Quando Sadie chegou à entrada do salão, a primeira coisa que notou foi a expressão – no mínimo surpresa – de Draco. Expressão que a deixou muito satisfeita.

— Pra uma menina que eu conheci com meio cabelo desfeito e cara de guaxinim, isso é um avanço e tanto. — Foi o que ele disse ao cumprimentá-la com um beijinho rápido. Draco também estava lindo, a roupa preta destacando seus olhos, que pareciam ainda mais claros naquele dia.

A loira riu e eles deram-se os braços.

— Pra um garoto que eu conheci de pijama e cara de sono, idem, Malfoy.

Sadie não pôde deixar de notar que Crabbe e Goyle não haviam conseguido arranjar companhia. Quando eles se juntaram ao casal, estavam com a mesma cara de mongos que sempre tiveram, só que vestidos um pouco melhor.

Dali a pouco, uma figura baixinha de vestido preto veio ao encontro do quarteto, enroscando o braço em Goyle. Sadie levantou uma sobrancelha para a amiga, mas não fez nenhuma objeção quando ela pediu para ficar com eles. Draco também não disse nada, só achou estranho.

Ao longe, Fred e Angelina riam muito; vira e mexe, Fred dava uma olhada na direção de Rayvenne. Hannah e George estavam no meio de um debate empolgado. Demi e Charlie riam, entretidos numa conversa com Kia e um garoto muito bem vestido. Olivia, grudada no braço de Gary Gardner, estava uma gracinha com sua roupa verde-escura.

Não demorou muito para que os campeões entrassem e uma música lenta começasse a tocar. Antes que Sadie percebesse, Draco já havia enlaçado sua cintura.

— Você não acha que eu sei dançar, certo? — Disse a menina, enquanto passava o braço em volta dos ombros de Draco. Ele sorriu.

— Nah... Eu já sabia da sua coordenação motora.

— Engraçadinho. Por acaso você sabe?

— Por acaso, senhorita, há muitas vantagens em ser um Malfoy. Uma delas é que você tem um evento formal a cada três segundos, e acaba tendo que dançar com prima de óculos desde os cinco anos.

Enquanto isso, Draco conduzia e Sadie tentava acompanhar o ritmo. Realmente, era até fácil dançar quando o seu parceiro sabia o que estava fazendo; desde que ele não saísse muito do dois pra lá, dois pra cá, não teria problema...

Dava até para parar de contar os passos e chegar um pouco mais perto, apoiando o rosto no ombro do menino e sentindo o cheiro bom de colônia masculina.

— Parece que os seus amiguinhos querem me matar. — Ela comentou, percebendo o olhar congelante que Pansy Parkinson lhe lançava.

— Nem me fale...

O menino parecia estar meio nervoso, já que agora precisava se concentrar um pouco mais para não perder o ritmo. Percebendo isso, Sadie afrouxou o aperto em seus ombros e suspirou.

— Tenho uma proposta, Draco. Assim que acabar a valsa, a gente some.

Draco apenas sorriu e continuou dançando.


O ar da floresta era muito mais fresco e convidativo, apesar de a noite estar gelada. Lá perto, às margens do lago negro, Sadie avistou uma chama verde – nada surpreendente, já que ela não devia ser a única a achar que a floresta parecia um ótimo lugar para fugir da multidão. Fazer uma fogueira enfeitiçada seria no mínimo sensato para quem não quisesse congelar.

Draco conduziu a menina pela mão até um tronco seco, velho conhecido dos dois, bem na entrada da floresta. Era a mesma cena de quase todo dia, só mudavam os trajes.

Assim que sentaram, o menino esticou uma mão e examinou, com delicadeza, o colar que a menina tinha no pescoço. Seus lábios se curvaram em um sorriso.

— Você gostou mesmo disso, hein?

— Tem as minhas cobrinhas. — Ela respondeu, colocando uma mão por cima da dele. Apesar do tempo gelado, de algum modo, as mãos do garoto continuavam mornas.

— Sabe, Cottonwealth, ainda é meio difícil acreditar que alguém como você tem duas cobras de estimação.

Sadie riu. Continuaram falando disso por algum tempo, sempre divagando muito; vira e mexe, a conversa parava por alguns instantes e as palavras não eram necessárias, depois voltavam a algum assunto aleatório como se nada tivesse acontecido. Sadie adorava isso; mais do que tudo – e mais até do que Draco parecia querer admitir – eram amigos.

Claro, se "amigos" significa que as suas conversas com a pessoa param subitamente, e vocês dois têm a mesma idéia ao mesmo tempo, e passam uns bons minutos sem precisar dizer nada.

Sadie vinha reparando que Draco estava mais carinhoso com ela, menos relutante em tomar qualquer iniciativa... O que ela realmente aprovava. Estava justamente aprovando essa mudança quando um grito agudo veio das proximidades do lago negro...

A próxima coisa que Sadie avistou foi uma figura de vestido preto e cabelos muito lisos correndo em direção ao castelo de Hogwarts.

Ela nem percebeu o que estava fazendo, mas antes que soubesse, já estava soltando as mãos de Draco e levantando. Vendo isso, ele simplesmente agarrou o pulso da menina e a puxou de volta para o tronco, fazendo com que caísse.

— Onde raios você pensa que vai? — Perguntou, num tom muito autoritário, enquanto Sadie tentava levantar. Havia caído no chão e seu vestido cor-de-rosa agora estava sujo de terra.

Draco ajudou a menina a se erguer, mas não soltou seu pulso.

— Como você é gentil. — Ela repreendeu. — E eu vou falar com a Ray... Desculpa, é que ela tá mal, e...

— ... E você esquece completamente que tem com quem ficar aqui, assim que a sua amiguinha tem mais um ataque dramático. E, aliás, não entendo qual é a preocupação. Ela odeia isso, e você sabe.

Sadie suspirou e passou a mão livre pelo cabelo.

— Draco. Você não tem irmãos, tem?

— Não, e nem você. — Ele retorquiu, num tom seco.

— É, mas tenho a Hay, a Ellie e o Ben, que são quase meus irmãozinhos. Aliás, eles são quase meus filhos, porque eu até já troquei fralda dos três. De qualquer forma... Você tem algum parente muito próximo? Alguém de quem você cuida, e que pode nem precisar da sua ajuda, mas você sente que é seu dever proteger?

Draco pensou por um instante. Por fim admitiu, de mau gosto:

— Minha família não é exatamente desse jeito. E eu sou o mais novo, fora uns primos distantes que eu só vejo em festas de família.

— Então você não sabe como é ver alguém que você considera basicamente sua irmãzinha passar mais de um mês tão triste que nem parece mais a mesma, e não poder fazer coisa nenhuma pra ajudar! E quanto mais você tenta se aproximar, mais ela se fecha!

Mas dane-se! Não é problema seu! Por que essa mania de ser mãe de todo mundo? Até entendo você dar uma ajuda se a menina te procurar, mas quando a pessoa foge...

Sadie percebeu que Draco havia afrouxado o aperto em seus pulsos; aproveitou a oportunidade para soltar o braço e entrelaçar somente as pontas dos dedos com os dele. O menino parecia não querer mais conversa.

— Eu até sei que é bobagem, mas não dá pra evitar. E nem é só com a Ray isso, é com todos os meus amigos... É que com ela eu tenho mais essa coisa de instinto maternal.

— Bem que eu percebo que é com todo mundo. Assim que alguém da Grifinória ou da Corvinal precisa de qualquer ajudinha, lá vai você. É a Chienbeau que precisa trocar o vestido e não sabe o caminho pra Hogsmeade, é a Rosepawn e suas historinhas que você tem que ajudar a terminar, é o Dugford... Quando é que eu vou ter você só pra mim, hein, Cottonwealth?

Sadie sorriu, o coração acelerando. Então aquela irritação toda era ciúme! E ela achando que era só implicância do menino...

Foi por isso que ela sentou de novo no tronco de todos os encontros, puxando Draco consigo e passando imediatamente um braço em volta de seus ombros. Então colou a boca na dele e disse, bem baixinho, as palavras fazendo os lábios vibrarem:

— Agora.


A/N: Eeeita, esse capítulo foi um parto... E o mais curto até agora! Outro dia a Rayvenne passou o dia todo aqui em casa tentando me ajudar a escrever essa joça, e só agora eu consegui. Em compensação, temos boa parte da história planejada! Enfim. Vocês sabem a história: terceiro ano me impede de postar muita coisa, mas reviews fazem feliz uma autora estudiosa. Então... Contribuam! ;)