A/N: As semanas de provas foram no mínimo tensas... Nada melhor do que relaxar com um capítulo novo, né?


Ainda levou um tempinho para que Sadie saísse da ala hospitalar; a madame Pomfrey queria se certificar de que a garota estava cem por cento bem e não ia se aventurar perto de serpente nenhuma. Claro que Sadie prometeu que não. Olivia havia feito um trabalho fantástico contando à enfermeira que a amiga corvinal gostava de animais e de vez em quando ia à cabana de Hagrid para ajudá-lo a preparar as criaturas para a aula seguinte, e que daquela vez a menina havia ido à Floresta por conta própria para ver se encontrava um animal legal... E Brownie acabara encontrando-a primeiro.

A gravata – que a loira enfiara no bolso da saia – agora pertencia a Phillip, já que Olivia era da Grifinória. As serpentes estavam seguras na casa de Hagrid e o guarda-caça tentara refazer o feitiço que impedia Brownie de morder qualquer membro da família Cottonwealth, sem muito sucesso, mas não era como se a dona do animal pudesse exatamente se aventurar pela Floresta tão cedo sem levantar suspeitas... Por enquanto, a cobrinha estava sem feitiço mesmo.

Porém, a coisa que mais a surpreendeu em tudo isso foi a reação de Hannah Crossbound. Não, elas não voltaram a ser amigas nem nada do tipo. Mas parecia que, ao saber do ataque da naja a Sadie, Hannah ficara preocupada. Tudo o que a loira soube foi que, desde então, estavam se falando – nada perto da amizade que tinham antes, até porque Sadie não queria voltar a confiar nela nem vice-versa, mas conversavam quando estavam juntas e conseguiam até se dar bem.

Era por isso que Sadie, Rayvenne, Olivia e Hannah passaram uma tarde de sábado juntas no dormitório da Grifinória, alterando as fantasias para a festa de Halloween que aconteceria na semana seguinte. As meninas haviam combinado de ir vestidas de várias personagens de contos trouxas; Sadie era a Bela Adormecida; Hannah, Branca de Neve; Rayvenne, Alice, e Olivia era a Noiva-Cadáver. Naquele momento, cada uma estava vestindo o que por enquanto era só a base de sua fantasia, e tinham os livros antigos de Rayvenne – a única nascida trouxa – abertos em cima de uma das camas.

— Alguém mais acha estranho que essa Bela Adormecida vai dormir com um vestido de festa até o príncipe chegar? Isso deve ser desconfortável pra caramba; bota a menina numa camisola, Walt Disney! — Reclamava a loira mais alta. Seu vestido por enquanto era só cor-de-rosa e sem graça, mas ela estava bem mais interessada na coroa do que no vestido. Era um adorno de cabeça engraçadinho, em formato de cobra retorcida.

— E a tal Branca de Neve? É uma anta! A velhinha chega, dá uma maçã pra ela, e o que ela faz? Vai lá e come! — Hannah, por sua vez, ainda não conseguira acertar o feitiço que deixasse a blusa azul e a saia amarela; estava tudo um azul-amarelado que parecia difícil de reverter.

De vestido azul-claro, ainda comprido demais para ela, Rayvenne só ria. Olivia já conseguira o efeito que queria no vestido branco de noiva; para parecer mais com a noiva-cadáver, as mangas estavam rasgadas na ponta e a barra ligeiramente assimétrica. O véu também estava pronto, obra de uma garota cuja habilidade em feitiços quase superava a de Hermione Granger.

— Licença, mas eu nem sou de conto de fadas! Sou de história de terror! — Protestou Olivia, observando divertida enquanto Sadie enfeitiçava os olhos da serpente em sua coroa para fazê-los muito vermelhos, iguais aos de Muffin.

— Você pelo menos não vem de uma historinha cuja única explicação é que o escritor tinha tomado firewhiskey demais... — Rayvenne retorquiu.

Em meio a vários feitiços para ajeitar as fantasias, as quatro continuavam discutindo seus contos de fadas. Quando a roupa azul de Rayvenne ficou pronta, perfeitamente no estilo Alice, já estavam vendo besteira onde não tinha na história da Bela Adormecida. Quando Sadie estava devidamente vestida em uma fantasia de vários tons de rosa e coroa de serpente, o assunto já passara para "qual dos príncipes é mais bonito". Hannah terminou sua fantasia quando a conversa consistia em associações entre os personagens dos contos e os integrantes do Galinheiro. Finalmente, Olivia deu os toques finais em sua roupa de noiva quando já estavam mais rindo do que falando.


A festa do Halloween foi um sucesso; um dos dias mais divertidos que Sadie já passara em Hogwarts. Todos os galinheirenses fantasiados, doces feitos por Devon e Faith, teias de aranha por todo canto, histórias de terror em volta de uma pequena fogueira... Inclusive, quem mais contou histórias foram Faith, Sadie e os recém-descobertos irmãos de Rayvenne, Brendan e Johnathan Goldenwing. Desde o começo Sadie se dava bem com os dois garotos; os quatro (ela, os meninos e Rayvenne) eram obcecados pela mesma banda. Johnathan e Brendan eram ótimos contadores de histórias, tanto que a irmã deles acabou a noite praticamente arrancando o braço de Fred de tanto medo.

Foi divertido.

Ao fim da festa, também acabou-se a vibração positiva – ou algo do gênero – que havia entre Sadie e Hannah desde o incidente com a cobra. Parecia que o choque de quando a loira quase morreu envenenada já estava passando, e Hannah voltara a olhar para ela com cara de desprezo. Não que Sadie se importasse; achava até estranho se darem bem e gostava muito da distância. Enquanto estiveram brigadas, Sadie e Hannah se tornaram pessoas muito diferentes. Não exatamente para o bem nem para o mal. Só o suficiente para serem incompatíveis.

O único momento em que as duas se reuniam era a aula de História da Magia que Rayvenne resolvera começar a ter com elas e quem mais quisesse comparecer, todas as quartas-feiras, na sala comunal da Sonserina. Nessas ocasiões – que estavam fazendo maravilhas para o desempenho de Sadie na matéria – todo mundo calava a boca e prestava atenção somente na explicação.

Acontece que nem tudo era assim tão simples na vida dos alunos de Hogwarts naquele ano. Como todos sabiam, Voltemort havia voltado, e alguns alunos se juntaram a Harry Potter para aprender a duelar – formando a Armada de Dumbledore. A própria Sadie não estava nesse clube; suas habilidades em feitiços defensivos eram mínimas e ela nunca se considerara muito boa em confronto. Mas ela sabia que era um grupo secretíssimo que se reunia na Sala Precisa sempre que possível, e eles já estavam ficando muito bons. Sabia que muitos integrantes do Galinheiro faziam parte da turma.

Até que aconteceu algo bem inconveniente, um tempo depois do Halloween.

Estavam em uma aula de História da Magia – não a aula de Rayvenne, na qual todo mundo aprendia pelo menos noventa por cento da matéria que ela ensinava, mas a do professor Binns; ou seja, os alunos faziam tudo que não fosse prestar atenção. Naquele momento, por exemplo, Sadie escrevia a letra de uma música no pergaminho, Rayvenne desenhava qualquer coisa e Kia tentava terminar uma palavra-cruzada especialmente difícil.

Quando Sadie estava quase terminando o refrão, levou uma cutucada da amiga baixinha.

— Sadie, a gente tem uma missão pra você.

— Espeeeera... — E terminou a última linha do refrão. — Pronto, pode falar.

Kia lançou-lhe um olharzinho incomodado, enquanto Rayvenne não alterou a expressão e continuou, baixinho:

— Então. Já que você não é da AD...

— ... E vai ser bem divertido assistir você fazendo isso e choramingar depois dizendo que tá com saudades...

— Pega leve, Kia. O ponto é que a gente queria que você ficasse de olho no seu querido ex e ajudasse a gente a descobrir o que ele tá aprontando.

Sadie encarou a letra da música por um instante. Queria ajudar o pessoal da AD, mas realmente não queria contato algum com Draco novamente... Muito menos prestar atenção no que ele fazia. Sabia fazer muita coisa direito, mas superar realmente não era uma delas – e além disso, morria de raiva do garoto por tentar atacar suas serpentes e por tirar de Brownie o feitiço que ela demorara tanto para fazer e não lembrava como fazer de novo.

Ela vira a Marca Negra no braço dele havia uns dias. Não que já não soubesse; estava bem óbvio que o garoto ia seguir os passos do pai e se tornar igual a ele. Mas agora dava um pouco de medo ficar por perto do loirinho.

— Se você não quiser a gente entende, mas ia ajudar bastante, e você conhece ele. — Rayvenne completou, percebendo a hesitação da amiga.

— É claro que ela não quer, Ray. O namoradinho deixou ela tristinha, e ela vai se fazer de vítima de novo! — Replicou Kia, sem tirar os olhos da palavra-cruzada.

Sadie não sabia se foi a provocação ou a vontade de ajudar o grupo que a fez decidir, mas resolveu que ficaria de olho. E a partir daí, foi o que tentou fazer.

Algo que nos próximos dias se mostrou muito mais difícil do que falar.


A/N: Concordo que não foi um dos meus melhores capítulos, mas demora um pouco pra pegar o jeito da coisa depois de cinco meses sem pensar na fic, certo? Prometo que o próximo fica mais legal. Bom, comentem! :)