Quando Sadie e Draco entraram no camarote de honra na Copa Mundial, acompanhados do pai do garoto, já era quase hora do jogo começar. Sadie fazia questão de se manter bem afastada do sogro; o homem a intimidava quase tanto quando na primeira vez em que se viram.


Flashback

— Pai? — Draco chamou, conduzindo Sadie pela mão por um longo corredor; haviam acabado de chegar à enorme casa dos Malfoy. O coração da menina estava a mil. Já ouvira falar tanto de Lucius Malfoy que não dava para evitar; estava muito nervosa para conhecê-lo.

Enfim, chegaram a uma sala ampla, suntuosamente decorada em verde e prata. Sentado em uma poltrona em frente à lareira, estava um homem de aparência imponente, com cabelos compridos e tão claros quanto os do filho. Sadie não pôde deixar de notar que eram muito parecidos.

Ela apertou com mais força a mão do garoto quando Lucius se levantou e foi em direção à dupla, estendendo a mão para ela.

— Então você é a Srta. Cottonwealth, de quem o Draco tanto fala?

Sadie apertou brevemente a mão gelada do homem, sentindo o sangue subir às bochechas. A expressão de Lucius era divertida, mas havia algo desagradável na aura dele, que Sadie não conseguia explicar. Algo que lhe dizia que, se ela pudesse escolher, o sogro a veria muito pouco.

— Cottonwealth... Esse sobrenome não é muito conhecido.

Havia um tom depreciativo nas palavras do homem. Sadie cruzou os braços, soltando a mão de Draco, que olhava para o chão.

— É, minha família não é exatamente da elite.

— Dá para perceber. — Lucius olhou a menina de cima a baixo.

Para Sadie, a única coisa que dava para perceber era que ela e o sogro não se dariam bem.

Fim do flashback


— Para falar a verdade, eu achei que você ia preferir vir com os Weasleys. — Draco comentou enquanto entravam no camarote. Já havia bastante gente lá. A menina deu de ombros.

— Até considerei isso, mas sabe... Eles chamaram a Hannah.

— Aliás, o que aconteceu? Vocês eram irritantemente grudadas antes.

Sadie suspirou, um pouco irritada de ter que contar a história novamente. Kia, Charlie, Olivia, Lino e os gêmeos já haviam perguntado a mesmíssima coisa em outras ocasiões.

— Nah... Foi só uma briguinha de nada, sabe? Mas a Hannah é um problema, não escuta ninguém!

Dizendo isso, a menina olhou em volta e travou por um instante. Um pouco mais à frente no camarote, olhando para ela e Draco com cara de surpresa, estavam os gêmeos, Rayvenne e a garota de cabelos coloridos...

... Que, como a loira já previra, virou as costas assim que viu quem havia falado seu nome.

— Ah, olha quem está aqui! — Sadie sorriu para os três amigos; ver aquele pessoal depois de um bom tempo a deixara empolgada. — Oi, Ray! Oi, Fred! Oi, George! Oi, Hannah!

— Err... Oi, Sadie... — Rayvenne acenou de volta. Os gêmeos deram um aceno sem entusiasmo, enquanto Hannah olhava firmemente para frente, mesmo que não houvesse nada para ver.

Isso irritou um pouco a loira, que resolveu retrucar:

— Eu disse oi, Hannah. — Como era de se esperar, a morena virou-se para ela e lançou-lhe um olhar congelante. Sadie não sabia se estava irritada ou triste com isso, mas não parou muito para analisar; tinha coisas melhores para fazer. — Bom, acho que algumas pessoas têm sérios problemas sociais...

Não teve muito tempo entre sentar com Draco – que parecia um tanto surpreso em ver os Weasleys no camarote de honra – e o jogo começar. Naquele momento, todo o resto foi esquecido, e quem estava no camarote ficou até meio rouco de tanto torcer.


A floresta estava deserta, a não ser por uma figura encapuzada, exalando uma aura ameaçadora. Tudo em sua postura demonstrava que não queria ser visto, e que não ia fazer nada que prestasse. A pessoa chegou a um ponto escuro da floresta e bradou um feitiço ininteligível, numa voz sombria e poderosa. Foi assim que um enorme crânio luminoso, com uma cobra saindo da boca – como uma língua – se projetou no céu.

A próxima cena que se passou foi horripilante. Para onde quer que se olhasse, corpos e mais corpos desconhecidos estavam estendidos pelo chão. Em algum lugar na pilha de mortos, duas figuras se destacavam – uma pequena loira e uma morena um pouco mais alta, de cabelos armados.

Era de madrugada quando Sadie acordou com um pequeno grito. Estava encolhida contra a parede gelada na parte de baixo do beliche, junto com Draco; sua cama era a de cima, mas eles haviam ficado um tempão conversando na noite anterior até ela cair no sono.

— Que foi? — O menino parecia não ter pregado o olho. Estava esticado, ocupando todo o comprimento da cama, os braços cruzados atrás da cabeça.

— Nada... Pesadelo. Fazia tempo que eu não tinha um sonho tão real. — A voz da garota estava rouca, de tanto que gritara durante o jogo.

Draco fez um gesto com a mão para que ela deitasse ao seu lado, o que a menina fez prontamente. O garoto, então, passou um braço em volta de Sadie; ela apoiou o rosto em seu ombro e fechou os olhos...

Sentindo a respiração calma e ritmada do menino, Sadie adormeceu de novo, mal tendo tempo de registrar que Lucius não estava na cama em que deveria estar dormindo.


O ano letivo começou bem menos agitado que o anterior, para o alívio de Sadie. O assunto principal nos corredores (e no dormitório... E durante as aulas... E em todo lugar, realmente) era o torneio Tribruxo, que reuniria Hogwarts e mais duas escolas de bruxaria em uma competição por um grande prêmio.

Sadie também estava empolgada com isso, mas nem pensava em participar. Mesmo que pudesse (não podia; era só para alunos com dezessete anos ou mais), nunca fora boa em competições. Sabia que era inteligente, mas demorava bastante para resolver as coisas, e sua desenvoltura física era mais precária do que a de Haley.

O que era engraçado mesmo era ver Fred e George tentando arrumar um jeito de burlar as regras e se inscrever para o torneio, e Rayvenne tentando ajudá-los. Era cada idéia... Sadie só ria. Não acreditava que nada daquilo fosse dar certo, mas era divertido imaginar.

— Este ano, vocês estarão prestando seus N.O.M.s, os Níveis Ordinários em Magia. Devo dizer-lhes que não aprovarei nenhum aluno sonserino que não tire pelo menos um O em Poções. Além disso, esse ano, vocês estarão escolhendo a profissão que irão cursar. Cada um de vocês, sonserinos, deverá vir falar comigo para discutirmos sobre o seu futuro e... Tomarmos providências quanto a ele.

O jeito com que o professor Snape terminou essa frase foi muito maligno. Sadie fora sentar no fundo da classe com Rayvenne, já que naquele ano tinham Poções no mesmo horário, e tinha o pergaminho aberto à sua frente. A menina conhecia sua relação com Poções – achava a matéria tão divertida quanto era difícil – e não quis perder nem um pedaço da explicação do professor sobre as ervas que usariam naquela aula; rabiscava furiosamente no pergaminho.

— Muito bem... Quero que vocês preparem a Poção da Paz e tragam para mim um frasco com o seu nome. Muito cuidado, pois é uma poção de nível N.O.M. — Snape adicionou, enquanto a loira mais alta revirava as páginas do livro em busca das instruções. A parte prática era muito mais fácil do que a teórica, se ela seguisse direitinho as direções que o livro lhe dava...

Claro que ter Rayvenne ao lado, preparando sua poção com ar de tédio e dando instruções extras, facilitava bastante o trabalho. Em meio a instruções sobre a poção e comentários aleatórios, Sadie descobriu que a amiga passara o verão na casa do professor Lupin... O que a fez achar que a garota tinha bem mais sintomas de lobisomem do que contara aos amigos. Mas não ia se meter nessa parte da coisa, já que Rayvenne simplesmente dissera que era "coisa do avô".

Uma coisa que Sadie havia aprendido era que, quando Rayvenne não queria falar sobre alguma coisa, não falava e pronto.


Foi numa sexta-feira que os alunos de Durmstrang e Beauxbatons chegaram a Hogwarts, causando um grande alvoroço. No salão principal, cada aluno novo se alojou na mesa que preferiu – o que significava que Sadie, ao sentar perto de Kia e Charlie, acabou conhecendo uma aluna de uniforme azul que parecia quase tão empolgada quanto ela própria.

A garota, de nariz arrebitado e cabelos um pouco mais escuros do que os de Sadie, era baixinha e animada. Assim que a mais alta sentou-se ao lado dela, que já estava conversando com Charlie e Kia, já puxou conversa:

— Oi! Você é de Beauxbatons ou Durmstrang?

— Beauxbatons... Meu nome é Demi Chienbeau, e o seu? — A pequena rebateu. Tinha um leve sotaque francês, mas mal se podia percebê-lo.

Sadie se apresentou; ficaram conversando um bom tempo. Demi era divertida; ainda mais se juntando a Kia, Charlie e Sadie, o assunto nunca acabava – os quatro falavam pelos cotovelos.

Naquele dia, Sadie pressentiu que a pequena tagarela se tornaria uma grande amiga do trio.


A/N: Gostaram desse? Porque eu gostei. Apesar de o 7 ter sido meu melhor até agora... Bom! Pra quem estava se perguntando, Demi Chienbeau, em francês, quer dizer algo como "belo cachorrinho", o que eu achei muito a cara da Demi na vida real. Afinal, não lembro por quê, mas a gente já vive dizendo que ela é um cachorrinho... Bom, graças a um bugzinho do site, não vai dar pra postar mais um capítulo antes de voltar às aulas (na segunda-feira, dia 1). De qualquer forma, a partir desse capítulo, provavelmente não vou atualizar mais a fic por um BOOOOM tempo. Então é. Boas aulas!