— Bom, Sadie, vou te contar tudo de uma vez. Deu uma encrenca danada ontem à noite, o Ron saiu com a perna toda ferrada, e a Ray correu pra ver o que estava acontecendo, e... Acontece que ela foi mordida por um lobisomem.
O coração de Sadie parecia ter parado de bater por um instante.
— E aí levaram ela pro St. Mungus. — Completou Hannah, parecendo tão aflita quanto a colega loira. — A gente já falou com o Dumbledore e conseguiu permissão pra ir ver como ela tá. O que, aliás, é o que a gente tá fazendo, se você não tinha percebido ainda...
Sadie só concordou com a cabeça e grudou um pouco mais na cintura de Lino, sem conseguir formular uma frase coerente. O cenário passava por eles como um borrão, mas de repente ela queria que fossem mais rápido.
— Mas como é que... Quem é que... Hã?
George deu uma risadinha.
— O "como é que" a gente vai descobrir assim que falar com ela. O "quem é que"... Bom. Tá preparada?
A menina assentiu. O ruivo continuou, sem tirar os olhos do céu nublado à sua frente:
— Foi o Lupin.
Agora é que ela não entendia mais nada.
Quando finalmente chegaram à casa da menina, quem atendeu a porta foi uma senhora baixinha, de cabelos compridos e brancos, que sorriu para eles de um jeito muito parecido com o de Rayvenne.
Ela parecia ser a única pessoa presente na casa.
— Oi... Vocês são os amigos da Venne, não?
Sadie fez que sim com a cabeça, enquanto Hannah murmurava um "aham". Os outros três estavam quietos.
— Entrem! Ela ainda está no hospital, mas o avô dela mandou avisar que já vem. Eu sou Adelyn, avó dela.
Os cinco se apresentaram brevemente. Não demorou muito para que a porta se abrisse; dessa vez, quem entrou foi um senhorzinho careca, acompanhado de Rayvenne.
A primeira coisa que Sadie fez foi dar um abraço esmagante na amiga, que tentou sem muito sucesso livrar-se do aperto. Assim que a loirinha conseguiu se livrar de Sadie e de Hannah (que haviam tido a mesma idéia), pulou no pescoço de Fred, que a abraçou bem forte.
Sadie riu, aliviada. Pronto, a amiga já estava de volta.
— Ô, Ray! Como você tá? — Indagou Lino, preocupado.
— Eu? Ótima... Não vou sair mordendo ninguém nas noites de lua cheia! — Respondeu a pequena, com um sorriso. — Só vou ficar um pouco mais agressiva. O Lupin me explicou tudo; relaxem que eu tô legal.
— Sadie, eu odeio as suas cobras! — Uma vozinha muito conhecida soou da porta. Fredinho havia seguido a dona e seu avô porta adentro, e agora estava empoleirado no ombro da menina, como um papagaio de pirata. — Você faz idéia de quantas vezes eu tive que falar com elas pra elas entenderem que a mamãe tinha sido machucada? E que era pra acordar você e mandar você ir pro castelo? A loira é você e as cobras que são burras!
O ano letivo acabou bem rápido depois disso. As férias de verão foram caóticas, como sempre haviam sido; já um bom pedaço das férias havia passado (e Sadie estava quase enlouquecendo) quando uma carta chegou à casa de verão da família Cottonwealth.
— Sadie! Sadie! — Uma garotinha disparava pelo corredor, indo ao encontro da loira, que estava em seu quarto terminando de se vestir. Ao vê-la entrar, Sadie sorriu. Era sua priminha Elanor, de cinco anos; a preferida da mais velha. Tinha cabelos cacheados e olhinhos escuros, e era a criaturinha mais doce e inteligente que Sadie já conhecera.
— Fala, Ellie. — A loira sorriu para Elanor enquanto penteava o cabelo molhado. Eram nove da noite, mas ela acabara de sair da piscina.
— Chegou uma carta pra você!
Elanor tinha um gordo envelope vermelho em sua mãozinha, que estendeu para a prima. Sadie abriu o envelope com certa curiosidade, mas não teve tempo de ler o que estava escrito na carta, porque a porta foi aberta de repente.
Um garotinho de cabelos escuros e lindos olhos cor-de-mel apareceu na porta. Esse era Benjamin, o irmão gêmeo de Elanor; tinha fama de "terremoto" na família por não parar quieto um segundo, mas conseguia ser um amor quando queria. O problema é que ele quase nunca queria.
— As corujas trouxeram duas cartas! Êêê, Elanor...
A pequenina deu de ombros enquanto Benjamin entregava outro envelope à prima, dessa vez verde.
— Lê a minha primeiro! — Exigiu o garoto. Sadie sorriu e abriu o envelope verde sem demora.
Sadie,
Como vão as férias? Já enlouqueceu completamente ou só um pouco?
Bom, eu tenho um convite pra te fazer. Meu pai conseguiu entradas para a final da Copa Mundial de Quadribol no camarote de honra, e eu convenci ele a comprar uma a mais... Você quer ir?
Vê se responde logo, Cottonwealth. Deu trabalho para convencer o meu pai e ele diz que se você não responder rápido, vai convidar outra pessoa. Se eu acabar sentado ao lado do meu primo Klaus em vez de você, pode esperar um feitiço bem feio quando a gente voltar para Hogwarts...
Draco
A loira abriu um enorme sorriso, bem na hora em que a porta era aberta uma terceira vez. Completando o quarteto de primos Cottonwealth, quem entrou no quarto de Sadie foi uma loirinha linda e elegante, de cabelos muito lisos e corpinho magro já começando a tomar algum formato. Também conhecida como Haley, a adorável buzina constante na orelha de Sadie tinha oito anos e não desgrudava da mais velha um só segundo. Seu passatempo preferido era brigar com Benjamin, que também tinha como atividade predileta provocar a prima do meio.
Haley empunhava uma pequena varinha rosa-choque. Desde que ganhara sua primeira varinha, no Natal, não largava o objeto nem para dormir.
— Ooooi, Sadie! — A loirinha apertou as bochechas da prima com muita força, algo que adorava fazer. Principalmente porque Sadie odiava. — O que você tá fazendo?
— Lendo carta, dããã. — Replicou Benjamin. Enquanto esticava a mão para o envelope vermelho, a mais velha tinha um péssimo pressentimento.
— Eu perguntei pra Sadie, seu inútil.
— HAY! Olha a boca! — Sadie ralhou, já sabendo muito bem onde essa história ia dar. Tentou desligar mentalmente as vozes das crianças enquanto lia a segunda carta, na caligrafia familiar de Fred. Ou de George? Eles tinham a mesma letra!
Oi, Sadie!
Você sabe da final da Copa Mundial, né? Então. Papai conseguiu lugares ótimos pra gente assistir, e tem lugar sobrando... Chamamos você, a Ray e a Hannah. O jogo é na segunda à noite, mas eu e o George vamos pegar a Ray no domingo e ela vem passar o resto das férias com a gente... Quer que a gente pegue você também?
Ah, e se os seus pestinhas estiverem te enchendo muito, dá essas balas pra eles se distraírem um pouco...
Fred
Sadie começou a rir, sem nem tirar as balas do envelope. Dois convites para o mesmo evento! Agora era só convencer a sra. Cottonwealth a deixá-la ir, e decidir com quem iria. Estava morrendo de saudades dos amigos, e se fosse com Fred e George, veria os Weasleys e Rayvenne ao mesmo tempo, o que era um grande ponto a favor. Mas depois de uma briga enorme e estúpida com Hannah por correio – por correio! – ela não queria ver a cara da garota de cabelos coloridos de jeito nenhum.
Por outro lado, se fosse com Draco, estaria longe de Hannah e perto do namorado. Esse pensamento já a alegrava bastante. Mas finalmente conheceria Lucius Malfoy, pai do garoto e provavelmente a pessoa mais intimidadora de quem Sadie já ouvira falar...
— Accio envelope! — Um jato de luz saiu da varinha rosa-choque de Haley, interrompendo os pensamentos da prima. Apesar de só Haley saber ler, Benjamin e Elanor também se juntaram em volta da loirinha para "ler" a carta verde.
Terminando a leitura, Haley fez duas coisas.
A primeira foi apertar novamente as bochechas da prima, tão forte que dessa vez realmente doeu.
A segunda foi sair correndo pela casa, seguida pelos gêmeos, os três cantando a plenos pulmões:
— A Sadie tem namorado, a Sadie tem namorado...
A mais velha não teve a menor dúvida. Tirou um embrulho colorido do envelope vermelho, que Haley não pegara, e saiu com sua melhor cara de inocente para encontrar os priminhos.
Não demorou muito para achá-los, ainda cantando a Sadie tem namorado em volta da mesa de jantar. Sadie sorriu de leve e anunciou:
— Hay! Ellie! Ben! Meu amigo Fred me mandou umas balinhas, mas só tem três... Vocês querem?
Haley e Benjamin enfiaram as mãozinhas no pacote que Sadie lhes estendia e foram abrindo as balas sem pestanejar. Elanor ficou em dúvida, olhando para a prima com uma carinha pensativa.
— Você vai ficar sem nenhuma?
— Se ferrou! — Riram os outros dois em uníssono.
— Pode ficar com a minha, eu não gosto de bala dura! — Elanor disse, com um sorriso.
A mais velha sorriu, ainda segurando o pacote, e levantou Elanor em seu colo. A pequena passou os dois bracinhos em volta do pescoço de Sadie.
A próxima coisa que ela soube foi que Haley e Ben gritaram ao mesmo tempo enquanto suas línguas aumentavam de tamanho e correram cada um para uma mãe; as tias de Sadie demoraram um bocado para desfazer o feitiço. Enquanto isso, Elanor e Sadie tentavam não rir, se entreolhando com uma expressão marota.
— Esse seu amigo Fred é um idiota! — Exclamou a mãe de Haley, trazendo em seu encalço a loirinha que não parava de berrar. Sua língua já voltara ao tamanho normal, mas parecia que os pulmões haviam dobrado de tamanho, de tanto que ela gritava. A mãe de Benjamin, segurando-o no colo, não disse nada, mas também parecia estar brava.
— Hay, Ben, desculpa! Eu achei que eram balas mesmo! — Sadie retorquiu com sua melhor cara de inocente. Enquanto colocava Elanor no chão e ia ver como estava a língua dos outros dois, a menina só tinha um pensamento.
Aquele seu amigo Fred era um gênio.
A/N: Ah, como eu queria uns caramelos incha-língua pra dar pra minha Haley e pro meu Ben de vez em quando... De qualquer forma, acho que só vai ter mais UM capítulo até eu deixar a história suspensa por um bom tempo pra poder me concentrar no vestibular e tal. Então, deixem reviews pra eu escrever logo! ;)
