A/N: Esqueci de contar isso no capítulo passado (na verdade eu contei, mas apaguei um enorme trecho e esqueci de recolocar essa informação), mas a Demi tinha escrito pro Dumbledore bem antes, pedindo permissão pra voltar a Hogwarts... Ele tomou as providências necessárias pra ela poder entrar :) Agora, ao capítulo!


Naquela noite, depois do jantar, Demi se despediu dos amigos com um au revoir apressado e logo montou em sua vassoura, desaparecendo no céu estrelado. Estavam em cima da torre de Astronomia, onde Olivia e Sadie não demoraram; Rayvenne, Fred, Hannah e George estavam em uma espécie de encontro duplo que a loira mais alta achava meio bizarro. De qualquer forma, deixaram os casais observando as estrelas e desceram ao corujal. A irmãzinha de Olivia, dois anos mais nova que Elanor e Benjamin, fazia aniversário naquela semana, e a morena tinha quase esquecido de enviar o presente.

Acontece que, quando chegaram ao corujal, a primeira coisa que viram foram duas corujas brigando feio. Uma delas, muito pequena e cor de ferrugem, tinha um envelope amarrado na patinha; a outra era bem maior e parecia empolgada com a briga. Era patada e bicada para todo lado.

Sadie não sabia se ria ou se tentava ajudar.

— Err... E agora, Liv?

A baixinha também estava meio rindo.

— Sei lá! A amante de bichos aqui é você!

A mão de Sadie alcançou a varinha no bolso das vestes e ela ficou encarando o instrumento, sem muita certeza do que fazer. Ao que parecia, não havia motivo para a briga dos dois animais... Mas olhando mais perto, ela viu que a coruja maior – muito bonita, por sinal; era branca e marrom – tinha um pequeno amuleto negro amarrado em uma das patas. O pássaro menor, pelo jeito, estava muito incomodado pelo objeto, e a coruja grande, pela presença da outra por si só.

Mas parecia que a pequenininha estava realmente se machucando, então Sadie mirou a varinha nas duas corujas e enunciou:

— Petrificus Totalus!

A coruja grande, como estava repimpada firmemente no poleiro, não caiu. A pequenininha, porém, estava muito precariamente equilibrada, e o feitiço que a paralisou também fez com que ela capotasse no chão do corujal.

Sadie e Olivia se adiantaram para acudi-la. Não parecia estar muito machucada, só tinha uns arranhões aqui e ali, e visivelmente faltavam algumas penas. O que realmente chamou a atenção das meninas foi o envelope amarrado em sua patinha, que estava endereçado a ninguém mais, ninguém menos que Draco Malfoy. Atrás lia-se Artemis Malfoy em uma caligrafia apressada.

A loira olhou para a amiga, que balançou a cabeça negativamente.

— É coisa pessoal dele, sua perseguidora maluca.

— Mas Liv! — Ela insistiu, ainda com uma mão no envelope. Estava tão fácil! Era só desenroscar da perna da coruja e levar... Depois ela se certificaria de que a carta chegasse às mãos de Draco. Só uma olhadinha.

— Vamos embora, Sadie.

Ela já tinha desamarrado o envelope, que agora estava no chão ao lado da corujinha imóvel.

— Liv, é meu trabalho ficar de olho nele, lembra?

Olivia puxou a amiga pela mão e a fez levantar, o que era bem difícil, sendo que a loira era consideravelmente mais alta e mais pesada.

— Ficar de olho não significa violação de privacidade! E até parece que é só pela AD que você vai fazer isso...

Sadie fez bico, mas seguiu a amiga, resignada. Não sem antes desfazer o feitiço e ver o pássaro voar até um poleiro bem distante do novo inimigo emplumado.

Assim que a porta se fechou atrás delas, a loira pensou de novo, correu para dentro, enfiou a carta no bolso e fingiu que não via o olhar de reprovação de Oliva por todo o resto do caminho para a sala comunal da Corvinal, onde haviam combinado de ficar até dar sono.

— Bom, agora que já roubou a dita carta, abre logo...

Olivia também estava curiosa, tanto que se pendurou sobre o ombro da amiga para ler. Sadie hesitou um pouquinho.

— Não era melhor a gente ir pro quarto ler? Aqui é tão... Sei lá. Aberto.

Mal a morena tinha concordado, alguém surgiu sorrateiramente por trás das duas e abraçou Olivia de surpresa. Ela pulou.

— Phil! Não me assusta! — A pequena exclamou, mas os dois riram. Sadie e Phillip simplesmente se entreolharam com um sorrisinho educado, e Olivia continuou. — A gente conversa mais tarde, OK? Agora eu e a Sadie vamos nos intrometer em assunto alheio.

— Ah, quero ver também. — Disse o menino, espiando o envelope com cara de interesse. Olivia e Sadie trocaram um olhar significativo e fizeram um gesto para que Phillip as seguisse para o dormitório, que estava vazio como previsto.


— Espera aí, Cottonwealth. Conta essa história direito. — Exigiu Kia. Estavam na reunião da AD, e Sadie havia acabado de contar aos amigos sobre a carta que interceptara – o único motivo pelo qual ela tivera permissão para ir à reunião naquele dia.

— Exatamente isso, Rosepawn. Eu peguei a carta porque... Bom, porque sim. Aí eu, a Liv e o Phillip abrimos a dita-cuja...

— E estava escrita em francês. — Completou Phillip, sentado no chão ao lado de Rayvenne. — Olha, a gente guardou a carta, caso alguém queira dar uma olhada, ver se decifra alguma coisa... Ninguém aqui fala francês, fala?

Hope Royalmaid levantou uma mão timidamente, o que fez até sua irmã virar para ela com cara de surpresa.

— Como é que nem eu sabia disso, Hope?

— Eu mal comecei a aprender... Outro dia tinha um livro de vocabulário básico de francês na biblioteca, logo ao lado do que eu queria alugar. Aí já aproveitei e aluguei os dois.

Phillip tirou do bolso o envelope e estendeu-o para a menina, que esticou uma mão para pegá-lo. Ela abriu a carta e franziu o rosto.

— Bom... "Mon cher" é "meu querido".

Sadie sentiu uma pontinha de náusea.

— "S'il vous plaît" é "por favor", e... Ai, que anta! A gente tá na Sala Precisa.

Faith, dá uma olhada naquela prateleira e vê se você não encontra um dicionário de francês em algum canto.

A Royalmaid mais velha fez um biquinho, mas ficou na ponta dos pés para pegar um grosso volume encadernado em azul. Depositou o dicionário ao lado da irmã, que estava sentada no chão com a carta em mãos e o rosto ainda franzido.

— Pelo que eu entendi, e não é quase nada, temos uma situação bem ruinzinha aqui. Deixa eu ver...

Hope passou alguns minutos fuçando no dicionário, olhando para ele e para a carta, para ele e para a carta. Enquanto isso, Kia e Hannah comentavam entre si que provavelmente não era nada de mais, só uma carta de namorados, e que Sadie só havia roubado o envelope porque ainda gostava do garoto. O resto alternava entre concordar com elas e olhar para o pergaminho com curiosidade.

Até que Hope exclamou um "santa mãe!" e recitou:

Meu querido... Que brega, aliás. Por favor, tenha cuidado. Não temos muito tempo até que aconteça. Prepare-se, aprenda a lutar e não se meta em nenhum tipo de encrenca desnecessária. Se o que você disse é verdade, não vai ser muito fácil vencê-los. Eles aprenderam com Potter e estão preparados. Não morre até a gente se encontrar de novo; sinto muitas saudades, meu pequeno. Sua prima preferida.

Um momento de silêncio envolveu a sala.

— O... K. Deixando as breguices de lado... — Começou Rayvenne.

Se o que você disse é verdade... Eles aprenderam com Potter... Isso não é bom. Isso realmente, realmente não é bom. Isso significa o que eu acho que significa, gente? — Phillip perguntou, já sabendo a resposta. Estava bem claro. Mesmo assim, mais um momento de silêncio pensativo se passou até que Sadie se pronunciasse em voz bem baixa.

— Significa que ele sabe sobre a AD.

— Como? — Indagou Hannah. — Ninguém aqui saiu contando, certo?

— Certo. — Sadie e Satine se entreolharam de um modo meio tóxico quando disseram isso em uníssono, mas logo se voltaram para a carta novamente.

— Mais importante do que isso, gente. — Interveio George. — Se ele sabe, e essa idiotinha dessa Artemis sabe, por que eles não nos delataram ainda?

A pergunta do menino ecoou pesadamente pela Sala Precisa. Nenhum dos estudantes sabia a resposta, mas todos tinham uma certeza: só podia ser um motivo bem, bem ruim.


A/N: Gostaram? Jesus, eu tenho que começar as author's notes de um modo um pouquinho mais original. De qualquer forma, deixem reviews, porque eu adorei escrever esse capítulo... E mesmo se não tivesse adorado, né. Aleatório, aleatório. Deixem reviews porque assim eu fico feliz e escrevo mais.

Aliás, fiquei extremamente empolgada por ter uma reviewer que eu não conheço (a Taty S. G) e que acompanhou a fic inteira! Achei que só os meus amigos – a.k.a. personagens das fics – liam... Bom, agora acabou essa a/n enorme e sem muito propósito. Reviews!