à dor que sentiu com o movimento brusco.

"Cuidado!" eu disse, levando minhas mãos para a sua cabeça e fazendo com que ela voltasse à posição inicial "Ela vai se mudar para os Estados Unidos com os pais em dezembro."

"Nossa... assim do nada?

"Na verdade, eu sei disso desde Abril... " eu comecei e ela me interrompeu, virando-se novamente.

"Você sabe há tanto tempo e não me fala nada!" ela disse, levando novamente a mão a cabeça e apertando os olhos, em uma expressão clara de dor "Seu ingrato!"

"Será que você pode parar quieta?" eu disse, pegando a cabeça dela e colocando-a no meu joelho novamente "Desse jeito essa massagem não vai funcionar nunca! Desculpe não ter contado, Pansy pediu que eu guardasse segredo. Ela não queria anunciar que ia embora tão cedo."

"E quando vocês terminaram?" ela perguntou, preocupada.

"Na verdade, terminamos em Abril, quando ela me contou sobre a mudança"

"Porra Draco... vocês estão separados desde Abril e eu sem saber de nada!!" ela disse, irritada, ameaçando levantar a cabeça novamente, mas sendo impedida pelo meu braço, que a segurou no lugar "Parece que você não me conta mais nada mesmo, huh!? Que belo melhor amigo você está se saindo!" ela completou magoada.

"Freckles, você é a única pessoa que eu confio nesse mundo!" eu afirmei, ainda massageando a lateral da cabeça dela "Óbvio que eu queria te contar, mas Pansy pediu para eu não dizer nada! Eu apenas respeitei o desejo dela... não era algo que envolvia apenas a mim." eu disse, tentando amenizar a raiva dela.

"Mas, espere aí..." ela começou, tentando se virar de novo e sendo impedida novamente pelo meu braço. Ela não conseguia parar quieta! Por Deus! Situações como aquela, onde eu conseguia tê-la tão perto, eram tão raras! Eu não deixaria que ela saísse dali pelo tempo que eu pudesse! "...quando eu te visitei na reabilitação do hospital, há duas semanas atrás, ela estava lá e vocês estavam juntos! Como assim vocês estão separados desde abril?" ela perguntou, com uma expressão claramente confusa "Não estou entendendo mais nada!"

"Se você não ficar com essa cabeça quieta, eu vou parar com a massagem e você vai dormir com dor!" eu ameacei, passando a massagear a testa dela.

"Depois de todas essas mentiras, você não está em posição de exigir nada!" ela respondeu, irritada "Agora vai contando tudo e coloca mais pressão neste ponto." ela completou, levando meus dedos para um ponto específico da testa dela... a simples frase 'coloca mais pressão neste ponto' fez a minha imaginação ir à loucura. Como era possível? "Fala logo Draco!" ela disse, me chamando pelo nome e me trazendo de volta ao mundo real. Ela só me chamava pelo nome quando estava irritada! Era melhor eu me concentrar na conversa e deixar a imaginação para quando voltasse para o quarto.

"Estávamos só mantendo as aparências. Foi um pedido da Pansy para a galera e os pais dela não desconfiarem do nosso término." eu expliquei "Mas, como eu disse, era só aparência, ou você não notou que não rolava mais nada quando saíamos todos juntos?"

"Eu não percebi nada!" ela respondeu, simplesmente.

"Óbvio que não! Com o Harry sempre te agarrando e tomando tequila no seu pescoço, é difícil perceber qualquer coisa!" eu falei, disfarçando na ironia a raiva que eu estava sentindo de Harry e recebendo como resposta uma careta dela "Ela só pediu que continuássemos fingindo quando saíssemos com a galera. Disse que ainda não estava pronta para contar para todo mundo que ia embora."

"E como você ficou com tudo isso?" ela perguntou, preocupada. Dava para perceber que ela não estava mais com raiva "Deve ter sido complicado enfrentar esse término de namoro sozinho... eu poderia ter ajudado!"

"Foi normal!" eu disse, sinceramente "Nem senti as mudanças."

"Credo Draco! E quando eu chamo você de Ice Man você nega!" ela disse, me dando um leve tapa no braço "Achei que você realmente gostasse da Pansy! Vocês ficaram juntos mais de um ano."

"Como eu disse, nada demais. Vou sentir falta do sexo, mas fora isso..." eu falei e ela me lançou um dos seus olhares indignados.

"Homens!" ela disse, inconformada "E ela, como ficou?"

"Mal, mas foi melhorando aos poucos. Agora ela já está normal também!"

"E não dava para dar um jeito?" ela perguntou "Sei lá! Ela não viajar com os pais ou vocês tentarem um relacionamento a distância... não sei... qualquer coisa para que vocês continuassem juntos." ela sugeriu.

"É complicado Freckles..." eu comecei. Como eu explicaria para ela que o motivo real do nosso término era o ciúme que a Pansy tinha dela? E com razão, diga-se de passagem! "... na realidade, a mudança só foi o estopim, mas o nosso relacionamento não estava bem... com ou sem mudança, iríamos terminar cedo ou tarde."

"Mas se vocês não terminaram por causa da mudança, qual foi o motivo?!" ela perguntou.

"Quer mesmo saber?" eu disse, deslizando minhas mãos da testa dela para uma de suas orelhas, provocando um arrepio inesperado nela. Meu olhar estava fixo em sua expressão e eu não fui desapontado quando vi seus olhos se fechando com mais força e seus braços se arrepiando. Linda!

"Golpe extremamente baixo!" ela respondeu e eu só conseguia pensar quais outras reações ela poderia ter se eu a tocasse nos lugares certos "Você sabe que a minha orelha é o meu ponto fraco." ela completou, com uma careta "Se você não queria me contar, era só falar... não precisava apelar!"

"E quem disse que eu estou brincando?" eu falei, ameaçando tocar a orelha dela novamente e rindo em seguida, para disfarçar. Mesmo imaginando várias situações envolvendo nós dois, meu lado racional se manifestou e me obrigou a parar de fazer aquilo. Ainda não era hora de falar certas coisas para ela... eu tinha que pensar muito antes disso "Crise, Freckles... não dava mais para levar! Éramos muito diferentes."

"Depois desta resposta completamente vaga, está claro que você não quer me contar, então eu não vou mais insistir!" ela respondeu, com uma nova careta "Bom, ao contrário de você, eu compartilho as minhas novidades e tenho uma bomba para te contar" ela virou-se e se sentou de frente para mim, desta vez eu não pude impedi-la.

"Assim como a Pansy, eu também vou viajar!" ela disse animada, enquanto prendia os cabelos novamente. Isso era sinal que a massagem havia acabado e que ela já estava bem.

"Para onde você vai?" eu perguntei, curioso.

"Paris! Não é fantástico!?" ela disse, empolgada "Eu e Harry vamos visitar o Sirius em Julho! Ficaremos lá o mês todo, conhecendo a Europa!"

"Mas ainda faltam dez meses!!" eu disse, detestando a idéia de Harry viajar com ela... detestando a idéia que ele podia fazer tudo o que eu queria fazer com ela... filho da puta "Você não acha meio precipitado?"

"Tudo sai bem mais barato quando planejamos com antecedência!" ela respondeu "O que poderia dar errado?"

"Sei lá! Você mesma disse que você e o Harry estavam meio em crise." eu disse, na defensiva, tentando lembrá-la da conversa que tivemos enquanto eu estava no hospital, onde ela me confessou que ela e Harry estavam discutindo muito e por qualquer besteira.

"Crise que já resolvemos conversando! Nada sério!" ela respondeu "E isso foi há um tempo! Agora estamos ótimos!! Lembre-se Ice Man, uma DR pode resolver tudo!" ela disse, sorrindo.

"Fico feliz pelo casalzinho!" eu disse, com um sorriso amarelo e querendo matar Harry em pensamento. "Só não entendo toda essa explosão de sentimentos de vocês dois! Às vezes parece meio irreal!"

"Você vai ver, algum dia, que é mais real do que você pensa! Cedo ou tarde vai aparecer a garota que vai quebrar de vez esse seu jeito gelado!" ela disse, me dando um beijo na bochecha e levantando "Vou voltar para o quarto... muito obrigada pela massagem! Você salvou a minha noite! Agora vou tentar acordar o Harry e aproveitar ainda mais!" ela disse com seu jeito sapeca e as bochechas vermelhas. "Temos que conversar mais vezes! Sinto falta disso, Ice Man!"

"Sempre estou aqui Freckles... para qualquer coisa" eu falei, enfatizando o 'qualquer coisa' e torcendo, ao vê-la entrando na casa, para que a ressaca de Harry, o filho da puta, fosse forte o suficiente para que ele não acordasse.

I want you.
I want you so bad.
It's driving me mad!


Continua…

N/A #3: Agradecimentos imensos à "Raquel", que me ajudou na escolha maravilhosa de Freckles (Sardas) para o apelido da Ginny, e tbm à aDii, com a sua review fofa e deslogada! Dii, farei o possível para te deixar orgulhosa! Prometo!! =D